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Talvez a justiça seja a arte impossível de equilibrar liberdade, igualdade, segurança, dignidade e responsabilidade sem permitir que nenhuma delas devore as demais.

A Filosofia ensina a desconfiar das respostas fáceis; o Direito ensina que algumas respostas ainda precisam ser dadas apesar da complexidade.

O bom Direito não nasce da crença em pessoas perfeitas, mas da criação de estruturas capazes de limitar pessoas imperfeitas.

Quanto mais conhecemos o ser humano, menos razoável parece construir instituições baseadas na suposição de que todos serão virtuosos.

A lei é uma tecnologia social inventada para administrar a imperfeição humana.

Uma sociedade não pode esperar virtude extraordinária de todos, por isso cria regras ordinárias para limitar danos extraordinários.

A moral pode exigir heroísmo; o Direito precisa estabelecer padrões que possam ser aplicados sem depender de santos.

A ética examina a ação; o Direito examina a ação dentro de uma ordem social institucionalizada.

A filosofia pergunta o que devemos fazer; o Direito pergunta também quem terá competência para fazê-lo.

O futuro não é uma sentença transitada em julgado.

Toda geração recebe instituições imperfeitas e decide se as conservará, reformará ou substituirá.

Uma Constituição é também uma aposta filosófica no futuro.

A esperança jurídica não é acreditar que tudo terminará bem; é construir mecanismos para que o pior não seja inevitável.

O Direito não elimina o absurdo da existência; apenas impede que o absurdo tenha a última palavra sobre a convivência.

Quando nenhuma ordem superior garante a justiça, cabe aos humanos construir instituições capazes de buscá-la.

A justiça talvez seja uma das respostas humanas mais sofisticadas ao absurdo de nascermos diferentes e ainda assim precisarmos viver juntos.

A existência não oferece garantias; o Direito tenta construir algumas.

O mundo pode ser injusto, mas isso não transforma a injustiça em destino jurídico.

Camus encontrou no absurdo uma pergunta sobre como viver; o jurista encontra no Direito uma pergunta sobre como conviver.

A liberdade humana é suficientemente complexa para impedir tanto o determinismo absoluto quanto a ingenuidade moral.

Condenar sem compreender é fácil; compreender sem absolver automaticamente é uma forma superior de rigor.

A justiça precisa distinguir culpa, causalidade, intenção, circunstância e consequência.

Nem tudo que causamos devemos necessariamente responder; nem tudo pelo que respondemos causamos sozinhos.

A responsabilidade jurídica começa onde a causalidade encontra a imputação.

O Direito é uma das maneiras pelas quais a sociedade transforma escolhas individuais em consequências públicas.