Pensamentos Mais Recentes

Que não sejamos pessoas que atravessam décadas sem sair emocionalmente do mesmo lugar, transformando feridas em altares e culpando os outros pela coragem que nos faltou para confrontar a nós mesmos.

“Pare de tentar se sentir realizado.
Faça o que precisa ser feito. A realização virá como consequência.”

“Não foi o homem abrindo caminho até Deus. Foi Deus abrindo caminho até o homem.”

Há momentos em que você parece estar à deriva, até atracar num porto onde a acolhida é maravilhosa, onde a palavra é cantada e vira música, vira poesia, vira vida!⁠

⁠Boa tarde, colegas. Vamos começar a debater o tema: “A controvérsia entre liberdade e libertinagem num país em desenvolvimento.


Na vossa opinião, onde termina a liberdade e começa a libertinagem?

Meu mentor recomendou me esse tema e recomendou a debatermos aqui no grupo para ver milhares ideas a brilhar e criarmos um artigo a partir da discussão👇⁠

O seu vazio afetou estruturas que eu duvidava existir;
O medo e a inconstância não podem habitar aqui;
Num existir à flor da pele, o raso que você traz não sente o que sou e acomete meu ego o querer fútil de um olhar;
Um olhar pra dentro que você não é capaz de dar.
Ninguém é abrigado se não é lar.

A morte de Jesus não foi simbólica, tampouco aparente; foi um evento real, verificável e público.

Há uma coisa que aprisiona 
a mente em relacionamentos 
que Deus reprova:


E há duas que transformam 
o homem em alcoólico social:


A música popular brasileira.
O samba e o pancadão.


#ReflexãoCristã #FujaDisso

Eu sei, Hoje vai zangar comigo porcaso do que fiz mas a finais das conta eu acabo aprendendo para amanha

A mariposa é atraída pela luz, e não pelo fogo que pode queimá-la e destruí-la; quem despreza a luz bíblica pode se queimar no fogo do engano e da impiedade.


📖 2 Coríntios 11:14

Na roda de Mariachi,
sapateando, a tua
vida linda encontrou-me
ondeando a saia.
Só peço a Deus que do amor
nada nos distraia,
para que não haja saramandaia.


No curso do Rio Bravo,
não sei quem está
com o peito mais enamorado
do que o outro.
Só peço a Deus sabedoria
para cuidarmos do amor
como o maior tesouro,
para que seja pleno
e à prova de desdouro.


Na aurora matutina,
quando chegar
a florada do Ahuehuete,
que tudo se renove
entre a gente!
Só peço a Deus que seja,
que seja recíproco e perene.

Independentemente dos políticos ou partidos políticos, a seleção natural da vida existe para preservar o poder sobre os oprimidos.👀

Césio 137 — Não Tão 137!


Em meio ao eco do noticiário, lá estava eu na aridez do hospital.
A pele ardendo em chamas, fogo invisível que corroía a estrutura dos meus ossos.


Vieram as náuseas, mas nada se comparava ao estigma e ao olhar de pavor que vinham daquela multidão.
A dor maior, contudo, foi o desapego:
saber que perderia o contorno dos meus cabelos.


Nem a morfina ou o fentanil davam jeito. Ah, meus lindos cabelos...
Castanhos, reluzentes, cintilavam à luz da noite.


O que omitiram sobre o fascínio daquele pó azul era a exaustão mórbida que cobria o corpo.
Vomitar as próprias entranhas na apatia do silêncio...


A radiação era um golpe tão denso
que anestesiava os sentidos antes da ruína.Tontura, dor de cabeça, o colapso — tudo chegou depois, em ritmo lento.


Engraçado.


De todo esse caos, restou apenas uma réstia de luz:
a memória daquele dia, eu e você,
na serenidade da praia do rio.


Senti, enfim, uma paz absoluta.
Obrigado por ser a minha última lembrança de amor.


Autor: James Richard Ferreira Pantoja (Pseudônimo: KANGAL)

o gabrieu e o parice II


Existe alguém dentro de mim que não tem paciência.


Eu descobri isso tarde, depois de passar tempo demais tentando ser uma pessoa fácil de carregar. Ele apareceu quando eu já estava acostumado a me abandonar em pequenas doses, quando dizer não para mim mesmo tinha virado uma forma de educação e desistir dos meus sonhos parecia apenas uma consequência natural de crescer.


