Pensamentos Mais Recentes

Estela, assim como o seu nome, passou como uma estrela sobre mim.
Deixando a lembrança do seu brilho e a saudade da sua beleza.


Queria poder sorrir como antes, ser o Eu de antes, mas já não vive mais em mim.
Assim como você partiu, junto uma parte minha também se partiu.
Nunca mais serei a mesma.


Agora me sinto solitário, vazia
Com uma dor permanente,
As lembranças figuram em minha mente,
E o que antes me gerava alegria, agora são colhidas como dor.

Deixa que a Palavra de Deus sustente a tua Fé. Assim, quanto mais conhecemos Aquele em quem cremos, mais inabaláveis nos tornamos, pois Aquele que está em nós é infinitamente Maior do que tudo o que está no mundo.

O “sim” dito por medo é o “não” que você impõe a si mesma.

Quando as rosas se abrem ao sol, as estações mudam dentro de nós: a leveza se despede, e a vida passa a pulsar com peso e intensidade.

​"A essência da minha existência fundamenta-se em Cristo. Através do Senhor, conheci a Verdade, e essa revelação permitiu-me aprofundar meu conhecimento e amor por Ele. Jesus Cristo é o meu sustento vital, o lírio que traz pureza ao lar e a esperança de salvação para o mundo."

A dor do fracasso é remediada com o tempo,
Já a dor do arrependimento, persegue a vida inteira.

A laicidade do Estado Brasileiro
deve ser defendida com unhas e dentes,
ou a nossa Constituição acabará desunhada e desdentada.
✍©️@MiriamDaCosta

“Aquilo que não é trazido à consciência, retorna como destino.”
— C. G. Jung.

Esse pensamento nos convida a olhar com coragem para o território invisível da alma. O que evitamos sentir, compreender ou nomear não desaparece; apenas se desloca para um plano mais profundo, onde passa a nos conduzir sem que percebamos. O destino, nesse sentido, não é uma força cega que nos domina de fora, mas a repetição silenciosa do que ficou sem luz dentro de nós.

Quando a consciência se ausenta, padrões se formam. Repetimos escolhas, relações e sofrimentos como se fossem inevitáveis, quando na verdade são mensagens insistentes daquilo que pede reconhecimento. O inconsciente fala por símbolos, por acontecimentos, por encontros que se repetem até que aprendamos a escutar. O destino se torna, então, um mestre severo: ensina pela dor o que poderia ter sido aprendido pela atenção.

Trazer algo à consciência não significa julgá-lo ou eliminá-lo, mas acolhê-lo com lucidez. É permitir que a sombra seja vista, integrada e transformada. Nesse processo, o que antes nos governava às escondidas passa a dialogar conosco. A liberdade nasce justamente aí: quando deixamos de ser movidos pelo automático e começamos a escolher com presença.

Refletir sobre essa frase é aceitar uma responsabilidade profunda pela própria vida interior. O caminho da consciência é exigente, mas libertador. Quanto mais luz lançamos sobre nós mesmos, menos o destino precisa gritar. E o que antes parecia fatalidade revela-se, pouco a pouco, como convite à transformação.

Inserida por roma_benassi

Antes de ir à igreja, ao templo ou ao terreiro, é preciso ir a si mesmo. Nenhum espaço sagrado substitui a presença interior, nenhuma liturgia compensa a ausência de consciência. Os lugares são símbolos; o ser é a realidade viva. Quando o homem não se encontra por dentro, carrega o vazio consigo, mesmo atravessando portas consagradas.

O impacto no mundo não nasce do lugar que se frequenta, mas da qualidade do ser que se manifesta. A igreja que transforma é aquela que anda, fala, escolhe e ama através de quem a carrega no coração. O templo verdadeiro é construído nas atitudes diárias, na ética silenciosa, no respeito ao outro e na coerência entre fé e vida. O terreiro mais poderoso é aquele onde o espírito está alinhado com a verdade que professa.

