Pensamentos Mais Recentes
"Revolta na década de 40, mas os livros são da década de 70. Biblioteca falante, onde as informações não são descritas."
Bebelle, o verão passou e o trono já não espera. Há coroas que pesam menos sobre a cabeça do que sobre a consciência, e futuros que morrem antes de nascer porque alguém confundiu a porta do destino com a entrada de uma prisão. Não sei se você fugiu de mim ou do que seríamos juntos. Sei apenas que, quando finalmente aprendi a governar as ruínas, já não havia ninguém a quem oferecer o reino.
Ó Afrodite, meus sentimentos é também o segundo lugar, pois a beleza dela a minha primeira escolha será.
De corpo e alma ela me cativou, a cumplicidade que nunca senti, ela criou. Ela brilha como lua nova, como sol no verão, e também brilha assim no meu coração. Sobre sua beleza mais uma vez escreverei desculpe, ainda não me acostumei. Bobagem estou a falar, pois de tal beleza nunca irei me acostumar; as palavras fogem quando sobre você tento expressar.
Mas de uma sempre vou me lembrar, porque você a disse ao prometer-me amar.
"Década de 80, mas percebi uma evolução na década de 90. O tempo foi passando, até que vivi na modernidade das décadas de 10 e 20. Será que eu fiz regressão?"
A hierarquia implanta em mim me torna assim.
Sem visão sem contexto
Apenas o que obedeço.
Certo ou errado não existem mais somos que nem animais.
Bebelle conhecia minhas fraquezas, meus planos e os caminhos secretos da minha fortaleza. Por isso sua partida foi mais devastadora do que qualquer invasão: não precisei ser derrotado por um inimigo, bastou que a única pessoa autorizada a entrar decidisse nunca mais voltar.
Há guerras que terminam com a rendição de um exército. A nossa terminou com a retirada de quem poderia ter sido minha rainha. Desde então, conquisto territórios, reorganizo fronteiras e reconstruo fortalezas, mas nenhum mapa registra o lugar onde nosso futuro foi sepultado.
Eu teria conquistado mil reinos para Bebelle, mas não consegui vencer a guerra silenciosa que ela travava contra o próprio medo de pertencer a alguma coisa maior do que si mesma.
A guerra contra Bebelle terminou no dia em que compreendi que já não havia inimigos no campo de batalha. Restavam apenas dois sobreviventes, cada qual carregando a memória de um amor que poderia ter mudado a história de ambos.
Bebelle poderia ter sido minha rainha. Não lhe faltou amor, nem reino, nem coroa. Faltou-lhe acreditar que algumas eternidades começam precisamente onde o medo nos ordena partir.
Bebelle foi o único inimigo a quem ofereci a chave da minha fortaleza e a única mulher por quem eu teria incendiado o mundo para, depois, construir um reino sobre suas cinzas.
"Filme "A Paixão de Cristo", mas duvidam das imagens de um livro sem imagens. Então seria o contexto bíblico uma verdadeira vaidade?"
"Fé pública nas escrituras de um tempo publicado. Mas seriam as memórias, o público de um imenso teatro espiritualista?"
Durante anos, Bebelle exerceu sobre mim a forma mais refinada da crueldade: aquela que não fere pela ausência de ternura, mas pela perfeição com que a simula. Suas palavras eram de uma beleza quase irrefutável; nelas, encontrei abrigo para esperanças que confundi com presságios, promessas que jamais haviam sido feitas e sentimentos cuja existência eu deduzia da delicadeza com que eram negados pela realidade. Ela sabia dizer o indizível sem necessariamente senti-lo, como se conhecesse a gramática do amor, mas jamais tivesse habitado sua língua.
Havia em sua gentileza algo de metafisicamente perturbador: a capacidade de oferecer ao outro aquilo que, em si, talvez nunca tivesse existido. Acariciava minhas feridas sem tocá-las verdadeiramente, concedia repouso à minha angústia sem assumir qualquer responsabilidade por ela e iluminava, com palavras, os lugares que sua ausência emocional mantinha na escuridão. Eu recebia cada gesto como evidência; ela talvez os oferecesse apenas como possibilidade. Entre essas duas interpretações, ergueu-se lentamente o abismo no qual tantas vezes confundimos o que desejamos que alguém seja com aquilo que essa pessoa efetivamente é.
