Pensamentos Mais Recentes
No vaivém apressado do Rio de Janeiro, onde o barulho dos ônibus se mistura ao canto distante do mar, ela caminhava como quem conhecia o peso e a beleza da própria história. Não precisava anunciar sua presença. Havia algo nela que fazia a cidade diminuir o ritmo por um instante — talvez o olhar firme, talvez a serenidade rara de quem aprendeu a atravessar tempestades sem perder a delicadeza.
Era morena, de pele aquecida pelo sol carioca, daqueles tons que parecem guardar o brilho dourado do fim de tarde. Os cabelos caíam livres, volumosos, dançando com o vento que vinha da orla, como se também tivessem personalidade própria. Mas eram os olhos que mais impressionavam. Olhos fortes, atentos, capazes de intimidar a arrogância e acolher a tristeza no mesmo segundo.
Quem a conhecia sabia: ela carregava uma força silenciosa. Dessas que não fazem espetáculo. A força de acordar cedo, enfrentar dias difíceis e ainda encontrar gentileza para oferecer ao porteiro, à vizinha cansada, à criança perdida no ônibus. Tinha opinião firme, voz segura e uma coragem que não cabia em discursos. Nunca precisou endurecer o coração para sobreviver à cidade.
Nas tardes de calor intenso, gostava de observar o movimento das pessoas enquanto tomava café perto da praia. Via o Rio em suas contradições — belo e caótico, duro e apaixonante — e talvez por isso combinasse tanto com ele. Porque também era assim: intensa, luminosa, impossível de ignorar.
E enquanto a cidade seguia correndo sem olhar para trás, ela continuava ali, atravessando ruas, dias e memórias com a mesma elegância de quem entende que ser forte não é deixar de sentir. É continuar sendo gentil, mesmo quando o mundo desaprende como.
Eu sabia que tinha um corpo porque ele cansava. Porque ocupava uma cadeira, porque sentia frio. Mas raramente porque eu o via.
A noite não somente
no sentido subjetivo
no Hemisfério Austral,
agora parece destino.
Tudo em nós é indígena,
e absolutamente latino,
têm rumo e atravessa.
Os olhos não esquecem
nunca de olhar para o alto.
Meus olhos são teus olhos,
e os sonhos são os mesmos,
De pé e jamais de joelhos,
nós sabemos da onde viemos.
A tua alma é a alma da minha,
e a minh’alma é a tu’alma.
Seja em paz ou quando aflita,
o que é sobrenatural nos alia.
Sem olhar para cartilha,
sem fingir que nada afeta
e para deixar o alerta:
que as raízes doem com real motivo
onde e porque o povo sofrido
está sendo reprimido pelo despotismo.
Discreta lágrima sutil que desce
com o sabor do Salar de Uyuni.
Continental evidente tem
sido o tamanho do desajuste.
Não te vejo, sei que me vês,
sentimos muito por dentro.
E sem dizer uma palavra
plantamos um jardim inteiro
e em silêncio de maio,
em tempo de re(viver)
o legado de Roque Dalton.
“Amor platônico, distante, perto, pulsando…
É perigoso flertar com a possibilidade, com a paixão, com o desejo e a admiração.
E, quando penso que passou, tudo volta à tona… novamente.
Palavras nunca ditas ganham vida,
e sentimentos adormecidos despertam em silêncio,
como quem jamais deixou de existir.
Até quando viverei nessa utopia?
Nesse abrigo inventado entre o querer e o impossivel,
onde o coração insiste em permanecer,
mesmo sabendo que alguns amores sobrevivem apenas naquilo que imaginamos.”
Prosopopeia flácida para acalentar bovinos na seara política é fingir preocupação, sem se ater ao início ou fim de qualquer problema, em prol de narrativas e desinformação.
Há quem transforme tragédias em palanque, miséria em marketing e indignação em espetáculo.
Não importa a raiz do problema, tampouco a solução.
O que importa é manter a plateia emocionalmente acesa, alimentada por frases de efeito, inimigos fabricados e promessas que jamais sobrevivem ao primeiro contato com a realidade.
Na política, muitos aprenderam que parecer importa mais do que ser.
A aparência de empatia rende votos; a prática dela, quase nunca dá retorno imediato.
Por isso, multiplicam-se discursos inflamados, campanhas performáticas e salvadores de ocasião que aparecem diante das câmeras, mas desaparecem diante das responsabilidades.
A desinformação prospera justamente nesse terreno fértil da emoção sem reflexão.
Quando as pessoas passam a defender narrativas como torcidas organizadas defendem seus clubes, a verdade deixa de ser prioridade.
Questionar vira traição.
Pensar por conta própria vira afronta.
E assim, problemas complexos são reduzidos a slogans simplórios, incapazes de produzir qualquer mudança concreta.
Os mais perigosos não são os que admitem seus interesses, mas os que mascaram ambição com virtude teatral.
Eles não querem resolver conflitos — precisam que eles continuem existindo.
