Religiosos
Existe um niilismo religioso existencial. Alguns religiosos podem simultaneamente ser niilistas ao acreditar que a vida neste mundo seja vazia enquanto apenas esperam por uma vida após a morte que não sabem se será melhor. Eles acreditam que divindades existem, enquanto também acreditam que as divindades não têm propósito nenhum para com humanidade, como se a humanidade fosse apenas um tipo de brinquedo divino.
A maioria dos religiosos não tem absolutamente nenhum propósito na vida; servem apenas como instrumento descartável nas mãos de líderes gananciosos.
Se um deus verdadeiramente amoroso existir, ele destruirá os fanáticos religiosos e salvará todos os ateus de bom caráter!
Religiosos chamam ateus de "frustrados", mas é só porque não encontraram como criminalizar a descrença. No fundo, a frustração que eles veem nos ateus é só a frustração do próprio poder religioso sendo desafiado.
Se deus é a nossa mãe, então muitos líderes religiosos seriam como crianças birrentas tentando provar que são os filhos favoritos, puxando o saco da mãe em troca de privilégios. Mas o coração duma mãe suprema nunca cria favoritos.
"Ninguém vai ser livre de verdade enquanto houver intermediários religiosos ditando o que a gente tem que aceitar de olhos fechados."
"Erros humanos comuns a lei corrige; já dogmas religiosos falsos são impostos como verdades inquestionáveis."
"Tentar encaixar o mistério gigante do universo em dogmas religiosos é a maior prova de ego humano."
Quando o Estado abandona evidências científicas em favor de dogmas religiosos, não está apenas escolhendo uma crença: está alterando o critério pelo qual decisões públicas são justificadas.
No Brasil, uma política pública pode ser inspirada por valores religiosos, mas sua legitimidade jurídica não pode depender exclusivamente da verdade de uma doutrina metafísica.
Sempre que vejo religiosos divididos, digladiando e se julgando pela Mãe do meu Senhor, lembro o quão fácil foi persegui-lo.
E ainda há quem defenda o Céu com flechas e pedras na mão.
Quem diga amar o Cristo, mas incapaz de reconhecer o amor no olhar do irmão.
Quem cite versículos para erguer muros — e não pontes…
Sem se esquecer dos que se valem do nome de Deus e da igreja para se esconder, aparecer e se promover.
Talvez o maior escândalo da fé não esteja nas diferenças doutrinárias, mas na incapacidade de amar sem rótulos.
Foi esse mesmo zelo sem ternura que O condenou — não o ateísmo, não o império, mas a arrogância de quem julgava conhecer melhor a vontade do Pai.
E assim, em nome d’Ele, seguimos ferindo o que há de mais Divino: o Amor ao próximo!
O Crime Organizado costuma ser mais previsível que muitos Líderes Religiosos que se ajoelham diante da política.
E talvez seja exatamente aí que mora o perigo: na previsibilidade do perverso e na imprevisibilidade dos que deveriam ser farol.
Quando o crime se apresenta, já sabemos o que esperar — sua brutalidade não promete virtudes, nem esconde seus métodos.
Ainda que precipitado nos infortúnios da própria escuridão, ele consegue ser até mais honesto do que quem tem agenda oculta para cumprir.
Mas quando a fé, aquela que deveria ser abrigo, se confunde com palanque;
quando o altar, aquele que deveria ser refúgio, vira plataforma;
quando a palavra sagrada, que deveria orientar consciências, começa a servir a conveniências… passa a ser usada para se esconder, aparecer e se promover,
então a confusão deixa de ser acidente e se torna estratégia.
A fé não é o problema.
O problema é quando ela é sequestrada por ambições.
Quando mãos que deveriam erguer feridos, erguem partidos.
E quando vozes que deveriam consolar, inflamam disputas.
Quando líderes que deveriam curar feridas, as utilizam como moeda política.
E, por ironia muito amarga, enquanto o crime mantém sua lógica previsível — tão trágica quanto constante — a espiritualidade distorcida por interesses se torna um território nebuloso, onde o risco não é apenas o engano, mas a perda do discernimento coletivo.
Porque quando quem deveria apontar o caminho se ajoelha diante do poder, os que com ele caminham é que se perdem.
Quem se atreve a fingir princípios — éticos e religiosos — pode fingir qualquer coisa, inclusive defender interesses populares.
Há algo de perigosamente sedutor na aparência da virtude.
Ela dispensa esforço real, exige apenas encenação convincente.
