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Talvez a justiça seja a arte impossível de equilibrar liberdade, igualdade, segurança, dignidade e responsabilidade sem permitir que nenhuma delas devore as demais.
A Filosofia ensina a desconfiar das respostas fáceis; o Direito ensina que algumas respostas ainda precisam ser dadas apesar da complexidade.
O bom Direito não nasce da crença em pessoas perfeitas, mas da criação de estruturas capazes de limitar pessoas imperfeitas.
Quanto mais conhecemos o ser humano, menos razoável parece construir instituições baseadas na suposição de que todos serão virtuosos.
Uma sociedade não pode esperar virtude extraordinária de todos, por isso cria regras ordinárias para limitar danos extraordinários.
A moral pode exigir heroísmo; o Direito precisa estabelecer padrões que possam ser aplicados sem depender de santos.
A filosofia pergunta o que devemos fazer; o Direito pergunta também quem terá competência para fazê-lo.
A esperança jurídica não é acreditar que tudo terminará bem; é construir mecanismos para que o pior não seja inevitável.
O Direito não elimina o absurdo da existência; apenas impede que o absurdo tenha a última palavra sobre a convivência.
Quando nenhuma ordem superior garante a justiça, cabe aos humanos construir instituições capazes de buscá-la.
A justiça talvez seja uma das respostas humanas mais sofisticadas ao absurdo de nascermos diferentes e ainda assim precisarmos viver juntos.
Camus encontrou no absurdo uma pergunta sobre como viver; o jurista encontra no Direito uma pergunta sobre como conviver.
A liberdade humana é suficientemente complexa para impedir tanto o determinismo absoluto quanto a ingenuidade moral.
Condenar sem compreender é fácil; compreender sem absolver automaticamente é uma forma superior de rigor.
Nem tudo que causamos devemos necessariamente responder; nem tudo pelo que respondemos causamos sozinhos.
O Direito é uma das maneiras pelas quais a sociedade transforma escolhas individuais em consequências públicas.