Afinal, sem medo, revolta ou divisão, desaparece também a dependência emocional que sustenta certos discursos.
Enquanto isso, a população segue sendo conduzida entre escândalos seletivos, indignações temporárias e promessas recicladas.
A cada novo ciclo, mudam-se os rostos, mas permanece o mesmo método: anestesiar o pensamento crítico para manter intacta a estrutura de poder.
Talvez o maior ato de rebeldia hoje seja recusar o encantamento fácil.
Observar além da propaganda.
Cobrar coerência entre fala e prática.
Porque quem realmente se preocupa com um problema não o utiliza como vitrine — trabalha silenciosamente para que ele deixe de existir.
"Líderes sólidos constroem estabilidade com sabedoria, disciplina e domínio das palavras.”
inspirado em Provérbios 10.12-25
Rap da Convocação
Helaine Machado
Não acredito no que aconteceu,
Lancelote deixou Pedro de fora outra vez,
pra Neymar voltar querendo ser rei,
como se a Copa fosse palco da própria lei.
Esquece que Copa não é exibição,
é raça no peito, suor e pressão,
não basta nome nem fama na televisão,
tem que honrar a camisa e carregar a nação.
O povo debate na rua e no bar,
cada convocação faz o Brasil parar,
uns defendem, outros começam a criticar,
porque a esperança do hexa faz todo mundo falar.
Posso até morder minha língua depois,
e comemorar gritando junto com vocês,
mas espero que o cai, cai não faça outra vez
o brasileiro passar vergonha no fim do campeonato
Chega de sete a um na memória nacional,
aquilo foi ferida num país emocional,
o silêncio no estádio parecia funeral,
um pesadelo transmitido em rede nacional
Helaine machado
Para além dos mistérios do esquadro e do compasso, a suprema obra do iniciado é transformar o próprio peito em um altar vivo, onde o amor incondicional flui sem fronteiras, transmutando a pedra bruta do egoísmo na mais pura luz que abraça e acolhe toda a criação.
Rap da Convocação
Helaine Machado
Não acredito no que aconteceu,
Lancelote deixou Pedro de fora outra vez,
pra Neymar voltar querendo ser rei,
como se a Copa fosse palco da própria lei.
Esquece que Copa não é exibição,
é raça no peito, suor e pressão,
não basta nome nem fama na televisão,
tem que honrar a camisa e carregar a nação.
O povo debate na rua e no bar,
cada convocação faz o Brasil parar,
uns defendem, outros começam a criticar,
porque a esperança do hexa faz todo mundo falar.
Helaine machado
Quando a seleção entra o país muda de tom,
fogos cortam o céu, rádio aumenta o som,
até quem desacredita acompanha o dom,
de ver onze jogadores levantando a multidão.
E se vier o hexa vai ter povo chorando,
lembrando das batalhas que seguimos enfrentando,
porque no fundo o brasileiro vai lutando,
entre sonhos partidos e a esperança retornando.
Helaine machado
O que define o tamanho do respeito que os outros terão por você é o respeito que você tem por si mesmo.
A gente sabe que o amanhã não nos pertence, mas insiste em complicar, ao invés de viver com a simplicidade, leveza e encanto de quem já entendeu que está só de passagem nessa vida.
Não é o julgamento dos outros que nos faz sofrer mas, o nosso próprio julgamento sobre o que eles disseram.
GRATIDÃO E SAUDADE
Na infância e na adolescência
Ele era da Desportiva Ferroviária.
Mas foi no Vasco que ele ouviu ...
o seu nome ser ovacionado!
Seu talento para fazer gol
Era tão marcante que
atorcida vibrava delirante!
No italiano,-_ nome Giovanni ,
é uma variante do nome _ João.
Amor, Fé, virtudes desse nome
vindas da mente e do coração
Yochanan é Giovani na Tradição .
Significa:_ Deus É sua Proteção.
E assim gols surgiram ..
E fez identidade desse Campeão!
Hoje , não é choro só de tristeza.
Mas de saudade, com certeza.
Esse nosso " Pequeno príncipe"
que se fez realeza,desde o início.
Capixaba sente saudade e chora.
E dizem nesta hora
Obrigado Geovani
Por tudo que você fez aqui.
No nosso País e lá fora!
Gols,gol,gol,!!!
Descanse em Paz
Vitoria sua cidade ,
não lhe esquecerá
Jamais!!!
A prateleira do esquecimento é o lugar que devemos guardar todas as ofensas que forem proferidas contra nós.
Rap do Hexa e da Realidade
Helaine Machado
Isso aí, é Copa do Mundo, que felicidade,
mas quando tudo acaba logo vem a realidade,
de um país ferido sem saber seu próprio valor,
onde o povo sofre enquanto cresce o opressor.
O que precisa cair não é sonho nem paixão,
o que tem que desabar é a corrupção,
porque depois do jogo sobra desilusão,
e ninguém mais consegue confiar na direção.
Helaine machado
