Pensamentos Mais Recentes

Expandir uma operação pode aumentar o faturamento e, ao mesmo tempo, multiplicar falhas, conflitos e custos que antes permaneciam escondidos. Quando os resultados dependem exclusivamente da presença constante do líder, o crescimento tende a ampliar sua sobrecarga em vez de fortalecer o negócio. Escalar exige processos compreensíveis, responsabilidades definidas, indicadores úteis e pessoas preparadas para decidir dentro de limites claros. Antes de buscar um volume maior, examine se a estrutura consegue sustentar a demanda sem sacrificar aquilo que tornou a operação valiosa. Crescer não é apenas fazer mais; é desenvolver capacidade para fazer melhor em uma escala maior.

Ter capacidade de influenciar decisões significa participar da maneira como outras pessoas interpretam problemas, avaliam alternativas e escolhem seus caminhos. Essa capacidade pode ser usada para esclarecer, orientar e construir acordos, mas também para explorar inseguranças ou ocultar informações relevantes. A diferença está no propósito e nos meios empregados. Persuadir com responsabilidade não é eliminar a liberdade de escolha do outro, e sim apresentar razões consistentes para que ele possa decidir com entendimento. A influência mais sólida não depende de manipulação: depende de credibilidade, clareza e respeito pela decisão consciente.

Adiar uma conversa difícil, ignorar um indicador negativo ou evitar uma análise desconfortável pode oferecer alívio temporário, mas não altera necessariamente as condições que produziram o problema. Em muitos casos, a demora ainda reduz as alternativas disponíveis e aumenta o custo da correção. Enfrentar a realidade não significa reagir impulsivamente a cada dificuldade; significa reconhecer os sinais, avaliar a gravidade e agir no momento adequado. A maturidade profissional aparece quando você deixa de usar a ausência de confronto como evidência de que tudo está bem.

Uma cultura organizacional não é definida apenas pelos valores escritos em apresentações ou comunicados internos. Ela se revela nas atitudes toleradas, nos critérios usados para reconhecer desempenho e na maneira como os erros são tratados. Se a liderança exige qualidade, mas aceita repetidamente entregas negligentes, a mensagem prática contradiz o discurso oficial. O comportamento permitido torna-se uma referência para os demais. Liderar exige alinhar expectativas, decisões e consequências, criando condições para que a excelência deixe de depender de iniciativas individuais e passe a fazer parte do funcionamento da equipe.

O desejo de manter todos satisfeitos pode levar você a aceitar prazos inviáveis, prometer resultados incertos ou evitar conversas necessárias. No início, essas concessões parecem proteger o relacionamento; depois, criam expectativas difíceis de sustentar e desgastam a confiança. Autoridade profissional não exige frieza ou inflexibilidade, mas a capacidade de estabelecer limites com respeito e explicar decisões com fundamento. Ser confiável não significa dizer sim a tudo. Significa assumir compromissos que possam ser cumpridos e ter maturidade para comunicar aquilo que não pode ser oferecido.

Se meu lápis falasse…

Se meu lápis falasse, acho que começaria me desmentindo.

Diria que muitas vezes eu não escrevi porque sabia o que queria dizer. Escrevi justamente porque não sabia.

Peguei o lápis para entender a saudade, o amor, o tempo, a tristeza, as pessoas que chegaram, as que partiram e algumas que continuam dentro da gente mesmo quando já não estão ao alcance das mãos.

Talvez ele dissesse que me viu procurar respostas onde ninguém costuma procurar.

Numa flor crescendo no mato.

Num passarinho que precisava voar.

Num jardineiro que aprendeu que amar não é prender a beleza perto de si, mas ajudá-la a florescer.

Num vidro transparente que parecia mostrar tudo e, justamente por isso, escondia aquilo que eu não queria enxergar.

Numa lua que resolveu trocar de lugar com o sol apenas para descobrir o que a noite sabia e o dia nunca contou.

Meu lápis sabe dessas coisas.

