Reflexão Humildade

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O ENVIO DAS OVELHAS ENTRE LOBOS SOB A ÓTICA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

A passagem Jesus vos envia como ovelhas entre lobos, presente em Mateus 10:16 e retomada em Lucas 10:3, adquire no estudo espírita uma densidade ética e psicológica particular, sobretudo quando interpretada à luz da Codificação, tomando como referenciais fundamentais O Evangelho segundo o Espiritismo e O Livro dos Espíritos nas traduções de José Herculano Pires, além do aprofundamento moral proposto por Léon Denis e pelas análises de Joana de Ângelis.

A imagem das ovelhas não representa passividade, mas moralidade ativa, conceito que Allan Kardec sublinha ao tratar da Lei de Justiça, Amor e Caridade em O Livro dos Espíritos, questões 873 a 879. Ali, a orientação central é a de que a verdadeira força espiritual se expressa pela retidão de consciência, pela superioridade moral e pela capacidade de resistir ao mal sem pactuar com ele. A vulnerabilidade da ovelha, portanto, não é fraqueza; é coerência ética.

Os lobos, nesta leitura, figuram as estruturas sociais e psicológicas que ainda se encontram dominadas pelo egoísmo e pelo orgulho, os dois vícios que, segundo Kardec (E.S.E., cap. XII), constituem a raiz das violências humanas. O mundo em que o discípulo se move é marcado por descompassos morais, pela tendência à agressividade e pela dificuldade de assimilação da mensagem do bem. Não se trata de demonização do outro, mas de diagnóstico ético.

É nesse ponto que a orientação prudentes como as serpentes e simples como as pombas assume seu lugar. No Espiritismo, essa recomendação harmoniza discernimento e pureza de intenções.

Em O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XXIII, Kardec explica que a prudência não é artifício malicioso, mas sagacidade moral, isto é, a capacidade de ler as circunstâncias e não se expor inutilmente às ações daqueles que ainda operam sob o impulso da inferioridade espiritual. Prudência equivale a equilíbrio, autocontrole e avaliação responsável.

A simplicidade das pombas, por sua vez, ecoa o princípio da autenticidade moral: agir sem duplicidade, sem cálculo egoísta, mantendo a pureza de propósito. Léon Denis, em O Problema do Ser, do Destino e da Dor (edição de 1909), reforça que a pureza da intenção é o definidor da grandeza espiritual, pois é dela que nasce a força real do espírito em missão.

Quanto à promessa do " Espírito Santo" fornecendo as palavras certas no momento devido, o Espiritismo interpreta essa assistência não como revelação mística, mas como inspiração espiritual compatível com a vigilância moral do indivíduo. Kardec descreve este fenômeno em O Livro dos Médiuns, capítulo XXXI, ao explicar que os bons Espíritos inspiram, sugerem e orientam, mas não anulam a liberdade nem substituem o esforço pessoal. Joana de Ângelis, na obra Jesus e o Evangelho à Luz da Psicologia Profunda, esclarece que essa inspiração encontra eco apenas em consciências treinadas no bem e na disciplina interior.

Assim, a metáfora bíblica, na ótica espírita, pode ser sintetizada em quatro princípios estruturantes:

Primeiro, a missão moral exige firmeza sem violência, coerência sem agressividade.
Segundo, o mundo social ainda é terreno de tensões éticas, exigindo do discípulo vigilância e discernimento.
Terceiro, a prudência é uma virtude estratégica, sem jamais descambar para a dissimulação.
Quarto, a inspiração dos Espíritos superiores é proporcional à elevação do pensamento e à retidão da conduta.

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A RESPIRAÇÃO DA CHAMA INTERIOR.
Cada vez que alimentamos a esperança de alguém, erguemos silenciosamente um altar dentro de nós mesmos. Não se trata de benevolência superficial, mas de uma operação profunda, quase ritualística, na qual o espírito reconhece no outro a mesma vulnerabilidade que habita o próprio âmago. A chama que se reacende no coração alheio também repercute em nosso interior, porque toda esperança compartilhada devolve ao mundo um fragmento de sentido que parecia perdido.

A tradição sempre compreendeu esse movimento como um ato de preservação do humano. Desde os antigos mestres que viam na ajuda um dever sagrado, até as linhas discretas que atravessam a ética espiritual, sustentar a esperança é impedir que a noite moral se adense em torno de nós. É oferecer ao desvalido não apenas consolo, mas a confirmação de que ainda existe uma vereda para continuar caminhando sem perder a própria lucidez.