Ele odiou isso.


Odiou a minha prudência.


Odiou o jeito como eu transformava medo em maturidade e acomodação em paz.


Odiou principalmente quando eu dizia “um dia”.


Porque ele sabia.


Ele sabia de todas as coisas que eu já imaginei fazer, de todas as versões de mim que já existiram na minha cabeça antes que eu tivesse coragem de colocá-las no mundo. Sabia dos lugares onde eu queria chegar, das coisas que queria construir, da pessoa que eu dizia que seria quando tivesse tempo, dinheiro, coragem, oportunidade, certeza.


Ele escutou todas essas promessas.


E um dia perdeu a paciência.


Não veio me consolar.


Veio me buscar.


Disse que eu estava correndo na direção errada e que, se precisasse, me arrancaria dela à força. Não porque me odiasse, mas porque talvez fosse a única coisa dentro de mim que ainda me amasse o suficiente para não aceitar a minha própria desistência.


Eu tentei explicar.


Falei de responsabilidade.


De pessoas.


De consequências.


De tudo aquilo que existe do lado de fora de nós e que aprendemos a carregar como se fosse nossa obrigação.


Ele riu.


Não porque aquilo fosse engraçado.


Porque estava cansado.


“E você?”


Foi só isso.


E você?


Eu não tinha resposta.


Porque passei tanto tempo perguntando o que os outros precisavam que esqueci de perguntar o que eu queria.


Ele não esqueceu.


Ele queria tudo.


Queria as viagens que eu adiei.


Os projetos que eu deixei morrer antes de nascer.


As noites em que eu deveria ter saído.


As conversas que eu deveria ter tido.


As portas que eu não bati.


As cidades que eu só conheci pela tela.


Queria que eu fosse até o fim de cada coisa que um dia fez meus olhos brilharem.


Não importava se eu fracassasse.


Fracasso, para ele, ainda era movimento.


O que ele não aceitava era a covardia sofisticada de chamar desistência de escolha.


Então começou a destruir.


Não minha vida.


A vida antiga.


Aquela que tinha sido construída para me manter pequeno.


Quebrou os móveis imaginários daquele apartamento mental onde tudo estava sempre no lugar, mas nada realmente acontecia. Pegou as fotografias das versões antigas de mim e rasgou uma por uma. Incendiou as desculpas. Jogou no asfalto os planos que nunca saíam do papel.


Eu fiquei desesperado.


“Você está acabando com tudo.”


Ele respondeu:


“Não. Estou acabando com aquilo que acabou com você.”


E eu odiei ouvir aquilo porque alguma parte de mim sabia que era verdade.


Ele não tinha delicadeza.


Delicadeza demais tinha sido justamente o problema.


Ele era egoísta.


Completamente.


Se alguém precisasse ficar para trás para que eu pudesse avançar, ele não passaria a noite inteira se culpando.


Se uma porta exigisse que eu deixasse uma versão antiga de mim do lado de fora, ele fecharia.


Se uma vida inteira tivesse sido construída em cima da ideia de agradar todo mundo, ele preferiria colocar fogo na casa a continuar morando nela.


Ele não queria ser uma pessoa melhor.


Queria que eu fosse inteiro.


Essa era a diferença.


E talvez fosse por isso que eu tivesse tanto medo dele.


Porque ele não negociava com a parte de mim que queria continuar pequena.


Quando eu dizia “não consigo”, ele perguntava “ainda não ou nunca?”


Quando eu dizia “não é a hora”, ele perguntava “quando foi que você decidiu que teria outra?”


Quando eu dizia “e se der errado?”, ele respondia que pelo menos o erro teria o meu nome.


Ele tinha raiva.


Uma raiva quase sagrada.


Raiva de tudo que transforma pessoas em versões aceitáveis delas mesmas.


Raiva da cadeira confortável onde sonhos morrem lentamente.


Raiva das frases que começam com “se eu pudesse”.


Raiva de olhar para uma vida inteira pela frente e escolher viver como se já estivesse no fim.


Ele ardia.


Eu conseguia sentir.


Era como carregar uma pequena tempestade atrás das costelas.


E quanto mais eu tentava apagá-lo, mais fogo ele colocava nas coisas.


Só que, estranhamente, quanto mais ele queimava, mais frio ficava o mundo ao redor.


Eu corria dele.


