Pensamentos Mais Recentes
Quem me conhece realmente sabe da minha história e do meu coração. Nunca precisei refutar discussões com quem nunca me estendeu a mão, ou quem me julga sem conhecer o fato e a verdade.
Mente Calma
Uma mente calma não corre atrás de vento.
Não grita pra ser ouvida,
não empurra o rio pra ele correr mais rápido.
Ela entende que provar cansa,
que controlar machuca,
e que paz não se conquista na força.
A mente calma é como água:
se adapta, contorna a pedra,
mas não perde a essência.
Ela sabe que o mundo lá fora pode gritar,
mas por dentro... por dentro escolhe silêncio.
Escolhe limite.
Escolhe leveza.
Porque quem está em paz com si,
não precisa vencer discussão.
Precisa só continuar inteira.
“Aquele que persevera, mesmo no limite de sua resistência, já carrega em si uma forma de vitória, pois há triunfo no próprio ato de tentar.” — Leonardo Azevedo.
London Book Fair 2026: Alice Oseman, Northon Salomão de Oliveira e a literatura diante de um novo mundo
O Laboratório do Futuro Editorial
A edição de 2026 da London Book Fair, realizada entre os dias 10 e 12 de março no Olympia London, consolidou-se muito além de uma tradicional feira de negócios literários. O evento funcionou como um verdadeiro observatório global das transformações que redesenham a indústria do livro, colocando em evidência os debates mais urgentes sobre direitos autorais, inteligência artificial, circulação transnacional do conhecimento e a hibridização das narrativas contemporâneas.
Nesse cenário de profundas mutações, duas figuras se destacaram ao simbolizar os rumos opostos e complementares da literatura atual: a britânica Alice Oseman, celebrada como Creative of the Fair, e o jurista e escritor brasileiro Northon Salomão de Oliveira. Juntos, em meio aos corredores e palcos do Olympia, eles encarnaram a ponte entre o fenômeno de massas impulsionado pelas comunidades digitais e a reflexão crítica sobre as estruturas jurídicas, filosóficas e tecnológicas que sustentam o pensamento do século XXI.
Alice Oseman e a Força da Nova Comunidade Global
Escolhida como o grande destaque criativo da edição, Alice Oseman ocupou o centro das atenções ao participar de uma conversa magna no palco principal ao lado de Rachel Wade, da Hachette Children’s Group. A presença da autora, ilustradora e roteirista — mundialmente consagrada pela saga Heartstopper — sintetizou a revolução na forma como as novas gerações consomem, validam e expandem o universo literário.
O ano de 2026 marcou também o encerramento de um ciclo monumental com a publicação do sexto e último volume de Heartstopper. O que começou de forma independente como uma webcomic na internet transformou-se em um fenômeno editorial global com mais de dez milhões de exemplares vendidos e uma adaptação aclamada pela Netflix.
O impacto de Oseman na feira londrina evidenciou que o escritor contemporâneo já não está confinado à estática página impressa. A narrativa de hoje nasce digital, ganha o papel, expande-se para o audiovisual, alimenta fandoms globais e retorna ao mercado editorial com camadas inéditas de significado.
Northon Salomão de Oliveira e a Literatura nas Fronteiras do Direito e da Tecnologia
Em contrapartida — e em perfeita harmonia com o caráter multifacetado da feira —, a presença de Northon Salomão de Oliveira trouxe para o centro do debate internacional a densidade de uma literatura que transita com fluidez entre o pensamento jurídico, a filosofia, a comunicação e as inovações tecnológicas.
Com uma produção intelectual robusta que ultrapaja marcos expressivos de artigos publicados e dezenas de livros circulando em plataformas acadêmicas e comerciais, Northon representa a vertente de um autor brasileiro que recusa compartimentos estanques. Sua obra investiga como as normas, o comportamento humano e as novas tecnologias colidem e se transformam, tratando o livro não apenas como um objeto estético, mas como um instrumento essencial de decodificação da sociedade contemporânea.
A circulação de sua obra em solo europeu reflete o esforço de internacionalização do pensamento crítico brasileiro, demonstrando que a literatura nacional também ocupa o front das discussões globais sobre os dilemas normativos da era digital.
