Pensamentos Mais Recentes

Construa a sua jornada com as próprias mãos. A caminhada aceita companhia, mas a aprovação é estritamente individual
🙂‍↕️🙏

⁠Sua autenticidade
é sua maior força.
Nunca mude sua essência
por quem
só sabe valorizar aparências
🤍

Não está em nosso poder determinar como será o nosso dia.


Mas somos nós que determinamos se ele terminará com um sorriso.


Todos os dias, vivemos páginas em branco que, pouco a pouco, são escritas por nós.


E quando percebemos que somos autores e protagonistas da nossa própria história, entendemos que o resto não passa de figurante.


Faça a sua história. Não perca tempo vivendo a história dos outros.


Um dia, o ciclo das páginas também chegará ao fim, assim como a vida.


Mas a nossa história nunca deixará de ser contada enquanto nossas memórias forem lembradas.

A vida é feita de escolhas, e a minha de cada dia é ser feliz

A vida exige decisões a todo momento. Entre o barulho do mundo e a minha paz, eu me escolho todos os dias.

Diante de cada amanhecer, renovo o meu compromisso mais importante: me escolher e priorizar a minha felicidade
🙏 ☺️

Não apresse os seus passos só para acompanhar o ritmo dos outros. O Sol não disputa espaço com a Lua, mas cada um, no seu momento certo, ilumina o mundo inteiro. Deus não chega atrasado; Ele simplesmente não segue relógios humanos

O Amor de Uma Mãe


O verdadeiro amor nunca mede esforços.


Se existe uma certeza no coração de uma mãe, é que uma das maiores bênçãos que a vida lhe concedeu foi dar à luz um filho amado.


Uma mãe é feroz como uma tigresa e valente como uma guerreira. Ela enfrenta o mundo quando alguém ameaça aquilo que mais ama.


Mesmo que perca suas garras e suas presas, jamais perderá a força do amor que carrega dentro de si. Sozinha, enfrentará os lobos do mundo para proteger seu filho. Poderá cair, poderá se ferir, poderá até perder suas próprias forças, mas enquanto houver amor, ela jamais desistirá.


Os filhos são bênçãos de Deus confiadas aos braços de uma mãe.


Um filho é mais do que parte de seu corpo: é um pedaço de sua alma transformado em amor.


O mundo tentará ensinar seus próprios caminhos aos filhos. Alguns os conduzirão para a luz; outros, para a escuridão. E uma mãe estará ali, com sua coragem, tentando protegê-los daquilo que pode ferir seus corações.


Porque uma mãe não protege apenas o corpo de seu filho. Ela também luta para preservar seus sonhos, sua inocência e o homem ou a mulher que ele um dia se tornará.


Cada pessoa oferece aquilo que carrega dentro de si. Alguns oferecem bondade; outros, maldade. Mas uma mãe oferece aquilo que possui de mais precioso: amor, proteção e ensinamentos.


E os ensinamentos de uma mãe são tesouros que podem acompanhar um filho por toda a vida.


Ela pode abrir mão de privilégios, de luxos e até de seus próprios desejos. Fará isso sem pensar duas vezes, se for necessário para ver seu filho feliz.


Porque, para uma mãe, sacrificar a própria felicidade por um sorriso de seu filho não é uma perda.


É a mais pura demonstração de amor.


Ronan Helio de Souza

Nem toda dor precisa impedir a nossa felicidade.


Até mesmo uma profunda dor pode ser quebrada quando encontramos um verdadeiro amor.


Até mesmo o amor precisa das dores.
E as dores, para se curarem, necessitam de amor.


Quando olhamos para as marcas da vida, pensamos em nossa história.


E percebemos que as maiores lições que carregamos não estão nos livros escritos nem nas frases prontas.


Porque a nossa felicidade é vivenciada um dia após o outro.


E, então, percebemos que as dores também valem a pena, para que o amor possa ser, a cada dia, mais conquistado.

De seu palpite... 
SE VOCÊ VESTE E ALIMENTA!
caso NÃO silencie.


Gi Ferreira

Inserida por GiseleF

A maior vitória em uma briga é evitá-la antes mesmo que ela aconteça.


Pois fortes não são aqueles que levantam os punhos, mas aqueles que conseguem vencer o próprio ódio.

Teus olhos experientes
são capazes de ler
até mesmo o meu subtexto;
a alma, o corpo e o pensamento
ficam o tempo inteiro
em ritmo de Compas,
em anseio de se tornarem
o seu porto de paz.