Quem aprende a reproduzir os gestos, o vocabulário e as indignações esperadas de um “homem de princípios” descobre rapidamente que a forma, muitas vezes, é aceita como conteúdo.
E, nesse teatro dissonante, a ética vira figurino — trocado conforme a conveniência do palco.
O problema não está apenas em quem finge, mas em quem se satisfaz com a performance.
Afinal, princípios verdadeiros são silenciosamente coerentes, enquanto os falsos precisam ser constantemente anunciados, defendidos e exibidos.
Quanto mais ruído fazem, maior a chance de esconder o vazio que carregam.
Na seara religiosa, a distorção é ainda muito mais delicada do que possa parecer.
A fé, que deveria ser íntima e transformadora, torna-se ferramenta de legitimação pública.
O discurso moral vira escudo, e a espiritualidade, um selo de confiança pronto para ser colado em qualquer interesse — inclusive os mais distantes do bem comum.
Nesse cenário, não é raro ver a compaixão ser substituída pela conveniência, e o amor ao próximo reduzido a um slogan oportuno.
Quando esses mesmos atores se apresentam como defensores do povo, a encenação atinge seu ápice.
Falam em nome de muitos, mas respondem a poucos.
Prometem justiça, mas praticam cálculo.
E, protegidos pela imagem cuidadosamente construída, passam despercebidos por aqueles que mais precisariam desconfiar.
No fim, a questão não é apenas identificar quem finge, mas reconhecer o quanto estamos dispostos a acreditar.
Porque toda farsa “bem-sucedida” depende menos da habilidade do impostor e mais da disposição coletiva em aceitar atalhos — inclusive os morais.
Princípios não precisam ser proclamados em voz alta o tempo todo.
Eles se revelam nas escolhas difíceis, nos momentos em que não há plateia e, sobretudo, quando não há vantagem.
Todo o resto pode ser apenas uma boa atuação.
Os Líderes Religiosos poderiam pautar demandas sociais sem politizar as igrejas, mas isso não os levaria ao Poder e ao Dinheiro.
Talvez uma das principais tragédias da fé contemporânea seja perceber que muitos púlpitos deixaram de ser lugares de consciência para se tornarem palanques emocionais.
A espiritualidade, que deveria servir para confrontar ego, vaidade e ambição, passou, em muitos casos, a ser usada justamente como combustível para essas mesmas coisas.
Existe uma diferença muito profunda entre uma liderança religiosa que orienta a sociedade moralmente e uma liderança que transforma fiéis em massa de manobra política.
A primeira desperta senso crítico, responsabilidade, compaixão e humanidade.
A segunda exige alinhamento, cria inimigos convenientes e transforma divergência em pecado imperdoável.
Igrejas poderiam — e talvez devessem — participar das grandes questões sociais.
Poderiam falar sobre pobreza, violência, abandono, vícios, solidão, corrupção, dignidade humana e justiça sem se tornarem extensões de projetos partidários.
Poderiam cobrar ética sem vender ideologia.
Poderiam ensinar valores sem sequestrar consciências.
Mas isso exige renunciar a algo que seduz quase todo poder institucional: influência irrestrita.
Porque, quando a fé deixa de buscar transformação espiritual e passa a disputar espaço político como objetivo central, o fiel deixa de ser alma e vira capital.
Capital eleitoral, financeiro e capital de influência.
E talvez o mais perverso disso tudo seja a embalagem moral.
Quase tudo pode parecer legítimo quando é feito “em nome de Deus”.
O abuso ganha verniz sagrado.
A manipulação ganha aparência de missão.
O medo vira ferramenta de fidelização.
Enquanto isso, questões reais seguem sem solução.
A miséria continua.
A violência continua.
O abandono continua.
Mas a sensação de pertencimento político dá às pessoas a impressão de que estão lutando por algo muito grandioso, quando muitas vezes estão apenas retroalimentando estruturas que dependem da própria tensão social para sobreviver.
A fé deveria libertar o indivíduo do medo e da idolatria.
Inclusive da idolatria política.
Porque, quando uma igreja se torna incapaz de existir sem um inimigo político constante, talvez ela já tenha trocado o evangelho pela estratégia.
E, quando líderes percebem que indignação mobiliza muito mais do que consciência, o caminho para o poder se torna tentador demais para ser ignorado.
No fim, a pergunta mais desconfortável talvez seja:
quando a religião entra na política para “salvar valores”, quem salva a própria religião da corrupção, da sede por dinheiro e poder?
