Retribuindo uma Amizade

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Uma criança perdida na aduana
Na fila fria da aduana vazia,
um carimbo ecoa, corta a nostalgia,
luz fluorescente, cheiro de papel,
e um mundo adulto que nunca foi céu.
Pequenos passos num piso riscado,
um nome trocado, um visto negado,
o guichê não olha, só pede razão,
mas a infância não cabe em formulário e mão.
Há bandeiras cansadas no vidro embaçado,
México distante num sonho quebrado,
Uruguai sussurra num vento lateral,
Colômbia sangra num mapa postal.
E a criança pergunta sem ter voz alta,
por que a fronteira sempre falta e assalta?
Se o mundo é um só, por que dividir?
Se o peito é caminho, por que impedir?
Um rádio distante fala em espanhol,
mistura de ordem, de medo e farol,
e o agente carimba sem nem perceber
que ali tem um universo tentando crescer.
Tem cheiro de estrada, de ônibus antigo,
de alguém que perdeu o próprio abrigo,
de um Renault velho cruzando a serra,
levando saudade que nunca se encerra.
E a criança espera — não sabe o quê,
talvez um abraço que o mundo esqueceu de ter,
talvez um sinal, uma mão no ar,
dizendo “pode ir, você pode passar”.
Mas a aduana é feita de tempo e parede,
de quem não entende a sede da rede,
e a infância ali vira só suspensão,
entre o “fica” e o “vai” sem tradução.
No fim, só restam selos no olhar,
e um mapa que aprende a não voltar,
mas mesmo perdida, insiste em sonhar:
que toda fronteira um dia vai respirar.

Foi pelo momento, plenamente absorto em mim mesmo, engendrando novas luzes como reflexo de uma alma puramente fugidia, minha alma, sustentada por meros caprichos mundanos que sutilmente elevam-na, que me vi atropelado e arrastado pela, por agora, vertical vontade alheia, impetuosamente me sopra ao ouvido sua inequívoca vontade. Miserável me tornei; foi-me pior seguir tal alento; não poderia, nem se quisesse, evitar a verticalidade. Mesmo pífio segundos, tornar-me-ei desamparado do ante deleite, ao alentado fomento do capricho alheio, toda a transcendentalidade ordinária, minha modesta, pois, havia perdido.

Saudades,é uma expressão de amor.
Pois se foras amor,o que seria essa dor?
Algo que consome e nos corroe por dentro,almas flageladas e dilaceradas;
Como um sentimento tão lindo,pode causar tanta ⁠tristeza?
Isso é amar? Ou morrer?


-Izadora Hoffmann

“Há uma diferença entre estar sozinho e habitar a própria solidão. A primeira dói; a segunda pode ensinar.”

— Juliana Hoffmann Liska

Aspiro por uma civilização guiada pela prática da razão crítica, mas iluminada pela sabedoria que reconhece os limites do próprio conhecimento."

"O valor não é uma lei do universo. É uma ferramenta social — uma régua que inventamos para medir os outros. O paradoxo terrível? Foi essa invenção arbitrária que nos convenceu de que precisamos ser medidos para existir."⁠

morango.


Morango tem uma coisa curiosa, parece frágil, mas nunca passa despercebido.


Talvez seja a cor. Aquele vermelho vivo, quase exagerado, como se tivesse sido feito para chamar atenção mesmo quando está perdido no meio de tantas outras frutas. Talvez seja o contraste entre o doce e o azedo, entre aquilo que parece delicado por fora e aquilo que permanece na boca depois da primeira mordida.


Eu nunca gostei de morango.


E talvez seja justamente isso que torne tudo mais bonito.


Porque, antes de você, morango era só uma coisa que eu não gostava. Não fazia questão, não procurava, não sentia falta. Se estivesse na minha frente, provavelmente eu deixaria para lá.


Até você aparecer e, de algum jeito, me fazer gostar.


Não sei exatamente quando aconteceu. Talvez tenha sido aos poucos, como quase tudo que realmente muda a gente. Um dia eu provei. Depois outro. E, quando percebi, aquilo que antes eu não gostava já tinha se tornado uma das pequenas coisas que eu gostava.


E agora eu gosto de morango.


Só que existe um problema nisso.


Eu gosto de morango e lembro de você.


