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Usar roupas provocantes de propósito para atrair a atenção e depois exigir que ninguém olhe ou julgue é uma contradição de quem quer causar o impacto, mas recusa a responsabilidade pelas reações que gerou.
Petricor.
É a palavra que define aquele cheiro maravilhoso, fresco e calmo que a terra seca exala quando a primeira chuva cai. É o perfume da renovação, do recomeço e da terra a respirar fundo depois de um dia quente.
Amar é um ato de coragem,
Pois você se torna vulnerável
Ao expor seus sentimentos
A pessoas que tendem ao egoísmo
Não vale a pena investir em alguém que prefere a validação barata das redes sociais e das ruas em vez de preservar a intimidade e a seriedade de um compromisso a dois.
O excesso de exposição e as roupas feitas para provocar acabam servindo como um filtro natural, afastando homens de valor que não querem dividir a atenção com uma multidão de assediadores.
Enquanto certas posturas atraem o assédio de homens mal-intencionados, elas também fazem com que homens que buscam um relacionamento sério decidam não investir na relação.
A decisão de se afastar surge quando o rapaz percebe que a atitude de chamar atenção pública atrai olhares e abordagens de muitos outros, gerando um cenário de excesso de concorrência e desconforto.
Alguns homens optam por não assumir um compromisso ao verem que a moça se expõe em demasia na internet ou com vestimentas provocantes, pois preferem a discrição e a tranquilidade.
Eu poderia escrever esse texto cheio de raiva.
Poderia contar tudo.
Poderia falar das conversas escondidas, das comparações, das humilhações, das coisas que foram ditas pelas costas, das pessoas que acabaram envolvidas em problemas que deveriam ter ficado entre duas pessoas.
Poderia falar de muita coisa.
Mas não vou.
Não porque não aconteceu.
Aconteceu.
Mas porque eu não quero mais viver disso.
Eu sei dos meus erros.
Sei que tenho um temperamento difícil. Sei que sou explosivo, que já fui ignorante, que já falei coisas que não deveria. Sei também que alguns vícios meus fizeram estragos e que preciso continuar lutando contra eles.
Não vou esconder isso para parecer perfeito.
Eu não sou perfeito.
Nunca fui.
Mas também não sou aquilo que alguém pode contar sobre mim quando quer me colocar como o único culpado de uma história que foi vivida por duas pessoas.
Eu assumo a minha parte.
Apenas a minha.
E isso muda tudo.
Porque durante muito tempo eu achei que precisava explicar cada reação minha.
Hoje não.
Eu sei que uma reação errada continua sendo errada.
Mas também sei que existe uma história antes dela.
Existem coisas que foram acumulando.
Palavras.
Desconfianças.
Atitudes.
Promessas que não mudaram comportamentos.
Conversas que deveriam ser claras e pareciam escondidas.
Pedidos de mudança que foram feitos mais de uma vez.
E situações que foram me deixando cada vez mais cansado.
Eu não quero justificar meus erros.
Quero aprender com eles.
Essa é a diferença.
Eu também não quero mais ficar tentando entender por que, depois de uma briga, tudo parecia voltar ao normal tão rápido.
Eu ficava mal.
Pensava.
Tentava entender.
Enquanto do outro lado parecia que bastava colocar uma foto na academia, postar alguma coisa, curtir, sair, sorrir e continuar como se nada tivesse acontecido.
Durante muito tempo, isso me incomodou.
Hoje, não mais.
Porque eu finalmente entendi que a vida que alguém mostra na internet não é responsabilidade minha.
Se está feliz, que seja feliz.
Se não está, que resolva.
Se quer postar foto sorrindo, que poste.
Eu não preciso mais olhar para uma tela tentando descobrir o que existe por trás de um sorriso.
A vida dela não é mais a minha preocupação.
A minha vida é.
E talvez essa seja a maior mudança dentro de mim.
Eu também não vou mais gastar energia tentando entender por que, depois das brigas, coisas que eram nossas chegavam aos ouvidos de outras pessoas.
Eu nunca entendi.
Eu esperava lealdade.
Não queria que ninguém defendesse meus erros.
Se eu estivesse errado, eu queria ouvir.
