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E quando o último capítulo da vida terminar,
E as estrelas se cansarem de no céu brilhar,
Quero ser a lembrança que o tempo não destrói.
Ai de vós, que vos importais mais com a fachada da vossa casa do que com a Catedral do Espírito Santo.
Ai de vós, que empregais tanto zelo em ornamentar as paredes que os olhos alheios contemplam, mas tão pouca disposição em restaurar os aposentos secretos onde a vossa própria alma habita.
Que cuidais das aparências com a devoção de quem constrói um templo, mas negligenciais o espírito como se nele não residisse o sagrado.
De que vos vale uma casa impecavelmente adornada, se aquele que nela mora carrega o coração em ruínas?
De que serve polir as maçanetas, pintar as paredes, ornar as janelas e cultivar jardins admiráveis, se os corredores da consciência permanecem mergulhados na escuridão da indiferença, da arrogância, da intolerância e da ausência de amor?
Há uma estranha inversão de prioridades na existência humana: muitos se preocupam demasiadamente com aquilo que os outros podem ver e insuficientemente com aquilo que Deus pode contemplar.
Erguem fachadas para receber admiração, mas deixam desmoronar os alicerces da própria dignidade.
Aprendem a representar virtudes, mas se esquecem de cultivá-las.
Decoram discursos com palavras de fé, enquanto seus gestos desmentem aquilo que seus lábios professam.
E eis uma das mais dolorosas contradições da espiritualidade: transformar a religião em vitrine, quando ela deveria ser caminho; fazer da fé um ornamento social, quando ela deveria ser uma experiência de transformação interior.
Afinal, não é a aparência de santidade que santifica alguém, assim como não é a aparência de uma igreja que a torna casa de Deus.
O sagrado não se mede pela exuberância dos altares, pela imponência das construções, pela eloquência das orações ou pela quantidade de vezes que alguém pronuncia o nome do Criador.
O sagrado se revela, sobretudo, na qualidade do amor que conseguimos oferecer, na justiça que somos capazes de praticar, na misericórdia que não negamos e na humildade com que reconhecemos nossas próprias imperfeições.
Jesus, ao confrontar a hipocrisia religiosa de seu tempo, deixou uma advertência cuja profundidade atravessa os séculos:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!”
“Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas estão interiormente cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.” (Mateus 23:27)
Não seria essa, também, uma das grandes tragédias de nossa época?
A de confundirmos respeitabilidade com integridade, aparência com essência, reputação com caráter e manifestação religiosa com verdadeira espiritualidade?
A Catedral do Espírito Santo não precisa necessariamente de mármore, ouro, vitrais ou torres que desafiem o céu.
Sua arquitetura é outra.
Seus alicerces são a verdade; suas colunas, a humildade; seus vitrais, a consciência; seus sinos, a compaixão; seus altares, a capacidade de amar sem transformar o amor em moeda de troca.
E talvez a maior obra de restauração que um ser humano possa realizar não esteja apenas na reforma de sua residência, mas na reconstrução de si mesmo.
É preciso limpar os porões da alma, abrir as janelas da consciência, permitir que a luz da verdade alcance os cômodos que escondemos até de nós mesmos.
É preciso reconhecer as rachaduras provocadas pelo orgulho, as infiltrações da inveja, os incêndios da intolerância e os escombros deixados pelas palavras que feriram sem necessidade.
Porque Deus não necessita de nossas fachadas para reconhecer a nossa essência.
Somos nós que, tantas vezes, necessitamos delas para esconder aquilo que ainda não tivemos coragem de transformar.
E há uma beleza profundamente divina na possibilidade de recomeçar: nenhuma alma precisa permanecer eternamente condenada às próprias ruínas.
Enquanto houver consciência para reconhecer os erros, humildade para pedir perdão e disposição para amar melhor, haverá espaço para reconstrução.
Afinal, o Espírito não nos convida a parecer melhores diante do mundo, mas a nos tornarmos verdadeiramente melhores diante da vida.
