Pensamentos Mais Recentes
Meu olhar se embriaga
na poesia do pôr do sol,
que irrompe da janela
da minha cozinha
como um poema em chamas.
O céu escreve, em tons alaranjados,
os seus silêncios,
enquanto o dia se retira devagar,
com a serenidade
de quem conhece o próprio tempo.
Sobre a pia,
a louça reflete o esplendor
desse arco-íris poético.
E a minh’alma,
pincelada por essa paleta de cores,
deleita-se
num estado puro de êxtase.
E eu, inspirada,
derramo estes versos
de gratidão à Natureza,
por conceder-me
tamanha bênção.
✍©️ @MiriamDaCosta
0010 "Alguns torcem contra os Grandes, mesmo sem motivo (além da papagaiada do odio)! É automático! Torcem contra a Coca Cola, contra a Apple, contra os Estados Unidos, contra a GLOBO! Conseguem nada com essa torcida contra!”
Fragmentos viram cicatrizes
marcadas na retina de quem ainda ousa olhar.
Depois do confronto, não há vencedores.
há dois orgulhos sangrando em silêncio,
cada um recolhendo os próprios cacos.
Quando tudo começa a ruir,
comparar é inútil.
O chão não escolhe lados
quando desaba sob os pés.
Ninguém se adianta para enxergar o outro melhor,
porque o espelho está quebrado
e reflete apenas versões distorcidas da dor.
A distância cresce onde antes havia diálogo,
e o silêncio passa a ter voz.
O que restou não foi razão,
foi resistência.
Dois corações feridos
lutando para não admitir
que perderam juntos.
Viveram juntos perderam.
Após a queda um lamento.
Não admitir não.
Que perderam juntos.
Não ganha a vida, não ganha na vida quem é muito feliz tendo apenas conforto, mas sim quem consegue alcançar e ter a felicidade como sua companheira, ainda que nada mais tenha.
Quando o peso da consciência é maior que do corpo, é porque o prazer é a prioridade, mas no inverso, o cansaço do corpo, suas limitações e a falta de prazer não superam a alegria de quem pode dizer que tem domínio sobre si mesmo.
A luta é incessante e o maior inimigo é este, o próprio corpo. Este pede como quem manda e nós, aquilo que existe para além do corpo, quando preocupados com a vida em sociedade, em comunhão, sofremos, sofremos por recusar o pagamento à obediência, porque recusamos prazer.
Se deus existe, nada o impede de dar espírito a uma cadeira ou a uma máquina com inteligência artificial.
0008 "A Cegonha me pegou no bico e disse: ‘Parto!’ E partiu comigo, no Bicodela. Por isso, Nasci de Parto! Disseram-me que foi assim. Eu estava lá, mas não lembro!”
O homem perigoso não é o que empunha uma espada,
mas o que destrói mentiras, sistemas e ideias corruptas.
Debaixo da mesma bandeira
Encontraram-se ao entardecer, num campo aberto onde a poeira guardava memórias antigas. Ao centro, uma única bandeira tremulava
— não era vermelha nem preta, não tinha símbolos partidários. Era apenas Angola.
O MPLA falou primeiro, com voz de quem carrega o peso do tempo:
— Eu governei quando o país ainda aprendia a respirar. Errei, sim, mas também mantive a casa de pé quando tudo ameaçava ruir.
A UNITA, com olhar firme e marcado pela história, respondeu:
— E eu lutei quando a casa parecia não ter dono. Também errei. Confundi resistência com teimosia e paguei caro por isso… mas dei voz a quem não se sentia ouvido.
Houve silêncio. O vento levantou poeira, como se despertasse os mortos.
— Sabes
— disse o MPLA
—o poder acostuma mal. Às vezes esquecemo-nos de ouvir porque pensamos já saber tudo.
— E a oposição
— respondeu a UNITA
— pode acostumar-se a criticar tanto que esquece de propor caminhos.
Ambos olharam para a bandeira.
— O povo
— disse o MPLA
— espera mais do que acusações.
— Espera justiça, dignidade e verdade
— completou a UNITA.
— Talvez o nosso maior erro
— confessou o MPLA
— tenha sido confundir o partido com o país.
— E o nosso — admitiu a UNITA — foi achar que o país podia nascer apenas da negação do outro.
O sol começava a desaparecer.
— Angola é maior do que nós
— disseram quase ao mesmo tempo.
E naquele instante compreenderam que a verdadeira guerra não era entre dois partidos, mas entre servir e explorar, entre governar e dominar, entre memória e esquecimento.
A bandeira continuou a tremular, indiferente aos nomes, fiel apenas ao povo.
E o campo, que antes ouvira tiros, ouviu finalmente uma promessa silenciosa:
que a política deixasse de ser herança de ódio e passasse a ser compromisso com o amanhã.
ENTREGACIONISMO × CONTROLE
O confronto entre a entrega e a dominação do existir
Há duas forças que atravessam silenciosamente a experiência humana: o impulso de se entregar e a necessidade de controlar. Nenhuma delas é neutra. Nenhuma é inocente. Ambas disputam o centro da existência.
O Entregacionismo nasce como reação. O controle nasce como medo. Entre esses dois polos, o sujeito tenta sobreviver.
I — O CONTROLE: A PROMESSA DE SEGURANÇA
O controle surge como resposta ao caos. Ele organiza, delimita, estrutura. É o esforço humano de transformar o imprevisível em algo administrável. Através dele surgem normas, sistemas, crenças, rotinas, morais.
Controlar é tentar garantir continuidade.
O problema não está em sua origem, mas em sua ambição.
Quando o controle deixa de ser ferramenta e passa a ser finalidade, ele se torna tirânico.
O controle promete:
* segurança
* estabilidade
* previsibilidade
* proteção contra o erro
Mas cobra um preço alto:
a renúncia à experiência viva.
Sob o domínio do controle, o sujeito passa a existir como projeto. Mede-se, compara-se, vigia-se. O erro vira falha moral. O desejo vira ameaça. A dúvida vira pecado.
O controle não suporta o imprevisível — e a vida é, por natureza, imprevisível.
II — O ENTREGACIONISMO: A RECUSA DA DOMINAÇÃO
O Entregacionismo nasce quando o sujeito percebe que o controle não o salvou.
Não é um grito de revolta, mas uma lucidez tardia. A constatação de que nenhuma estrutura conseguiu conter o caos interno, nenhuma promessa garantiu sentido, nenhuma disciplina impediu a perda.
Entregar-se, aqui, não é desistir.
É abandonar a ilusão de domínio.
O entregacionista não rejeita a responsabilidade, mas recusa a tirania do planejamento absoluto. Ele entende que a vida não se deixa capturar por esquemas.
A entrega é um ato de coragem porque exige aceitar:
• a incerteza
• a impermanência
• a fragilidade
• a ausência de garantias
Enquanto o controle tenta congelar o mundo, o Entregacionismo aceita o fluxo.
Entregacionismo é viver sem fingir.
É abandonar padrões impostos, assumir quem se é e encarar a vida com verdade.
Uma filosofia de P. H. Amancio.