Mas eu esperava que aquilo que acontecia entre duas pessoas permanecesse entre duas pessoas.
Quando descobri que havia gente falando de mim, e que quem deveria estar ao meu lado também participava dessas conversas, doeu.
Claro que doeu.
Mas hoje não dói como antes.
Porque algumas decepções só têm poder sobre nós enquanto ainda esperamos alguma coisa delas.
Eu parei de esperar.
Também parei de me preocupar com comparações.
Durante muito tempo, ouvir que alguém era melhor, mais isso ou mais aquilo me fez questionar o meu próprio valor.
Hoje eu penso diferente.
Eu não preciso ser melhor que ninguém.
Não preciso competir com ninguém.
Não preciso provar que sou suficiente.
Quem quiser outro tipo de pessoa, que procure.
Eu não vou mais mudar minha essência para disputar espaço na vida de ninguém.
E existe uma coisa que eu aprendi depois de tudo:
quem precisa diminuir você para se sentir maior já está dizendo muito mais sobre si mesmo do que sobre você.
Eu não quero fazer isso com ninguém.
Nem mesmo com quem me machucou.
Porque eu não quero sair dessa história carregando os mesmos comportamentos que um dia me fizeram sofrer.
Eu quero sair diferente.
Mais consciente.
Mais forte.
Mais tranquilo.
E, principalmente, mais dono de mim.
Eu também não vou esquecer das humilhações.
Não porque quero guardar rancor.
Mas porque algumas coisas precisam ser lembradas para não serem repetidas.
Eu sei o que senti quando fui diminuído diante de outras pessoas.
Sei o que senti quando precisei fingir que não tinha doído.
Sei o que senti quando saí de algum lugar sorrindo por fora e completamente destruído por dentro.
Mas aquilo acabou.
E não vai mais me definir.
Eu não sou aquela versão de mim que saiu de uma discussão se perguntando se era um homem bom o bastante.
Eu não sou aquele cara que precisava da aprovação de alguém para saber o próprio valor.
Eu não sou os meus piores dias.
Eu sou também tudo aquilo que estou fazendo para mudar.
Meus vícios não são meu destino.
Minha raiva não é minha identidade.
Meus erros não são minha sentença.
Eu posso reconhecer tudo isso e continuar de pé.
Aliás, é exatamente isso que estou fazendo.
De pé.
Sem precisar fingir que não doeu.
Porque ser forte não é dizer que nada machucou.
Ser forte é olhar para aquilo que machucou e decidir que não vai deixar aquilo controlar o resto da sua vida.
Eu poderia passar horas contando quem fez o quê.
Mas não quero.
Não preciso.
A verdade não precisa de espetáculo.
Eu sei o que vivi.
E quem viveu comigo também sabe.
O resto é opinião.
E opinião dos outros não vai mais decidir como eu me sinto.
Eu não vou mais correr atrás de explicações.
Não vou mais procurar respostas em redes sociais.
Não vou mais investigar conversas.
Não vou mais tentar descobrir quem está falando de mim.
Não vou mais tentar convencer ninguém da minha versão.
Acabou.
Não porque eu perdi.
Mas porque eu escolhi sair da disputa.
E existe uma diferença enorme entre perder uma batalha e decidir que você não quer mais lutar aquela guerra.
Eu escolhi a segunda.
Hoje eu quero cuidar de mim.
Quero vencer meus vícios.
Quero controlar minhas explosões.
Quero trabalhar.
Quero crescer.
Quero recuperar minha paz.
Quero olhar para trás e conseguir dizer:
“Eu passei por isso, mas isso não acabou comigo.”
Porque não acabou.
Eu ainda estou aqui.
Talvez mais cansado.
Talvez mais desconfiado.
Talvez mais cuidadoso.
Mas também mais consciente.
Eu aprendi a prestar atenção nas atitudes, não apenas nas palavras.
Aprendi que amor sem respeito não basta.
Que carinho sem lealdade não sustenta uma relação.
Que transparência não deveria ser implorada.
Que confiança não sobrevive quando existem segredos demais.
Que comparação machuca.
Que humilhação deixa marca.
Que expor o outro depois de uma briga não resolve nada.
