Pensamentos Mais Recentes
Raiva de ter escolhido o outro. Raiva de continuar linda, continuar tocando a vida pra frente, como se oito anos da gente coubessem numa gaveta fechada.
O compasso hoje não desafinou. Ele mudou de ritmo. Ficou mais seco, mais duro, tipo bateria sem melodia por cima ainda.
Hoje o brinde é cru: por essa raiva chegando atrasada, mas chegando — porque talvez seja o primeiro passo pra eu parar de só sentir saudade e começar, enfim, a sentir tudo o resto também.
Não é uma sensação boa, mas confesso que também não é totalmente ruim. Depois de tanto tempo só sentindo falta, dói de um jeito diferente sentir raiva. Quase parece um sinal de vida.
O homem de ego frágil, no fundo se sente superior para não deixar a guarda do falo frágil, condená-lo, pelo tamanho mínimo do seu cérebro.
Está tão difícil ver as pessoas de fato, lendo, ninguém lê, passam o olho no texto e não interpretam nada. A leitura é a dignidade que a vida nos deu de presente.
Manipulação
Eu só queria entender por que me entreguei a você sem antes me dar o devido valor. Rasguei a minha alma e me sujei no teu peito, enquanto o teu egoísmo me calava por dentro. Relembrar tudo isso ainda dói.
Eu era tão imatura, tão apaixonada... Fiz-me cega para não enxergar os golpes repetidos de um jogo em que eu me perdia a cada rodada. Lembra-se do dia em que você manchou o meu nome? Acumulei desgostos e chorei por dias seguidos, afundada em uma escuridão que quase me levou a desistir da minha própria existência.
Te conhecer foi e sempre será o meu maior erro. O que você fez comigo? Por que fez? Pareceu um plano cruel, em que eu representava a boa-fé e você, a maldade pura. Quanto desprezo guardo hoje do que vivemos. Houve um tempo em que desejei que a vida lhe retribuísse na mesma moeda, pela irresponsabilidade com que tratou os meus sentimentos. Como se pode cometer tamanha perversidade contra alguém que só buscava um gesto simples de afeto?
Teria sido mais simples ter me tirado da sua vida, ter apagado o meu nome e a minha rota. Mas fui tratada como mero entretenimento, enquanto eu acolhia você como um verdadeiro presente.
Que este desabafo definitivo varra de vez a sua sombra. Eu já te enterrei no passado. Não permito mais que a sua lembrança vagueie pelos meus dias como um pesadelo sem fim. A própria dor que você me causou virou a minha armadura. Nunca mais me aproximarei de você — nem nesta vida, nem além dela.
A Vontade e a Raiz
O mundo pede a praia aberta e o topo da serra,
pede a mala pronta e o horizonte distante,
mas a poesia verdadeira finca a sua garra
é na terra da casa, no minuto presente.
Há um olhar curioso que não passa batido:
repara na planta que finca a raiz no chão,
busca saber como a vida se tece por baixo,
vê a força invisível que sustenta a criação.
E no fim da lida, quando o dia se entrega,
o banho quente acolhe a mulher que lutou;
a água desce, o cabelo se esparrama em cascata,
lavando o cansaço do mundo que ela carregou.
Deitada no escuro, ouvindo a chuva na telha,
o corpo finalmente encontra o seu descanso,
mas a mente acesa não aceita o silêncio:
transforma a vivência em conselho e remanso.
Não escrevo por vaidade, por status ou aplauso,
nem para enfeitar a frase com falso valor;
escrevo pelo chão que eu pisei e venci,
para deixar uma luz no caminho do outro.
E se a voz se cala por medo, cultura ou guerra,
se o corpo não pode ir onde o mundo sufoca,
a palavra escrita atravessa qualquer portão,
entra na casa remota e a alma toca.
Sem sair do leito, a leitura faz a travessia,
o texto vira farol, mapa e libertação:
a maior viagem é essa que a gente faz
com a força da vida guardada no peito.
