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"Ah, minha visão da arte e da beleza: tu és o espelho que se contempla em si mesmo, pois não existe outra igual a ti."
Maturidade não se negoceia, ela se alcança ao longo do lapso de tempo;
Oportunidade é uma questão de circunstância, e não de desejo;
Faça a leitura do tempo, e não dos seus fracassos;
Viva o seu presente, não procrastine para o dia de amanhã;
Valorize o silêncio, mas não o tenha em todos os momentos de sua vida;
Goze de óptima companhia, mas não seja infeliz, quando estiveres só;
Faça o bem, mas não abuse de sua bondade;
Escute as suas lágrimas, mas não deixa de aprender a viver com elas;
Sorria descontraidamente, mas não deixa de controlar a sua alegria;
Respeite os seus limites, mas não se conforme a eles;
Na vida o menos importante é você, mas outrossim o mais #importante é você, só depende como vais se posicionar nela.
Viva a sua vida, respeite o processo, lembra-se que a vida não se resume conforme vives hoje, mas sim conforme viverás.
Seja a sua maior e melhor #versão de si.
Se tiveres a ler este post, saiba que és o protagonista n°1 da sua profunda história.
Firmino Mbalaca Mbondo
OS PRECURSORES DA TERCEIRA REVELAÇÃO: PARTE III
DA SABEDORIA DE SÓCRATES À CODIFICAÇÃO DE ALLAN KARDEC — A LONGA PREPARAÇÃO ESPIRITUAL DA HUMANIDADE.
_EMMANUEL SWEDENBORG — O CIENTISTA QUE ANTECEDEU A ERA DOS FENÔMENOS ESPIRITUAIS.
(1688–1772)
Marcelo Caetano Monteiro.
Entre os grandes personagens que antecederam o advento do Espiritismo organizado por Allan Kardec, destaca-se Emmanuel Swedenborg, figura singular da história intelectual e espiritual da humanidade.
Nascido em Estocolmo, na Suécia, em 1688, Swedenborg reuniu em sua personalidade características extraordinárias: cientista, engenheiro, filósofo, inventor, estudioso da natureza e profundo conhecedor das Escrituras.
Sua trajetória inicial pertence inteiramente ao campo científico.
Dotado de inteligência excepcional, dominava diversos ramos do conhecimento humano de sua época. Estudou matemática, física, anatomia, astronomia, mineralogia, engenharia e filosofia.
Era poliglota, conhecendo aproximadamente nove idiomas. Atuou como assessor do rei da Suécia e recebeu título de nobreza em reconhecimento aos seus méritos.
Seu nome tornou-se respeitado nos círculos científicos europeus, sendo considerado um dos homens mais cultos de seu tempo.
O seu retrato encontra-se associado à Academia Real de Ciências da Suécia, como reconhecimento de sua importância intelectual.
Entretanto, na maturidade, sua vida tomou uma direção completamente diferente.
O cientista dedicado ao estudo do mundo material voltou sua atenção para a investigação do mundo espiritual.
Esse momento representa um dos episódios mais importantes da preparação histórica do movimento espiritualista moderno.
A EXPERIÊNCIA DE 1744. O DESPERTAR PARA O MUNDO INVISÍVEL.
Aos 56 anos, em 1744, durante sua permanência em Londres, Swedenborg relatou uma experiência que modificaria profundamente sua existência.
Segundo seus próprios relatos, teve uma manifestação espiritual na qual recebeu a missão de revelar o sentido interno ou espiritual das Escrituras.
A partir desse acontecimento, abandonou gradativamente suas pesquisas científicas tradicionais e dedicou-se ao estudo das realidades espirituais.
Em seus escritos afirmou ter recebido uma percepção ampliada da vida espiritual, descrevendo ambientes, comunidades de Espíritos, estados morais após a morte e relações entre o mundo físico e o mundo invisível.
