Poema de sábado: inspirações em versos
O Sábio Sábado nos diz para tomar cuidado com as comparações, não se compare com ninguém, não meça os limites do seu trabalho, da sua bondade, da suas ações com outras pessoas. Não compare jamais a sua vida, o seu casamento as suas escolhas com as outras pessoas, principalmente nas redes sociais.
Temos que entender em Deus que ele nos fez cada um com suas benças e um diferente do outro justamente para que possamos ser mais saudáveis e frutíferos a cada dia para honra e glória unicamente do nome de Jesus Cristo.
O maior desafio do Cristão nos dias de hoje é o uso das redes sociais justamente pelos perigos de comparação, nesse mundo virtual parece que todo mundo está sempre feliz e sempre melhor que você na família, nos relacionamentos, no trabalho, nas viagens, e deixa a falsa aparência que a sua vida que é repleta de presentes e milagres de Deus todos os dias é uma vida chata, dessa falsa percepção nasce a ansiedade e a depressão e Jesus se entristesse com isso e essa tristeza celestial será refletida através de você sem você perceber. Por isso, nesse sábado vamos focar nos milagres e nas bençãos que recebemos todos os dias, acordar é um grande milagre, tomar um café é uma grande benção. Pense nisso! E seja grato por sua vida abençoada e real.
*O FILTRO É O PROBLEMA*
No primeiro sábado realmente quente depois do inverno, fui ao parque central da cidade.
Não por esperança. Tenho idade suficiente para desconfiar de qualquer coisa que prometa renovação.
A primavera tinha chegado sem pedir licença. Havia flores demais, folhas novas demais, gente demais tentando recuperar em poucas horas aquilo que o frio havia roubado durante meses.
As crianças ocupavam os espaços com a irresponsabilidade própria de quem ainda não descobriu que a vida cobra juros. Algumas brincavam. Outras apenas estavam ali, largadas ao sol, como se não houvesse nada urgente no mundo.
Os adolescentes circulavam em pequenos grupos. Ensaiavam aproximações. Um olhar demorava mais que o necessário. Uma risada surgia sem motivo. Um deles ajeitava o cabelo antes de passar perto de alguma garota. Pequenas operações de guerra, ainda sem mortos.
Os adultos eram mais complicados.
Alguns caminhavam como se estivessem cumprindo uma obrigação médica. Outros conversavam, sorriam, fotografavam flores, filhos, cães, os próprios pés, qualquer coisa que pudesse provar depois que haviam participado daquele dia.
Havia também os de sempre.
Sentados com a expressão de quem fora condenado a respirar o mesmo ar que os outros.
Reclamavam da quantidade de pessoas.
Do barulho.
Das crianças.
Do calor.
Da primavera.
Esses deveriam ter ficado em casa.
Não porque o mundo lhes devesse silêncio, mas porque certas pessoas carregam uma espécie de quarentena particular. Saem de quatro paredes e levam outras quatro dentro da cabeça.
O curioso é que chamavam aquilo de realidade.
Fiquei observando.
O parque não era bonito.
Também não era feio.
Era apenas um lugar cheio de gente tentando interpretar o que estava diante dos olhos.
E foi aí que percebi o truque.
Talvez o caos nunca tenha sido tão caótico quanto parece.
Talvez o problema esteja no sujeito que olha.
Um homem vê uma multidão e sente ameaça.
Outro vê companhia.
Um enxerga crianças fazendo barulho.
Outro enxerga infância.
Um vê adolescentes desperdiçando tempo.
Outro reconhece, com alguma vergonha, a própria juventude.
A mesma cena. Cabeças diferentes.
E cada cabeça jurando possuir a versão correta.
Passei boa parte da vida fazendo isso.
Escolhendo um ângulo.
Defendendo uma interpretação.
Chamando suas preferências de princípios e suas feridas de experiência.
Depois comecei a perceber que muita coisa que eu chamava de verdade era apenas uma maneira confortável de permanecer sentado dentro da minha própria versão dos acontecimentos.
O sujeito cria uma explicação.
Depois passa a viver dentro dela.
Cria um inimigo.
Depois precisa encontrá-lo todos os dias.
Cria uma identidade.
