Pensamentos Mais Recentes
Sua dor é a minha dor. Mesmo longe de você, eu sinto você. Não estou te vendo, mas há coisas que você está passando que eu sinto... porque o nosso laço não depende dos olhos para ver, ele já aprendeu a respirar no escuro do silêncio.
Deus não discute com a soberba.
Ele a humilha. Nabucodonosor comeu capim para que o mundo aprendesse: Só Deus reina.
*Israel esperou 70 anos.*
*Lázaro, 4 dias.*
*José, 13 anos.*
*A mulher do fluxo, 12 anos.*
*Toda espera tem um tempo.*
*E todo tempo tem um Deus.*
*Descanse. Ele está agindo.*
DUAS Xícaras de café vazias
O café estava cheio, embora ninguém parecesse ter tempo para estar ali. Eu estava sentado numa mesa na calçada, debaixo da cobertura, diante de três xícaras. Duas vazias. Uma ainda pela metade, mas fria. Não sei por que não pedi outra. Talvez porque três cafés já fossem suficientes para aquela manhã. Talvez porque eu estivesse esperando alguma coisa. A essa altura da vida, a gente aprende que quase sempre está esperando alguma coisa sem saber exatamente o quê. Dentro do café, duas televisões estavam ligadas. O proprietário sabia o que estava fazendo. Não havia necessidade de som alto. Bastava a imagem. Um programa qualquer de revista, com pessoas sorrindo e especialistas ensinando como viver. Como comer. Como dormir. Como trabalhar. Como emagrecer. Como envelhecer sem parecer velho. Como ser feliz em cinco passos. Como descobrir seu propósito. Como se reinventar. Como abandonar aquilo que não serve mais. Eu olhava para aquilo e pensava que finalmente tínhamos conseguido transformar a existência humana em manual de instruções. “Seja você mesmo”, dizia uma legenda. Achei engraçado. Passamos a vida inteira sendo treinados para ser outra coisa e depois alguém aparece na televisão mandando a gente ser nós mesmos. Primeiro dizem que você precisa vencer. Depois dizem que precisa produzir. Depois que precisa cuidar da aparência. Depois que precisa viajar. Depois que precisa encontrar alguém. Depois que precisa se encontrar. Parece que até para estar perdido existe um procedimento correto. Na calçada, a vida continuava sem obedecer à televisão. Pessoas caminhavam para seus afazeres. Algumas depressa. Outras devagar. Um homem falava sozinho ao telefone. Uma mulher ria enquanto digitava alguma coisa. Um sujeito caminhava com a cara fechada, como se tivesse acabado de descobrir que segunda-feira não era um acidente. O trânsito avançava lentamente. Dentro dos carros havia pequenas peças da humanidade. Um motorista cantava. Outro parecia discutir com alguém. Uma mulher olhava fixamente para frente. Um homem ria. Um casal estava no mesmo carro, mas não parecia estar no mesmo lugar. Ela gesticulava. Ele respondia. Ambos olhavam para os lados, para a frente, para os semáforos, para os outros carros. Menos um para o outro. Talvez fosse amor moderno. Ou apenas dois desconhecidos pagando prestações juntos. Um carro passou com crianças no banco traseiro. Gritavam, riam, brigavam por alguma coisa que provavelmente seria esquecida antes do próximo semáforo. Olhei para elas e pensei que talvez aquela fosse a última fase realmente honesta da vida. Crianças ainda não aprenderam a fingir que estão bem. Se estão felizes, fazem barulho. Se estão irritadas, fazem mais barulho. Depois crescemos. Aprendemos a sorrir quando queremos mandar alguém para o inferno. Aprendemos a dizer “está tudo bem” quando nada está. Aprendemos a chamar de maturidade aquilo que muitas vezes é apenas desistência. A televisão continuava oferecendo respostas. Na tela, alguém falava sobre mudanças. “Você precisa se transformar.” Outra pessoa explicava que nunca é tarde para recomeçar. Eu olhei para as duas xícaras vazias. É fácil falar em recomeços quando não se precisa carregar aquilo que ficou para trás. As pessoas gostam da ideia de mudança porque ela parece limpa. Só esquecem que mudar também significa perder versões antigas de nós mesmos. Algumas foram embora porque morreram. Outras porque nunca existiram de verdade. Foram apenas personagens que aprendemos a representar para sermos aceitos. Talvez ser dono de si seja justamente parar de representar. Não significa descobrir uma grande verdade escondida dentro da alma. Isso parece coisa de programa de televisão. Talvez seja algo bem menos interessante. Saber do que você gosta. Saber do que não suporta mais. Admitir que algumas pessoas não fazem falta. Reconhecer que alguns sonhos eram apenas vaidade. Aceitar que você mudou sem precisar pedir desculpas. E principalmente entender que ninguém