Em uma de suas declarações, registradas por Arthur Conan Doyle em História do Espiritismo, Swedenborg afirmou:
“Na mesma noite - diz ele:
O mundo dos espíritos, do céu e do inferno, abriu-se convincentemente para mim.”
Sob o prisma espírita, Swedenborg teria sido um dos grandes médiuns que antecederam a codificação kardeciana, trazendo descrições que posteriormente encontrariam correspondência em alguns ensinamentos transmitidos pelos Espíritos através da mediunidade estudada por Allan Kardec.
A MEDIUNIDADE POLIMORFA DE SWEDENBORG.
Os relatos sobre Swedenborg apresentam diversos fenômenos mediúnicos.
Ele descrevia experiências de:
vidência espiritual;
audição de vozes;
percepção de ambientes espirituais;
estados de êxtase;
manifestações físicas.
Um dos episódios mais conhecidos ocorreu quando Swedenborg, encontrando-se distante de Estocolmo, teria percebido espiritualmente um grande incêndio que acontecia naquela cidade.
O relato causou espanto porque ele descreveu acontecimentos que, posteriormente, foram confirmados por pessoas presentes no local.
Outro aspecto interessante encontra-se em sua descrição de uma espécie de “vapor” ou emanação que teria saído de seu corpo durante uma experiência espiritual.
Na linguagem espírita contemporânea, alguns estudiosos relacionam esse relato ao fenômeno conhecido como ectoplasma, substância estudada posteriormente nos fenômenos de efeitos físicos.
Entretanto, Swedenborg não direcionou seus estudos para uma investigação sistemática desses fenômenos.
Seu interesse concentrou-se principalmente nas interpretações espirituais e religiosas que extraiu dessas experiências.
AS CONTRIBUIÇÕES DE SWEDENBORG PARA O PENSAMENTO ESPIRITUALISTA.
Apesar das limitações apontadas posteriormente pelo Espiritismo, Swedenborg apresentou ideias consideradas precursoras:
A VIDA ESPIRITUAL COMO CONTINUIDADE DA EXISTÊNCIA TERRENA.
Ele descreveu o mundo espiritual não como uma região abstrata e distante, mas como uma realidade organizada, onde os Espíritos continuariam vivendo após a morte.
Essa ideia aproxima-se das descrições apresentadas posteriormente em obras espíritas como O Livro dos Espíritos e, no século XX, através das narrativas atribuídas a André Luiz em obras como Nosso Lar.
OS ESPÍRITOS COMO SERES HUMANOS DESENCARNADOS.
Swedenborg rejeitou a ideia tradicional de anjos e demônios como seres criados separadamente da humanidade.
Para ele, seriam Espíritos humanos em diferentes estados evolutivos.
Essa concepção aproxima-se da resposta dada pelos Espíritos Superiores na questão 115 de O Livro dos Espíritos, onde Allan Kardec apresenta o princípio de que os Espíritos passam por diferentes graus de evolução.
A EXISTÊNCIA DE DIFERENTES ESTADOS ESPIRITUAIS.
Swedenborg descreveu regiões espirituais associadas às condições morais dos indivíduos.
Não apresentou o inferno como condenação eterna, mas como situação transitória de sofrimento e aprendizado.
Esse ponto apresenta grande afinidade com o pensamento espírita, que compreende a justiça divina como educativa e não simplesmente punitiva.
OS LIMITES DA OBRA DE SWEDENBORG SEGUNDO A VISÃO ESPÍRITA.
A Doutrina Espírita reconhece a importância dos precursores, mas também estabelece um critério fundamental: toda revelação espiritual deve passar pelo exame da razão, da lógica e da universalidade dos ensinos.
Allan Kardec destacou constantemente que o Espiritismo não aceita revelações pessoais isoladas como verdade absoluta.
O próprio Swedenborg, segundo a comunicação publicada na Revista Espírita de novembro de 1859, reconheceu posteriormente alguns equívocos de suas interpretações.
Na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em 23 de setembro de 1859, foi publicada uma comunicação atribuída ao Espírito Swedenborg.