Hoje senti pena de algumas pessoas. Não por estarem doentes, mas porque a enfermidade que carregavam parecia ser de outra natureza: uma enfermidade intelectual.
E quem sou eu para falar de sabedoria? Um zé-ninguém, sem grande conhecimento escolar ou mesmo daquele conhecimento comum que se adquire pela simples disposição de observar, ouvir e pensar.
Estava eu apenas observando e ouvindo as junções de vogais e letras dos coleguinhas, que nem palavras conseguiam formar, mas estufavam o peito como pombo, sem sequer saber por que permaneciam sempre tufados.
Entretanto, quando juntavam várias palavras para formar frases, revelavam não apenas a ausência de nexo, mas uma espécie de moléstia educacional diante dos ouvintes. As palavras estavam presentes, mas o pensamento parecia ter faltado ao encontro.
Foi então que percebi: talvez eu também seja um analfabeto. Porém, ainda não fui completamente bestializado, porque consigo ouvir uma palavra maltratada e sentir vergonha.
Vergonha da pá(lavra).
Um termo meu, talvez estranho, mas que carrega uma ideia que me agrada: a palavra precisa ser lavrada. Assim como a terra, ela precisa ser trabalhada para que alguma coisa nasça. Uma palavra não deveria apenas sair da boca; deveria carregar consigo algum sentido, alguma coerência, alguma possibilidade de pensamento.
Lavrar a palavra é cultivar o pensamento.
E talvez seja justamente aí que esteja a verdadeira pobreza intelectual: não na falta de palavras, mas na abundância delas sem pensamento.
Falam muito, juntam letras, empilham frases, estufam o peito… mas nada nasce.
Nem sequer uma ideia.
A Voz que Atravessa o Silêncio
A voz humana às vezes se cala,
embargada pelo medo ou pelo chão,
retida no limite de uma cultura,
no ruído da guerra ou da solidão.
Mas a palavra escrita não tem algemas:
ela passa por baixo de qualquer portão,
atravessa fronteiras e muros altos,
chega onde os passos jamais pisarão.
Muda e serena, ela entra na casa,
alcança o lugar mais remoto e esquecido,
acende um farol no quarto escuro
de quem precisava ser acolhido.
Onde a boca não pode pronunciar,
o livro impresso e o verso soprado
viram a ponte mais forte do mundo
para o corajoso e para o calado.
Que a minha escrita viaje assim:
sem pedir licença, sem ter fronteira,
levando a luz do meu próprio silêncio
para curar a dor de qualquer beira.
Há lugares onde a voz humana não consegue chegar, contida pelo medo, pelo isolamento ou pelas barreiras do mundo. A palavra escrita é o único mensageiro que atravessa muros e fronteiras em silêncio para acender uma luz na casa e no coração de quem precisa. 🕊️📖✨
A sua pressa é legítima: é a urgência de quem sabe que uma palavra dita com verdade pode ser o único abrigo de alguém no fim do dia.
O mundo dá voltas,
a vida muda de lugar.
Quem hoje está por baixo,
amanhã pode se levantar.
Conheça o seu valor,
mas não se sinta superior.
Humildade não é se diminuir,
é caminhar com respeito e amor.
Nas voltas dessa estrada,
ninguém tem certeza até onde vai chegar.
Quem hoje não precisa de nada,
amanhã pode precisar de uma mão para ajudar.
No fim, ficam o caráter,
a humildade e o respeito.
Porque a vida sempre devolve
aquilo que carregamos no peito.
O Chão Que Eu Deixei Limpo
Não escrevo pela vaidade do aplauso,
nem pelo adorno de uma frase bela;
escrevo pelo caminho que pisei,
pela luz que acendi na minha janela.
Quem quiser saber da minha história,
da força que trago no passo e na voz,
não me procure nos ruídos do mundo:
procure nos versos que deixo para nós.