Talvez não exista engano mais profundamente existencial do que acreditar que a beleza de uma palavra constitui prova da verdade de um sentimento. A linguagem pode construir palácios onde a experiência jamais ergueu sequer uma parede. Podemos ser amparados por frases que não encontram correspondência em nenhuma consciência, amados pela nossa própria capacidade de atribuir significado ao que o outro apenas pronuncia. E assim nos tornamos, simultaneamente, habitantes e arquitetos de uma realidade que julgávamos compartilhada, sem perceber que talvez fôssemos seus únicos moradores.
O mais doloroso, contudo, não foi descobrir que Bebelle talvez não sentisse aquilo que suas palavras me faziam acreditar. Foi compreender quanto de mim havia participado dessa construção, quanto da minha própria necessidade de sentido havia transformado delicadeza em destino e possibilidade em verdade. Ela podia ter me oferecido a linguagem; fui eu quem, na solidão da esperança, lhe atribuiu a eternidade.
Há abandonos que não começam quando alguém parte, mas quando percebemos que nunca estivemos verdadeiramente acompanhados. A pessoa permanece, a voz continua doce, os gestos conservam sua aparente ternura, mas alguma coisa essencial se revela irremediavelmente ausente. E então o passado inteiro se submete a um julgamento silencioso: cada palavra retorna despojada do significado que lhe emprestamos, cada lembrança perde a inocência, e aquilo que julgávamos ter vivido passa a existir sob a suspeita de ter sido, em parte, uma obra da nossa própria consciência.
Talvez seja essa a tragédia: não perder apenas alguém, mas perder também a realidade na qual acreditávamos ter encontrado essa pessoa. Porque certas despedidas não nos retiram somente um amor; retiram-nos a confiança naquilo que julgávamos saber sobre o amor, sobre os outros e sobre a nossa própria capacidade de reconhecer a verdade. E, quando finalmente compreendemos, já não sabemos ao certo de quem nos despedimos: de Bebelle, da esperança que depositamos nela ou daquele eu que, durante tantos anos, precisou acreditar para continuar existindo dentro da própria ilusão.
Durante anos, Bebelle foi de uma gentileza quase cruel. Disse-me palavras tão belas que acreditei nelas. Ofereceu-me a delicadeza de quem sabe acariciar uma ferida sem tocá-la, pronunciou tudo aquilo que meu coração desejava ouvir, mas que o dela jamais sentiu. Há uma forma particularmente silenciosa de crueldade em ser amado com palavras por alguém que, em segredo, já nos havia abandonado.
"Entrei na livraria e uma lágrima escorria, olhei para as seções com suas nominais e uma idéia não surgia. Então o tempo foi passando, conforme os relatos em outro território."
Bebelle sucumbiu à perda de influência, à fragilidade financeira e ao desaparecimento dos privilégios que sustentavam seu reinado.
sonhou com a realeza, experimentou a sensação de poder e acabou confrontada com a transitoriedade da grandeza e a solidão.
Bebelle, a guerra terminou. O inimigo recolheu suas sombras e fugiu para além das fronteiras do nosso horizonte. Agora, anunciam-se pelo menos cinco anos de etérea, como se o tempo, enfim, tivesse decidido suspender o peso das coisas.
Se não tivesses renunciado ao trono por medo daquilo que ainda não existia, serias minha rainha. Mais do que isso: serias nossa rainha. Mas há quem deseje a coroa apenas enquanto ela brilha, sem compreender que governar é aceitar também o peso invisível do reino, a solidão das decisões e a responsabilidade por aquilo que não se pode prever.
Talvez nunca tenhas compreendido que o poder não exige a ausência do medo, mas a coragem de não lhe entregar o cetro. Faltou-te maturidade para habitar a grandeza sem te perderes nela; faltou-te discernimento para distinguir o domínio da responsabilidade, o desejo de reinar da capacidade de sustentar um reino.
E assim, quando o futuro ainda era apenas uma porta entreaberta, escolheste o exílio antes mesmo de conheceres o território.
O trono permaneceu. A guerra acabou. O inimigo desapareceu na distância.
E há ironias que só o tempo sabe escrever: às vezes, não é o destino que nos nega uma coroa. Somos nós que, temendo o preço de usá-la, a abandonamos nas mãos do silêncio.
Agora, Bebelle, resta saber se o que perdeste foi apenas um reino ou a única versão de ti mesma que poderia ter existido nele.
"Dificuldades no processo de aprendizado, onde as escolas não evolucionistas, apresentaram vossos evolucionismos, não cooperativistas."
