Pensamentos Mais Recentes
A mente interpreta. A dúvida questiona. O discernimento separa. A consciência compreende. A escolha determina. A ação materializa. O protagonismo assume.
*O Campo Que Ficou em Branco*
Fui preencher um formulário porque aparentemente ainda existem coisas que precisam ser comprovadas por escrito.
Nome.
Preenchi.
Idade.
Preenchi também.
Profissão.
Essa demorou um pouco mais.
Não porque eu não tivesse profissão. Tinha. O problema era explicar o que ela significava depois de tantos anos fazendo a mesma coisa. Algumas palavras ficam velhas antes da gente.
Endereço.
Coloquei.
Estado civil.
Também.
Até ali, eu ainda era uma pessoa perfeitamente administrável.
Então apareceu a pergunta.
Quem é você?
Fiquei olhando para aquilo.
Era só uma linha.
Uma linha comprida, esperando uma resposta curta.
O mundo gosta dessas coisas. Coloca uma caixa embaixo de uma pergunta enorme e espera que a gente caiba ali dentro.
Peguei a caneta.
Não escrevi.
Olhei novamente para a pergunta.
Quem é você?
Pensei no meu nome. Não era.
Pensei na minha profissão. Também não.
Pensei na idade. Aquilo era apenas a quantidade de vezes que a Terra tinha girado enquanto eu tentava entender alguma coisa.
Pensei nos documentos.
Os documentos sabiam mais sobre mim do que algumas pessoas que conviveram comigo por anos.
Sabiam onde eu morava.
Sabiam quando nasci.
Sabiam números, datas, assinaturas.
Mas nenhum deles sabia o que eu fazia quando ficava sozinho.
Nenhum sabia das coisas que eu não dizia.
Nenhum sabia quantas versões de mim já tinham morrido sem cerimônia.
Foi então que percebi o problema.
Eu conseguia preencher todos os campos que me pediam uma informação.
Só não conseguia preencher aquele que pedia uma definição.
Talvez porque definir seja uma forma educada de reduzir.
Passei a vida fazendo isso.
Escolhendo palavras para caber em lugares pequenos.
Homem.
Profissional.
Pai.
Amigo.
Filho.
Responsável.
Culpado.
Inocente.
Cada palavra servia por algum tempo.
Depois ficava apertada.
A gente cresce por dentro e continua usando o mesmo contorno.
É uma espécie de prisão sem grades. Ninguém precisa nos trancar. Basta nos dar um nome e esperar que permaneçamos fiéis a ele.
Olhei novamente para a folha.
O campo continuava vazio.
Pensei que talvez fosse isso que mais incomodasse.
Não o fato de eu não saber quem era.
Mas a possibilidade de já ter acreditado, durante anos, que sabia.
Existe uma diferença.
A primeira é ignorância.
A segunda é arrogância.
O telefone vibrou sobre a mesa.
Uma mensagem qualquer.
Alguém perguntava se eu já tinha terminado.
Respondi que sim.
Era mentira.
Eu ainda estava diante daquela pergunta.
O curioso é que a mentira saiu com facilidade.
Talvez eu tivesse passado tanto tempo respondendo ao que esperavam de mim que já nem precisava pensar.
O mundo oferece formulários para quase tudo.
Para nascer.
Para morrer.
Para trabalhar.
Para comprar.
Para vender.
Para existir.
Só não oferece um para aquilo que acontece no intervalo.
E é justamente ali que a coisa complica.
Porque a mente não respeita formulário.
Ela continua.
Lembra de uma coisa enquanto esquece outra.
Deseja o que condena.
Condena aquilo que deseja.
Muda de opinião depois de jurar que nunca mudaria.
A gente chama isso de contradição.
Talvez seja apenas vida sem edição.
Pensei em uma caixa de fósforos que estava sobre a mesa.
Vazia.
Uma caixa pequena.
Quase ridícula.
Ainda assim, cabiam ali dentro uma noite inteira, um cigarro, uma conversa antiga, uma mulher que eu não via há anos, um homem que eu tinha sido e não queria mais encontrar.
Era estranho.
O infinito não precisava de espaço.
Precisava apenas de memória.