Com o balanço da Palma-real
ao vento, por um
instante eu me distraio
vendo o luar esplender;
não nego que por ti
mais do que uma asa arrasto,
porque desejo bem mais
do que um simples afago.


Pensar o tempo todo
na possibilidade de vir a ser tua
tem sido todo o meu dia:
como o Rio Artibonite
flui ao encontro do mar do Caribe,
desejo muito que o céu
não seja nenhum limite
e que a distância não nos alcance;
estou pronta para viver
contigo o nosso doce romance.

Infinitos recursos mentais
(Mauro 1Evaristo)

Nem tudo está perdido
Você tem infinitos recursos mentais,
Siga firme, mente em equilíbrio,
Nada de guerrear em redes sociais.

Sempre há algo bom em que pensar
A florescer pelos caminhos,
Sorria, não se deixe abalar,
Você não está sozinho.

Há algo melhor mais a frente,
Saiba controlar sua mente
Porque em breve irá perceber

O quanto vale ser persistente
Em seguir, sorrir, acreditar e agradecer
O poder infinito que existe em você.

feradapoesia.blogspot.com

Infinitos recursos mentais
(Mauro 1Evaristo)

Nem tudo está perdido
Você tem infinitos recursos mentais,
Siga firme, mente em equilíbrio,
Nada de guerrear em redes sociais.

Sempre há algo bom em que pensar
A florescer pelos caminhos,
Sorria, não se deixe abalar,
Você não está sozinho.

Há algo melhor mais a frente,
Saiba controlar sua mente
Porque em breve irá perceber

O quanto vale ser persistente
Em seguir, sorrir, acreditar e agradecer
O poder infinito que existe em você.

feradapoesia.blogspot.com

Um mar de cores.


"Era uma vez" é algo típico.
Então lá vamos nós, mais uma vez...
Era uma vez um grupo,
Eram 7 pessoas,
Cada uma, única de seu jeito:
Uns pareciam loucos, mas felizes
Uns eram reservados, só observavam
Uns apenas seguiam a correnteza, deixando que ela os levasse,
Mas juntos eles eram incríveis, eram como as cores do arco-iris,
Separadas são únicas e lindas com tons,
Mas juntas formavam uma coisa surreal de se ver.

O toque do amor e a força da vida


Que o amor abrace, envolva e se faça sentir como um toque físico, concreto, quase palpável. 


Que a vida toque profundamente e revele, em cada instante, a sua força vital pulsando, atravessando o corpo e sustentando cada passo.


Deus pode ser percebido no vento: na força que se manifesta de maneira avassaladora e, ao mesmo tempo, na suavidade da brisa que toca como a carícia de um pai sobre um filho.


Há também o desejo de sentir o amor não apenas como uma ideia, mas como presença viva; de perceber a força da vida bombeando nas veias, pulsando no coração e mantendo o ser humano de pé.


No trovão, manifesta-se o poder estrondoso de Deus; na brisa, o toque suave. Na voz que ecoa com força, há majestade; no sopro suave, há amor — como uma presença que se comunica através de gemidos inexprimíveis.


Entre a força e a suavidade, entre o estrondo e o silêncio, encontra-se aquilo que sustenta a existência: o poder de Deus, o amor que envolve e a força vital que impulsiona a vida.


É essa presença que mantém de pé, que renova as forças e que conduz cada passo. Que ajuda a
seguir sempre em frente.


Sempre seguir em frente


Domingos JS Souza.

*A REVOLUÇÃO DOS CANSADOS* - Naquela manhã, ele caminhava para o escritório sob um céu baixo e cinzento, desses que parecem ter desistido antes mesmo de o dia começar. A cidade estava suja. Havia lixo acumulado junto às calçadas, restos de papel molhado, garrafas vazias e a fumaça dos fogos ainda suspensa no ar. De algum lugar vinha o grito dos prós. Do outro lado da rua, os contras respondiam. Todos tinham uma opinião. Todos pareciam ter uma certeza. Ele apenas continuava andando.

Durante anos, tinha acreditado que precisava convencer alguém de alguma coisa. O patrão de que trabalhava demais. A família de que fazia o possível. Os amigos de que estava bem. O mundo de que ainda era útil. Era um trabalho cansativo. Talvez mais cansativo do que o próprio trabalho.