virá entregar o manual que esqueceram de colocar junto com você quando nasceu. A televisão continuava ligada. O trânsito continuava lento. O casal continuava discutindo sem se olhar. As crianças continuavam gritando no banco traseiro. As pessoas continuavam caminhando para algum lugar. Todos pareciam saber exatamente o que estavam fazendo. Talvez fosse apenas aparência. Talvez todos estivessem tão perdidos quanto eu. A diferença é que alguns aprenderam a disfarçar melhor. Peguei a xícara fria e tomei o último gole. Estava horrível. Não reclamei. Algumas coisas na vida ficam frias porque demoramos demais para decidir se ainda as queremos. Paguei a conta. Levantei. As televisões continuaram ensinando o mundo a viver. E o mundo continuou sem aprender. Fiquei alguns segundos parado na calçada, vendo aquela gente passar. Então percebi uma coisa desagradável. Talvez o problema nunca tenha sido não saber quem somos. Talvez seja saber e não gostar muito do que encontramos. É mais fácil deixar alguém dizer quem devemos ser. Dá menos trabalho. E enquanto pensamos nisso, o café esfria, o trânsito continua, os carros passam, as crianças crescem e a vida, indiferente, não espera ninguém terminar de se encontrar
Autopreservação
(Mauro 1Evaristo)
Não tem negociação
Se você não se dá devida atenção
Como pode pensar ou querer
Que outros se dediquem a você?
Autopreservação não é crime,
Mas se de si se exime
Como pode pensar e querer
Que outros lembrem de você?
É preciso um mínimo de atenção
Em pró sua própria condição
Direito básico de qualquer Ser
Pois, ao focar noutros sua atenção
Deixe de o melhor em perceber
Que existe poder infinito em você.
feradapoesia.blogspot.com
Se soubesse o quanto te amo, jamais duvidaria de mim. Este sentimento é algo surreal, que nada neste mundo consegue explicar. Respeito o seu momento e a sua vida longe; por isso, não procuro por receio da sua reação, embora a vontade persista. Prefiro que o meu silêncio proteja a sua paz do que o egoísmo force uma presença, pois amar assim é aceitar que meu coração bata no compasso da sua liberdade.
IPE AMARELO
Na calçada, manhã fresca.
O sol manhoso espreitava mais um dia de trabalho na prefeitura.
E os ipês amarelos, frondosos,
faziam fila na calçada, como quem aplaude a vida.
Então veio um "bom dia, moço!"
Pequeno, suave, sonoro, inteiro.
Da boca de uma menininha
que caminhava com a mãe na calçada.
E aquele bom dia
foi nota de canção em meus ouvidos.
Acorde que me encontrou,
afinou o peito e tocou minha alma.
Disse ao amigo do lado, Ivan:
"Ganhei não só o dia, amigo.
Acho que ganhei o ano todo."
Porque tem gentileza
que dura 365 dias.
hourglass II
Talvez algumas coisas não terminem quando deixam de acontecer. Talvez terminem quando deixam de significar. E existe uma diferença enorme entre as duas.
Por um tempo, ele achou que distância fosse uma resposta. Que quilômetros, horários diferentes, novas rotinas e dias que não se encontravam mais fossem suficientes para colocar cada coisa no seu devido lugar. Como se a vida tivesse uma maneira própria de organizar aquilo que ficou para trás, empurrando algumas pessoas para uma parte da memória onde ninguém mais precisa mexer.
Só que a vida é péssima em respeitar lugares marcados.
Às vezes uma lembrança aparece no meio de um dia absolutamente comum e, sem pedir licença, muda a temperatura de tudo. Não porque exista uma vontade desesperada de voltar, mas porque certas pessoas deixam uma espécie de idioma dentro da gente. Depois delas, algumas coisas passam a ser sentidas de um jeito que não tinha nome antes.
E talvez seja isso que ainda exista.
Não uma espera.
Não uma promessa.
Muito menos a certeza de que dois caminhos precisam se encontrar novamente.
Apenas uma parte da história que nunca recebeu uma explicação definitiva.
Porque houve um tempo em que parecia fácil imaginar o amanhã. Havia planos que não precisavam ser anunciados porque já pareciam naturalmente incluídos na vida dos dois. O futuro não era uma coisa distante; era quase uma extensão do presente. E então, em algum momento, aquilo que parecia tão certo virou passado sem que ninguém conseguisse apontar exatamente o instante em que tudo mudou.
É estranho perceber isso depois.
A gente costuma procurar um culpado para o fim das coisas porque é mais confortável acreditar que alguma decisão, alguma palavra ou algum erro foi responsável por tudo. Mas existem histórias que simplesmente chegam a um ponto onde duas pessoas continuam sendo importantes e, ainda assim, não conseguem mais caminhar na mesma direção.