Sabe que já escrevi sobre tristeza como quem fala de uma flor fechada. Ela não morreu. Talvez só esteja protegendo suas pétalas enquanto espera outra estação.

Sabe também que desconfio dos sorrisos.

Nem todo sorriso conta a verdade.

Às vezes o rosto sério revela muito mais.

Mas também aprendi que sorrir não é desrespeitar a dor. Há dias em que o sorriso é justamente a maneira que encontramos de carregá-la.

Meu lápis me viu falar do tempo tantas vezes que talvez ele próprio já esteja ficando velho.

Mas não reclamo.

Continuo acreditando que, para quem ama a vida, o tempo não passa.

Passeia.

Passeia pelas lembranças, pelas casas, pelas pessoas, pelos cafés tomados devagar, pelas conversas que ficaram pela metade e até pelas palavras que não tivemos coragem de dizer na hora certa.

Algumas eu disse depois.

Escrevendo.

Talvez por isso eu escreva tanto sobre memória.

Tenho medo de que as coisas bonitas desapareçam apenas porque ninguém resolveu contá-las.

Um Jeep antigo não é somente um carro.

É alguém que sentou naquele banco.

Uma estrada percorrida.

Uma mão no volante.

Uma fotografia que talvez nem exista.

Uma história atravessando gerações.

Do mesmo jeito, uma flor não é somente uma flor.

Um passarinho nunca é apenas um passarinho.

Uma janela não é somente vidro.

E uma pessoa que amamos jamais é apenas uma pessoa.

Ela começa a morar nas pequenas coisas.

Em uma palavra.

Em uma música.

Num bolo de laranja.

Num café quentinho.

Num bom-dia.

Numa saudade.

Até numa letra do alfabeto.

Meu lápis sabe muito sobre amor.

Talvez mais do que eu.

Porque esteve comigo quando tentei explicar aquilo que não tem explicação.

Descobriu comigo que amar não é encontrar alguém para completar nossa vida.

É encontrar alguém com quem queremos dividir aquilo que já somos.

Até nossas partes tortas.

Principalmente elas.

Ele sabe que Simone apareceu muitas vezes nas minhas palavras.

Às vezes pelo nome.

Às vezes escondida numa flor, numa lembrança, numa personagem, numa manhã ou simplesmente naquele jeito estranho que o coração tem de escrever sobre alguém mesmo quando estamos tentando escrever sobre outra coisa.

Meu lápis também conhece a criança que fui.

Essa talvez seja a personagem que mais aparece nos meus textos sem assinar presença.

Está nos bichos que falam.

Nos passarinhos.

Nas abelhas.

Nas capivaras.

Nos gatos.

Nos cachorros.

Nas luas que mudam de lugar.

Nos relógios que gaguejam.

Nas coisas impossíveis que, quando colocadas no papel, passam a parecer perfeitamente razoáveis.

Demorei para perceber que crescer não era abandonar aquela criança.

Era finalmente conseguir segurar sua mão.

Talvez seja por isso que continuo inventando histórias.

Inventar não é fugir da realidade.

Às vezes é a maneira mais bonita de conseguir enxergá-la.

Meu lápis também sabe que gosto de plantar.

Nem sempre árvores.

Planto ideias.

Histórias.

Perguntas.

Afetos.

Algumas sementes nunca germinam.

Outras aparecem muito tempo depois, quando eu já havia esquecido onde as tinha colocado.

Aprendi com meus próprios personagens que não podemos arrancar toda flor bonita que encontramos e levá-la para o nosso jardim.

Algumas precisam permanecer exatamente onde nasceram.

Talvez nossa missão seja apenas parar, olhar e agradecer por elas terem tornado aquele pedaço do caminho mais bonito.

Depois seguimos.

Levando conosco uma semente.

E talvez seja isso que tenho feito todos esses anos.

Recolhendo sementes.

Uma aqui.

Outra ali.

Uma lembrança.

Uma pessoa.

Uma perda.

Uma alegria.