Nela, ao responder às perguntas de Allan Kardec, afirma: “A minha moral espírita e a minha doutrina não estão isentas de grandes erros, que hoje reconheço.”
E acrescenta: “Vós, sim, estais no melhor caminho, porque estais mais esclarecidos do que estávamos em meu tempo.”
Essa comunicação apresenta um ponto importante da metodologia espírita: mesmo médiuns dotados de grandes faculdades podem interpretar parcialmente aquilo que percebem.
A faculdade mediúnica não significa infalibilidade.
O médium permanece um ser humano, sujeito às próprias limitações intelectuais, culturais e morais.
SWEDENBORG E O PROBLEMA DA INTERPRETAÇÃO PESSOAL.
Segundo José Herculano Pires, em O Espírito e o Tempo, Swedenborg teria cometido o equívoco de aceitar suas percepções espirituais sem submetê-las suficientemente ao exame crítico.
Sua inteligência extraordinária, paradoxalmente, teria contribuído para construir interpretações próprias demasiadamente complexas.
Ele desenvolveu uma teologia particular, criando a chamada Nova Igreja, baseada em suas interpretações das Escrituras.
Para Herculano Pires, a diferença fundamental entre Swedenborg e Kardec está justamente no método.
Swedenborg recebeu experiências espirituais e elaborou interpretações pessoais.
Kardec analisou fenômenos, comparou comunicações, submeteu informações ao controle universal dos ensinos dos Espíritos e organizou uma doutrina baseada na razão.
Essa diferença marca a passagem do espiritualismo intuitivo para o Espiritismo científico-filosófico.
KARDEC E SWEDENBORG - A DIFERENÇA ENTRE A VISÃO INDIVIDUAL E O MÉTODO UNIVERSAL.
Allan Kardec reconhecia o valor dos pesquisadores anteriores, mas compreendia que a revelação espírita não poderia depender de uma única personalidade.
Em Obras Póstumas, Kardec descreve sua atitude diante dos fenômenos das mesas girantes: “Foi preciso agir com circunspeção, não levianamente. Ser positivo, não idealista, para não me deixar levar por ilusões.”
Essa postura define a essência do trabalho kardeciano.
Ele não rejeitou os fenômenos espirituais anteriores, mas procurou estabelecer critérios seguros para sua compreensão.
A mediunidade deveria ser estudada com seriedade.
A comunicação espiritual deveria ser analisada.
A razão deveria acompanhar a fé.
Por isso, dentro da perspectiva espírita, Swedenborg representa um precursor importante: aquele que abriu uma janela para o mundo espiritual, embora ainda carregasse limitações próprias de seu período histórico.
A IMPORTÂNCIA HISTÓRICA DE SWEDENBORG.
O grande mérito de Swedenborg não está na totalidade de suas interpretações, mas no fato de ter demonstrado, séculos antes de Kardec, que o mundo espiritual poderia ser objeto de investigação e reflexão.
Ele preparou o caminho para que a humanidade considerasse novamente uma antiga questão:
A vida continua após a morte?
Sua obra contribuiu para romper o materialismo absoluto de sua época e abriu espaço para novas pesquisas sobre os fenômenos espirituais.
Como afirmou Arthur Conan Doyle em História do Espiritismo, Swedenborg foi um dos grandes precursores daquilo que posteriormente se consolidaria como movimento espiritualista moderno.
CONTINUA NA PARTE 4 — ANDREW JACKSON DAVIS: O “PROFETA DA NOVA ERA”; SUAS FACULDADES MEDIÚNICAS, SUAS PREVISÕES E SUA CONTRIBUIÇÃO PARA A PREPARAÇÃO DO ADVENTO ESPÍRITA.
seus olhos.
Antes mesmo de entender o que estava acontecendo, eu já tinha encontrado alguma coisa nos olhos dela que não sabia explicar. Eu falava dos olhos porque era a maneira mais fácil de falar do que acontecia comigo quando olhava para ela. Pareciam ter profundidade suficiente para esconder tudo aquilo que eu não conseguia dizer. E talvez fosse exatamente por isso que eu gostasse tanto de mergulhar neles.