Ele corria atrás de mim.


Eu procurava abrigo.


Ele derrubava o teto.


Eu queria voltar.


Ele apontava para frente.


E essa talvez seja a parte mais cruel:


eu quero ficar.


Quero ficar exatamente onde estou.


Quero preservar as pessoas, os lugares, os hábitos, as versões que conheço.


Quero acreditar que ainda posso ter tudo sem precisar perder nada.


Mas ele sabe que não.


Ele sabe que algumas versões de nós não cabem na próxima.


E quando chega a hora, ele não pede permissão.


Ele pega minha mão.


Eu puxo de volta.


Ele segura mais forte.


Eu digo que tenho medo.


Ele diz que também.


E continua andando.


Porque talvez coragem nunca tenha sido ausência de medo.


Talvez coragem seja ter alguém dentro de você que tenha medo também e, mesmo assim, continue arrastando você para frente.


Hoje eu ainda reluto.


Ainda tento negociar.


Ainda olho para trás.


Ainda sinto falta daquilo que ele destruiu.


Mas existe uma coisa que não consigo mais negar.


Aquele monstro nunca quis me machucar.


Ele queria me impedir de passar o resto da vida me machucando devagar.


Ele não apareceu para tomar minha vida.


Apareceu porque eu tinha deixado de tomá-la para mim.


E agora, quando sinto o fogo dele subindo, quando aquela voz começa a dizer que já chega, que não existe mais espaço para adiar, eu sei o que está acontecendo.


Ele está acordando.


E eu sei que vou correr.


Vou relutar.


Vou tentar convencê-lo a me deixar em paz.


Mas, no fundo, existe uma parte de mim que já sabe exatamente para onde estamos indo.


Para tudo aquilo que um dia eu imaginei.


Para tudo aquilo que ainda não existe.


Para a vida que eu continuei prometendo que começaria algum dia.


Ele não quer esperar.


Ele quer agora.


E talvez seja por isso que eu tenha tanto medo de olhar para ele.


Porque quando olho, não vejo um monstro.


Vejo a única versão de mim que nunca desistiu de nós dois.


Assuma o controle Parice, eu lhe permito, não existe mais nada pra mim aqui.

Ninguém pode tudo, mas ao que se limita o poder.

o gabrieu e o parice


Ele começou a aparecer nos dias em que nada acontecia.


Não nos dias ruins. Nos dias iguais.


Porque o ruim ainda tem alguma coisa de vivo. O ruim machuca, irrita, obriga você a reagir. O problema é quando a vida fica confortável demais para doer e vazia demais para significar alguma coisa. Quando segunda-feira parece terça, terça parece quarta e, de repente, você percebe que passou meses repetindo a mesma conversa com pessoas diferentes, usando as mesmas roupas, fazendo as mesmas promessas e chegando em casa com a sensação de que esteve em algum lugar sem realmente ter ido.


Foi nesses dias que ele apareceu.


Primeiro como uma ideia.


Depois como uma voz.


Depois como uma presença.


Ele nunca dizia nada muito complicado. Só perguntava por que eu continuava aceitando uma vida que eu mesmo não escolheria se pudesse começar de novo.


Eu odiava quando ele fazia isso.


Porque ele não gritava.


Não precisava.


Algumas verdades entram baixo justamente porque sabem que você vai escutá-las.


Eu tentava ignorá-lo. Enchia os dias. Enchia a cabeça. Enchia o silêncio com qualquer coisa que tivesse luz suficiente para não me deixar enxergar o escuro. Funcionava durante algumas horas. Depois ele voltava.


Sempre voltava.


Às três da manhã, quando a cidade parecia abandonada e os prédios tinham aquela aparência de cadáveres gigantes dormindo em pé, eu sentia que ele estava sentado em algum lugar, esperando.


Não parecia alguém que queria me destruir.


Parecia alguém decepcionado porque eu estava desperdiçando uma vida que ele sabia que poderia ser muito maior.


Ele não tinha o meu medo.


Essa era a diferença.


Eu calculava as consequências.


Ele calculava o preço de não fazer nada.


Eu pensava no que poderiam falar.


Ele pensava no que eu falaria comigo mesmo daqui a dez anos.


Eu procurava segurança.


Ele procurava alguma coisa que ainda tivesse pulso.


E quanto mais eu tentava enterrá-lo, mais ele crescia.


