Pensamentos Mais Recentes
Estar sem falar, mas o meu silêncio fala alto por mim. Ando mas a minha mente só sente o sentimento de correr e o coração só gosta de andar para ter mais tempo, tempo no tempo de Deus e saber, saber que mesmo lento chegará lá.
O papel aceita o peso da palavra cheia,enquanto o verso busca o sopro que clareia.Não nasci para o espasmo do relâmpago lírico,meu ofício é o tijolo, o chão, o empírico. Rejeito a mística musa que dita e flutua,prefiro o eco dos passos que cruzam a rua.O poeta condensa o mundo em um só gemido,eu preciso de tempo para achar o perdido. Ele caça o ritmo, a rima, a fresta de luz,eu carrego a história que o destino conduz.Não sou poeta, sou operário da prosa viva,minha matéria é a linha longa, contínua e ativa.Onde o poeta vê mistério e o eterno absoluto,eu vejo o homem comum, seu cansaço e seu luto.Não sintetizo o universo em quatro estrofes puras,eu prefiro o labirinto, as tramas escuras.Quero o diálogo torto, a esquina, o cenário,o relógio que corre no pulso do operário.A poesia é o salto, o voo cego no abismo,a escrita é a estrada, o mapa, o realismo.Enquanto o verso livre dança e se desfaz,o romance constrói a casa onde o leitor jaz.Não busco a epifania que num segundo se encerra,minha caneta cava o barro e se prende à terra.Sou escritor de fôlego, de fumaça e de poeira,que acompanha o personagem pela vida inteira.Deixo o altar dos poetas para quem sabe voar,pois meu destino é caminhar, narrar e fixar.
O Peso do Tijolo
A fumaça do café barato subia em linha reta, ignorando a bagunça de papéis sobre a mesa. Do outro lado do bar, a voz de Arthur ecoava, terna e flutuante, recitando versos sobre o "inefável vazio do ser". Os jovens ao redor estalavam os dedos em aprovação. Arthur era o poeta oficial do bairro, um caçador de relâmpagos.
Benício, no entanto, olhava para as próprias mãos sujas de tinta preta. Ele não caçava relâmpagos. Ele carregava pedras.
— Você devia subir lá, Benício — disse a garçonete, deixando a conta. — Deixar um pouco de poesia sair desse peito ranzinza.
— Não sou poeta, Clarice — respondeu Benício, sem tirar os olhos do caderno. — Sou escritor.
— E qual a diferença? — ela sorriu, limpando o balcão.
— O poeta voa, Clarice. Eu preciso caminhar. O poeta resume o mundo em um suspiro. Eu preciso de trezentas páginas para entender por que um homem chora ao ver um sapato velho na calçada.
Ela deu de ombros e se afastou. Benício voltou ao trabalho. Ele estava há três semanas preso no terceiro capítulo de seu romance. Não buscava a palavra perfeita que rimasse com a dor; buscava o motivo exato pelo qual seu protagonista, um velho relojoeiro chamado Vicente, havia parado de falar com o filho.
Arthur, o poeta, aproximou-se da mesa, exalando o perfume do aplauso recente.
— Benício, meu caro! Sempre enterrado na lama da realidade. Por que não liberta sua escrita dessas amarras? A vida é efêmera, meu amigo! Um sopro!
Benício ajeitou os óculos e olhou para o amigo.
— A vida pode ser um sopro para quem olha de longe, Arthur. Para quem vive, ela tem o peso de um tijolo por dia. Seu poema é lindo, mas ele não explica como o Vicente vai pagar o aluguel amanhã de manhã.
Arthur riu, uma risada leve, e deu um tapinha no ombro de Benício antes de sair pelos fundos com seu séquito.
Benício ficou sozinho. A luz do bar começou a piscar. Ele pegou a caneta. Esqueceu as rimas, a métrica e as metáforas abstratas. Em vez disso, escreveu sobre o cheiro de graxa nas mãos de Vicente. Escreveu sobre o barulho mecânico dos relógios de parede preenchendo a solidão da casa. Escreveu o diálogo seco, doído, que o pai nunca teve coragem de dizer ao filho.
Em alguns de meus registros confessionais e polêmicos espalhados pelas redes da internet mundial, expresso sem pudor algum, minha preocupação com os comportamentos e os isolamentos das novas gerações, diagnosticados visivelmente como agentes ocultos em áreas periféricas. Eu critico o que eu chamo de "intransigentes juvenis" e alerto para a necessidade de que só um diagnóstico precoce, pode servir como ferramenta de acolhimento e desenvolvimento da realidade, e não para o fechamento maior dos jovens em si mesmo, pela alienação ou mesmo de falsa existência por uma sobrevida marginal no distanciamento paulatino cada vez mais da coletividade urbana, que ocorre principalmente nos grandes centros urbanos.
