Pensamentos Mais Recentes
Cegos são especiais porque a ausência da visão apura os outros sentidos; eles não veem a imagem, mas enxergam a verdade no ar
Quando Cistenes e os atenienses desenharam a Democracia não imaginaram que os bufões pudessem ser eleitos e a política se transformar em circo.(Walter Sasso)
As aplicações dos neutrinos são infinitas — desde a radiografia de pirâmides até a sondagem do espaço profundo. A informação que carregam atravessa milhares de mundos, revelando o conhecido e o insondável sobre supernovas, buracos negros e buracos brancos, gerando efeitos que alimentam o próprio pano de fundo da consciência humana.
Dentro dos colisores de partículas, experimentos investigam o emaranhamento quântico, ondas massivas e reações expostas pelo avanço do estudo. Conforme o conhecimento se enriquece, a ciência evolui e desdobra o cosmos diante de nós. Estamos apenas no início das descobertas: com o avanço tecnológico, teremos uma perspectiva completamente nova do universo ao nosso redor. Podemos, inclusive, teorizar que os neutrinos sejam a base da comunicação quântica de civilizações avançadas através das linhas temporais.
Que esse teu sorriso tão bonito apareça mil vezes pela vida, como o sol que insiste em nascer depois da chuva mais longa. Que cada um deles te faça grande por dentro, abrindo as portas para sentimentos novos e para que você se entregue sem medo às coisas boas. Que cada um deles ajude a curar qualquer ferida que ainda doa, embalando as lembranças tristes com carinho e devolvendo a paz ao teu coração. Que cada um deles acenda uma luz que, mesmo que ninguém veja, tenha a força de deixar a vida mais leve, adoçando os momentos difíceis e iluminando os dias cinzentos. Que esse sorriso seja teu abrigo...
“Não permita que a força determine suas escolhas, nem que a conveniência dos privilégios silencie sua consciência; há decisões cujo verdadeiro valor reside em discernir o que é correto, permanecer fiel a essa convicção e aceitar, como expressão da própria liberdade, o preço de sustentá-la.” — Leonardo Azevedo. A frase propõe uma reflexão sobre a liberdade não como simples faculdade de escolher, mas como responsabilidade de sustentar conscientemente as consequências daquilo que se escolhe, estabelecendo uma tensão entre três forças que frequentemente disputam a decisão humana: o poder, a conveniência e a consciência. Ao advertir que a força não deve determinar as escolhas e que os privilégios não devem silenciar a consciência, o pensamento recusa tanto a submissão ao poder quanto a sedução daquilo que oferece segurança, vantagem ou conforto, deslocando o fundamento da decisão para o campo do discernimento ético. Nesse sentido, reconhecer o que é correto constitui apenas o primeiro movimento, pois a integridade se realiza verdadeiramente quando se permanece fiel à convicção formada, sobretudo quando essa fidelidade exige renúncia, perda ou enfrentamento. O desfecho aprofunda essa perspectiva ao apresentar o preço da escolha não como punição, mas como expressão da própria liberdade, sugerindo que ser livre não significa escolher sem custos, e sim conservar a autonomia moral mesmo quando agir de acordo com a consciência impõe consequências. Assim, a frase articula liberdade, consciência e responsabilidade em uma mesma unidade ética: a verdadeira independência não está em poder escolher qualquer caminho, mas em não permitir que a força ou a conveniência escolham em nosso lugar.
A Sacralidade Chardonnay
"No teu nu
depositei minha alma,
doce veneno provado.
Como quem bebe da taça
do mais puro vinho:
nascido da uva,
gerado no galho
da melhor árvore de casta nobre...
...fiz deste chão meu paraíso,
onde te entreguei meu néctar.
E das uvas do teu ventre,
fiz cortesia superior ao de
um Cabernet Sauvignon,
à Pinot Noir, ao Merlot e ao Malbec...
...Permanecendo ainda com este sabor
na lembrança gustativa do teu cálice."
Mário Sérgio
Chardonnay: A rainha das uvas brancas. Originária da Borgonha, é uma uva camaleônica que se adapta brilhantemente ao redor do mundo. Ela dá vida aos refinados vinhos de Chablis e é a uva principal na elaboração dos melhores Champagnes do planeta.
