Pensamentos Mais Recentes
O Vale Sagrado é o espelho reverso da divisão temporal: ali, a ambição humana cavou as profundezas da terra para que o cosmo pudesse esconder a sua própria eternidade.
Reno Fioraso
Há pensamentos que não procuram respostas. Permanecem vivos apenas para impedir que a alma adormeça na confortável mentira da tranquilidade.
A dor de um braço quebrando não termina no instante em que o osso cede.
Existe o estalo.
Existe a carne tentando entender o que aconteceu.
Existe o corpo inteiro procurando uma posição onde a dor diminua, mesmo sabendo que nenhuma posição resolve.
Mas existe uma outra dor.
Aquela que ninguém vê no raio-X.
Aquela que fica quando você percebe que alguém foi capaz de olhar para você e escolher a violência.
E então não é mais só o braço.
Quebra alguma coisa por dentro.
Quebra a sensação de segurança.
Quebra a confiança.
Quebra aquela parte ingênua que ainda acreditava que certas pessoas simplesmente não seriam capazes de atravessar determinados limites.
E existe a humilhação.
Aquela sensação miserável de estar ali, machucada, vulnerável, tentando juntar os pedaços enquanto quem fez aquilo talvez siga respirando como se tivesse apenas atravessado mais uma esquina.
Você se sente pequena.
Sozinha.
Às vezes, até suja de uma culpa que não é sua.
Como se o corpo violentado carregasse também a vergonha da violência.
Mas não.
A vergonha não é minha.
Nunca foi.
O lixo não sou eu.
Lixo é quem precisa destruir o corpo de outra pessoa para se sentir grande.
Lixo é quem transforma força em covardia.
Lixo é quem levanta a mão porque não possui argumento, caráter ou humanidade suficientes para permanecer de pé diante de alguém.
Eu estava sozinha quando a dor chegou.
E talvez essa tenha sido uma das partes mais cruéis.
Porque há momentos em que a gente gostaria de ter alguém segurando nossa mão, dizendo que vai passar, dizendo que aquilo não aconteceu porque merecíamos.
Mas ninguém deveria precisar de uma testemunha para provar a própria dor.
Eu sei o que senti.
Eu sei o que ouvi.
Eu sei o que meu corpo suportou.
Eu sei o que quebrou.
E sei também que existem ossos que médicos conseguem colocar no lugar, mesmo que demore.
A alma é mais complicada.
Ela não recebe gesso.
Não existe cirurgia para devolver imediatamente a confiança.
Não existe remédio capaz de apagar a imagem da covardia.
Então eu vou ter que reconstruir.
Devagar.
Com raiva, talvez.
Com lágrimas também.
Com dias em que vou me sentir forte e outros em que vou me sentir um lixo por uma violência que nunca foi minha.
Mas vou reconstruir.
Porque aquele homem conseguiu quebrar meu braço.
Não conseguiu decidir quem eu sou.
E talvez essa seja a primeira coisa que eu precise aprender novamente:
eu não sou o que fizeram comigo.
Eu sou a mulher que sobreviveu ao que fizeram comigo.
E isso muda tudo.
Era eu o sol da minha própria existência.
Era minha dor tão profunda quanto o oceano,
e minha insegurança tão vasta quanto o céu.
Mas tornaste tudo isso pequeno.
Chamam de corajoso o poeta que despiu
sua alma e conseguiu expor algo formoso.
Eu o chamo de louco!
Se sou uma carta, prefiro
que minhas linhas permaneçam em anonimato;
afinal, conheço meus pecados.
Fui, no entanto, até em entrelinhas, lido pelo Senhor;
versos que nem mesmo em um ímpeto de coragem
haveria escrito, em seu coração
se fizeram conhecidos.
Nem de tudo que leste te agradaste.
Encontraste falsidade, mentira, preguiça e ironia;
ainda assim, destes garranchos que sou,
fez poesia.