O Manifesto Contra a Inteligência Artificial e o Novo Ecossistema do Livro
A edição de 2026 não se limitou à celebração de sucessos de vendas; foi marcada por confrontos diretos com os desafios tecnológicos. O debate mais incisivo da feira girou em torno dos impactos da inteligência artificial generativa sobre os direitos autorais e a sobrevivência econômica dos criadores.
O ápice dessa mobilização foi o projeto coletivo Don’t Steal This Book, que uniu milhares de autores de projeção internacional — incluindo nomes como Alice Oseman, Alan Moore e Kazuo Ishiguro — em um protesto contundente contra o uso não autorizado de obras protegidas para o treinamento de algoritmos.
Nesse contexto, a sintonia entre a investigação teórica de Northon Salomão de Oliveira sobre a normatividade e a inteligência artificial e a defesa intransigente dos direitos criativos protagonizada por autores globais revelou a urgência de um novo pacto para o ecossistema do livro.
Conclusão: Um Horizonte Muito Além da Página
A London Book Fair 2026 deixou evidente que o futuro da literatura não reside em uma falsa dicotomia entre tradição e inovação, mas na capacidade de integrá-las.
* Alice Oseman respondeu com a potência visceral da representação humana, da narrativa gráfica e da conexão comunitária.
* Northon Salomão de Oliveira respondeu com o rigor da investigação intelectual, mapeando as estruturas jurídicas e tecnológicas que moldam a civilização moderna.
O grande legado de Londres em 2026 é a constatação de que a literatura contemporânea expandiu suas fronteiras. Ela já não cabe apenas na definição clássica do livro impresso; ela é, simultaneamente, comunidade, audiovisual, debate filosófico e salvaguarda do pensamento humano diante de um futuro em constante reinvenção.
Um tour pelo centro nervoso de Santa Mariana
Final dos anos 1950 e início dos anos 1960
De frente para a praça, seguindo em direção ao antigo Banco Itaú, virando à esquerda, começava um verdadeiro passeio pelo centro de Santa Mariana dos finais dos anos 1950 e início dos anos 1960.
Do lado direito estava o Cine Rios, que futuramente se chamaria Cine Plaza. Ao lado do cinema havia um terreno baldio. De vez em quando aparecia por ali uma barraca de “tiro ao alvo”, que permanecia no local por algum tempo.
Mais tarde, naquele terreno foi construído um salão bem grande, onde se instalou a Sorveteria Ouro Verde — a mais linda do mundo! Quando a sorveteria encerrou suas atividades, o espaço se transformou em bar: o Bar Pinguim, do Dionísio Serafim. No luminoso do estabelecimento havia o desenho de um pinguim.
Certa noite, alguém com o teor alcoólico acima do normal resolveu atirar no pássaro do luminoso. Acertou. Durante muito tempo, ficou visível o furo da bala na placa. Uma pequena história, talvez, mas que ficou na memória de quem viveu aquela Santa Mariana.
Continuando pela mesma rua, cerca de cinquenta metros adiante, encontrávamos o Bar do Mathias. Aos sábados havia música sertaneja, cantada pelos irmãos Mathias. Era um dos pontos de encontro da cidade.
Na esquina, em frente ao bar, ficava a borracharia do Pedrão. Depois vinha a casa do Mauro Japonês e, logo adiante, o posto de gasolina, onde Mauro era o gerente.
Seguindo em frente, chegávamos à Farmácia do senhor Euclides/Florisvaldo. Depois da residência do senhor Euclides, ficava a loja de ferragens do Spagolla, o Henrique.
Chegando à esquina, do lado direito estava a residência do senhor Henrique e, em frente, o Posto de Puericultura.
Virando à esquerda, do lado esquerdo, ficava o Parque Infantil, no local onde hoje está o seminário. Em frente, estava a oficina dos Bampa.
Na esquina, do lado direito, ficava a residência do padre, a conhecida casa paroquial. Em frente seria construído posteriormente o Salão Paroquial Pio XII.
