Pensamentos Mais Recentes
CHÃO E CÉU
(A plenitude de uma caminhada entre dois mundos)
Viver é caminhar, às vezes, com um pé no chão e uma mão no céu. E quando fecharmos nossos olhos e adormecermos na eternidade, veremos a luz que nos guiou nessa efemeridade terrena, porque é a mesma que nos soprou o fôlego da vida.
Lu Lena / 2026
Sentir o vento quando
chegar no Planalto Serrano
Para hoje é o meu plano,
Lembrar que o seu primeiro
nome era Casa Branca,
que também que foi
chamada de Encruzilhada.
Para os tropeiros foi lugar
de pouso para se refazerem
para enfrentar a estrada,
É de Otacílio Costa
da gente tão hospitaleira
que eu estou falando,
que em qualquer lugar
que você para quieto,
e amigo tu acaba ficando.
Otacílio Costa, erguida,
com honra e muita luta;
Uma cidade de gente
que valoriza a família,
a terra e a honesta labuta.
Otacílio Costa, querida,
de gente amável que
põe sabores na mesa
que são como poesia.
É para aí que estou indo
para sentir o vento
do Planalto Serrano,
tocar as estrelas
e a Lua com os dedos,
porque entre nós
nunca houve segredos.
Otacílio Costa, fostes
parte de Lages,
disso também não esqueci;
Mesmo distante de ti,
contigo no meu coração,
honro para sempre
com todo o amor e paixão,
como parte infinita de mim.
AINDA QUE POUCAS
Mesmo que amizades se corrompem e algumas te deem as costas no início, ainda existem aquelas que estendem as mãos, dão abraço e acolhem.
Eu escolho acreditar nelas.
Ainda que poucas, Deus usa cada uma pra me lembrar que refúgio também tem rosto humano.
_Van Escher_
“AMANHÃ EU FAÇO”
Às vezes deixamos para trás coisas simples,
coisas que não eram tão caras, nem tampouco difíceis para serem realizadas.
Mas a desculpa sempre foi falta de tempo.
Se resumíssemos tudo isso,
Poderíamos dizer que se eu tivesse feito, hoje estaria realizado.
E digo mais; inventar desculpas sempre foi mais cômodo para mim.
Eu nunca parei pra pensar que o que define nossa vida, nossas atitudes, nossos sentimentos,
É o simples ato de “FAZER”.
Eu poderia ter amado, mas odiei,
Eu poderia ter ajudado, mas ignorei,
Eu poderia ter perdoado, mas resolvi condenar.
Se eu tivesse feito, realizado, talvez eu teria sido mais útil para alguém.
O tempo é um juiz implacável, sem piedade.
As oportunidades não passam duas vezes na nossa vida, se não pegarmos no momento certo, elas se vão e, muitas vezes, nunca mais voltam.
O hoje é o fruto do ontem e a semente do amanhã,
Nada produzirá fruto diferente daquilo o que foi semeado.
Palavras amargas são frutos colhidos de árvores plantadas em locais sem preparação, nada se colhe de bom dali.
Se o sofrimento faz parte da história da vida que cada um vive, porque só alguns, “visivelmente” sofrem?
Eu fiz por merecer, eu plantei, eu colhi.
Mas eu me pergunto: se o resumo de tudo estava no “FAZER”, caso eu tivesse feito, seria diferente? Ou seria igual está hoje?
O problema é que eu deixei pra amanhã, e este amanhã é hoje, e o agora também é hoje, e o amanhã não existe mais.
SIMPLES ASSIM.
O deixar pra amanhã; o perdoar, o abraçar, o viajar, o vender, o comprar,
Os verbos que eu poderia ter usado não servem pra mais nada.
Sobrou somente “O PODERIA”.
Aqueles que me amaram, os que me odiaram estarão todos ali, todos juntos numa sala gelada, com ar condicionado.
É doloroso pensar que alguns nem irão me ver pela última vez, e eu não terei mais olhos para contemplar isso.