E talvez você tenha percebido hoje.


Ou talvez não.


Porque eu passei o dia inteiro falando de morango para você.


Morango pra cá.


Morango pra lá.


Uma hora era sobre comer morango, outra era sobre gostar de morango, outra eu simplesmente dava um jeito de colocar morango no meio da conversa.


E você não entendeu.


Achou que eu estava falando de morango.


E eu estava.


Mas não estava só falando de morango.


Esse era o jogo.


Você funciona assim pra mim, como o morango hoje.


E o morango?


Ai vem na cabeça o morango, falo sobre o morango, penso no morango, o morango hoje como foi pra você.


É como se o morango tivesse instalado numa parte lá, e fica chato, repetitivo, e porque você tá falando do morango o dia inteiro? porque você escreve sobre o morango o dia inteiro?
nem você mesma se fosse um morango iria querer ouvir falar do morango o dia inteiro.


Imagina como deve ser para as pessoas que me ouvem falar de morango.


A graça estava justamente em deixar a palavra passar pela sua frente o dia inteiro sem explicar por que ela estava ali. Eu queria ver se, em algum momento, você perceberia que eu estava tentando dizer alguma coisa sem realmente dizer.


Porque, para qualquer outra pessoa, era só uma fruta.


Para mim, era você disfarçada de fruta.


E talvez seja engraçado pensar que eu passei o dia inteiro te falando de morango sem falar de você nenhuma vez.


Ou melhor, falando o tempo inteiro.


Penso nas coisas que você gosta, nos pequenos detalhes que talvez nem perceba que deixou pelo caminho. Na maneira como certos sabores parecem ter sido feitos para você, nas pequenas preferências que foram ficando conhecidas por mim quase sem perceber.


E morango acabou entrando nesse lugar.


Talvez porque tenha a mesma contradição que você carrega. Uma coisa bonita, doce, quase delicada, mas que também sabe ser intensa. Que não precisa fazer esforço para ocupar espaço. Que basta aparecer para mudar alguma coisa ao redor.


E existe uma parte engraçada nisso tudo.


Porque eu posso olhar para um morango hoje e pensar que é só um morango. Posso cortar, comer, deixar de lado. Mas em algum momento vou lembrar que existe uma pessoa que fez aquela fruta significar alguma coisa diferente.


Você me fez gostar de uma coisa que eu nunca gostei.


E talvez você nem saiba o tamanho disso.


Porque algumas pessoas passam pela nossa vida e deixam fotos. Outras deixam frases. Outras deixam lugares.


Você deixou tudo isso, incluindo gostos novos.


Deixou pequenas preferências espalhadas em mim, como se tivesse colocado um pouco de você em coisas que continuam existindo mesmo quando você não está.


E talvez, se algum dia ler essas palavras, vá entender imediatamente.


Talvez você entenda e finalmente perceba que eu estava tentando te contar uma coisa.


Que quando eu dizia morango, eu queria que você pensasse em você.


Que quando eu insistia em morango, talvez estivesse esperando que você percebesse a coincidência.


Que eu nunca gostei de morango.


Mas você me fez gostar.


E agora eu gosto de morango.


E por gostar de morango, eu lembro de você.


Talvez seja justamente por isso que eu não precise dizer seu nome.


Porque morango já basta.


Você sabe.


Eu sei.


E, no fim, existem coisas que só fazem sentido para duas pessoas. O resto do mundo pode olhar e enxergar uma fruta vermelha, bonita, doce, comum.


Eu olho e vejo tudo aquilo que, de alguma maneira, ficou associado a você.


O gosto.


A cor.


As coisas que você gosta.


E aquela brincadeira que você não entendeu .


Talvez agora entenda.


Talvez tenha entendido e só tenha fingido que não.


Mas tudo bem.


Alguns jogos são melhores quando a outra pessoa demora para descobrir a resposta.


E a minha resposta foi simples:


morango.


Porque eu nunca gostei de morango.


Até você.


E agora, toda vez que eu gosto de morango, eu lembro de você.