Isso talvez seja uma das coisas mais difíceis de aceitar.
Que alguém pode ter sido verdadeiro e ainda assim não ter ficado.
Que uma história pode ter sido bonita e ainda assim ter terminado.
Que o amor pode ter existido sem necessariamente saber sobreviver a todas as versões que vieram depois.
E talvez o tempo não tenha apagado nada.
Talvez ele só tenha feito uma coisa mais cruel: deu espaço para enxergar sem a urgência de antes.
Hoje, olhando de longe, ele consegue perceber que não sente falta apenas de uma pessoa. Sente falta de uma época em que algumas coisas pareciam possíveis. Daquela versão de si mesmo que ainda não sabia o quanto a vida mudaria. Das conversas que tinham outro peso. Da familiaridade de saber que existia alguém do outro lado sem precisar perguntar.
Mas existe algo curioso nisso.
Ele não gostaria de voltar no tempo.
Gostaria de saber o que aconteceria se pudesse encontrar aquela pessoa agora.
Sem tentar reconstruir nada.
Sem fingir que os anos não aconteceram.
Sem exigir que o passado volte a funcionar.
Só para descobrir o que sobra quando duas pessoas que já souberam tanto uma da outra se encontram depois de terem se tornado quase desconhecidas.
Talvez não sobrasse nada.
E talvez essa fosse a resposta mais honesta.
Ou talvez sobrasse aquele segundo estranho em que os olhos reconhecem antes da boca dizer qualquer coisa. Aquele pequeno silêncio em que toda uma história passa rápido demais para caber numa conversa.
Quem sabe.
Talvez algumas pessoas não voltem porque ainda existe algo entre elas.
Talvez voltem justamente para descobrir que não existe mais.
E existe uma liberdade estranha nisso também.
Porque nem toda porta precisa ser aberta novamente para provar que um dia foi importante.
Algumas só precisam continuar existindo em algum lugar da casa.
Não para que alguém volte.
Mas porque demolir completamente aquele cômodo seria mentir sobre quem você foi enquanto esteve lá.
Então ele segue.
Sem esperar uma mensagem.
Sem construir encontros imaginários.
Sem transformar saudade em destino.
Só carregando a estranha tranquilidade de quem finalmente entendeu que certas histórias não precisam continuar para terem sido enormes.
E se algum dia os caminhos se cruzarem outra vez, ele não sabe o que vai sentir.
Talvez nada.
Talvez tudo.
Talvez apenas aquela velha sensação de reconhecer alguém que a vida ensinou a chamar de passado.
Mas, dessa vez, ele não vai precisar perguntar o que aquilo significa.
Vai apenas olhar.
E deixar que o momento diga, sozinho, tudo aquilo que os dois nunca conseguiram dizer quando ainda havia tempo.
hourglass.
Existe uma espécie de loucura em reconhecer alguém mesmo depois de tanto tempo. Não porque a pessoa continuou presente, mas justamente porque conseguiu ir embora e, ainda assim, alguma coisa dela ficou funcionando em silêncio, escondida entre coisas que pareciam resolvidas.
Ele já tinha aprendido a viver sem procurar. Tinha colocado outras pessoas em lugares diferentes, conhecido outras versões de si mesmo, seguido dias que não tinham mais aquele nome no meio. E talvez tivesse acreditado que certas histórias acabam simplesmente porque o tempo passa. Até perceber que algumas não acabam. Só deixam de fazer barulho.
O estranho é que não era saudade o tempo inteiro. Era pior. Era aquela sensação ocasional de que, se aquela pessoa aparecesse de novo, talvez uma parte dele reconhecesse antes mesmo que a cabeça pudesse entender. Como se anos não fossem apenas anos, mas uma quantidade absurda de pequenas coisas que o tempo não sabe apagar: uma maneira específica de olhar, uma conversa que ficou sem conclusão, um lugar que ainda parece ocupado mesmo depois de tanto tempo.
E talvez ninguém esteja pedindo para voltar ao que era. Talvez o que assuste seja justamente imaginar que, depois de tudo, ainda poderia existir alguma forma de proximidade que não precisasse repetir o passado. Não o mesmo relacionamento, não as mesmas promessas, não aquela versão dos dois que um dia pareceu ter futuro garantido.
Só a pergunta.
Ainda existe amizade onde antes existia amor?
Ainda dá para conversar sem que tudo aquilo que ficou para trás sente à mesa junto?
Ainda dá para rir de alguma coisa antiga sem precisar fingir que não doeu quando terminou?
Porque algumas pessoas não precisam voltar para a nossa vida do mesmo jeito. Às vezes basta saber que, apesar da distância, das escolhas e de tudo que mudou, ainda existe um caminho possível entre dois pontos que um dia foram inseparáveis.