Porque havia dias em que o mundo parecia fundo demais.
As coisas lá fora tinham aquele peso que a gente tenta fingir que não sente. A vida seguia, as pessoas continuavam falando, os dias continuavam passando, mas existiam momentos em que tudo parecia difícil de levar. E então eu encontrava aqueles olhos.
Era como cair no mar sem ter medo de afundar.
Eu não precisava saber nadar. Não precisava saber para onde estava indo. Bastava entrar.
Talvez seja isso que algumas pessoas fazem com a gente. Elas não resolvem necessariamente aquilo que está quebrado, não apagam os problemas, não tornam o mundo mais fácil. Elas apenas conseguem fazer com que, por alguns instantes, a gente não precise lutar contra ele.
Ela era esse intervalo.
Eu podia passar horas tentando organizar dentro de mim aquilo que não tinha nome e, ainda assim, bastava olhar para ela para alguma coisa se aquietar. Havia um tipo de silêncio naqueles olhos que não era vazio. Era abrigo. Um lugar onde eu podia deixar todas as coisas que carregava sem precisar explicar por que elas pesavam tanto.
E talvez eu tenha amado também essa sensação.
A de ser recebido por alguém sem precisar chegar inteiro.
Eu acreditava que amar era isso: oferecer alguma coisa de si e perceber que, de alguma forma, aquilo também fazia o outro respirar melhor. Cada gesto pequeno parecia carregar uma energia que não precisava ser anunciada. Um cuidado aqui, uma presença ali, uma tentativa de estar perto quando o mundo ficava difícil. Como se amar fosse construir, aos poucos, um lugar onde dois poderiam descansar.
E eu queria ser esse lugar para ela também.
Talvez por isso a distância sempre tenha parecido tão cruel. Porque quando alguém se transforma em refúgio, a ausência deixa de ser simplesmente ausência. Ela começa a parecer uma porta fechada para um lugar onde você costumava conseguir respirar.
E ainda havia a saudade.
Aquela espécie de presença que continua existindo mesmo quando a pessoa não está. As lembranças permanecem vibrantes, ocupando espaços inesperados, aparecendo no meio de uma música, de uma noite, de um pensamento qualquer. Você percebe que algumas pessoas conseguem permanecer dentro da gente mesmo quando já não estão ao nosso lado.
Foi assim que ela ficou em mim.
Não como uma foto parada no passado, mas como uma paisagem que ainda aparece quando fecho os olhos.
E talvez seja por isso que aquela imagem do mar sempre tenha feito tanto sentido.
Porque eu não mergulhava apenas nos olhos dela.
Eu mergulhava naquilo que sentia quando estava ali.
Na tranquilidade que encontrava. Na versão de mim que aparecia quando não precisava me defender de nada. Na sensação de que, por alguns minutos, eu estava exatamente onde deveria estar.
Ao lado dela.
E talvez algumas pessoas sejam mesmo obra de alguma força que a gente não entende. Não necessariamente porque foram feitas para ficar para sempre, mas porque, em algum momento da nossa história, precisavam existir.
Ela existiu.
E me ensinou que existem olhos capazes de ser oceano.
Que existem abraços que parecem margem depois de muito tempo à deriva.
Que existe amor que não chega fazendo barulho, mas vai preenchendo os espaços vazios até a gente perceber que já não sabe exatamente onde termina a nossa solidão e começa a presença do outro.
Hoje, talvez eu entenda que mergulhar nos olhos dela nunca foi apenas sobre olhar.
Era sobre confiar.
Sobre fechar os olhos para o mundo por alguns segundos e acreditar que, se eu afundasse, alguém me encontraria.
E talvez seja essa a coisa mais bonita e mais dolorosa sobre amar alguém profundamente: às vezes, a pessoa se torna o mar onde você aprendeu a respirar.