Um absurdo.

Uma gargalhada.

Uma saudade.

Depois sento diante de um papel e tento plantar tudo novamente.

Nem sempre nasce exatamente como aconteceu.

Ainda bem.

Porque literatura não é fotografia.

É memória depois que passou pelo coração.

Se meu lápis falasse, provavelmente contaria também dos papéis amassados.

Das frases riscadas.

Dos começos abandonados.

Das histórias que achei ruins.

Das ideias que chegaram de madrugada.

Talvez revelasse que muitas das palavras de que mais gosto nasceram quando eu não estava tentando escrever bonito.

Estava apenas tentando ser verdadeiro.

E acho que, no fim, foi isso que procurei em tudo que escrevi.

Não respostas.

Verdade.

Aquela verdade pequena que cabe numa flor.

Num café.

Num passarinho.

Num Jeep antigo.

Numa mulher de olhos azuis.

Na mão de uma criança.

Ou numa folha de papel esperando alguma coisa acontecer.

Hoje olho para o lápis sobre a mesa e penso que ele já sabe o que vou escrever antes de mim.

Talvez por isso fique ali quietinho.

Esperando.

Porque lápis não precisa falar.

Quem fala são as marcas que ele deixa.

E, pensando bem, talvez toda a minha escrita seja apenas isso:

um monte de pequenas marcas tentando provar que eu estive aqui.

Que amei.

Que senti.

Que errei.

Que ri.

Que tive saudade.

Que plantei algumas flores.

Que encontrei pessoas.

Que perdi outras.

Que continuei.

E que, apesar de tudo, achei a vida bonita.

Se meu lápis falasse, acho que no final ele diria apenas:

Ainda tem papel.

E eu entenderia.

Ainda tem vida.

Retomar um contato depois de uma proposta não deveria ser um exercício de insistência sem propósito. Quando não existe uma razão clara para a nova abordagem, a mensagem apenas transfere ao cliente a responsabilidade de movimentar uma negociação que o profissional deseja concluir. Um acompanhamento bem conduzido acrescenta informação, esclarece dúvidas, verifica mudanças de prioridade ou facilita o próximo passo. A persistência tem valor quando é acompanhada de relevância. O objetivo não é aparecer repetidamente, mas contribuir para que a decisão avance com mais clareza.

Bom dia !
Sigo em caminhos onde só o Senhor Deus pode me iluminar e me trazer coisas boas, pois ele é meu Deus e nada me faltará, tão grande es tu Senhor.
Que a sua fé continue sendo a sua maior luz e a certeza de que caminhos iluminados trazem paz e proteção ao coração. 


Ricardo Colares Viga

Relacionamentos profissionais sólidos não existem apenas enquanto produzem benefícios imediatos. Quando o contato se limita ao momento em que você precisa vender, solicitar ajuda ou obter acesso, a outra parte percebe que sua presença está condicionada à utilidade. Construir confiança exige continuidade, reciprocidade e interesse genuíno pelas necessidades alheias. Isso não elimina os objetivos comerciais; torna-os mais sustentáveis. Uma rede de contatos relevante não é uma coleção de pessoas disponíveis para atender às suas demandas, mas um conjunto de relações que amadurecem por meio de trocas consistentes.

Uma decisão aparentemente lógica pode produzir consequências ruins quando se apoia em informações incompletas. No ambiente comercial, interpretar o silêncio como desinteresse, a objeção como recusa definitiva ou a cordialidade como intenção de compra pode levar a conclusões precipitadas. A qualidade da análise depende tanto daquilo que foi identificado quanto daquilo que ainda permanece desconhecido. Antes de agir, reconheça as lacunas, investigue o que for relevante e diferencie fatos, hipóteses e suposições. A clareza começa quando você deixa de tratar o desconhecido como se já estivesse explicado.