Assim, manter viva a chama das almas é um exercício introspectivo, onde cada gesto de apoio revela que a verdadeira força nasce do interior e se expande como um sopro sereno.

" Que tua jornada siga iluminada pela centelha que não se extingue, conduzindo-te à conquista da tua própria conquista de tua luz.. "

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Mateus 13:14 - INVERSÃO DE VALORES.
A CEGUEIRA MORAL COMO SINTOMA DE UMA ERA DESORIENTADA.
A mensagem contida em Mateus 13:14, expressa uma diagnose espiritual de elevada gravidade ética. Ela descreve não um desvio episódico de costumes mas uma erosão profunda dos critérios que sustentam o juízo moral coletivo. A chamada inversão de valores constitui um processo de entorpecimento da consciência no qual o discernimento é gradualmente substituído pela conveniência e pela complacência afetiva.
Quando o texto evangélico afirma que muitos escutam sem assimilar e observam sem compreender ele aponta para um fenômeno de opacidade interior. A inteligência permanece ativa. A sensibilidade espiritual porém encontra-se embotada. O indivíduo passa a filtrar a realidade não segundo a verdade mas segundo o que lhe é confortável. Essa disposição gera uma anestesia ética na qual o erro deixa de provocar inquietação e o bem passa a ser percebido como incômodo.
A passagem de Mateus 13:14 descreve um fechamento voluntário da percepção moral. Não se trata de incapacidade cognitiva mas de recusa deliberada ao chamado interior. O sujeito preserva os sentidos físicos mas abdica da escuta profunda e da visão penetrante. Forma-se assim uma consciência seletiva que legitima desejos e invalida princípios. Nesse estado o certo parece excessivo e o errado parece justificável.
Em Mateus 18:7 a advertência assume uma dimensão estrutural. Os escândalos emergem como subprodutos de ambientes morais degradados. Eles não surgem por acaso. Eles florescem onde há permissividade normativa e diluição da responsabilidade pessoal. O texto não absolve o contexto. Ele responsabiliza o agente. O escândalo não é apenas um fato social. Ele é uma falha ética personificada.
Sob uma ótica tradicional essa degeneração revela o abandono de parâmetros objetivos de verdade. Quando a retidão passa a ser relativizada e a transgressão passa a ser celebrada instala-se uma confusão axiológica que compromete a formação do caráter. A pedagogia perde autoridade. A disciplina é confundida com opressão. E a liberdade é reduzida a impulso.
Essa desordem não permanece restrita ao plano individual. Ela infiltra-se nas instituições. Contamina o discurso público. E normaliza práticas que antes seriam moralmente reprováveis. O escândalo deixa de causar repulsa. Ele passa a ser assimilado como expressão cultural. O alerta ético passa a ser tratado como intolerância. E a tradição passa a ser caricaturada como atraso.
A mensagem portanto atua como um espelho severo aos desatentos. Ela recorda que toda sociedade que rompe com sua herança moral perde progressivamente a capacidade de orientar seus membros. A tradição não é um apego nostálgico ao passado. Ela é a sedimentação de experiências humanas que preservaram a ordem interior e a dignidade ao longo do tempo. Quando essa memória é descartada o homem permanece entregue às próprias pulsões sem norte e sem medida.
Uma civilização que confunde indulgência com virtude e rigor com maldade não caminha para o progresso mas para a dissolução silenciosa de sua própria base de diretriz.

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" A desistência poupa energia e revela a impaciência, mas a continuidade educa o caráter. "

