Retalhos
Deve ser o fio de vida que vai unindo, pedaço a pedaço, essa colcha de retalhos que é a história do mundo.
A vida é uma concha de retalhos, são pedaços das histórias que se ouve e as verdades e mentiras nas entrelinhas de realidade em realidade.
“Começa a costura. Pequenos retalhos da vida costurados à mão. A alegria ingênua da criança. O desejo incontrolável do adolescente. A independência idealizada do jovem. A real independência do adulto. A voz que se cala por causa do medo. Os desejos e sonhos abafados pela falta de coragem. As tristezas vividas ao longo da vida. Mas ai vem a parte boa. Costura o sorriso de orelha a orelha. Aquele sorriso extravagante. O sorriso que se deu no dia que encontrou o amor da sua vida. A foto com os amigos na beira da praia. O abraço da amiga. A gargalhada do bebê. Pega esses momentos, hoje espalhados como retalhos, e junta. Junta e faz poesia. Junta e faz se tornar belo aos olhos. Pega esse sorriso que desvaneceu e acende. Pinta, colore, reaviva. É a vida. Não desperdiça.”
Retalhos de cor em pó
Negrinha... do pé da ladeira
Cresceu pela vida sem eira nem beira
Aprendeu que sua é pele não é brincadeira
De saia rodada, pés descalços, deu pulos e saltos correndo no asfalto
Seus sonhos dourados trocados aos farrapos
Princesas das ruas, escolas nos saltos, com príncipe aos lados, mostravam os fatos
Por ter nascido sem cor, sem brilho e aos fados
Teria a sombra, não pra proteção
mas como esconderijo de indignação
Negrinha sem livros, histórias infantis, nunca foi princesa, sem escolhas seguiu
Seguiu na certeza de que nunca a dariam lugar de rainha
Cresceu pela rua, já dormiu na rua e sentiu que, na sua, ganhava mais justas saudações de estrela, nuvens e lua
Que em sua ternura falava aos rostos, que em sua ingênua e doce leitura,
via neles amigos e um amor que cura
Negrinha, negrinha... o que ela ouvia, estica os cabelos e ganha nas ruas
Quem sabe os olhares, troféu quase, sinta o gostinho da mão de alguém
Negrinha, negrinha, sem eira nem beira, guarda o coração e esconde essa beiça
Beiça de mula, cor de burro fujão
Teu lugar é na sombra e não na multidão
Momentos pequenos de migalhas que sobram, sentiu o sabor do que as outras provam
Negrinha dentuça das pernas finas, escreve teus sonhos no papel e na tinta
Encontres no palco na arte em vida
O prazer ilusório do brincar de rica,
Sereia bonita, princesa e rainha, de contos de fada que nunca te abriga
Teimosa negrinha, relincha entre os dentes, brigando espaços em fios invisíveis
Esperança falida, certezas que brotas apenas dos sonhos que não casam as portas fechadas de sortes que foge à galopes que de tanto ligeiro nem mota se trota
De rua ternura manchada de morte
Teu corpo pequeno magrelo sem sorte
sentiu o amargo do gosto da morte
Cresceu na esperança peitinho floriu, roubaram-lhe a sorte o que te feriu
Jogada aos tapetes asfaltos mil,
o que foi mais duro não foi o chão que dormiu
Negrinha se olha e não mais se nota
Pergunta qual nota se dança tão torta
A música que canta a harmonia fugiu pois não tem espaço, seus retalhos mil
Negrinha negrinha teimosa demais
Cansada da vida já não pode mais
Rodeada de todos e vivendo só
na vida amizade só encontra o pó
Negrinha se encanta, por ti se apaixona, se encontra na sombra a cura em somas
de estender a mão aos que como a ti também são...
Negrinha negrinha que então descobriu,
que os não que recebes nunca te serviu
Um não não te acode teu corpo sangrando sua sorte fugiu
Cor de burro fugido o que sempre ouviu quem é que te acode quem foi que te ouviu?