Foi quando entendi outra coisa.
Talvez eu não fosse uma resposta.
Talvez fosse o rascunho.
Um rascunho que insistia em sobreviver às próprias correções.
Já tentei apagar partes de mim.
Algumas funcionaram.
Outras ficaram como aquelas marcas de borracha que continuam aparecendo quando a luz bate de lado.
Há coisas que a gente não supera.
Apenas aprende a colocar em lugares onde não tropeça nelas todos os dias.
Terminei de preencher o formulário.
Deixei a caneta sobre a mesa.
O funcionário pegou a folha e conferiu os campos.
Nome.
Certo.
Idade.
Certo.
Profissão.
Certo.
Endereço.
Certo.
Chegou ao último.
Parou.
Olhou para mim.
— E aqui?
Olhei para a linha vazia.
Por alguns segundos, pensei em escrever qualquer coisa.
Seria mais fácil.
Homem cansado.
Sobrevivente.
Idiota.
Contraditório.
Em construção.
Nada disso parecia suficiente.
Então devolvi a folha.
— Pode deixar em branco.
Ele me olhou como quem não entende por que alguém recusaria uma oportunidade tão simples de mentir.
Pegou a caneta.
Passou um risco sobre o campo.
E pronto.
Mais um problema resolvido.
Saí dali pensando que talvez essa fosse a única resposta honesta que eu tinha encontrado em anos.
Não saber.
Não terminar.
Não caber.
Ser aquele ponto onde a pergunta continua existindo depois que todas as respostas já perderam a validade.
Talvez decifrar-se não seja descobrir uma fórmula.
Talvez seja aceitar que algumas partes de nós foram feitas para permanecer ilegíveis.
Cheguei em casa.
O gato estava no corredor.
Olhou para mim.
Não perguntou meu nome.
Não quis saber minha profissão.
Não precisava de documento.
Apenas me olhou por alguns segundos e foi embora.
Achei uma atitude bastante sensata.
Fiquei sozinho.
A casa estava silenciosa.
Na mesa, havia outra caixa de fósforos.
Dessa vez, ainda cheia.
Peguei uma.
Acendi.
Por alguns segundos, a chama iluminou meu rosto.
Olhei para ela.
Depois apaguei.
O rosto voltou a ser apenas um rosto.
E, pela primeira vez naquele dia, não senti necessidade de descobrir quem estava ali.
Sou mulher preta e quilombola.
Sou filha do axé, das águas que curam.
Sou herdeira das mulheres que rezavam, dançavam e libertavam o mundo com as mãos e o coração. Em mim, o tambor fala, o vento responde e o fogo me guia. Trago no corpo as marcas da luta e da bênção. Cada cicatriz é memória, cada gesto é herança. Eli Odara Theodoro
*ANTES QUE ALGUÉM ENTRE*
Entrei no bar porque ainda era cedo demais para voltar para casa e tarde demais para fingir que tinha alguma coisa importante para fazer.
O garçom me reconheceu.
Depois de certa idade, ser reconhecido num bar não é exatamente uma conquista. Significa apenas que você esteve ali vezes demais.
Sentei no canto de sempre.
Pedi bourbon.
O primeiro gole resolveu algumas questões que eu não tinha intenção de discutir naquela noite.
Peguei o celular.
Não sei por quê.
Talvez por hábito.
Talvez por tédio.
Talvez porque, depois de certa idade, qualquer tela iluminada pareça uma promessa de companhia.
Havia aplicativos abertos.
Alguns deles eu nem lembrava por que tinha instalado.
Não eram necessariamente aplicativos de namoro.
Pelo menos era isso que eu dizia a mim mesmo.
Curiosidade também é uma palavra bastante útil.
Passei o dedo pela tela.
Rostos.
Mulheres novas, balzaquianas, maduras.
Pessoas sorrindo diante de praias, restaurantes, cachorros, academias e lugares onde provavelmente nunca tinham estado tão felizes quanto pareciam estar na fotografia.
Algumas apresentavam a si mesmas como se estivessem concorrendo a uma vaga.
Outras apresentavam uma lista.
Não fumante.
Não bebe.
Não aceita determinada posição política.
Não quer alguém com filhos.