Buscar o sagrado fora sem cultivá-lo dentro é inverter o caminho. O divino não habita paredes, mas consciências despertas. Quando o indivíduo se torna oração em gesto, canto em ação e oferenda em presença, então qualquer lugar se torna santo. Assim, o mundo é impactado não por onde se vai, mas por quem se escolhe ser.

Os homens, limitados pelo olhar imediato, julgam pelo que é visível: cargos, gestos, palavras bem ensaiadas e rituais cumpridos. O valor do serviço, para eles, costuma medir-se pela forma, pela aparência e pelo reconhecimento público. No entanto, esse olhar não alcança o que verdadeiramente sustenta a ação: a intenção que a move.

Deus, por sua vez, não se detém na superfície. Seu olhar atravessa o ato e repousa no coração de quem o realiza. Um serviço simples, feito com amor e verdade, pesa mais do que grandes obras vazias de sentido. Onde há sinceridade, humildade e entrega, ali o serviço se torna sagrado, ainda que invisível aos olhos do mundo.

Essa diferença de olhares convida à autenticidade. Servir não é representar um papel, mas expressar quem se é. Quando o coração está alinhado com o bem, o gesto mais pequeno torna-se eterno. Assim, não se trata de parecer justo, mas de ser íntegro; não de impressionar os homens, mas de responder, em silêncio e verdade, ao olhar que vê tudo por dentro.

A prece de Cáritas não se eleva em gritos nem se impõe em promessas; ela se derrama como um rio manso que sabe aonde vai. Sua beleza está na simplicidade que desarma o ego e na profundidade que educa a alma. Ao pronunciá-la, o ser humano deixa de pedir para ser poupado da vida e passa a pedir para ser digno dela.

Cáritas ensina que o verdadeiro auxílio divino não é a retirada das dores, mas a ampliação da consciência. Cada palavra da prece parece recordar que nada nos pertence de forma absoluta: nem o corpo, nem o tempo, nem as certezas. Tudo é empréstimo sagrado, e a gratidão surge quando compreendemos que até as provas carregam lições silenciosas, moldando o caráter e despertando o amor que ainda não sabíamos possuir.

Há nessa oração uma pedagogia espiritual profunda: aceitar o que não pode ser mudado, agir com retidão diante do que pode ser transformado e confiar quando a razão se esgota. Ela não incentiva a passividade, mas a serenidade ativa aquela que trabalha no bem sem revolta, que sofre sem ódio e que serve sem esperar reconhecimento.

A prece de Cáritas também nos chama à fraternidade real, não idealizada. Ela nos lembra que a dor do outro não é um espetáculo distante, mas um espelho possível do nosso próprio caminho. Ao pedir forças para suportar e aprender, o orante se compromete, ainda que silenciosamente, a não ser instrumento de sofrimento, mas de consolo, equilíbrio e luz.

No fim, essa prece é um exercício de alinhamento interior. Ela recoloca o ser humano em seu lugar justo no universo: nem centro de tudo, nem abandonado ao acaso. Apenas um viajante consciente, sustentado pela confiança, caminhando entre quedas e elevações, certo de que toda experiência, quando atravessada com amor, se transforma em sabedoria.

O desejo de ser mestre é, muitas vezes, o desejo de reconhecimento. Mas a verdadeira maestria não nasce da busca por aplausos; nasce da disposição sincera de aprender. Quem deseja ensinar antes de aprender constrói sobre terreno frágil. Já quem aceita ser aprendiz constrói sobre a rocha da experiência e da humildade.

Ser aprendiz é admitir que não se sabe tudo. É reconhecer limites sem perder a dignidade. A humildade não diminui o homem; ao contrário, amplia sua capacidade de crescer. O humilde observa, escuta, pergunta, reflete. Ele entende que cada erro é uma lição disfarçada e que cada pessoa pode se tornar um mestre em algum aspecto da vida.

Santo Agostinho, mesmo sendo um dos maiores pensadores do cristianismo, jamais deixou de se considerar um buscador da verdade. Sua grandeza estava justamente na consciência de que o conhecimento humano é sempre parcial diante da vastidão do mistério. A verdadeira autoridade nasce da experiência vivida, da coerência entre palavra e prática, e não da imposição.