E que duas pessoas podem se amar e, mesmo assim, não saber mais fazer bem uma à outra.
Eu não quero mais ser vítima de ninguém.
Mas também não vou aceitar ser culpado por tudo.
Eu tenho responsabilidade pelos meus erros.
Cada um deve ter responsabilidade pelos próprios.
É simples.
Eu não quero vingança.
Não quero que ninguém sofra.
Não quero destruir reputação.
Não quero transformar passado em guerra.
Quero simplesmente seguir.
E talvez seguir seja a resposta mais forte que eu poderia dar.
Enquanto alguém pode estar preocupado em mostrar para o mundo que está tudo bem, eu estou preocupado em fazer com que realmente fique tudo bem dentro de mim.
Essa é a diferença.
Eu não preciso parecer feliz.
Eu quero ficar em paz.
Não preciso provar que superei.
Quero simplesmente superar.
Não preciso mostrar que estou melhor.
Quero realmente estar melhor.
E isso não acontece em uma postagem.
Acontece longe das câmeras.
Na mudança dos hábitos.
Nas escolhas.
No silêncio.
Na distância.
Na coragem de não voltar para aquilo que fazia mal.
Eu não sei se um dia alguém vai reconhecer os próprios erros.
Talvez reconheça.
Talvez nunca.
Isso já não importa.
Eu reconheço os meus.
E isso é o suficiente para eu seguir.
Eu amei.
Eu errei.
Eu fui ferido.
Também feri.
Tive vícios.
Tive explosões.
Tive momentos dos quais não me orgulho.
Mas também tive momentos em que fiquei quando poderia ter ido.
Perdoei quando estava machucado.
Tentei quando já estava cansado.
E hoje eu não preciso transformar ninguém em vilão para reconhecer que aquela relação deixou de fazer bem para mim.
Algumas histórias terminam.
Algumas pessoas vão embora.
Algumas feridas demoram para fechar.
Mas nenhuma delas precisa decidir quem seremos daqui para frente.
Eu não vou carregar ódio.
Não vou carregar vingança.
Não vou carregar uma culpa que não é minha.
Vou carregar apenas o aprendizado.
E seguir.
Porque eu finalmente entendi uma coisa:
eu não preciso provar que sou forte.
Preciso apenas continuar sendo.
E, depois de tudo que aconteceu, existe uma coisa que ninguém mais vai tirar de mim:
a decisão de não me abandonar novamente.
Eu perdi muito tentando não perder alguém.
Agora eu vou recuperar a mim mesmo.
E isso, para mim, é o verdadeiro recomeço.
Dessa vez, eu vou comigo.
Batalhar dignamente todos os dias, mantendo a humildade mesmo diante da humilhação, revela uma grandeza espiritual que nenhuma zombaria consegue apagar.
Quem escolhe o caminho da fé e da honestidade muitas vezes enfrenta o escárnio e a zombaria de quem ainda não compreendeu o valor do amor ao próximo.
A verdadeira força não está em diminuir os outros para se sentir superior, mas em ter a coragem de ser gentil e justo.
A FORMA, O PENSAMENTO E O PERISPÍRITO NA CONCEPÇÃO DE ALLAN KARDEC.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Nas questões 88 a 95 de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec conduz o leitor a uma região em que as categorias ordinárias da matéria começam a perder sua suficiência. O Espírito, enquanto princípio inteligente, não pode ser compreendido segundo as mesmas leis que regulam o organismo físico. Sua natureza, sua mobilidade, sua capacidade de irradiação e sua relação com a forma obedecem a condições próprias, cuja compreensão exige abandonar a ideia de que tudo aquilo que existe precisa necessariamente submeter-se aos limites dos sentidos corporais.
A questão 88 inaugura essa investigação perguntando se os Espíritos possuem uma forma determinada, limitada e constante. A resposta estabelece uma distinção fundamental entre aquilo que os homens conseguem perceber e aquilo que os próprios Espíritos reconhecem em sua esfera de existência. Aos olhos humanos, a forma espiritual não se apresenta como uma estrutura corporal ordinária; para os Espíritos, entretanto, existe uma forma. Ela é comparada a uma flama, a um clarão ou a uma centelha etérea.