Não quer alguém sem filhos.
Altura mínima.
Renda mínima.
Distância máxima.
Personalidade compatível.
Signo compatível.
Vida resolvida.
Passado aceitável.
Pouco passado, de preferência.
Comecei a achar aquilo curioso.
Não exatamente engraçado.
Curioso.
As pessoas pareciam estar procurando alguém depois de verificar cuidadosamente se ninguém entraria.
Era uma espécie de alfândega sentimental.
Documentos em ordem.
Bagagem declarada.
Nenhuma mercadoria proibida.
Continuei olhando.
A lista era maior que algumas biografias.
E talvez fosse justamente esse o problema.
Ninguém mais precisava conhecer alguém.
Bastava verificar se a pessoa atendia aos requisitos.
Como se estivesse comprando um carro usado.
Quilometragem emocional.
Opcionais.
Defeitos ocultos.
Manual de instruções.
Garantia.
Pedi outro bourbon.
O garçom deixou o copo diante de mim.
Fiquei olhando o líquido por alguns segundos.
O bourbon tem essa qualidade.
Não resolve nada.
Mas melhora a aparência dos problemas.
Voltei ao celular.
A tecnologia prometeu aproximar as pessoas.
Entregou um catálogo.
Milhões de rostos ao alcance do dedo e uma quantidade cada vez maior de razões para não tocar em nenhum deles.
Passei para outro perfil.
Não gostei da fotografia.
Passei.
Outro.
Não gostei da descrição.
Passei.
Outro.
Alguma coisa me incomodou.
Passei.
Parei.
Voltei.
Não sei por quê.
Continuei.
Foi aí que percebi que eu também estava fazendo aquilo.
Essa foi a parte desagradável.
É fácil observar a estupidez dos outros quando você não precisa olhar para as próprias mãos.
Eu também tinha critérios.
Só não os chamava de critérios.
Chamava de experiência.
Depois de certa idade, a gente aprende a dar nomes respeitáveis às próprias defesas.
Não quero drama.
Pode significar: já fui ferido.
Não quero alguém complicado.
Pode significar: não tenho mais paciência para descobrir outra pessoa.
Quero alguém maduro.
Pode significar: quero alguém que não me obrigue a mudar.
Quero alguém resolvido.
Essa era uma das melhores.
Como se eu mesmo estivesse resolvido.
Como se tivesse passado décadas acumulando erros apenas para chegar a algum ponto em que pudesse preencher um formulário dizendo:
pronto.
Agora estou funcionando corretamente.
Bebi.
Olhei para o bar.
Duas pessoas conversavam numa mesa próxima.
Não pareciam interessantes.
Depois pensei que talvez eu não tivesse dado a elas tempo suficiente para serem.
Esse pensamento me incomodou.
Eu queria conhecer pessoas ou apenas encontrar versões antecipadas delas?
Talvez fosse a segunda opção.
Uma pessoa antecipada é muito mais confortável.
Você sabe o que ela pensa.
Sabe o que ela gosta.
Sabe o que ela não tolera.
Sabe o que procura.
Sabe o que rejeita.
Tudo antes de ela abrir a boca.
Uma pessoa real é outra coisa.
Chega atrasada.
Tem mau humor.
Fala demais.
Fala pouco.
Ri na hora errada.
Tem uma opinião absurda.
Muda de opinião.
Fuma quando você odeia cigarro.
Bebe quando você prometeu que não queria mais bêbados por perto.
Vota no sujeito que você considera um idiota.
Escuta a música que você não suporta.
Tem cicatrizes que não aparecem na fotografia.
E, às vezes, é gentil.
Isso complica tudo.
É fácil rejeitar uma categoria.
Mais difícil rejeitar alguém que está sentado diante de você.
Principalmente quando essa pessoa não corresponde àquilo que você imaginou.
Fiquei olhando para o meu copo.
Talvez fosse por isso que as listas existissem.
Elas davam a sensação de controle.
Se eu estabelecer critérios suficientes, pensei, posso impedir que alguém errado entre.
O problema é que ninguém consegue estabelecer critérios suficientes.
Sempre existe alguma coisa que ficou de fora.
Um hábito.
Uma lembrança.