Paulo nos recorda em (1 Coríntios 3:16):
"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?"
Eis, portanto, a provocação que talvez devêssemos carregar como uma silenciosa oração:
De que adianta possuir uma casa digna da admiração dos homens, se o templo que Deus nos confiou permanece abandonado à própria sorte?
Que não sejamos arquitetos de fachadas e ao mesmo tempo de ruínas interiores.
Que não gastemos a existência inteira embelezando aquilo que termina com o tempo, enquanto esquecemos de cuidar daquilo que dá sentido à eternidade.
Porque, no derradeiro encontro com a Verdade, não serão as paredes de nossas casas que testemunharão a grandeza de nossa existência, mas a humanidade que conseguimos abrigar dentro de nós.
E talvez seja justamente aí que descobriremos que a mais bela Catedral jamais construída não é aquela que se ergue para alcançar o céu, mas aquela em que o céu encontra morada no coração humano.
Ira (Raiva)
A ira é um dos sete pecados capitais da tradição cristã.
O que é:
O sentimento de ódio, rancor ou raiva intensa e descontrolada, que busca a vingança
ou a destruição do outro.
PS: Isso é que estamos vivendo hoje com o separatismo POLÍTICO!!!
Existe uma atitude que torna impossível contemplar as maravilhas dos mistérios da vida: é sempre imaginarmos a nossa vida no meio de uma correnteza provocada por uma enchente, onde para ser salvo, nos agarramos a qualquer coisa.
A oração é muito mais do que um pedido de proteção; é também um exercício de confiança, humildade e entrega. Quando pedimos a Deus que ilumine nosso dia e direcione nossos caminhos, precisamos estar dispostos a fazer a nossa parte, agindo com consciência, responsabilidade e amor.
Pedimos fé para seguir, mas é preciso coragem para enfrentar as dificuldades. Pedimos sabedoria para escolher, mas precisamos aprender a ouvir, refletir e reconhecer nossos próprios erros. Pedimos bênçãos, mas não podemos esquecer de agradecer pelas pequenas coisas que, muitas vezes, passam despercebidas na correria da vida.
Que a presença de Deus não seja lembrada apenas nos momentos de dor ou incerteza, mas também nas nossas atitudes diárias, na maneira como tratamos as pessoas, respeitamos as diferenças e praticamos o bem.
Porque ter fé não significa esperar que Deus faça tudo por nós, mas confiar na Sua presença enquanto fazemos a nossa parte. E talvez a maior bênção não seja ter todos os caminhos abertos, mas receber sabedoria para escolher o caminho certo, força para percorrê-lo e humildade para aceitar que a vontade de Deus pode nos conduzir além daquilo que hoje conseguimos compreender.
Se a carne mais barata do mercado é a negra, a carne indígena, historicamente, não tem nenhum valor.
Você é livre, em sua intimidade espiritual, para escolher os caminhos que deseja seguir e transformar a própria existência. Mas essa liberdade também traz uma responsabilidade: compreender que o verdadeiro crescimento não acontece apenas quando cuidamos de nós mesmos, mas quando aprendemos a contribuir para o bem dos outros.
Ajudar sem esperar recompensas, estender a mão sem fazer julgamentos e praticar a caridade com sinceridade são maneiras de colocar em ação os ensinamentos de Cristo.
Quando fazemos o bem por consciência e amor, não apenas aliviamos o sofrimento de alguém, mas também fortalecemos nossa própria evolução moral e espiritual.
Quem vive apenas para si pode conquistar muitas coisas, mas quem aprende a servir ao próximo descobre um sentido maior para a própria existência. Afinal, a melhor maneira de demonstrar que compreendemos a filosofia de Cristo é transformar o amor em atitudes.
Capítulo - A mulher que a vida não conseguiu endurecer.
