Pensamentos Mais Recentes
Entender um boato como fato pode ser erro de interpretação, mas compartilhar a desinformação é falta de noção!
Não existe verdade absoluta, nem mentira relativa! Quando tudo é relativo, nada é absoluto! Mentira absoluta ou verdade relativa?
E agora, finalmente, eu permito que uma nova energia nasça em mim.
Uma energia de paz.
De coragem.
De amor-próprio.
De liberdade.
Porque depois de tanta dor, eu não quero apenas sobreviver.
Eu quero viver. E quero viver de uma forma completamente nova.
A verdadeira inteligência emocional não é apenas teoria; ela é colocada à prova no calor dos dias cinzentos. É ser o mestre da calma em meio à pior ventania e encontrar respostas sábias nos momentos difíceis.
Na rica literatura bíblica de sabedoria, o Rei Salomão nos ensina que há um tempo determinado para cada propósito debaixo do céu: “há tempo de nascer e tempo de morrer”(Eclesiastes 3:1-2). No entanto, a mesma tradição nos alerta em Provérbios que nossas escolhas diárias têm o poder de gerar vida ou morte (Provérbios 18:21). A verdadeira sabedoria não está em antecipar o fim, mas em honrar o tempo presente. Gastar a mente com a certeza da finitude é inverter a ordem das estações; é escolher o inverno na primavera da vida. Portanto: “Pensar na morte não é perda de tempo — é perda de vida."
Autor: Ney Paula Batista
A fé com otimismo nunca será uma
retórica vazia, ela é a sintonia que sempre intercede em qualquer antagonismo.
Cidadão nada e ninguém
Demétrio Sena - Magé
Não é a favor nem contra seu velho pai, que sempre bateu em sua mãe, nem contra ou a favor de sua mãe, que apanha do seu pai. "Isso é da vida"; logo, ele é neutro. Jamais condenou a justiça, quando é injusta com os menos favorecidos, iguais a ele, mas também jamais condenou os menos favorecidos iguais a ele, por serem injustiçados; mesmo porque, até hoje não foi ele o injustiçado.
Da mesma forma não julga o patrão por explorar o trabalhador, como também não julga o trabalhador por ser explorado pelo patrão. Entende quem desmata e quem luta contra o desmatamento; elogia o policial honesto e o miliciano. Agrada os políticos de todos os lados, e nas eleições, vota em qualquer um, porque "todos são iguais". "Dança conforme a música" e não quer ficar mal com os bons nem com os maus.
Um malandro bobo que sempre se atrapalha e ajuda na vida boa dos piores malandros do poder. Para ele tudo bem que os poderosos trabalhem pela sua classe ou pelos eternos exploradores, porque "dá no mesmo", em sua opinião. Aliás, ele nem tem opinião formada; opina conforme a opinião mais "malandreada" ou escorregadia do momento, com quem converse.
"Não é esquerda nem direita". Nem frio nem quente. Bom nem mau. É de classe medíocre metida a média, que se julga rica. Beija uma mão aqui e come na outra acolá. É aquele típico cidadão chuchu, que absorve qualquer gosto, cheiro ou textura. Nas campanhas eleitorais, nunca declara de que lado está, porque um dos dois ganha, e... "como ele fica nessa?".
... ... ...
Respeite autorias. É lei
**Nossa perda, seja material ou emocional, não precisa ser apenas um fim. Pode ser o ponto de partida para nos tornarmos melhores amanhã.**
DICOTOMIA
Autor: Marco Arawak
Há uma fronteira quase invisível entre aquilo que desejamos e aquilo que somos capazes de suportar. É ali que o amor começa a nos dividir.
De longe, parece simples. Gostar, querer, aproximar-se, sentir falta. Uma pequena gramática de presenças e ausências. Mas basta atravessar a superfície para descobrir que, por baixo do gesto mais banal, existe quase sempre uma pergunta que não sabemos responder.
Queremos companhia, mas também espaço. Queremos atenção, mas tememos a vigilância. Pedimos sinceridade e, quando ela chega sem delicadeza, desejamos que certas verdades permanecessem intocadas.
Queremos ser procurados, mas nem sempre queremos ser encontrados.
É assim que o contraditório se instala, primeiro nas pequenas coisas, depois em tudo.
Dizemos que queremos alguém que nos conheça profundamente, mas tememos ser conhecidos por inteiro. Desejamos transparência, embora preservemos dentro de nós regiões que nem sequer sabemos explicar. Procuramos segurança e, quando a encontramos, às vezes sentimos falta daquilo que nos fazia tremer.