Uma maneira de falar.
Uma família.
Uma história anterior à sua.
Alguma coisa que não estava na fotografia.
E então você descobre que não estava escolhendo apenas quem poderia entrar.
Estava tentando decidir antecipadamente o que teria permissão para acontecer depois que alguém entrasse.
Essa parte eu não gostei.
Porque já não era mais sobre os aplicativos.
Era sobre mim.
Passei anos aprendendo a viver sozinho.
Isso tem vantagens.
Você sabe onde estão as coisas.
Sabe o que comprar.
Sabe a hora em que prefere ficar quieto.
Não precisa explicar por que chegou tarde.
Não precisa negociar o volume da televisão.
Não precisa perguntar se alguém se importa com a música.
A casa vai adquirindo o formato de quem mora nela.
E, depois de algum tempo, qualquer outra pessoa parece uma mudança de móveis.
Talvez fosse exagero.
Talvez não.
Eu já tinha me acostumado demais com o meu próprio espaço.
A ideia de alguém ocupando uma parte dele parecia boa enquanto permanecia abstrata.
Quando se aproximava da realidade, começava a parecer trabalho.
Voltei ao aplicativo.
Outro rosto.
Outro.
Outro.
O dedo continuava trabalhando.
Era quase um reflexo.
A cabeça justificava.
O dedo decidia.
E eu nem sabia exatamente o que estava procurando.
Talvez nada.
Talvez alguém.
Talvez apenas a sensação de que ainda poderia encontrar alguém.
Existe uma diferença.
A esperança pode ser mantida durante anos quando não precisa enfrentar a realidade.
A pessoa real, não.
A pessoa real exige presença.
E presença é uma coisa inconveniente.
Ela não pode ser filtrada.
Não pode ser editada.
Não pode ser devolvida depois de sete dias.
Uma pessoa real traz uma vida inteira que começou antes de você.
Traz antigos amores.
Família.
Medos.
Hábitos.
Erros.
Desejos.
Contradições.
Algumas coisas que você vai gostar.
Outras que vai detestar.
E algumas que, para seu azar, vão obrigá-lo a reconsiderar aquilo que você jurou nunca aceitar.
Pode ser alguém que vota diferente.
Pode fumar.
Pode beber.
Pode acreditar em alguma coisa que você considera absurda.
Pode ter uma história que não combina com a sua.
Pode rir de coisas que você não acha engraçadas.
Pode ser exatamente o tipo de pessoa que você teria eliminado no segundo movimento do dedo.
E ainda assim pode acontecer alguma coisa.
Esse é o problema.
Pode acontecer alguma coisa.
O algoritmo prefere outra coisa.
Prefere que você continue procurando.
A próxima pode ser melhor.
Mais bonita.
Mais inteligente.
Mais compatível.
Mais interessante.
Mais próxima.
Mais perfeita.
A próxima está sempre disponível.
A esperança fica um perfil adiante.
Mais um movimento.
Mais uma noite.
Mais um bourbon.
Mais uma promessa silenciosa de que amanhã talvez seja diferente.
Amanhã chega.
A lista continua.
Enquanto isso, as pessoas envelhecem.
As rugas chegam sem pedir licença.
Os bares fecham.
Os amigos desaparecem.
Alguns morrem.
Os discos riscam.
As fotografias ficam antigas.
O bourbon acaba.
E nós continuamos escolhendo.
Eu também.
Talvez essa fosse a parte que mais me incomodava.
Eu podia rir das listas dos outros porque elas pareciam absurdas.
Mas tinha uma lista minha.
Talvez não estivesse escrita em lugar nenhum.
Era pior assim.
Estava na cabeça.
Altura.
Hábitos.
Jeito de falar.
Passado.
Problemas.
Opiniões.
Tudo aquilo que eu dizia não querer.
Tudo aquilo que eu achava que já tinha idade suficiente para não precisar suportar.
Como se envelhecer desse ao homem algum direito especial de exigir uma vida sem inconvenientes.
Não dá.
Só dá mais experiência em reconhecer alguns deles.
Terminei o bourbon.
Fiquei olhando o copo vazio.
Pensei que talvez o problema nunca tivesse sido encontrar alguém.