O Amadurecimento do Espírito
Vencer não significa ter uma vida sem problemas, mas sim manter a paz no coração mesmo quando o mundo ao redor parece desabar. A maior conquista espiritual que podemos alcançar é a capacidade de passar por um dia difícil sem perder a fé, sem azedar o humor e sem deixar de acreditar no bem. Cada amanhecer nos desafia com pequenas lutas, mas também nos oferece o cenário perfeito para exercitarmos a paciência e a tolerância. Quando você consegue fechar o dia com a consciência tranquila e o coração agradecido, você alcançou a mais sublime das vitórias.

~~A MULHER QUE AMO~~
A mulher que amo é como uma estrela,
Aquela que é bem cintilante e atraente!
Dizem que brilha sobre as montanhas mineiras,
Mas que a origem do brilho vem do planalto central!

A mulher que amo é como a mais bela das criaturas,
Aquela que é bem dócil e arrebatadora!
Dizem que a sua beleza foi cultivada divinamente,
Mas que tal exagero foi selado para apenas um homem!

A mulher que amo é como um sorriso de menina,
Aquela que é bem dengosa, arteira e meiga!
Dizem que seu sorriso foi feito para dar tranqüilidade,
Mas que o seu lindo sorriso será sempre contido!

A mulher que amo é como estar presente e ausente,
Aquela que é bem marcante por sempre estar!
Dizem que a sua marca está no olhar transparente,
Mas que esse olhar será fatal apenas para um!

A mulher que amo é como a beleza invisível,
Aquela que é bela mas também inexplicável!
Dizem que sua morada está na Terra do Nunca,
Mas que apenas um pode chegar a essa terra!

- Ah, como quero encontrar o caminho para a Terra do Nunca!!!
~~ANJO ARREBATADOR~~

“Algumas pessoas passam pela nossa história. Outras deixam uma sombra tão profunda que continuam existindo mesmo depois da partida.”

— Juliana Hoffmann Liska

“Tenho dentro de mim uma biblioteca de pessoas que o tempo levou, mas que a memória recusou abandonar.”

— Juliana Hoffmann Liska

“Existe uma espécie de solidão que não pede companhia; pede compreensão.”

— Juliana Hoffmann Liska

A Vida é uma Casa de Câmbio


A vida é uma casa de câmbio: compra sonhos, vende estações. Recebe amores em moeda forte, devolve lembranças em pequenas frações.
O que ontem foi fortuna, hoje repousa sem cotação; mas há perdas que o tempo transforma na mais valiosa conversão.
E assim seguimos, entre partidas e retornos: estrangeiros do passado, cidadãos da recordação.
A vida é uma casa de câmbio: onde cada peso é meramente simbólico e cada dólar, uma idealização.

"Não se trata apenas de racismo. É, na verdade, o sintoma de uma inconsciência doente: a ilusão de uma pseudo-superioridade desumana. Esse orgulho cego escolhe ignorar o valor inestimável da nossa ancestralidade negra e indígena que, unida à herança portuguesa, molda nossa essência e nos define como nação."

Mente Calma
Uma mente calma não corre atrás de vento.
Não grita pra ser ouvida,
não empurra o rio pra ele correr mais rápido.

Ela entende que provar cansa,
que controlar machuca,
e que paz não se conquista na força.

A mente calma é como água:
se adapta, contorna a pedra,
mas não perde a essência.

Ela sabe que o mundo lá fora pode gritar,
mas por dentro... por dentro escolhe silêncio.
Escolhe limite.
Escolhe leveza.

Porque quem está em paz com si,
não precisa vencer discussão.
Precisa só continuar inteira.

Havia uma pessoa que levaram quase tudo.
Levaram a beleza que ela tinha quando era jovem.
Levaram o tempo que não volta mais.
Levaram o emprego, a rotina, o chão.

E por um tempo ela achou que tinha ficado sem nada.

Mas ninguém conseguiu levar o que ela é por dentro.
Ninguém levou a força de levantar quando dói.
Ninguém levou a sabedoria que só a vida ensina.
Ninguém levou a luz que acende nela mesmo nos dias escuros.

A juventude foi embora, mas ficou a maturidade.
A beleza mudou, mas ficou a dignidade.
O emprego acabou, mas não acabou a capacidade de recomeçar.
O tempo passou, mas o que importa é o que ela ainda vai fazer com o tempo que resta.

Ela não é o que perdeu.
Ela é tudo o que sobreviveu.
E quem sobrevive, reconstrói.
Devagar. Um pedaço por vez.

