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E se eu me esquecer, Senhor, lembra-me de tudo o que já fizeste por mim, das mãos que me amparam, dos corações aos quais sou importante e daqueles que, com amor, também se importam comigo. E, acima de tudo, quando eu já não conseguir enxergar além das minhas dores, faz-me recordar o quanto sou preciosa aos Teus olhos. Que eu jamais me esqueça do amor com que me vês, mesmo nos dias em que eu mesma não consiga reconhecer o meu valor.
O Feminicídio no Brasil
Durante séculos, a sociedade brasileira foi estruturada sob bases patriarcais que relegaram as mulheres a uma condição de submissão e dependência. Em uma realidade marcada pela desigualdade de gênero, muitas foram privadas do acesso à educação, ao mercado de trabalho e até mesmo da liberdade de decidir sobre os rumos de suas próprias vidas. Sua autonomia era constantemente vigiada e restringida por normas sociais que as confinavam ao espaço doméstico e as submetiam à autoridade masculina.
Nesse contexto, a violência contra a mulher não apenas existia, mas era amplamente naturalizada. Agressões físicas, psicológicas e morais eram frequentemente tratadas como ocorrências comuns da vida conjugal. Mulheres consideradas "rebeldes" ou "inadequadas" aos padrões da época eram marginalizadas, silenciadas e, em alguns casos, internadas em instituições psiquiátricas ou enclausuradas em conventos. Muitas viviam como verdadeiras prisioneiras, privadas do direito de existir plenamente como indivíduos.
A cultura popular também desempenhou papel relevante na perpetuação dessa mentalidade. Em diversas manifestações artísticas, especialmente na música, a figura feminina era frequentemente associada à submissão, à resignação e à obediência irrestrita. Sentimentos de posse, ciúme excessivo e controle sobre a mulher eram romantizados e, por vezes, apresentados como demonstrações de amor, contribuindo para a legitimidade de comportamentos abusivos.
Durante minha juventude, testemunhei inúmeras cenas de violência doméstica. Era comum presenciar homens humilhando, ameaçando e agredindo suas esposas por motivos banais. Objetos eram arremessados, gritos ecoavam pelos lares e agressões físicas eram muitas vezes toleradas pelo silêncio da sociedade. O machismo estrutural reforçava a ideia equivocada de que a mulher era propriedade do homem e deveria sujeitar-se integralmente à sua vontade.
A partir da segunda metade do século XX, especialmente nas décadas de 1970 e 1980, os movimentos femininos ganharam força e contribuíram para uma profunda transformação social. As mulheres passaram a ocupar espaços antes inacessíveis, conquistaram maior acesso à educação, ingressaram em diversas profissões e reivindicaram o direito de decidir sobre seus próprios destinos. Essa conscientização representou um marco histórico na luta pela igualdade e pela dignidade feminina.
Entretanto, a ampliação dos direitos não foi suficiente para erradicar a violência de gênero. Embora importantes avanços legislativos e sociais tenham sido alcançados, inúmeras mulheres continuam sendo vítimas de agressões dentro de suas próprias residências. O medo, a dependência econômica, a pressão familiar e a ausência de uma rede de apoio eficaz ainda silenciam muitas vítimas.
O feminicídio representa a face mais extrema dessa violência. Trata-se do assassinato de mulheres motivado pelo desprezo à sua condição de gênero, frequentemente praticado por companheiros ou ex-companheiros incapazes de aceitar a autonomia feminina. Em muitos casos, esses crimes são precedidos por um longo histórico de ameaças, perseguições e agressões que poderiam ter sido interrompidas por mecanismos de proteção mais eficazes.
Apesar das conquistas alcançadas, a sociedade ainda enfrenta o desafio de combater estruturas culturais que alimentam a desigualdade e a violência contra a mulher. É imprescindível fortalecer as políticas públicas de proteção, ampliar a conscientização social, garantir o acolhimento adequado às vítimas e assegurar que denúncias sejam tratadas com a seriedade que merecem.
Muitas mulheres buscam ajuda junto às autoridades competentes, mas nem sempre encontram o apoio necessário. Quando os sinais de violência são ignorados ou minimizados, abre-se caminho para tragédias que poderiam ser evitadas. Por isso, ouvir, proteger e atuar preventivamente não constitui apenas um dever institucional, mas uma responsabilidade coletiva.