O grande mestre é aquele que nunca abandona o espírito de aprendiz. Ele ensina porque continua aprendendo; orienta porque continua se deixando orientar pela vida. Assim, o caminho para a grandeza não começa no topo, mas na base — no silêncio da escuta, na disciplina do estudo e na coragem de reconhecer que ainda há muito a descobrir.

Há uma sabedoria antiga escondida no silêncio. Quando começamos a colocar a vida em ordem, estamos realizando um movimento sagrado: estamos reorganizando não apenas tarefas e compromissos, mas emoções, escolhas, prioridades e até a própria identidade. Esse processo é íntimo. Ele acontece primeiro dentro, no território invisível da consciência. Torná-lo espetáculo pode enfraquecer sua força.

O silêncio não é medo; é maturidade. Ele protege o que ainda está germinando. Assim como a semente cresce debaixo da terra antes de romper o solo, nossos projetos e transformações precisam de recolhimento. Quando falamos demais sobre o que ainda está em construção, abrimos espaço para opiniões, invejas e energias desalinhadas que podem nos desestabilizar. Nem todos torcem por nós — e isso não é motivo de ressentimento, mas de lucidez.

Existe também uma dimensão espiritual nesse recolhimento. O silêncio nos conecta com a disciplina interior. Ele nos ensina a agir mais e anunciar menos. Quem verdadeiramente evolui não precisa provar nada; os frutos falarão por si. O barulho costuma ser a necessidade do ego de validação; o silêncio é a confiança da alma em seu próprio caminho.

Além disso, quando guardamos nossos processos, aprendemos a depender menos da aprovação externa. Crescer em silêncio fortalece a autonomia emocional. A proteção não está apenas em esconder planos, mas em preservar energia. Cada palavra dita é energia dispersa; cada silêncio consciente é energia concentrada.

Portanto, colocar a vida em ordem em silêncio é um ato de estratégia e também de sabedoria espiritual. É compreender que o verdadeiro reconhecimento não vem do anúncio, mas da transformação real. Quando os resultados aparecerem, não precisarão de explicação — serão evidentes. E quem torce por você continuará ao seu lado, mesmo sem ter sido informado de cada passo do caminho.

A preguiça mental de leitura não é simplesmente falta de vontade; muitas vezes é um sintoma do nosso tempo. Vivemos na era da velocidade, dos estímulos constantes, das informações fragmentadas. A mente acostuma-se ao imediato, ao superficial, ao que exige pouco esforço e oferece recompensa rápida. Ler profundamente, porém, exige silêncio interior, disciplina e entrega e isso, para muitos, tornou-se um desafio.

A leitura é um ato de humildade. Quando lemos, reconhecemos que não sabemos tudo. Abrimo-nos para o pensamento do outro, permitimos que novas ideias nos desinstalem. A preguiça mental, por sua vez, nasce do conforto. É mais fácil permanecer nas próprias opiniões do que confrontá-las. É mais simples repetir frases prontas do que refletir criticamente.

Mas o aprimoramento pessoal nunca foi fruto da acomodação. Desde a antiguidade, filósofos como Santo Agostinho ensinavam que o crescimento interior exige esforço consciente. Ele buscava nas leituras e na meditação não apenas conhecimento, mas transformação da alma. Ler, nesse sentido, não é acumular informações é permitir que o pensamento se torne mais profundo, mais lúcido, mais consciente.

A dificuldade de aprimoramento surge quando queremos resultados sem processo. Queremos sabedoria sem estudo, clareza sem reflexão, expansão sem disciplina. Porém, a mente é como um músculo: se não for exercitada, atrofia-se; se for desafiada com constância, fortalece-se.

A preguiça mental também pode esconder medo. Medo de descobrir que precisamos mudar. Medo de abandonar crenças antigas. Medo de crescer. Porque crescer implica responsabilidade.

O aprimoramento começa com pequenos gestos:
* Ler algumas páginas por dia.
* Refletir sobre o que foi lido.
* Anotar ideias.
* Questionar-se.
Não é a quantidade que transforma, mas a constância.