Perguntaram-me o que é arte. Ouviu-se de mim silêncio; não um, mas o silêncio, do tipo que tanto tememos, mas que, por vezes, é a única resposta que temos.
O mesmo silêncio que preenche o universo em que vivemos, que se esconde nas palavras que não dissemos, que, como um véu, cobre a pureza das estrelas. Sim, foi este o meu silêncio.
O mesmo silêncio de uma árvore que tomba no deserto, sem ninguém para escutá-la; o silêncio que faz da arte, arte para nossas almas.
A arte não pode ser definida, deve-se ser contemplada. Por isso, ouviu-se de mim o silêncio, pois...
Como hei de explicar a arte?
Eu nunca fui militante, mas como observadora da cena, compreendo que ser militante não é espantar as pessoas, e sim atrair as pessoas, e penso que o divergente que não cruza a linha da falta de respeito pode se tornar um aliado, e até mesmo um amigo.
O prata do 'Little Bastard' e o sangue do mito cruzaram a mesma linha de chegada: o número 130 não era o fim de uma corrida, mas a velocidade exata com que a eternidade ultrapassou o tempo.
Reno Fioraso
Quando uma militância cruza a linha do respeito individual, já não é militância, e sim patrulha de opinião. Ninguém precisa de patrulheiros de opinião. As pessoas precisam de companhia para conversar.
A noite não me assusta mais, o que me assusta é o dia. A noite trás em si verdades ocultas e o dia trás mentiras veladas.
Há dois nascimentos reservados a toda criatura. O primeiro concede olhos para contemplar o mundo. O segundo concede um mundo digno de ser contemplado.
A esperteza de quem não tem caráter dura exatamente o tempo necessário para o mundo perceber quem ele realmente é.
Não venha criticar minhas falhas se não conhece meu dia a dia, não venha aplaudir minhas conquistas se vc não acompanhou minha batalha!
Amo a paz mas sou um ótimo guerrilheiro.
Ver os sinais e recuar não é fugir; é escolher com sabedoria onde você vai depositar o tesouro do seu tempo.
As desculpas das pessoas tentam reescrever o passado, mas os pequenos gestos diários já ditaram o futuro.
"Se o tempo voltasse, aquele beijo atrapalhado e desajeitado, eu repetiria mil vezes.
Sem pressa, com calma, até que meus lábios aprendessem a se encaixar nos teus."
Haredita Angel
07.08.25
Consumi uma vida em enganos na ânsia de corrigir minhas imperfeições; talvez bastasse deixar a vida seguir seu curso natural.
A história
Nossa história é a identidade
Da trajetória individual ou coletiva
E traduz o que foi uma realidade
Num contexto de memória cativa.
A história guarda marcas de vivências,
Estabelece laços com o presente,
Esclarece os fatos na sua essência,
E assim, preserva a memória da gente.
A história faz a forte conexão
Coerente com o que a vida já provou:
Une o fato à nossa representação,
No compromisso que ficou.
A história é uma ciência humana.
Ela estuda a ação e a vida das pessoas,
Descreve ocorrências da rotina urbana
E preserva fatos das vidas nossas.
As fontes históricas são diversas:
Vestígios de cartas, diários e objetos,
Fotos, construções e relatos imersos
Que ajudam a revelar um passado discreto.
O tempo se encarrega de escrever
Vestígios deixados num passado distante;
Um espaço, um ciclo para assim entender
E se torna objeto de estudo constante.
Raimundo Nonato Ferreira
Agosto/2026
"Nas veias dos irmãos corre o mesmo sangue, mas habitam corações diferentes. Sentem de forma distintas. Ainda assim, continua sendo irmãos. "
*Passo na porta da tua casa aqui,*
*só vejos folhas pelo chão.*
O vento levou o que a gente vivia,
mas deixou perfume na calçada e no coração.
É daquelas passadas que a gente dá devagar...
Olhando a janela, lembrando do riso,
pisando nas folhas secas que ainda guardam
o eco do "fica mais um pouco.
(Saul Beleza)
