Pensamentos Mais Recentes

Cansei de esperar por alguém que sempre encontra motivos para não me escolher.

A vida parecia bem mais simples, quando todas as categorias já estavam bem definidas. Deus era o mocinho, o Estado a ordem; e eu o vilão.

Amor não deveria fazer você disputar espaço com um vício.
Não deveria fazer você implorar por atenção, por cuidado, por presença.
Não deveria fazer você se sentir insuficiente enquanto vê a pessoa escolher, repetidamente, aquilo que a destrói.

PASSEIO


Nos finais de tardes de um tempo já bem distante, era comum ver o Padre da cidade passear em seu cavalo marchador pelas ruas do centro da cidade de Simplício Mendes.


Em uma destas tardes, o Augustão estava em seu bar a beber algumas cervejas. O clérigo, montado em seu cavalo de marcha, já tinha passado umas três vezes em frente ao estabelecimento do Augustão. 


Na quarta passagem do sacerdote, o Augustão foi para o meio da rua, levantou  os braços e foi gritando:


 — Para, para! O senhor já andou demais no cavalo. Agora é a minha vez de andar.


O religioso notou a situação de embriaguez do Augustão e falou:


— Não, seu Augusto, o cavalo já está bastante cansado. Estou levando agora mesmo para a roça. Amanhã o senhor anda nele.


O Augustão, depois de alguma insistência, terminou concordando e ficando a esperar pelo dia seguinte, para poder passear montado em cima do equino.

Sozinho somos forte. juntos fazemos história.

A vida é eterna e nossa existência acaba como um sonho profundo.

Tem coisas na vida que você não precisa saber.

Marchamos com a fúria de Alexandre e buscamos a verdade eterna de Platão, apenas para tropeçar na calçada de Drummond e entender que a maior batalha do homem acontece no silêncio do seu próprio peito.

O mundo das ideias de um filósofo é tão vasto quanto as terras que um imperador ousa marchar, mas ambos desabam diante da melancolia de um homem que descobre que, no final de tudo, seu nome é apenas um poema esquecido no tempo.

Conquistar o mundo inteiro é apenas uma fração de segundo que se eterniza na história; a verdadeira glória, no entanto, não está em dominar impérios, mas em governar a si mesmo e atravessar a pedra que há no meio do caminho.

Na terra onde o incompetente manda e o honesto é pobre, a maior riqueza do sábio é governar a si mesmo e rir da tolice dos poderosos.

O pecador que hoje triunfa na corte, esquece que não há santo sem passado, e que o tempo devora com a mesma fúria o ouro do tirano e o trapo do mendigo.

Nenhum futuro está garantido para quem governa baseado na incompetência; o império construído sobre a lama desmorona ao primeiro sopro do destino.

Curvar-se à hipocrisia dos homens para alcançar o topo é a pior das misérias; quem se vende à vaidade do mundo morre escravo, mesmo que vista seda.

“A grandeza de quem ensina não se mede pelo conhecimento que transmite, mas pela capacidade de despertar possibilidades que talvez nunca chegue a testemunhar.” — Leonardo Azevedo.

“Ensinar é despertar futuros que talvez não veremos.”

"A democracia não se preserva apenas pela força das instituições, mas também pela consciência histórica daqueles que compreendem o valor da liberdade."

O Legado A Partir De Uma Sala De Aula — O Empenho Que Não Pode Ser Ensinado

O seu papel é indispensável, influencia vidas inteiras e carreiras profissionais bem distintas; demonstra uma dedicação inquestionável e um amor pelo que faz que não se explica, que contraria a triste desvalorização que sofre por parte de muitos e as más condições em muitos casos; o seu empenho é compensado: por cada vida que transforma; pelos abraços e palavras de boas-vindas; pelos laços e estimas que se formam; pela felicidade expressiva quando vê que os seus ensinamentos geraram frutos, entre as chegadas, as despedidas e alguns reencontros. Um legado que começa dentro de uma sala de aula, que faz uma grande diferença no mundo.

"Uma Constituição verdadeiramente democrática deve ser suficientemente aberta para permitir a alternância dos projetos políticos e suficientemente firme para impedir que qualquer deles suprima as condições que tornam possível essa alternância."

Asuras e suas formas de motivação, onde adquirem poder através da penitência e meditação (tapasya).

O Que o Caderninho do Motorista Revela?
Há mais de seis anos, o motorista peregrino registra suas experiências em um pequeno caderno que carrega consigo: o *Diário de um Motorista*.
Certo dia, ao folhear suas páginas, encontrou um assunto marcado com três asteriscos: preconceito, discriminação e racismo. Para ele, os sinais indicavam um tema de extrema importância.
Continuando a leitura, encontrou anotações sobre passageiros da periferia de São Carlos. Muitos reclamavam do abandono do poder público e da falta de serviços básicos, como transporte coletivo de qualidade, postos de saúde, creches, agências bancárias e iluminação pública.
Algo chamou sua atenção: esses passageiros frequentemente agradeciam por ele ter aceitado a corrida. Alguns contavam que outros motoristas se recusavam a transportá-los por morarem na periferia.
O peregrino se perguntava: seria sempre uma questão de segurança ou, em determinadas situações, o preconceito também estaria presente?
Afinal, o endereço de uma pessoa deveria informar onde ela mora, jamais determinar o valor que a sociedade lhe atribui.
Em outras páginas, havia anotações sobre passageiros de bairros de classe alta. Alguns se despediam com um simples “Tudo certo aí?”, outros agradeciam, enquanto muitos entravam e saíam do carro em silêncio.
O motorista tinha a impressão de que, para alguns, a relação se resumia ao serviço contratado. Entretanto, sabia que o silêncio não significava necessariamente arrogância ou preconceito.
Sua reflexão era outra: por que esquecemos, tantas vezes, que por trás de cada profissão existe um ser humano que merece respeito?
A educação não deveria depender da posição social de quem está diante de nós.
O caderninho também guardava observações sobre professores e estudantes. O motorista notara que muitos se atrasavam para iniciar a corrida e utilizavam fones de ouvido durante o trajeto.
Em outra anotação, registrou uma impressão curiosa: dentro da universidade federal, era como se existissem três universidades — Medicina, Engenharias e Humanidades.
Segundo suas observações, a cada dez viagens que realizava para aquele ambiente, aproximadamente cinco eram destinadas à Medicina, quatro às Engenharias e apenas uma às Humanidades. Não era uma pesquisa oficial, mas uma percepção que despertava sua curiosidade.
Por que algumas profissões recebem tanto prestígio, enquanto outras áreas do conhecimento parecem ocupar um lugar secundário?