Que espaço pertences teu povo fugiu na falta de sorte alguém te seguiu
Aquele ombro amigo que nunca foi teu, palavras tão duras nunca se escondeu
Negrinha se avexe, se feche
seu corpo e sorriso ninguém vê que preste...
Me refiz de retalhos do que sobrou, eram panos finos, seda, mas eram retalhos. Muitos jogaram fora. Eram retalhos, peguei todos juntei custurei e me vesti, agora me refiz de retalhos.
-Cintia Verissimo
Sim, sou assim. Reinvento-me, colo os meus estilhaços, costuro os meus retalhos, coloro meus dias cinzentos e até floresço no deserto. Vivo me adaptando, mas não perco a minha essência. Sou obra de arte, artista de mim mesmo.
Há um silêncio que tem cheiro de infância perdida. Ele se esconde nas gavetas e nos retalhos do falar. Quando me ponho a escrever, o silêncio ensina como ferir com calma. Sinto que as palavras são pontes frágeis entre mundos. E atravessá-las é ato de coragem e covardia.
O tempo se torna raro, em meio a retalhos, traças se sustentam comendo trapos velhos e apodrecidos, nem com esperança o homem olha mais, nenhum ser é mal por completo.
Me vejo como uma colcha de retalhos... Um mar de remendos coloridos e que nem se combinam entre si, mas que serve direitinho para esquentar alguém
A vida é construída como uma cokcha de retalhos, ela pode ser simplesmente linda ou pode ser apenas pedaços de você... Construir também faz parte de você encontrar em momentos simples a alegria de viver, apaixonar-se mais pela vida e não somente pelas pessoas, elas devem estar dentro do seu momento e não somente ser o motivo da sua felicidade.
Ajuntar os retalhos de uma relação afetiva seja de qual linha for, amizade ou romance, não passa de remendar com linhas podres tecidos novos, a relação acontece, mas não com a vitalidade e firmeza do princípio!
A felicidade é como uma colcha de retalhos,
vem das lições aprendidas,
das feridas cicatrizadas,
dos remendos que temos!
Sou feita de alguns retalhos da vida...
coisas que vivi, aprendi, procurei...
sou feita das escolhas que fiz...
dos sonhos que realizei...
sou feita de encantos...
e de medos também...
sou massa cinzenta que concretiza...
se solidifica em algum lugar...
esperando com força... o que a vida precisa me mostrar...
Senta-se em sua cadeira de arames e retalhos,
fechas os olhos com pezar
com intuito de sua tristeza escapar,
a quem você quer enganar?
Não minta pra si mesma,
não diga que eu estou errado,
não feche os olhos
só para parecer mais fácil.
Os ponteiros do relógio
apontados como flechas
sobre nossas cabeças,
o tempo nos condena,
não há como escapar...
Uivos desertos, trêmulos incertos,
sobre a luz da noite
vagueiam por ai como insetos.
Nos devoram, nos condenam,
é o peso da carne sobre o medo e o arrependimento.
Olhares, bochejos,
é o peso da culpa sobre o insano desejo...
Eu sou pedaços dos momentos que já passei,retalhos dos amigos que tive,restos dos livros que li. Eu sou estudante de pedagogia com uma bagagem de um século vivido. Amo meus sobrinhos,meus ursinhos,minhas irmãs,os desenhos que fiz,os textos reflexivos que escrevi.Tenho uma enorme paixão por tudo aquilo que é colorido,que é vivo por si, aquilo que não tem "estribeiras",que chamam de fantástico.Desenho boneca palito pra passar o tempo e tenho esperança que descubram meu talento.Sinto-me extremamente confortavel quando dentro de alguma biblioteca,lá e somente lá,consigo distinguir o cheiro do saber.Livros mudos,com letras falantes e gritos visuais me interessam muito.Eu sou bem "aquilo" que não deveria ser produzido.
Pedaços de retalhos, remendos improvisados, calos doloridos, alma em pedaços, tudo isso é possível consertar, só não podemos esquecer que a dor que sentimos, o outro também pode sentir quando é atingido com nossas agulhadas desnecessárias.
by/erotildes vittoria
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