Rompendo Lacos-Carlos Drumond de Andrade

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Não há vento favorável para um marinheiro que não sabe navegar.

Inserida por tonmarques

Por uma questão de estética,
meu caos é em ordem alfabética.

Inserida por joao_andrade_2

Tenho quase todas as psicopatias,
a mais grave é a poesia.

Inserida por joao_andrade_2

Às vezes falo, grito,
mesmo estando mudo.
Há sentimento
que não se traduz.
As palavras não dizem tudo.

Inserida por joao_andrade_2

Se a esta hora o agora
se fez em você passivo,
é porque de algum modo
estou em você cativo.

Se a esta hora meu verso
é espelho e você me lê,
é porque de algum modo
estou vivo em você.

Inserida por joao_andrade_2

Fiz um acordo com o espelho:
eu não o espio, ele não me dá conselhos.

Inserida por joao_andrade_2

Os vencidos não têm história
e a glória é tarde
para a palavra vazia.

Sincronizo o tempo
e os vencidos escorrem
pelo ralo da pia.

Inserida por joao_andrade_2

O cigarro contém mais de 4 mil substâncias maléficas à saúde.
A mais perigosa delas é a solidão.

Inserida por joao_andrade_2

O sol, quando em mim
encontra uma fresta,
faz uma festa.

Inserida por joao_andrade_2

Sempre que vou ver
se estou na esquina,
lembro-me de
que a estrela que me guia
é bailarina.

Inserida por joao_andrade_2

Conto do Desmantelo Azul

Uma vez, durante a primavera, eu vi o mar. Era fim de tarde, eu era criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro, no horizonte, do céu azul com um mundo de espelho azulado com moldura azul-dourada invadiu meus olhos, arrebatou minha alma. Nunca nada mais enxerguei.

Uma vez, durante a primavera, ouvi o mar. Era fim de tarde, eu criança era, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro do marulho azul com o silêncio azulado do infinito estourou meus tímpanos, ensurdeceu minha alma. Nada nunca mais ouvi.

Uma vez, durante a primavera, cheirei o mar. Era fim de tarde, criança eu era, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro da maresia de azul salgado com o aroma celeste de um céu azulado quase noite entranhou-se pelas minhas narinas, embrenhou-se em minha alma.
Nunca mais nada cheirei.

Uma vez, durante a primavera, degustei o mar. Era fim de tarde, era eu criança, pouco mais de seis anos. Foi a primeira, foi a última vez.
O encontro de minha doce inocência com o azul salgado segredo das águas engravidou meu peito, emprenhou minha alma. Nada nunca mais provei.

Hoje, toda tarde, sento em frente ao mar, e uma suave fluida mão anil acaricia minha pele instantes antes de meu corpo se diluir na brisa marinha e meus poros explodirem em azul ao serem penetrados pela alma do mundo.

Inserida por joao_andrade_2

Arrancar do peito o indizível,
e deixá-lo exposto em minha cara,
pode ser um ato de extremo egoísmo,
mas é no fundo do abismo
que nascem as flores mais raras.

Inserida por joao_andrade_2

"Errar é Humano, Mas os Bons erram menos"

Inserida por junior_andrade

Não se limite
a dizer coisa com causa.
Não beba o eco ou o cio
que brota de versos alheios.
Não se banhe duas vezes
no mesmo vazio,
mesmo estando cheio.
Não caminhe por estradas conhecidas
nem queira novas perguntas
para suas velhas respostas.
Não se imite,
perca-se no caminho da volta.

Inserida por joao_andrade_2

Um lugar pra se chamar de lar...
Um lugar onde tem amor, paz, silêncio, tranquilidade.
Mas também tem amizades, fogueira, céu estrelado e uma lua linda.
Agradeço todos os dias por ter esse lugar pra poder chamar de lar!

Inserida por rafaela_andrade

Não tenho visão, sou visionário
no dicionário dos pequenos.

Não tenho calma, trago na palma
a alma dos mais, a alma dos menos.

Não tenho fama, sou difamado
pelos mais amados, pelos mais amenos.

Não tenho abrigo, sou amigo das estradas,
das madrugadas, do sereno.

Não tenho dor, vivo doendo.
Não faço versos,
os versos, em mim, vão se fazendo.

Inserida por joao_andrade_2

A vida não lhe impõe limites, você se torna limitado por se achar incapaz.

Inserida por VanderleyAndrade

Um dia vou olhar para trás, e rir de tudo isso.

Inserida por VanderleyAndrade

Quanta coisa me trava:
o medo, a solidão, a palavra.

Quanta coisa me cala:
a dor, o desejo, a fala.

Quanta coisa me cria:
a palavra, a fala, a poesia.

Inserida por joao_andrade_2

Palavro termos ternos,
buscando no efêmero
o que tenho de eterno.

A solidão vocabulizo
e, em cada rima perdida,
em cada rumo que tomo na vida,
eu me poetizo.

Inserida por joao_andrade_2