Pensamentos Mais Recentes

Nenhuma pessoa deveria ser transformada em remédio para uma doença existencial que não provocou.

Há uma diferença entre desejar companhia e temer a própria companhia; confundi-las é transformar carência em filosofia.

O amor é mais livre quando duas pessoas poderiam partir, mas escolhem permanecer.

Quem transforma outra pessoa em seu centro gravitacional aceita, sem perceber, que sua própria órbita seja determinada por uma vontade que não controla.

Nem toda ausência precisa ser preenchida; algumas ausências são espaços necessários para que a identidade respire.

A sociedade chama de fracasso aquilo que simplesmente não cabe em sua estatística de normalidade.

Existem prisões sem grades construídas com aprovação, expectativa, culpa e medo de decepcionar.

O homem que teme profundamente ser abandonado pode acabar abandonando a própria autonomia antes mesmo que alguém o abandone.

Quem não consegue permanecer consigo mesmo frequentemente procura no amor uma anestesia para perguntas que deveriam ser enfrentadas em silêncio.

Há homens que temem a solidão porque jamais descobriram que a própria consciência pode ser uma companhia intelectualmente inesgotável.

A solitude não é o vazio entre dois relacionamentos; pode ser o espaço em que o indivíduo finalmente escuta a própria voz sem a interferência das expectativas alheias.

Aquele que precisa ser escolhido para sentir-se valioso já entregou ao acaso o governo de sua própria dignidade.

Quem conhece seus próprios limites negocia melhor porque não precisa aceitar qualquer preço para evitar a perda.

A verdadeira confiança não exige demonstração permanente; ela permanece de pé mesmo quando ninguém está olhando.

O homem que trabalha obsessivamente para parecer superior continua dependente daqueles diante de quem precisa parecer superior.

A realidade afetiva é menos democrática do que gostaríamos: ninguém é obrigado a desejar aquilo que consideramos desejável.

Quem transforma toda rejeição em ofensa demonstra que ainda acredita possuir direito sobre aquilo que nunca lhe pertenceu.

A rejeição raramente é uma sentença sobre o valor absoluto de alguém; frequentemente é apenas incompatibilidade entre dois sistemas de desejo.

O desejo não funciona como tribunal moral: alguém pode ser excelente e ainda assim não ser desejado.

Confundir gentileza com obrigação é uma das formas mais discretas de fabricar ressentimento.

A aparência abre algumas portas; caráter decide quais delas merecem ser atravessadas.

Status é uma linguagem social silenciosa: antes que alguém conheça profundamente nossa história, o mundo frequentemente interpreta os sinais exteriores dela.

O homem que precisa convencer alguém de seu valor já começou a negociação em posição de dependência.

A atração pode ser influenciada por valores, caráter e inteligência, mas jamais será inteiramente governada pela razão. O desejo possui sua própria jurisprudência.

Quem confunde desejo com merecimento transforma a própria frustração em teoria sobre a injustiça do mundo.