Paz, é o que todos querem, querem durante a guerra para poder ter glória, glória de ser, ser amor, transmitir alegria e comer a paciência sem mais ingredientes, apenas dor, tristeza, resiliência, resistência, fé e esperança como água.
Linguagem do amor é endoidanda-la...
Talvez amar seja isso:
perder um pouco a razão,
rir de coisas sem sentido,
criar apelidos estranhos,
fazer o coração esquecer toda
lógica do mundo,
e deixar a alma falar
mais alto que a explicação.
Porque quando você chega,
meus dias mudam de cor,
o tempo desacelera só pra te ver passar,
e eu descubro que o amor tem dessas loucuras bonitas:
transforma detalhes pequenos
em motivos pra sonhar.
Linguagem do amor é endoidanda-la,
eu descobri,
é fazer você sorrir sem entender o motivo,
é bagunçar seus pensamentos
só com um olhar,
e morar nos seus pensamentos
sem pedir abrigo.
Se amar for uma espécie de doce insanidade, então não quero cura,
nem saída, nem final;
porque entre todas as loucuras que já conheci na vida,
a mais bonita delas foi te amar.
Sou grato por seu amor
Sou grato por seu amor,
porque chegou sem avisar e fez morada em mim.
Entre tantos caminhos, tantos encontros passageiros,
foi você quem transformou dias comuns
em memórias que o coração guarda em silêncio.
Sou grato por cada detalhe do seu jeito,
pelos sorrisos que nasceram sem motivo,
pelos olhares que disseram tanto sem palavras.
Você trouxe luz para lugares em mim
que nem eu mesmo sabia que estavam escuros.
Quando a vida pesou sobre meus ombros,
seu carinho foi abrigo e paz.
Seu amor me encontrou nas minhas imperfeições
e, sem pedir mudanças impossíveis,
me ensinou o valor de ser amado de verdade.
Existem pessoas que passam como o vento,
mas existem aquelas que permanecem na alma.
Você se tornou presença em meus pensamentos,
uma dessas raridades que o tempo não apaga
e que a saudade nunca aprende a esquecer.
Se hoje sorrio com mais esperança,
é porque você existe dentro dos meus dias.
E entre todas as palavras que eu poderia dizer,
há uma que sempre será eterna em meu coração:
sou grato por seu amor.
Sentido, uma palavra que vem usada muitas vezes, mas afinal o que é o sentido? Muitas vezes te dizem:"suas ideias não tem sentido também você esistir e viver não tem sentido". No começo eu ficava triste comigo dizendo que eu era uma coisa indescritível mas depois percebi que a vida de todas as pessoas tem sentido (incluindo a pessoa que me falou aquilo) e que o sentido das pessoas que oprimem as outras é nós render mais forte e criar uma armadura para a vida.
Sabe aquela história de que o tempo cura tudo? É mentira. O tempo não cura; ele apenas anestesia a carne para que a gente consiga andar sem mancar tanto.
Foram três anos, quatro meses e dezenove dias. Eu sei a contagem exata porque, no início, cada amanhecer sem o som da sua respiração do meu lado parecia uma pequena cordilheira que eu precisava escalar descalço. O nosso término não teve gritos, pratos quebrados ou traições escandalosas. Foi pior. Foi aquele silêncio resignado de duas pessoas que se amam profundamente, mas que entenderam, no meio do caminho, que as suas rotas futuras não cruzariam o mesmo mapa. Ela precisava partir para buscar os seus sonhos longe; eu precisava continuar aqui, cuidando do meu trabalho simples e das minhas obrigações diárias. Nos abraçamos no portão da antiga estação, o perfume do creme do lindo cabelo crespo dela grudou na minha jaqueta de jeans e, quando ela soltou a minha mão, levou consigo metade do meu oxigênio.
Os primeiros meses foram um borrão de sobrevivência. Eu via o rosto dela no reflexo das poças de água na rua, no letreiro do armazém, no sotaque das canções que tocavam no rádio de pilha. Tentei sair, conversar com outras pessoas, mas qualquer conversa parecia vazia. Eu voltava para a minha casa pequena e o silêncio dos cômodos me socava o estômago. Chorei até a minha garganta queimar, até não sobrar uma lágrima no reservatório da minha alma. Achei, de verdade, que morreria de saudade. Que o meu coração simplesmente pararia de bater por falta de motivo.
Mas a vida é teimosa. Ela continua acontecendo mesmo quando a gente quer que o mundo pare.
