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Quem age com retidão e respeito às leis fortalece a cidadania e planta o respeito que colherá em forma de vitória.
A verdadeira vitória é aquela conquistada com honestidade, apoiada na lei e na moral que elevam o cidadão brasileiro.
Quem defende a dignidade humana e o respeito ao próximo já nasceu vencedor, pois constrói o sucesso com as próprias mãos e a consciência limpa.
Unir a justiça divina à justiça dos homens é o caminho para garantir que o direito de vencer pertença a todos, sem privilégios ou preconceitos.
A moral e a responsabilidade social são os alicerces de uma pátria forte, onde quem faz o bem merece prosperar.
Ser cidadão de bem é caminhar com ética, honrando o suor do próprio trabalho e defendendo o direito de cada um vencer com justiça.
Vencer na vida com honestidade é provar que o suor do próprio esforço, unido à graça de Deus e ao incentivo de quem quer o nosso bem, vale mais do que qualquer atalho.
Apoie-se na fé e naqueles que estendem a mão para somar; juntos, com respeito e sem olhar a cor, origem ou crença de ninguém, construímos um futuro de conquistas justas.
O verdadeiro crescimento vem da dignidade: fazer o seu melhor com as próprias mãos, mantendo a consciência limpa e o coração aberto para aprender com quem quer te ver prosperar.
Com a proteção divina e o apoio de pessoas de bom coração, nenhum preconceito tem força para parar quem decide vencer fazendo o bem.
O trabalho honesto e a perseverança diária são os únicos caminhos seguros para construir uma vitória sólida, sem precisar passar por cima de ninguém.
Fechei as portas que me conectavam ao mundo. Deixei apenas uma pequena fresta. Não é porque ela seja pequena, mas porque se tornou quântica, aceita somente quem realmente merece estar e permanecer em mim.
A cada ano se joga um pouquinho de migalhas aos ratinhos de laboratório,
O suficiente para que não morram de fome, e para garantir que permaneçam em eterna pobreza.
Disseram para Helena Vigiar o Vovô Nino
Era 14 de setembro de 2014, um lindo sábado de muito sol e calor. A família estava reunida no sítio dos sogros de Nino, Swami e Aurialda, para comemorar antecipadamente o aniversário da vovó Lívia, seu Bem. O sítio era um verdadeiro refúgio ecológico, com aceroleiras carregadas, dois pequenos lagos e uma variedade de animais: gatos, cachorros, galinhas, patos, papagaios, maritacas, lebres e, de vez em quando, até alguns veadinhos. Era daqueles lugares em que a natureza parecia fazer questão de estar presente em todos os cantos.
Helena, sua primeira neta, tinha acabado de completar um ano. Ela adorava passear com o vovô Nino pelo sítio e, assim que chegava, já queria ir jogar pão velho para os peixes e os patos. O problema é que ela também gostava de comer o pão que deveria alimentar os bichinhos. Como o vovô Nino sempre foi meio estabanado, sua esposa e sua enteada viviam dando-lhe broncas. Chegaram, inclusive, a recomendar à pequena Helena: “É melhor você cuidar do seu vovô Nino!” Eles achavam aquilo engraçado, mas não imaginavam que, naquele mesmo dia, Helena teria motivos de sobra para levar o conselho a sério.
Perto da hora do almoço, o vovô Nino resolveu colher acerolas para Helena. Como ela ainda era pequenininha, ele a pegou no colo, puxou um galho carregado de frutas e começou a ajudá-la a colher. Estava encantado com aquela cena, vendo a netinha colher as acerolas, quando, ao abaixar um galho maior, deparou-se com uma cobra enorme, esticada tranquilamente sobre ele. Qualquer pessoa sensata teria soltado o galho na mesma hora e se afastado. O vovô Nino, porém, teve uma ideia que, olhando para trás, parecia bastante questionável: resolveu mostrar a cobra para Helena. Só não pensou em um pequeno detalhe: talvez a cobra não estivesse interessada em participar daquela experiência educativa com o vovô e a neta.