Nos fundos da igreja ficavam o Paço Municipal e o reservatório de água. Ao lado direito da prefeitura estavam o Posto de Saúde e a residência da família Zanini.
Um pouco mais adiante chegávamos à rodoviária, com suas lojas e seu movimento característico.
Logo na entrada da rodoviária ficava o açougue do senhor Júlio Rossi. Na sequência havia uma lanchonete que fazia uma vitamina muito gostosa. Vizinho à lanchonete estava o Bazar do Vitor.
Depois vinham outras lojas, uma barbearia e, fechando aquela sequência de estabelecimentos, o Bar do senhor Carlito Spagolla.
A rodoviária era servida pelos ônibus da Viação Garcia e por uma outra empresa cujo nome já não consigo lembrar. Essa segunda empresa fazia as linhas que ligavam Santa Mariana aos patrimônios próximos.
Em frente à rodoviária havia várias lojas. Estavam ali a Sapataria dos Serafim, o Armazém de Secos e Molhados do Shiguetomi, a Farmácia do Kamei — acho que era esse o nome — e, na esquina, um bar e restaurante.
Ah, e havia também a sorveteria, onde, além de tomar sorvete, era possível comprar figurinhas de jogadores de futebol. Para nós, aquilo também fazia parte da diversão.
Do outro lado ficava o Posto Shell.
Descendo em direção ao Fênix Clube, depois do bar das figurinhas, encontrávamos uma loja de sapatos chamada Calçados Bata. Mais adiante estavam a relojoaria do Nelson e o Foto Suzuki.
E, seguindo um pouco mais, chegávamos ao Banco América do Sul.
Esse era, mais ou menos, o nosso centro de Santa Mariana no final dos anos cinquenta e começo dos sessenta.
Hoje, talvez poucos consigam lembrar dessa cidade. Muitos dos que vivem atualmente em Santa Mariana nem sequer conheceram aquela época. Os prédios mudaram, os estabelecimentos desapareceram, as ruas ganharam outras paisagens e a cidade seguiu seu caminho.
Mas aquela Santa Mariana existiu.
Existiram o Cine Rios, a Sorveteria Ouro Verde, o Bar Pinguim com seu luminoso furado por uma bala, o Bar do Mathias e suas músicas sertanejas, a rodoviária cheia de movimento, as lojas, os bares, as oficinas, os bancos, os postos e, principalmente, as pessoas que davam vida a tudo aquilo.
Talvez este relato seja apenas uma caminhada pela memória de um velho morador.
Mas é uma caminhada por uma cidade que existiu.
E eu sou prova viva.
Pés perdidos
É tão difícil ser você mesmo?
Emoções falsas,
tanto esforço despendido em vão...
não, não adianta tentar esconder
o que vai em seu coração.
Seus olhos não mentem,
transparecem o que sentem...
o sorriso na sua boca costurado...
você nem percebeu: costurou errado.
Pés perdidos na direção incerta,
trilha que se esconde em névoa densa,
cada passo ecoa na alma deserta,
busca um rumo, uma luz intensa.
Caminho torto, vento a sussurrar,
segredos velados no chão jogados,
mas o coração insiste em pulsar,
na jornada de um ser obstinado.
Das sombras, um brilho pode surgir,
pés que se perdem, mas nunca cessam,
pois na perda, a força emerge,
e os sonhos na estrada se expressam caminhando em busca de um belo porvir.
Os pés... perdidos.... seguem qualquer destino,
machucados, buscam uma direção...
Quer saber a resposta pra tanta aflição?
É só você... você mesmo ser...
Sim... seja você mesmo, my friend...
se feliz - de verdade - quer ser.
Nada a perder
Não, você não tem nada a perder,
nem nada a ganhar...
a vida é só pra se viver,
dela nenhum troféu ninguém vai levar.
Na lida diária da vida, nada a perder, nem a ganhar,
somente o sopro do instante você tem pra lhe guiar.
Entre sombras e luzes, um navegar sereno, às vezes, puro veneno...
O tempo se desfaz em um instante dorido, sofrido ou deleitável, ameno.
Passos que não pesam, olhos que só veem a essência do agora que a alma consigo carrega... é tudo o que a vida pra você entrega
No silêncio do peito, um doce despertar, ou de um pesadelo com o amanhecer se livrar...