“Não permita que a força determine suas escolhas, nem que a conveniência dos privilégios silencie sua consciência; há decisões cujo verdadeiro valor reside em discernir o que é correto, permanecer fiel a essa convicção e aceitar, como expressão da própria liberdade, o preço de sustentá-la.” — Leonardo Azevedo.
Quando gostamos de uma pessoa,
a princípio não gostamos de sua totalidade,
visto que sequer conhecemos sua totalidade.
Gostamos de recortes que dialogam
com ideias internas nossas,
com nossos preconceitos,
com aquilo que esperamos encontrar.
Com o tempo, vamos descobrindo outras partes,
algumas que não necessariamente nos agradam.
E aprendemos a tolerá-las.
Em alguma medida, conseguimos absorvê-las.
Então, a imagem vai se transformando em história.
E entendemos que uma totalidade,
sempre um pouco obscura para nós,
projeta em nós, sob fortíssima influência nossa,
aquilo que dialoga conosco.
Talvez gostar de alguém seja também isso:
reconhecer, aos poucos,
onde termina aquilo que imaginamos
e começa aquilo que o outro é,
compreendendo o afeto como uma construção própria
que tem, como parte de si,
algo que é independente de nós.
Todos nós temos sentidos na vida,
caminhos que o coração escolheu,
alguns chegam como uma brisa,
outros ficam porque o destino escreveu.
Há quem encontre sentido no amor,
na família, nos sonhos e na amizade,
há quem transforme a própria dor
em força, esperança e vontade.
Nem sempre entendemos a direção,
às vezes caminhamos sem saber,
mas cada encontro, cada emoção,
tem algo novo para nos ensinar a viver.
O sentido pode estar num abraço,
num sorriso sincero ao amanhecer,
num simples “eu estou ao seu lado”,
ou em alguém que escolhe permanecer.
Porque a vida não é só chegar,
é sentir, amar e aprender.
É ter motivos para continuar,
e alguém especial para agradecer.
E quando olharmos para trás,
talvez possamos finalmente entender:
que o maior sentido da vida
é ter vivido, amado… e feito valer.
O campo, seja de batalha ou de futebol, é para poucos. Se você chegou até aqui, você já é um vencedor individual, A vitória do seu exército ou o gol do seu time são consequências.
Amanhã saberemos que tudo
não passava de uma piada.
Alguns sorridentes dirão:
«Eu avisei!»
Outros, perplexos,
ficarão mudos de tristeza.
Mas, depois de amanhã,
a vida continuará normalmente,
como se vivêssemos
num paraíso de bestialidade.
Porque o ser humano
transformou a vida
num espetáculo medíocre,
onde os protagonistas
sorriem obrigatoriamente,
mesmo que o choro
lhes estampe no rosto
toda a sua dor.
Mas a plateia não se interessa.
Nem sequer sabe o nome do espetáculo,
mas aplaude efusivamente
cada personagem de si mesma,
tristemente retratada
por outro ser igual a si
no palco da vida.
Só descobrem a verdade
quando o reflexo dos holofotes
revela, no palco,
as suas faces sem brilho,
sem alegria e sem vida.
Espantados,
veem as cortinas fecharem-se,
sem saberem se estão mortos
ou vivos.
Mas, no dia seguinte aos «depois»,
para alguns, o palco nunca mais reabriu;
para outros, nada mudou,
porque nunca compreenderam
quem são.
As águas que brotam na primavera
Escrevo-te de próprio punho.
Estamos na primavera; o inverno, na sua pressa, deu lugar às flores, ao cheiro bom e suave.
Neste mundo velho, onde as lembranças têm o seu próprio canto, sou conduzido pela justiça do presente a celebrar a verdade.
Aqueles que nos separam entoam um cântico triste: são desleais e deleitam-se no seu próprio engano.
Outrora, falámos que as águas que brotam na primavera são límpidas; as gaivotas reúnem-se ao teu redor para entoar melodias que só elas sabem cantar.
