Pensamentos Mais Recentes

"O adultério te envergonha. O arrependimento te honra 👑

*O RELÓGIO QUE VOLTOU A ANDAR*
A chuva começou antes do almoço e, por algum motivo, resolveu ficar.
Não era uma chuva forte. Era pior. Daquelas que molham a cidade por horas sem produzir nenhum acontecimento digno de nota. O céu baixo, as janelas fechadas, o frio entrando pelas frestas. Um dia feito para não sair de casa.
Meu bourbon tinha acabado na noite anterior.
Considerei sair para comprar outra garrafa. Cheguei a procurar as chaves. Depois olhei pela janela e achei que morrer de frio por uma garrafa de bourbon seria uma maneira muito idiota de continuar vivo.
Deixei as chaves sobre a mesa.
Foi quando a energia acabou.
A casa ficou quieta de uma maneira diferente. A geladeira parou, o computador apagou, o relógio da cozinha perdeu os números vermelhos. Até a chuva pareceu mais próxima.
Acendi uma vela.
O cheiro da parafina tomou conta da sala quase imediatamente. Nunca entendi por que velas têm cheiro de coisa velha. Talvez porque geralmente só as acendemos quando alguma coisa deu errado.
O gato apareceu no corredor, olhou para a vela e depois para mim.
— Não fui eu.
Ele ficou me olhando mais alguns segundos.
Talvez estivesse tentando decidir se acreditava.
Ou talvez estivesse apenas esperando a hora da comida.
Abri uma das caixas empilhadas no armário.
Eu vinha adiando aquilo havia meses. Dentro havia documentos antigos, fotografias, recibos, cartas, cartões de visita de gente que provavelmente já tinha mudado de telefone três vezes ou morrido. Era impressionante a quantidade de papel necessária para provar que uma pessoa existiu.
Comecei pelos documentos.
Certidões.
Contratos.
Papéis de bancos que já nem existem.
Depois encontrei fotografias.
Uma delas me pegou desprevenido.
Eu estava mais jovem, numa praia que não reconheci de imediato. Havia outras pessoas na fotografia. Algumas eu lembrava. Outras não.
Fiquei olhando meu próprio rosto durante um tempo.
Não gostei muito do sujeito.
Parecia confiante.
Isso me incomodou.
Eu não me lembrava de ter sido tão confiante.
Talvez eu apenas tivesse aprendido a posar.
Continuei remexendo na caixa.
Encontrei um relógio de pulso.
Eu o reconheci.
Era meu.
Coloquei-o sobre a mesa.
O relógio estava parado havia anos. A pulseira estava ressecada e o vidro tinha um risco atravessando o mostrador.
Aproximei-o do ouvido.
Nada.
Era estranho escutar o silêncio de um relógio.
Pensei em quantas coisas param sem que ninguém perceba.
Depois achei a velha chave de dar corda.
Ainda estava junto dele.
Dei algumas voltas.
O ponteiro dos segundos começou a andar.
Tic.
Tic.
Tic.
O gato levantou a cabeça.
Olhou para o relógio.
Depois voltou a deitar.
Eu ri sozinho.
Aquele animal tinha um talento irritante para não se impressionar com as coisas certas.
Fiquei sentado no chão, cercado por fotografias e papéis.
Foi aí que percebi que eu tinha passado boa parte da vida tentando guardar provas de que certas coisas aconteceram.