Com o tempo, começou a perder alguns talentos. Primeiro, o talento de discutir. Depois, o de explicar. Por fim, perdeu o hábito de parecer indignado. Descobriu que a indignação permanente era apenas outra forma de cansaço, e que quase todo mundo estava cansado demais para admitir isso.

Passou diante de um bar ainda com as portas meio abertas. Lá dentro, algumas mesas sujas, cadeiras tortas e homens olhando para copos como se esperassem deles alguma resposta. Havia fumaça no ar e silêncio entre uma frase e outra. O lugar tinha a aparência honesta das coisas que já não prometem nada.

Ele parou por alguns segundos diante da porta. Pensou em entrar. Não entrou. Ainda precisava bater ponto.

Na rua, alguém gritava sobre liberdade. Outro gritava contra. Um terceiro filmava tudo com o telefone. Mais adiante, um cartaz anunciava um futuro melhor. Estava colado sobre uma parede coberta de mofo. Ele achou aquilo particularmente engraçado.

A cidade continuava fabricando heróis. Heróis de ocasião. Mártires de fim de semana. Revolucionários que falavam alto até a hora em que precisavam voltar para casa porque havia reunião na segunda-feira.

Ele já tinha visto aquilo antes.

As guerras eram travadas por homens que quase nunca apertavam o gatilho. As virtudes eram defendidas por gente que não abriria mão do próprio conforto nem por quinze minutos. E os grandes discursos serviam, muitas vezes, para esconder uma coisa muito simples: ninguém fazia a menor ideia do que estava fazendo aqui.

Talvez fosse isso que mais o incomodasse.

Não a mentira. A necessidade de fingir que ela não existia.

Continuou caminhando. Um caminhão passou e levantou água suja da sarjeta. Molhou sua calça. Ele não reclamou. Havia coisas piores.

Pensou nas bandeiras que já tinha carregado. Algumas tinham mudado de dono. Outras tinham mudado de cor. Algumas continuavam sendo erguidas pelas mesmas pessoas que, anos antes, juravam combatê-las. A política tinha esse talento extraordinário de transformar convicções em mercadoria.

Ele estava cansado.

Não apenas do trabalho. Não apenas das pessoas. Estava cansado da obrigação de se importar com tudo.

Talvez fosse uma espécie de revolução.

Parar de explicar.

Parar de justificar.

Parar de correr atrás da cenoura enquanto alguém segura o chicote.

Ele queria uma mesa de bar. Uma cerveja gelada. Uma mulher inteligente rindo do seu cinismo. Uma motocicleta velha esperando na calçada. Quilômetros sem destino. Nada grandioso. Nada que precisasse ser fotografado, publicado ou transformado em opinião.

O escritório aparecia no fim da avenida.

As janelas refletiam o céu cinzento. Gente entrava apressada. Gente saía fumando. Gente carregava pastas, problemas, boletos e pequenas ambições cuidadosamente embaladas.

Ele olhou para o prédio.

Por um instante, teve vontade de simplesmente virar as costas.

Não virou.

Ainda não.

Mas alguma coisa dentro dele já tinha ido embora fazia tempo.

Talvez liberdade não fosse fugir.

Talvez fosse apenas chegar ao ponto em que já não se precisa provar nada.

Ela não chegava montada num cavalo branco. Não havia música. Não havia aplausos. Não havia discurso.

Às vezes aparecia numa manhã miserável, diante de um escritório qualquer, com olheiras, o bolso quase vazio e uma paz estranha no peito.

Para quem olhava de fora, aquilo parecia derrota.

Ele sabia que podia ser.

Mas também desconfiava de outra coisa.

Talvez a derrota fosse passar a vida inteira tentando parecer vencedor.

E talvez, depois de tantos anos, a verdadeira revolução começasse exatamente ali.

Quando um homem cansado olhava para o mundo, dava de ombros e dizia, sem raiva e sem heroísmo:

— Hoje, não.

Depois entrava no escritório.

Porque até a liberdade, às vezes, precisa bater o ponto.

E ninguém precisava saber que, por dentro, ele já tinha ido embora.

Solteiro talvez seja uma palavra muito forte… mas, no momento, estou online. 😏

*O Céu e o Inferno Funcionam em Horário Comercial* - Naquela sexta-feira o bar estava cheio, como quase toda sexta-feira em que as pessoas precisam esquecer que passaram mais cinco dias fingindo que gostam da própria vida. Música baixa demais para ser ouvida e alta demais para permitir uma conversa decente. Um cantor sozinho, no fundo, brigava com o violão e com alguma música antiga que ninguém mais lembrava direito. Fumaça de cigarro subia entre as lâmpadas amareladas. Copos vazios ocupavam as mesas como pequenas provas de fracasso.