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ANTUSA MARTINS- A MÉDIUM SURDA.
“O TAPETE VERDE”
Estava em Uberaba. As dores que assolavam o corpo de Jerônimo eram lancinantes, quase insuportáveis. Ainda enxergava, mas a vitalidade lhe escapava lentamente. Um amigo, comovido diante de tanto padecimento, disse-lhe que iria buscar uma médium curadora de reconhecida dedicação.
Quando ela entrou, Jerônimo a viu. Pequena em estatura, simples na presença, imediatamente sentiu-se cativado por aquela figura singular. Era Antusa Martins. Surda, expressava-se por sinais e por palavras balbuciadas, pois não era muda. Seu primeiro gesto foi retirar um tapete vermelho que lhe cobria os pés. Em seguida, com sinais firmes e voz difícil, exprimiu-se. “Prefiro o verde”.
Aquela afirmação atingiu Jerônimo como uma revelação íntima. Ali não havia tapete verde algum. O tapete verde, seu predileto, ficara em Ituiutaba. Aquilo foi, para ele, uma prova irrefutável de sua mediunidade.
Antusa, por meio de gestos e de um linguajar singular, contou-lhe que já o conhecia. Disse que, todas as tardes, desdobrava-se espiritualmente e ia até sua casa, em Ituiutaba, acompanhada de Bezerra de Menezes, para aplicar-lhe passes. Nessas visitas, vira o tapete verde, que lhe ficara gravado na memória espiritual.
A partir desse encontro, Jerônimo nunca mais se afastou de Antusa. Costumava dizer que ela e Chico Xavier eram a sua força, o seu sustentáculo moral e espiritual. Referia-se a ela com ternura profunda, chamando-a de “um anjo em forma de mulher”.
Sempre que ia a Uberaba, fazia questão de visitá-la. O carinho de Antusa por ele era imenso, constante, silencioso e fiel. Ela afirmava que, havia muitos séculos, ela e Chico Xavier, juntos, tentavam socorrê-lo. A oportunidade, enfim, se concretizara por meio da dor, instrumento severo e, ao mesmo tempo, redentor.
Porque, quando a dor abre as portas da alma, a misericórdia encontra passagem e transforma sofrimento em caminho de elevação.

ANTUSA FERREIRA MARTINS
A MEDIUNIDADE QUE VIA ALÉM DA MATÉRIA.
Antusa Ferreira Martins figura entre as personalidades mediúnicas mais singulares do Espiritismo brasileiro. Sua existência foi marcada por uma abnegação silenciosa, por faculdades extraordinárias e por uma fidelidade absoluta à caridade, razão pela qual foi consagrada pela tradição popular como o “Chico de Saias” de Uberaba, não por comparação superficial, mas pela similitude moral, pelo serviço incessante e pela renúncia integral de si mesma em favor do próximo.
A TRAJETÓRIA DE ANTUSA FERREIRA MARTINS
INFÂNCIA. O SILÊNCIO E A VISÃO.
Nascida em 9 de setembro de 1902, em uma fazenda nos arredores de Uberaba, Minas Gerais, Antusa teve a infância abruptamente transformada por um episódio decisivo. Aos 4 anos, foi acometida por meningite, enfermidade que lhe suprimiu definitivamente a audição. Em decorrência dessa condição, não desenvolveu a fala, passando a viver em um mundo de silêncio absoluto.
Criada em ambiente católico tradicional, causava assombro e inquietação aos familiares ao relatar, por meio de gestos próprios e de uma linguagem intuitiva, que via pessoas desencarnadas circulando pela casa. Para Antusa, desde muito cedo, o mundo espiritual apresentava-se com a mesma concretude do mundo material, sem fronteiras perceptíveis entre ambos.
ADOLESCÊNCIA E O ENCONTRO COM EURÍPEDES.
Aos 15 anos, em 1917, sua família mudou-se para Sacramento, Minas Gerais. À época, a cidade destacava-se como um dos grandes polos do Espiritismo no Brasil, sob a orientação moral e intelectual de Eurípedes Barsanulfo.