A imagem da luz possui extraordinária força filosófica. Não se trata apenas de uma descrição estética. A luminosidade simboliza uma realidade cuja manifestação pode variar conforme o grau de pureza espiritual. Na questão 88-a, a gradação apresentada vai do escuro ao brilho do rubi. Kardec acrescenta que a tradição de representar os gênios com uma flama ou uma estrela na fronte constitui uma alegoria relacionada à natureza essencial dos Espíritos, colocando-se a luz na cabeça por ser esta, simbolicamente, a sede da inteligência.
A questão seguinte desloca o problema da forma para o movimento. Os Espíritos gastam algum tempo para atravessar o espaço? A resposta afirma que sim, mas acrescenta uma comparação decisiva: o deslocamento ocorre com rapidez semelhante à do pensamento.
Aqui aparece uma das concepções mais profundas desse conjunto de perguntas. Kardec não apresenta o pensamento como uma espécie de objeto que simplesmente acompanha a alma. Ao perguntar se o pensamento seria a própria alma que se transporta, recebe como resposta que, quando o pensamento está em algum lugar, a alma também está, pois é a alma que pensa. O pensamento, portanto, é apresentado como atributo, e não como substância independente.
Essa distinção possui consequências filosóficas relevantes. O pensamento manifesta uma propriedade essencial da consciência sem, por isso, constituir a própria essência do ser. A alma permanece o sujeito pensante; o pensamento é uma de suas manifestações. Quando a consciência dirige sua atenção para determinado lugar, estabelece-se uma relação que ultrapassa a compreensão puramente mecânica do deslocamento.
Na questão 90, Kardec aprofunda o problema. O Espírito pode ter consciência da distância percorrida e dos espaços atravessados, mas essa distância também pode desaparecer completamente, dependendo de sua vontade e de sua natureza, mais ou menos depurada.
A distância, nesse contexto, deixa de ser uma realidade exclusivamente geométrica. Para o corpo físico, deslocar-se significa vencer uma extensão espacial mediante tempo, força e movimento. Para o Espírito, segundo a concepção apresentada, a relação com o espaço possui maior plasticidade. Quanto mais depurada a natureza espiritual, menos a consciência estaria sujeita às limitações que caracterizam a existência corporal.
A questão 91 acrescenta outra ruptura com a experiência material: a matéria não constitui obstáculo para os Espíritos. O ar, a terra, as águas e o próprio fogo lhes são igualmente acessíveis. A afirmação não deve ser interpretada como uma simples descrição de uma espécie de corpo invisível atravessando paredes. Seu alcance está na distinção entre duas ordens de realidade. Aquilo que representa uma barreira para o organismo material não necessariamente desempenha a mesma função para uma entidade cuja natureza não é essencialmente material.
É na questão 92, entretanto, que a investigação alcança um de seus pontos mais delicados: a chamada ubiquidade dos Espíritos.
Kardec pergunta se um mesmo Espírito pode dividir-se ou estar simultaneamente em vários lugares. A resposta rejeita categoricamente a divisão do Espírito. Um Espírito não se fragmenta em múltiplas partes. Ele permanece uma unidade. O que ocorre é uma irradiação que pode alcançar diferentes direções.
A comparação com o Sol é extraordinariamente expressiva. O astro permanece uno, embora seus raios se projetem em todas as direções. A multiplicidade de pontos alcançados pela luz não significa multiplicidade do centro luminoso. Da mesma maneira, a irradiação do pensamento não implica uma fragmentação da individualidade espiritual.
Essa explicação também preserva um princípio importante da concepção kardeciana: a individualidade do Espírito. A expansão da consciência não significa perda da unidade pessoal. A capacidade de irradiar não destrói a identidade daquele que irradia.
Kardec retoma a ideia em seu comentário ao comparar essa irradiação a uma fagulha cuja claridade pode alcançar grande distância e ser percebida em diferentes pontos do horizonte. O Espírito permanece indivisível, mas seu pensamento pode projetar-se em várias direções.