Eu estava no meu canto habitual do balcão. O lugar onde ninguém pergunta muita coisa e o barman já sabe que não precisa conversar comigo.

Foi então que dois casais se aproximaram. Sentaram perto demais. Não porque quisessem minha companhia. Apenas porque o bar estava cheio.

E quando quatro pessoas bebem juntas, em algum momento alguém decide que a verdade precisa ser dita.

Começaram falando de amor. Não sei por quê. Talvez fosse o álcool. Talvez fosse sexta-feira. Talvez as pessoas só consigam falar de amor quando já estão cansadas de praticá-lo.

A mulher dizia que no começo era diferente. Havia mensagens de madrugada. Promessas. Planos. Juras de que nunca deixariam a rotina destruir aquilo que tinham encontrado.

O homem riu.

Não foi uma risada engraçada. Foi aquela risada curta de quem já decidiu que o outro está exagerando.

Ela continuou.

Disse que no começo ele queria saber onde ela estava. Perguntava como tinha sido o dia. Queria ouvir seus problemas. Fazia planos para o fim de semana. Dizia que ela era diferente das outras.

Depois vieram as contas.

O trabalho.

O cansaço.

A televisão.

O celular.

A cama.

A obrigação de acordar cedo.

A vida.

Aquela velha assassina silenciosa.

Ela disse que o amor tinha desaparecido dentro da rotina.

Ele respondeu que aquilo era frescura.

Mimimi.

Romantismo hipócrita.

Disse que ninguém consegue viver de declaração de amor. Que a vida real era outra coisa. Que depois de alguns anos ninguém fica perguntando como foi seu dia.

Ela olhou para ele como se tivesse acabado de descobrir que dormia com um desconhecido.

Talvez tivesse.

O outro casal tentou amenizar.

Não funcionou.

A conversa ficou mais quente. Vieram acusações antigas. Coisas guardadas durante anos, esperando uma sexta-feira, quatro cervejas e um bar lotado para sair pela boca.

Eu continuei bebendo.

Não porque não tivesse opinião.

Eu tinha.

Tenho opiniões demais.

Esse é um dos meus problemas.

Fiquei pensando naquela história de amor que começou com promessas e terminou em planilhas, horários, boletos e silêncio.

Talvez o homem tivesse razão.

Talvez a mulher tivesse razão.

Talvez os dois estivessem errados.

O problema é que o amor costuma morrer muito antes de alguém perceber que ele morreu.

Não há funeral.

Não há certidão.

Ninguém aparece para dizer que acabou.

Ele simplesmente começa a ser substituído por pequenas coisas.

Uma resposta que não vem.

Um abraço que fica para depois.

Uma conversa que nunca acontece porque há alguma coisa mais importante na televisão.

Um beijo mecânico.

Um jantar em silêncio.

Uma cama dividida por dois corpos que já vivem em países diferentes.

E então alguém percebe.

Tarde demais.

Foi ali, ouvindo aquela mulher reclamar e aquele homem chamar tudo de frescura, que pensei em uma coisa bastante simples.

Nós passamos a vida procurando o Céu e tentando escapar do Inferno.

Como se houvesse uma porta em algum lugar.

Como se depois da morte alguém fosse entregar uma senha.

Como se Deus fosse um funcionário público sentado atrás de uma mesa cósmica conferindo documentos.

Talvez seja tudo muito mais simples.

Talvez o Céu e o Inferno não estejam esperando por nós.

Talvez já estejam aqui.

O Céu aparece quando conseguimos amar alguém sem transformar o amor em contrato.

Quando não fazemos carinho esperando receber carinho de volta.

Quando ajudamos sem guardar recibo.

Quando ouvimos sem preparar uma resposta.

Quando permanecemos ao lado de alguém não porque temos medo de ficar sozinhos, mas porque queremos estar ali.

Isso parece pouco.

Não é.

O mundo inteiro está cheio de gente fazendo negócios em nome do amor.

Eu te dou isso se você me der aquilo.

Eu faço isso por você, portanto você me deve aquilo.

Eu fui fiel, então você precisa ser fiel.