Quando chegaram em casa, Helena correu para contar à mãe, com a sinceridade e a inocência de uma criança de apenas um ano: “O vovô mostrou a COBA!” A mãe ficou apavorada e, conhecendo muito bem o avô que tinha, tratou logo de confirmar suas suspeitas: “Eu falei que é preciso vigiar o vovô Nino! Ele é um perigo para a Helena!” Diante de uma acusação tão bem fundamentada, o vovô Nino não teve nem como apresentar sua defesa.
Mas a aventura daquele sábado ainda guardava outra surpresa. Helena havia comido tantas acerolas durante o passeio que, ao entardecer, começou a vomitá-las. Resultado: mais uma rodada de broncas para o vovô Nino. Naquele dia, ficou difícil saber o que havia sido mais perigoso: a cobra encontrada no galho ou a quantidade de acerolas que a netinha resolveu comer. De qualquer maneira, ficou provado que um simples passeio para colher frutas poderia render uma história para a vida inteira.
Apesar das broncas — e talvez até por causa delas — o vovô Nino nunca deixou de fazer suas brincadeiras com Helena. Afinal, algumas das melhores lembranças da vida não nascem de momentos perfeitamente planejados, mas justamente dessas pequenas aventuras, das situações inesperadas e das trapalhadas que, com o passar dos anos, acabam se transformando nas histórias que mais gostamos de contar.
Esta é uma das muitas histórias que o vovô Nino gosta de contar para Elisa, irmã de Helena, suas duas deusinhas. E Helena, até hoje, adora ouvir a história daquele vovô que, em um belo sábado de setembro, saiu para colher acerolas e acabou apresentando uma cobra à própria neta. Talvez seja por isso que, quando alguém fala em “vigiar o vovô Nino” , ele prefira não perguntar muito sobre o assunto.
Peregrino Nino Carneiro
Apesar de as dimensões mudarem, o tempo é uma evolução em todos os sentidos, além de variar ao perceber.
Todos podem partir, mas tu continuarás a encontrar-te em todas as versões de ti. Por isso, não te abandones: sê a companhia que permanece quando todas as outras se forem.
O diabo não inventou o mal; ele apenas sugeriu que os homens usassem o nome de Deus para governar os outros.
Ser Nordestino
Do sol de Apolo, minha força emana
Sou mais que um homem, alma soberana
O meu espírito de Hélade mortal
Resiste a tudo, nunca se dobra ao mal
Eu sou nordeste, a força que não finda
A minha fé é a minha pátria linda
Um povo guerreiro a todo ano,
Cavaleiro celeste do divino,
É forte, é valente, é nordestino!
Somos poeira do cosmos,
Faísca que se faz luz,
Num sopro, Deus nos fez um,
Imagem que nos conduz.
Na fé, tudo é possível,
No sol que é causticante,
Nada para essa armada,
Invencível e constante!
Eu sou nordeste, a força que não finda
A minha fé é a minha pátria linda
Um povo guerreiro a todo ano,
Cavaleiro celeste do divino,
É forte, é valente, é nordestino!
DOGMA E DOGMATIZAR SOB O PRISMA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
No vocabulário espírita, é necessário distinguir dogma de dogmatizar. O primeiro pode designar um princípio doutrinário estabelecido; o segundo implica transformar uma afirmação em verdade incontestável, protegida contra o exame da razão e da experiência.
Sob o prisma de Allan Kardec, essa diferença é essencial. Kardec não propõe uma fé fundada na obediência intelectual. O Espiritismo, em seu método, procura observar os fatos, confrontar os ensinamentos, raciocinar sobre suas consequências e submeter as conclusões ao crivo da razão. Por isso, aceitar um princípio espírita não deveria significar abandonar a faculdade crítica.
Dogmatizar, portanto, seria contrariar o próprio espírito do método kardeciano quando se transforma uma interpretação pessoal em verdade absoluta, quando se impede a discussão ou quando se utiliza a autoridade de Kardec para encerrar uma questão que ainda requer estudo.