A potência dessa irradiação, contudo, não seria igual para todos. A questão 92-a estabelece uma relação entre a capacidade de irradiar e o grau de pureza espiritual. Não se trata, portanto, de uma faculdade uniforme. A expansão do pensamento estaria vinculada ao desenvolvimento do próprio ser.
É nesse momento que as questões 93 a 95 introduzem o perispírito.
O Espírito propriamente dito não vive a descoberto. Segundo a resposta à questão 93, encontra-se envolvido por uma substância que, para os seres humanos, seria vaporosa, embora ainda suficientemente grosseira para os Espíritos. Kardec, buscando uma comparação compreensível, denomina esse envoltório de perispírito.
A analogia com a semente envolvida pelo perisperma é particularmente significativa. Assim como a semente possui um revestimento que a envolve sem se confundir com sua essência, o Espírito possui um envoltório que não constitui sua individualidade fundamental.
O perispírito ocupa, portanto, uma posição intermediária. Não é o Espírito propriamente dito, mas também não corresponde ao corpo material tal como o conhecemos. É um envoltório semimaterial, destinado a estabelecer uma relação entre o princípio espiritual e as condições próprias dos diferentes mundos.
A questão 94 acrescenta uma característica essencial: o Espírito retira esse envoltório do fluido universal próprio de cada globo. Por essa razão, o perispírito não seria absolutamente idêntico em todos os mundos. Ao passar de um mundo para outro, o Espírito modifica seu envoltório de acordo com as condições daquele ambiente.
A comparação feita por Kardec é simples, mas conceitualmente poderosa: mudar de envoltório como quem muda de roupa. A imagem ressalta que a identidade espiritual não depende do revestimento que utiliza para manifestar-se. O Espírito permanece, enquanto o instrumento de sua exteriorização pode modificar-se.
Essa perspectiva permite compreender também a questão 94-a. Quando Espíritos provenientes de mundos superiores se manifestam entre nós, precisam revestir-se de um perispírito compatível com as condições materiais terrestres. A manifestação exige uma espécie de adaptação ao meio.
Na questão 95, a concepção alcança uma dimensão ainda mais impressionante. O envoltório semimaterial possui formas determinadas e pode ser perceptível. O Espírito pode assumir uma forma segundo sua vontade e aparecer aos seres humanos tanto durante os sonhos quanto em estado de vigília, podendo, segundo a resposta, tornar-se visível e até palpável.
Aqui surge uma distinção que merece especial cuidado: a forma pela qual um Espírito aparece não deve ser confundida com sua essência. A aparência pertence ao modo de manifestação; o Espírito é o ser inteligente que utiliza determinado envoltório para relacionar-se com o mundo.
Essa diferença é fundamental para evitar interpretações excessivamente materialistas do fenômeno espiritual. O perispírito não transforma o Espírito em matéria. Ele constitui, na estrutura apresentada por Kardec, um princípio intermediário capaz de estabelecer comunicação entre realidades de natureza distinta.
O conjunto das questões 88 a 95 apresenta, assim, uma verdadeira antropologia espiritual. O ser humano não aparece limitado ao organismo que os sentidos percebem. Existe uma dimensão mais profunda da individualidade, cuja manifestação envolve pensamento, vontade, irradiação e perispírito.
O pensamento assume uma posição particularmente elevada nessa concepção. Ele não é apresentado como simples produto mecânico do corpo, mas como atributo da alma. Sua ação ultrapassa a rigidez das fronteiras físicas e pode alcançar lugares distantes sem que isso implique divisão do ser.
A ubiquidade, nesse sentido, não é dispersão. É irradiação.
O perispírito, por sua vez, não é a alma. É seu envoltório. E a forma percebida em determinadas manifestações não constitui a essência do Espírito, mas uma maneira pela qual essa essência pode tornar-se acessível à percepção.
Há, nesse conjunto doutrinário, uma filosofia da identidade que merece atenção. O indivíduo pode modificar seus envoltórios, atravessar diferentes ambientes, irradiar seu pensamento, experimentar condições distintas de existência e manifestar-se sob formas diversas, sem deixar de ser ele mesmo.
O que permanece é a individualidade espiritual.
O que se modifica são as condições de manifestação.