A leitura disciplinada expande horizontes, melhora a linguagem, organiza o pensamento e fortalece o discernimento. Ela nos tira do automático e nos coloca no campo da consciência. E consciência é liberdade.

Superar a preguiça mental não é lutar contra si mesmo, mas compreender-se. Perguntar: por que resisto? O que evito? O que temo descobrir? Quando a leitura deixa de ser obrigação e passa a ser ferramenta de autoconhecimento, ela se torna prazerosa.

A obra O Homem e seus Símbolos, de Carl Gustav Jung, não é apenas um estudo psicológico, é um chamado ao despertar da consciência. Jung nos ensina que o maior desconhecido do homem não é o universo exterior, mas o universo interior.

Vivemos em uma época que valoriza o que é visível, mensurável e racional. Contudo, Jung revela que a psique humana é tecida por símbolos imagens que brotam dos sonhos, dos mitos, das religiões e até das experiências cotidianas. O símbolo não é fantasia; é linguagem da alma. Ele expressa aquilo que a razão ainda não consegue traduzir.

O homem que perdeu o diálogo com o invisível:
Quando o ser humano deixa de prestar atenção aos seus sonhos, ele perde o diálogo com o inconsciente. E ao perder esse diálogo, torna-se fragmentado. Jung ensina que o inconsciente não é inimigo; ele é complementar.

Assim como o dia precisa da noite, a consciência precisa do inconsciente. Negar essa dimensão é como tentar viver apenas com metade da própria alma.
Quantas decisões tomamos sem saber por quê?

Quantas reações exageradas revelam feridas não reconhecidas?
Jung nos ensina que aquilo que ignoramos em nós ganha força. O que não é iluminado, governa.

A sombra: o mestre oculto:
Entre os ensinamentos mais profundos está o conceito da Sombra. A sombra não é maldade pura; é tudo aquilo que recusamos aceitar em nós. Medos, invejas, desejos, fragilidades.
O problema não é possuir sombra todo ser humano possui. O problema é projetá-la no mundo.

Quando acusamos o outro com intensidade desproporcional, muitas vezes estamos enxergando nele o que reprimimos em nós. A verdadeira transformação começa quando temos coragem de dizer:
“Isso também vive dentro de mim.”
Esse reconhecimento não nos diminui nos torna inteiros.

Individuação: tornar-se quem se é
Jung ensina que o objetivo da vida psíquica é a individuação: o processo de integrar todas as partes do ser. Não se trata de perfeição, mas de totalidade.

A individuação exige:
enfrentar a própria sombra,
reconhecer o feminino e o masculino interior,
dialogar com os símbolos da própria história.
É um caminho de maturidade espiritual.
É sair da superficialidade e assumir a responsabilidade pelo próprio crescimento.
O símbolo como caminho espiritual.

Mesmo sem propor religião, Jung abre uma dimensão profundamente espiritual. Ele mostra que o ser humano precisa de significado. Quando os símbolos religiosos são esvaziados, surgem substitutos: ideologias, fanatismos, idolatrias modernas.
O símbolo saudável eleva.
O símbolo inconsciente domina.
Por isso, o autoconhecimento não é luxo intelectual é necessidade ética.

“O Homem e seus Símbolos” nos ensina que a alma fala.
Ela fala nos sonhos.
Fala nas emoções intensas.
Fala nos conflitos repetidos.
Ignorá-la é adoecer.
Escutá-la é amadurecer.
A grande lição é simples e profunda:
O ser humano não é apenas aquilo que pensa ser. Ele é também aquilo que teme, deseja, reprime e sonha.

E talvez o ensinamento mais transformador seja este:
Quem aprende a dialogar com seus símbolos deixa de ser vítima do próprio inconsciente e passa a ser autor da própria história.

A existência humana lembra muito a travessia descrita por Søren Kierkegaard, que dizia que a vida só pode ser compreendida olhando para trás, mas precisa ser vivida olhando para frente. Cada pedra no caminho não é apenas obstáculo é estrutura. É fundamento. É aquilo que, ao ser superado, fortalece a musculatura da alma.