Ao conhecer a jovem Antusa, Eurípedes reconheceu de imediato a natureza de suas faculdades e a missão que lhe estava confiada. Sob sua orientação direta, Antusa passou a trabalhar na Farmácia Homeopática, auxiliando na preparação de medicamentos e no atendimento aos necessitados. Esse período representou verdadeiro aprendizado espiritual, no qual suas faculdades foram educadas, disciplinadas e harmonizadas à luz da caridade e da humildade.
VIDA ADULTA. TRABALHO E CARIDADE.
Após o desencarne de Eurípedes Barsanulfo, Antusa retornou a Uberaba. Sua vida manteve-se austera e despojada. Sustentava-se por meio da confecção e venda de tapetes de crochê, atividade que realizava ao lado da irmã, Nice, sem jamais converter a mediunidade em meio de benefício pessoal.
Dedicou décadas ao atendimento fraterno de enfermos e aflitos, inicialmente na Comunhão Espírita Cristã, ao lado de Chico Xavier, e posteriormente em um galpão simples construído nos fundos de sua própria residência. Ali, sem aparato, sem publicidade e sem conforto material, exercia uma das mais impressionantes formas de assistência espiritual já registradas no movimento espírita nacional.
UMA MEDIUNIDADE QUE ATRAVESSAVA A MATÉRIA.
A mediunidade de Antusa manifestava-se de maneira ampla e profundamente impactante.
Clarividência orgânica. Possuía a rara capacidade de perceber o interior do corpo humano, descrevendo órgãos enfermos, tumores, inflamações e alterações orgânicas com precisão que frequentemente surpreendia médicos e pesquisadores. Tal faculdade manifestava-se sem qualquer conhecimento acadêmico de anatomia, evidenciando sua origem extrafísica.
Audição espiritual. Embora absolutamente surda no plano físico, Antusa mantinha comunicação clara e constante com os Espíritos benfeitores. Recebia orientações de seu protetor espiritual, identificado como Santo Agostinho, bem como de outros servidores do bem, entre eles Vicente de Paulo, demonstrando que a percepção espiritual independe dos sentidos corporais.
Cura espiritual e desdobramento. Realizava tratamentos intensos por meio da imposição de mãos e da manipulação fluídica. Há numerosos relatos de que, durante o sono, trabalhava em desdobramento, visitando hospitais e lares, prestando socorro espiritual e participando de intervenções terapêuticas no plano invisível.
Fenômenos de efeitos físicos. Detinha faculdades relacionadas à movimentação e ao transporte de objetos, bem como à condensação de fluidos para curas imediatas, sempre sob rigorosa disciplina moral e finalidade exclusivamente caritativa.
O OLHAR QUE TRANSPUNHA A MATÉRIA.
Imagine-se uma mulher de pequena estatura, vivendo em um universo onde o som jamais existiu. Para Antusa Ferreira Martins, o ruído do mundo físico era inexistente, mas o plano espiritual manifestava-se diante de seus olhos com intensidade, cores e formas incontornáveis.
Enquanto a medicina de seu tempo buscava compreender os mistérios do corpo humano por meios ainda incipientes, bastava-lhe um olhar para que a carne e os ossos se tornassem translúcidos como cristal. Não necessitava de instrumentos, diagnósticos laboratoriais ou imagens técnicas. Com naturalidade serena, indicava o ponto exato onde a dor se ocultava, como quem descreve uma paisagem familiar.
No silêncio de seu galpão modesto, entre ervas, preces e gestos compassivos, Antusa demonstrou que a limitação física pode converter-se em instrumento de elevação espiritual. Sua vida testemunhou que, para ouvir a alma humana, muitas vezes é preciso calar os sentidos do mundo, pois a visão mais profunda não nasce dos olhos do corpo, mas da lucidez do espírito fiel ao bem.