Essa distinção oferece uma chave para compreender por que Kardec trata a forma espiritual sem reduzi-la a uma anatomia invisível. A existência espiritual, dentro da concepção apresentada, não é uma simples reprodução do mundo corporal em outra dimensão. Há forma, mas não necessariamente forma material; há movimento, mas não necessariamente deslocamento corporal; há presença, mas ela pode manifestar-se pela irradiação; há aparência, mas a aparência não esgota a natureza daquele que aparece.
O ensinamento dessas questões repousa justamente nessa passagem do visível ao invisível, do corpo à consciência, da matéria à individualidade.
Kardec procura conservar, ao longo desse exame, uma disciplina conceitual que impede que a linguagem simbólica seja confundida com a realidade última. A flama, o clarão, a centelha, os raios do Sol e a mudança de envoltório são imagens destinadas a tornar inteligível aquilo que não pertence diretamente ao domínio da percepção física.
No fundo dessa investigação permanece uma pergunta de extraordinária profundidade: se o corpo pode mudar, se o envoltório pode adaptar-se, se a forma pode variar e se o pensamento pode alcançar distâncias que o corpo não alcança, onde reside verdadeiramente a identidade do ser?
Para a perspectiva apresentada por Kardec, ela não reside na aparência.
Reside no Espírito.
E talvez seja precisamente aí que essas questões deixam de ser apenas uma exposição sobre a vida espiritual e se transformam em uma reflexão sobre aquilo que o homem é quando todas as formas exteriores deixam de ser suficientes para defini-lo.
Fontes:
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Livro Segundo, “Mundo Espírita ou dos Espíritos”, Capítulo I, “Dos Espíritos”, questões 88 a 95, incluindo os comentários de Allan Kardec.
ESPIRITISMO E ESPIRITISMO KARDECISTA:
UM É CORPO DE DOUTRINA, O OUTRO, MÉTODO DE ESTUDO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Há uma distinção que merece ser examinada com maior atenção dentro do próprio movimento espírita: a diferença entre Espiritismo e aquilo que muitos denominam Espiritismo kardecista.
A primeira expressão designa a Doutrina.
A segunda, embora não seja uma denominação criada por Allan Kardec para nomear uma nova doutrina, é utilizada contemporaneamente por aqueles que desejam destacar sua vinculação à codificação kardeciana e, sobretudo, ao modo pelo qual Allan Kardec investigou, organizou e submeteu os ensinamentos espíritas ao exame da razão.
É nesse sentido que a distinção pode ser formulada:
O Espiritismo constitui o corpo de princípios doutrinários; o kardecista, em sua acepção metodológica, identifica aquele que toma Kardec e seu método como referência fundamental para o estudo e a compreensão desse corpo doutrinário.
Não se trata, portanto, de colocar uma coisa contra a outra.
Trata-se de compreender funções diferentes.
O QUE É O ESPIRITISMO?
Allan Kardec empregou a palavra Espiritismo para designar a doutrina decorrente do estudo dos fenômenos espíritas e dos ensinamentos dos Espíritos.
Em O Livro dos Espíritos, encontramos a conhecida definição:
“O Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.”
Há, portanto, um conjunto de princípios.
Deus.
A existência e imortalidade do Espírito.
A pluralidade das existências.
A pluralidade dos mundos habitados.
A comunicabilidade dos Espíritos.
A lei de causa e efeito.
O progresso espiritual.
A responsabilidade moral.
A vida futura.
Esses princípios compõem aquilo que podemos chamar de corpo doutrinário espírita.
O Espiritismo, nesse sentido, não é simplesmente uma maneira particular de estudar os Espíritos. É um conjunto organizado de conhecimentos e consequências filosóficas e morais decorrentes desse estudo.
E O QUE SIGNIFICA “KARDECISTA”?
É aqui que a palavra precisa ser empregada com precisão.
Kardecista é uma designação derivada do nome de Allan Kardec.
Não foi Kardec quem denominou sua doutrina de “Kardecista”, nem “Espiritismo kardecista” foi o nome original escolhido para a Doutrina.
O termo surgiu posteriormente e passou a ser utilizado para identificar aqueles que se vinculam de maneira especial à codificação de Allan Kardec.