Quem não consegue explicar com clareza o valor que entrega frequentemente aceita condições que comprometem sua sustentabilidade ou tenta competir exclusivamente pelo menor preço. Essa postura pode conquistar uma venda imediata, mas também estabelecer uma relação na qual o esforço aumenta enquanto a margem e o reconhecimento diminuem. Conhecer o próprio valor exige compreender custos, resultados, diferenciais e limites. Não se trata de cobrar mais por orgulho, mas de saber o que sua entrega justifica e quais acordos permitem manter a qualidade prometida.

GAÚCHO DE ENCICLOPÉDIA

Bem, sou gaúcho, sim.
Mas daqueles da cidade.
Meu cavalo, durante muitos anos, foi um Fusca. Não galopava grande coisa, mas também não precisava dar pasto. De vez em quando pedia gasolina, óleo e uma empurradinha. Coisa que muito cavalo também pediria, se entendesse de mecânica.
Bombacha?
Tenho.
Só que a minha tem zíper, cinco bolsos e o pessoal insiste em chamar de calça jeans.
Não fui criado apartando gado, levantando poeira em estrada de chão nem tomando mate antes de aprender a caminhar. Minha relação com vaca, na infância, era bastante urbana. Como dizia aquela velha brincadeira, eu sabia perfeitamente o que era uma vaca: um negócio quadradinho que ficava na geladeira. Tirava a tampa, virava e saía leite.
Pronto.
Especialista em pecuária.
Também não sei laçar. Se me entregarem um laço e uma vaca, é bem provável que a vaca fique tranquila e eu acabe amarrado numa árvore.
Mas chega setembro…
Ah, setembro é uma covardia com o coração da gente.
Basta ouvir os primeiros acordes de uma música gaúcha e alguma coisa muda de lugar aqui dentro. Aparece um campo que talvez eu nunca tenha atravessado a cavalo. Um galpão onde talvez eu nunca tenha dormido. Um fogo de chão que conheço mais da poesia do que da lida.
E não importa.
Porque pertencimento também pode morar na imaginação.
Quando vejo a bandeira do Rio Grande tremulando, meu peito cresce uns dois centímetros. Quando toca o Hino Rio-Grandense, cresce mais uns três. Se continuar tocando, daqui a pouco estou precisando mandar alargar a camisa.
E olha que torço por futebol.
Mas há uma diferença.
Time a gente escolhe.
O Rio Grande parece que escolhe a gente.
Está no jeito de falar, no “bah” que resolve uma conversa inteira, no “capaz” que pode significar umas quinze coisas diferentes, no exagero discreto de quem afirma que aqui faz o maior frio do mundo enquanto toma cerveja gelada.
Está no chimarrão que circula, na mesa que sempre dá lugar para mais um, na saudade que o gaúcho sente até daquilo que ainda não terminou.
Por isso não vou fingir que sou homem de estância.
Não sou.
Sou gaúcho de asfalto.
Gaúcho de Fusca.
Gaúcho de bombacha jeans.
Gaúcho que conheceu a vaca pela caixinha de leite e o cavalo muito mais pelos livros do que pela sela.
Talvez seja, como gosto de dizer, um gaúcho de enciclopédia.
Mas experimente tocar uma gaita.
Mostre um campo verde se perdendo no horizonte.
Levante a bandeira.
Cante o hino.
E depois venha me dizer que sou menos gaúcho.
Porque há coisas que a gente aprende.
Outras, a gente herda.
E algumas simplesmente aparecem dentro do peito sem pedir licença.
O meu Rio Grande é assim.
Talvez eu não saiba encilhar um cavalo.
Mas sei perfeitamente onde ele galopa.
Aqui dentro.

O resultado de uma negociação é influenciado por decisões tomadas muito antes de as partes se sentarem à mesa. Conhecer o contexto, compreender os interesses envolvidos, identificar alternativas e estabelecer limites evita que a pressão do momento determine suas escolhas. Quem chega despreparado tende a improvisar justamente quando precisa de clareza. Preparar-se não significa controlar todas as variáveis, mas reduzir a dependência da sorte e ampliar a capacidade de responder com inteligência ao que surgir.

