Retribuindo uma Amizade
Quanto maior o poder de uma instituição, maior deve ser a clareza dos limites que legitimam sua atuação.
A grandeza de uma ordem constitucional não está em impedir todos os conflitos, mas em garantir que nenhum conflito autorize o abandono da liberdade, da dignidade e da justiça.
Toda ação humana revela uma finalidade; compreender o comportamento exige perguntar não apenas o que alguém faz, mas para onde sua ação pretende conduzi-lo.
Reconhecer o outro não é um gesto de mera cortesia; é uma condição para que a própria consciência compreenda que sua liberdade depende também da existência de outras consciências livres.
Aquilo que uma sociedade tenta eliminar sem compreender pode retornar sob outra forma, porque contradições ignoradas raramente desaparecem por decreto.
Uma liberdade sem instituições pode permanecer uma promessa; uma instituição sem liberdade pode transformar a ordem em mera obediência.
A lei somente realiza plenamente sua função quando transforma a razão em uma ordem orientada ao bem comum, e não em simples instrumento da vontade de quem possui poder.
A caridade não é apenas sentimento de benevolência; é reconhecer no outro uma dignidade que impede que sua existência seja reduzida a mero instrumento dos nossos interesses.
Uma lei humana que abandona completamente a razão e a justiça pode conservar autoridade formal, mas perde parte de sua legitimidade moral.
A paz não é simplesmente ausência de conflito; é uma ordem suficientemente justa para que a convivência não precise depender permanentemente da força.
O que acontece quando uma descoberta científica desafia os limites estabelecidos pela norma jurídica?
Quando uma convicção sobre a verdade deixa de ser conhecimento e passa a funcionar como instrumento de poder?
O que acontece quando uma descoberta científica atravessa as fronteiras do conhecimento e encontra os limites da norma jurídica?
Sol e Lua, fogo de amor e escuro de lado
Uma vez, a Lua olhou para o Sol e lhe perguntou:
— Ô, Sol, troque de lugar comigo uma vez e verá o inferno que eu sofro.
O Sol lhe respondeu:
— Ah, você nunca falou comigo antes. Na realidade, ninguém nunca falou comigo antes. Pois o planeta com vida mais próximo de mim é o planeta com vida mais longe de mim.
A Lua, inquietante, retornou sua pergunta:
— Sol, queres trocar de lugar comigo?
E o Sol respondeu:
— Não, estou bem em minha solidão vasta. Afinal, sou quente, diferente de você, que és gelada. Onde tem fogo, ninguém pisa. Onde tem mistério, todos querem desvendar.
A Lua não se enfureceu. Ela só disse seus problemas para o Sol:
— Meu amigo, ainda não sei como estou viva. Eles dizem que sou domínio deles. Eles brigam para pisar em mim, ameaçam-se matar uns aos outros. E eu vejo isso com olhos atentos, esperando que algo aconteça, mas nunca acontece. Outros proclamam a paz e muito a guerra.
O Sol lhe responde:
— Que bom, você tem algo a ver. O máximo que eu consigo enxergar são os asteroides passando por cima de mim e na minha frente. Na realidade, eles nunca passam por mim. Quando um está vindo, ele evapora. Meu calor é tão grande que o planeta mais próximo de mim se tornou pequeno.
A Lua se cala por exatamente doze anos humanos.
Se passou o tempo.
A Lua e o Sol não conversavam, até que a Lua retornou e fez a mesma pergunta que fez na primeira conversa:
— Sol, lhe suplico, por favor, troque de lugar comigo, pelo menos um único dia. Quero descansar de tudo isso.
E o Sol lhe responde:
— Oh, jovem, querias muito, mas, para aquele que viveu solitário por toda a sua vida, ver pequenos seres seria uma maravilha. Mas logo ficaria chato.
E a Lua retruca:
— Para quem vê eles todos os dias, pelo menos um dia seria bom.
E o Sol rebate:
— Os outros dias seriam inquietantes e você pensaria em voltar.
A Lua não se cala. Ela volta e pede novamente:
— Sol, por favor, se compadeça de mim e troque de lugar, pelo menos duas horas, três segundos. Quero respirar desses humanos. Eles pensam que sou objeto.
