Pensamentos Mais Recentes
Antes de sair a porta anosa, volvi o meu olhar a Sofia que me sorria como um pousar de borboleta 🦋 numa pétala de seda.
O solo ainda estava úmido e macio,
bendita generosidade recente da chuva.
Afundei as mãos
nesse ventre antigo.
Os dedos se lambuzaram
de barro e promessa.
Semeei mamão papaya,
pimentas biquinho, malagueta
e dedo de moça,
(temperos de ardor e sabor),
alfavaca que reza em perfume e flavor,
abóbora moranga, tomates-cereja,
pequenos sóis
gestados pela paciência.
Cada semente
um juramento mudo.
Um verso sem palavras.
Cada sulco
um poema cavado
no útero da terra.
Manejar a terra
é rito,
é oração feita com o corpo,
é o tato conversando
com forças que não precisam de nome.
Entro nesse chão
como quem adentra
num templo ancestral
e saio marcada,
alma leve,
corpo suado,
mãos, pés e rosto ungidos de lama
(sujeira sagrada)
que purifica a alma.
É um prazer profundo,
diria ancestral.
É a memória do começo,
da origem enigmática
e da infância no quintal.
É poesia primitiva
que ainda pulsa
em quem não desaprendeu
a tocar o solo sagrado da vida
com as mãos operosas.
✍©️@MiriamDaCosta
Comovi-me por tantos geniais escritores cegos, ou com grandes perdas de visão, cujas obras perduram e perdurão para sempre. Como ia-me quiçá também por mim, mera escrevinhadora, cuja devoção às palavras dos Grandes, não conhecia limites.
Eu entristecia por Borges, Camões, Jonh Milton, James Joyce, Aldous Huxley, Roberto Bolãno... Ele tocou-me no ombro, era a ternura a falar por si.
- Temos um exemplo ainda mais árduo de limitação que cantou tantas histórias, Beethoven! Se a perda de visão não impediu os escritores de escreverem, imagine compor música sem ouvir... Tentei imaginar o inimaginável.
O Voo da Razão
Somos seres de um pensar aprofundado,
O cérebro indaga, o coração questiona;
A fé se esfuma quando o é duvidado,
E a crença se torna uma frágil persona.
Mas elevo o olhar ao vasto céu noturno,
E a perfeição me toca, um dom sem defeito;
O universo gira em compasso taciturno,
E a dúvida some do meu peito.
Há provas de mundos além do que vemos,
Buracos negros a tudo atrair;
E nós, por um véu, a salvo vivemos,
A atmosfera é o escudo a nos cobrir.
Fica o vazio: em quem, pois, acreditar?
Se o homem, em sua pressa de dominar,
Interferiu nos escritos deixados,
Colocando ideias, dogmas inventados?
A verdade se perde em mil interpretações,
Manuscritos repletos de intenções secretas;
Onde buscar paz para as contradições,
E as dúvidas que a alma inquieta?
Ass Roseli Ribeiro
A história mostra que os gigantes sempre se levantam. Mas também mostra que Deus nunca deixou um tempo sem levantar vozes.
"Calaram meu sonho, mas não minha coragem.
O caminho se estreitou, mas a alma é gigante.
Não darei um passo atrás na estrada que conquistei,
pois quem caminha com Deus nunca luta em vão." Ass Roseli Ribeiro
✍🏻O medo é o pequeno monstro que volta e meia sai da caverna e logo se esconde com medo do Grande Monstro, imaginado e desenhado pelos seres humanos mais astutos e ambiciosos.
🤦🏼♀️✍🏻🕉️♾️☯️😞🕊️
Porque a história nunca mudou quando todos ficaram calados. Ela mudou quando uma voz se levantou. E talvez este seja o nosso tempo.
É preciso estar atento nas intenções das escolhas, pois são essas intenções que trazem as consequências, sejam elas boas ou ruins.
Inteiro...
Eu não estava procurando nada.
A vida seguia. Imperfeita, mas minha.
Então você chegou.
E quando chegou,
o mundo não fez barulho,
fez sentido.
Nada precisou ser preenchido.
Algumas coisas apenas encontraram lugar.
Eu observei.
Não por desinteresse,
mas porque quem já caiu
aprende a respeitar o tempo das coisas.
Havia cuidado no teu jeito.
E o cuidado verdadeiro não invade,
permanece.
Aos poucos, baixei a guarda.
Não por promessa,
mas porque parecia seguro existir ali.
Eu tinha feridas.
Não escondi.