Fazer um trabalho de qualidade é indispensável, mas não garante que outras pessoas compreendam sua relevância. Quando os benefícios permanecem indefinidos, o cliente pode comparar propostas apenas pelo preço, sem perceber as diferenças de método, segurança, resultado ou continuidade. Isso não significa exagerar promessas ou fabricar superioridade. Significa tornar o valor concreto, relacionando sua entrega ao problema que resolve e às consequências que produz. A competência cria valor; a comunicação clara permite que esse valor seja reconhecido e considerado em uma decisão.

Um plano pode parecer perfeito enquanto permanece no papel. É durante a execução que surgem limitações, mudanças de cenário, respostas inesperadas e informações que não estavam disponíveis no início. O erro não está em precisar ajustar a rota, mas em confundir planejamento com previsão infalível. Estratégia exige direção, critérios de avaliação e disposição para corrigir o percurso quando as evidências indicam essa necessidade. A disciplina não consiste em obedecer cegamente ao plano original, e sim em preservar o objetivo sem ignorar aquilo que a realidade ensina.

DE MÃOS DADAS

Caminhar de mãos dadas com alguém nunca é apenas um passeio.

É uma escolha.

É dizer, sem precisar dizer, que por algum tempo, ou quem sabe por toda a vida, dois caminhos decidiram seguir na mesma direção.

Uma mão segurando a outra parece tão pouco.

Mas é tanto.

É apoio quando o pé tropeça.

É força quando o cansaço chega.

É coragem quando aparece uma subida daquelas que fazem a gente pensar se vale a pena continuar.

E vale.

Principalmente quando, ao esticar a mão, encontramos outra esperando pela nossa.

Talvez um dos maiores privilégios da vida seja este: dividir o esforço para multiplicar as conquistas.

Chegar juntos.

Olhar para trás e perceber que algumas distâncias só foram possíveis porque ninguém precisou percorrê-las sozinho.

Andar de mãos dadas também é andar perto.

Perto o suficiente para conversar.

Perto o suficiente para ficar em silêncio.

Perto o suficiente para entender que existem dias em que o outro quer falar e dias em que só precisa de alguém ali.

Sem perguntas.

Sem respostas.

Só ali.

É dizer o que sente e como sente.

Contar os sonhos, até aqueles meio bobos.

Perguntar o que o outro sonha também.

É fazer planos sabendo que a vida adora mudar os mapas.

E, se um dia for preciso trocar de direção, conversar.

Se for preciso diminuir o passo, esperar.

Se for preciso parar, sentar um pouquinho.

Porque amor não é chegar primeiro.

É não deixar para trás quem escolheu caminhar com você.

Haverá tropeços.

Haverá cansaço.

Talvez existam dias em que uma das mãos esteja triste demais até para apertar a outra.

Nesses dias, basta não soltar.

Porque amar também é isso.

Não ter todas as respostas.

Não saber exatamente onde o caminho vai dar.

Mas olhar para o lado e encontrar alguém que continua ali.

Talvez seja por isso que gosto tanto da imagem de duas pessoas caminhando de mãos dadas.

Porque as mãos contam histórias.

Elas acolhem.

Protegem.

Pedem desculpas.

Fazem carinho.

Chamam para perto.

E, algumas vezes, dizem “fica” sem pronunciar uma única palavra.

De mãos dadas você sabe que não está só.

Você sente.

No calor daquela mão.

No compasso dos passos.

Na delicadeza de alguém diminuir o ritmo para acompanhar o seu.

E, se prestar bastante atenção, talvez consiga sentir através dos dedos aquilo que os olhos nem sempre conseguem explicar.

As batidas do coração de alguém que, entre tantos caminhos e tantas mãos que poderia ter escolhido, encontrou justamente a sua.

Segurou.

E decidiu caminhar ao teu lado.

Sem saber exatamente até onde.

Mas desejando, com todo amor, que seja longe.

Bem longe.