Fotografias para lembrar de pessoas.
Documentos para provar acontecimentos.
Cartas para conservar frases que alguém havia escrito quando ainda queria que eu as conservasse.
Como se a memória fosse uma repartição pública e, sem carimbo, nada tivesse validade.
Peguei uma fotografia.
Naquela época eu ainda achava que tinha tempo.
Não muito.
Mas algum.
É uma diferença importante.
A gente não percebe quando passa a contar a vida de outro jeito. Primeiro pensa em anos. Depois começa a pensar em coisas que ainda dá para fazer. Depois em coisas que talvez não valha mais a pena fazer.
E então surgem os pequenos acordos.
Não vou hoje.
Amanhã eu vejo.
Depois eu compro.
Depois eu telefono.
Depois eu arrumo.
Depois eu saio.
Depois.
Essa palavra tem uma capacidade impressionante de ocupar uma vida inteira.
O relógio continuava fazendo seu trabalho sobre a mesa.
Eu não.
Pelo menos naquele momento.
Eu estava sentado no chão de uma sala fria, com fome, sem bourbon, ouvindo a chuva e um relógio que eu tinha esquecido que existia.
O gato levantou, atravessou a sala e parou diante da janela.
Ficou ali olhando a chuva.
Pensei que talvez ele soubesse alguma coisa sobre permanecer.
Logo depois percebi que aquilo era apenas mais uma das minhas maneiras de transformar um gato em personagem da minha cabeça.
Ele provavelmente estava olhando um pássaro.
Ou querendo sair.
Ou pensando em comida.
Talvez não estivesse pensando em nada.
Essa última hipótese me pareceu bastante ofensiva.
E útil.
Voltei às fotografias.
Uma delas tinha uma dobra no meio.
Passei o dedo sobre ela, tentando alisá-la.
Não adiantou.
Deixei assim.
Durante muito tempo achei que continuar fosse uma espécie de vitória.
Hoje não sei.
Também não sei se é esperança.
Nunca fui muito bom com essa palavra.
Às vezes continuar é apenas aquilo que acontece quando você ainda não parou.
Você acorda porque o corpo acorda.
Faz café porque sempre fez.
Atende o telefone porque ele tocou.
Paga uma conta porque alguém inventou a conta.
Alimenta o gato porque, aparentemente, o gato não está disposto a participar das suas crises existenciais.
E isso vai formando uma espécie de rotina sem discurso.
Talvez seja pouco.
Naquele dia, foi o que eu tinha.
A energia voltou no começo da noite.
A geladeira ligou.
O computador acendeu.
O relógio da cozinha voltou aos números vermelhos.
A casa recuperou seus pequenos ruídos.
Eu poderia ter ligado a televisão.
Não liguei.
Fiquei ouvindo o relógio de pulso.
Tic.
Tic.
Tic.
O gato dormia no sofá.
Guardei os documentos de volta na caixa.
As fotografias, não.
Deixei algumas sobre a mesa.
Não por nostalgia.
Ou pelo menos foi isso que disse a mim mesmo.
Depois fui até a cozinha.
Abri a torneira.
Bebi água.
Não era bourbon.
Mas era água.
Voltei para a sala.
O relógio continuava andando.
Dessa vez não o tirei do ouvido.
Fiquei apenas escutando.
E, naquela noite, pela primeira vez em algum tempo, não tive pressa nenhuma de fazê-lo parar.