E talvez seja isso que ele nunca conseguiu descobrir.
Se ela tivesse voltado, ele teria escolhido ficar?
Se ela tivesse chamado, ele teria atendido?
Se os dois se encontrassem agora, seriam estranhos com uma história em comum ou duas pessoas que ainda reconhecem alguma coisa uma na outra?
Ele não sabe.
E quanto mais tenta encontrar uma resposta, mais percebe que talvez certas histórias não tenham sido feitas para terminar com uma conclusão bonita. Algumas simplesmente ficam ali, como uma porta que ninguém trancou completamente.
Talvez por isso ele ainda olhe para certas lembranças sem saber exatamente o que procura.
Não necessariamente uma segunda chance.
Talvez só a confirmação de que aquilo foi real.
Porque quando alguém já ocupou um lugar tão grande na sua vida, você não precisa querer aquela pessoa de volta para continuar imaginando como seria se ela estivesse por perto.
Às vezes basta uma pequena possibilidade.
E é aí que tudo fica perigoso.
Porque talvez exista um futuro onde os dois se encontrem novamente, talvez exista outro onde nunca mais aconteça nada. Talvez a distância tenha sido apenas distância. Talvez tenha sido o ponto final que nenhum dos dois teve coragem de escrever.
Quem sabe?
Talvez ela esteja vivendo uma vida completamente diferente agora, cercada de coisas que ele nunca vai conhecer. Talvez ele também tenha se tornado alguém que ela não reconheceria de primeira. E talvez seja justamente por isso que a ideia ainda tenha alguma beleza: se um dia os caminhos se cruzassem novamente, nenhum dos dois estaria encontrando exatamente quem deixou para trás.
Seriam duas versões novas carregando a memória de duas versões antigas.
E talvez isso fosse suficiente.
Porque algumas pessoas vão embora, atravessam oceanos, mudam a própria vida e deixam de fazer parte da rotina.
Mas existe uma diferença entre sair da sua vida e deixar de existir dentro dela.
E essa diferença pode durar muito mais do que qualquer distância.
No fim, ele não sabe se ainda existe alguma coisa esperando por eles.
Não sabe se existe amizade, amor, acaso ou simplesmente memória.
Não sabe se ela pensa nele quando alguma música toca, quando alguma lembrança aparece ou quando a noite fica silenciosa demais.
Não sabe nem se deveria querer saber.
Só sabe que, entre tudo aquilo que o tempo levou, ainda existe uma pergunta que nunca morreu completamente.
E talvez algumas perguntas sejam assim.
Não precisam de resposta para continuar sendo verdade.
Só precisam de duas pessoas, em algum lugar do mundo, olhando para a mesma história e pensando, cada uma do seu lado:
e se ainda houver alguma coisa aqui?
Sogra e sertão!
É a chegada...
É o abraço amigo.
É a coalhada, filhós e pão.
É o café quentinho
É o anjo em ação.
É a noite...
É a conversa no terreiro.
É o chá de capim limão.
É o sono...
É a rede na sala.
É o lençol limpinho.
É o cheiro bom do sabão.
É a partida...
É o doce, a manteiga, o capão, e os ovos na lata com feijão.
É o amor envolvido na caixa de papelão.
Isso é sogra!
Isso é sertão!
Haredita Angel
28.03.17
"No mau clima, quando tiveres errado, diz «desculpa» e não te expliques; quando estiveres certo, perdoa, mas não guardes mágoas."
Há UMA coisa que aprisiona a mente do homem ao passado;
e há DUAS que o transformam em um 'alcoólico social'
A MÚSICA popular brasileira O SAMBA e o PANCADÃO.
Gostaria muito que os crimes de guerra fossem tipificados no nosso Código Penal, e que outros países da América Latina que se encontram na mesma situação façam o mesmo.
A nossa região não pode mais ser destino de criminosos de guerra. Já chega!
“Há duas verdades: a concreta e a abstrata. A diferença é que a primeira admite a relatividade, a outra — não, é absoluta.”
Autor: Ney Paula Batista
*Se um dia a gente se encontrar de novo, o meu amor vai estar igual. Só mais vivido. E se não, ele continua aqui, sem envelhecer.*
(Saul Beleza)
"Cegueira"*
Teu olhar vai buscar distante
o que tens aqui,
mas você não percebe.
Se esses teus olhos
prestassem atenção no meu olhar,
saberia o quanto
meus olhos te desejam.
Eles te chamam baixinho
em cada esquina do dia.
Eles guardam teu nome
no fundo da pupila.
Mas você procura em outro lugar
o que teima em ficar bem aqui.
Mesmo que de soslaio...e calado.
(Saul Beleza
