Pensamentos Mais Recentes

“Risiliência” — A Resiliência do Teu Riso

Nunca te esqueças de que vale muito esse teu riso — um valor inestimável; uma das partes mais importantes da tua beleza. E claro que não estou falando apenas do aspecto físico, sendo o esplendor genuíno da tua resiliência, do amor que trazes no teu íntimo e do teu senso de humor característico que prevalece sobre a tristeza. Portanto, espero que esse teu riso apareça sempre que possível numa bela apresentação visual e sonora, como as ondas do mar de um verão inesquecível.

Até onde o Estado pode transformar aquilo que não sabemos demonstrar em uma verdade juridicamente obrigatória?

O castelo e a neve


Lá fora, muitos uivos, a estrada escorregadia, os pinheiros completando as paisagens,
Aqui dentro do castelo, o clima é quente, o teto tem pinturas artísticas deslumbrantes,


Lá fora, a neve avança, os lobos caçam e os ursos dormem,
Aqui entre as muralhas, a comida vêm quente, a segurança é inesgotável e o companheirismo respira com profundidade,


Lá fora, os ventos são assombrosos, a esperança é miúda e a solidão coexiste,
Aqui das muralhas é perceptível ver o descontrole e o medo vagando no meio da neve densa,


Lá fora, aos pés da neve e sobre a sombra dos grandes pinheiros tudo que é importante permanece na escassez,
Aqui dentro do castelo, a fogueira sempre esta acesa, os olhares não se perdem e viver aquilo que é importante é uma arte da vida.

Um breve lapso de razão pode durar um segundo; suas consequências, uma vida inteira.

Saí de casa sem destino,
sem saber onde chegar,
não porque houvesse um caminho,
mas porque eu precisava andar.

Sentei num bar, pedi um drink,
vi a noite acontecer,
e entre risos e conversas
não encontrei o que queria ver.

Não era falta de gente,
nem silêncio ao redor;
era a falta daquele encontro
que faz a noite ter sabor.

Há dias em que a vida passa
sem sequer nos tocar,
como uma rua conhecida
que já cansamos de atravessar.

E então a gente sai sozinho,
só para poder dizer:
“Hoje eu não fiquei fechado,
hoje eu tentei viver.”

Mas que estranho é estar no mundo
e não sentir o mundo entrar;
ter pessoas ao nosso lado
e ninguém nos despertar.

Talvez a vida seja mesmo
esse eterno procurar:
não necessariamente alguém,
mas um motivo para ficar.

Um olhar que nos surpreenda,
uma conversa sem final,
uma presença inesperada
que transforme o habitual.

Porque o que cansa não é a noite,
nem a solidão de um lugar;
é quando todos os caminhos
parecem sempre terminar no mesmo lugar.

Então volto para casa,
deixo o copo e deixo o bar,
guardo a noite na memória
e me preparo para sonhar.

Amanhã começa tudo de novo,
com seus horários e seus ais;
mas talvez, entre o mesmo de sempre,
a vida ainda guarde algo mais.

E se hoje nada aconteceu,
não significa que acabou.
Há noites que apenas passam…
e há noites em que alguma coisa começa sem que a gente saiba onde começou.

Sandro Paschoal Nogueira

Quanto mais a consciência compreende a necessidade que estrutura a realidade, menos precisa de ilusões para chamar sua própria compreensão de liberdade.

A alegria amplia nossa potência de agir; a tristeza a reduz. Entre ambas existe uma parte silenciosa da política: aquilo que uma sociedade produz na capacidade de seus indivíduos viverem, pensarem e agirem.

Uma democracia não se fortalece quando exige que todos pensem da mesma maneira, mas quando consegue transformar a pluralidade das consciências em força política sem destruir a liberdade.

O Estado encontra sua legitimidade na capacidade de organizar a potência coletiva para tornar possível a segurança, a liberdade e a convivência, e não simplesmente na capacidade de impor obediência.

A liberdade de pensamento não é luxo intelectual; é condição para que a razão possa investigar a verdade sem transformar a autoridade em substituta do conhecimento.

O homem verdadeiramente livre não organiza sua existência em torno do medo da morte; procura compreender a vida com intensidade suficiente para não desperdiçá-la.