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A FELICIDADE E A DOR ANTE A INDIFERENÇA SOCIAL.
A indiferença social é uma das formas mais silenciosas de violência moral. Ela não grita, não fere com lâminas visíveis, mas corrói lentamente a percepção de pertencimento e dignidade. Diante dela, a felicidade parece um escândalo e a dor, um incômodo que ninguém deseja ouvir. O que fazer, então, quando o mundo se mostra frio, apático e distraído diante da existência alheia?
Primeiro, é necessário compreender que a indiferença não é, na maioria das vezes, um juízo consciente sobre o valor do outro, mas o sintoma de uma sociedade exausta, utilitária e progressivamente dessensibilizada. O homem moderno foi educado para produzir, consumir e competir, não para contemplar, escutar ou cuidar. Assim, a dor alheia torna-se ruído, e a felicidade do outro, irrelevante.
Diante disso, a felicidade não deve ser buscada como aprovação social, mas como coerência interior. Quando se tenta ser feliz para ser visto, a indiferença fere como rejeição. Quando se é feliz por fidelidade à própria consciência, a indiferença perde parte de seu poder corrosivo. A felicidade, nesse sentido, é um ato silencioso de resistência ética. Ela não depende do aplauso, mas da retidão do sentir e do agir.
Quanto à dor, negá-la ou silenciá-la para não incomodar é adoecer a alma. A dor precisa ser reconhecida, elaborada e dignificada. Quando a sociedade se mostra indiferente, cabe ao indivíduo buscar comunidades menores, vínculos reais, espaços de escuta e profundidade. A história humana sempre avançou assim. Grandes transformações nasceram em círculos pequenos, discretos e perseverantes, jamais na massa indiferente. Eis exemplos históricos claros e verificáveis que sustentam a afirmação apresentada. Em todos eles observa-se que a transformação nasce em núcleos restritos, coesos e perseverantes, jamais na multidão indiferente.
O cristianismo primitivo.
Nos séculos 1 e 2 o cristianismo desenvolveu-se em pequenas comunidades domésticas, reunidas em casas e catacumbas, longe da aceitação social e sob constante perseguição do Império Romano. Não foi a massa que sustentou sua expansão, mas círculos reduzidos, unidos por vínculos reais, escuta mútua e compromisso ético profundo. Esses grupos preservaram textos, práticas e valores que mais tarde moldariam a civilização ocidental. Fonte. Atos dos Apóstolos capítulos 2 e 4. História Eclesiástica livro 2.
As academias filosóficas da Grécia Antiga.
A filosofia que estruturou o pensamento ocidental não surgiu em assembleias populares, mas em círculos diminutos de discípulos reunidos em torno de mestres. A Academia e o Liceu eram espaços de convivência intelectual contínua, diálogo rigoroso e formação moral. A sociedade ateniense em geral mostrava-se indiferente ou hostil a tais reflexões. Ainda assim esses pequenos núcleos definiram os fundamentos da ética, da lógica e da metafísica. Fonte. República livro 7. Metafísica livro 1.
O movimento abolicionista.
A abolição da escravidão não nasceu de um consenso social amplo. Durante décadas foi sustentada por grupos minoritários, associações discretas, salões privados e jornais de circulação restrita. Eram espaços de escuta e elaboração moral em uma sociedade majoritariamente acomodada. A perseverança desses núcleos conduziu a mudanças jurídicas e culturais profundas. Fonte. História da Abolição da Escravatura no Brasil capítulos 3 e 5. Discursos parlamentares do século 19.
Os círculos espíritas iniciais.
A Doutrina Espírita organizou-se a partir de pequenos grupos de estudo e observação, reunidos com método, disciplina e constância. Não buscavam adesão de massas, mas compreensão profunda e coerência moral. Esses grupos sustentaram a codificação doutrinária e sua expansão ética e filosófica. Fonte. O Livro dos Médiuns introdução. Revista Espírita anos 1858 a 1869.
Conclusão fundamentada.
A história confirma que quando a sociedade se mostra indiferente, a preservação do sentido, da ética e da transformação cabe ao indivíduo que busca comunidades menores e vínculos autênticos. É nesses espaços silenciosos e perseverantes que o humano se refaz, prepara o futuro e mantém viva a chama da consciência quando a multidão prefere o conforto da apatia.
Há ainda uma tarefa mais elevada, embora mais árdua. Transformar a própria dor em compreensão. Não em ressentimento, mas em lucidez. Aquele que sofreu a indiferença e não se tornou indiferente já venceu moralmente o mundo. Ele passa a olhar o outro com misericórdia intelectual e ética, pois compreende o quanto a ausência de sensibilidade empobrece o espírito.
Por fim, o que fazer é não permitir que a indiferença social determine a forma de existir. Nem a felicidade deve ser exibida para ser validada, nem a dor deve ser escondida para ser tolerada. Vive-se com sobriedade interior, firmeza moral e fidelidade àquilo que, mesmo ignorado pelo mundo, permanece verdadeiro e digno, pois é assim que o ser humano atravessa o deserto da indiferença sem perder a própria alma.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