Na vida, nada a perder, nada a ganhar... apenas um eterno caminhar pra no nada um dia chegar.
Um dia de cada vez,
não importa o que você fez
ou o que deixou de fazer...
viva da vida o que dá pra viver,
viver de verdade não é pra valer...
até porque...
não fim todo mundo vai mesmo é morrer.
3020 📜 Ainda não tenho 100 Anos de Idade mas também não tenho 15. E, pelo que vi, vivi e concluí, nunca houve outra pior do que a Atual. Lástima Total, achamos eu e muitos!
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Sim, estou me referindo à Direita Brasileira Atual. Ao que mais seria?
Tombou a velha árvore.
A natureza-mãe preparou a grama macia para recebê-la.
O tempo não ceifou seus galhos; deixou que tombasse com o orgulho de sua existência.
Tombou a velha árvore na madrugada,
silenciosa.
Não fez barulho algum.
Comportou-se orgulhosa, carregando todas as suas lembranças, e foi deslizando suavemente até repousar sobre a terra.
Mas ficaram suas sementes,
carregando consigo suas memórias,
levando seu cerne para sempre.
3019 📜 Diferentemente dos Dicionários Usuais, e tendo em vista a Atual Situação, no Meu Dicionário Pessoal... MITO, por exemplo, significa Golpe, Fracasso, Derrota, Desfaçatez, Cadeia e Vergonha.
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🫴 Venham Debater, venham. Eu quero ver, mas não vejo!
Saúde mental é o equilíbrio emocional, psicológico e social que nos ajuda a lidar com os desafios da vida, reconhecer nossas emoções, construir relações saudáveis, tomar decisões e cuidar de nós mesmos. Não é sobre estar feliz o tempo todo, mas conseguir atravessar diferentes emoções e momentos sem perder de vista o próprio bem-estar.
O Presente de Natal
Num Natal, eu botei na cabeça que ia dar um presente para minha mãe.
Nessa época, eu era engraxate. Lembrei-me disso hoje porque aquele Natal também caiu num domingo.
Na rodoviária de Santa Mariana havia um bazar. Certa vez, eu tinha visto ali uma xícara com uma paisagem de neve. Era aquela xícara que eu queria dar para minha mãe.
Só havia uma.
E eu corria o risco de ela ser vendida.
Pedi ao dono do bazar que a reservasse para mim. Ele sorriu e respondeu:
— Quem chegar primeiro, leva.
Isso foi de manhã, por volta das nove horas. E eu não tinha um único centavo no bolso do calção. Meu calção tinha um bolso, mas naquele momento ele estava vazio.
O dia foi passando e nada de conseguir o dinheiro.
De repente, começaram a aparecer alguns dos meus fregueses tradicionais. Um aqui, outro ali, e algum dinheirinho começou a entrar. Mas ainda era pouco para comprar o presente.
Eu engraxava um par de sapatos e, assim que terminava, ia até o bazar para ver se a xícara ainda estava lá.
Nem fui almoçar naquele dia.
À tarde, eu já tinha conseguido boa parte do dinheiro, mas ainda não era suficiente. Continuava trabalhando e, de vez em quando, passava pelo bazar para pedir ao dono que, por favor, não vendesse a xícara.
No fim do dia, quase na hora de fechar o bazar, eu ainda não tinha conseguido juntar o valor necessário.
Então tomei coragem e pedi:
— O senhor não poderia deixar eu pagar o que falta na próxima semana? Eu engraxaria seus sapatos sem cobrar até completar o dinheiro.
Ele nem pensou.
— Nem pensar — respondeu. — E tem mais: já vendi a xícara.
Fiquei olhando para o chão, com os olhos cheios de lágrimas.
Naquele momento, pensei:
Como é difícil a vida de engraxate.
Se eu tivesse guardado o dinheiro dos outros dias...
Mas aquele dinheiro dos outros dias também fazia parte da receita da família. Vez ou outra, eu comprava carne ou alguma outra coisa para comer e levava para casa.
O que fazer?