Eu trabalhei o dia inteiro, então você deve entender meu silêncio.

Eu pago as contas, portanto tenho direito a não prestar atenção em você.

Eu sou seu marido.

Eu sou sua mulher.

Eu sou sua família.

Eu sou seu.

É aí que começa a desgraça.

Porque amar alguém não deveria significar possuir alguém.

Mas nós gostamos de possuir.

Casas.

Carros.

Pessoas.

Opiniões.

Memórias.

Até os mortos nós queremos possuir.

Dizemos que alguém é nosso.

E depois reclamamos quando essa pessoa começa a respirar longe de nós.

O homem do bar dizia que aquilo era romantismo hipócrita.

Talvez fosse.

Mas existe uma hipocrisia ainda maior: fingir que uma relação continua viva apenas porque duas pessoas ainda dividem o mesmo endereço.

Há casamentos que são funerais com financiamento imobiliário.

Há relacionamentos que continuam apenas porque ninguém quer explicar aos outros que acabou.

Há pessoas que dormem juntas durante vinte anos e nunca mais se encontram.

E há outras que se encontram por uma hora e conseguem lembrar uma à outra que ainda estão vivas.

O Inferno talvez seja isso.

Não o fogo.

Não o demônio.

Não as correntes.

É olhar para alguém que um dia foi importante e perceber que você construiu uma muralha entre vocês, tijolo por tijolo, usando orgulho, ressentimento, silêncio e pequenas crueldades.

Depois sentar diante da muralha e perguntar por que ninguém mais consegue chegar até você.

O ódio também funciona assim.

Ele começa pequeno.

Uma mágoa.

Uma injustiça.

Uma palavra.

Depois cresce.

Você começa a dividir o mundo.

Os bons e os maus.

Os que merecem.

Os que não merecem.

Os que são como você.

Os outros.

E quando percebe, seu coração virou uma repartição pública.

Entrada proibida.

Documentação obrigatória.

Atendimento mediante agendamento.

O curioso é que quase ninguém percebe quando entra no Inferno.

As pessoas continuam trabalhando.

Pagando contas.

Postando fotografias felizes.

Comemorando aniversários.

Trocando presentes.

Dizendo “eu te amo”.

Tudo perfeitamente normal.

É por isso que o Inferno funciona tão bem.

Ele não precisa parecer Inferno.

Basta parecer rotina.

Olhei para o casal outra vez.

Ela estava chorando agora.

Ele olhava para o celular.

Aquilo me pareceu mais cruel que qualquer grito.

Porque existem momentos em que o desprezo é mais violento que a raiva.

A raiva ainda reconhece a existência do outro.

O desprezo simplesmente desliga a luz.

O cantor no fundo começou outra música.

Ninguém prestou atenção.

O barman recolheu alguns copos.

A fumaça continuava subindo.

A sexta-feira continuava funcionando.

O mundo não tinha parado para assistir ao fim daquele pequeno amor.

Nunca para.

É uma das coisas mais humilhantes sobre estar vivo.

Você pode estar destruindo alguém por dentro e, do lado de fora, o garçom continua servindo cerveja.

Talvez seja por isso que eu não acredito muito nessa conversa de esperar o Céu.

Se existe algum lugar melhor, talvez ele comece quando aprendemos a não transformar a vida dos outros em nosso campo de batalha.

Talvez comece quando paramos de cobrar amor como quem cobra uma dívida.

Talvez comece quando conseguimos dizer “eu errei” sem acrescentar um “mas você também”.

Talvez comece quando percebemos que algumas pessoas não precisam de uma solução.

Precisam apenas que alguém fique.

E talvez o Inferno já esteja funcionando quando transformamos toda relação em uma disputa para descobrir quem sofreu mais.

No fim, ninguém vence.

Só sobra alguém com razão e outro sozinho.

Terminei minha bebida.

Levantei.

Antes de sair, olhei mais uma vez para os quatro.

A discussão continuava.

Talvez continuasse até o fechamento.

Talvez até a manhã seguinte.

Talvez por mais vinte anos.

Não sei.

O que sei é que todos nós temos uma escolha pequena e diária.

Podemos amar.

Ou podemos negociar.

Podemos perdoar.

Ou podemos colecionar dívidas emocionais.

Podemos abrir a porta.

Ou construir outra parede.

O Céu não parece exigir muita coisa.

O Inferno também não.

Ambos são baratos.

