Ruth Rocha Amor
O céu... como o amo! Nunca me canso de admirá-lo, tem horas acho até que sinto uma saudade de lá... Ás vezes tenho a impressão de que ele me chama, e sei que um dia ei de voltar, mais ainda não é chegada a hora!
"Aproveite bons momentos e todas as oportunidades que tiver de compartilha-los, pois quando eles vierem a faltar sintamos apenas saudades e não arrependimentos!"
Contemplar o entardecer é sentir que Deus tem cuidado de nós, nos dando a força necessária para vencer cada batalha diária, ter a certeza de que o amanhã a Ele pertence e que podemos descansar, desfrutando uma noite de paz!
"O Piano, nele choro minhas lágrimas, rio os meus risos, apaziguo minhas tempestades, reflito minhas dúvidas, esqueço minhas frustações, acalmo meus medos, afasto minhas tristezas e transbordo minhas alegrias!"
Apesar de tentar me concentrar nas palavras, algumas coisas ficavam cutucando lá no fundo da minha cabeça. Não era só paranoia. Alguma coisa tinha me acordado. Alguma coisa me deixou acordada e tensa como uma viciada em metanfetamina. Por que eu só pensava em um grito?
Se não estava morta, a única outra possibilidade... e de repente nem eu tinha mais certeza se era melhor ou pior... era que eu estava ficando louca.
Já estava clareando quando percebi que não dava mais para continuar, que meus músculos, exaustos além da conta, simplesmente não me obedeciam mais.
Mas eu não sei se estou me lembrando do que aconteceu, ou se é o que eu quero que tenha acontecido. Sou escritora, sou uma mentirosa profissional.
O cérebro não lembra bem. Ele conta histórias. Preenche as lacunas, implanta essas fantasias como lembranças. Preciso descobrir os fatos. Mas eu não sei se estou me lembrando do que aconteceu, ou se é o que eu quero que tenha acontecido.
Há dias em que não ouço uma única voz humana, fora do rádio, e sabe de uma coisa? Gosto muito disso. É uma boa vida para uma escritora, em muitos aspectos – sozinha com as vozes na sua cabeça, personagens que você criou. No silêncio, eles se tornam muito reais.
Sigo apaixonada pelas mãos calejadas da esperança, em tempos, que o sossego ronca diante da estrada de anseio e do silêncio opositor.
"A quem não saiba amar
E apenas conjugar
Em sua pobre vida a amargar
O cruel verbo abandonar."
(Ruth)
"Levantar...
E a jornada da vida continuar.
Alçar...
As velas da alma e navegar.
Alcançar...
As chaves das correntes e se libertar.
Abraçar...
A si mesma e se amar."
(Ruth)