Talvez fosse aceitar que alguém real sempre traria alguma coisa que eu não tinha pedido.
Uma opinião.
Uma lembrança.
Um medo.
Uma diferença.
Um defeito.
Uma necessidade.
Uma história anterior à minha.
Conhecer alguém significava entrar numa história que começou sem você.
Não havia como editar os capítulos anteriores.
Não havia como selecionar apenas as partes convenientes.
Não havia botão para remover aquilo que incomodasse.
Uma pessoa real não vinha com manual.
Nem certificado de compatibilidade.
Nem garantia contra abandono.
Era justamente isso que tornava tudo tão difícil.
Pedi a conta.
O garçom trouxe.
Guardei o celular no bolso.
Não porque tivesse aprendido alguma grande lição.
Não aprendi.
Apenas fiquei cansado de transformar desconhecidos em candidatos.
E depois reclamar que ninguém me conhecia.
O bar estava quase vazio.
Fiquei sentado mais alguns segundos.
Pensei nas pessoas que eu tinha descartado naquela tela.
Depois pensei nas que talvez tivessem me descartado.
A ideia não era agradável.
Talvez algumas tivessem razão.
Talvez outras não.
Nunca saberia.
Essa é uma das coisas que a gente perde quando decide cedo demais.
A possibilidade de descobrir.
Levantei.
Saí do bar.
O celular continuava no bolso.
Não o abri.
Não porque tivesse desistido de encontrar alguém.
Nem porque tivesse finalmente compreendido o amor.
Não tinha compreendido nada disso.
Apenas comecei a desconfiar de uma coisa.
Talvez eu não estivesse procurando alguém que coubesse na minha vida.
Talvez estivesse procurando alguém que não mexesse nela.
E isso era diferente.
Continuei andando.
Passei anos organizando a casa.
Escolhendo os móveis.
Definindo as regras.
Decidindo quem poderia entrar.
No fim, a casa estava impecável.
E vazia.
Parei por um instante.
Pensei que talvez fosse melhor assim.
Depois pensei que essa frase também parecia uma defesa.
Sorri sozinho.
Era um progresso pequeno.
Ou apenas outro truque da minha cabeça.
Não importava.
Continuei andando.
O bar ficou para trás.
O celular permaneceu no bolso.
Eu ainda não sabia se queria encontrar alguém.
Também não sabia se queria continuar sozinho.
Pela primeira vez, porém, percebi que talvez tivesse passado tempo demais tentando resolver essa dúvida antes que qualquer pessoa tivesse a oportunidade de aparecer.
E talvez fosse esse o problema.
Eu queria saber quem entraria antes de abrir a porta.
Isso me pareceu uma exigência razoável durante muito tempo.
Naquela noite, já não pareceu tanto.
Não porque eu tivesse descoberto alguma resposta.
Só porque, pela primeira vez, a possibilidade de não saber não me pareceu uma ameaça.
Continuei andando.
O resto podia esperar.
Antes de quebrar a confiança de alguém, pense bem. Na vida e na psicanálise, os vínculos não são estruturas que se rompem sem deixar marcas. A confiança se assemelha a uma ponte: leva tempo para ser construída, sustenta encontros, aproxima pessoas e permite atravessar distâncias que, sozinhos, talvez não conseguíssemos atravessar.
Quando essa ponte se rompe, é possível reconstruí-la, mas nunca de maneira imediata. É preciso reestruturar as bases, reparar as fissuras, reconstruir aquilo que foi abalado. E, assim como o cimento precisa de tempo para curar e a estrutura precisa de tempo para adquirir resistência, a confiança também precisa de tempo para se recompor.
Depois de uma ruptura, talvez a ponte volte a existir, mas o peso que ela suportava antes não poderá ser colocado sobre ela imediatamente. Será necessário cuidado, presença, responsabilidade e, sobretudo, tempo.
Por isso, cuide de suas amizades. Cuide dos vínculos. Cuide da confiança que alguém depositou em você. Antes de agir por impulso, pense nas consequências: algumas palavras podem ser retiradas, alguns erros podem ser reparados, mas a confiança, quando quebrada, exige um longo trabalho psíquico para ser reconstruída.