O raso não é o oposto do profundo. É apenas aquilo que ainda não foi atravessado.
Por trás de um simples “fica” pode existir o medo de ser deixado. Por trás de um “preciso de espaço”, a necessidade de não desaparecer dentro de alguém. Por trás de um silêncio pode haver indiferença, medo, cansaço ou uma verdade que ainda não encontrou linguagem.
O amor promete encontro, mas devolve cada um à própria solidão.
Quanto mais nos aproximamos, mais percebemos a distância que permanece. Ninguém atravessa inteiramente o território de ninguém. Há sempre uma região inviolável, um lugar onde continuamos estrangeiros até para aqueles que mais amamos.
E talvez seja justamente isso que nos assuste.
Queremos ser compreendidos sem sermos completamente decifrados. Queremos pertencer sem deixar de existir por conta própria. Procuramos no outro uma morada, embora saibamos que nenhuma morada pode substituir aquilo que somos.
Queremos permanência, mas somos feitos de mudança.
Queremos certezas, mas muitas vezes é o imprevisível que nos desperta.
Queremos liberdade dentro do vínculo e vínculo dentro da liberdade.
Queremos que o outro permaneça, mas não queremos permanecer os mesmos.
E talvez nenhuma dessas contradições seja um erro.
Talvez sejam apenas sinais de que amar não é possuir uma resposta, mas sustentar perguntas que não cabem numa resposta.
Entregar-se é uma forma estranha de coragem. Não porque elimine o medo, mas porque decide não obedecer inteiramente a ele.
A razão calcula o risco.
O desejo ignora a conta.
E, entre os dois, existimos nós.
A razão não é inimiga do sentimento. É a consciência do preço. Sabe que toda entrega modifica quem entrega, que todo vínculo abre possibilidades de perda e que aquilo que nos transforma também pode nos desorganizar.
Ainda assim, avançamos.
Às vezes queremos alguém que nos liberte da solidão, mas tememos torná-lo indispensável. Queremos intensidade, mas recuamos diante do excesso. Pedimos profundidade e, quando ela finalmente nos alcança, descobrimos que ser visto é também perder alguns esconderijos.
Na superfície, queremos o abraço.
No fundo, queremos ser reconhecidos.
Na superfície, queremos companhia.
No fundo, queremos que alguém compreenda a nossa solidão sem tentar ocupá-la.
Na superfície, queremos alguém que fique.
No fundo, queremos continuar sendo nós mesmos enquanto esse alguém permanece.
É nessa passagem do raso ao profundo que a dicotomia deixa de ser contradição e se revela condição.
Não está entre o amor e o medo.
Está no próprio amor.
Porque amamos justamente aquilo que pode nos atingir. Abrimos a porta sabendo que o mesmo gesto que permite a entrada também torna possível a ferida.
Queremos o outro porque somos incompletos, mas precisamos permanecer inteiros para que o encontro não se transforme em desaparecimento.
Vivemos entre forças que não se anulam: permanecer e partir, aproximar-se e preservar-se, entregar-se e guardar-se, ser dois sem deixar de ser um.
Essa é a verdadeira dicotomia.
Não escolher entre extremos, mas descobrir que ambos podem ser verdadeiros ao mesmo tempo.
Toda escolha carrega aquilo que recusamos. Toda aproximação conserva alguma distância. Toda entrega guarda, em algum lugar, a possibilidade da retirada.
Talvez amadurecer seja abandonar a necessidade de resolver aquilo que a própria existência insiste em manter aberto.
Há conflitos que não pedem solução.
Pedem consciência.
O amor talvez seja isso: não abolir a distância, mas aprender a habitá-la. Não esperar que o outro nos complete, mas reconhecer que ninguém nos completa e, ainda assim, escolher compartilhar a incompletude.
Dois seres inteiros aproximando-se sem a pretensão de se tornarem um.
Duas solidões que se reconhecem.
Não para se possuir.
Não para se salvar.
Mas para testemunhar, ainda que por um instante, aquilo que existe de mais inacessível em cada um.
Porque intimidade não é atravessar completamente o outro.
É chegar suficientemente perto sem destruir o mistério.
Amar é permanecer diante desse mistério sem exigir que ele deixe de ser mistério.
É querer ficar e saber partir.
É entregar-se sem desaparecer.
É pertencer sem possuir.
É aproximar-se sem destruir a distância que torna possível o encontro.