Quando alguém afirma ser espírita kardecista, normalmente está procurando dizer que não deseja apenas identificar-se genericamente com o Espiritismo, mas enfatizar uma determinada fidelidade à obra de Kardec.
E essa fidelidade não deveria ser entendida como culto à personalidade.
Deveria ser entendida como fidelidade aos princípios e ao método de investigação que caracterizaram a Codificação.
É justamente aí que aparece o ponto central da nossa proposição.
O CORPO DE DOUTRINA E O MÉTODO.
O Espiritismo oferece o objeto do conhecimento.
A orientação kardecista procura preservar o modo de estudá-lo.
Em outras palavras:
O Espiritismo diz respeito ao conteúdo doutrinário.
O kardecista, quando utilizado em sentido metodológico, diz respeito à maneira de abordar esse conteúdo a partir da obra e do método de Kardec.
Essa diferença parece pequena, mas possui enormes consequências.
Porque uma doutrina pode ser conhecida sem que seu método seja compreendido.
É possível conhecer as conclusões de Kardec e desconhecer o caminho intelectual que conduziu a elas.
Pode-se decorar conceitos espíritas sem compreender como foram estabelecidos.
Pode-se repetir mensagens mediúnicas sem submetê-las ao exame racional.
Pode-se citar O Livro dos Espíritos sem estudar a metodologia que está por trás de sua elaboração.
E então ocorre uma inversão perigosa:
o estudante passa a tratar como dogma aquilo que Kardec tratou como objeto de investigação.
SER KARDECISTA NÃO É ACREDITAR EM KARDEC.
Aqui está talvez a questão mais importante.
Ser kardecista não deveria significar:
“Eu acredito em Kardec.”
Isso seria insuficiente.
E, em certa medida, contrariaria o próprio espírito da metodologia kardeciana.
O verdadeiro respeito a Kardec está menos em acreditar nele do que em compreender como ele trabalhou.
Kardec investigava.
Comparava.
Questionava.
Examinava.
Classificava.
Raciocinava.
Procurava concordâncias.
Identificava contradições.
Distinguia opinião de princípio.
Não aceitava automaticamente uma comunicação apenas porque ela vinha de um Espírito.
E não transformava a mediunidade em garantia absoluta da verdade.
Essa postura é fundamental.
Porque o médium pode equivocar-se.
O Espírito comunicante pode equivocar-se.
O intérprete pode equivocar-se.
E o próprio estudante pode equivocar-se.
Por isso, o método torna-se instrumento de proteção contra a precipitação.
O KARDECISTA E A RAZÃO.
O kardecista, nesse sentido, não deveria ser aquele que encerra a inteligência diante de Kardec.
Deveria ser aquele que aprendeu com Kardec a não abdicar da inteligência.
A fidelidade verdadeira não é repetição mecânica.
É compreensão.
Não consiste em transformar cada frase antiga em resposta definitiva para qualquer problema contemporâneo.
Consiste em compreender os princípios e aplicar o método de maneira coerente, sem adulterar seus fundamentos.
Isso explica por que a palavra “kardecista” pode ter utilidade quando alguém deseja diferenciar sua orientação de outras correntes que também utilizam a palavra “espiritismo”, mas que incorporaram elementos estranhos ou posteriores à codificação.
Nesse caso, “espiritismo kardecista” funciona como uma delimitação de referência.
Não significa uma segunda doutrina.
Significa uma identificação com a tradição doutrinária fundada na Codificação de Allan Kardec.
A DOUTRINA E A DISCIPLINA DO PENSAMENTO.
Talvez possamos representar a distinção de modo ainda mais simples.
O Espiritismo é o edifício doutrinário.
O kardecista é aquele que procura estudar esse edifício seguindo a orientação intelectual estabelecida por Kardec.
Um corresponde ao conhecimento.
O outro, à disciplina com que esse conhecimento é examinado.
E essa disciplina é indispensável.
Porque sem ela o Espiritismo pode ser progressivamente misturado com opiniões pessoais, superstições, revelações particulares, interpretações mediúnicas não verificadas e conceitos estranhos à Codificação.
O problema não está na evolução do pensamento.
O Espiritismo jamais precisaria temer o conhecimento novo.