As dificuldades são provas não no sentido punitivo, mas pedagógico. Assim como ensinava Friedrich Nietzsche: “Aquilo que não me destrói me fortalece.” A dor, quando não nos quebra, nos amplia. Ela revela nossas fragilidades, mas também nossas reservas ocultas de coragem.

As decepções, por sua vez, são rupturas de expectativa e expectativa é uma construção do ego. Quando a realidade não corresponde ao que imaginamos, sentimos frustração. Mas é nesse exato ponto que nasce o recomeço. Recomeçar não é voltar ao início; é voltar mais consciente.

A metáfora da vírgula é especialmente poderosa. Uma vírgula não encerra a frase — ela cria pausa, respiro, continuidade. Assim também são os momentos difíceis: não são pontos finais, são suspensões que nos convidam a reorganizar o sentido da narrativa. Um erro pode se tornar aprendizado. Uma perda pode se tornar sabedoria. Uma queda pode se tornar direção.

Como ensinava Santo Agostinho, “Deus escreve certo por linhas que parecem tortas.” Muitas vezes, o que chamamos de desordem é apenas um capítulo ainda não compreendido.

A vida não é apenas o que nos acontece é, sobretudo, o que escolhemos fazer com o que nos acontece. As atitudes são a caneta com a qual reescrevemos a própria história. Não podemos apagar os capítulos anteriores, mas podemos decidir como continuar a narrativa.

Você tem tratado suas pedras como pesos ou como degraus?
Suas vírgulas têm sido pausas conscientes ou lamentos prolongados?
Talvez a grande sabedoria seja compreender que cada dificuldade carrega, silenciosamente, a semente de uma versão mais lúcida de nós mesmos.
E enquanto houver vírgula, há possibilidade.

Menos pressa, mais presença: a arte de escrever à mão. ✍️

Você já ouviu falar em escrita terapêutica? Para mim, meu caderno é muito mais que papel; é meu refúgio diário.

Nesta foto, compartilho um pouco da minha própria caligrafia para ilustrar algo fascinante: a Conexão Mão-Cérebro. 🧠

Estudos mostram que o ato físico de deslizar a caneta ativa áreas do cérebro ligadas à memória e ao processamento emocional que o teclado simplesmente não alcança. 

Escrever à mão é dar ritmo aos pensamentos e permissão para o sentir.

Se você ainda não tem o seu caderno, fica aqui o meu convite: comece hoje mesmo! 😉

Lu Lena / 2026

Inserida por Lulena

O amor não começa com um encontro.
Começa antes —
como a luz das estrelas que já morreram
e ainda assim nos alcança.

É uma física invisível,
uma gravidade que inclina os destinos
sem pedir licença às órbitas.
Dois corpos caminhando distraídos
e, de repente,
o universo resolve aproximá-los.

Não é incêndio —
é brasa que aprende o nome do vento.
Não é tempestade —
é maré que entende a lua
e sobe, paciente, pela areia do outro.

Amar é deslocar o eixo do mundo
sem que o mundo perceba.
É dividir o pão e, sem alarde,
dividir também o medo.
É tocar a mão alheia
como quem segura a própria queda.

O amor é um idioma que se conjuga
no plural do futuro:
“nós seremos”.
Mas também é arqueologia —
escava as ruínas da infância,
beija as rachaduras da memória
e transforma cacos em vitrais.

Não há ciência que explique
por que um olhar atravessa
como se abrisse portas antigas.
Nem por que um nome, dito baixo,
possa reorganizar a anatomia do dia.

O amor é um risco.
E ainda assim,
é o único risco
que nos escreve.

Ele exige coragem de mar aberto:
a coragem de não ser ilha,
de permitir que outro continente
encoste em nossa costa
e mude o desenho dos mapas.

Há quem o confunda com posse —
mas o amor não aprisiona:
ele sustenta.
Não amarra:
ancora.

Amar é aceitar
que o outro é mistério
e ainda assim escolher ficar.
É compreender que nenhuma pele
abriga o infinito,
mas que, juntos,
podemos tocá-lo.

E quando o tempo —
esse escultor implacável —
esculpir rugas na face do mundo,
o amor permanecerá
como um fio invisível
costurando dois silêncios
num só respiro.