Talvez essa seja a única eternidade possível entre seres finitos: não vencer o tempo, não impedir a perda, não garantir o amanhã, mas fazer com que duas existências se reconheçam profundamente sem jamais poderem possuir-se por inteiro.
E talvez seja aí que o amor deixe de ser promessa e se torne verdade.
Quando já não precisamos vencer a dicotomia para permanecer.
Quando compreendemos que a contradição não é a falha do amor.
É a sua forma mais humana de existir.
Porque somos assim também: rasos naquilo que dizemos, profundos naquilo que calamos; contraditórios no que desejamos, lúcidos apenas depois de sentir.
No fim, talvez amar não seja encontrar uma resposta.
Talvez seja ter coragem de permanecer inteiro diante da pergunta: Será?
Olhei nos olhos daquilo que ficou e, mesmo de olhos fechados, vi o milagre dançando com a dádiva, ao som da bênção, no compasso da fé.
Então percebi:
soltar também é aprender a confiar no silêncio, para finalmente ouvir a vida — e reconhecer aquilo que Deus confiou aos nossos cuidados.
Nos momentos em que a tempestade vem nos testar, é hora de lembrar o que o tempo nos ensinou. Confie na bagagem que você conseguiu juntar, pois a sua história moldou a força que restou.
Dicotomia
Autor: Marco Arawak
Há uma fronteira quase invisível entre aquilo que desejamos e aquilo que somos capazes de suportar. É justamente ali que o amor começa a nos dividir.
Porque amar parece simples quando visto de longe. Gostar, querer, estar perto, sentir falta. Quase uma matemática doméstica de presenças e ausências. Mas, quando se atravessa a superfície, o que parecia simples revela uma arquitetura muito mais antiga: o desejo de encontrar alguém sem perder a si mesmo.
Queremos companhia, mas também queremos espaço. Queremos atenção, mas nos incomodamos quando ela se transforma em vigilância. Queremos ser procurados, mas às vezes precisamos não ser encontrados. Pedimos sinceridade e, quando ela chega sem delicadeza, desejamos que algumas verdades permanecessem ocultas.
É assim que o contraditório começa nas pequenas coisas.
Dizemos que queremos alguém que nos conheça profundamente, mas tememos ser conhecidos por inteiro. Desejamos transparência, embora preservemos dentro de nós regiões que nem sequer sabemos explicar. Queremos segurança, mas frequentemente confundimos segurança com rotina e, depois de encontrá-la, sentimos falta da vertigem.
O raso não é necessariamente falso. Muitas vezes é apenas a superfície de algo que ainda não aprendemos a nomear.
Por trás do simples “fica comigo” pode existir o medo de ser abandonado. Por trás do “preciso de espaço”, a necessidade de preservar uma identidade ameaçada pela proximidade. Por trás de um silêncio, pode haver tanto indiferença quanto aquilo que nenhuma palavra consegue organizar.
O amor nos promete encontro, mas nos devolve à nossa própria solidão. Quanto mais profundamente nos entregamos, mais nítida se torna a consciência de que ninguém pode atravessar inteiramente o território de ninguém. Há sempre uma região inviolável, um lugar onde permanecemos irremediavelmente sós.
Queremos ser compreendidos sem sermos completamente decifrados. Queremos pertencer sem deixar de possuir a própria existência. Buscamos no outro uma morada, embora saibamos que nenhuma morada pode substituir aquilo que somos.
Queremos permanência, mas somos feitos de mudança.
Queremos certezas, mas nos apaixonamos justamente pelo que não conseguimos prever.
Queremos que o outro permaneça igual, enquanto nós mesmos exigimos o direito de mudar.
Queremos liberdade dentro do vínculo e vínculo dentro da liberdade.
Talvez amar seja conviver com essas pequenas incoerências até perceber que elas não são acidentes do sentimento, mas parte de sua própria estrutura.
Entregar-se é uma forma estranha de coragem. Não porque elimine o medo, mas porque o incorpora. O coração avança levando consigo tudo aquilo que a razão aconselharia abandonar.
E a razão, por sua vez, não é necessariamente a inimiga do sentimento. Ela é a consciência do preço. Sabe que toda entrega modifica quem entrega, que todo vínculo cria possibilidades de perda e que aquilo que nos pode transformar também pode nos desorganizar.
É curioso: às vezes queremos alguém que nos tire da solidão, mas não suportamos alguém que se torne indispensável. Queremos intensidade, mas reclamamos do excesso. Queremos profundidade, mas nem sempre estamos preparados para aquilo que encontramos quando alguém finalmente mergulha em nós.