Não se tratava de diminuir a importância da Medicina ou das Engenharias, mas de questionar uma sociedade que, muitas vezes, mede o valor das pessoas pelo salário, pelo diploma ou pela profissão.
Conhecimento sem respeito corre o risco de se transformar em instrumento de distinção social.
Depois de revisitar suas anotações, o motorista decidiu escrever sobre o assunto.
O preconceito nasce de julgamentos antecipados, frequentemente alimentados por estereótipos. A discriminação acontece quando esses julgamentos se transformam em tratamento desigual. O racismo, por sua vez, também se manifesta nas instituições e nas estruturas sociais que reproduzem desigualdades raciais e dificultam o acesso a direitos e oportunidades.
Em termos simples, o preconceito alimenta o julgamento, a discriminação transforma esse julgamento em ação e o racismo pode perpetuar a desigualdade na sociedade.
Esses fenômenos podem se fortalecer mutuamente e não se limitam às atitudes individuais.
O problema se agrava quando alguém denuncia uma injustiça e ouve que tudo não passa de vitimismo. Nem toda discordância é preconceituosa, mas desqualificar quem relata discriminação pode impedir que problemas reais sejam reconhecidos.
Muitas vezes, quem desfruta de determinados privilégios não percebe as barreiras enfrentadas por outras pessoas. Reconhecer essas desigualdades não significa atribuir culpa a todos, mas compreender a realidade e contribuir para transformá-la.
Há também quem defenda a igualdade nas redes sociais e nos palanques, mas não demonstre o mesmo compromisso na vida cotidiana.
É a chamada virtude de fachada: defender publicamente uma causa sem disposição para rever atitudes e práticas que mantêm as desigualdades.
A verdadeira luta pela igualdade exige coerência. Não basta aplaudir a diversidade; é preciso combater a exclusão, oferecer oportunidades justas e tratar todos com dignidade.
Defender a igualdade é fácil quando ela não exige nenhuma mudança. O verdadeiro compromisso começa quando precisamos rever nossas próprias atitudes e privilégios.
Ao terminar suas anotações, o motorista peregrino compreendeu que seu caderninho guardava muito mais do que histórias de passageiros. Guardava perguntas sobre o Brasil, suas desigualdades e a maneira como as pessoas se relacionam.
Suas experiências não permitiam julgar uma classe social inteira, mas ofereciam motivos para refletir sobre os preconceitos que, muitas vezes, se escondem nas atitudes mais corriqueiras.
A grande questão não é descobrir quem é melhor ou pior, mas entender por que a cor da pele, o endereço, a profissão ou a condição econômica ainda influenciam a maneira como tratamos alguém.

Talvez a transformação comece quando deixamos de procurar preconceitos apenas nos outros e passamos a examinar nossas próprias atitudes.
Afinal, é fácil condenar a discriminação quando somos espectadores. Difícil é reconhecê-la quando ela aparece em nossas próprias palavras e escolhas.
E o motorista peregrino encerrou suas anotações com uma pergunta para o leitor:
Se todos merecem respeito, por que ainda permitimos que a cor da pele, o endereço, a profissão ou a condição social determinem a maneira como alguém é tratado?
Talvez a resposta não esteja apenas nos livros, nas leis ou nos discursos, mas também na próxima pessoa que encontrarmos pelo caminho.
Peregrino Nino Carneiro

Veja a alegria e a disposição com que os trabalhadores voltam das férias para suas rotinas compulsivas. Mergulham no seu trabalho com tranquilidade e alegria, porque o trabalho abafa algo mais sinistro. Os homens têm que ficar protegidos contra a realidade.


(Ernest Becker)

Calúnia, injúria e difamação onde a deficiência sensorial se manifesta de forma expressiva. Mas o tempo muda, assim como o discernimento de pessoas incapacitadas. Livre-arbítrio para escolherem os próprios aprendizados, mas os ambientes sofrem influências energéticas. Porém como ter sabedoria de vida, se o fanatismo foca apenas em um ensinamento passado?

Não permita que os problemas de amanhã roubem a paz que ainda existe em hoje. A vida não exige que você carregue o peso de todos os dias de uma só vez; ela só pede que você encontre forças para atravessar o dia que está diante de você. Respire, confie e siga. Porque, às vezes, a maior vitória não é resolver tudo o que nos aflige, mas silenciar o caos dentro de nós e descobrir que, mesmo sem ter todas as respostas, ainda podemos encontrar paz no caminho.

O futebol é um esporte inventado para divertir as pessoas. Ele não existe para ser visto só pelos números, mas pelas sensações que causa.


(Marcelo Bechler)