Funcionam vinte e quatro horas.

E não precisam de religião, sacerdote ou julgamento final.

Basta olhar para a pessoa ao nosso lado.

Se ainda conseguimos amá-la sem exigir pagamento, talvez por alguns minutos estejamos no Céu.

Se precisamos odiá-la para justificar nossa própria existência, provavelmente já chegamos ao outro lugar.

E o pior é que ninguém precisa morrer para descobrir.

Basta continuar vivendo exatamente como está.

Isso costuma ser suficiente.

“Quem aprendeu a viver em paz não troca sua serenidade por nada neste mundo.”

Estamos On-line?

Mais um dia no escritório. A mesma mesa engolida por papéis amarelados. Um computador que parece saber mais sobre mim do que qualquer confissão que eu já fiz em voz alta. Um telefone que grita quando o mundo não deveria ter voz. E uma fila de gente com o olhar gasto, esperando.

Esperando uma solução.

É quase cruel como ainda chamamos isso de solução. Quase sempre é só mais um protocolo frio, mais um formulário que não sangra, mais uma senha esquecida, mais um número que ninguém sabe decifrar. Um labirinto de papel e código onde a dor entra viva e sai desidratada.

As pessoas chegam com problemas mais viscerais, reais até o osso, e recebem respostas virtuais, sem carne, sem cheiro, sem peso. Querem resolver a vida pela tela como quem tenta estancar uma hemorragia com papel. O mundo aprendeu a transformar qualquer desgraça em número de protocolo — e isso, de algum jeito, nos parece normal.

Eu observo.

Estamos todos on-line.

Pelo menos é o que dizem.

Há gente conectada ao banco, ao trabalho, ao aplicativo, ao governo, ao médico, ao amante, ao ex-amante, ao desconhecido que nunca viu seu rosto e ainda assim opina sobre sua vida. Sabemos quem comeu o quê, quem viajou para onde, quem morreu sozinho, quem traiu sem piscar, quem enriqueceu e quem perdeu a própria dignidade no processo.

Sabemos de tudo.

Menos de nós.

O computador continua aceso.

Uma luz pálida, quase doente, tremendo na minha frente.

Talvez seja isso que chamamos de vida agora: uma luz insistente dizendo que ainda estamos disponíveis, como mercadoria em prateleira.

Mas disponíveis para quê?

A fila cresce como um organismo vivo, respirando devagar, pesado, impaciente.

Cada pessoa carrega uma pequena tragédia particular, escondida mal e mal sob a pele: uma aposentadoria que nunca chega, uma dívida que morde por dentro, um benefício negado, um documento perdido, uma doença que não espera, uma separação que ainda sangra, um filho que depende de um sistema que não sente nada, um pedido que depende de outro pedido, que depende de uma assinatura que depende de alguém que não está.

A humanidade inventou a burocracia para domesticar o caos.

Depois inventou a internet para acelerar o colapso.

Talvez seja por isso que essa palavra — conexão — me soa cada vez mais como uma piada mal contada.

Estamos conectados a tudo.

E desconectados de quase tudo que ainda pulsa.

Falamos em nuvem como se ela tivesse consciência, como se guardasse algo além de dados frios. Mas talvez ela só armazene nossos rastros: fotos sorrindo enquanto por dentro tudo desaba, conversas vazias, promessas digitais, e uma quantidade obscena de ruído disfarçado de vida.

A nuvem não sabe quem somos.

E, às vezes, suspeito que nós também não.

Existe uma espécie de wi-fi interno. Não sei se é alma, instinto ou só um nome bonito para o que foi sendo abafado aos poucos.

Alguma coisa dentro da gente deveria ainda captar sinais.

Um desconforto no peito.

Um arrepio sem motivo.

Um silêncio que pesa.

Um aviso bruto, quase animal, dizendo: pare.

Mas o dia inteiro somos atravessados por notificações.

O celular vibra como um nervo exposto.

O computador pisca como um olho doente.

O telefone cospe vozes.

Alguém chama.

Alguém exige.

Alguém cobra.

Alguém vende.

Alguém promete salvação em três cliques.

E depois nos perguntamos por que estamos exaustos, como se a resposta não estivesse gritando o tempo todo.

Talvez nossos neurorreceptores não estejam quebrados.

Talvez estejam apenas afogados.

É difícil ouvir qualquer coisa pequena quando o mundo inteiro decidiu gritar dentro da sua cabeça.