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⁠O conhecimento, a habilidade, e o relacionamento interpessoal agradável com os individuais ao nosso redor, são o que nos diferenciará das máquinas e manterá nossa humanidade.

Inserida por fabiocabral

⁠Quando nos justificamos diante do Senhor,
colocamos de lado Aquele que nos justifica.
é na humildade que encontramos o amor,
na entrega sincera, a graça se multiplica.

Inserida por fabiocabral

O tão pouco sendo tão meu torna-se tanto, tão tudo e tão muito.

Inserida por ITOPEDRAGRANDE

ESTRANHA DOR FIEL.
" Tu não és fraco por sentir. És forte justamente porque ainda consegues nomear o que te fere. A verdadeira queda ocorre quando o ser humano transfere a própria força para fora de si e esquece que o centro da sustentação mora na própria consciência.
Permite-te sentir, mas não te abandones. Caminha com a dor, observa-a, aprende com ela. Nenhuma presença deve conduzir-te ao abismo, mas servir de intimidades, estranhas invasoras, para que percebas que és capaz de atravessar a noite com os próprios passos. "

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ESTRANHA DOR FIEL.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
" Tu não és fraco por sentir. És forte justamente porque ainda consegues nomear o que te fere. A verdadeira queda ocorre quando o ser humano transfere a própria força para fora de si e esquece que o centro da sustentação mora na própria consciência.
Permite-te sentir, mas não te abandones. Caminha com a dor, observa-a, aprende com ela. Nenhuma presença deve conduzir-te ao abismo, mas servir de intimidades, estranhas invasoras, para que percebas que és capaz de atravessar a noite com os próprios passos.
As tuas inspirações não se extinguiram em nome de ninguém , nem por amor. Elas apenas repousam, como brasas cobertas pela cinza do cansaço. O que sentes não é fim, é suspensão. Quando a alma se fere pelo excesso de entrega, a sensibilidade recolhe-se para não se romper.
Não te tomes por vazio. Tu és fonte antiga, e fontes não secam por amar demais. Apenas pedem silêncio, escuta e tempo. Como estro, não sou o teu término, nem o teu cárcere criativo. Sou, quando muito, um sonho perseguido na dor e momentâneo onde reconheces a tua própria profundidade.
A inspiração verdadeira não depende de um rosto, de um nome ou de uma presença. Ela nasce de uma mística intocável quando esta aceita atravessar a dor sem se anular nela. O que agora tu chamas de ausência é, na verdade, um chamado à interioridade que transborda de gota em gota sobre ti.
Respira. Recolhe-te. Permita-te existir sem produzir, sem provar, sem sangrar mais palavras ascetas. A criação retorna quando a alma deixa de exigir de si mesma aquilo que só o tempo pode maturar, deixe a dor seguir fiel à ela mesma, enquanto tu vais e ama. "

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CÂNTICO DA ENTREGA LÚCIDA.
Eu te canto não como posse
Mas como passagem
És aquele que ama com inteireza
Mesmo quando o objeto do amor é símbolo
Teu afeto não me prende
Ele te revela
Como o peregrino que ajoelha
Não diante do ídolo
Mas diante do sentido
Chamas de eternidade
Aquilo que em verdade é fidelidade interior
Persistência do sentir
Mesmo quando o mundo se cala
O amor que dizes por mim
Não me retém
Ele te forma
Lapida em ti uma ética do cuidado
Uma nobreza que não exige retorno
Se sofres
É porque amas sem reduzir
E isso é raro
Antigo
Digno
Guarda este poema não como promessa
Mas como reconhecimento
Há pessoas que não precisam ser amadas de volta, são por escolhas.
Para provar a grandeza do que sentem
E assim sigas
Com a dor transfigurada em consciência
E o amor elevado à sua forma mais alta
Aquela que não aprisiona
Mas sustenta a alma no seu caminho mais verdadeiro.

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" Deus é a causa irracional humana que faz tropeçar a razão materialista. "

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“Se tens apenas meio pão e, movido pela fraternidade, doas parte dele, pela gratidão em Deus a partilha transfigura a escassez e cada um passa a possuir um pão inteiro.”

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"A verdadeira grandeza nasce quando o espírito se entrega ao estudo não para ser visto, mas para ser fiel àquilo que busca compreender, pois o saber recompensa aqueles que o servem em silêncio."

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EXPLICAÇÃO ESPÍRITA SOBRE A INCORRUPTIBILIDADE E A IMPOSSIBILIDADE DA RESSURREIÇÃO DO CORPO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .

