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O ser humano moderno proclama força, mas organiza a existência sobre alicerces frágeis: depende de dispositivos, oscila no íntimo, mendiga validação e evita a própria solidão. Teme a morte a ponto de esvaziar a vida — protege-se tanto que já não vive. Recusa o frio da realidade, tratando a lucidez como ameaça. E, assim, prefere a fantasia da invulnerabilidade — confortável, negociável — à verdade incontornável: a fragilidade não é falha, é condição. Negá-la não fortalece; apenas afasta do que se é.
A rua ensina cedo, sem livro e sem lição,
que o destino de muitos já vem na contramão.
Sonhar parece erro, viver vira missão,
num jogo desigual que já começa sem opção.
Helaine machado
Não me olhe com desprezo, guarda bem essa visão,
o mundo gira rápido, não existe posição.
Hoje você tá por cima, pisando sem noção,
amanhã pode ser eu no topo da ascensão.
Subindo cada passo com suor e cicatriz,
quem desacredita hoje não sabe o que eu fiz.
Aprendi no silêncio, caí, mas não desisti,
porque quem planta verdade, colhe na raiz. Helaine machado
Com tanta má-fé se valendo do nome de Deus — invocá-Lo publicamente, em breve, causará mais Dúvida que Devoção.
Quando o Sagrado vira instrumento, ele deixa de elevar e passa a encobrir.
Palavras que deveriam consolar, orientar e transformar, tornam-se escudos retóricos, usados para blindar interesses ocultos, justificar excessos e maquiar as más intenções.
Não é a fé que se esvazia por si só — é o uso indevido dela que corrói sua credibilidade diante dos olhos atentos e, sobretudo, dos decepcionados.
A repetição desse gesto — invocar Deus em vão, em discursos vazios de prática — cria um ruído muito perigoso: quanto mais se fala em nome d’Ele, menos se percebe Sua presença nas atitudes.
E então nasce a dúvida…
Não a dúvida honesta, que busca compreender, mas a desconfiança cansada, aquela que já não acredita.
A fé, que deveria ser ponte, passa a parecer palco.
E quem assiste, pouco a pouco, se afasta.
E se continuarmos dando palco aos que usam o nome d’Ele e da Igreja para se esconder, aparecer e se promover, muito em breve seremos os culpados por um fenômeno ainda mais grave: transformar o Livro mais lido e menos vivido no mais evitado do mundo.
Porque não há nada mais contraditório do que uma mensagem de amor sendo transmitida por atitudes de vaidade, exclusão ou manipulação.
A incoerência não apenas enfraquece o discurso — ela o invalida.
E quando isso se repete o suficiente, o problema deixa de ser quem distorce e passa a ser também quem assiste, aplaude ou silencia.
Talvez o maior risco não seja a perda da fé, mas a banalização dela.
Quando tudo se diz em nome de Deus, nada mais parece vir verdadeiramente d’Ele.
E nesse excesso de vozes, a essência — silenciosa, exigente, transformadora — vai sendo soterrada.
Resgatar o sentido do sagrado talvez exija menos declarações públicas e mais coerência privada.
Menos exposição, mais vivência.
Porque a fé que resiste não é a que se impõe em vozes estridentes, mas a que se revela, discretamente, naquilo que se faz quando ninguém está olhando.
A mata, que era o meu reino
Hoje é cinza e solidão
Onde eu rugia com brio
Resta o som do caminhão
As cercas vão me prendendo
Onde antes era o meu chão
E o homem vai esquecendo
Que somos parte do mesmo quinhão.
Peço que o olhar se transforme
Que o respeito possa voltar
Pois se a selva adormece
A vida vai se apagar
Não quero ser só gravura
Ou um bicho de museu
Quero ser força da natureza
No lugar que Deus me deu.
Ainda há tempo de cura
De plantar o que se perdeu
Para que a onça futura
Não diga o adeus que eu disse ao meu.
Dizem que quem já provou do teu beijo…
Nunca esquece! Será?
Da tua alegria e vontade de fazer o melhor sempre…
Era feliz e nem sabia! Será?
Do teu abraço inesquecível…
Da tua fé inabalável… Será?
Viveu no mundo da Alice onde tudo é possível…
Principalmente acreditar no amor verdadeiro… Será?
Vejo-me novamente a contemplar um passado de um estado anímico irrepetível para mim; em que se torna improvável voltar a ignorar aquilo que as palas dos meus olhos cobriam.
A ontologia do ser, o humano em demasia, ecoam numa mente que só sabia viver. Mente essa que aprendeu a viver antes de entender o que é estar vivo.
Não existe o espaço, dentro ou fora, antes ou depois, porque cada coisa está sobreposta a cada coisa. Tudo coexiste com tudo. Tudo é uma coisa só. Isto não é exato porque a forma não é exata.
Quão grande será o fardo de ser humano em demasia?
Quem o diria que sapiens sapiens com furor o traria.