Estou tratando.
As tuas ainda sangravam.
Não por fraqueza,
mas por medo do que cresce,
do que exige futuro.
Eu entendi.
E não te culpei.
Eu errei.
Como erra quem se envolve de verdade.
Mas soube parar,
olhar de novo,
voltar melhor.
Não ofereci um conto bonito.
Ofereci presença.
E isso eu sustentei.
Você me fez acreditar de novo.
Não em finais perfeitos,
mas na possibilidade de caminhar junto.
Por isso me mostrei.
Inteiro.
Sem personagem.
Com falhas, medos, noites mal dormidas
e a coragem de dizer: é aqui que eu fico.
Eu confiei.
E confiança nunca é ingenuidade,
é escolha consciente.
Eu te amei.
E ainda amo.
Não como quem espera algo em troca,
mas como quem respeita o que foi real.
O que é verdadeiro não se apaga quando termina.
Muda de lugar.
Vira memória viva,
não ferida aberta.
Eu sei quem eu fui.
E sei quem sou agora.
Minha felicidade não depende de você.
Mas ao teu lado,
ela teria sido mais calma,
mais casa,
mais chão.
Eu quis ser teu homem.
E, por um tempo,
isso foi verdade para nós dois.
Hoje eu sigo.
Inteiro.
Sem culpa.
Sem ruído.
Com amor onde ele cabe
e dignidade suficiente
para não negar o que senti.
"O Todo colidiu para que o 'Eu' pudesse nascer do caos; somos a parte que se recusou a ser apenas um eco da matriz, solidificando-se em tempo e carne para que a eternidade pudesse, enfim, olhar-se nos olhos. Existir é o ato sagrado de trair a unidade para salvar a perspectiva: um universo que não volta ao primórdio porque descobriu que ser único é a única forma de ser infinito."
ENTRE OS NASCIDOS DE MULHER E O LIMIAR DO REINO.
“Mateus 11.11”
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
A afirmação de Jesus registrada em “Mateus 11.11” costuma ser lida de modo apressado, como se estabelecesse uma hierarquia moral ou uma contradição biológica. Nada disso resiste a uma leitura teológica séria, racional e coerente com o conjunto do Evangelho. Trata-se de uma declaração profundamente simbólica, histórica e espiritual, que marca uma transição decisiva na consciência religiosa da Humanidade.
Quando Jesus declara
“Em verdade vos digo: entre os nascidos de mulher, ninguém apareceu maior do que João Batista”
Ele não está negando a própria encarnação, nem se excluindo biologicamente da condição humana. A expressão “nascidos de mulher” pertence ao vocabulário semítico tradicional e designa a condição humana submetida à antiga ordem espiritual, isto é, ao regime da Lei, da expectativa profética e da preparação messiânica ainda não consumada.
“Nascidos de mulher”, portanto, não é uma referência anatômica, mas uma categoria espiritual e histórica. Refere-se aos homens situados integralmente no ciclo da promessa, da espera e do anúncio. Dentro desse horizonte, João Batista ocupa o ponto mais elevado. Ele não é apenas mais um profeta. Ele é o profeta final da antiga dispensação. Por isso Jesus afirma que ninguém maior surgiu nesse domínio. João encerra uma era. Ele não inaugura outra.
João é a voz que clama no deserto. Ele prepara o caminho. Ele aponta para aquilo que ainda não se manifestou plenamente. Sua grandeza está justamente nessa fidelidade absoluta à missão preparatória. Ele representa o cume da expectativa humana voltada para Deus.
É nesse contexto que a segunda parte da afirmação ganha sua verdadeira densidade
“mas o menor no reino dos céus é maior do que ele”
Aqui não se trata de mérito moral, virtude pessoal ou superioridade ética. Trata-se de posição espiritual. O menor que já ingressou no Reino vive sob uma condição espiritual diferente. Ele não apenas espera. Ele participa. Ele não apenas anuncia. Ele habita. Ele não apenas aponta para a luz. Ele caminha dentro dela.
João vê o Reino aproximar-se. O discípulo vive o Reino instaurado. João prepara a consciência coletiva. O discípulo experimenta a realidade espiritual inaugurada pelo Cristo. Por isso, mesmo o menor passo dentro da nova ordem supera toda a grandeza construída apenas na expectativa, pois viver a verdade transforma mais profundamente do que apenas anunciá-la.