A lucidez espírita está justamente nessa atitude: ter convicção sem transformar convicção em imposição; respeitar a Doutrina sem convertê-la em instrumento de dogmatismo; crer, mas saber por que se crê.
Kardec resume essa postura ao afirmar que o Espiritismo “não reclama uma fé cega”, mas deseja que o homem saiba por que acredita (O Livro dos Espíritos, Conclusão, VII).
Assim, o problema não está simplesmente na palavra dogma, mas na postura intelectual que pode acompanhá-la. Um princípio pode ser estudado; dogmatizar é impedir que seja examinado. E, para Kardec, a verdade não precisa temer a investigação racional.
DOGMA E ESPIRITISMO: ENTRE A CRENÇA E A RAZÃO.
A palavra dogma procede do grego dógma (δόγμα), ligado a dokeîn, “julgar”, “considerar”, “opinar”. Em sua origem, portanto, não significava necessariamente uma imposição religiosa, mas uma opinião ou princípio estabelecido. Com o tempo, adquiriu o sentido de uma verdade apresentada como definitiva e que não admite contestação.
É justamente nesse ponto que a posição de Allan Kardec exige precisão. Seria incorreto afirmar simplesmente que Kardec jamais empregou a palavra “dogma” em relação ao Espiritismo. Ele a emprega, inclusive, ao tratar da reencarnação, que aparece em O Livro dos Espíritos como “dogma da reencarnação” e “dogma da pluralidade das existências corporais”. O termo, porém, não deve ser interpretado automaticamente no sentido moderno de uma crença imposta sem exame.
O método de Kardec é outro: observar, comparar, raciocinar e submeter as conclusões à experiência. Na Conclusão de O Livro dos Espíritos, ele afirma que a força do Espiritismo está em sua filosofia e no apelo à razão e ao bom-senso, acrescentando que a Doutrina não reclama fé cega, mas quer que o homem saiba por que crê.
Essa afirmação é fundamental. O Espiritismo, na concepção kardeciana, não pretende substituir um dogmatismo religioso por outro dogmatismo de natureza espírita. Ao contrário, apresenta princípios decorrentes do estudo dos fenômenos e de suas consequências filosóficas e morais. Kardec reconhece, inclusive, que no começo de uma ciência podem surgir opiniões contraditórias e que a experiência é necessária para distinguir o erro da verdade.
Há, portanto, uma distinção importante: um princípio doutrinário não se torna dogmático simplesmente porque é fundamental. Dogmatismo seria transformar uma conclusão em autoridade absoluta, impedindo sua análise racional. A atitude kardeciana é substancialmente diferente: investigar, confrontar, observar e raciocinar.
Por isso, a fidelidade a Kardec exige cautela tanto para quem afirma “o Espiritismo possui dogmas” quanto para quem declara, sem qualquer nuance, “Kardec nunca utilizou a palavra dogma”. Ele utilizou o vocábulo; o que precisa ser compreendido é o sentido em que o empregou e, sobretudo, o método pelo qual os princípios espíritas são examinados.
O ponto central permanece extraordinariamente atual: no Espiritismo de Kardec, crer não significa abdicar da razão. A convicção deve ser acompanhada pela compreensão, e a compreensão permanece aberta ao aprofundamento proporcionado pelo estudo e pela experiência.
Fontes:
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, Introdução e Conclusão, especialmente itens VI, VII e IX.
Allan Kardec, O Livro dos Espíritos, questão 222, sobre a pluralidade das existências.
Allan Kardec, Revista Espírita, para o exame do emprego do termo “dogma” no contexto doutrinário.
ENTENDENDO O DOGMA " NO ESPIRITISMO "
PARTE I
Marcelo Caetano Monteiro.