Até que comecei a perceber uma coisa estranha: talvez ele não tivesse surgido para mudar a minha vida.


Talvez tivesse surgido porque eu tinha mudado demais para continuar vivendo a mesma.


A gente passa tanto tempo construindo uma versão aceitável de si mesmo que esquece de perguntar se ainda gosta da pessoa que está apresentando.


Você aprende a ser pontual.


Educado.


Responsável.


Previsível.


Aprende a escolher as palavras certas, vestir a roupa certa, responder a mensagem certa, sorrir na hora certa.


E quando percebe, já não está vivendo.


Está administrando uma imagem.


Foi aí que ele começou a ficar perigoso.


Porque ele não queria melhorar minha vida.


Queria arrancar a maquiagem dela.


Queria saber o que sobrava quando ninguém estava olhando.


E eu descobri que existia muita coisa.


Raiva.


Ambição.


Curiosidade.


Desejo de desaparecer por algumas horas e reaparecer diferente.


Vontade de fazer alguma coisa que não pudesse ser explicada em uma legenda bonita.


Talvez seja isso que as pessoas chamam de loucura quando não conseguem chamar de liberdade.


O meu alter ego não era um herói.


Também não era um vilão.


Era simplesmente a versão de mim que nunca aprendeu a pedir licença.


E talvez fosse por isso que eu precisasse tanto dele.


Porque existem momentos em que a pessoa que você construiu para sobreviver é justamente a pessoa que impede você de viver.


Então uma noite eu parei diante do espelho.


Não aconteceu nada cinematográfico.


Nenhuma lâmpada explodiu.


Nenhuma música começou.


Só eu, um banheiro frio e aquela cara que eu conhecia desde sempre.


Mas pela primeira vez eu não perguntei quem estava olhando de volta.


Perguntei quem tinha passado anos olhando através de mim.


E entendi.


Ele nunca esteve atrás do espelho.


Nunca esteve escondido em algum canto da minha cabeça.


Nunca foi outra pessoa.


Era tudo aquilo que eu fui abandonando pelo caminho para conseguir continuar sendo aceito.


Cada vontade engolida.


Cada palavra não dita.


Cada caminho que eu não tomei.


Cada versão minha que eu matei só porque alguém achou mais conveniente aquela outra.


Ele era o acúmulo.


A conta.


A cobrança.


A parte de mim que continuou viva enquanto eu fingia que tinha amadurecido.


Desde então, eu não tento mais expulsá-lo.


Deixo que ele sente comigo.


Deixo que ele me lembre que conforto demais também apodrece.


Que rotina pode ser uma droga administrada em pequenas doses.


Que existem pessoas que passam a vida inteira fugindo do caos sem perceber que o caos também é onde algumas coisas começam.


E que talvez a pior coisa que possa acontecer com alguém não seja perder o controle.


Talvez seja nunca ter tido coragem de segurá-lo.


Hoje, quando a cidade dorme e aquela versão de mim aparece no reflexo de alguma vitrine apagada, eu já não desvio o olhar.


Ele continua ali.


Com a mesma cara.


O mesmo silêncio.


A mesma pergunta.


Só que agora eu tenho uma resposta.


Não preciso virar outra pessoa.


Só preciso parar de desperdiçar a que ainda está tentando nascer.

“A cruz não foi apenas um instrumento de suplício; foi um altar.”

“Eu sou um homem que passou muitos anos vivendo minha história e que, agora, comecei a descobrir que compreendendo esta minha história talvez seja uma segunda maneira de vivê-la.”

“O Amor Que Nasce em Silêncio”

Cresce ao teu lado, invisível flor,
Um sentimento puro, de imensurável ardor,
Como hera que abraça o muro antigo,
Sem que percebas, eu te sigo.
És cega aos passos do meu coração,
Que bate forte nesta doce ilusão,
Como lua que beija o mar adormecido,
Meu amor por ti tem florescido.
Não vês as raízes que plantei,
Neste jardim secreto onde te sonhei,
Cada olhar meu é semente lançada,
Em terra fértil, porém ignorada.
Cresce em mim esta paixão profunda,
Como aurora que a noite fecunda,
E tu segues teu caminho sereno,
Sem sentir este amor tão pleno.
Um dia, talvez, possas despertar,
E este sentimento enfim notar,
Que cresceu paciente, ao teu redor,
Esperando apenas por teu calor.
Pois o amor verdadeiro assim se faz:
Em silêncio cresce, discreto e tenaz,
Até que os olhos consigam, afinal,
Ver o jardim que sempre esteve no quintal.