Depois passa o resto da vida protegendo-a.
Cria uma história sobre si mesmo.
E quando alguém ameaça essa história, reage como se estivessem tentando arrancar-lhe a pele.
Talvez liberdade seja uma coisa bem menos gloriosa do que imaginamos.
Talvez seja simplesmente deixar de acreditar tanto na própria narrativa.
Eu olhei novamente para as pessoas.
As crianças continuavam brincando.
Os jovens continuavam tentando impressionar uns aos outros.
Os adultos continuavam fingindo que sabiam para onde estavam indo.
Os mal-humorados continuavam mal-humorados.
Nada havia mudado.
Só havia mudado o lugar de onde eu estava olhando.
E isso foi desconfortável.
Porque, quando o observador percebe que também faz parte da cena, perde a vantagem de julgar.
Não há mais plateia.
Não há mais personagem principal.
Há apenas alguém olhando.
E esse alguém também está sendo observado pela própria consciência.
Nesse instante, minha história pareceu menos importante.
As coisas que eu havia defendido.
As coisas que eu havia perdido.
As pessoas que eu culpei.
As versões que construí para suportar determinadas noites.
Tudo começou a parecer uma coleção de móveis dentro de uma casa que eu já não precisava habitar.
Foi estranho.
Não houve revelação.
Nenhuma luz desceu do céu.
Nenhuma música começou a tocar.
Apenas uma pequena suspeita.
Talvez eu não seja aquilo que penso sobre mim.
Talvez você também não seja.
Talvez sejamos menos definidos do que passamos a vida tentando parecer.
Fiquei ali por mais alguns minutos.
Sem procurar significado.
Sem tentar consertar o mundo.
Sem transformar o parque em uma lição.
As pessoas continuavam passando.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não precisei decidir o que aquilo significava.
Foi quase nada.
Mas, para quem passou anos carregando explicações, quase nada já é uma forma razoável de liberdade.
Sapo cururu verde vibrante
Sábado 1 de julho, 2023 às 10:34
Sonhei que havia um sapo cururu, verde, a cor dele, não era uma cor apagada de sapo cururu, Mas, uma cor verde bem viva! Uma cor verde limão. Ele estava em cima de um armário e eu e meu irmão, estávamos com muito medo dele ser morto por alguém, então eu peguei uma boia fechada embaixo, e enchi de água para que o sapo pulasse dentro, não deu certo.
Mas, logo em seguida meu irmão pegou um saco com água, nós o pusemos dentro e guardamos escondido o bichinho, até que desse para levar para um lago que ficava próximo de casa, eu e meu irmão estávamos felizes por ter salvado o bichinho de alguém malvado que pudesse lhe fazer mal. Mas, o que me chamou atenção no sonho, foi a cor viva do verde em seu corpo, muito bonita. Eu acordei depois disso.
Sábado 25 de julho/ 10:18 da manhã
Entre cicatrizes e recomeços: a história de uma mulher que aprendeu a sobreviver
Um relato de dor, fé e resiliência diante de uma tempestade que começou em 2022
Olá, tudo bem? Sou Alinny de Mello, gosto de escrever, produzo ebooks sobre desenvolvimento pessoal para o Kindle, e hoje trouxe essa reflexão para você, leia até o final.
Às vezes eu olho para a minha própria história e parece que estou lendo o capítulo de uma vida que outra pessoa escreveu. Foram tantos acontecimentos, tantas batalhas silenciosas, tantos dias em que precisei juntar os pedaços de mim mesma para continuar caminhando.
Tudo começou em 2022, quando eu ainda não imaginava que minha vida entraria em uma fase de tantas provações. Eu carregava dores que nem sempre eram visíveis, sinais que meu corpo tentava mostrar, mas que muitas vezes eram difíceis de compreender. Eu seguia vivendo, tentando cuidar da minha casa, dos meus sonhos, dos meus projetos e das pessoas que amo, enquanto dentro de mim existia uma guerra que ninguém conseguia enxergar completamente.
Eu aprendi uma das maiores lições da vida: nem toda batalha faz barulho. Algumas acontecem dentro do nosso próprio corpo, em consultas, exames, noites mal dormidas, preocupações escondidas atrás de um sorriso e lágrimas que caem quando ninguém está olhando.