Porque no fim, o que ninguém pode tomar...
é a chance dela de se reencontrar.

“Pode parecer uma miragem no deserto, mas eu consigo enxergar a vitória no horizonte.”
Léo Pedacci ✍️

Quando Descobri Que Deus Ainda Me Esperava

Há uma verdade que me acompanha todos os dias.
Quanto mais conheço a bondade de Deus, mais conheço também as minhas fraquezas.
Durante muito tempo imaginei que a maturidade espiritual me impediria de cair.
Hoje sei que não.
Continuo tropeçando.
Continuo errando.
Continuo descobrindo, dia após dia, o quanto ainda preciso da misericórdia de Deus.
Às vezes pensamos no pecado apenas como grandes escolhas erradas.
Mas a vida me ensinou que ele também se esconde nas pequenas coisas.
Numa palavra impensada.
Num julgamento precipitado.
Num orgulho silencioso.
Numa indiferença que machuca.
Num olhar que se afasta daquilo que Deus nos convida a contemplar.
São pequenas escolhas que, pouco a pouco, revelam a fragilidade do coração humano.
Não escrevo isso para condenar ninguém.
Escrevo porque reconheço essa realidade primeiro em mim.
Todos os dias descubro que ainda tenho muito a aprender.
Todos os dias percebo que ainda existe algo em mim que precisa ser transformado.
O mais impressionante, porém, não é a minha fraqueza.
É a paciência de Deus.
Antes mesmo que eu tropece, muitas vezes sinto que Ele já me alerta.
A consciência fala.
O coração percebe.
A verdade se apresenta diante de mim.
Mas, mesmo assim, nem sempre escolho o melhor caminho.
Não porque Deus tenha se calado.
Mas porque, tantas vezes, prefiro ouvir a minha própria vontade.
E, quando finalmente percebo o erro, descubro que Deus não se afastou.
Continua ali.
Esperando.
Chamando.
Acolhendo.
Foi então que compreendi algo que mudou a minha maneira de rezar.
A oração não é apenas um momento para pedir.
É um lugar onde a verdade encontra a misericórdia.
Quando me coloco diante de Deus sem máscaras, reconhecendo aquilo que sou e aquilo que ainda preciso mudar, acontece algo difícil de explicar.
Não escuto uma voz com os ouvidos.
Mas sinto uma paz que nenhuma palavra humana conseguiria produzir.
É como se Deus respondesse ao meu arrependimento com um abraço silencioso.
Há dias em que os olhos se enchem de lágrimas.
Há dias em que apenas um profundo alívio invade a alma.
Não porque eu mereça esse perdão.
Mas porque Deus nunca deixou de amar quem eu ainda estou aprendendo a ser.
Talvez seja esse um dos maiores mistérios da fé.
Quanto mais conheço a minha pobreza espiritual, mais descubro a riqueza da misericórdia de Deus.
E quanto mais descubro Sua misericórdia, menos desejo permanecer no mesmo lugar.
Não mudo por medo.
Procuro mudar porque fui amado.
É por isso que hoje acredito que a oração é uma das maiores dádivas que Deus nos concedeu.
Ela não muda apenas o que dizemos.
Muda o nosso coração.
Cada oração sincera abre uma porta para a graça.
Cada pedido de perdão rompe um pouco do orgulho que nos afasta de Deus.
Cada lágrima derramada diante d’Ele nos lembra que nunca somos fortes o bastante para viver sem Sua presença.
Hoje já não me aproximo de Deus porque me considero digno.
Aproximo-me justamente porque reconheço que preciso d’Ele.
E talvez esta seja uma das mais belas descobertas da minha caminhada:
O perdão de Deus não é uma recompensa para quem nunca caiu.
É um presente oferecido àquele que, depois de cair, encontra coragem para voltar.
Enquanto houver esse caminho de volta, haverá esperança.
E enquanto houver esperança, haverá sempre um Pai esperando por mim de braços abertos.

Uma consciência elevada não encontra eco em ambientes que sobrevivem da superficialidade.

Se você possui uma inteligência ou um nível de consciência elevado, precisa compreender que nem todos estão preparados para ouvir o que você enxerga com clareza e que muitos preferirão uma mentira confortável a uma verdade inconveniente.