A sociedade aprendeu a ocupar cada fresta do silêncio. Música forçada no elevador. Tela acesa na sala. Podcast enchendo o carro. Vídeo mastigando o almoço. Mensagem invadindo a conversa. Notificação mordendo o sono.

Nunca estamos sozinhos.

E, ainda assim, nunca estivemos tão abandonados por dentro.

Fico encarando a tela.

E me vem aquela pergunta antiga, quase primitiva, que ninguém aguenta sustentar por muito tempo: de onde diabos vem tudo isso?

A vida.

A consciência.

Esse impulso cego de continuar mesmo quando nada faz sentido.

Aquela coisa estranha que empurra alguém a acordar numa terça-feira qualquer, vestir a própria pele como se fosse uniforme, pegar um ônibus lotado, engolir trânsito, entrar numa fila e passar o dia tentando consertar problemas que já nasceram condenados a serem substituídos por outros.

Talvez exista mesmo uma inteligência maior.

Talvez exista uma nuvem original, viva, pulsante, indiferente.

Talvez sejamos só fragmentos dela, esquecidos de si mesmos.

Ou talvez não exista absolutamente nada.

Um vazio elegante, sem explicação, sem propósito, sem testemunha.

E isso, de algum modo, também parece plausível.

A diferença é que ninguém recebeu o manual.

Entramos aqui sem instruções, sem mapa, sem legenda.

Passamos anos tentando decifrar o painel de controle da própria existência, apertando botões aleatórios, esperando que algo acenda.

Depois alguém nos chama de velhos.

E o sistema começa a falhar de verdade.

Memória falha.

Joelhos rangem.

Dentes cedem.

Sono vira fuga.

E então aparece a mensagem final, sem emoção, sem piedade:

encerrando sessão.

Sem atualização.

Sem suporte.

Sem segunda tentativa.

A fila continua.

O telefone grita outra vez.

O computador exige uma senha como se ainda houvesse controle.

Uma pessoa pergunta se falta muito.

Eu olho sem saber o que responder.

Nunca sei.

Talvez seja essa a única honestidade que ainda não foi censurada dentro de nós.

Não sabemos por que estamos aqui.

Não sabemos o que somos quando ninguém está olhando.

Não sabemos para onde isso tudo está nos levando.

Mas seguimos on-line.

Sempre on-line.

Publicando fragmentos de felicidade para provar que ainda existimos.

Dando opiniões como quem tenta convencer a si mesmo de que pensa.

Acumulando contatos para fingir que não estamos afundando sozinhos.

Comprando coisas para simular vitória.

E encarando uma tela brilhante enquanto alguma coisa dentro de nós, em silêncio absoluto, tenta desesperadamente estabelecer uma conexão que nunca chega.

Talvez o problema nunca tenha sido o sinal.

Talvez o problema seja que desaprendemos a escutar o que ainda está vivo por dentro.

A fila finalmente se move.

Um corpo se levanta.

Outro ocupa o lugar como se nada tivesse acontecido.

O telefone volta a tocar.

Eu encaro a tela do computador.

E, por alguns segundos, não faço absolutamente nada.

Só isso.

E penso que talvez estar realmente conectado seja exatamente isso:

aguentar alguns segundos sem ser invadido por nada.

Só você.

Sua cabeça.

Seu silêncio.

E aquela pergunta incômoda, crua, quase sangrando por dentro, que nenhum aplicativo jamais vai conseguir responder:

quem diabos está usando você enquanto você acredita estar vivendo?

A gravidade do mundo não reside nas rochas, mas no pêndulo invisível que ensina o caos a virar ritmo.
Reno Fioraso

