Pensamentos Mais Recentes
"Quando a liberdade individual é sufocada, a parceria perde o sentido e vira só uma cobrança sem fim."
"Por trás de um 'casal perfeito' na mídia, pode existir apenas dois estranhos dividindo o mesmo teto."
"Às vezes a pessoa aguenta o peso de uma relação falida em segredo só para não virar assunto na boca dos outros."
"O problema do excesso de grude é que ele vai corroendo a individualidade até não sobrar nada da pessoa."
"O silêncio do público não significa que tá tudo bem; muitas vezes é só o cansaço de ter que fingir."
"Às vezes o término não acontece por falta de amor, mas por um acúmulo de brigas que ninguém do lado de fora viu."
"Quando o desgaste emocional chega ao limite, até o menor dos desentendimentos vira motivo para colocar um fim."
Nunca subestime uma pessoa que no poço, morrendo afogado, chorou tanto que às lágrimas, fizeram chegar ao topo.
"Cansada de transparecer uma alegria que não sente, ela prefere se calar a ter que dar explicações para o mundo."
"Nem tudo que a gente não conta vira mentira; às vezes é só o desejo de proteger o que sobrou da paz."
O mar e a areia (poesia)
Que um dia
os que foram negligenciados
sejam lembrados, e que o sejam
antes que a carne se desfaça,
sucumbida pelo fim do tempo,
ou antes que restem apenas ossos
e o pó misturado à terra.
Porque todos, sem qualquer exceção
ou vã generalização, precisam de algo
além de si mesmos. Qual seria, afinal,
o sentido de existir no isolamento,
dedicando a vida a um único ser?
Que um dia
os mesmos olhos que choram
sorriam; que o mesmo oceano
que banha a areia sedenta
por sua espuma, receba também
alguns de seus grãos,
num gesto manso de afeto
pelo simples direito de coexistir.
Marcelo HB
Ainda Vou Me Lembrar de Você
Quando o tempo apagar as feições que eu decorei,
e a poeira dos anos cobrir as estradas que andamos,
quando os dias passarem depressa sem nos importarmos
com os mapas rasgados e os sonhos que eu desmontei.
Mesmo que o mundo dê voltas que eu nunca previ,
e o destino me leve pra longe de onde te conheci,
ainda vou me lembrar de você.
Vai ser numa tarde qualquer de um outono distante,
ou talvez no acorde de uma velha canção esquecida.
A memória virá como um vento furtivo e constante,
trazendo um recorte de quando você preenchia a vida.
O cheiro do café quente pela manhã na cozinha,
ou o eco de um riso perdido no meio da rua vazia,
farão com que a mente, por um segundo sozinha,
retorne ao exato cenário da nossa antiga alegria.
Lembrarei de como a sua voz acalmava a tormenta,
das noites de insônia trocando palavras banais.
O tempo é um rio que corre de forma violenta;
arrasta as presenças, mas não lava os nossos sinais.
As coisas miúdas, que pareciam não ter importância,
serão os gatilhos que vão encurtar a distância:
o jeito que você olhava antes de confessar um medo,
a mania de guardar cada dor como um grande segredo.
Não será com a angústia de quem perde e não sabe aceitar,
nem com o pranto de quem implora pro passado voltar.
O luto da despedida, com os anos, se torna semente,
e o que era vazio floresce de um jeito indulgente.
Eu serei outra pessoa, com outras marcas no rosto,
construindo outras casas, descobrindo outro gosto,
mas um pedaço de mim estará para sempre ancorado
naquela versão de nós dois que ficou no passado.
A ausência, aos poucos, se veste de paz silenciosa;
já não corta como o vidro, nem fere feito navalha.
Ela vira um farol de uma luz solitária e formosa,
que não guia o meu barco, mas ilumina a batalha.
E assim seguirei, colecionando novas chegadas,
cruzando outros mares, trilhando outras estradas,
vivendo o milagre comum que é sobreviver.
Mas saiba que, no fundo do peito de quem se entregou,
a marca deixada é profunda, não pode ceder.
Quando os invernos pesarem e o meu passo cansar,
quando o último brilho do mundo ameaçar se apagar...
Ainda vou me lembrar de você.