Se a minha vida fosse um livro, certamente não seria daqueles de histórias bonitas, com finais previsíveis e caminhos cuidadosamente desenhados. Seria um livro de páginas amassadas, algumas molhadas pelas lágrimas, outras rabiscadas pela raiva, muitas marcadas pela saudade e tantas outras preenchidas por sonhos que, mesmo depois de tantas tempestades, nunca deixaram de existir.
Eu já vivi coisas que jamais imaginei que precisaria suportar.
Conheci a traição dentro de casamentos, descobri que nem sempre o amor é suficiente para manter alguém ao nosso lado e aprendi, da maneira mais dolorosa, que algumas promessas são feitas apenas para serem quebradas. Experimentei a dor indescritível de perder filhos, uma ferida que não encontra palavras, porque existem dores que não cabem em nenhuma língua. Enfrentei momentos tão escuros que cheguei a tentar desistir da própria vida. Perdi amigos próximos, pessoas que acreditava que caminhariam comigo por muito mais tempo. E, a cada despedida, precisei aprender novamente a respirar sem determinadas presenças.
A vida não economizou nas lições. E, convenhamos, algumas delas foram cruéis demais.
Houve dias em que a felicidade parecia morar muito longe de mim. Dias em que o dinheiro não dava, o cansaço sobrava e a preocupação com o amanhã ocupava todos os espaços da minha cabeça. Lembro-me de períodos em que arroz com cebola era praticamente o cardápio de um mês inteiro. Não porque fosse uma escolha gastronômica, mas porque era o que havia. Era o que eu conseguia colocar à mesa para garantir que meus filhos tivessem alguma coisa para comer.
E eu comia. Engolia junto a comida as preocupações, os medos, as lágrimas e a responsabilidade de ser mãe. Porque, quando se tem filhos, muitas vezes a gente descobre uma força que nem sabia possuir. A gente aprende a diminuir a própria fome para aumentar a possibilidade de saciar a fome de quem ama.
Também conheci a dor de uma filha que, diante das dificuldades, optou por morar com o pai. E não existe manual que ensine uma mãe a administrar sentimentos tão contraditórios. Existe o amor, a saudade, a culpa, a compreensão e aquela vontade imensa de poder resolver tudo, mesmo quando não está ao nosso alcance.
Houve ainda os abusos sexuais, as invasões da minha intimidade, o medo transformado em realidade quando um bandido armado entrou na minha casa e a invadiu para se esconder. Sim, dentro do lugar onde eu deveria encontrar proteção, precisei experimentar o terror. Porque, às vezes, o mundo invade até os nossos espaços mais sagrados e nos obriga a descobrir como continuar depois.
Mas a vida também me deu Lumiar.
Ah, Lumiar! Entre tantas páginas difíceis, existem lembranças que merecem ser guardadas com carinho. As viagens, os caminhos, a natureza, os momentos em que pude simplesmente existir sem precisar resolver os problemas do mundo. Porque também fui feita de risadas, cervejas degustadas sem pressa, músicas que atravessaram a alma, filmes que me fizeram viajar sem sair do lugar e conversas que fizeram o tempo parecer generoso.
Não sou feita apenas das minhas dores. E talvez essa seja uma das coisas mais bonitas que descobri sobre mim.
Depois de tudo, eu poderia ter me tornado uma mulher amarga. Poderia ter fechado as portas do coração, desconfiado de todos, transformado minhas experiências em muros e passado o restante da vida tentando me proteger de qualquer possibilidade de sofrimento.
Mas não.
Eu escolhi, repetidas vezes, manter o coração leve.
Escolhi continuar enxergando o melhor nas pessoas, mesmo depois de conhecer o pior que algumas delas são capazes de oferecer. Escolhi não permitir que a maldade alheia determinasse a mulher que eu seria. Escolhi continuar acreditando na beleza dos encontros, na sinceridade dos afetos e na possibilidade de dias melhores.