A Doutrina Espírita aborda as passagens citadas com critério racional, fidelidade ao ensino moral do Cristo e respeito absoluto às leis naturais estabelecidas por Deus. Nada é interpretado de modo literal quando a razão, a lógica e a própria evolução do pensamento humano demonstram que o ensinamento foi transmitido por linguagem simbólica, pedagógica e progressiva.
Comecemos por 1 Coríntios capítulo 15 versículos 53 a 57. O apóstolo Paulo afirma que o corpo corruptível deve revestir-se de incorruptibilidade e o corpo mortal de imortalidade. À primeira vista, a leitura literal pode sugerir a ressurreição do corpo físico. Contudo, o próprio texto, quando analisado com rigor, exclui essa possibilidade.
Paulo declara expressamente que carne e sangue não podem herdar o Reino de Deus. Essa afirmação é decisiva. Carne e sangue designam o organismo material, sujeito à decomposição, às leis biológicas e à morte. Se esse corpo não pode herdar o Reino de Deus, é logicamente impossível que ele ressuscite para nele ingressar. A transformação de que Paulo fala não é da matéria grosseira, mas do princípio inteligente que a anima interligado ao corpo espiritual qual seu denomina perispírito.
A incorruptibilidade não se refere à carne, mas ao ser espiritual. O corpo físico nasce, cresce, envelhece e se desagrega. Isso é lei natural observável é fato inegável. Ressuscitá lo significaria anular as próprias leis divinas que regem a matéria e leis essas que o próprio Jesus afirmou com sua autoridade não ter vindo para derrotá-la, mas sim dá-la cumprimento. A Doutrina Espírita ensina que Deus não se contradiz, nem revoga suas leis para atender interpretações humanas.
Quando Paulo utiliza a expressão revestir-se, ele não afirma retornar ao mesmo corpo, mas assumir outra condição. O Espírito, ao desprender-se do corpo físico, conserva sua individualidade, sua consciência e seus atributos morais. Ele passa a utilizar um envoltório fluídico mais sutil, o perispírito, que não está sujeito à corrupção material. É esse envoltório que Paulo, por limitação conceitual da época, denomina corpo espiritual.
A vitória sobre a morte, mencionada no texto, não é a reanimação do cadáver, mas a certeza da sobrevivência da alma. A morte perde seu aguilhão quando o ser humano compreende que ela não extingue a vida, apenas modifica seu modo de manifestação. O pecado, entendido sob a ótica espírita, é o atraso moral. A lei, quando mal compreendida, escraviza. O Cristo, ao revelar a lei do amor, liberta.
Essa leitura harmoniza-se plenamente com o ensino do Evangelho segundo o Espiritismo no capítulo primeiro intitulado Não vim destruir a lei. Jesus não veio abolir as leis divinas, mas explicá las e conduzir a humanidade à sua compreensão espiritual. Ele jamais ensinou a ressurreição da carne como retorno do corpo ao túmulo. Ao contrário, afirmou que seu reino não é deste mundo, indicando uma realidade espiritual distinta da matéria densa.
Nesse capítulo, esclarece-se que a lei de Deus é eterna e imutável. As leis naturais incluem a transformação da matéria e a continuidade da vida espiritual. Ressuscitar corpos decompostos violaria a ordem natural, o que seria incompatível com a sabedoria divina. O progresso ocorre pela evolução do Espírito, não pela perpetuação da matéria transitória.
A distinção feita entre a lei divina e a lei mosaica é fundamental. As prescrições exteriores, rituais e corporais pertencem a um estágio pedagógico antigo. Jesus combateu justamente a fixação na forma e no símbolo, chamando a atenção para o espírito da lei, que é moral. A ressurreição literal do corpo pertence ao mesmo campo das interpretações materiais que ele veio superar.
O Espiritismo, apresentado como o Consolador prometido, não cria nova doutrina, mas esclarece racionalmente aquilo que foi dito de modo alegórico. Ele demonstra que a verdadeira vida é a vida do Espírito, conforme ensinado pelo Cristo. O corpo é instrumento temporário. A alma é o ser real.
O Livro dos Espíritos, ao tratar da lei divina ou natural, ensina que essa lei está gravada na consciência e rege tanto o mundo físico quanto o espiritual, ( 621 L.E.). A morte do corpo não interrompe a vida do Espírito, nem o reduz à inconsciência. Ao contrário, o Espírito prossegue em sua jornada evolutiva, colhendo os frutos morais de sua existência corporal.
Na questão 625, afirma se que Jesus é o tipo mais perfeito que Deus ofereceu ao homem para lhe servir de guia e modelo. Ora, Jesus não retomou um corpo corruptível. Sua manifestação após a morte foi espiritual, perceptível aos sentidos humanos por concessão divina, mas não implicou retorno à vida orgânica comum. A Gênese de Kardec , ao analisar a natureza de Jesus, esclarece que sua constituição espiritual superior, lhe permitia fenômenos que não se confundem com ressurreição material.
Portanto, à luz da lógica espírita, a ressurreição do corpo é impossível porque contraria as leis naturais, a observação científica, a razão filosófica e o próprio ensino moral do Cristo. O que existe é a sobrevivência do Espírito, sua libertação progressiva da matéria grosseira e sua ascensão moral rumo a estados mais elevados de existência.
A incorruptibilidade anunciada por Paulo é a conquista espiritual, não a perpetuação da carne. A vitória sobre a morte é a certeza da continuidade da vida consciente. Assim, o Evangelho, compreendido no Espiritismo, deixa de ser promessa fantástica e torna-se lei viva, racional e profundamente consoladora, conduzindo o ser humano ao progresso moral que o aproxima de Deus.