André Saut

Quando alguém questiona uma proposta, hesita diante de uma decisão ou demonstra desconforto, a reação automática pode ser insistir em argumentos mais fortes. Entretanto, a resistência pode indicar falta de confiança, prioridade insuficiente, risco percebido ou simplesmente uma necessidade que ainda não foi compreendida. Tratar todas essas situações como barreiras a derrubar transforma a conversa em confronto e reduz a possibilidade de diagnóstico. Em vez de pressionar imediatamente, descubra o que sustenta a hesitação. Compreender a causa costuma ser mais útil do que combater o sintoma.

A maneira como você cumpre compromissos, administra conflitos e responde quando algo dá errado forma uma percepção que ultrapassa cada interação individual. Com o tempo, essa percepção influencia indicações, parcerias, oportunidades e o nível de confiança que outras pessoas depositam em você. Reputação não se constrói apenas com visibilidade ou discursos sobre excelência; ela depende da repetição de comportamentos que confirmam credibilidade. Cada entrega participa dessa construção, inclusive aquelas que parecem pequenas demais para serem lembradas.

A experiência acumulada oferece referências valiosas, mas pode criar a impressão perigosa de que situações semelhantes terão necessariamente o mesmo desfecho. O profissional confiante demais deixa de verificar detalhes, ignora sinais contraditórios e interpreta alertas como obstáculos menores. É assim que a competência passada se transforma em vulnerabilidade presente. Continue confiando no que aprendeu, mas preserve a disposição de revisar suas hipóteses. A experiência deve aperfeiçoar sua leitura da realidade, nunca substituir a realidade por aquilo que você espera encontrar.

Decidir rapidamente pode parecer sinal de competência, mas a velocidade perde valor quando se apoia em premissas frágeis. Em negociações, relacionamentos profissionais e escolhas estratégicas, uma pergunta bem formulada pode revelar informações que alteram completamente a interpretação inicial. Em vez de reagir imediatamente ao primeiro sinal, investigue o que ainda não foi esclarecido, quais interesses estão envolvidos e que evidências sustentam sua conclusão. A inteligência não consiste em ter uma resposta para tudo, mas em saber o que precisa ser perguntado antes de responder.

Uma apresentação comercial pode ser tecnicamente impecável e, ainda assim, fracassar por ignorar a realidade de quem a recebe. O profissional que se apaixona pela própria solução tende a interpretar toda resistência como falta de compreensão do cliente. Entretanto, a proposta só adquire valor quando responde a uma necessidade relevante, dentro das condições e prioridades daquela pessoa ou organização. Antes de defender o que oferece, compreenda o problema que precisa ser resolvido. Vender exige abandonar o centro da conversa

Se eu acredito em fadas?

Ah, acredito! Acredito em fadas, bruxas, feiticeiras e outras criaturas encantadas que fui conhecendo nesta minha vida de curioso. Algumas tinham poderes extraordinários. Outras, nem tanto. Mas todas sabiam fazer coisas que até hoje a ciência não conseguiu explicar direito.

Conheci várias. E posso garantir que os livros de histórias não contam nem a metade do que elas são capazes de fazer.

Lembro de uma vez em que fiquei muito rouco, gripado, com a garganta parecendo uma estrada de chão em agosto. Apareceu uma feiticeira com um chá de guaco. Tinha um cheiro esquisito, uma cor suspeita e, segundo ela, curava qualquer coisa. Tomei. Não sei se foi o guaco, o mel ou o carinho com que ela segurava a xícara, mas melhorei. E, para dizer a verdade, gostei tanto daquele chá que até hoje desconfio que o ingrediente mais importante não estava na receita.

Outra vez, uma bruxa bem gordinha, dessas que parecem ter sido feitas especialmente para abraçar, percebeu uma tristeza que eu nem sabia explicar. Não perguntou nada. Apenas me puxou para perto, ajeitou meus cabelos e deu um beijo na minha testa. Pronto. A angústia desapareceu. Sem consulta, sem receita, sem precisar marcar retorno. Uma medicina que a ciência deveria estudar com mais carinho.