O problema está em atribuir à Doutrina aquilo que pertence apenas à opinião individual de alguém.
É justamente para evitar essa confusão que o método possui tanta importância.
CONCLUSÃO.
Assim, quando alguém afirma:
“Sou espírita kardecista”,
podemos compreender essa declaração como uma maneira de afirmar:
“Minha referência fundamental para compreender o Espiritismo é a Codificação de Allan Kardec e o método de estudo que a caracteriza.”
Mas é importante não transformar essa expressão em uma nova religião.
O nome da Doutrina é Espiritismo.
Kardec é o codificador.
Kardecista é a designação posterior daquele que se vincula à orientação kardeciana.
E a diferença essencial está justamente aí.
O Espiritismo oferece o corpo de princípios.
A orientação kardecista preserva a importância do método de estudo, exame e discernimento legado por Kardec.
Por isso, talvez a maior homenagem que se possa prestar ao Codificador não seja repetir constantemente seu nome.
É fazer aquilo que ele nos ensinou:
estudar antes de afirmar, examinar antes de aceitar, raciocinar antes de concluir e jamais confundir a verdade com a simples autoridade de quem fala.
Porque o verdadeiro espírito kardeciano não é aquele que teme a pergunta.
É aquele que sabe que uma convicção verdadeiramente esclarecida não precisa fugir do exame.
E, no Espiritismo, estudar não é apenas acumular respostas.
É aprender a fazer perguntas melhores.
Se você não tem vasto conhecimento jurídico, teórico e prático, meça bem as palavras em postagens e comentários em rede social. Liberdade de expressão não é um cheque em branco para ofender pessoas ou instituições.
Olhei lá fora, a rua toda vazia, nenhuma cadeira na calçada, nenhuma criança no carrinho, só eu. Ah, e a lua detrás da nuvem.
Certa vez intermediei a venda de belos trabalhos da artista brasileira Djanira da Motta e Silva. Apesar de suas principais obras serem em tela, ela experimentou em vários suportes artísticos diferentes durante sua vida, como o bordado, a música e a poesia. As obras que intermediei, tinham sido dadas a sua empregada domestica que conviveu muitos anos com a artista. Algumas delas, pinturas dos anos 1940,que utiliza tons rebaixados, como cinza, marrom e negro, e uma curiosa tapeçaria mas já apresenta o gosto pela simplificação das formas, e o mais interessante que não estava assinado Djanira e sim um monograma meio torto " Dj ". Dizia ela que tinha feito na década de 1930, período do Sanatório Ruy Doria, em São Jose dos Campos.
"A inteligência emocional é usar a lanterna do inconsciente, sobre ao porão do inconsciente! Gerando o equilíbrio entre afetividade e atenção!
Toda criança tem direito a uma vida digna e a uma formação cultural e social coerente com sua faixa etária.
Casca dura
(Mauro 1Evaristo)
As vezes a vida bate mais potente
Para liberar (da casca dura) sua mente,
Mas não vá se vitimizar,
Cair no choro, fazer bico, reclamar.
As vezes a vida bate sim com mais força
Pra que acorde e detalhadamente ouça,
Mas não vá se vitimizar,
Cair no choro, fazer bico, reclamar.
As vezes a vida vai levar você num cantinho,
Sem que perceba bater até ir a lona,
Puxar o ritmo feito uma maratona
E você entre pedras, paus e espinhos,
Cansado, triste, firme, mesmo sozinho
Sua insistência aos covardes afronta.
feradapoesia.blogspot.com
"A minha saudade não é vazio, é o amor que ficou guardado no peito, aquecendo o coração quando a presença já não se pode tocar."
By Amauri Alves
Tempo
O tempo me chegou como um feroz devorador, mas devorou meu medo e a minha dor. Ele me deixou mais livre, solta e leve feito vento.
O tempo me fez ventar!
Nildinha Freitas
A luta das mulheres por direitos e garantias encontra diversos obstáculos, como a empatia e a sororidade seletivas. Parafraseando uma frase de George Orwell no livro a Revolução dos Bichos, eu diria que todas as mulheres são iguais, mas algumas são mais iguais que outras.