Não confundam isso com ingenuidade. Eu conheço a dor, reconheço os perigos e sei muito bem que nem todo mundo merece acesso à nossa vida. Apenas me recuso a deixar que as experiências ruins me transformem em alguém que não combina comigo.
Ainda sou uma mulher que sonha. E sonho alto!
Tenho duas graduações, duas pós-graduações e uma inquietação que não me permite estacionar. Estudei, trabalhei, construí caminhos e continuo desejando aprender. Não quero apenas sobreviver ao que a vida me apresenta. Quero construir uma história da qual eu mesma tenha orgulho.
Penso em montar meu próprio negócio, criar uma fonte de renda extra, fazer meu dinheiro trabalhar a meu favor e conquistar uma independência financeira que me permita respirar sem aquela velha sensação de que qualquer imprevisto pode desmoronar tudo.
Quero adquirir meu imóvel. Quero comprar meu veículo. Quero viajar, conhecer lugares, experimentar sabores, colecionar paisagens e ter dinheiro suficiente para não precisar viver fazendo contas antes de cada desejo.
Quero conforto. Quero tranquilidade. Quero segurança.
Quero abrir a geladeira sem preocupação, planejar uma viagem sem culpa, comprar alguma coisa sem precisar calcular quantos dias de sacrifício aquilo vai custar. Quero olhar para o futuro sem sentir aquele aperto no peito que tantas vezes me acompanhou.
E não, isso não é ambição desmedida. É o desejo legítimo de quem já conheceu a escassez e agora quer experimentar a abundância. De quem já precisou escolher entre as próprias necessidades e as necessidades dos filhos e hoje deseja ter condições de oferecer mais, viver mais e desfrutar mais.
Enquanto construo meus projetos materiais, também sigo cuidando da minha espiritualidade. Minha caminhada com o sagrado ganhou raízes profundas. Hoje, assumo responsabilidades, fortaleço minha fé e sigo me tornando uma liderança religiosa. Entendi que a espiritualidade não é apenas sobre pedir proteção nos dias difíceis, mas também sobre compromisso, disciplina, entrega e responsabilidade com aquilo em que acreditamos.
Carrego comigo a força de tudo que vivi, mas não quero que minhas cicatrizes sejam o meu sobrenome. Quero que sejam apenas marcas de uma trajetória que ainda tem muito para acontecer.
E, no meio de tantos planos, conquistas, desejos e possibilidades, existe uma ausência que nenhuma realização consegue preencher.
Minha mãe.
É curioso perceber que podemos conquistar tantas coisas, estudar, trabalhar, construir patrimônio, viajar, alcançar reconhecimento, amadurecer e até colocar o mundo aos nossos pés. Podemos chegar a lugares que um dia pareciam impossíveis, realizar sonhos antigos e descobrir novas versões de nós mesmas.
Mas existe uma saudade que não negocia com as conquistas.
Posso ter uma casa linda, um carro na garagem, dinheiro na conta, uma agenda cheia de viagens e uma vida inteira de realizações. Posso conquistar o mundo, mas haverá sempre um lugar dentro de mim onde a minha mãe fará falta.
Porque existem ausências que não diminuem com o tempo. Apenas aprendemos a conviver com elas. E existem momentos em que tudo o que gostaríamos era poder contar uma novidade, ouvir uma opinião, receber um abraço ou simplesmente sentar perto de quem já não está.
Talvez seja essa a maior contradição da vida: passar tanto tempo lutando para conquistar o mundo e descobrir que algumas das coisas mais preciosas que tivemos não podiam ser compradas, recuperadas ou substituídas.
E é por isso que continuo.
Continuo porque ainda tenho sonhos. Porque meus filhos fazem parte da razão pela qual sigo construindo meus dias. Porque ainda quero conhecer lugares, escrever palavras, viver histórias, amar, rir alto, beber uma cerveja olhando a paisagem, ouvir minhas músicas preferidas e assistir a filmes que me façam pensar sobre a vida.