Mas o ano de 2024 foi o grande divisor de águas da minha história.
Foi o momento em que a vida me colocou diante de um dos maiores desafios que eu já enfrentei. Meu corpo chegou ao limite. Eu vivi uma septicemia, uma infecção grave que abalou completamente a minha saúde, e enfrentei um choque séptico, uma situação extremamente delicada em que eu precisei lutar pela minha própria vida.
Foi um daqueles momentos em que percebemos que somos muito mais frágeis do que imaginamos, mas também descobrimos uma força que estava escondida dentro de nós.
Eu precisei passar por uma histerectomia de urgência. Meu corpo precisou enfrentar uma cirurgia grande, uma mudança que não era esperada, uma despedida de uma parte de mim que carregava histórias, dores e também memórias. Não foi apenas uma cirurgia física. Foi um processo emocional profundo.
Existe uma diferença entre sobreviver e realmente compreender que sobrevivemos.
Depois de tudo que aconteceu, eu precisei reaprender a confiar no meu próprio corpo. Cada dor gerava medo. Cada sintoma levantava perguntas. Cada exame carregava uma mistura de esperança e ansiedade.
Quando uma pessoa passa por algo assim, ela não volta a ser exatamente quem era antes. Ela carrega marcas. Algumas aparecem na pele, como cicatrizes. Outras ficam na alma, como lembranças de momentos em que ela precisou ser mais forte do que imaginava conseguir ser.
E a minha caminhada não terminou ali.
Em 2026, meu corpo passou por mais uma batalha: uma cirurgia para corrigir hérnias, incluindo hérnias inguinais bilaterais e uma hérnia umbilical. Mais uma vez eu precisei enfrentar recuperação, limitações, dores e a paciência de esperar o corpo se reconstruir.
Enquanto muitas pessoas seguem suas rotinas sem pensar sobre o funcionamento do próprio organismo, eu aprendi a prestar atenção em cada sinal. Aprendi que saúde é um presente que muitas vezes só valorizamos quando somos obrigados a lutar para recuperá-la.
No meio dessa caminhada, também descobri outros desafios. Veio o diagnóstico de colecistite alitiásica, uma inflamação na vesícula sem a presença de pedras, trazendo dores, desconfortos e mais uma investigação para entender o que meu corpo estava tentando comunicar.
Também descobri alterações no meu ovário esquerdo, com característica policística e a presença de um cisto que ainda precisa ser acompanhado. Mais uma preocupação para uma lista que já parecia grande demais.
E como se tudo isso não fosse suficiente, continuo investigando alterações intestinais. Existem dias em que meu corpo parece uma caixa cheia de perguntas esperando respostas. Dores que aparecem e desaparecem, mudanças no funcionamento intestinal, desconfortos que me fazem observar cada detalhe da minha alimentação e da minha rotina.
Mas existe algo que todas essas dificuldades não conseguiram tirar de mim: a vontade de continuar.
Eu poderia olhar para tudo isso e enxergar apenas perdas. Poderia contar minha história apenas pelas cicatrizes, pelos diagnósticos e pelos momentos difíceis. Mas eu escolho contar também pela minha resistência.
Porque eu ainda estou aqui.
Depois de uma septicemia. Depois de um choque séptico. Depois de uma cirurgia de emergência. Depois de outra cirurgia. Depois de tantas incertezas e medos.
Eu ainda escrevo.
Eu ainda sonho.
Eu ainda acredito que existe uma nova página esperando para ser escrita.
Minha história não é apenas sobre doença. É sobre sobrevivência. É sobre uma mulher que descobriu que a fragilidade e a força podem morar no mesmo coração.
Existem dias em que eu me sinto cansada. Existem momentos em que eu questiono por que tantas coisas aconteceram comigo em tão pouco tempo. Eu sou humana. Eu sinto medo. Eu sinto tristeza. Eu sinto o peso dessa caminhada.
Mas também sinto orgulho da mulher que me tornei.
Porque a verdadeira resiliência não é nunca cair. A verdadeira resiliência é olhar para o chão depois da queda e encontrar coragem para levantar mais uma vez.
