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Entre a menina e a mulher

Tenho andado sozinha.

Não porque não queira companhia, mas porque há caminhos que ninguém pode percorrer por nós. Há silêncios que precisamos atravessar sozinhas, perguntas que somente o tempo sabe responder e versões de nós mesmas que precisam partir para que outras possam nascer.

Tenho andado assim: aprendiz, menina, mulher.

Às vezes, ainda sou aquela menina que se assusta diante do mundo, que procura abrigo, que acredita, que espera, que guarda sonhos como quem protege uma pequena chama do vento. Em outras, sou a mulher que a vida foi esculpindo à força de perdas, recomeços, esperas e algumas dores que ninguém viu.

E talvez crescer seja justamente isso: não abandonar a menina que fomos, mas aprender a acolhê-la com os braços da mulher que nos tornamos. Quando me perco, já não procuro alguém para me encontrar. Volto para dentro, procuro os pedaços que deixei pelo caminho, recolho meus sonhos, escuto meus silêncios e sigo.

Porque descobri que, muitas vezes, quando penso que estou perdida, estou apenas deixando de ser quem já não cabe em mim. Tenho andado sozinha, sim, mas já não caminho vazia. Levo comigo a menina que ainda sonha, a mulher que aprendeu a resistir e todas as versões de mim que tiveram coragem de continuar.

E talvez seja esse o meu verdadeiro encontro: quando me perco da menina, encontro a mulher. E quando encontro a mulher, finalmente compreendo que a menina nunca esteve perdida. Ela apenas estava me esperando crescer o suficiente para voltar para casa.

Caco de vidro reluz no sol,
e chama atenção,
Mas não sai de cima do muro

Algumas coisas na nossa vida, devem ser mudas por decisão e não por oração.

A arte não é para ser entendida, mas especulada.

AS HORAS QUE SE RECUSAM A MORRER


Não durmo.


Não porque exista alguma coisa
que valha a pena vigiar,
mas porque até o sono
parece ter desistido de mim.


A madrugada é um animal velho
deitado sobre o peito.


Respira devagar.


E eu escuto.


03:12.


O relógio continua funcionando
com a obscena fidelidade
das coisas que não possuem alma.


Nós somos assim:
inventamos máquinas para medir o tempo
e depois descobrimos, tarde demais,
que era o tempo
que estava nos medindo.


03:47.


Penso na infância.


É estranho chamar aquilo de infância.


Havia paredes,
havia nomes,
havia pessoas que deveriam ter ficado.


Mas algumas ausências
nascem antes das pessoas morrerem.


Talvez essa seja
a primeira forma de abandono:


descobrir que alguém pode estar vivo
e ainda assim
já não existir para você.


04:06.


Acendo um cigarro.


A brasa ilumina meu rosto
por alguns segundos.


É quase uma oração.


Depois vira cinza.


Como tudo.


O amor também foi assim.


Primeiro, uma pequena chama
que prometia aquecer a casa.


Depois, fumaça.


Depois, cheiro.


Depois, nada.


Tenho uma coleção inteira
de coisas que acabaram
sem nunca terem começado direito.


Amores.


Amizades.


Promessas.


Versões de mim mesmo
que morreram sem funeral.


04:33.


A cidade permanece silenciosa.


Milhares de pessoas dormem
sem saber que existir
é apenas uma maneira elegante
de adiar a própria decomposição.


Talvez o sono seja misericórdia.


Talvez seja apenas
a morte ensaiando.


Eu nunca soube diferenciar.


04:51.


Há algo profundamente humilhante
em continuar.


Você acorda.


Come.


Trabalha.


Ama.


Perde.


Finge.


Repete.


E chama isso de vida
porque a palavra "prisão"
parece pessimista demais
para caber numa conversa civilizada.


05:17.


O céu começa a clarear.


Que ironia.


Até a luz parece cansada.


Ela atravessa as janelas
como um funcionário público
cumprindo uma obrigação antiga.


Nenhum milagre.


Nenhuma redenção.


Apenas mais uma manhã
chegando para cobrar
o preço de ontem.


Olho para minhas mãos.


Ainda estão aqui.


Essa é a única vitória
que consigo reconhecer.


Não sou feliz.


Não estou curado.


Não encontrei Deus,
nem sentido,
nem uma razão suficientemente bonita
para justificar tudo aquilo
que precisei perder.


Mas ainda estou aqui.


Talvez seja isso
o que mais incomoda o vazio.


Ele passou anos tentando me convencer
de que eu não significava nada.


E eu, miserável,
continuei respirando.


Não por esperança.


Esperança é uma palavra
que os desesperados inventaram
para tornar o sofrimento suportável.


