Retribuindo uma Amizade

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"O sabor do Amanhã"


Nunca fui uma pessoa muito participativa
Em dias festivos, nem sempre estava presente..
"Talvez amanhã", eu sempre dizia,
Mas quem é que promete que esse amanhã chegue?


Apesar de ser assim, não é que eu odeie sair
Raramente saio de casa, mas quando saio, tudo é novo..
Cada saída é uma descoberta, uma memória
Acaba sendo mais um motivo para sair!


E quando percebo, já se passaram horas e horas,
Já está na hora de retornar; eu presumo
O quão passageiro pode ser o amanhã?


Quando vejo o tempo passar, uma melodia toca no ar..
Só depois de um longo tempo percebi,
O quão doce o amanhã poderá soar!

Alma e Coração de uma Loba


Sob o manto da noite ou o brilho do sol,
A loba caminha, firme em seu papel.
Carrega nos ombros o peso do mundo,
Mas guarda no peito um amor profundo.
O cansaço da lida às vezes quer parar,
Os ossos doem, o corpo pede para descansar.
São dias de luta, de entrega e de zelo,
Cuidando de quem ama com cada desvelo.
Cada sacrifício é uma prece em ação,
Pois sabe que vale a pena toda a dedicação.
Não há cansaço que vença a fé que a conduz,
Transformando a sombra em pura e clara luz.
Deus é o sustento, a rocha, o vigor,
Que renova suas forças e acalma a dor.
No altar da montanha ou no chão do lar,
Sua alma de loba nunca para de amar.
Coração de guerreira, mas feito de carinho,
Protege os seus e ilumina o caminho.
Com Deus ao seu lado, o fardo se faz leve,
Pois quem ama com a alma, a eternidade escreve.


--------- Eliana Angel Wolf

Neste país, refletir profundamente sobre a existência não é necessariamente uma escolha, mas uma condição humana que se divide entre o privilégio de alguns e a renúncia de outros.

Poucos podem se permitir tal experiência.
Alguns porque nasceram com acesso. Outros porque abriram mão de quase tudo para preservar a consciência de si.

E no meio disso tudo, há uma realidade silenciosa: muitos deixam de viver sem sequer saber que um dia existiram.

Os Tic-taques de nossos relógios, apenas acrescentaram uma fúnebre trilha sonora às nossas idas.
Sildácio Matos

⁠E eu,
o que farei com o tempo?
além do viver
o que mais terei?

Estamos sob
uma pena fina,
dou-lhe,
graças pelo receio

É o medo dos iguais,
que divide
o meu pensar

A tarde
é leve
O sol
é uma
Folha
De papel

Há uma explicação para tudo no mundo moderno, as redes sociais são uma cidade de conselheiros e gurus; prefiro morar na casa do Manoel de barros e nada saber. Viver o despropósito no olhar e encontrar ali Deus.

Ao fim de tarde,
uma árvore, um sol sobre as casas
uma esperança do amanhã

O sol se pôs atrás dos prédios
Passou uma moça com tristeza nos olhos
Será que é o medo do futuro?
Ou será que é a esperança do presente?

O chão surgiu como uma necessidade!
Uma maneira invisível
de enxergar a humildade.
Pisar descanso no brilho do chão
e perguntar à estrada:
Onde é o fim do mundo?

— Eis o nutriente
para uma alma saudável
Pão e palavra!
Oração e trabalho.
Eis o teu caminho de eternidade.

Pra todo grau de consciência há uma plataforma de superação.

Um adjetivo é uma promessa de beleza; o substantivo exato é a própria entrega.

Quantos recomeços cabem em uma vida?
E quantas vidas cabem num recomeço?

Sentimento que ninguém vê


Uma fase idiota que estou a Passar, não pense que me Ganhou.
Não estou apaixonada.


Não! não estou.
Então não se esqueça, você não Me Ganhou!


Sinto-me formigar, tremer, um Frio na barriga, sinto-me cheiro De café me esquentar pela Manhã.
Talvez ainda sinta algo por você.


Turbulenta mente, assim como Ondas, me deixam confusa sobre O que eu deveria dizer.
Isso não significa que eu ainda a Ame.


Escrava desta paixão, até penso Em lhe cantar belas canções, Porém sem saber quais versos Dedicar a ti.


Quando perguntam a mim sobre Ti, minto, eu lhes digo que Não me ganhaste.


Minto, digo que não sou mais a Escrava dessa nossa paixão.
Sinto-me em negação!

Tolo é aquele que apaga uma fogueira por medo de incendiar e morre de frio.

Uma pessoa sem amigos!

É o mesmo olhar, que uma casa sem jardim
É o mesmo olhar, que um mar sem peixes
É o mesmo olhar, que um céu sem estrelas
É o mesmo olhar, que uma árvore sem frutos
É o mesmo olhar, que um filho sem mãe
É o mesmo olhar, que um domingo sem sol
É o mesmo olhar, que um mundo sem poesia
É o mesmo olhar, que Adão sem Eva.

Por muitos dias
Para uma pessoa
Você pode ser sol.
Mas se por um momento
No mundo dela
Você vier a virar lua.
Tua vida estará acabada!

O PREÇO QUE A CIDADE DE CHIMOIO COBRA

Já estive naquela cidade. Chimoio é uma cidade bonita. Tem uma beleza própria, calma e limpa. As pessoas conversam, riem e seguem com as suas vidas normalmente. Mas, por detrás daquela tranquilidade, existe também muita dor e muita tristeza escondida.

Viver naquela cidade parece ter um preço. E não preciso falar por metáforas para dizer isso. Todos os dias morrem pessoas em Chimoio. A criminalidade aumenta cada vez mais. Quem não morre por causa do crime, pode morrer por outras razões absurdas: por ser diferente, por vestir-se de maneira diferente, por opiniões políticas, por inveja, por discussões pequenas ou até simplesmente por azar.

E os acidentes também já fazem parte da rotina da cidade. Quase todas as semanas há notícias de acidentes nas estradas. Talvez tenha chegado o momento de olhar seriamente para os problemas da cidade: melhorar as ruas, organizar melhor o trânsito, corrigir erros na construção e no planeamento urbano.
Porque muitas destas mortes podiam ser evitadas. Há sofrimentos que uma cidade não devia causar ao seu próprio povo. Mas, infelizmente, continua a acontecer! É o preço.

“Que a poesia continue a ser um meio de libertação.”

Colocar uma cerca em um terreno baldio é estabelecer limites para um lugar onde antes havia livre acesso.

Obs.: Não estou falando de terreno!

A palavra “não” afastará muitas pessoas que estavam acostumadas a ter livre acesso à sua vida.