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Ao subordinar a contingência e a liberdade humana ao absolutismo dos decretos divinos, a lógica calvinista obscurece a gravidade intrínseca da transgressão, esvazia o fundamento do apelo universal à reconciliação evangélica e desidrata o conceito de cooperação graciosa no processo de santificação.
O ESPELHO DA AMARGURA.
O jovem discípulo Kenji andava pela vila espalhando amargura. Ele via defeitos em tudo e falava mal de todas as pessoas que cruzavam seu caminho.
Um dia, Kenji decidiu levar suas frustrações ao Mestre, esperando que o velho sábio iniciasse um longo debate ou o repreendesse.
As Críticas do Discípulo
Kenji apontou para o padeiro da vila e disse: "Mestre, aquele homem é um ganancioso! Ele cobra caro pelo pão e aposto que usa farinha velha para lucrar mais!"
O mestre olhou para o padeiro, sorriu suavemente e respondeu: "Sabe que você tem razão!?"
Irritado com a resposta, Kenji apontou para o magistrado local: "E aquele juiz? É um corrupto preguiçoso! Só ajuda os ricos e finge que trabalha!"
O mestre bebeu um gole de seu chá e repetiu: "Sabe que você tem razão!?"
Inconformado, o jovem parou diante de um grupo de camponeses que descansava: "Olhe para eles, mestre! São ignorantes, vivem na lama e não têm ambição nenhuma na vida!"
O mestre apenas acenou com a cabeça: "Sabe que você tem razão!?"
A Explosão de Kenji
A neutralidade do mestre acendeu uma fúria cega no peito do jovem. Kenji não aguentava mais aquela concordância que parecia anular sua própria inteligência. Ele parou na frente do mestre, com o rosto vermelho e os punhos cerrados.
"Chega!", gritou o discípulo, apontando o dedo para o peito do velho.
"O senhor é um conformista covarde, que aceita a podridão do mundo sem fazer nada!"
"O senhor é um apoiador dos erros, porque sua omissão valida a maldade dos outros!"
"O senhor se tornou um homem apático, vazio, uma casca que não sente mais nada!"
Além de tudo, o senhor é sem caráter, pois não tem a decência de defender uma única verdade!"
Kenji respirava de forma ofegante, esperando que, finalmente, o mestre se levantasse para puni-lo ou debater com ele.
O mestre, no entanto, permaneceu sentado na grama. Ele olhou serenamente nos olhos cheios de raiva do jovem, manteve o mesmo tom de voz tranquilo de sempre e disse:
— Sabe que você tem razão!?
O Desfecho da Estória.
Ao ouvir a mesma frase direcionada a si mesmo, o chão pareceu sumir sob os pés de Kenji. O silêncio que se seguiu foi devastador.
O discípulo travou, com a boca meio aberta e o dedo ainda em riste.
Ele esperava fúria, mas encontrou apenas o espelho de suas próprias palavras.
O peso dos insultos que disparou voltou instantaneamente contra ele, pois, se o mestre tinha razão em ser tudo aquilo, a própria busca de Kenji por sabedoria ali era inútil.
As pernas do jovem fraquejaram e ele caiu de joelhos na grama, desarmado.
"Se eu tenho razão sobre o senhor...", sussurrou Kenji, com os olhos cheios de lágrimas, "então eu destruí a única coisa em que acreditava".
O mestre estendeu a mão, tocou o ombro do jovem e disse suavemente: "Você enxerga o mundo através das lentes que carrega nos olhos. Se suas lentes estão sujas de amargura, até o homem mais calmo parecerá apático, e o silêncio parecerá covardia. Eu concordei com você porque combater a sua ilusão só a tornaria mais forte. Agora que sua raiva cansou, você finalmente pode começar a ver as coisas como elas realmente são".
A Análise Psicológica do Cenário.
Essa dinâmica ilustra conceitos profundos da psicologia comportamental e da filosofia:
Efeito Espelho (Projeção): Kenji falava mal de todos porque a insatisfação estava dentro dele. O mestre, ao não reagir, agiu como um espelho limpo, devolvendo o reflexo da própria feiura do discípulo.