Riu o Sol:
— Jovem, queria ter esse direito de escolha que você tem. Se sair daqui, os planetas fogem. Imagine um homem malhado e caminhões amarrados por cordas que vão às mãos do moço. Se ele fizer um pouco mais de força, o caminhão mais próximo dele é devorado. Se ele levar a mão a ser leve, o mais distante foge. Aproveitas quando pode. Sua única missão é proteger criaturas.
Mas a Lua retruca:
— É melhor dar minha vida para proteger, digo, para segurar planetas, do que proteger criaturas que pouco a pouco vão me destruir.
O Sol responde:
— Não lhe entenda mal. Esses humanos fazem isso porque, bem, está em sua natureza. Quando eu fui criado, foi para uma missão. E quando tu foste criada, foi para outra missão. Lua, não se desfaça deles. Acreditas que é em eles, mesmo eles querendo lhe derrotar. Bem, voltando à sua pauta, se eu fosse aí, tudo o que estivesse em minha frente seria destruído.
A Lua então pede novamente:
— Por favor, Sol, troque de mim. Esse fado me deixa. Para mim parece mais tranquilo.
E o Sol lhe responde:
— Se eu fosse aí, este planeta seria minha Lua. Ou nem existiria. Para ele, eu sou como a menor das formigas olhando para uma baleia-azul, a maior de sua espécie.
— Nossa, o planeta dele é tão pequeno assim? — exclamou a Lua.
— Aos teus olhos, eles são grandes. Aos meus, eu nem enxergo.
A Lua cita:
— Mas aqui tu és tão pequeno. Se parece com meu tamanho.
E o Sol lhe diz:
— Veja como a vista engana. Eu sou um milhão de vezes maior do que a Terra, talvez um trilhão, um quilhão.
A Lua se surpreendeu. Talvez, naquele momento, ela tenha entendido que o Sol nunca foi abençoado com sua solidão.
Ela deu uma última olhada aos homens e, para que não aperreasse o Sol novamente, chorou sem que os pequeninos a vissem.
Ela girou seu rosto ao lado escuro do espaço.
E assim, as estrelas que brilhavam distantes perguntaram a ela:
— Ô, Lua, por que choras do lado mais obscuro do espaço? Do outro é melhor, tem luz.
E a Lua responde às estrelas:
— Se olhar para lá, vou ver a minha dor, que faz eu chorar. Vendo vocês, de certa forma consigo paz.
As estrelas olham para a Lua e dizem novamente:
— Estamos tão longe umas das outras. Somos tão grandes, mas ainda não conseguimos nos tocar. E conversamos como se não houvesse leis que proibissem nosso diálogo, de tão distante. Olha, Lua, se pudéssemos ver esses moços destruindo pelo menos uma lata, adoraríamos. Mas estamos distantes. Você deveria estar orgulhosa de ter na posse de seu território o único planeta com vida.
— E, na realidade, você chora. Entendemos, claro. Eles lhe destroem por fora. Mas lembre-se: tu és uma rocha brilhante à noite. E eles são carne e osso. Também somos luz, luz distante.
Mas a Lua exclama:
— É porque não são vocês no meu lugar. Se fossem, já teriam pedido a rico.
Então uma estrela velha lhe disse:
— Sabia que muitas de nós já estão mortas?
A Lua questiona:
— Por quê?
E responde a estrela:
— Para que a nossa luz chegasse a eles, demora milhões, até mesmo trilhões de anos. E, até lá, nosso fado já morre. Aqui lhe falo que minha vida se vai. O que começa contigo não é minha matéria, é minha luz. O espaço é tão vasto que qualquer planeta com vida deve ser vangloriado.
A Lua fala novamente:
— Sinto pena de vocês. Mas, se estivesse no meu lugar, preferiam ficar isoladas umas das outras?
E a estrela diz:
— Está vendo aquela grande estrela ali? Ela que mantém tudo vivo. Se ela pelo menos se mexer um pouco para trás ou um pouco para frente, tudo o que seu olho ver desaparece.
— Por quê? — disse a Lua.