E quando ela vai embora, você passa um tempo tentando descobrir como voltar a superfície.
Mas algumas profundidades não desaparecem.
A gente apenas aprende a carregá-las.
E eu ainda carrego aqueles olhos comigo.
Como quem um dia caiu no mar e, em vez de ter medo da profundidade, descobriu nela um lar.
3054 📜 Esse Hábito Chavão de dizer 'Prazer em Conhecer' e/ou 'O Prazer é Todo Meu' até para pessoas que não conheço, não funciona comigo. Para Mim isso não passa de Hábito Chavão e, quase sempre, não é sincero. É só Hábito Chavão... Pois, não?
O sofrimento, a tristeza e a rejeição, nos fazem querer correr o caminho que por bem, não andamos.
Nos fazem sentir vontade de mudar, para melhor nos sentirmos.
Nos fazem acordar de sonhos ilusórios: de estagnação e egocentricidade.
Nos fazem descer os degraus de nossa autoestima e percebermos o quanto ainda temos para subir.
Nos fazem pensar sobre nossas ações, atitudes e imagem…
Nos fazem crescer, mesmo que seja doendo.
Os pequenos dissabores nas relações faz com que aquele espaço que o outro ocupa em nosso coração diminua cada vez mais, até não mais existir.
Cuidado com o modo que trata as pessoas.
Pois um dia, você pode olhar pra trás e enxergar que tinha algo bom e conseguiu dissipar.
O Sol ilumina e a tua delicadeza se destaca
O sol toca a tua pele e a tua delicadeza fica iluminada; alimenta a tua veemência e aquece ainda mais o teu corpo. Percebo a essência da tua intimidade: um fogo audacioso que se movimenta livremente, com muita espontaneidade, onde uma intensidade abundante toma conta e se faz presente na tua personalidade — parte da soma de detalhes de uma mulher atraente, uma linda arte feita da verdade de um amor imponente.
dona.
Há músicas que a gente escuta.
E há aquelas que parecem ter guardado uma parte da nossa vida dentro delas.
Talvez seja por isso que, quando essa música toca, eu não escute apenas uma melodia. Eu escuto uma voz. A sua voz. Como se o tempo, por alguns minutos, esquecesse de continuar e devolvesse aquilo que um dia foi nosso.
Você cantava pra mim.
E talvez você nunca tenha percebido o tamanho disso.
Porque enquanto você cantava, eu não estava apenas ouvindo uma música. Eu estava vivendo uma pequena eternidade. Havia alguma coisa naquele momento que fazia o mundo parecer menos urgente. As coisas podiam esperar. A noite podia durar um pouco mais. E, por alguns instantes, parecia que nós dois éramos suficientes para preencher tudo aquilo que existia.
A música fala sobre sermos donos do amanhã se estivermos juntos.
E eu acho bonito pensar que, naquela época, nós realmente acreditávamos nisso.
Não porque éramos iguais, nunca fomos. Talvez justamente porque não éramos. Havia diferenças demais entre nós, distâncias demais, caminhos que às vezes pareciam apontar para lugares completamente diferentes. Mas existia uma coisa estranha e bonita mesmo sem sermos iguais, conseguíamos dividir o mesmo idioma, os mesmos sonhos.
As mesmas noites.
As mesmas ruas.
Os mesmos silêncios.
E, principalmente, a mesma história.
Hoje eu entendo que algumas pessoas entram na nossa vida como quem chega a uma cidade desconhecida e, sem perceber, começa a colocar placas nas ruas. Depois de um tempo, você já não sabe mais onde termina a cidade e onde começa a pessoa.
Você esteve em muitos lugares da minha.
Talvez seja por isso que lembrar de você nunca tenha sido simplesmente lembrar de alguém.
É lembrar de uma época.
De quem eu era.
De quem você era.
Daquilo que acreditávamos que seríamos.
E de tudo que ainda não sabíamos que perderíamos.
A vida, depois, colocou seus dragões na nossa frente.