Quebra de Padrão: Discussões se alimentam de resistência. Quando o mestre oferece resistência zero ("você tem razão"), o conflito perde o oxigênio e desmorona sozinho.
O Efeito Desarmador: O insulto perde totalmente o poder quando o receptor se recusa a ser validado ou ofendido por ele.
“A grandeza de uma democracia não está em permitir que o povo escolha seus governantes, mas em garantir que, depois da escolha, nenhum governante possa escolher o destino do povo sozinho.”
"Quando a lei passa a proteger o poder contra o cidadão, o Direito deixa de ser escudo e transforma-se em arma.”
"Toda autoridade deveria carregar consigo uma pergunta silenciosa: quem me impedirá se eu estiver errado?”
"A democracia não elimina o conflito; ela civiliza o conflito para que adversários possam continuar sendo cidadãos depois da disputa.”
“O verdadeiro jurista não é aquele que conhece todas as leis, mas aquele que sabe reconhecer quando a aplicação de uma lei produz uma injustiça.”
O assistencialismo estatal é a forma mais eficiente de transformar um povo em massa de dependentes: oferece-se ao indivíduo a esmola como substituto do sonho, a tutela como substituto da liberdade e a obediência como preço da sobrevivência. No fim, o cidadão já não luta para realizar seus próprios fins — espera apenas que o poder lhe permita continuar existindo sob sua sombra.
“O poder absoluto não é apenas aquele que pode fazer tudo; é aquele que consegue convencer as pessoas de que nada precisa impedi-lo.”
Não julgues ninguém pela voz que outros emprestam. Podes perder almas raras por causa de um murmúrio que nunca soube o que é amar.
"O silêncio de um cidadão diante da injustiça pode ser prudência; o silêncio de uma sociedade inteira diante dela é o começo de uma tirania.”
“A corrupção do Direito começa muito antes da corrupção da sentença: começa quando a lei passa a ter um significado para os poderosos e outro para os demais.”
Silêncio
Há um silêncio dentro de mim,
depois de você...
Um silêncio traduzido em inquietação...
Minha vida não pode ser dividida,
quero de volta a parte
que você pra bem longe levou...
Música sem melodia
é assim o meu dia
sem alegria.
É impossível bater pela metade o coração...
Silêncio dentro de mim,
onda suave que me acalma,
eco sereno na alma faz,
refúgio eterno, enfim, quero-lhe, amor meu, volta para ter novamente paz.
Palavras se desfazem no ar,
sussurros mudos a dançar,
no peito, uma paz sem fim,
o silêncio reside em mim...
Traz isso de volta pra mim!
Como brisa leve a tocar,
segredos prontos a revelar,
na quietude, encontro a luz,
silêncio que me conduz.
Você de novo aqui do meu lado... a tristeza que se desfaz...
Volta... eu sei que o caminho você sabe... eu sei que você é capaz!
“O Estado democrático não deve perguntar ao cidadão por que ele desconfia do poder; deve perguntar por que lhe deu motivos para desconfiar.”
“Toda sociedade que abandona a presunção de inocência acaba precisando provar a inocência de todos.”
Bem-vindo, amor
Bem-vindo, amor
que acalma...
traz paz pra alma...
A poesia fala por mim
testemunhada por ti...
Bem-vindo, amor
que acaba com o longo inverno,
traz o perfume da primavera...
O calor do verão que aquece meu coração...
Bem-vindo, amor
que faz acreditar
que sempre há uma saída,
que ainda vai chegar o melhor da vida.
Que abre caminhos...
Que constrói portas...
que conserta vias tortas.
Bem-vindo, amor
que faz entender todas as outras partidas.
“Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?”
Fernando Pessoa
“A independência da Justiça não significa que o juiz esteja acima da sociedade; significa que ele deve estar abaixo da Constituição.”
A cosmovisão calvinista esvazia a hamartologia, a teodiceia, a missiologia e a pneumatologia prática, reduzindo a agência humana e a busca pela santificação a um automatismo decorrente de um decreto divino absoluto.
“Uma lei injusta pode ser obedecida por medo; uma ordem jurídica justa é obedecida porque reconhece no cidadão um ser humano, não um instrumento.”
