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NO LIMITE DO CALVÁRIO, A [FILOSOFIA] DESCOBRE A FALÊNCIA DA LÓGICA DIANTE DE UM DEUS QUE ESCOLHE A FRAGILIDADE DA CARNE. A [PSICOLOGIA] TESTEMUNHA O ÁPICE DA ANGÚSTIA HUMANA NO SUOR DE SANGUE DO GETSÉMANI, ONDE O HOMEM ENFRENTA O SEU MAIOR MEDO. MAS [O DESFECHO TEOLÓGICO] REDEFINE A PRÓPRIA EXISTÊNCIA: O SOFRIMENTO HUMANO NÃO É ANULADO, MAS É DIVINIZADO, PROVANDO QUE SUPORTAR A DOR COMO HOMEM FOI O ATO SUPREMO QUE TRANSFORMOU A NOSSA MAIOR FRAQUEZA NO PORTAL PARA A ETERNIDADE.
A FACE DA LUZ E O INVERNO DA ALMA.
Como pode a Luz tocar-me a face
e, em seu fulgor, despertar a escuridão?
Como pode o horizonte, em sua ampla beleza,
reerguer-se em ouro e morrer no coração?
São-me estranhos os dias, estranhas as horas,
como sombras que se alongam sob o olhar da razão;
e as auroras, outrora jovens e promissoras,
parecem velhas senhoras fatigadas da estação.
Nela habitam as quatro estações da existência:
a Primavera, fecunda em perfumes e alegria;
o Verão, ardendo em solar magnificência;
o Outono, dourado em serena melancolia.
Mas em mim, onde deveria florescer a esperança,
reina um vento sem pátria, austero e desolador;
e o Inverno, com sua lenta perseverança,
estende sobre a alma seus domínios de torpor.
Em seus olhos florescem jardins de existência;
em seus gestos repousa a ternura sem fim.
Há primavera em sua simples presença,
enquanto o gelo aprofunda seus silêncios em mim.
E há distância nas formas, nos tempos, nos rumos;
distância entre os sonhos, os risos e o olhar;
distância até nos mais delicados perfumes
que as mãos da memória tentam, em vão, conservar.
Que estranho cálculo rege a geometria da vida,
em que duas almas se encontram sem se possuir?
Que força aproxima aquilo que, em seguida, distancia,
como se amar fosse aprender a perder e prosseguir?
Como permitis, ó Deus, semelhante paradoxo?
Que teorema oculto governa esta severa equação?
Por que a vida aproxima, com mãos de conforto,
aquilo que permanece além do alcance da mão?
Talvez a dor possua uma matemática secreta,
e o sofrimento, uma lógica que não sabemos decifrar;
talvez aquilo que julgamos ruptura completa
seja apenas outra forma de aprender a amar.
Neste instante derradeiro, entre a prece e o pranto,
ergo a voz vacilante à altura da minha cruz;
e recordo Bach, quando seu sublime canto
parece implorar ao Eterno a permanência da Luz.
Não aparteis de mim a Vossa santa face,
nem me deixeis sozinho nos desertos do ser.
Se a noite me envolver em sua lenta voracidade,
ensinai-me, mesmo nela, novamente a viver.
Não permitais que eu confunda ausência com abandono,
nem silêncio com a negação de Vossa presença.
Há estrelas que somente revelam o próprio brilho
quando a noite se torna suficientemente imensa.
Se o Inverno é o caminho que hoje devo atravessar,
que eu encontre em seu gelo uma secreta razão;
pois a neve, antes de desaparecer, ao se calar,
guarda sob sua brancura a semente da estação.
Nada floresce sem antes enfrentar alguma obscuridade.
A semente conhece a noite antes de conhecer o jardim.
O rio atravessa a pedra por força da continuidade,
e o espírito amadurece quando deixa de fugir de si.
Talvez a Luz não tenha deixado o meu caminho.
Talvez eu apenas tenha aprendido a procurá-la fora.
Talvez Deus permaneça exatamente onde imagino o vazio,
silencioso como a madrugada que antecede a aurora.
Há momentos em que a alma contempla a Luz
e, justamente por contemplá-la, percebe suas próprias sombras.
O fulgor não cria a escuridão: revela-a.
E aquilo que a consciência vê com maior nitidez
é precisamente aquilo que, antes, permanecia oculto.
Nenhuma noite, porém, possui autoridade sobre o amanhecer.
Nenhum Inverno é eterno.
Nenhuma ausência é capaz de abolir aquilo que o amor verdadeiramente edificou.
Talvez a vida não esteja me castigando.
Talvez esteja apenas me ensinando a distinguir
a posse da presença,
a presença da aparência,
e a aparência daquilo que permanece.
Porque há amores que não foram feitos para permanecer ao alcance das mãos.
Foram feitos para permanecer na consciência.
E talvez seja essa a mais severa lição do Inverno da alma:
compreender que a Luz não desaparece quando já não podemos tocá-la.
Ela apenas se torna mais profunda.
