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Cartas não entregues

São palavras não ditas, sentimentos sufocados e confissões que morreram antes de encontrar voz.

São saudades que não compartilhamos, abraços que ficaram suspensos no desejo, pensamentos que nasceram para alguém e terminaram sozinhos.

Às vezes, foram escritas. No papel, à mão, com a letra trêmula de quem sentia demais.

Outras, digitadas às pressas, em alguma tela iluminada pela madrugada, antes de serem apagadas, como se apagar as palavras fosse também uma maneira de esconder o que se sentia.

Algumas repousam em folhas esquecidas. Outras, em rascunhos sem destino, em bloquinhos digitais, entre mensagens nunca enviadas e silêncios que ninguém soube interpretar.

Talvez sejam essas as cartas mais difíceis de escrever: as que não pedem resposta, não esperam retorno, não chegam a lugar algum.

Apenas guardam, em algum canto secreto de nós, aquilo que um dia quisemos dizer.

E talvez o tempo passe, as pessoas mudem, a vida siga seu curso...

Mas certas cartas permanecem.

Não porque ainda esperem ser entregues, mas porque algumas palavras, mesmo quando nunca chegam ao destinatário, precisam existir para que o coração se lembre de que um dia sentiu.

A minha amizade com a saudade já me revelou tantas coisas.

Permita-se amar mais,
Não deixe o seu coração vivendo no passado,
Resgate os seus sentimentos que estão a fugir em forma de balão,
Mude a direção dos seus medos, reme a favor da maré para alcançar a terra seca observando a luz do farol,
Na imensidão do abraço delicado está a inocência de porcelana de uma criança, 
Se entregue completamente de corpo e alma aos luxos que a consciência insisti em te apresentar diariamente através dos sonhos.

Talvez a forma mais elevada de liberdade seja esta: pensar sem submissão, conviver sem imposição e agir sem abdicar da responsabilidade.

O pensamento verdadeiramente livre não precisa destruir a tradição; precisa apenas impedir que a tradição se torne substituta da consciência.

O passado não determina absolutamente o presente; mas o presente raramente compreende a si mesmo sem decifrar aquilo que herdou.

O progresso humano não consiste em eliminar as contradições, mas em desenvolver instituições capazes de conviver racionalmente com elas.

A razão que não admite contestação já deixou de ser razão e começou a funcionar como autoridade.

A inteligência de uma sociedade pode ser medida não apenas pelas respostas que produz, mas pelas perguntas que permite formular.

Toda forma de poder começa a revelar seus limites quando aquele que a exerce precisa justificar racionalmente sua existência.

A consciência é o lugar paradoxal em que o ser humano pode transformar a própria certeza em objeto de dúvida.

O homem é produto de circunstâncias que não escolheu, mas sua liberdade começa precisamente na possibilidade de interrogá-las.

A verdade não se torna mais verdadeira porque possui maioria, tradição ou autoridade; torna-se intelectualmente mais resistente quando suporta a crítica.

A neutralidade do Estado não exige neutralidade da consciência; exige apenas que nenhuma consciência seja convertida em medida obrigatória das demais.

O Direito transforma a liberdade individual em responsabilidade socialmente reconhecível.

Nenhuma instituição é racional apenas porque existe; sua legitimidade começa quando pode sobreviver ao exame da razão.

TANTA MENSAGEM DE AMOR
E VOCÊ DISTANTE.

O pensamento amadurece quando deixa de escolher entre os opostos e começa a investigar aquilo que produz a oposição.

A liberdade sem consciência de suas consequências é apenas arbitrariedade com vocabulário filosófico.

Aquilo que parece imediatamente verdadeiro pode ser apenas uma ideia cujas mediações ainda permanecem invisíveis.

A razão não é a ausência de limites; é a consciência capaz de reconhecer os limites que a própria razão possui.

O AMOR 


É QUALIDADE DE VIDA


A DOIS.

O indivíduo somente compreende a extensão de sua liberdade quando percebe que toda escolha também modifica o espaço de liberdade dos outros.

Toda certeza que desconhece os próprios pressupostos já contém, em silêncio, a semente do dogmatismo.

A liberdade começa quando a consciência deixa de obedecer às próprias limitações como se fossem leis da realidade.