Reflexão de Vela
É um ato de sensibilidade, aquele que ao invés de abrir um guarda-chuva acende uma vela para iluminar o breu de uma tempestade.
O romantismo começa quando a chama da vela no primeiro encontro é acesa;
O romantismo termina quando no final, a chama da paixão se apaga.
Contemplação
Acordei mais cedo hoje só para vê-la despertar.
E aos pouco, num bocejo preguiçoso o brilho dos teus olhos eu pude contemplar.
Num olhar discreto e um sorriso meio sem graça lançou teus olhos sobre mim,
Feita enamorada surpreendida pelo amado no embaraço de um tímido desarranjo.
Ajeitou-se como pode e arrumou no improviso os cabelos.
Deixou nossos lenções e envolveu-se em uma toalha já de saída para as águas matinais.
Desejei entrar contigo no chuveiro, mas aquele momento era só de contemplação.
E no anseio ao seu retorno eu quase enlouqueci quando a vi voltar.
A toalha, já umedecida, ditava os contornos do teu lindo corpo.
De fronte ao closet lançou mão do que lhe cobria atiçando em mim o instinto mais carnal,
E um a um, ia sobrepondo as vestes ao teu corpo.
De cada escolha, voltava-se para mim como quem busca minha aprovação.
Enquanto eu ainda a admirava,
Lentamente dirigiu-se para a penteadeira e lançou mão da caixinha de cores e batons.
Em suaves movimentos circulares, levemente, cobriu de tons sua pele clara e macia,
E como se pudesse, esforçava-se em embelezar-se ainda mais.
Num toque final, contornou de maneira suave e provocante os lábios com batom.
E para mim, embora a tua beleza natural dispensasse acessórios, outra face ali se fez,
Quase tão bela quanta aquela que encantou os meus olhos ao amanhecer.
Nem por um instante desviei meu olhar de você.
Despediu-se com um beijo e partiu levando consigo meu coração.
Edney Valentim Araújo
O acaso
Caneta, papel, café e uma vela acesa sobre a mesa,
depois da explosão sobraram alguns estilhaços, pedaços de você estão espalhados entre as linhas,
a uma voz que já não ouso ouvir, não por medo mas por saber os efeitos colaterais da colisão causada,
os desejos não podem sufocar as esperanças, não podem ser mais fortes do que a sabedoria encontrada no silêncio,
atravessar um iceberg com a tocha acesa não foi um feito, foi uma versão do meu futuro encarando a realidade sem desistir,
e caso aconteça o acaso de eu encontrar um novo amor por um acaso, estarei vibrante na mesma órbita de enfrentamento dos olhares e sentimentos.
A caminho do mar...
Vento sopra a vela
do barco ,
indo para o mar ..
E desenha
ondas flutuantes
a beira do mar.
Como um pincel
na mão do artista
ele traça e rabisca.
Cores vibrantes..
Luzes,Sol, Sal e Sabores.
Nós somos intérpretes da realidade. Não podemos vê-la, apenas podemos ter consciência da nossa interpretação.
A partir de hoje, quem vela meu sono tem nome:
DEUS.
E Ele não cochila.
Salmo 121:4 📖🧡
Boa noite, mundo.
Bom trabalho, anjos.
Van Escher
Lute por uma causa nobre, ainda que leve a vida inteira, porque depois vê-la cumprida sua conquista provará que valeu a pena.
Quando toco a vela acesa, eu não sinto dor
Tanto faz se estou no frio ou no calor
O meu coração não bate, mas ainda assim se parte
E não deixa de sofrer, recusando se render
A morte em mim está
Mas ainda tenho lágrimas pra dar!
Filme: A Noiva Cadáver
Música: Ele Ainda Te Conhece Tão Mal
Original: Tears to Shed — Danny Elfman
VOZES:
Emily: Marya Bravo
Aranha: Ester Elias
Verme: Telmo de Avelar
Sem essa
de gracinha
você é linda mesmo
e cresce em mim
dia após dia
o desejo
de vê-la
espontaneamente feliz,
parece ilusória
a vontade
de tê-la
em meus braços
pois passo a passo
vou superando
minha nudez.
AMANHECERES QUE NÃO CABEM NO TEMPO.
Minha alma repousaria silenciosa ao teu lado como uma vela antiga acesa diante de uma catedral esquecida pelo mundo. Tu não serias apenas presença. Serias a delicadeza invisível que faz o amanhecer parecer menos cruel aos que sobreviveram às próprias noites.
Imagino-te chegando com os cabelos ainda tocados pela penumbra da madrugada. O vento movendo lentamente as cortinas. O céu indeciso entre o cinza e o dourado. E sobre a mesa apenas aquilo que os verdadeiros sentimentos necessitam para existir. Um pedaço de lápis já gasto pela insistência da alma. Um papel rasgado. Frágil. Quase abandonado. Contudo, transformado em eternidade pelas mãos de quem ama.
Porque certos universos não são construídos com grandezas. São erguidos por vestígios. Por pequenas ruínas sentimentais. Pela caligrafia tremida de alguém que escreveu enquanto o coração doía em silêncio.
Tu és exatamente essa arte impossível de reproduzir. Não pela beleza exterior somente. Mas pela impressão metafísica que deixarias sobre tudo o que tocasses. Como se tua existência tornasse o mundo menos áspero e mais respirável.
E nesse quarto ainda impregnado pela quietude do amanhecer, eu compreenderia que o amor verdadeiro raramente chega como espetáculo. Ele surge como um sussurro. Como uma presença que senta ao lado do escuro misterioso sem medo de contemplá-lo.
Então eu guardaria esse pequeno papel rasgado como quem protege uma relíquia esquecida pelos séculos. Porque nele existiria mais verdade do que em bibliotecas inteiras. Mais humanidade do que em discursos monumentais. Mais eternidade do que muitos juramentos feitos sob o orgulho dos homens.
E quando o primeiro raio de luz atravessasse lentamente a janela, tua existência pareceria uma obra desenhada entre a melancolia e o infinito. Minha arte. Meu fragmento celeste. Meu amanhecer sobrevivendo dentro daquilo que ainda resta de mim.
A sua flama não se consome ao acender a vela alheia, ela pulsa em dobro no reflexo, a luz é a única riqueza que, ao ser compartilhada, desafia a matemática e
se multiplica.
A esperança às vezes é só isso: uma vela pequena num quarto grande. A vela não engana, sua luz é frágil e treme ao primeiro vento. Mas enquanto arde, confessa coisas que o escuro se recusa a dizer, e eu me agarro a esse fio de chama como se fosse um novelo de sentido.