E, quando a última folha cair,
quando o vento cessar sobre os campos interiores,
quando a alma, cansada de lutar contra a própria noite,
finalmente silenciar,
talvez descubra, sob o gelo,
aquilo que nunca morreu:
a semente invisível do Verão.
Transferência em Psicanálise.
É ato de deslocamento,sentimento de um indivíduo para outro ou seja entre o Analisando e Analista.
Sendo assim como disse Freud:
_"A Psicanálise não cria transferência,ela revela à consciência e apodera _se dela para dirigir os processos psíquicos para os fins desejados"
Que seja um dos piores cenários de sua existência; sonhar seja algo que já nem se lembra do que é; amar e ser amado seja ficção; e que a sorte te abandonou. Lembre-se: o sol invade sua janela e ilumina seu rosto todo dia. Se não vê, escute com seus olhos o grito ensurdecedor da vida. Então viva, viva e sorria pela vida.
Hoje vivemos pela angustia e a depressão, pois tentamos incansavelmente suprir os caprichos insanos de uma sociedade que nem sequer sabe exatamente o que deseja.
"Acreditar em destino é para
aquele que quase vive.
Pra mim quem quase vive,
já morreu!"
Haredita Angel
16.08.14
Você teve medo, congelou, pensou em desistir, olhou para o abismo, procurou apoio, avaliou os riscos e, aparentemente, continuou.
Às vezes, sobreviver não parece uma vitória cinematográfica.
Às vezes é apenas segurar firme no próximo galho.
E depois no próximo.
Até perceber que os seus pés finalmente encontraram terra.
E talvez sua ponte, no fundo, não seja sobre uma catástrofe.
Talvez seja sobre atravessar um período assustador sem saber exatamente o que existe do outro lado.
E mesmo com medo, você continua subindo.
Uma ponte instável.
Uma tempestade.
Uma subida impossível.
Um abismo.
Uma pessoa que você gostaria que estivesse ali para ajudá-la.
E, finalmente, alguém percebendo que você estava no lugar errado e dizendo, sem precisar de muitas palavras:
"Está tudo bem."
Você acorda depois do abraço.
Não acorda durante a queda.
Não acorda esmagada.
Não acorda no meio da tempestade.
Não acorda no momento em que a ponte desaba.
Você acorda depois que alguém percebe que houve um engano e oferece acolhimento.
"Você pode se sentir perdida, deslocada ou até colocada no lugar errado, mas isso não significa que ficará ali para sempre."
Você está dentro de uma caçamba de lixo.
Você foi levada para algum lugar por engano.
Você grita.
Pede socorro.
As pessoas avisam o motorista.
Ele para.
E então ele te abraça.
Há determinadas travessias que ninguém consegue fazer por nós.
Podemos receber amor.
Podemos receber apoio.
Podemos ser abraçados.
Podemos receber uma mão.
Mas existem determinados momentos em que precisamos colocar o próprio pé no próximo degrau.
A vida às vezes parece uma ponte seguida de uma montanha, seguida de outra ponte. Um roteiro escrito por alguém que claramente não conhecia o conceito de descanso.
Mas existe um detalhe extraordinário.
Você observa antes de agir.
Você olha para os buracos.
Olha para a árvore.
Olha para os galhos.
Analisa onde as pessoas estão se apoiando.
Percebe que existe um trecho estreito depois da subida.
Você não simplesmente se joga.
Você tem medo, mas pensa.
Isso é importante.
Porque coragem não é ausência de medo.
"Quando eu resolver isso, finalmente estarei tranquila."
E então aparece outro problema.
Você atravessa uma dificuldade e encontra outra.
Resolve uma questão e surge outra.
Você não está sozinha.
Há outras pessoas atravessando a mesma ponte, enfrentando a mesma tempestade e tentando chegar ao outro lado.
Quando finalmente chega ao fim da ponte, você pensa que encontrou a saída.
Mas não encontrou.
Existe outra barreira.
E ela é ainda mais assustadora.
Uma parede muito alta, feita de areia, molhada pela chuva, cheia de buracos. Pessoas estão escalando, mas você sabe que aquilo não é realmente seguro.
Enquanto o resultado não chega, a mente cria cenários.
"E se for alguma coisa?"
"E se der errado?"
"E se eu não conseguir?"
A mente odeia espaços vazios. Quando não possui informação, muitas vezes tenta preenchê-los com possibilidades.
Você está atravessando uma fase da vida em que não existem atalhos.
Você precisa atravessar com os próprios pés.
Então vem a tempestade.
A ponte balança, quebra, a água cai violentamente e você sente medo de que tudo desabe enquanto ainda está sobre ela...
O racismo é um mal a ser combatido, mas generalizar um país inteiro como racista nunca trouxe uma solução real. O correto é dizer: há pessoas que ainda não se desfizeram do pensamento colonial racista.