"Atitudes simples podem gerar resultados incríveis..."
Haredita Angel
25.08.15

Há abraços que são conversas inteiras
sem uma única palavra. Quando a boca silencia, a alma traduz-se no toque.

“Seja você quem for, tenha sempre como meta muita força e determinação, e faça tudo com muito amor.
Um dia você chega lá.”

Todos os dias tenho desejado
como manda a lei dos namorados:
vir a contar galáxias contidas
nos teus olhos apaixonados.


Compartilhar contigo sonhos
absolutos no banco da praça,
para não pedir à vida mais nada.

ESPELHOS PARTIDOS À BEIRA DO MAR.
A cena ocorre à beira da praia, numa noite em que a lua se desfaz sobre a água, refletida em pequenos fragmentos de mar como se o próprio céu tivesse quebrado um espelho. O narrador, dilacerado pela ausência, conversa com a amada que já não está entre os vivos e com o filho que o oceano tomou. O vento arrasta vozes indistintas, confundindo-se com o soluço incessante das ondas.
NARRADOR:
Meu filho me amava... Sim, ele verdadeiramente me amava. Agora, diante de nossos espelhos partidos, sorrimos como quem ainda tenta recompor os fragmentos de um impossível. E eu sei... sei que, nesta hora, ele me procura, lá em alto-mar, onde repousam segredos que nenhum de nós ousou desvendar.
AMADA (voz etérea, surgindo entre as rajadas da brisa):
Não chores tanto, meu bem. O mar apenas devolve aquilo que nunca nos pertenceu inteiramente.
NARRADOR:
E que me resta, senão ir buscá-lo? Ele me encantava com aqueles olhos de esmeralda viva... Ah, não partas, meu amor! Se fores, talvez nunca mais me encontres. Foi aqui, nesta praia, que nosso filho te esperou durante quatro noites, sustentado apenas pela fé — essa última lâmpada dos desesperados — de que regressarias.
Mas tu jamais voltaste ao nosso casebre, tão singelo, tão pequeno, e ainda assim aceso pelas chamas de um amor que parecia capaz de desafiar o próprio destino.
AMADA:
A esperança que nele ardeu também me sustentou. Mas o tempo é breve para aqueles que se amam demasiadamente e parece infinito para aqueles que permanecem esperando em silêncio.
NARRADOR (ajoelhando-se na areia):
Por isso te suplico: não vás!
Mas aqueles olhos... Ah, aqueles olhos! Deus os quis para Si antes mesmo que tivéssemos aprendido a compreendê-los. Foram uma dádiva breve, como as flores que desabrocham somente para adornar um instante e, depois, entregam ao vento a sua última fragrância.
AMADA (a voz se afastando, quase confundida com o rumor das ondas):
Então espera...
Espera-me como esperaste o retorno impossível. Espera-me até que as ondas levem a última chama que ainda te arde no peito.
Porque, quando a brisa cessar e a noite recolher seus últimos murmúrios, nós três seremos apenas um só sopro — indivisível, silencioso — respirando eternamente no coração de Deus.
NARRADOR (em lágrimas, contemplando o mar):
Eu esperarei.
Pelo filho que partiu.
Por ti, meu eterno amor.
Esperarei enquanto houver mar, enquanto houver lua, enquanto alguma estrela se atrever a permanecer acesa sobre estas águas.
E, quando a última brisa me levar...
quando a areia apagar meus passos...
quando já não houver voz capaz de chamar por ninguém...
restará apenas o mistério.
E talvez, no centro desse mistério, eu finalmente encontre vocês dois.

"Na primeira parte da vida, a gente aprende.
Na segunda parte, a gente conquista.
Na terceira parte, a gente retribui"

Denzel Washington

“O ego é o parasita que ocupa o vazio da alma quando corpo e espírito não estão unidos através do Amor”

Não deixe o pecado do homem na igreja te fazer duvidar da santidade do Deus da igreja.

Minha companheira persistente é a inércia que nasce da velocidade constante que habita minha mente

Tentando entender o sentido de ainda continuarem brigando, sendo que deveriam estar se ajudando. O ateísmo usa como argumento que estamos aqui por acaso — claro, pode ser que estejamos aqui por acaso — e o cristianismo diz que estamos aqui porque Deus deu um sentido à vida.

É TÃO DIFÍCIL PRA HUMANIDADE PATÉTICA ENTENDER QUE O UNIVERSO NOS COLOCOU AQUI POR ACASO, MAS A MINHA VIDA, AS MINHAS DECISÕES, AS MINHAS ESCOLHAS, OS MEUS SONHOS, ISSO SIM TEM SENTIDO!
FODA-SE SE O UNIVERSO ESTÁ AÍ POR ACASO, A MINHA VIDA NÃO É POR ACASO! PAREM DE BRIGAR E VOLTEM A VIVER, PROCUREM O SENTIDO DAS SUAS VIDAS!

Gilson da Rosa - 25/08/2026

Quando precisar


Não precisa escolher palavras bonitas para falar comigo.
Nem encontrar uma razão especial.


Se algum dia o mundo parecer pesado demais,
se a noite ficar longa,
se houver coisas que você não consiga contar a ninguém,
venha.


Não prometo ter respostas para tudo.
Às vezes, tudo o que alguém precisa
é de outra pessoa que permaneça por perto.


E quando a vida lhe trouxer uma alegria inesperada,
quando alguma coisa fizer seu coração sorrir,
venha também.


Quero conhecer suas tristezas,
mas também quero celebrar suas pequenas vitórias,
rir das suas histórias
e guardar com você aqueles momentos
que a gente gostaria de congelar no tempo.