Se os Religiosos pregassem na Seara Política como os Políticos politizam na Seara Religiosa, o Caminho para a volta do Filho do Homem já estaria preparado.
Há algo profundamente inquietante no modo como a Política e a Religião, campos que deveriam servir ao bem comum e à consciência, muitas vezes se misturam até perder seus próprios limites.
A Política deveria cuidar da cidade, das leis, dos direitos e das responsabilidades coletivas.
A Religião, por sua vez, deveria cuidar da consciência, da esperança, da fé e da relação do ser humano com aquilo que considera sagrado.
Quando uma invade o espaço sagrado da outra para conquistar poder, seguidores ou influência, ambas correm o risco de transformar princípios em instrumentos.
Talvez o maior perigo não esteja quando alguém tenta convencer o outro de suas ideias, mas quando consegue fazê-lo deixar de pensar por conta própria.
Há quem entre no templo levando a bandeira do seu partido e saia acreditando que sua bandeira se tornou uma extensão da própria fé.
Há quem entre na política carregando Símbolos Religiosos e saia convencido de que sua posição política recebeu uma espécie de aprovação divina.
E, nesse encontro tão meticuloso quanto perigoso, o adversário deixa de ser apenas alguém que pensa diferente: passa a ser tratado como alguém que precisa ser combatido moralmente.
É aí que a fé pode perder sua profundidade e a política, sua racionalidade.
Jesus não chamou seus seguidores para conquistar o poder de um reino terreno, mas para transformar corações.
E talvez essa seja uma das maiores ironias do nosso tempo: falar tanto em Deus enquanto se aprende cada vez mais a odiar o próximo por causa de suas escolhas políticas.
O Evangelho deveria produzir consciência, não cabresto.
Deveria despertar responsabilidade, não fanatismo.
Deveria ensinar discernimento, não obediência cega.
Da mesma forma, a política não deveria precisar vestir uma roupa religiosa para parecer legítima.
Ideias públicas devem ser discutidas por seus princípios, consequências e evidências — não pela quantidade de vezes que alguém pronuncia o santo nome de Deus.
Talvez preparar o caminho para a volta do Filho do Homem não seja construir templos maiores, produzir discursos mais inflamados ou eleger aqueles que melhor sabem falar em nome da fé.
Talvez seja algo muito mais simples e, justamente por isso, muito mais difícil: recuperar a capacidade de amar independentemente da ideologia.
Porque uma sociedade verdadeiramente transformada não é aquela em que todos pensam igual, mas aquela em que pessoas diferentes conseguem discordar sem tirar a humanidade umas das outras.
No fim, talvez a pergunta que devesse nos inquietar não seja “De que lado Deus está?”, mas “De que lado estamos quando deixamos de enxergar no outro um ser humano?”
Se a fé ilumina realmente a política, ela não deveria produzir mais inimigos — deveria produzir mais consciência.
E se a política respeita realmente a fé, não deveria precisar sequestrá-la para conquistar corações.
Talvez seja justamente aí que começa a verdadeira preparação do caminho: não na conquista das consciências, mas na libertação delas.
O óbvio precisa ser dito as vezes né? Frequentemente quando se trata de religiosos e desinteligentes da extrema direita.
Mulheres trans SÃO MULHERES! Elas REPRESENTAM AS MULHERES, SÃO UMA DE NÓS TANTO QUANTO QUALQUER MULHER CIS!
E muitas geralmente fazem mais por nós, mulheres cis e trans, do que muitas cis que estão ao lado dos nossos opressores roubando nossos direitos e prejudicando nossas vidas, além de impedindo que as coisas melhorem.
Sou uma mulher cis e a Erika Hilton me representa!
- Marcela Lobato
"Boquiabro-me quando vejo (ou ouço) religiões (e religiosos) que reivindicam Jesus Cristo para eles, só para eles!"
Frase Minha 0231, Criada no Ano 2008
USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com
2378 📜 "O problema dos Aconselhamentos Religiosos, dos Discursos em nome de Deus e de Jesus, enfim, das Ladainhas em Redes Sociais, é que invariavelmente não são solicitados, são feitas ininterruptamente e em Redes Sociais. Ora, vão pregar nas Igrejas, nos Templos, nas Assembléias Apropriadas... E para aqueles que querem ouvi-los. Isso, sim, é ser Cristão e seguir Cristo!"
Certos religiosos têm tamanho zelo pelo caminho da salvação que passam a vida impedindo os outros de caminhar.