Minha vida mudou. Meu corpo mudou. Minha forma de enxergar o mundo mudou.
Hoje eu entendo que cada amanhecer é uma oportunidade. Cada pequeno avanço é uma vitória. Cada dia em que consigo fazer algo que antes parecia impossível é uma prova de que ainda existe força dentro de mim.
Eu não sei exatamente quais serão os próximos capítulos dessa história. Ainda existem exames, acompanhamentos e perguntas sem respostas. Mas existe algo que eu sei: eu não sou apenas aquilo que aconteceu comigo.
Eu sou tudo aquilo que fiz depois que aconteceu.
Sou minhas cicatrizes, mas também sou minha cura.
Sou minhas lágrimas, mas também sou minha esperança.
Sou os dias difíceis, mas também sou a mulher que continuou caminhando mesmo quando o caminho parecia pesado demais.
A minha história não terminou em 2024. Na verdade, talvez ali tenha começado uma nova versão de mim.
Uma versão mais consciente, mais forte, mais grata e mais determinada a aproveitar cada oportunidade que a vida ainda colocar diante de mim.
Porque depois de atravessar tantas tempestades, eu aprendi que algumas pessoas não sobrevivem apenas para continuar existindo. Elas sobrevivem para transformar a própria dor em mensagem, aprendizado e inspiração.
E eu sigo escrevendo minha história, um dia de cada vez.
A pergunta que fica para quem lê minha jornada é: quantas vezes a vida tentou me derrubar, e quantas vezes eu ainda escolhi levantar?
Puro suco 🫴🏿👏🏿
A alegria contagiante no sábado a noite,
sorrisos, energia boa, luzes coloridas, e aquela boa vibe.
Aquela música que não deixa ninguém ficar parado.
As pessoas animadas, dançando com respeito. Pelo jeito ninguém quer ir embora, essas coisas boas da vida, a gente tem mais que aproveitar.
Sábado chegou.
Ô Deus, obrigado por esse sábado.
Obrigado pelo descanso que chega, pela saúde, pela família e por tudo que o Senhor já preparou pra hoje.
Que o Senhor, Pai, cuide do que eu não posso resolver e abençoe tudo que eu tocar hoje.
Que o nosso sábado seja leve, de paz na mente, sorriso no rosto e coração tranquilo.
Amém.
Sou Artventista, porque faço artes até no sábado, enquanto alguns descansam amo levar o Pão Nosso para os famintos e ainda dou muito trabalho para todos crescerem em obras.
✎ᝰ. ˎˊ˗ Sábado terminado, véspera de domingo, todo mundo querendo ver uma boa série e eu, como não sou todo mundo, estou me iludindo a escrever uma.✮⋆˙ᝰ.ᐟ☕︎
Então o sábado aflorou
O sabiá cantou animado.
Enquanto o bem te vi ensaiava um verso.
O beija-flor fazia festa.
Aproveitando essa seresta.
Bom dia com paz e alegria 🤍💕🌺
*O FOGUETE QUE FICOU NO QUINTAL*
O sábado amanheceu com aquele sol que parece ter preferência pelos sábados.
Durante a semana ele se esconde atrás de nuvens, prédios, compromissos e caras fechadas. No sábado, resolve aparecer. Como se também tivesse direito a descansar.
Eu estava na varanda quando ouvi o primeiro grito.
Depois outro.
Depois uma discussão sobre quem tinha pegado o brinquedo de quem.
As crianças tinham chegado.
Meus filhos, meus netos, suas vozes, suas provocações e aquela capacidade irritante de transformar qualquer cinco minutos de silêncio em uma guerra civil de pequenas proporções.
A casa ficou diferente.
O gato também percebeu.
Era talvez sua primeira experiência com crianças. No começo ficou parado, olhando para aqueles pequenos seres correndo pela sala como quem observa uma espécie desconhecida. Depois descobriram o gato.
Em menos de dez minutos ele já estava sendo disputado.
Um queria pegar.
Outro queria fazer carinho.
Outro dizia que era dele.
O gato olhava para mim com uma expressão que parecia perguntar por que eu tinha permitido aquela invasão.
Não fiz nada.
Algumas coisas precisam ser vividas até o fim.
Inclusive a paciência de um gato.