Nem todo vínculo precisa ser rompido diante de um conflito. Às vezes, é preciso conversar, elaborar, compreender e atravessar juntos aquilo que feriu.
Porque algumas pontes podem ser reconstruídas. Mas, depois que quebram, elas nunca mais recebem o mesmo peso sem antes provar, pouco a pouco, que podem novamente sustentar aquilo que um dia sustentaram.
Não saber o que poderá nos suceder no amanhã constitui a grande sabedoria introjetada na mente humana por alguém que tudo sabe - Deus. Ele que sabe todas as coisas impede que conheçamos nosso amanhã; porque isso nos causaria ansiedade, e possível frustração. Mesmo assim disponibilizou-nos o sonhar por algo melhor. (F. Meirinho)
"O QUE LEVA UMA PESSOA PARA O FUNDO DO POSSO É NÃO PERCEBER QUE NÃO TEM DISCERNIMENTO PARA FAZER DETERMINADA COISA E ASSIM MESMO FAZER" Ademar de Borba
O ser humano não inventou o tempo; inventou formas de medi-lo — o tempo é a dimensão pela qual a mudança se revela.
_KANGAL
“O amor não é provado quando temos motivos para ficar; é revelado quando encontramos motivos para partir e, ainda assim, escolhemos permanecer.”
A ignorância do pré-julgamento
Vivemos em uma época retrógrada em que nada muda.A semeadura é feita sem discernimento.Mesmo não querendo colher o que plantou, a colheita tem que ser feita.É o ônus de uma reflexão que não foi feita desde o início da semeadura.
Julgam o povo no deserto por ter se prostrado aos baalins, mas os mesmos se contradizem, não sabendo discernir os deuses da atualidade, que se disfarçam nas vibrações sonoras, na satisfação ocular e num júbilo de louvor à rivalidade, como um “simples” jogo de futebol ou uma música secular.
A Consciência da Própria Força
Que alegria extraordinária nasce no peito quando finalmente despertamos para o fato de que somos capazes! Romper com as correntes do desânimo, vencer a preguiça da alma e compreender que trazemos na bagagem eterna todas as ferramentas para vencer é um ato de profunda libertação. Saber que você pode mudar a sua história, ajustar os seus pensamentos e dar o próximo passo por mérito próprio traz uma dignidade inabalável. Você foi planejado para a vitória e para o crescimento. Quando você confia no seu potencial, o mundo ao redor se ilumina
O Sublime Sentimento que nos Une
A maior de todas as alegrias que a alma pode vivenciar na Terra é a certeza de que somos capazes de amar com pureza e desapego. Saber que trazemos no peito um afeto sincero, que não cobra e que deseja o bem do próximo sem esperar nada em troca, é a nossa maior riqueza espiritual. O amor é o laço eterno que nos conecta à Inteligência Suprema e a todas as criaturas. Quando amamos, nós nos tornamos canais vivos da luz divina. Alegra-te por ter o coração aberto, pois quem aprendeu a amar de verdade já descobriu o verdadeiro sentido do paraíso na própria
A física quântica nos mostra que crenças firmes frequentemente se concretizam, então por que não cultivar ideias construtivas para sua vida? Ter pensamentos otimistas é sempre benéfico; portanto, afaste o negativismo e busque uma vida mais feliz.
O cangaço marca a história que o tempo guardou, a arte que o sertão reinventou e a cultura que o Nordeste eternizou, revelando a resistência de um povo em meio às lutas, aos conflitos e às invasões que atravessaram um tempo de coragem, violência e contradições.
A Gratidão pelo Milagre da Vida
Despertar a cada manhã e tomar consciência da nossa própria existência é o primeiro e maior motivo para nos alegrarmos. Existir é uma oportunidade bendita concedida pelo Criador para que possamos aprender, evoluir e reparar os nossos erros. Muitas vezes nos perdemos no que nos falta, deixando de celebrar o milagre que já somos. A sua jornada na Terra tem um propósito único e elevado. Sentir o ar renovar os pulmões e ter a chance de escrever uma nova página na nossa história é um presente diário que merece ser acolhido com um sorriso sincero e o coração transbordando de paz.