A razão aproxima os seres humanos porque procura aquilo que existe de comum entre eles, enquanto o fanatismo frequentemente transforma diferenças em fronteiras.

A ignorância torna-se perigosa quando transforma uma interpretação parcial da realidade em uma verdade absoluta e passa a exigir obediência em nome dela.

Uma paixão começa a perder seu domínio quando a consciência deixa de apenas sofrê-la e passa a compreender as causas que a produziram.

Sobre voltar pra casa


Parece que tudo é mais pesado aqui,
como se eu tivesse voltado ao lugar de onde um dia eu parti.


Por dois anos eu corri, tentando escapar,
mas voltei para o passado que eu tanto quis deixar.


Voltei pras lembranças que eu quis apagar,
pras dores da infância que eu não quis carregar,
pros abusos que eu nunca deveria enfrentar,
pra tudo que eu passei tentando esquecer e superar.


Voltei pra depressão que um dia me afundou,
pras noites em que ninguém viu quando meu coração gritou.
Pros momentos em que eu sofri calada,
mesmo cercada de gente, me sentindo abandonada.


Voltei pros monstros que me faziam tremer,
pros medos que cresceram sem me deixar viver.
Pros julgamentos de quem deveria me acolher,
pro ódio de quem deveria me proteger.


Voltei pra um lugar onde minha dor era frescura,
onde meu sofrimento virava drama e minha tristeza, loucura.
Onde aquilo que me feria era tratado como exagero,
e eu aprendi, pouco a pouco, a esconder o que eu sentia por inteiro.


Voltei pra um lugar onde eu não me sentia importante,
onde estar cercada nunca impediu que eu me sentisse distante.
Onde eu gritava por dentro sem ninguém perceber,
onde eu aprendi a sorrir quando tudo que queria era desaparecer.


Voltei pro meu desespero mais profundo,
pro lugar onde eu já não reconhecia meu próprio mundo.
Pro lugar de onde Ele um dia me tirou,
e que, mesmo sabendo de tudo, eu mesma escolhi voltar.


Eu queria enfrentar, queria finalmente vencer,
queria olhar pros meus monstros sem voltar a tremer.
Mas esqueci que eles ainda sabiam me encontrar,
conheciam minhas feridas e sabiam onde tocar.


Eu esqueci que monstros também sabem esperar,
que conhecem nossos medos e sabem como nos quebrar.
E agora eu lembro, com o coração cansado de lutar:
algumas batalhas não exigem coragem para voltar.


Talvez eu tenha confundido enfrentar com permanecer,
como se voltar para a dor fosse a única forma de vencer.
Mas hoje, entre lágrimas que eu não consigo esconder,
uma coisa eu consigo finalmente dizer:


Eu não deveria ter voltado...

O ódio que encontra outro ódio não desaparece: frequentemente transforma o conflito em mecanismo de reprodução da própria violência.

Muitos acreditam agir livremente quando apenas obedecem a desejos cuja origem jamais investigaram.

A superstição cresce onde o medo encontra a ignorância e, juntos, procuram transformar a incerteza em uma certeza conveniente.

A mente humana não é estrangeira à natureza; pensar é uma das formas pelas quais a própria natureza se torna capaz de compreender sua existência.

Toda existência carrega uma resistência contra o próprio desaparecimento; viver é também exercer continuamente uma potência de perseverança.

O desejo não é um acidente da existência humana; é uma das expressões fundamentais da força pela qual cada indivíduo procura preservar e afirmar o próprio ser.

Quanto mais profundamente compreendemos as causas de nossas paixões, menos o medo, o ressentimento e o desejo conseguem transformar nossa consciência em instrumento de suas próprias forças.

A verdadeira liberdade não consiste em escapar da necessidade, mas em compreender as causas que nos determinam e deixar de obedecer cegamente àquilo que não compreendemos.

Não estamos fora da natureza quando amamos, odiamos, sofremos ou desejamos; somos precisamente natureza tentando compreender a si mesma através da consciência.

O homem não é um império isolado dentro do universo; sua liberdade, seus desejos e seus conflitos obedecem às mesmas relações de causalidade que governam a natureza.