Na cozinha, as crianças descobriram a torta.
Uma delas desapareceu.
Depois outra parte.
Quando percebi, havia apenas algumas migalhas e uma espécie de silêncio constrangido entre os pratos.
Teria que encomendar mais duas.
Talvez três.
Na sala, atacaram a estante.
Mexeram nos livros.
Puxaram alguns.
Empilharam outros.
Os livros que ainda estavam nas caixas abertas foram parar no chão.
Fizeram castelos.
Muralhas.
Fortalezas.
Durante alguns minutos, aquela pilha de livros que eu passei anos tentando conservar em ordem parecia ter encontrado uma função muito mais honesta.
Servia para brincar.
No pátio, havia três balanços presos às duas árvores.
Nunca tinham parecido um playground.
Naquele sábado, pareciam.
Havia caixas de madeira, pedaços de tábua, coisas esquecidas na garagem.
Então meu neto olhou para um tambor velho e decidiu que aquilo era um foguete.
Um foguete.
Fiquei olhando para ele.
Ele não precisava de tecnologia.
Não precisava de combustível.
Não precisava de autorização da NASA.
Precisava apenas de um tambor velho, algumas tábuas e uma noite estrelada.
E então me lembrei de uma coisa que eu havia esquecido.
Eu também já quis ir para o espaço.
Houve um tempo em que eu acreditava que pisaria num foguete.
Não porque entendesse de ciência.
Porque toda criança precisa inventar um céu onde a vida pareça valer a pena.
O foguete nunca foi um veículo.
Era uma mentira bonita.
Daquelas que a gente conta para si mesmo antes de descobrir que o mundo costuma distribuir mais boletos do que milagres.
Depois vieram os quarenta.
A idade em que o espelho deixa de fazer gentilezas.
Foi quando percebi que nenhum foguete pisou no quintal daquela casa.
O que chegou foram contas.
Responsabilidades.
Cansaço.
Algumas mulheres que passaram como chuva de verão.
Amigos que aprenderam a sorrir para fotografias enquanto enterravam silenciosamente a própria fome de existir.
Eu ainda procurava alguma coisa.
Não sabia exatamente o quê.
Chamava de sentido porque qualquer palavra menor pareceria covardia.
Aos quarenta ainda existe uma certa arrogância.
A gente acredita que está atrasado, mas que ainda dá tempo.
Aos sessenta e dois, a conta fica diferente.
Não dói apenas o corpo.
Doem também as expectativas que sobreviveram tempo demais.
Os dias começam a parecer copos vazios esperando uma bebida que ninguém serve.
Não é exatamente tristeza.
É um cansaço antigo.
Uma coisa que dorme no peito e acorda antes da gente.
Às vezes olho para uma folha caindo de uma árvore e tenho vontade de colocá-la de volta no galho.
É um impulso ridículo.
Mas compreensível.
Porque a gente passa boa parte da vida tentando devolver as coisas ao lugar.
Um casamento ao começo.
Uma amizade ao primeiro abraço.
Um pai à juventude.
Um amor ao instante anterior à despedida.
Só existe um problema.
Folhas não voltam.
Pessoas também não.
E o tempo é o sujeito mais mal-educado que conheço.
Ele não pede licença.
Não negocia.
Não aceita pagamento parcelado.
Enquanto isso, o mundo continua vendendo a mesma velha mentira.
Todo mundo merece um dia melhor.
É bonito dizer isso.
O problema é que ninguém ensina o caminho.
Ensinaram-me a trabalhar.
A competir.
A produzir.
A acumular.
A parecer bem.
Ninguém ensinou a existir.
Talvez por isso tanta gente tenha aprendido a construir uma vida que parece ótima por fora e não serve para morar por dentro.
Basta abrir qualquer tela.
Casas perfeitas.
Viagens perfeitas.
Corpos perfeitos.
Casamentos perfeitos.
Famílias sorrindo diante de uma paisagem que provavelmente alguém levou vinte minutos para escolher.
A vida virou vitrine.
E ninguém quer aparecer com a mercadoria quebrada.
Eu olho para antigos amigos.
Alguns parecem ter vencido.
Casas maiores.
Carros melhores.
Viagens.
