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O Dia em que Eu Me Fui
Vai chegar o dia em que você abrirá o celular e não encontrará mais uma mensagem minha.
Minha foto desaparecerá.
Meu número mudará.
Meu silêncio ocupará o lugar onde antes existia a minha insistência.
E, quando esse dia chegar...
Acredite.
Não será porque deixei de sentir.
Será porque, finalmente, consegui deixar você partir de dentro de mim.
Nesse dia, não haverá mais espera.
Não haverá mais saudade.
Nem perguntas sem resposta.
Você deixará de existir no único lugar onde ainda vivia: dentro do meu coração.
Para mim, será como se a nossa história tivesse encontrado o seu fim.
Não porque ela nunca tenha sido importante.
Mas porque algumas lembranças precisam ser sepultadas para que a alma volte a respirar.
Talvez você só perceba minha ausência quando ela se tornar definitiva.
Talvez seja tarde.
Talvez não.
Mas isso já não fará diferença.
Porque, no dia em que eu desaparecer da sua vida...
Também terei desaparecido da prisão que era esperar por você.
E esse será o dia em que, finalmente, eu voltarei a viver.
Cyntia Karla De Liz
Autora
"MuITAS VEZES O CARINHO, A COMPREENSÃO SÃO OS MELHORES REMÉDIOS PARA COMBATER ÀS DOENCAS DO CORPO E DA ALMA" Ademar de Borba
" Em cada paciente, existe uma história, uma família e alguém que ama profundamente essa pessoa. Seja o alívio e a esperança que eles tanto precisam hoje."
"É desafiador assistir quando o peso de um diagnóstico parece esgotar as forças de um paciente, transformando a doença em um destino aceito em vez de um obstáculo a ser vencido."
"Compreender a dor do outro, muitas vezes, é reconhecer o privilégio daquilo que possuímos e que falta ao próximo."
O erro não foi o nosso encontro, foi a teimosia de tentar encaixar um quebra-cabeça de mundos diferentes.
Toda teoria termina onde o Primevo começa. Depois desse limite, o pensamento deixa de explicar e aprende, enfim, a escutar. Há verdades que não se revelam ao intelecto, porque pertencem a uma profundidade onde compreender já não basta; é preciso silenciar.
A razão ilumina o caminho. O Primevo ilumina o abismo. E, quase sempre, é o abismo que decide a direção dos passos antes que a razão lhes atribua um destino.
A personalidade é uma embarcação construída pela cultura; o Primevo é o oceano que jamais deixou de mover suas águas. A primeira acredita escolher a direção dos ventos; o segundo conhece correntes que existiam muito antes de qualquer navegante. O homem chama de vontade aquilo que, muitas vezes, é apenas o movimento invisível das profundezas.
O Primevo nunca nasce nem morre. Precede o tempo, sobrevive à memória e permanece indiferente às metamorfoses da identidade. Apenas aguarda o instante em que as máscaras se enfraquecem para recordar ao homem aquilo que jamais deixou de ser.
A moral disciplina o comportamento, mas jamais alcança o Primevo, porque nenhuma lei escrita desce até onde a vida começou. A ética organiza a convivência entre os homens; o Primevo precede o próprio surgimento do homem. Antes de qualquer mandamento, já existia a força silenciosa que impulsionava a conservar, temer, desejar e permanecer. A moral pode conter os atos; jamais extinguir aquilo de onde eles nasceram.
Cada osso guarda uma memória mais antiga que a própria história. O Primevo não habita apenas a alma; sedimentou-se na carne, nos nervos, no sangue e na arquitetura silenciosa do corpo. Antes que a consciência aprendesse a pensar, o corpo já sabia sobreviver, temer, desejar e recordar. Há memórias que jamais passaram pela linguagem, porque foram inscritas na matéria muito antes de existirem palavras para descrevê-las.
Enquanto menino sou um náufrago do destino que roçando os caminhos do coração encontrou seu amor divino
A consciência administra apenas a superfície da existência. O Primevo governa, em silêncio, tudo aquilo que a razão acredita controlar. Enquanto o homem imagina decidir os rumos da própria vida, forças muito mais antigas já inclinaram sua vontade, seus afetos, seus medos e seus desejos. A consciência escreve a narrativa; o Primevo determina o enredo.
O Primevo não esquece. Tudo o que a consciência sepulta continua respirando nas profundezas do ser, aguardando apenas um corpo, um gesto ou um sonho por onde possa regressar. Nada do que é essencial desaparece; apenas desce para regiões onde a linguagem já não alcança. E, de tempos em tempos, rompe o silêncio para recordar ao homem que aquilo que ele chama de passado nunca deixou de ser presente.
O homem não sofre porque perdeu a si mesmo. Sofre porque passou a vida inteira fugindo do Primevo que jamais deixou de habitá-lo. Quanto mais se afasta dessa origem silenciosa, mais tenta preencher o vazio com identidades, crenças, conquistas e distrações. Mas nada consegue ocupar o lugar daquilo que nunca foi embora.
O homem não evoluiu; apenas sedimentou camadas sobre aquilo que sempre foi. Sob a cultura, a moral, a linguagem e a própria consciência permanece um território mais antigo do que qualquer civilização. A consciência é apenas uma névoa tênue que paira sobre profundidades que nenhuma teoria psicológica alcançou por completo. Sigmund Freud chamou uma parte de inconsciente; Carl Jung falou em sombras e arquétipos. Mas há algo ainda anterior a essas formulações — uma região sem símbolos, sem linguagem, sem história. Se a pobreza das palavras permitisse nomeá-la, chamar-se-ia Primevo: não a primeira camada da alma, mas aquilo de onde todas as camadas emergem.
Esperança Para Luciana
Luciana, não desanima.
Quando o marido foi embora,
Deus ficou.
Ele ampara nos mínimos detalhes,
enxuga lágrimas que ninguém vê,
cola os pedaços da alma,
e cura dores que doem em silêncio.
No deserto Ele não abandona.
É lá que forja o caráter,
que transforma areia em caminho,
e sede em promessa.
O que hoje parece fim
é só Deus te ensinando a recomeçar.
Ele te sustenta com mãos de Pai,
te levanta com amor que não falha.
Vai passar.
E quando passar,
você vai olhar pra trás
e ver que foi Deus te carregando
em cada passo.
*Autoria: Márcia Reis Nazar*
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O paradoxo da consciência.
O fato de formarmos conexões no distante e profundo vácuo do cosmos.
Abrimos as portas do conhecimento dentro do campo da existência.
Os neurônios erguem-se como pontes de comunicação com a própria consciência.
Vemo-nos como aglomerados de luz dentro da mente.
Neurônios: condutores de pensamentos e imagens.