O combate ao feminicídio exige o comprometimento de toda a sociedade. Mais do que punir agressores, é necessário promover uma cultura fundamentada no respeito, na igualdade e na valorização da vida humana. Somente assim será possível construir um país em que mulheres possam viver com liberdade, segurança e dignidade.
Nenhuma mulher deve perder a vida por desejar ser livre. Nenhuma voz deve ser silenciada pelo medo. Nenhuma vida a menos.
Deus é bom o tempo todo. Está tudo bem.
Talvez eu só esteja um pouco voltada para dentro, tentando encontrar um lugar de descanso em mim. Porque, lá dentro, nada está bem.
E há dias em que a fé permanece inteira, mesmo quando o coração está cansado de tentar compreender. Dias em que sei que Deus é bom, mas ainda assim preciso chorar. Em que confio no Seu cuidado, mas não consigo esconder a dor que sinto.
Talvez esteja tudo bem em continuar acreditando, mesmo quando, por dentro, ainda não está tudo bem.
Ah, como eu queria que tudo isso passasse e que a dor que sinto em meu coração finalmente encontrasse cura. Que não houvesse a necessidade de me fazer forte quando forte eu não estou. Que eu pudesse, ao menos por um instante, descansar dessa força que tantas vezes me sustenta, mas que também me custa tanto.
Mesmo que em minha fraqueza existam forças que ultrapassam limites, forças que talvez outro não suportasse, isso não significa que eu não sinta o peso de tudo. Há uma diferença entre conseguir carregar e não sentir o peso. E, às vezes, tudo o que fazemos é continuar, mesmo quando por dentro desejamos apenas repousar.
A vida também é sobre isso. Aquilo que parece fraqueza em um pode ser uma fortaleza inigualável em outro. Talvez por isso nem todos consigam carregar o peso que alguém carrega, até que, um dia, esse mesmo peso seja colocado sobre suas próprias costas. Não há quem esteja completamente ileso da dor. Não existe medida justa, cálculo ou comparação capaz de determinar quanto alguém deveria suportar. Cada dor é uma dor. Cada profundidade tem o seu abismo. E cada pessoa conhece, por dentro, aquilo que o mundo tantas vezes só consegue enxergar por fora.
Mas eu só queria que tudo passasse.
Às vezes, silenciar para não aumentar o peso de quem já está sofrendo, esconder a própria dor para ajudar o outro a carregar a sua, é um esforço que ninguém vê. E esse silêncio, que tantas vezes parece cuidado, também pode se tornar um lugar pesado demais para permanecer.
Eu não queria precisar ser forte o tempo todo. Queria que, em algum momento, alguém percebesse que até quem sustenta também precisa de amparo. Que até quem acolhe também precisa ser acolhido. Que até quem continua, mesmo cansado, merece encontrar um lugar onde não precise provar que consegue.
Porque, hoje, eu não queria ser fortaleza.
Eu só queria que a dor passasse. E que, enquanto ela não passa, eu também pudesse ser cuidada.
"O verdadeiro compromisso democrático não está apenas em conquistar o poder, mas em exercê-lo sem transformar divergências em divisões, reconhecendo que governar é servir a toda a nação, e não apenas aos vencedores."
A maior riqueza não é ter muito, é o pouco que tem, compartilharmos com o outro que tem ainda menos.
(CLARIANO DA SILVA, 2016).
As vezes o que chamamos de evolução
Pode ser apenas mais um grande
Problema futuro, criado na calorosa discussão entre o intelecto e a consciência.
Gleice KELLY ss.
Muitos dão valor ao relógio e precificam o tempo! Erroneamente, valorizamos a máquina, quando deveríamos apreciar a vida...
Alguns sonham com o negócio da vida, outros com uma vida de negócios, e há os que negociam a vida dos sonhos, mas realizado é quem entende que o negócio é viver o sonho!
Quem passa o tempo todo olhando para trás acaba tropeçando no passado, caindo no presente e só desperta no futuro!
Às vezes, costurando um acordo, perdemos a linha, ficamos por um fio, não conseguindo desatar o nó, colocamos a corda no pescoço!
Num mundo que se divide entre apedrejados e apedrejadores, muitos se fazem pedras, multiplicando as perdas!
Ser diferente na terra de iguais é como ter visão na terra de cegos. Com sorte, é coroado rei; por azar, é condenado à morte!
O sol brilha forte lá fora; contudo, a única luz que eles veem é o brilho fraco das telas à sua frente.