Fotografias.
Sorrisos impecáveis.
Mas já não acredito muito nessa luz.
Existe um sol artificial iluminando a terra da normalização.
É uma luz forte.
Só não aquece.
Ali, o verbo ser foi lentamente assassinado pelo verbo ter.
As pessoas compram identidades em prestações.
Vendem a própria autenticidade em troca de aprovação.
Sorriem como quem cumpre expediente.
Abraçam como quem assina contrato.
A empatia virou artigo de luxo.
A delicadeza passou a parecer fraqueza.
A verdade tornou-se inconveniente.
E talvez seja por isso que eu viva dentro de uma espécie de bolha.
De um lado, o mundo do faz de conta.
Do outro, o mundo real que quase ninguém parece querer habitar.
Eu ainda acredito em coisas que parecem ter ficado velhas.
Palavra.
Lealdade.
Silêncio.
Afeto.
Presença.
Acredito que uma pessoa pode sentar ao lado da outra sem precisar fotografar o momento.
Acredito que carinho não precisa de testemunhas.
Acredito que uma amizade não deveria depender de utilidade.
Talvez eu esteja errado.
Aos sessenta e dois, já aprendi que estar errado é uma das poucas coisas que ainda podemos fazer de graça.
Durante muitos anos procurei minha rainha da beleza.
Não a mulher das revistas.
Essa desaparece quando a maquiagem encontra a primeira lágrima.
Eu procurava outra coisa.
Uma beleza sentimental.
Uma mulher cuja inteligência soubesse abraçar sem tocar.
Que pudesse permanecer em silêncio sem transformar o silêncio em distância.
Alguém cuja alma não estivesse à venda por curtidas, status ou conveniências.
Ainda procuro.
Talvez ela também esteja perdida em algum balcão de bar.
Talvez esteja cansada.
Talvez tenha desistido.
Talvez tenha encontrado alguém.
A vida não costuma prestar contas.
Naquela tarde, porém, havia outras coisas acontecendo.
Meu neto continuava construindo o foguete.
Pegou uma caixa.
Depois uma tábua.
Depois o tambor.
Pediu ajuda para amarrar uma coisa na outra.
Disse que precisava ficar pronto antes da noite.
Queria olhar as estrelas de dentro dele.
Eu ajudei.
Não porque acreditasse que aquilo fosse realmente um foguete.
Mas porque, naquele momento, percebi que talvez eu tivesse passado tempo demais tentando provar que os foguetes não existiam.
Talvez essa seja uma das doenças da idade.
A gente descobre como o mundo funciona e começa a desprezar quem ainda acredita que ele pode funcionar de outra maneira.
Olhei para aquelas crianças correndo pelo pátio.
O gato fugindo de um lado para outro.
Os livros espalhados.
As migalhas da torta.
As caixas.
As tábuas.
O tambor.
A casa completamente fora do lugar.
E, pela primeira vez em muito tempo, aquilo não me incomodou.
Talvez porque o caos deles tivesse alguma coisa que o meu mundo organizado perdeu.
Vida.
Não a vida vendida nas fotografias.
A outra.
A que grita.
Que suja.
Que derruba.
Que quebra.
Que pergunta.
Que inventa foguetes com um tambor velho.
Fiquei pensando que talvez envelhecer seja descobrir que o mundo nunca prometeu salvação.
O foguete não veio.
Aos quarenta, eu descobri.
Aos sessenta e dois, aceitei.
Mas naquele sábado alguma coisa mudou.
Porque o foguete não precisava mais ser meu.
Ele estava ali.
No quintal.
Construído pelas mãos pequenas de quem ainda não sabia que o mundo cobra caro pelos sonhos.
E talvez seja isso que eu queira para eles.
Que demorem muito para descobrir.
Que tenham coragem de olhar para as estrelas sem perguntar quanto custa.
Que não confundam sucesso com felicidade.
Que não entreguem a própria autenticidade em troca de aplausos.
Que saibam amar sem transformar o amor em vitrine.
Que tenham amigos capazes de permanecer quando não houver fotografia.
Que aprendam a sentir a dor sem fazer dela uma identidade.
Que não tenham vergonha da delicadeza.