Eu continuo
por uma razão muito mais simples:


ainda não terminei
de transformar minhas ruínas
em alguma coisa que se pareça comigo.


06:02.


O mundo acorda.


Eu permaneço sentado
entre a noite e o dia,


com os olhos vermelhos,
o coração em ferrugem
e a alma cheia
de quartos abandonados.


Não dormi.


Mas sobrevivi à madrugada.


E talvez seja isso
que ninguém nos conta:


às vezes, viver
não é encontrar uma razão para continuar.


É simplesmente olhar para o abismo
até que ele perceba


que você também
aprendeu a encará-lo.

A doença de algumas pessoas, residem na Alma, mas, a sua incredulidade nisso, não permite que a cura aconteça e por isso vivem entre o choro e o riso.

No topo da política, rivalidades são fachada: fantoches dividem o povo em nome de interesses comuns a uma única classe dominante.

Não normalize palavras que ferem,nem ameaças disfarçadas de amor.Quem ama respeita limites,não transforma carinho em dor.
Helaine machado

Preciso muito saber falar somente o necessário.

Dos que eu já mais conheço, eu faço umas perguntas que eu não tenho.
Só que eu não sei se for e é possível acreditar que isso é bom.
"Até amanhã" e "Tchau" mais conheço.

Dia das Mães chegou👑.
Eu quero aproveitar a vocês aí!
2004,Ltda.

O meu aniversário é dia 1/9/2018.
Quando eu tenho 5 anos e começo
a ir pra escola, em 2023: "Escola Oásis".
2024: "Escola CEI"
2025 e 2026: "Escola Sandoval"

A Conta que Não Fecha
Interromper o que mal começou dói de um jeito estranho
Não é a saudade do que fomos, é o luto pelo que poderíamos ter sido.


Ficou o vazio.
Uma gaveta meio aberta, um resto de café que esfriou no copo,
o eco de uma promessa que nem chegou a virar história.
Dói aqui dentro, no meio do peito,
esse espaço oco onde a decepção resolveu morar.
Eu queria acreditar nas palavras bonitas,
mas o peso do mundo real falou mais alto.
E nas entrelinhas do que vivemos,
percebi que a conta nunca seria de afeto,
mas de **status**, de **prover**, de **ter**.
Dói aceitar que fui visto como um degrau,
como um porto seguro para o bolso, não para a alma.
Ser usado deixa um amargor que o orgulho demora a limpar.
E a incerteza me dá raiva, mas a intuição não mente:
quando o interesse pesa mais que a entrega, o amor nem chega a nascer.
Por isso, puxo o freio agora.
É a melhor escolha para o momento,
mesmo que o peito ainda arda de incerteza.
Prefiro o silêncio da minha solidão
do que o barulho de ser amado apenas pelo que posso oferecer.
*O meu valor nunca foi cifrão.*
*Fecho a porta antes do fim, para salvar que sobrou de mim.*

Não espere o grito virar silêncio,
nem a ameaça se tornar agressão.
Quando o medo entrar pela porta,
proteja primeiro o coração.
Medida protetiva não é vingança,
é um pedido legítimo de proteção.
É dizer: “Eu quero continuar viva,
quero ter direito à minha própria direção.”
Helaine machado

Cobrar atitude é bem mais fácil, sabe.
Porém se colocar no lugar do outro e ver que uma simples palavra pode curar, atrás de uma palavra a atitude se torna tão simples mas não ter empatia pela dor por palavras fácil mas se colocar no lugar não julgar sempre julgar que a dor do próximo e mínima diante da sua....


R & F Perazza .'.

Combater a poluição é garantir a sobrevivência do planeta e a dignidade humana.

Talvez amadurecer seja apenas aprender a conviver com os fantasmas que um dia chamamos de sonhos.

O silêncio não me assusta mais. O que me assusta é perceber que ele começou a responder quando falo.

Há pessoas que passam a vida procurando um lugar no mundo, sem perceber que o mundo nunca lhes reservou lugar algum.

Perhaps we are not lost.


Perhaps we have spent so long searching for a door that we forgot to ask whether there was ever a way out.

Some desires do not die.


They merely rust inside us until they lose the ability to be fulfilled.

Perhaps the cruelest form of melancholy is longing for a life that was never ours.

Talvez não estejamos perdidos.


Talvez apenas tenhamos passado tanto tempo procurando uma porta que esquecemos de perguntar se algum dia existiu uma saída.

Há desejos que não morrem.


Apenas enferrujam dentro de nós, até perderem a capacidade de serem realizados.

Talvez a forma mais cruel da melancolia seja sentir saudade de uma vida que nunca nos pertenceu.