Devagar, quase sem perceber, a dor lancinante virou uma pontada crônica. Aprendi a guardar as fotos dela numa caixa de sapatos no fundo da gaveta e, mais tarde, no fundo da mente. Voltei a rir de bobagens na calçada. Voltei a focar na minha rotina, cuidei do jardim na frente de casa, adotei um cachorro vira-lata que me pedia atenção nos dias mais cinzentos. Aprendi a cozinhar para um só, a lavar a louça ouvindo o silêncio, sem achar que isso era uma derrota. Eu superei. Se alguém me perguntar hoje se eu estou bem, a resposta é um sim sincero e calmo. Eu simplesmente juntei os meus cacos e continuei a caminhar, aceitando a minha vida pacata.
Contudo, superar não significa esquecer.
Ontem à noite, uma chuva fina começou a cair e o vento trouxe um cheiro de terra molhada misturado com algo doce. Meu peito deu um nó instantâneo. Não foi uma recaída, foi uma constatação convicta. Eu posso viver mais cinquenta anos, envelhecer nesta mesma casa humilde, conhecer alguém legal e dividir os dias de forma tranquila. Sei que a vida segue e que sou forte o suficiente para ser feliz de novo. Mas ela sempre será o meu grande amor. Aquela cicatriz bonita que a gente olha com carinho, sabendo que foi ali que a vida nos marcou de verdade.
Eu superei o fim, segui em frente e arrumei a minha bagunça com a certeza de quem sabe quem é. Mas uma parte de mim, aquela mais pura e bonita, vai morar para sempre naquele abraço de despedida, congelada no tempo, amando-a em silêncio para todo o sempre.
Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lheem seu coração.
Gênesis 6:6
Na Hermenêutica Purista, o símbolo jamais é um ornamento da realidade, mas a manifestação fragmentada de sentidos que a consciência tenta organizar diante do caos da existência.
A gente perde tempo tentando mudar pessoas que não querem mudar. Infelizmente, para alguns, o único fim da ignorância é o túmulo ou a cremação.
A gente perde boa parte da vida tentando consertar pessoas e fazê-las enxergar o caminho certo, mas a própria ignorância não permite. Infelizmente, para alguns, a única coisa que ‘corrige’ é o túmulo ou a cremação. Esse acaba sendo o destino de quem nunca quis aprender.
A verdadeira arte e a cultura inclusiva no contemporâneo se sobrepõem e unificam as particularidades étnicas e de gênero. Em nome da humanidade mais sensível e cumplice, coesa vivendo no mesmo tempo e momento, entre os novos avanços tecnológicos e abismos de antigos problemas gerados pelo egoísmo, individualismo, interesses dos poderosos, cegos e imaturos, ainda muito pouco resolvidos.
Salve 22 de Maio, dia de Santa Rita de Cassia. Estudei no primário, no Liceu Santa Rita de Cassia no bairro carioca da Consolação e desde pequeno tenho muita fé e afeição muito particular por Santa Rita... ate por sua vida comum, com marido e filho, e a entrada posterior para o convento já como uma mulher madura, apesar das não aprovações eclesiásticas mas humildemente conseguiu. Considerada por ser ela a justa intercessora das causas impossíveis, este ensejo e resultado advém retratado um pouco de sua fé e resiliência na sua própria historia de vida.
Ela passou a vida inteira preocupada com a limpeza das superfícies, polindo paredes, cuidando do brilho exterior, enquanto a sujeira da alma lhe escapava. Racismo sutil, desprezo pelos pobres, pequenas hostilidades que se acumulavam como sombras invisíveis. Entre panos e escovas, ignorava que a verdadeira limpeza exige coragem para encarar o próprio coração.
Há algumas portas que não abrem, trancadas como quem não tem volta,
E no meu peito,
Ah no meu peito… um cadeado e uma saudade escondida.
Bismarck disse que a política não é uma ciência exata, mas uma arte; e é verdade, a arte de enganar os trouxas.
As relações interpessoais constituem um intrincado fenômeno biopsicossocial, no qual sinapses emocionais, mecanismos inconscientes de defesa, memórias afetivas e idiossincrasias cognitivas colidem silenciosamente dentro da arquitetura neuropsíquica humana; afinal, compreender o outro já é tarefa hercúlea, porém decifrar os labirintos da própria mente humana talvez seja a mais complexa engenharia existencial da consciência.
Seja como a soca do arroz:
Se ainda está válida, aproveitamos ele, né? Então, se dá com o arroz, dá para o que é postivo na vida também, né? Fica a dica.
✍🏻Somente a PERDA nos mostra a dimensão da Falta, a imensidão do Vazio e o custo do Necessário.
🫣♾️🔄👣👣🔃