Vieram as distâncias, os erros, as palavras que deveriam ter sido ditas e não foram, as verdades que demoraram a chegar, os caminhos que se separaram sem pedir licença. E nós fizemos o que quase todo mundo faz quando precisa sobreviver, seguimos andando.
Mas algumas histórias não desaparecem quando terminam.
Elas apenas mudam de lugar.
Deixam de morar no presente e passam a morar em algum canto silencioso da memória, onde continuam existindo sem exigir nada.
Você ficou ali.
Não como uma promessa.
Não como uma espera.
Mas como parte daquilo que fui.
E talvez essa seja uma das formas mais bonitas de amar alguém que já não caminha ao nosso lado, aceitar que a pessoa pode deixar de pertencer a nossa vida sem deixar de pertencer a nossa história.
Porque você foi história.
E algumas histórias não precisam continuar para terem sido verdadeiras.
Às vezes eu penso naquela frase sobre a lua dançar.
E penso que talvez a lua tenha visto tudo.
Tenha visto duas pessoas jovens demais para entender a dimensão do que estavam vivendo, acreditando que algumas noites nunca terminariam. Tenha visto você cantar para mim enquanto eu guardava aquilo sem saber que um dia sentiria falta até da sua voz dizendo coisas que, naquele momento, pareciam tão simples.
Hoje, se eu pudesse voltar aquela noite, eu não pediria para mudar nada.
Nem os erros.
Nem o fim.
Nem aquilo que machucou.
Eu apenas ficaria mais alguns minutos.
Prestaria mais atenção.
Olharia para você enquanto cantava.
Porque existem momentos que só descobrimos que eram eternos depois que se tornam passado.
E você foi um desses momentos.
Talvez eu nunca mais encontre exatamente aquilo que existia entre nós. Não porque tenha sido perfeito, mas porque era nosso. E coisas verdadeiramente nossas não possuem substitutos.
Podemos amar novamente.
Podemos sorrir novamente.
Podemos construir outras histórias.
Mas nunca conseguimos voltar a ser exatamente aquelas duas pessoas que dividiram aquelas noites, aquelas ruas e aqueles sonhos.
E tudo bem.
Talvez crescer seja aprender que algumas pessoas não ficam.
Algumas pessoas nos atravessam.
E você me atravessou.
Deixou marcas que o tempo não apagou, apenas tornou mais silenciosas.
Por isso, quando essa música tocar, talvez uma parte de mim ainda procure a sua voz no meio dela.
E talvez eu sorria.
Porque um dia você esteve aqui.
Porque um dia nós fomos jovens, fomos intensos, fomos imperfeitos e fomos felizes de um jeito que só conseguimos compreender depois.
E se existe alguma coisa que eu gostaria de brindar hoje, não é ao que poderíamos ter sido.
É ao que fomos.
A nossa história.
As noites que ninguém pode nos devolver, mas também ninguém pode nos tirar.
E, principalmente, a menina que um dia cantou essa música para mim e, sem saber, fez com que ela deixasse de ser apenas uma música.
Ela virou memória.
Virou saudade.
Virou um pedaço de céu guardado dentro de uma canção.
E talvez seja por isso que, mesmo depois de tantos caminhos, quando eu ouço aquelas palavras, ainda existe uma pequena parte de mim que olha para a lua e pensa:
que bom que, em algum momento da vida, você esteve aqui.
Nossa história.
Nossa história.
E, onde quer que o tempo tenha levado cada um de nós, essa parte ninguém consegue apagar.
Você fez eu gostar mim,
Dona.
Dona do meu pensamento.
Você.
Nossa história. e se puder, me faça tocar o céu, Lua... venha sorrir de novo pra mim.
Noite de Pouso
Abriu-se o leque de estrelas
Espetáculo do céu
A chama que aquece é da
vela que nos ilumina
Fogo que se incendeia
Duas taças na areia
Dois corações unidos
Sozinhos no paraíso
Num mesmo ritmo
Na sintonia do som
Acompanhados da paz
Que para um o outro traz
MEU JEITO DE SER, POETIZANDO
Meu jeito de chegar,
é pelos cantos.