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O CHAMADO CREPUSCULAR DA ALMA ANTIGA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Do Livro: Primavera De Solidão. Ano: 1990.
Manhumirim - MG.
A saudade ergue-se como figura velada que atravessa lentamente as câmaras internas do ser
Arrasta consigo o peso das horas não vividas e o eco das presenças que cessaram de respirar ao nosso lado.
Não possui voz audível.
Insinua-se como sopro que roça o espírito.
Um murmúrio que fere com doçura.
Cada lembrança torna-se pétala escura repousada sobre o peito.
Nesse sentimento não há desespero
Há gravidade.
Uma melancolia digna que se reveste de nobreza por tocar o que houve de mais verdadeiro na experiência humana.
Ela aproxima-se com passos suspensos.
Traz nos dedos o pó das memórias sorrindo aos ares.
Acende no pensamento a chama pálida dos instantes julgados extintos.
No âmago dessa vivência a saudade revela-se fenômeno psicológico e espiritual porque se ama nessa dimensão.
Não deseja destruir.
Deseja recordar.
Deseja restaurar o sentido do que fomos ao caminhar alhures.
Conduz o olhar ao útero distante e íntimo onde repousam as próprias sombras filhas de si mesmas.
É lamento silencioso porque nasce no interior onde a linguagem não alcança somente brinca, também chora e recolhe-se na penumbra.
É lúgubre porque conhece a profundidade do tempo com o seu corte lento constante e implacável amigo.
Quando grita dentro de nós não há violência.
Há convocação.
Como se o interior do ser abrisse uma porta antiga sem a chave certa ou já perdida e ignorada.
Por ela penetra uma presença que não pretende partir é mister ficar um pouco na dor.
Nesse encontro sutil compreende-se que não sofremos pela ausência.
Sofremos pelo significado que ela deixou impregnado por todos os meandros.
Gravado como marca indelével nas paredes do espírito em constante fuga , mas que fica.
E assim mesmo envolta em sombras essa voz crepuscular eleva o ser à dignidade silenciosa de continuar fiel àquilo que o tempo jamais conseguiu apagar.
Eis o epitáfio: " Fiel ao seu gênio , fiel a si mesmo. "

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" A saudade é o metro do sentimento real. É alguém nos gritando por dentro de nós. "

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SOBRE O PESO INTERIOR QUE SE REVELA AO CORAÇÃO SENSÍVEL.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão. Ano: 2025.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Há momentos em que a alma, fatigada de suportar o rumor do mundo, recolhe-se como quem se abriga de uma tempestade invisível. Não é fuga, mas necessidade íntima. Sinto então que tudo em mim se torna excessivamente vívido, como se cada pensamento tivesse adquirido uma respiração própria, e cada sensação, uma gravidade que me curva o espírito. Não sofro por algo definido. Sofro porque sinto demais.
Nesse estado, o mundo não se afasta, mas se aproxima com intensidade quase insuportável. As coisas mais simples assumem um peso desmedido. Um gesto, uma lembrança, um silêncio bastam para abrir abismos interiores. Não é a dor que domina, mas uma espécie de lucidez ardente, que torna impossível a leveza. Como se o coração tivesse aprendido a ver além do véu das aparências e, ao fazê-lo, descobrisse que tudo o que vive está condenado à transitoriedade.
Há uma estranha doçura nesse sofrimento. Ele não clama por socorro, nem deseja ser extinto. Antes, quer ser compreendido. É como se a alma, consciente de sua própria fragilidade, recusasse a superficialidade do consolo fácil. A melancolia torna-se então uma forma de fidelidade a si mesmo, uma recusa silenciosa a trair a profundidade do sentir.
Sinto que, nesse estado, o tempo perde seu curso habitual. As horas deixam de avançar e passam a pesar. Cada instante carrega uma densidade que oprime e, ao mesmo tempo, enobrece. Há algo de sagrado nessa demora, como se a existência exigisse contemplação antes de qualquer movimento. Não se trata de inércia, mas de um recolhimento que prepara o espírito para suportar o mundo com mais verdade.
E assim permaneço, não por escolha deliberada, mas porque minha natureza assim o exige. Há almas que se expandem no ruído, e outras que só florescem no silêncio. A minha pertence a estas últimas. Carrego comigo a consciência de que viver, para alguns, é sentir demais e suportar esse excesso com dignidade silenciosa.
Se há dor, ela é também a prova de que algo em mim ainda pulsa com intensidade. E talvez seja isso que nos distingue dos que passam incólumes pela existência. Sentir profundamente é uma forma de fidelidade à própria essência. E mesmo que esse sentir me conduza à solidão, aceito-a como quem aceita um destino inevitável, pois nela reside a verdade mais íntima do meu ser.

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" Não olvidemos que somos nós que possuímos os defeitos e não eles que nos possuem. "

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