Que não deixem ninguém convencer que possuir é mais importante do que ser.
E, principalmente, que vivam.
De verdade.
Porque talvez a grande tragédia não seja envelhecer.
Talvez seja chegar aos sessenta e dois, olhar para trás e perceber que passamos a vida inteira tentando parecer vivos.
Naquela noite, meu neto entrou no tambor.
Olhou para o céu.
Perguntou se eu achava que dava para chegar até as estrelas.
Eu olhei para ele.
Depois olhei para o foguete improvisado.
E disse que sim. Olhe bem para o infinito, feche os olhos e demore um pouco. Abra, feche e demore. Isso irá fotografar o céu. Depois, ligue a inguinação e voe.
Ele sorriu.
Foi um sorriso verdadeiro.
Sem câmera.
Sem postagem.
Sem filtro.
E foi provavelmente a coisa mais verdadeira que vi naquele sábado.
Fiquei na varanda enquanto as crianças brincavam.
O sol já tinha ido embora.
As estrelas começaram a aparecer.
E, por alguns minutos, eu não pensei nos quarenta.
Nem nos sessenta e dois.
Nem nas coisas que não voltam.
Nem nos amigos que se perderam.
Nem nas mulheres que foram embora.
Nem nos boletos.
Nem nesse mundo que aprendeu a vender felicidade em prestações.
Fiquei apenas ali.
Ouvindo meus netos.
E percebi uma coisa que talvez eu tenha levado sessenta e dois anos para entender:
alguns foguetes não foram feitos para sair do chão.
Foram feitos para nos lembrar de olhar para cima.
E talvez seja isso que importa.
Não chegar às estrelas.
Mas não perder a capacidade de procurá-las.
"Pode encomendar o caixão pros contatinhos,
porque se sábado for bom igual a chamada...
o despacho vai ser em massa."
Van Escher
Bom dia!
Que o sábado chegue com a delicadeza da brisa e a luz mansa de um novo amanhecer. Que cada instante floresça em sorrisos sinceros, serenidade e pequenas alegrias capazes de renovar a alma. E que, ao cair da noite, o coração esteja leve, repleto de paz e de esperança para abraçar com coragem e entusiasmo os dias que ainda virão.
Que o sábado se despeça em silêncio, levando consigo todo o peso que o coração já não precisa carregar. Que a paz envolva a noite como um abraço sereno, e que o descanso renove cada sonho, cada esperança e cada força adormecida. Ao nascer de um novo dia, que a alma desperte leve, o coração transborde gratidão e os passos sigam cheios de entusiasmo para viver as belas oportunidades que Deus preparou. Boa noite!
Feijoada
Sábado é dia de Feijoada,
quem não gosta é
porque nunca provou,
Logo, não sabe de nada,
é muito amor envolvido
na mesa de cada casa.
Sábado de Aleluia
Eles já foram perdoados
porque não sabem o que fazem,
mas sempre fingem que não.
A memória da cruz vazia
querem forçar que
pela forca seja substituída.
É sábado de Aleluia!
Há quem confira confiança
em guerras movidas por
inimizades imaginárias.
Existe até quem ache
belo e moral cobrar
sobre o esterco taxa.
Não pense que estou
fazendo nenhuma piada.
É sábado de Aleluia!
Embora uns estejam vivos,
mortos estão por dentro
ao interpretar que existe
justificativa o suficiente
para acabar com gente.
É sábado de Aleluia!
Não há mil ressurreições
de Cristo que tragam luz
para quem entenda
que existe aplicação
de pena de morte
em territórios ocupados.
Permanecer entre
os cúmplices e os acovardados
daqui pra frente
não será difícil de prever
o futuro — infelizmente.
E ainda só é sábado de Aleluia!
Disseram para Helena Vigiar o Vovô Nino
Era 14 de setembro de 2014, um lindo sábado de muito sol e calor. A família estava reunida no sítio dos sogros de Nino, Swami e Aurialda, para comemorar antecipadamente o aniversário da vovó Lívia, seu Bem. O sítio era um verdadeiro refúgio ecológico, com aceroleiras carregadas, dois pequenos lagos e uma variedade de animais: gatos, cachorros, galinhas, patos, papagaios, maritacas, lebres e, de vez em quando, até alguns veadinhos. Era daqueles lugares em que a natureza parecia fazer questão de estar presente em todos os cantos.