Talvez porque a profundidade cobre um preço que a superfície não cobra.
Na superfície, queremos o abraço.
No fundo, queremos ser vistos.
Na superfície, queremos companhia.
No fundo, queremos reconhecimento.
Na superfície, queremos alguém que fique.
No fundo, queremos a certeza de que podemos continuar sendo nós mesmos enquanto alguém fica.
E talvez seja essa passagem do raso ao profundo que revele a verdadeira natureza da dicotomia.
Não escolher entre o amor e o medo, mas compreender que ambos podem nascer do mesmo lugar.
Amamos porque somos capazes de nos abrir. Tememos porque sabemos que aquilo que se abre também pode ser ferido.
Queremos o outro porque somos incompletos, mas precisamos permanecer inteiros para que o encontro não se transforme em desaparecimento.
Vivemos, assim, entre duas forças que não se anulam: a necessidade de permanecer e o impulso de partir; o desejo de fusão e a necessidade de contorno; a vontade de ser dois e o instinto de continuar sendo um.
Essa é a verdadeira dicotomia.
Não está apenas entre duas escolhas.
Está dentro da própria escolha.
Porque toda decisão carrega aquilo que recusamos, toda aproximação conserva alguma distância e toda entrega guarda, em algum lugar, a possibilidade da retirada.
Talvez amadurecer seja abandonar a ilusão de resolver essa contradição. Há conflitos que não pedem solução, pedem consciência.
O amor talvez seja justamente isso: não a ausência da distância, mas a coragem de habitá-la. Não a promessa de que o outro nos completará, mas a lucidez de saber que ninguém nos completa e, ainda assim, escolher compartilhar a incompletude.
Dois seres inteiros aproximando-se sem a pretensão de se tornarem um. Duas solidões que reconhecem uma à outra e compreendem que intimidade não é possuir o território do outro, mas ser recebido em sua fronteira.
Porque amar é permanecer diante do mistério sem exigir que ele deixe de ser mistério.
É sustentar o paradoxo: querer ficar e saber partir; entregar-se sem desaparecer; pertencer sem possuir; aproximar-se sem destruir a distância que torna possível o encontro.
Talvez seja essa a única forma possível de eternidade entre dois seres finitos: não vencer o tempo, não abolir a perda, não garantir o amanhã, mas fazer com que, por um instante, duas existências reconheçam uma na outra aquilo que jamais poderão possuir inteiramente.
E talvez seja aí, precisamente aí, que o amor deixa de ser promessa e se torna verdade.
Quando já não precisamos vencer a dicotomia para permanecer, porque compreendemos que a contradição não é a falha do amor.
É o lugar onde o amor revela sua profundidade.
E talvez sejamos nós mesmos assim: rasos naquilo que dizemos, profundos naquilo que calamos; contraditórios no que desejamos, coerentes apenas naquilo que ainda não conseguimos compreender.
No fim, amar talvez não seja encontrar uma resposta.
É ter coragem de permanecer inteiro diante da pergunta.
ENTRE O ENCANTO E O DESGOSTO
Por: Marco Arawak
No mar profundo, onde o mundo parece dançar sobre as águas, há mistérios que nenhuma palavra consegue alcançar. As ondas se desfazem e retornam, como pensamentos que insistem em voltar. Há dias em que tudo parece distante, fosco, sem cor; dias em que o desgosto chega sem pedir passagem e transforma até aquilo que era familiar em paisagem estranha.
As sombras machucam não porque tenham mãos, mas porque às vezes carregamos dentro de nós aquilo que ainda não conseguimos compreender. Há olhares que pesam, silêncios que dizem mais que palavras e lembranças que permanecem mesmo quando já não queremos recebê-las.
Então uma brisa atravessa a copa das árvores.
É quase nada.
Mas basta.
O vento movimenta as folhas, leva alguns segredos e devolve outros. Talvez a vida seja assim: uma sucessão de coisas que chegam, permanecem por algum tempo e depois seguem adiante, deixando em nós marcas que nem sempre sabemos nomear.
A alma também possui suas marés.
Há momentos em que transborda e outros em que recua para lugares silenciosos. Chora sem testemunhas, questiona antigas crenças, enfrenta censuras, medos e incêndios que ninguém vê. E, no fundo dessas inquietações, o coração continua procurando um caminho.
Porque há paixões que começam como promessa e terminam como ferida.
Há sonhos que se desfazem justamente quando acreditávamos tocá-los.