— Consulte-lhe — diz a estrela.
E a estrela, com rapidez, lhe responde:
— Oras, não vê? Ela é grande porque ela tem tantas densidades que os outros planetas se acolhem nela. Imagine que ela é sua mãe ou seu pai. Ficará melhor como pai? Ele é o Sol, no caso. Quando tu estás triste, quem lhe levanta? Seu pai. Claro, às vezes, como, por exemplo, nós, asteroides, não temos pais. Temos criador.
A Lua pensa, agradece e retorna ao seu rosto aos humanos e dá-lhes novamente um bom dia ao Sol.
Fim.Sol e Lua, fogo de amor e escuro de lado
Uma vez, a Lua olhou para o Sol e lhe perguntou:
— Ô, Sol, troque de lugar comigo uma vez e verá o inferno que eu sofro.
O Sol lhe respondeu:
— Ah, você nunca falou comigo antes. Na realidade, ninguém nunca falou comigo antes. Pois o planeta com vida mais próximo de mim é o planeta com vida mais longe de mim.
A Lua, inquietante, retornou sua pergunta:
— Sol, queres trocar de lugar comigo?
E o Sol respondeu:
— Não, estou bem em minha solidão vasta. Afinal, sou quente, diferente de você, que és gelada. Onde tem fogo, ninguém pisa. Onde tem mistério, todos querem desvendar.
A Lua não se enfureceu. Ela só disse seus problemas para o Sol:
— Meu amigo, ainda não sei como estou viva. Eles dizem que sou domínio deles. Eles brigam para pisar em mim, ameaçam-se matar uns aos outros. E eu vejo isso com olhos atentos, esperando que algo aconteça, mas nunca acontece. Outros proclamam a paz e muito a guerra.
O Sol lhe responde:
— Que bom, você tem algo a ver. O máximo que eu consigo enxergar são os asteroides passando por cima de mim e na minha frente. Na realidade, eles nunca passam por mim. Quando um está vindo, ele evapora. Meu calor é tão grande que o planeta mais próximo de mim se tornou pequeno.
A Lua se cala por exatamente doze anos humanos.
Se passou o tempo.
A Lua e o Sol não conversavam, até que a Lua retornou e fez a mesma pergunta que fez na primeira conversa:
— Sol, lhe suplico, por favor, troque de lugar comigo, pelo menos um único dia. Quero descansar de tudo isso.
E o Sol lhe responde:
— Oh, jovem, querias muito, mas, para aquele que viveu solitário por toda a sua vida, ver pequenos seres seria uma maravilha. Mas logo ficaria chato.
E a Lua retruca:
— Para quem vê eles todos os dias, pelo menos um dia seria bom.
E o Sol rebate:
— Os outros dias seriam inquietantes e você pensaria em voltar.
A Lua não se cala. Ela volta e pede novamente:
— Sol, por favor, se compadeça de mim e troque de lugar, pelo menos duas horas, três segundos. Quero respirar desses humanos. Eles pensam que sou objeto.
Riu o Sol:
— Jovem, queria ter esse direito de escolha que você tem. Se sair daqui, os planetas fogem. Imagine um homem malhado e caminhões amarrados por cordas que vão às mãos do moço. Se ele fizer um pouco mais de força, o caminhão mais próximo dele é devorado. Se ele levar a mão a ser leve, o mais distante foge. Aproveitas quando pode. Sua única missão é proteger criaturas.
Mas a Lua retruca:
— É melhor dar minha vida para proteger, digo, para segurar planetas, do que proteger criaturas que pouco a pouco vão me destruir.
O Sol responde:
— Não lhe entenda mal. Esses humanos fazem isso porque, bem, está em sua natureza. Quando eu fui criado, foi para uma missão. E quando tu foste criada, foi para outra missão. Lua, não se desfaça deles. Acreditas que é em eles, mesmo eles querendo lhe derrotar. Bem, voltando à sua pauta, se eu fosse aí, tudo o que estivesse em minha frente seria destruído.
A Lua então pede novamente:
— Por favor, Sol, troque de mim. Esse fado me deixa. Para mim parece mais tranquilo.