Assim também são os meus sentimentos pela tua vida: nutridos de lucidez, livres de qualquer mesquinhez.
As tardes aqui, no verão, são quentes e vibrantes, assim como o meu respeito pela tua vida.
Creio que há sempre tempo para expressar a verdade e esclarecer os factos.
Aqui, deste chão que me vê escrever, sou levado a não falar dos espinhos, das ausências nem do esquecimento, mas a registar o sentimento de afeto.
Risco todo o deslaço que os pérfidos celebram.
Digo e repito:
não há outro sentimento
senão o amor.
É com este mesmo espírito que, respeitosamente, te peço:
não te detenhas nos falsos dizeres que têm chegado aos meus ouvidos.
Antes, pelo contrário, mantenhamos este canal de diálogo em sigilo.
Por amor e respeito, escrevo-te:
este gesto é fraterno,
é de amor
e gratidão.
Mantenhamo-nos discretos; só assim estaremos protegidos da celebração dos pérfidos, porque eles anseiam pela discórdia enquanto santificam os seus pecados.
Eu sou contra que crianças tenham contato com armas sejam em tempos de paz ou em tempos de guerra.
Em tempos de paz uma arma ser colocada na mão de uma criança acena que há um processo de radicalização em curso.
A urgência do agora
Quando for tarde demais
Quando for tarde demais,
tu chegarás atrasado.
Não haverá tempo para abraços,
não haverá tempo para despedidas,
não haverá tempo para pedidos de desculpa,
não haverá tempo para explicações.
Será depois —
e o depois é passado.
Será uma urgência perdida,
uma vitória fracassada,
lágrimas dispensáveis.
Hoje, agora,
é tudo o que existe.
O resto são lembranças,
saudades que o tempo não perdoa,
não esquece,
não morre.
Vive o presente,
que é dádiva.
Se o amanhã existir,
será um novo tempo.
Imperfeito
Sou um caminhante imperfeito
que aperfeiçoa sua busca
a cada sonho realizado.
É nesse encontro
de sombras e cinzas
que me refaço,
renascendo dia após dia.
Exclusividade
Vês o meu olhar,
tens-me.
Fugitivo e vagante,
sou por mãos alheias.
Mas tens-me, sem lugar,
hora ou dia.
Unicamente
me tens de corpo inteiro.
AMIGO
Precisa-se de um amigo,
não um amigo qualquer;
um amigo que chore,
que abrace e ouça,
um amigo que sinta sua falta,
que, mesmo sem saber onde você está,
saia à sua procura.
Um amigo com quem você não precise mentir,
que te olhe,
te abrace como se não houvesse amanhã;
um amigo que ligue só para contar uma piada,
quando sabe que você só queria desaparecer.
Se não for assim, não quero.
Cansei de ser o ombro amigo,
de ligar,
de ouvir em silêncio, sem nada falar.
Cansei de abraçar,
cansei da falta de reciprocidade,
cansei da ausência de empatia.
Cansei de dizer palavras que acalmam,
de repetir “está tudo bem”
sem ouvir um “obrigado.”
Cansei de ser abrigo
quando meu coração estava em pedaços.
Cansei de ver pessoas entrando e saindo da minha vida,
quando já não havia nada a oferecer.
Então, a quem vier e quiser ficar,
saiba que encontrará reciprocidade.
Caso contrário, vá embora.
Aprendi a caminhar sozinho,
a sofrer sozinho,
a desabafar comigo mesmo,
a chorar e brigar.
Descobri que sou o suficiente.
Eu sou o meu melhor amigo.
Florescer em Silêncio
Passo o dia esculpindo pedras,
Como se as flores nascessem
Sem esperança.
Quanta ingenuidade!
De cabeça baixa, sigo,
Cercado pela desumanidade,
O céu, em silêncio, chora,
Mas o coração insiste.
As folhas secas se agarram,
Mesmo no inverno,
Quando as flores não nascem,
A primavera as faz renascer.
Entre lágrimas aprisionadas,
Ora livres, ora contidas,
Elas não se calam.
O jardineiro de mãos serenas
Observa, enquanto as flores,
Assim como ele,
Florescem a cada manhã.