Há amores que deixam de ser abrigo e passam a doer.
Mas nem toda perda é o fim de alguma coisa.
Às vezes, é o espaço necessário para que outra forma de vida encontre lugar.
O amanhecer não pergunta o que aconteceu durante a noite. Simplesmente chega. A luz toca lentamente aquilo que estava escondido e devolve contorno às coisas. O que parecia perdido ganha outra perspectiva. O que parecia definitivo revela-se apenas uma passagem.
É nesse instante que a poesia começa a fazer aquilo que a memória nem sempre consegue.
Ela transforma.
Não apaga a dor, mas muda sua linguagem.
Não nega o desgosto, mas impede que ele seja a última palavra.
O amor pode ter sido ferido e ainda assim continuar sendo amor. A confiança pode ter sido abalada e ainda assim reconstruída. O coração pode carregar cicatrizes sem precisar transformá-las em morada.
A vida segue como um caminho que não revela toda a paisagem de uma vez. Caminhamos entre certezas e dúvidas, entre encontros e despedidas, entre aquilo que desejávamos e aquilo que aprendemos a aceitar.
Às vezes caminhamos sozinhos.
Mas estar sozinho não significa estar vazio.
Há dentro de nós um lugar onde alguma coisa permanece acesa, mesmo quando tudo parece silencioso. Não é certeza. Não é promessa. É apenas a possibilidade de continuar.
Um fio.
Um movimento.
Um passo depois do outro.
No céu vasto, o azul parece infinito. O sol atravessa as sombras e lembra que nenhuma noite possui o poder de apagar definitivamente a possibilidade de um novo dia.
Até a tristeza, quando atravessada com consciência, pode perder sua força.
Ela pode continuar existindo, mas já não governa.
O desgosto deixa de ser destino e transforma-se em passagem. O que antes parecia apenas ferida pode tornar-se consciência. O que doeu pode ensinar sem precisar permanecer doendo para sempre.
É assim que sigo.
Não porque tenha deixado de sentir medo, mas porque aprendi que coragem não é caminhar sem medo. É continuar mesmo quando o caminho ainda não está completamente iluminado.
Verso após verso, reúno aquilo que a vida espalhou.
Memórias.
Desejos.
Perdas.
Afetos.
Silêncios.
E, com tudo isso, construo não um universo perfeito, mas um universo possível: aquele em que a tristeza pode existir sem destruir a alegria, em que o pranto pode dividir espaço com o sorriso e em que a dor não precisa apagar o encanto.
Talvez seja esse o segredo da poesia.
Ela não promete que a vida será leve.
Promete apenas que podemos olhar novamente para aquilo que nos feriu e encontrar outro significado.
O que ontem parecia fim pode amanhã revelar uma passagem.
O que parecia vazio pode guardar sementes.
O que parecia desgosto pode, com o tempo, ensinar novamente o gosto da vida.
E a alma, depois de atravessar suas próprias tempestades, talvez não volte a ser a mesma.
Talvez volte mais consciente.
Mais silenciosa.
Mais inteira.
Porque a primavera não nasce negando o inverno.
Ela nasce depois dele.
E quando finalmente chega, não precisa explicar por que demorou.
Apenas floresce.
Deus sempre será a fortaleza para nos sustentar diante das tempestades que possam surgir sobre nossa caminhada...
Basta que confiemos nas suas bondades que são infinitamente perfeitas e não falham jamais!
Reflexão
A maior conquista de um homem de bem é ter a capacidade de olhar para o futuro sem se sentir endividado por favores ou pressionado por pequenas quantias recebidas, exceto por aquelas que ele merece devido ao esforço do trabalho que honrou.
Quando a noite chega, ao término de mais um dia, sem ostentação ou perturbações do mundo, é uma recompensa para esse homem poder simplesmente se deitar, fechar os olhos e relaxar, ciente de que fez o seu melhor.
A existência não é sobre perfeição; não se trata de luzes que não sejam as estrelas, nem de grandezas que superem as do céu ou dos mares, mas sim das criações Divinas que são suficientes para aquele que almeja viver plenamente a vida, distantes das distrações oferecidas pelo mundo - isso realmente representa a simplicidade.
Marcelo HB
Observe nos detalhes e não no conteúdo das pessoas e saberá em quem confiar. Entre as coisas maravilhosas que Deus nos deu, está a percepção de perceber o que passa ao nosso redor e de saber conhecer as intenções das pessoas que convivem com a gente.