Meu jeito de falar,
é simples e alegre!
Meu jeito de sorrir,
é fácil e largo!
Meu jeito de olhar, é sempre perceptivo,
mesmo que às vezes: distante.
Meu jeito de sentir é interno,
explorando!
Meu jeito de expressar é calado,
demonstrando…
Meu jeito de amar não é frio,
nem morno...
Meu jeito de pensar é intuitivo,
indagando...
Meu jeito de viver é fantasioso,
acreditando...
Meu jeito de sonhar é acordada,
imaginando!
Minha linha de pensamento não é tênue.
Patrícia Pontes de Moraes Tancler Campos.
O que seria de nossas vidas sem nossos impulsos?
Seria algo previsível e racional.
A vida é imprevisível! E aí está todo seu mistério e sua graça… no descobrir… em toda sua intriga e curiosidade…
Impulsos...
Nos fazem viver verdadeiramente aprendendo uma lição, ou várias, a cada experiência…
Um lugar minado, onde muitas emoções podem explodir! Um lugar onde de repente caímos e ilesos podemos não sair…
Algo a se pensar… algo a refletir…
O AMARGO DO CAFÉ
Combina com o amargo da minha sina
Combina com o gosto da minha vida
Se eu dou uma aquecida, pode até ser esquecida
Porém, rapidamente esfria…
Então, naturalmente, caio de novo…
Nesta mesma sina.
Que fica escondida…
Que disfarço com uma bela xícara.
Em um mundo onde tudo se transforma e o tempo escorrega pelas mãos, o que eu sinto por você é um ponto fixo, um farol que me guia na escuridão. O seu olhar é o lugar onde eu me encontro, e o seu abraço é o porto seguro de onde eu nunca mais desejo partir.
_Enzo Ruchell_
ÂNIMA
Patrícia, com pingos de malícia
E uma cachoeira de carícias...
Bondade e sinceridade
comandando o mesmo navio,
Com um longo pavio...
O calmo ritmo da maré
Se esvaindo com a chegada da tempestade
As águas da maré são meu coração
Que se abala frustradamente com você
Oh! Tempestade repentina
Tão avassaladora, mas ao mesmo tempo
Doce, fina…
E necessária...
Necessária para em meu coração haver vida.
-P. Tancler, 2013
AFETO: O que nos afeta.
Positiva ou negativamente.
Reorganizar os afetos é indispensável para conseguirmos compreender a voz de nosso eu.
As verdades - sobre "o quê", "quem", "como" e "porquê"- que nos afetam, devem ser ouvidas sempre.
E elas só falam quando estamos calmos e completos de solitude e verdadeira reflexão.
Silenciando para se escutar melhor.
Analisando para escolher melhor.
Aprendendo para viver melhor.
ETs, Terra plana, Universo paralelo, Apocalipse, Dilúvio, Fim do Mundo, a volta do Cristo...etc
Enquanto você se distrai com isso, eles, os poderosos, vão te deixando na miséria e eles cada vez mais rico e poderosos....
"Se a grande força da ilusão é o medo, a maior força do desamparo humano é a humildade que qualquer um de nós pode escolher para aprender o valor da vida — o grande empréstimo de Deus."
Direitos humanos, dizem os cartazes bonitos, são para todos. Que engraçado, porque na prática parecem um clube fechado, com lista de convidados e segurança na porta.
Tem uma parábola antiga sobre um rei que criava leis para proteger o reino, mas esquecia sempre de mencionar os mendigos nos portões. Séculos depois, mudamos o cenário, trocamos a coroa por terno, mas o mendigo continua do lado de fora, agora pedindo apenas para ser visto, ouvido, notado como gente.
E que engraçado como certas piadas nunca saem de moda. Pessoas com nanismo ainda viram atração de circo em pleno século vinte e um, como se existência fosse motivo de riso.