Porque no fim,
quando todas as palavras forem insuficientes
e toda a glória for pó,
restará o gesto simples:

uma mão procurando outra
na escuridão —

e encontrando.

⁠A Sentença
Este não é um poema.
É o meu último relato antes de atravessar a porta do júri.
Antes de entrar em uma audiência, eu acreditava que tudo ali dentro era quase uma “mil maravilhas”. Eu imaginava técnica, ordem, respostas. Mas a realidade surpreende — e assusta. Logo nas primeiras audiências, sentado em silêncio, ouvindo relatos que não cabem em atas, percebi a quantidade de crimes, de histórias quebradas, de vidas atravessadas pela dor que passam por aquele espaço. E nenhuma delas sai ilesa.
O ser humano não é algo simples. Eu aprendi isso ali, observando pessoas que, fora daquele ambiente, poderiam estar numa fila de mercado ou sentadas à mesa de casa. Ele não foi feito para existir sozinho, mas como um conjunto, uma união que, em teoria, jamais deveria se separar. Ainda assim, é justamente nessa fragilidade — nessa dependência do outro — que surgem os conflitos mais profundos.
Um crime, quando acontece, é imprevisível. Nem sempre nasce de grandes planos ou intenções claras. Às vezes, começa pequeno demais para ser percebido: uma mensagem lida fora de hora, uma palavra atravessada, um silêncio mal interpretado. Para alguém, aquilo já é suficiente para acionar o ódio, a violência, o crime. O que parece insignificante para quem observa de fora pode ser insuportável para quem vive por dentro.
O ser humano tem o dom da discórdia. Fala o que vem, sem medir consequências. E quando percebe o efeito da própria palavra, muitas vezes já é tarde. O que para uns é irrelevante, para outros atinge em cheio. É nesse choque de percepções que nasce a brecha — uma brecha concreta, real — que rompe o indivíduo e o coloca em conflito direto com a sociedade.
Agora, diante do júri, tudo se reduz ao essencial. Já não importam discursos longos nem teorias distantes. O ser humano carrega em si uma fratura permanente: o desejo de pertencer e a incapacidade de suportar o outro. Dentro dessa fissura nascem o medo, a raiva e o impulso que antecede o ato. Não é o crime que chega primeiro, é o colapso interno — silencioso, gradual, muitas vezes invisível.
Cada consciência que entra naquele plenário trava uma guerra silenciosa entre aquilo que sabe ser justo e aquilo que não consegue controlar. Cruzo essa porta consciente de que a justiça verdadeira não começa no veredito. Ela começa no instante em que o ser humano tem coragem de encarar as próprias sombras — e admitir que, sem esse confronto íntimo, toda sentença é incompleta.

A corte dos espelhos turvos

Há colegas que vestem ternos de bruma
e caminham pelos corredores como sinos ocos —
anunciam meu nome ao vento
não para celebrá-lo,
mas para que o eco me fira.

São jardineiros de inverno:
regam o chão com denúncias
e colhem suspeitas.
Sorriem com a boca em lua minguante
enquanto afiam silêncios nas gavetas.
Não me apreciam —
apreciam o ruído da queda.

Há mestres que carregam livros
como se fossem cetros,
mas esqueceram o verbo ensinar
no fundo de uma gaveta antiga.
Erguem muros com a gramática
e me deixam do lado de fora
como se minha diferença
fosse erro de concordância.

Não me respeitam.
Chamam de desvio o que é constelação.
Ignoram que meu pensamento
é rio subterrâneo —
corre em mapas que eles não estudaram.

E os chefes —
ah, os chefes —
prometem portos com voz de farol
mas apagam a lâmpada antes da travessia.
Deixam-me a ver navios
que nunca foram meus,
apenas miragens costuradas
com fios de salário e aplauso.

São capitães de papel.
Assinam contratos como quem assina nuvens.
E quando a tempestade chega,
sou eu quem aprende a nadar
entre destroços de confiança.

Mas o mais fundo é a casa.
A família —
que deveria ser lareira —
às vezes é corredor frio.