Helena, sua primeira neta, tinha acabado de completar um ano. Ela adorava passear com o vovô Nino pelo sítio e, assim que chegava, já queria ir jogar pão velho para os peixes e os patos. O problema é que ela também gostava de comer o pão que deveria alimentar os bichinhos. Como o vovô Nino sempre foi meio estabanado, sua esposa e sua enteada viviam dando-lhe broncas. Chegaram, inclusive, a recomendar à pequena Helena: “É melhor você cuidar do seu vovô Nino!” Eles achavam aquilo engraçado, mas não imaginavam que, naquele mesmo dia, Helena teria motivos de sobra para levar o conselho a sério.
Perto da hora do almoço, o vovô Nino resolveu colher acerolas para Helena. Como ela ainda era pequenininha, ele a pegou no colo, puxou um galho carregado de frutas e começou a ajudá-la a colher. Estava encantado com aquela cena, vendo a netinha colher as acerolas, quando, ao abaixar um galho maior, deparou-se com uma cobra enorme, esticada tranquilamente sobre ele. Qualquer pessoa sensata teria soltado o galho na mesma hora e se afastado. O vovô Nino, porém, teve uma ideia que, olhando para trás, parecia bastante questionável: resolveu mostrar a cobra para Helena. Só não pensou em um pequeno detalhe: talvez a cobra não estivesse interessada em participar daquela experiência educativa com o vovô e a neta.
Quando chegaram em casa, Helena correu para contar à mãe, com a sinceridade e a inocência de uma criança de apenas um ano: “O vovô mostrou a COBA!” A mãe ficou apavorada e, conhecendo muito bem o avô que tinha, tratou logo de confirmar suas suspeitas: “Eu falei que é preciso vigiar o vovô Nino! Ele é um perigo para a Helena!” Diante de uma acusação tão bem fundamentada, o vovô Nino não teve nem como apresentar sua defesa.
Mas a aventura daquele sábado ainda guardava outra surpresa. Helena havia comido tantas acerolas durante o passeio que, ao entardecer, começou a vomitá-las. Resultado: mais uma rodada de broncas para o vovô Nino. Naquele dia, ficou difícil saber o que havia sido mais perigoso: a cobra encontrada no galho ou a quantidade de acerolas que a netinha resolveu comer. De qualquer maneira, ficou provado que um simples passeio para colher frutas poderia render uma história para a vida inteira.
Apesar das broncas — e talvez até por causa delas — o vovô Nino nunca deixou de fazer suas brincadeiras com Helena. Afinal, algumas das melhores lembranças da vida não nascem de momentos perfeitamente planejados, mas justamente dessas pequenas aventuras, das situações inesperadas e das trapalhadas que, com o passar dos anos, acabam se transformando nas histórias que mais gostamos de contar.
Esta é uma das muitas histórias que o vovô Nino gosta de contar para Elisa, irmã de Helena, suas duas deusinhas. E Helena, até hoje, adora ouvir a história daquele vovô que, em um belo sábado de setembro, saiu para colher acerolas e acabou apresentando uma cobra à própria neta. Talvez seja por isso que, quando alguém fala em “vigiar o vovô Nino” , ele prefira não perguntar muito sobre o assunto.
Peregrino Nino Carneiro
1533
"Hoje não é sábado, embora também não seja domingo. Hoje é segunda feira, Uai! É ou não tem sido?"
"Diz-se Cristão Praticante, passa o ano inteiro falando em Deus e em Jesus... E no Sábado de Aleluia põe os filhos para malhar o Judas. Não é violencia? 'Pode isso, Arnaldo?' "
Texto Meu 0936, Criado em 2018
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
- Relacionados
- Ótimo sábado: 48 frases lindas para desejar uma excelente manhã
- Mensagens de bom final de semana abençoado para espalhar alegria
- Poemas de fim de Semana
- 67 frases de bom dia especial para acordar com o pé direito ☀️
- Frases de sábado à noite para status e Insta (engraçadas e criativas)
- Porque hoje é sábado
- Textos de Sábado