E o Sol lhe responde:
— Se eu fosse aí, este planeta seria minha Lua. Ou nem existiria. Para ele, eu sou como a menor das formigas olhando para uma baleia-azul, a maior de sua espécie.
— Nossa, o planeta dele é tão pequeno assim? — exclamou a Lua.
— Aos teus olhos, eles são grandes. Aos meus, eu nem enxergo.
A Lua cita:
— Mas aqui tu és tão pequeno. Se parece com meu tamanho.
E o Sol lhe diz:
— Veja como a vista engana. Eu sou um milhão de vezes maior do que a Terra, talvez um trilhão, um quilhão.
A Lua se surpreendeu. Talvez, naquele momento, ela tenha entendido que o Sol nunca foi abençoado com sua solidão.
Ela deu uma última olhada aos homens e, para que não aperreasse o Sol novamente, chorou sem que os pequeninos a vissem.
Ela girou seu rosto ao lado escuro do espaço.
E assim, as estrelas que brilhavam distantes perguntaram a ela:
— Ô, Lua, por que choras do lado mais obscuro do espaço? Do outro é melhor, tem luz.
E a Lua responde às estrelas:
— Se olhar para lá, vou ver a minha dor, que faz eu chorar. Vendo vocês, de certa forma consigo paz.
As estrelas olham para a Lua e dizem novamente:
— Estamos tão longe umas das outras. Somos tão grandes, mas ainda não conseguimos nos tocar. E conversamos como se não houvesse leis que proibissem nosso diálogo, de tão distante. Olha, Lua, se pudéssemos ver esses moços destruindo pelo menos uma lata, adoraríamos. Mas estamos distantes. Você deveria estar orgulhosa de ter na posse de seu território o único planeta com vida.
— E, na realidade, você chora. Entendemos, claro. Eles lhe destroem por fora. Mas lembre-se: tu és uma rocha brilhante à noite. E eles são carne e osso. Também somos luz, luz distante.
Mas a Lua exclama:
— É porque não são vocês no meu lugar. Se fossem, já teriam pedido a rico.
Então uma estrela velha lhe disse:
— Sabia que muitas de nós já estão mortas?
A Lua questiona:
— Por quê?
E responde a estrela:
— Para que a nossa luz chegasse a eles, demora milhões, até mesmo trilhões de anos. E, até lá, nosso fado já morre. Aqui lhe falo que minha vida se vai. O que começa contigo não é minha matéria, é minha luz. O espaço é tão vasto que qualquer planeta com vida deve ser vangloriado.
A Lua fala novamente:
— Sinto pena de vocês. Mas, se estivesse no meu lugar, preferiam ficar isoladas umas das outras?
E a estrela diz:
— Está vendo aquela grande estrela ali? Ela que mantém tudo vivo. Se ela pelo menos se mexer um pouco para trás ou um pouco para frente, tudo o que seu olho ver desaparece.
— Por quê? — disse a Lua.
— Consulte-lhe — diz a estrela.
E a estrela, com rapidez, lhe responde:
— Oras, não vê? Ela é grande porque ela tem tantas densidades que os outros planetas se acolhem nela. Imagine que ela é sua mãe ou seu pai. Ficará melhor como pai? Ele é o Sol, no caso. Quando tu estás triste, quem lhe levanta? Seu pai. Claro, às vezes, como, por exemplo, nós, asteroides, não temos pais. Temos criador.
A Lua pensa, agradece e retorna ao seu rosto aos humanos e dá-lhes novamente um bom dia ao Sol.
Fim.
O desejo não é um acidente da existência humana; é uma das expressões fundamentais da força pela qual cada indivíduo procura preservar e afirmar o próprio ser.
A mente humana não é estrangeira à natureza; pensar é uma das formas pelas quais a própria natureza se torna capaz de compreender sua existência.
Toda existência carrega uma resistência contra o próprio desaparecimento; viver é também exercer continuamente uma potência de perseverança.
Uma democracia não se fortalece quando exige que todos pensem da mesma maneira, mas quando consegue transformar a pluralidade das consciências em força política sem destruir a liberdade.
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