Mas enquanto penso em tudo isso, penso que se eu tivesse tempo HOJE,
Pensaria totalmente diferente.
Eu “FARIA” tudo de outra forma, não deixaria nada, simplesmente nada para amanhã.
Porque o amanhã com certeza pode ser hoje, assim como é.
Escrito em 03 de abril de 2026 para minha querida irmã que se foi HOJE, dia 10 de abril de 2026.
“Para minha querida irmã Neide, minha cúmplice, minha amiga, minha companheira de pescaria, que parou de sofrer após muito anos de luta contra uma doença e foi para um lugar especial”.
Que Deus te receba de braços abertos e te coloque em um lugar especial.
ADEUS.
Aprendi a conhecer o ser humano pelas palavras ásperas e macias.
Umas ferem, outras curam.
E no meio das duas, escolhi ficar com quem me aponta pra Deus, ainda que a verdade doa.
_Van Escher_
CHÃO E CÉU
(A plenitude de uma caminhada entre dois mundos)
Só pelo simples fato de poder ter vivido, caminhando às vezes com um pé no chão e uma mão no céu, já valeria a pena fechar os olhos e adormecer na eternidade.
Lu Lena / 2026
ALLAN KARDEC E A OBSESSÃO - UMA ANÁLISE DOUTRINÁRIA E MORAL - COMBATÊ-LA.
O texto apresentado, extraído da Revista Espírita de dezembro de 1863, sob a assinatura espiritual de Erasto, constitui documento de elevada importância histórica e doutrinária para a compreensão das crises iniciais do Espiritismo. Trata-se de uma comunicação mediúnica recebida em 25 de fevereiro de 1863, no contexto das reuniões dirigidas por Allan Kardec, e que reflete, com notável lucidez, os mecanismos psicológicos, morais e espirituais que acompanham a difusão de uma ideia nova.
Segundo a própria obra em que se insere, a Revista Espírita, fundada em 01 de janeiro de 1858, tinha caráter experimental e investigativo, reunindo fatos, comunicações e análises que posteriormente seriam consolidados nas obras fundamentais. Nesse sentido, o texto de Erasto não é isolado, mas dialoga diretamente com princípios desenvolvidos em O Livro dos Médiuns de 1861 e em O Evangelho segundo o Espiritismo de 1864.
A primeira tese central do texto é a inevitabilidade do conflito. Toda ideia nova, especialmente quando portadora de renovação moral e intelectual, encontra resistência. Tal princípio encontra respaldo na própria codificação espírita, quando se afirma que “as grandes ideias jamais se estabelecem sem luta”, pois confrontam interesses estabelecidos e estruturas mentais cristalizadas. Esse embate não se limita ao plano humano. Erasto enfatiza a coexistência de adversários encarnados e desencarnados, introduzindo o conceito de uma dupla oposição: material e espiritual.
No plano psicológico, o texto revela uma análise penetrante do fenômeno da obsessão associado ao orgulho. A obsessão, definida em O Livro dos Médiuns, capítulo XXIII, como a ação persistente de um Espírito inferior sobre um encarnado, encontra terreno fértil nas imperfeições morais. Erasto aponta com precisão que muitos médiuns iniciantes sucumbem à sedução da vaidade espiritual. A promessa de grandeza, missão excepcional ou revelações extraordinárias atua como mecanismo de captura psíquica, explorando o amor-próprio.
Essa observação converge com o ensino kardeciano de que “o orgulho é o maior obstáculo ao progresso moral” e de que os Espíritos inferiores utilizam exatamente essa fragilidade para exercer domínio. A analogia com Macbeth não é casual. Tal referência literária ilustra a tentação do poder ilusório, onde a sugestão externa encontra ressonância em uma disposição interna já existente.