Não importa a distância,
nem a hora,
nem o motivo.


Há pessoas que a vida coloca em nosso caminho
e que, depois de algum tempo,
já não precisam de explicação.


São presença.


E, se um dia você precisar de uma,
lembre-se de mim.


Não porque eu possa resolver o que dói,
mas porque talvez eu possa tornar
o caminho um pouco menos solitário.


Quando precisar, venha.
Eu estarei aqui.

A gente não tá nem aí pra esquerda ou direita; o que a gente quer é emprego, comida na mesa, escola para os filhos, moradia digna, segurança, saúde e transparência com o dinheiro da gente.


Benê Morais

Um bom carro, não precisa de um bom piloto, em linha reta e só acelerar, só precisa do carro, mas são nas curvas que a maioria se desespera e perde o controle, perde a posição, precisa ter habilitado, analisar as variáveis, quando diminuir e quando acelerar, não se acomode em linha reta, esteja preparado para as adversidades das curvas.

*BOLERO NUNCA MAIS*

Bolero contigo nunca mais.
Bolero é colado demais,
é promessa demais,
é peito com peito fingindo que é pra sempre.
Contigo, nunca mais.
Um tango talvez,
na hora da despedida.
Tango pode.
Tango é bonito pra quem já vai embora.
Tem drama, tem perna, tem queda,
mas todo mundo já sabe que termina quando a música acaba.
Então guarda o bolero.
Bolero é pra quem fica.
Pra gente?
Deixa o tango.
Uma última dança,
bem pisada,
sem sorriso,
sem volta.
Depois cada um pro seu lado da rua.
Sem porta encostada.
Sem travesseiro.
Só o eco do salto no salão vazio.
(Saul Beleza)

A paralaxe estelar
nunca irá alcançar
o que o coração
consegue enxergar:


Não há como negar
De muito amor
inteiro tu és feito.


[Venero o teu jeito.]

No céu surge a Aurora austral
quando os deuses dançam,
Há uma pulsão transcendental
que nossos corações cantam
no mesmo ritmo e idioma:
As urgências não amainam
o sonho na imensidão universal.


[Não é apenas querer, é sem igual.]

O Solstício de inverno
faria de fato sentido,
se eu tivesse você perto.


Como querer no momento
não tem sido poder:
rendo culto aqui dentro.

Algo entre nós se parece
com alinhamento de planetas:


Por nós tenho contado estrelas
e escrito amorosos poemas...

*Nem todo elogio se fala*

Tem elogio que não sai da boca,
mora na atitude.
Na mão que ajuda,
no ouvido que escuta,
no orgulho quieto de ver o outro brilhar.

Eu não sou de enfeitar com palavras,
sou de reconhecer com verdade.
Se faço, se fico, se cuido,
já estou dizendo:
eu vejo você, eu te admiro.

Não precisa de plateia todo dia,
nem de frase decorada.
Quem é grande de verdade,
não precisa que gritem.
Só precisa que não esqueçam.

*Elogio em silêncio*

Não vivo de dizer o quanto és,
eu vivo mostrando.
No cuidado que tenho,
no respeito que guardo,
no olhar que reconhece
mesmo quando a boca se cala.

Não preciso repetir todo dia
o que meu gesto já disse.
Quem ama de verdade
não conta elogios,
vive eles.

Tem gente que precisa ouvir
a cada hora o seu valor.
Eu prefiro provar,
no dia a dia,
que eu sei quem você é.

E se meu silêncio te parece frio,
repara bem:
é que meu elogio não faz barulho.
Ele fica.

Justiça de verdade é aquela que condena padres e pastores pelo crime de estelionato.

Luar Crescente de madrugada
na minha cidade de Rodeio 
atravessando a serena mata
anuncia a queda de temperatura,
Uma companhia que enternura
o silêncio e a poesia profunda. 


(O meu coração de procura).

"Deus nunca buscou a perfeição para nos chamar; Ele conhecia todas as nossas fraquezas e, ainda assim, nos escolheu. Ele não nos pede para sermos invencíveis, mas apenas para confiarmos no Seu amor e darmos o próximo passo."