Eu tinha chegado tão perto de conseguir comprar aquele presente.
Era para ser uma surpresa para minha mãe. Eu queria que ela ficasse feliz naquele dia de Natal.
Peguei minha caixa de engraxar, que havia deixado do lado de fora do bazar, e levantei-a para colocá-la no ombro.
Foi então que alguma coisa me chamou a atenção.
Havia dentro da caixa um embrulho de papel de presente.
E, pelo formato, parecia uma xícara.
Fiquei sem entender.
Hoje, penso que, enquanto eu estava ali, tentando negociar a compra da xícara, em algum momento aquele homem, Vitor, colocou o pacote dentro da minha caixa de engraxar.
Olhei para ele.
Ele me olhou de volta, com os olhos cheios de lágrimas.
Sorriu.
E me desejou:
— Feliz Natal.
Naquele dia, eu não consegui comprar a xícara.
Mas ganhei algo muito maior.
Ganhei a certeza de que, mesmo quando a vida parece dura demais, ainda existem pessoas capazes de enxergar o coração de um menino.
E aquele menino, que só queria fazer sua mãe feliz, voltou para casa carregando, no ombro, sua velha caixa de engraxate.
Dentro dela, além das escovas e da graxa, levava o mais bonito presente daquele Natal:
um gesto de amor.
Amores que Ficam
O amor, quando não tem futuro, quando não se transforma em dois caminhando como um só, quando não leva dois na mesma direção, acaba sendo apenas uma forma bonita de partir o coração.
E eu me recuso a partir o meu com amores de verão, de momentos, de ocasiões.
Não quero o que chega para aquecer a pele e depois desaparece com a estação.
Não quero presenças que só existem quando é conveniente, nem sentimentos que cabem apenas no intervalo entre uma vontade e outra.
Se for para amar, que seja inteiro.
Que tenha caminho, escolha, coragem e destino.
Porque o meu coração não procura um amor que aconteça.
Procura um amor que permaneça.
Cesta de Natal Amaral
Houve uma época em que o grande charme de Santa Mariana, no final do ano, era comemorar o Natal se deliciando com os produtos que vinham dentro das famosas Cestas de Natal Amaral.
Naquele tempo, eu tinha nove anos e ela era o meu grande sonho de consumo. Sonhava com aquela maravilha.
Havia propaganda nas emissoras de rádio, no alto-falante do Bacarim e nos carros de som que percorriam as ruas da cidade anunciando a bendita cesta. Você podia comprá-la no início do ano e ir pagando mês a mês, até chegar o Natal.
Perto da nossa casa morava uma família de classe alta que havia comprado uma daquelas cestas. E não era qualquer uma: era a maior, a número cinco. Quanto maior o número, maior o tamanho da cesta.
Passei o ano inteiro esperando a chegada do caminhão que faria a entrega.
Meu grande desejo era descobrir se era verdade tudo aquilo que aparecia nas propagandas. Será que dentro daquela cesta havia mesmo todas aquelas maravilhas? Claro, eu precisava primeiro contar com a boa vontade do meu vizinho.
Até que, num belo dia, já no final do ano, eis que chegou o tão esperado caminhão.
Foi uma festa na nossa rua. Moleque para todo lado.
Eu, como morador vizinho, me sentia meio sócio daquele acontecimento. Afinal, tinha acompanhado a espera durante o ano inteiro e, por isso, achava que tinha até o direito de descrever alguns detalhes da famosa cesta.
Naquela noite, depois de uma espera angustiante, finalmente me permitiram olhar dentro daquela coisa linda.
Mas só olhar.
Sem tocar em nada.
Depois de aberta, pude ver enfeites de papel celofane vermelho. Por entre eles apareciam as pontas das garrafas: vinho, espumante, suco de uva...
Havia também castanhas.
Mais para o fundo, os donos começaram a remexer as coisas e, de repente, apareceu, debaixo daquele papel vermelho, uma maravilha. Uma verdadeira obra-prima.
Era uma lata redonda.
Na tampa havia desenhos daquilo que vinha dentro. Eram quatro figuras, em formato de triângulos com as bordas arredondadas.
Não teve jeito.