Continuo porque ainda existem versões minhas que não conheci. Existem lugares onde nunca estive, projetos que ainda não saíram do papel, abraços que ainda vou receber e alegrias que sequer imagino.
E, principalmente, continuo porque não quero que a minha história seja lembrada apenas pelas coisas que me aconteceram, mas por tudo aquilo que fui capaz de fazer apesar delas.
Se alguém me perguntar quem sou, não direi que sou apenas uma mulher que sofreu. Direi que sou uma mulher que viveu. Que caiu, levantou, perdeu, chorou, recomeçou, estudou, trabalhou, criou filhos, enfrentou medos, alimentou sonhos e, mesmo quando a vida parecia fazer de tudo para apagar sua luz, encontrou algum motivo para continuar brilhando.
Sou feita de primavera, mas conheço muito bem os invernos.
Sou feita de poesia, embora algumas estrofes tenham sido escritas com lágrimas.
Sou feita de fé, mesmo quando precisei conversar com o silêncio.
Sou feita de coragem, ainda que muitas vezes tenha sentido medo.
E sou feita de saudade, especialmente daquela que nenhuma conquista será capaz de curar.
A vida ainda me deve algumas alegrias, mas eu também tenho muitos sonhos para cobrar dela.
E, se existe algo que aprendi, é que não importa quantas vezes a vida tenha tentado me convencer de que era hora de parar: ainda há muito de mim querendo acontecer.
Porque eu não atravessei tantas tempestades para terminar minha história debaixo da chuva.
Ainda quero florescer. Ainda quero conquistar. Ainda quero viver. E, desta vez, quero viver também tudo aquilo que passei tantos anos apenas tentando sobreviver.
Fim deste capítulo. Não da história.
Sem a coexistência das luzes da Incerteza com a Certeza, dificilmente a Sabedoria teria a pista iluminada para dançar.
Talvez uma das maiores sutilezas da existência seja compreender que a Sabedoria não nasce exclusivamente daquilo que sabemos, tampouco floresce apenas no território daquilo que desconhecemos.
Ela acontece, sobretudo, no encontro entre essas duas dimensões: uma que nos oferece chão e outra que nos ensina a desconfiar da aparente solidez dos nossos passos.
A Certeza nos concede referências, organiza pensamentos, estabelece convicções e, por vezes, oferece o necessário repouso à inquietação de existir.
A Incerteza, por sua vez, abre janelas onde julgávamos haver paredes, questiona os horizontes que considerávamos definitivos e nos recorda que o conhecimento humano, por mais vasto que se torne, jamais será maior do que o mistério que o envolve.
Uma sem a outra corre o risco de perder sua grandeza.
A Certeza, quando desacompanhada da Incerteza, pode transformar-se em arrogância, dogma e aprisionamento intelectual.
A Incerteza, quando desprovida de qualquer referência, pode converter-se em hesitação permanente, desorientação e medo de escolher.
É justamente na tensão fecunda entre ambas que o pensamento amadurece e a consciência aprende a caminhar sem exigir que todos os caminhos estejam previamente desvendados.
Talvez ser sábio não seja alcançar um lugar onde todas as perguntas tenham respostas, mas desenvolver a Delicadeza Intelectual de reconhecer quais respostas merecem confiança e quais perguntas precisam continuar vivas.
Afinal, há Certezas que nos sustentam, mas também há Incertezas que nos salvam até de nós mesmos.
Há Verdades que iluminam nossos passos, mas há Dúvidas que impedem nossos olhos de se acostumarem demais à claridade de uma única perspectiva.
A sabedoria, nesse sentido, não é a vitória de uma sobre a outra.
É a capacidade de fazê-las coexistir sem permitir que uma silencie a outra.
É saber quando permanecer firme e quando reconsiderar; quando defender uma convicção e quando ter a humildade de abandoná-la; quando avançar com confiança e quando interromper a marcha para escutar aquilo que ainda não compreendemos.
Porque a maturidade do pensamento talvez comece justamente quando deixamos de confundir convicção com infalibilidade e dúvida com ignorância.