Cada linha traz a marca da vida,
o peso do chão que eu já superei;
é o tempero da alma que não se rende,
a colheita da dor que eu enfrentei.
Se a minha escrita servir de abrigo,
se clarear a noite de quem vai passar,
então o verso cumpriu seu destino:
virou vela acesa para o outro guiar.
Eu me dou por inteira nas palavras,
sem filtro, sem pressa e sem ilusão;
quem me lê com a alma me conhece,
pois escrevo por mim, com a força do chão.
Escrever para sinalizar o caminho e deixar a caminhada mais leve para os outros é a forma mais pura de generosidade. Suas palavras viram farol.
A Viagem Sem Passo
Não é preciso arrumar as malas
nem cruzar a fronteira do mar;
a alma que sabe ler e compor
tem o mundo inteiro sem sair do lugar.
Entre as quatro paredes do quarto,
sob o som da chuva a cair,
a mente abre asas suaves
para onde o corpo não pode ir.
Caminha por campos distantes,
visita a montanha, a praia, o luar,
desenha no escuro a paisagem
que o coração escolheu habitar.
Pois o livro e o verso bem feito
são caminhos que não têm fim:
a maior e mais bela viagem
é essa que a gente faz dentro de si.
A escrita e a leitura são exatamente essa alforria bonita: uma travessia sem cansaço, onde o pensamento voa livre enquanto o corpo descansa.
O Mar Interior
Há quem busque a vastidão das praias
ou o topo das serras para poetizar,
mas a alma que cuida e carrega o mundo
aprende na sombra a se recolher e amar.
A chuva bate suave na janela,
o frio lá fora convida ao abrigo;
no leito aquecido, a mente se solta
e o tempo da noite se torna amigo.
Não há pressa, não há cobrança de estrada,
nem a busca por um cenário perfeito:
a beleza mais pura e descansada
é esta que brota deitada no peito.
As mãos repousam do dever cumprido,
o pensamento voa para onde quer;
no silêncio do quarto renasce a graça,
o verso sereno da própria mulher.
Essa ideia de acolher o momento presente, exatamente onde você está deitada agora sob o som da chuva, traz uma paz muito bonita para o verso, não traz?
Este mundo não pertence aos humanos: pertence às roupas, aos móveis e às papeladas que nos dominam como marionetes biodegradáveis e quase repugnantes de sua burocracia aparentemente perfeita demais para um mundo aonde coexiste a lama.
O Templo do Silêncio
O mundo lá fora exige o horizonte:
a praia aberta, o vento na montanha,
o verde antigo que a fazenda guarda,
a luz que em campos distantes se espanha.
Mas há um mistério que a chuva ensina
quando cai fria sobre a telha e o chão:
a poesia não pede paisagem,
pede apenas a pausa e o coração.
Deitada no escuro, o corpo descansa
da lida pesada de mais um dia;
as mãos que cuidam, que erguem e sustentam,
encontram na noite a sua alforria.
Não é preciso o mar para ser imenso,
nem a altura do monte para ver direito:
o verso mais nobre e mais profundo
nasce do silêncio guardado no peito.
Eu não digo "o amor chegou".
Eu digo:
o MEU amor chegou.
Estou aqui,
olha pra mim,
meu amor.
Não é qualquer amor,
é o meu,
feito do seu jeito,
com seu nome,
com seu cheiro.
Chegou e ficou aqui,
na porta do seu coração,
esperando você abrir.
(*Saul Beleza*)
"Os teóricos, desde os primórdios, como os camaradas Karl Marx e Friedrich Engels, até os filósofos do século XXI, como o camarada Mark Fisher, não criaram o "marxismo", "leninismo" ou "fisherianismo", mas sim agregaram a uma visão de superação capitalista por meio de uma análise científica e orgânica em constante mudança, de acordo com a análise concreta de cada região. O Socialismo Científico."