Do ponto de vista sociológico, o texto descreve um fenômeno de fragmentação doutrinária. A chamada “Torre de Babel” simboliza a proliferação de interpretações divergentes, muitas vezes baseadas em comunicações mediúnicas não submetidas ao crivo da razão. Kardec, em diversos trechos da Revista Espírita e em O Livro dos Médiuns, estabelece como critério essencial o controle universal do ensino dos Espíritos, isto é, a concordância geral das comunicações obtidas em diferentes lugares e por diferentes médiuns.
Erasto reforça esse princípio ao advertir que o valor de uma comunicação não reside no nome que a assina, mas em seu conteúdo intrínseco. Tal orientação é de rigor metodológico. Ela antecipa, em linguagem espiritual, o que hoje se poderia chamar de crítica epistemológica da fonte. A autoridade não é nominal, mas moral e racional.
Outro aspecto relevante é a denúncia das promessas ilusórias. Espíritos mistificadores oferecem riquezas, descobertas científicas fantasiosas e previsões detalhadas. Essas práticas são descritas também em O Livro dos Médiuns, onde se alerta contra Espíritos levianos e pseudossábios. A fixação de datas e eventos específicos é particularmente condenada, pois contraria a lógica da providência divina e a natureza progressiva das revelações.
No plano ético, o texto estabelece um critério claro de autenticidade espiritual: a modéstia. Os bons Espíritos se caracterizam pela sobriedade, pela ausência de pretensões e pela submissão à verdade. Já os Espíritos inferiores manifestam-se por meio da exaltação, da infalibilidade proclamada e da busca de destaque. Esse contraste é reiterado em O Evangelho segundo o Espiritismo, capítulo XXIV, quando se afirma que “reconhece-se a árvore pelo fruto”.
A dimensão moral do conflito é ainda mais aprofundada quando Erasto aborda os “falsos irmãos”. Aqui se evidencia uma análise quase clínica do comportamento hipócrita. Trata-se de indivíduos que, sob aparência de virtude, disseminam discórdia, investigam a vida alheia e propagam maledicências. Essa descrição encontra eco direto na máxima evangélica citada no texto: “O que estiver sem pecado atire a primeira pedra”, registrada em João 8:7. A advertência não é de exclusão, mas de vigilância e discernimento.
No campo teológico, o texto apresenta uma concepção dinâmica da providência divina. Deus permite a prova para fortalecer os fiéis e evidenciar a verdade. O conflito, portanto, não é um acidente, mas um instrumento pedagógico. Essa ideia é desenvolvida em O Céu e o Inferno de 1865, onde se demonstra que as provas têm finalidade educativa e regeneradora.
A conclusão de Erasto é de notável equilíbrio. Ele não nega o caos momentâneo, mas o interpreta como fase transitória de um processo maior. A vulgarização da ideia espírita, isto é, sua difusão ampla, é vista como resultado inevitável desse embate. A verdade, submetida ao crivo da razão, da moral e da universalidade, emerge depurada.
Do ponto de vista historiográfico, essa previsão mostrou-se coerente. Ao longo do final do século XIX e início do século XX, o Espiritismo consolidou-se como movimento filosófico-religioso estruturado, especialmente no Brasil, onde encontrou terreno cultural propício.
Em síntese, o texto de Erasto constitui um tratado conciso sobre os riscos internos do movimento espírita. Ele articula elementos psicológicos, morais, epistemológicos e espirituais, oferecendo um verdadeiro manual de prudência doutrinária. Sua atualidade permanece evidente, pois os mecanismos descritos não pertencem apenas ao século XIX, mas à própria condição humana.
A lição final é de rigor e serenidade. A verdade não se impõe pelo ruído das pretensões individuais, mas pela harmonia entre razão, moral e universalidade. E é justamente no crisol das crises que ela se depura e se afirma com maior esplendor.
“A forma mais eficiente de implantar uma ideia é fazer com que as pessoas cheguem, por si mesmas, à conclusão, oferecendo as ferramentas necessárias.” -Isaac C. P. Ribeiro