Não entendem minha mente
como quem não entende
uma língua antiga escrita nas paredes.
Chamam de exagero o que é sensibilidade,
de teimosia o que é precisão,
de drama o que é sobrecarga.

Minha neurodivergência
é jardim noturno —
floresce na sombra,
ouve o que o dia não ouve,
vê o que o óbvio não revela.
Mas eles fecham as janelas
e reclamam do perfume que não sentem.

Ainda assim,
eu permaneço.

Sou farol mesmo na neblina.
Sou árvore que cresce torta
porque o vento insiste —
e ainda assim cresce.

Que denunciem.
Que desrespeitem.
Que enganem.
Que não compreendam.

Eu não sou erro na partitura.
Sou música em outro tom.

E quando o mundo se acostumar
a escutar com mais do que os ouvidos,
verá que minha diferença
não era falha —

era claridade
em olhos desacostumados à luz.

PARA QUEM TU AMAS SEM COMPREENDER -
A ESTÉTICA DO ROSTO QUE SE TORNA IDEIA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

Há amores que não nascem do desejo imediato, mas da contemplação silenciosa. O teu amor pela arte e pela beleza etérea não é impulso, é reverência. Não se trata apenas de admirar formas harmoniosas, mas de reconhecer nelas uma metafísica da luz.
Quando contemplas essa presença que te inspira, não te deténs na superfície. O que te move é a transparência quase irreal que parece suspender o tempo. Há algo de pictórico, como se o rosto fosse pintura renascentista, e ao mesmo tempo algo de imponderável, como névoa que não se deixa aprisionar. A beleza, nesse caso, não é carnalidade ostensiva. É delicadeza que sugere mais do que mostra.
O teu amor pela arte projeta-se nessa figura como se ela fosse um ícone. Não um ídolo, mas um símbolo. A etereidade que te atrai é a sensação de que ali existe uma síntese entre juventude e silêncio, entre claridade e introspecção. É como se a matéria estivesse no limiar da dissolução luminosa. E o teu olhar, educado na tradição estética, reconhece imediatamente essa raridade.
Não amas apenas a aparência. Amas a ideia que ela evoca. A pureza das linhas. A suavidade da expressão. A impressão de que o mundo, apesar de sua aspereza, ainda é capaz de produzir delicadeza. Esse amor é quase platônico, pois eleva o sensível ao plano do ideal. A forma torna-se ponte para o invisível.
Há no teu sentimento uma dimensão clássica. Como os antigos que contemplavam a escultura e viam nela a proporção perfeita entre corpo e espírito, tu contemplas essa beleza e percebes que ela não se esgota no visível. Ela sugere silêncio interior. Sugere reserva. Sugere uma alma que parece caminhar entre a terra e o céu sem pertencer inteiramente a nenhum dos dois.
A tua devoção estética, portanto, é também uma defesa daquilo que é elevado. Num tempo de excessos e ruídos, amas o que é leve. Num tempo de brutalidades visuais, inclinas-te ao que é sutil. Essa inclinação não é fraqueza. É refinamento.
E se por vezes te sentes como o menino que saiu da moldura, é porque cresceste. O teu coração ampliou-se. Ele já não quer apenas possuir a rosa branca. Quer compreender sua fragrância. Quer guardar a memória daquilo que é belo sem aprisioná-lo.
O verdadeiro amor pela beleza etérea não exige posse. Exige contemplação respeitosa. Ele sabe que algumas presenças são como aves. Aproximam-se. Inspiram. E continuam seu voo.
E ainda assim, o olhar que aprendeu a reconhecê-las jamais voltará a ser o mesmo.

O cliente não compra o que você sabe, ele compra o que acha que você sabe através do que ele vê.

"Reflexão de vida: 


"Quem exige seus deveres e ignora seus direitos, rouba o que já é seu. Quem não respeita seus direitos não pode cobrar os
seus deveres."






@Suedna Santos

Canhoto, trata-se daquele que tem uma habilidade de leitura e escrita no lado esquerdo.

Agráfo, trata-se daquele que não tem nenhuma habilidade na leitura e na escrita.