REVISTA ESPÍRITA DE JUNHO DE 1860, INTITULADO:
" O Espírito e o cãozinho ”, é um relato interessante de Allan Kardec sobre a RELAÇÃO ENTRE O MUNDO ESPIRITUAL E A SENSIBILIDADE DOS ANIMAIS.
Marcelo Caetano Monteiro.
A passagem apresenta três pontos centrais dentro da perspectiva espírita:
1. A PERCEPÇÃO DOS ANIMAIS ALÉM DOS SENTIDOS FÍSICOS.
O caso narrado pelo Sr. G. G..., de Marselha, descreve um cão que, durante as evocações do antigo dono desencarnado, aproximava-se da cesta mediúnica, cheirava-a e demonstrava sinais de reconhecimento. A comunicação atribuída ao Espírito do rapaz confirma:
“Meu valente cachorrinho, que me reconhece.”
Kardec não aceita o relato apenas por sua aparência extraordinária; ele o analisa dentro dos princípios de observação que caracterizavam sua metodologia. A questão fundamental levantada é: o animal reconheceria o Espírito através de algum elemento material do perispírito ou possuiria uma percepção espiritual própria?
2. O INSTINTO ANIMAL COMO UMA FACULDADE MAIS AMPLA.
A resposta atribuída a Charlet amplia a reflexão. Ele afirma que o cão possui uma organização sensitiva muito particular, destacando sua capacidade de compreender o homem, acompanhar seus sentimentos e demonstrar afeição.
A ideia apresentada é que o animal não seria apenas um ser movido por mecanismos instintivos cegos, mas possuiria uma sensibilidade capaz de perceber estados e presenças que escapam aos sentidos humanos comuns.
Charlet afirma:
“Por que não adivinharia a sua alma e por que, mesmo, não a veria?”
Dentro da visão espírita, essa afirmação se harmoniza com o princípio de que os animais possuem um princípio espiritual em evolução, embora em estágio diferente do espírito humano.
3. O PERISPÍRITO E A SINTONIA ENTRE OS SERES.
A explicação posterior atribuída ao Espírito Georges apresenta uma interpretação ainda mais profunda: o cão não necessariamente sentia uma emanação material do perispírito, mas percebia a presença espiritual através de uma espécie de sintonia.
O trecho afirma:
“Todo o seu ser estava advertido da presença do dono.”
Essa ideia se aproxima do conceito espírita de influência fluídica. Para o Espiritismo, os seres estão envolvidos por uma atmosfera espiritual, e a vontade, o pensamento e os sentimentos possuem capacidade de estabelecer relações entre encarnados e desencarnados.
RELAÇÃO COM O LIVRO DOS MÉDIUNS.
Esse estudo também se conecta ao capítulo XXII de O Livro dos Médiuns, onde Kardec analisa a chamada “mediunidade nos animais”. Ali ele estabelece uma diferença essencial: os animais podem possuir percepção extraordinária e sensibilidade espiritual, mas isso não significa que exerçam mediunidade no mesmo sentido humano.
Para Kardec, a mediunidade exige uma faculdade consciente de comunicação entre o espírito comunicante e o médium, algo relacionado ao desenvolvimento intelectual e moral do ser humano.
O animal, portanto, pode perceber, sentir, pressentir, mas não necessariamente atuar como intermediário consciente de uma comunicação espiritual.
A GRANDEZA MORAL DO EPISÓDIO.
O aspecto mais profundo desse relato não está apenas na possibilidade de um cão perceber um Espírito, mas na demonstração de que o vínculo afetivo não termina com a morte física.
Na visão espírita, o amor é uma força espiritual que ultrapassa as barreiras da matéria. A afeição existente entre o homem e o animal participa desse movimento evolutivo, pois os sentimentos desenvolvidos pelos seres contribuem para o progresso do princípio inteligente.
A questão 597 de O Livro dos Espíritos afirma que os animais possuem um princípio independente da matéria, embora diferente do espírito humano. Kardec estabelece uma continuidade evolutiva, onde todos os seres caminham para estados superiores de consciência.
CONCLUSÃO.
O episódio do cãozinho publicado na Revista Espírita de 1860 permanece como um estudo simbólico e filosófico sobre a sensibilidade animal e a sobrevivência dos laços afetivos após a morte.
Sob a ótica espírita, ele revela que a criação divina não está dividida por abismos absolutos, mas por diferentes graus de desenvolvimento. O animal, embora não possua a razão humana, manifesta sentimentos, memória afetiva e uma percepção que pode alcançar dimensões ainda pouco compreendidas.
O ensinamento central é que a vida espiritual não se limita ao homem: toda a criação participa de um processo de aperfeiçoamento, conduzido pela lei divina de progresso.
FONTES:
Allan Kardec — Revista Espírita, junho de 1860, “O Espírito e o cãozinho”.
Allan Kardec — O Livro dos Médiuns, Segunda Parte, capítulo XXII — “Da mediunidade nos animais”.
Allan Kardec — O Livro dos Espíritos, questões 592 a 610 — sobre a natureza espiritual dos animais.