E assim, entre o que sabemos e o que ainda nos escapa, a existência vai compondo sua mais instigante coreografia.
A Certeza oferece o compasso, a Incerteza introduz a surpresa, e a Sabedoria, com a elegância de quem não pretende dominar a música, aprende a dançar.
No fundo, talvez seja essa uma das mais belas expressões da lucidez humana: ter raízes suficientes para não se perder em qualquer vento, mas conservar asas suficientes para não transformar as próprias certezas em gaiolas.
Pois quem acredita saber tudo já não encontra motivos para descobrir; e quem duvida de tudo talvez nunca encontre coragem para viver o extraordinário.
Entre esses dois extremos, existe um território extraordinário: aquele em que a inteligência se torna humilde, a humildade se torna consciência e a consciência, finalmente, aprende a dançar com a própria complexidade da vida.
A verdadeira alegria não floresce no isolamento. Ela ganha sentido quando também contribui para a felicidade de muitos. Afinal, de que vale conquistar o reconhecimento de herói em meio a uma tragédia, se nada fizemos para evitar o sofrimento alheio? Ou alcançar uma suposta santidade se nossa luz jamais serviu para iluminar o caminho de alguém?
A evolução espiritual não se mede apenas pelas virtudes que acreditamos possuir, mas pelo bem que conseguimos realizar. Não basta falar de amor, é preciso praticá-lo; não basta buscar a própria elevação, é necessário compreender que crescemos também quando ajudamos o próximo a crescer.
O Espiritismo apresenta a proposta da fé raciocinada: uma fé que não exige abandonar a razão, mas convida à reflexão, ao estudo e à compreensão dos ensinamentos espirituais.
De que vale uma luz que ilumina apenas a si mesma? A verdadeira elevação acontece quando nossa felicidade deixa de ser uma conquista individual e se transforma em oportunidade de felicidade para outros. Afinal, evoluir é aprender a viver melhor, mas também ajudar a tornar melhor a vida de quem caminha ao nosso lado.
O amor puro é a expressão mais elevada da harmonia entre os seres. É um sentimento que não faz distinções, não impõe condições e não busca vantagens. Manifesta-se no respeito, na compreensão, na generosidade e na capacidade de reconhecer a dignidade de cada criatura.
A fraternidade, por sua vez, é a união de todas as criaturas pelo vínculo do amor universal diante do Criador. É compreender que, apesar das nossas diferenças, compartilhamos a mesma origem divina e temos muito a aprender uns com os outros.
Ser fraterno é acolher sem preconceitos, respeitar sem exigir igualdade de pensamentos e estender a mão sem perguntar quem merece.
Porque o amor nos aproxima, mas a fraternidade nos ensina a caminhar juntos. Diante de Deus, não somos chamados a ser iguais, mas a aprender a amar uns aos outros como irmãos.
Domine suas próprias tendências inferiores, mesmo aquelas que parecem impossíveis de vencer. A verdadeira liberdade começa quando aprendemos a governar nossos impulsos, reconhecer nossas fraquezas e não nos tornarmos prisioneiros de nós mesmos.
Você é soberanamente livre na intimidade do próprio espírito, mas essa liberdade exige consciência, responsabilidade e coragem para transformar aquilo que precisa ser melhorado.
Somente você poderá decifrar os enigmas que carrega na consciência, enfrentar suas sombras e desfazer os nós que ainda aprisionam seus pensamentos.
Não sufoque sua sede de infinito, não abandone seus sonhos de crescimento e evolução, mas também não se deixe conduzir pelas ilusões, pelos excessos e pelos caminhos escolhidos pela maioria.
A maior conquista não é dominar o mundo ao seu redor, mas aprender a governar a si mesmo. Afinal, a verdadeira evolução começa quando deixamos de ser reféns das nossas próprias imperfeições e assumimos a responsabilidade pela transformação do nosso espírito.