"Me diga com quem tu andas
E te direi que és"...


... Ferrou, eu só ando com malucos.

“Sentimento”

Sentimento é o que nos torna humanos,
é a cor que pinta os dias cinzentos,
é o que pulsa além dos nossos planos,
vivendo em nós, profundo, nos momentos.
Sentimento não se explica, se sente,
é alegria que explode sem avisar,
é tristeza que chega de repente,
é saudade que insiste em ficar.
É o amor que aquece quando faz frio,
é a raiva que queima como brasa,
é medo que percorre como um rio,
é esperança que nunca passa.
Sentimento nos move e nos transforma,
nos faz chorar, sorrir, até gritar,
é a essência que nos conforma,
o que nos faz viver e não apenas estar.
Tem sentimento em tudo que fazemos,
no abraço apertado, no olhar sincero,
nas palavras que calamos e nas que dizemos,
no que é falso e no que é verdadeiro.
É sentimento que nos liga uns aos outros,
que constrói pontes onde havia muro,
que nos faz irmãos, nunca solitários ou sós,
que torna o presente menos duro, o futuro menos escuro.
Sentir é estar vivo de verdade,
é aceitar que somos imperfeitos,
é viver com toda intensidade,
sentimentos puros, sentimentos retos.
O sentimento é mesmo o que dá sentido a tudo na vida!

“Além das Medidas”

O meu amor por ti é maior que a dimensão do mundo. Não cabe nos mapas, não se mede em quilômetros nem se pesa em balanças de ouro.
É um sentimento que escapa pelas frestas do possível, que transborda os oceanos e se derrama sobre montanhas invisíveis.
Quando te penso, o universo fica pequeno.
As estrelas são apenas pontos tímidos comparados ao brilho que carregas nos olhos. A vastidão dos mares se torna uma poça d’água diante da profundidade do que sinto. O mundo gira, mas meu amor permanece fixo, imenso, inalterável como uma constelação que só eu consigo ver.
Não há atlas que contenha este sentimento, não há horizonte que o limite. Ele existe num lugar próprio, numa geografia secreta onde só habitam duas pessoas: eu, que amo, e tu, que és amada. Ali, nesse território sem fronteiras, construímos uma dimensão maior que todas as outras feita de instantes, de silêncios partilhados, de promessas sussurradas ao vento.
O meu amor por ti é maior que a dimensão do mundo porque criou um mundo próprio, infinito, eterno.

Céu vestido de seda cinza
sobre uma praça pública 
em algum lugar esquecida,
Esplendem árvores nativas,
militantes silenciosas da vida
acenando a poesia dos dias.

“Confissão da Alma”

Escrever é dialogar comigo,
conceder audiência ao murmúrio
que ecoa nas câmaras recônditas do ser.
Cada palavra grafada
confissão sussurrada,
revelação que atravessa camadas,
alcança os estratos onde habitam
as verdades não ditas.
No ato de escrever,
liturgia de cura se instaura,
ritual de reconciliação
com os fantasmas do pretérito.
A caneta, bisturi delicado,
incide sobre feridas antigas,
liberta o tempo aprisionado nas cicatrizes,
permite que respire, que se dissipe.
O papel acolhe
o que a memória guardou em silêncio,
oferece refúgio às dores
que se recusaram a ser esquecidas.
Neste exercício de transcrição da alma,
o autoconhecimento se revela.
As palavras não apenas descrevem
elas nos descobrem.
Cada frase tecida,
espelho límpido
onde nos contemplamos
sem máscaras, sem subterfúgios.
Na escrita somos
o confidente e o confessor,
aquele que escuta
e aquele que é escutado,
simbiose que dissolve
a solidão essencial do existir.
O que jaz nos recantos invisíveis
emerge através da tinta,
ganha substância,
torna-se tangível.
E assim, no papel,
nos encontramos mais inteiros,
mais verdadeiros,
mais profundamente compreendidos
por nós mesmos.
A escrita é mais que expressão
é revelação,
é epifania,
é o encontro primordial
com aquele que sempre fomos,
mas que só agora,
através das palavras,
podemos verdadeiramente reconhecer.