Pensamentos Mais Recentes
O pai ausente é um irresponsável. O presente, um inconveniente. Para certas pessoas, o pai ideal é aquele que desaparece sem deixar de pagar, é claro.
Certas feministas conseguiram uma façanha: emanciparam a mulher de tudo, inclusive das consequências das próprias escolhas. Ela prefere admitir a existência de uma conspiração patriarcal milenar a reconhecer que fez uma besteira na terça-feira.
As feministas acreditam que criticar uma mulher é misoginia e criticar um homem é consciência social. É uma admirável igualdade de critérios, desde que não se examinem os critérios, é claro.
O feminismo conseguiu uma façanha: transformou a hostilidade contra metade da humanidade em prova de superioridade moral.
O discurso feminista moderno descobriu que não precisa demonstrar que um homem está errado. Basta demonstrar que é homem.
Na vida, é preciso amar o trabalho ou o emprego, trabalhando com responsabilidade e amor. Mas, os hobbies não precisam ser deixados de lado para manter a mente saudável e equilibrada.
Para a feminista, se o homem discorda dela, tenta silenciá-la. Se concorda, é paternalista. Se argumenta, oprime. Se escuta, condescende. Se fala, interrompe. Se cala, é cúmplice. Se se defende, é narcisista. Se admite o erro, manipula. Se pede desculpas, faz-se de vítima. Se não pede, é arrogante. Só lhe resta não ter nascido. Mas até isso seria abandono de responsabilidade. E, se, ao nascer, pedir desculpas por ter nascido homem, será acusado de protagonismo masculino.
Afinal, até para se desculpar, o homem insiste em tomar a palavra.
Há quem exija que o homem desconstrua sua masculinidade, mas conserve intactos os deveres masculinos que lhe são convenientes. A emancipação, nesse caso, termina onde começa a conta do restaurante.
As feministas não querem abolir os estereótipos. Querem apenas a patente: preconceito contra a mulher é opressão, já contra o homem, progresso.
Alguns combatentes do patriarcado têm tanto horror às generalizações que reservam todas as suas para os homens.
Para certas feministas, a mulher que concorda com elas é emancipada; a que discorda foi manipulada por um homem. Criaram, assim, uma curiosa teoria da autonomia feminina: a mulher é livre para pensar por si mesma, desde que pense como elas.
MORAL
A moral da política é o interesse! Quando o interesseiro fala de moral, a moral fica mal.
António da Cunha Duarte Justo
A feminista considera toda a discordância masculina uma prova irrefutável de opressão. A militância resolveu definitivamente o problema do debate: já começa vencedora.
A misandria aperfeiçoou o sistema judicial: aboliu o inquérito, dispensou as testemunhas e tornou o réu culpado desde o ultrassom. A cor azul no chá de revelação é o anúncio de mais um opressor do patriarcado.
A igualdade é uma causa magnífica. Infelizmente, alguns de seus defensores só a consideram justa quando a desigualdade lhes é desfavorável.
De tanto combater o homem como medida de todas as coisas, as feministas conseguiram transformá-lo na causa de todas elas.
Dentro da ilusão temporal, compreendemos que o tempo não existe por si só; é apenas uma sintonia do corpo para que tudo tenha sentido. A noção psicológica natural do espaço e do tempo está fixada na mente através de uma ação lógica e racional, até que a própria funcionalidade do espaço-tempo se torne parte da continuidade massiva.
Num único fragmento do tempo, a nossa existência revela-se insignificante — como uma imagem em movimento que desaparece a cada fração de deslocamento aleatório.
Há militantes que consideram ofensivo dizer que todas as mulheres são iguais. Sobre os homens, entretanto, só conseguem se expressar no plural.
Flutuo entre pensamentos vagos,
tecendo o futuro em frágeis fragmentos
na quietude da noite.
Observo os detalhes esculpidos
pelas arestas do cotidiano,
contemplando o reverso oculta da percepção.
No horizonte vago, acendem-se estrelas:
em divergência, a mente colide
em abstrações e pareidolias.
Reflexos erguem-se em barreiras de gelo
enquanto tocamos o infinito.