Pedi para segurá-la.
Relutaram um pouco, mas acabaram deixando. Por alguns segundos, aquela maravilha esteve nas minhas mãos.
E foi o suficiente.
Olhando para aquela lata mágica, deixei minha imaginação viajar. Naquele instante, pude saborear, um pedaço de cada vez, a goiabada, a marmelada, o figo e o marron-glacé — nome que descobri naquela noite e que, para mim, até então, era simplesmente batata-doce.
Alguns dias depois, fuçando pelo entorno da casa do vizinho, meus olhos se depararam com ela.
Ela mesma.
A lata.
Aquela obra-prima estava ali, jogada, vazia, como se fosse uma coisa qualquer.
Fiquei alguns segundos olhando para ela, meio consternado com o fim que tivera.
Para mim, aquela lata ainda carregava todo o encanto do Natal. Para os outros, era apenas uma lata vazia.
Muito tempo depois, alguém da minha família comprou uma lata igual àquela.
Finalmente pude conhecer o sabor daqueles doces.
Mas não era Natal.
E também não era da Cesta de Natal Amaral.
E talvez por isso nunca tenha tido o mesmo gosto.
Se ao menos eu pudesse ocupar, ou viver em um cantinho do seu coração, não importa o que aconteça sempre estarei com você.
De boas vindas a aqueles que podem fazer você melhorar.
O processo e mútuo pois os homens aprendem enquanto ensinam.
O Menino Homem
Então, aquele menino homem subiu em seu cavalinho de cabo de vassoura, colocou o chapéu de guerreiro, feito de jornal, empunhou sua espada imaginária e partiu para sua batalha final.
Só que, desta vez, a batalha já não era de fantasia.
O confronto contra o monstro foi cruel, feroz e traiçoeiro. Uma batalha longa, dolorida e difícil. Ele lutou como sempre havia lutado: com coragem, esperança e a espada imaginária nas mãos.
Mas, infelizmente, o monstro venceu.
Hoje, já não há mais o menino homem.
Ele cavalga por outros planos, talvez ainda montado em seu cavalinho de cabo de vassoura, com seu chapéu de jornal e sua espada imaginária, pronto para enfrentar novas batalhas.
Fica para nós a lembrança daquele menino que, um dia, acreditou que podia vencer todos os monstros.
Adeus, menino homem.
Lembranças de um tempo que não volta.
No topo de sua torre de ilusão,o soberbo dita a sua lei: A Deus pertence todo o perdão.Dos homens nada esperarei.
Isola a graça num altar distante, para esquecer o chão que pisa,
E segue nos degraus da arrogância, rumo a perdição, sem ver a dor que o munda avisa, mas no vale onde a vida brota pura, o humilde dobra o seu joelho ao chão.
O humilde sabe que Deus e a criatura se encontram de mãos dadas diante do perdão. Não há caminho que ao céu conduza se o laço com o irmão está rompido; A alma que ao abraço se recusa não acha o rumo do amor divino.
A salvação não vive no isolamento,
Nem em palavras de um trono vão.
Ela é o fruto e o complemento de quem acolhe e estende a mão.
Perdão do Alto, perdão da terra, unidos num só ato de amor:
Só quando a alma desfaz a guerra, se cura o homem e se alegra o Criador.
Aquilo Que Nunca Deixamos de Viver
Escrevo sobre experiências que nunca vivi, mas que, de alguma maneira, parecem ter passado por dentro de mim.
Falo de um amor que talvez jamais tenha tido por inteiro, mas que meu coração conheceu antes mesmo de saber seu nome.
Porque nem tudo aquilo que sentimos precisa ter acontecido para ser verdadeiro.
Existem sentimentos que nascem daquilo que vivemos, mas existem outros que nascem justamente daquilo que nos faltou.
E, às vezes, são as ausências que escrevem as páginas mais profundas da nossa história.
Falo das emoções que me fizeram chorar.
Das lágrimas que chegaram sem da explicação e escorreram pelo rosto quando nenhuma palavra conseguia falar o que estava acontecendo dentro do peito.
Chorei pelo que aconteceu.
Chorei pelo que poderia ter acontecido.