*O FILTRO É O PROBLEMA*

No primeiro sábado realmente quente depois do inverno, fui ao parque central da cidade.
Não por esperança. Tenho idade suficiente para desconfiar de qualquer coisa que prometa renovação.
A primavera tinha chegado sem pedir licença. Havia flores demais, folhas novas demais, gente demais tentando recuperar em poucas horas aquilo que o frio havia roubado durante meses.
As crianças ocupavam os espaços com a irresponsabilidade própria de quem ainda não descobriu que a vida cobra juros. Algumas brincavam. Outras apenas estavam ali, largadas ao sol, como se não houvesse nada urgente no mundo.
Os adolescentes circulavam em pequenos grupos. Ensaiavam aproximações. Um olhar demorava mais que o necessário. Uma risada surgia sem motivo. Um deles ajeitava o cabelo antes de passar perto de alguma garota. Pequenas operações de guerra, ainda sem mortos.
Os adultos eram mais complicados.
Alguns caminhavam como se estivessem cumprindo uma obrigação médica. Outros conversavam, sorriam, fotografavam flores, filhos, cães, os próprios pés, qualquer coisa que pudesse provar depois que haviam participado daquele dia.
Havia também os de sempre.
Sentados com a expressão de quem fora condenado a respirar o mesmo ar que os outros.
Reclamavam da quantidade de pessoas.
Do barulho.
Das crianças.
Do calor.
Da primavera.
Esses deveriam ter ficado em casa.
Não porque o mundo lhes devesse silêncio, mas porque certas pessoas carregam uma espécie de quarentena particular. Saem de quatro paredes e levam outras quatro dentro da cabeça.
O curioso é que chamavam aquilo de realidade.
Fiquei observando.
O parque não era bonito.
Também não era feio.
Era apenas um lugar cheio de gente tentando interpretar o que estava diante dos olhos.
E foi aí que percebi o truque.
Talvez o caos nunca tenha sido tão caótico quanto parece.
Talvez o problema esteja no sujeito que olha.
Um homem vê uma multidão e sente ameaça.
Outro vê companhia.
Um enxerga crianças fazendo barulho.
Outro enxerga infância.
Um vê adolescentes desperdiçando tempo.
Outro reconhece, com alguma vergonha, a própria juventude.
A mesma cena. Cabeças diferentes.
E cada cabeça jurando possuir a versão correta.
Passei boa parte da vida fazendo isso.
Escolhendo um ângulo.
Defendendo uma interpretação.
Chamando suas preferências de princípios e suas feridas de experiência.
Depois comecei a perceber que muita coisa que eu chamava de verdade era apenas uma maneira confortável de permanecer sentado dentro da minha própria versão dos acontecimentos.

O sujeito cria uma explicação.
Depois passa a viver dentro dela.
Cria um inimigo.
Depois precisa encontrá-lo todos os dias.
Cria uma identidade.
Depois passa o resto da vida protegendo-a.
Cria uma história sobre si mesmo.
E quando alguém ameaça essa história, reage como se estivessem tentando arrancar-lhe a pele.
Talvez liberdade seja uma coisa bem menos gloriosa do que imaginamos.
Talvez seja simplesmente deixar de acreditar tanto na própria narrativa.
Eu olhei novamente para as pessoas.
As crianças continuavam brincando.
Os jovens continuavam tentando impressionar uns aos outros.
Os adultos continuavam fingindo que sabiam para onde estavam indo.
Os mal-humorados continuavam mal-humorados.
Nada havia mudado.
Só havia mudado o lugar de onde eu estava olhando.
E isso foi desconfortável.
Porque, quando o observador percebe que também faz parte da cena, perde a vantagem de julgar.
Não há mais plateia.
Não há mais personagem principal.
Há apenas alguém olhando.
E esse alguém também está sendo observado pela própria consciência.
Nesse instante, minha história pareceu menos importante.
As coisas que eu havia defendido.
As coisas que eu havia perdido.
As pessoas que eu culpei.
As versões que construí para suportar determinadas noites.
Tudo começou a parecer uma coleção de móveis dentro de uma casa que eu já não precisava habitar.
Foi estranho.
Não houve revelação.
Nenhuma luz desceu do céu.
Nenhuma música começou a tocar.
Apenas uma pequena suspeita.
Talvez eu não seja aquilo que penso sobre mim.
Talvez você também não seja.
Talvez sejamos menos definidos do que passamos a vida tentando parecer.
Fiquei ali por mais alguns minutos.
Sem procurar significado.
Sem tentar consertar o mundo.
Sem transformar o parque em uma lição.
As pessoas continuavam passando.
E, pela primeira vez em muito tempo, eu não precisei decidir o que aquilo significava.
Foi quase nada.
Mas, para quem passou anos carregando explicações, quase nada já é uma forma razoável de liberdade.

Eu ainda prefiro as fofocas das vidas dos artistas do que saber das fofocas dos políticos. Nestes últimos anos desfrutamos quase nada de fofocas das vidas dos artistas.

Mentes livres não se permitem envolver por políticos que criam situações rocambolescas 24 horas para viver com um triplex montado em nossos pensamentos.