Mas havia uma fada especialmente poderosa.

Essa não tinha asas, pelo menos nunca vi. Tinha um sorriso capaz de iluminar a casa inteira e uma cara braba que fazia até o relógio andar mais depressa. Sua varinha mágica era um chinelo. E que varinha! Bastava levantá-lo e, misteriosamente, eu descobria uma vontade enorme de ir para a aula, tomar banho, guardar os brinquedos e até comer verduras. Tudo aquilo que, segundos antes, eu jurava não querer fazer.

Era uma criatura de poderes impressionantes. Encontrava objetos que eu havia procurado durante horas, sabia quando eu estava mentindo antes mesmo de terminar a mentira e conseguia adivinhar que eu estava com fome só de olhar para minha cara.

E tinha mais. Quando eu caía, ela soprava o machucado. Quando eu tinha medo, segurava minha mão. Quando o mundo parecia grande demais, ela me abraçava e, de repente, o mundo ficava do tamanho certo.

Nunca entendi como conseguia.

O curioso é que nenhuma dessas criaturas usava chapéu pontudo, voava de vassoura ou precisava pronunciar palavras em latim. Suas magias eram muito mais simples. Moravam nas mãos, nos olhos, nos abraços e naquela mania de cuidar da gente, mesmo quando a gente insistia que não precisava.

Com o tempo fui crescendo e descobrindo que o mundo tem muito mais magia do que imaginamos. Só que os adultos, ocupados demais tentando explicar tudo, acabam desaprendendo a enxergar.

Eu não.

Continuo acreditando em fadas, bruxas e feiticeiras. Algumas já partiram para outros reinos, mas deixaram seus encantamentos espalhados pela minha vida. Basta sentir o cheiro de um chá, lembrar de um beijo na testa ou ouvir, na memória, o barulho de um chinelo arrastando pelo corredor para que todas voltem por alguns instantes.

E se alguém ainda duvida da existência dessas criaturas, posso revelar um segredo que levei muitos anos para descobrir.

Elas existem, sim. E têm outros nomes.

A gente chama de mãe, vó, nona, avó…

Algumas, quando a vida é especialmente generosa, também atendem pelo nome de amor.

E pensar que passei a infância procurando fadas nos livros, bruxas nas florestas e feiticeiras nos contos.

Quando, na verdade, elas estavam todas na cozinha.

Uma fazendo chá, outra preparando o almoço e uma terceira procurando o chinelo.

E todas, absolutamente todas, fazendo a mesma magia.

Cuidando de mim.

Hoje, quando alguém pergunta se acredito em fadas, respondo que sim.

Só tenho uma dúvida que me acompanha desde menino.

Se minha mãe era uma fada, por que a varinha mágica dela era um chinelo?

andre saut

Existe uma diferença entre demonstrar competência e tentar convencer todos, a qualquer custo, de que você é competente. A segunda postura frequentemente produz discursos excessivos, promessas desnecessárias e decisões orientadas pela necessidade de aprovação. A autoridade profissional se fortalece quando há coerência entre conhecimento, comportamento e entrega. Você não precisa transformar cada conversa em uma demonstração de superioridade. Precisa construir uma trajetória na qual suas ações sustentem aquilo que suas palavras afirmam.

Muitas oportunidades passam despercebidas porque não correspondem àquilo que alguém esperava encontrar. Uma necessidade mal atendida, uma mudança de comportamento ou uma dificuldade recorrente podem revelar possibilidades que outros ainda não perceberam. Desenvolver visão estratégica exige observar o que está mudando ao redor, investigar os sinais e compreender suas consequências. Quem procura apenas oportunidades evidentes disputa o que todos enxergam; quem aprende a interpretar o ambiente pode reconhecer valor antes que ele se torne óbvio.

“Nenhuma conquista material compensa um ambiente sem respeito, sem confiança e com ódio”