Riqueza
MINHA RIQUEZA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Caminhava para o ponto do ônibus, quando encontrei o Professor Rogério Lopes. Ele saía de uma loja de rações, e carregava nos ombros um saco de trinta quilos. Olhou fixo para mim, pediu que aguardasse um momento e pôs o peso no chão. Feito isto, abriu aquele sorriso largo, me deu um abraço de quebrar os ossos, um beijo no rosto, e disse bem alto:
- Cara! Que alegria ver você! Faz tanto tempo! Ainda bem que sempre o vejo na internet! Leio tudo que você escreve! Não perco nem um texto seu! Obrigado por tantas coisas maravilhosas!
Não conversamos por muito tempo, mas foi um momento especial para mim. Não é todos os dias que nos deparamos na rua, com alguém tão disposto a nos cumprimentar, e com tanta efusividade, alegria sincera e calor humano, mesmo estando com tanta pressa. Também é muito simbólico ver uma pessoa se despojar de seus pesos, desocupar os braços, as mãos e os ombros, para ter o prazer e a liberdade de abraçar um amigo e lhe dizer palavras amáveis.
O Rogério é, de fato, leitor constante de meus textos. A cada vez que publico algo em rede social percebo sua leitura, sua presença, e leio seus comentários ponderados; coerentes; dentro do contexto.
São várias as pessoas que me privilegiam com suas leituras, e às vezes os comentários, mesmo sabedoras de que minhas vindas ao computador são sempre ligeiras e limitadas às postagens e autopromoções como escritor e fotógrafo. Isso resulta poucas retribuições expressas, de minha parte, podendo até me deixar marcado como alguém esnobe ou antipático.
No dia a dia, são muitos os curiosos que me perguntam sobre quanto ganho, em dinheiro, como escritor. Ganho pouco dinheiro. Se não tivesse o meu emprego de arte-educador, pelo qual também não recebo grandes quantias, e alguns trabalhos como fotógrafo de vaidades pessoais e autoestima, passaria por privações com o que angario por escrever, lançar livros e permitir a utilização de meus textos em veículos diversos.
A grande riqueza, riqueza mesmo, que não enche barriga e bolso, como tantos dizem, mas enche minh´alma e meu coração de alegria e desejo de viver, viver muito, para também escrever muito, é tão somente a existência de amigos e leitores sinceros, que me pagam com carinho. Com admiração verdadeira. Com respeito. Com palavras sinceras e a certeza que me fazem ter, de que meus escritos fazem efeito em suas vidas.
Boleira é sinônimo de riqueza.
A riqueza da manhã com gente, café e bolo arretado;
o luxo de uma mesa com forro xadrez, pé de moleque e beiju a vontade;
o muito desejado por poucos, mas o pouco que muitos não sabem o que verdadeiramente esse luxo tem a nos proporcionar: sensações e vínculos que dificilmente enfraquecerá.
Exercitar o ethos de caroneiro sempre constitui-se uma experiência única, de uma riqueza cotidiana incalculável.
A vida é uma riqueza incrivel que se apresenta com inúmeras surpresas. Não temos outra certeza exceto o momento presente.
Riqueza e pobreza...
Abra sua mente e experimente novos conceitos.
O jeito de medir o que é ser rico ou pobre não vem de um ser nobre. Estes marcadores sociais apenas nos torna seres desiguais.
Há quem não tenha nada e é rico e quem tem muito e é pobre.
Pela visão da sociedade para ter felicidade é preciso ser rico.
O dinheiro é um atalho para muitas coisas que apenas nos deixam felizes.
A verdadeira riqueza só tem o ser que transmite a pureza da alma, na calma e serenidade sendo feliz de verdade em qualquer situação financeira em que viver.
O que define se uma coisa é cara ou barata não é seu valor material, é a riqueza que representa o sentimento que ela carrega.
Triste daquele que pensa que sua existência tem sentido porque a riqueza material lhe abriu as portas, e se distancia ainda mais do real sentido da vida.
Olhe ao redor. Você pode perceber a riqueza que demonstra ter, aquele que nada tem de seu, mas o olhar de saciedade faz-se admirar.
Nem sempre com a riqueza, vem junto a felicidade, pois ser feliz
é uma escolha diária, que pode-se tornar um hábito.
Na minha pobreza, de vez enquando eu me inspiro na realeza, mais na sua riqueza, ainda queres roubar a minha paz.