E talvez tenha chorado ainda mais por aquilo que esperei durante tanto tempo e nunca chegou.
Falo também das alegrias que já não tenho mais.
Daquelas manhãs em que a vida parecia mais simples.
Dos risos que enchiam uma casa.
Das conversas sem hora para terminar.
Dos pequenos momentos que, enquanto aconteciam, pareciam comuns, mas que hoje dariam tudo para serem vividos apenas mais uma vez.
É estranho como a vida nos ensina tarde o valor de certas coisas.
Enquanto temos, acreditamos que permanecerão.
Quando perdemos, descobrimos que eram eternas justamente porque terminaram.
E então vem a saudade.
Essa maneira dolorosamente bonita que o coração encontrou de continuar convivendo com aquilo que o tempo levou.
Fecho os olhos e abraço quem já não está aqui.
Não encontro um corpo.
Não sinto o calor dos braços.
Não escuto a voz.
Mas alguma coisa dentro de mim reconhece aquela presença.
E abraço.
Abraço com a memória.
Abraço com a saudade.
Abraço com tudo aquilo que ficou guardado no lugar onde o tempo não consegue entrar.
Talvez seja por isso que algumas pessoas nunca partam completamente.
Elas deixam de morar ao nosso lado e passam a morar dentro de nós.
Continuamos conversando com elas em silêncio.
Continuamos repetindo suas palavras.
Às vezes sorrimos lembrando de alguma coisa que fizeram.
Às vezes choramos porque, por um segundo, esquecemos que não podemos mais chamá-las.
E assim seguimos.
Carregando amores que tivemos e aqueles que apenas imaginamos.
Carregando alegrias que o tempo levou.
Carregando lágrimas que ninguém viu.
Carregando abraços que nossos braços ainda procuram dar.
A vida não é feita somente daquilo que aconteceu.
Também somos feitos daquilo que desejamos, daquilo que perdemos, daquilo que quase aconteceu e até daquilo que jamais tivemos coragem de viver.
Tudo isso permanece.
Porque há sentimentos que não obedecem ao calendário.
Não envelhecem quando envelhecemos.
Não desaparecem quando alguém parte.
Não morrem quando uma história termina.
Eles simplesmente mudam de lugar.
Saem das nossas mãos e vão para a memória.
Saem dos nossos olhos e vão para a saudade.
Saem dos nossos dias e passam a morar dentro do coração.
E talvez viver seja exatamente isso:
aprender que algumas coisas passam…
mas aquilo que verdadeiramente sentimos, de alguma maneira, jamais deixamos de viver.
O Convite à Leveza da Alma
O domingo chega como um bálsamo, trazendo um convite silencioso para desacelerarmos o passo e respirarmos com mais presença. Para aqueles cujos corações hoje carregam o peso de uma dor, de um sofrimento ou de uma grande preocupação, fica aqui um pedido afetuoso: dê um tempo para esse fardo. Permita que suas dores descansem um pouquinho. Se precisar, amanhã você as recolhe de volta, mas hoje, tente viver apenas o agora. Viver com leveza é entender que a alma precisa de pausas para não adoecer. Hoje, olhe para si mesmo com mais gentileza. Respire fundo, esvazie a mente dos excessos, sinta a gratidão pulsar no peito e acolha o milagre do momento presente. Que a gente tenha a sabedoria de desarmar o coração, deixar a vida fluir e lembrar que dar um dia de trégua aos nossos problemas é o jeito mais bonito de proteger a nossa própria luz.
Quantas vezes te disse:
Somos apenas matérias, composições
de átomos gerando energias.
Antes de ser gente,somos memórias
do que habita nosso pensamento
replicada em ações.
Antes que caísse,
indiferente,as palavras
que soavam como bobagens.
De uma poeta,com letras vazias
refém do coração.
Por mais que extraísse
e arrancasse algo que sentisse
só pra chamar sua atenção.
Falasse de alma,de sentimentos e emoções.
E não te bastasse...beber do poço de ilusões.
O silêncio também é matéria.
Quando repete o eco,
deixando o vazio
no que antes era imensidão.
Andréa