Ah, e não podemos esquecer os outros "convidados especiais" dessa festa tão exclusiva: pessoas em situação de rua tratadas como sujeira urbana, o negro retinto ainda hoje seguido dentro de lojas como suspeito, idosos ignorados como se já tivessem validade vencida, pessoas com deficiência esquecidas em calçadas sem rampa.
Direitos humanos parecem menu de restaurante caro: bonito no papel, mas a maioria nem consegue sentar à mesa. Talvez a piada maior não seja o corpo do outro, seja a nossa capacidade infinita de fingir que não vemos quem mais precisa ser enxergado.
Talvez eu não esteja bem, talvez nunca tenha estado — mas ainda estou aqui, e por enquanto isso basta.
"A "religião" nunca te dará verdadeiros amigos, pois os relacionamentos com base "religiosa" nos condicionam a um determinado padrão dogmático para que haja algum tipo de afeição. Verdadeiras amizades, nascem de relacionamentos "incondicionais" onde o único fundamento está no valor do ser humano que ama e respeita simplesmente como você é, sem exigir nada em troca."
Nas nuances do tempo no verde e no violeta, as linhas das cores são assimiladas pela luz, desbotadas pela reação química e pelo movimento da evaporação. Nas profundezas da cor, há poros e rachaduras: os resquícios do solvente tornam-se o fenômeno que transforma a obra em monumento, pois o tempo e a temperatura expõem seus cursos, e até a umidade transfere novos caminhos para a pintura.
É a vastidão exterior interagindo com o interior — o tempo gerado por um quadro binário ou multidimensional. Para entender o que criamos no subconsciente, buscamos inovações psicológicas; mas é no espelho multiversal que encontramos estradas e estruturas em uma linguagem única: o expressionismo.
Uma arte que enfeitiça a percepção: dependendo do ângulo, transforma-se em outro desenho. São múltiplas imagens ocultas dentro de outras imagens. Muitas vezes, cenários iluminados ou tiras de metal tornam-se parte da obra. Toda criação mexe com o artista, mesmo quando a expressão ganha traços que se mesclam em um teor superficial.
A percepção física nos estímulos de cada pincelada projeta um olhar no vazio — muitas vezes como quem olha diretamente para o sol para entender o que está sendo criado. Fomos surpreendidos nas formas porque mantínhamos o olhar fixo na lembrança da pintura inicial. Então, percorremos cada contorno: os traços primordiais, as técnicas de evolução existencial. Longas exposições à luz dão continuidade ao processo, mas os padrões conceituais deixam de importar; o caminho percorrido é só seu, até que possamos visualizar novos horizontes.
Os sentimentos nem sempre são fáceis de compreender. Muitas vezes, cenários iluminados são apenas o diário de um artista. A filosofia e a especulação ambiental oferecem uma fuga da realidade, transmutando-se na angústia da solidão ou no desespero pela compreensão inata do universo. A separação e a perda do amor trazem inovações à obra; surge então uma voz na imagem reduzida — algo quase imperfeito, uma sutil nuance. O que para o público parece um sol ou uma nave alienígena é, para o pintor, a representação exata de uma lanterna reluzente que ilumina o dia.
Derivados de substâncias e bebidas trazem sensações de alteração corporal e sensorial. O momento assimilado é instável, composto por distorções mentais que se desdobram em ressaca e dor de cabeça. No choque cultural, quando a arte atravessa as eras, os sentidos costumam ser interpretados de forma limitada ou bidimensional. Testemunhamos inovações psicológicas dentro dos lapsos: a tela ganha desenho sobre desenho, revelando um segredo sentimental ou o ato de reaproveitar o próprio suporte.
A luz capturada pelo olhar fixo na tela desenvolve um estado de sentimento. A consciência transmuta ideias por meio de pareidolias mentais, evocando uma ausência — um estado divergente, primitivo e inerte. A desventura do paradigma do caleidoscópio faz parte do emaranhado do cubismo, tornando o processo uma verdadeira cascata de compreensão da tela.