Jesus, embora tenha nascido de mulher segundo a carne, não Se inclui nessa categoria no sentido espiritual da afirmação. Ele não está falando de origem biológica, mas de posição essencial e missão espiritual. Ele é o limiar entre dois mundos. João anuncia o Reino. Jesus é o Reino manifestado.
Essa distinção torna se ainda mais clara à luz da ótica espírita. Segundo a Codificação, Jesus é um Espírito puro, guia e modelo da Humanidade, conforme exposto em “O Livro dos Espíritos”, questões “625” e “626”, edição “1857”. Sua encarnação não o submete às limitações espirituais comuns ao ciclo evolutivo terrestre. Ele assume a condição humana por missão, não por necessidade evolutiva. Ele entra na história sem pertencer espiritualmente às suas imperfeições estruturais.
João Batista, por sua vez, é identificado pelo próprio Cristo como o Espírito que anteriormente animara Elias, conforme “Mateus 11.14”. Trata-se de um Espírito elevado, mas ainda vinculado ao progresso humano, atuando dentro da dinâmica evolutiva da Terra. Ele é grande entre os homens. Não acima do Reino.
Quando Jesus Se refere a Si mesmo como “Filho do Homem”, Ele reforça essa função de ponte. Ele nasce de mulher para ensinar aos homens. Mas fala a partir de um ponto que não é apenas humano. Por isso pode estabelecer essa distinção sem contradição. Ele participa da história, mas a transcende.
A chave dessa passagem não está na biologia, mas na transição espiritual da Humanidade. João representa o fechamento da profecia. Jesus inaugura a vivência. Um encerra o ciclo da promessa. O outro abre o ciclo da consciência desperta.
Essa transição torna-se ainda mais evidente no prólogo do Evangelho de João. Em “João 1.9 a 16”, Jesus é apresentado como
“a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem”
O texto afirma que Ele veio ao mundo que criou, mas não foi reconhecido por grande parte da Humanidade. Veio para os seus, e os seus não O receberam. Contudo, estabelece um princípio decisivo
“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus”
Esse novo nascimento não é físico, nem hereditário, nem cultural. É espiritual. Não decorre da carne, nem da vontade humana, mas de Deus. O Verbo Se faz carne, habita entre os homens, revela Sua glória, cheio de graça e verdade. E de Sua plenitude todos recebem graça sobre graça.
João Batista, inclusive, testemunha essa superioridade espiritual, reconhecendo que Aquele que vem depois é antes dele. Isso confirma que João permanece na função de testemunha e precursor, enquanto Jesus é a fonte viva.
Jesus ensina, portanto, que Seus discípulos tornam-se filhos de Deus por adoção espiritual, não por identidade essencial com Ele. Essa distinção é reafirmada em “Romanos 8.14 a 17”, onde se afirma que os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus, pois receberam o Espírito de adoção, pelo qual clamam
“Aba, Pai”
Em “Gálatas 4.5 a 6”, essa adoção é apresentada como libertação e filiação consciente. E em “Gálatas 3.26” lê-se que
“todos sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus”
Jesus é o Filho Unigênito. Os discípulos tornam-se filhos pela fé, pela comunhão e pela transformação interior. Essa filiação manifesta-se na condução pelo Espírito, na maturidade moral e na disposição de participar do sofrimento e da glória espiritual, conforme “Romanos 8.17”.
Essa relação filial também se expressa no amor vivido entre os discípulos. Em “João 13.35”, Jesus afirma:
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros”
O amor não é apenas um mandamento ético. É o sinal espiritual da nova ordem. Ele identifica quem já vive no Reino. Ele revela quem ultrapassou o estágio da mera expectativa e entrou na experiência viva da verdade.
Assim, a afirmação de “Mateus 11.11” não diminui João Batista. Pelo contrário. Ela o consagra como o maior dentro da antiga ordem. Mas afirma, com igual clareza, que a vida no Reino inaugurado pelo Cristo representa um salto qualitativo na consciência humana. Não se trata de exaltar pessoas, mas de revelar estados espirituais.
João aponta o caminho. Jesus é o caminho. O discípulo que ama, vive e se transforma já não espera apenas. Ele caminha. E esse passo, por menor que pareça, supera toda a grandeza construída apenas na espera, porque a verdade, quando vivida, deixa de ser promessa e torna se realidade.
"O universo não é o palco onde existimos, mas o crime de isolamento que cometemos contra o Todo; cada observador é um deus exilado que, ao se recusar a ser apenas 'Um', condenou a eternidade a se tornar tempo para poder ter o luxo de uma perspectiva própria."