Qual a melhor definição que cabe para o espiritismo sobre a palavra dogma: e qual a definição que serve melhor ao espiritismo: a grega, a latina ou a cristã. Para o Espiritismo, a melhor definição da palavra dogma é a de um "dogma de razão" ou princípio fundamental aberto ao livre exame, rejeitando completamente o conceito de verdade indiscutível. Entre as três opções originárias, a definição grega é a que serve melhor à Doutrina Espírita.Por que a definição Grega serve melhor ao Espiritismo?Para compreender qual definição se ajusta ao Espiritismo, é necessário analisar a evolução histórica do termo e o modelo estrutural da doutrina:A Definição Grega (Dógma): Significa originalmente "opinião", "o que se pensa ser verdade" ou "fundamentado em princípios". Na Grécia Antiga, os filósofos usavam o termo para designar uma premissa elementar a partir da qual se desenvolvia um sistema de ideias, mas que passava constantemente pelo crivo do debate e da lógica. É a que melhor serve ao Espiritismo porque a doutrina trabalha com princípios e leis que derivam da observação e do bom senso, e não de imposições cegas.A Definição Latina (Dogma): Evoluiu para o sentido de "decreto", "regra" ou "ordem administrativa" imposta por uma autoridade política ou jurídica. O Espiritismo não possui uma estrutura hierárquica centralizada (como um Papa ou clero) que emita decretos ou obrigue a aceitação de normas comportamentais sob pena de excomunhão.A Definição Cristã (Teológica Tradicional): Define o dogma como uma "verdade absoluta de fé", revelada divinamente, que é definitiva, irrevogável e inquestionável. O catolicismo e outras vertentes cristãs tradicionais exigem que o fiel aceite o dogma sem discussão. Essa visão é incompatível com o Espiritismo.A Visão Espírita: "Dogmas de Razão"O codificador Allan Kardec e pensadores clássicos como J. Herculano Pires esclarecem que o Espiritismo se divide em relação ao termo:Rejeição ao Dogma de Fé: O Espiritismo é antidogmático no sentido clerical/cristão tradicional. Ele propõe a fé raciocinada e estabelece que "fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade". Nenhum ponto da doutrina é indiscutível ou imutável.Aceitação como Dogma de Razão: Se usarmos a palavra "dogma" apenas como sinônimo de eixo estrutural (o sentido grego), o Espiritismo possui seus pilares. Princípios como a reencarnação, a existência de Deus, a imortalidade da alma e a comunicabilidade dos espíritos são chamados de "dogmas de razão". Eles são as bases lógicas do sistema espírita, mas são oferecidos ao exame da inteligência e da ciência, e não impostos pela força.Se a ciência comprovar amanhã que algum princípio espírita está objetivamente errado, o Espiritismo se modificará nesse ponto, o que demonstra a total flexibilidade de seus "dogmas".Para aprofundar esse estudo, você gostaria de:Compreender como Allan Kardec detalha a fé raciocinada frente à ciência?Analisar as críticas que o Espiritismo faz aos dogmas específicos da Igreja (como as penas eternas ou a Santíssima Trindade)?Entender a diferença prática entre um princípio científico e um dogma religioso?
DOGMA E ESPIRITISMO: ENTRE A RAZÃO FILOSÓFICA E A FÉ RACIOCINADA.
PARTE II
Marcelo Caetano Monteiro.
A palavra dogma, ao longo dos séculos, percorreu diferentes caminhos semânticos, adquirindo significados distintos conforme a cultura, a filosofia e as instituições que dela fizeram uso. Compreender sua verdadeira acepção dentro do Espiritismo exige retornar às suas raízes históricas e confrontá-la com o método, a estrutura e os princípios estabelecidos por Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita.
A pergunta fundamental é: qual definição de dogma melhor se harmoniza com o Espiritismo: a grega, a latina ou a cristã tradicional?
A resposta encontra-se no próprio espírito filosófico da doutrina: o conceito que mais se aproxima do pensamento espírita é o da origem grega - dógma (δόγμα), entendido como opinião fundamentada, princípio ou ideia estabelecida após análise racional.
O Espiritismo não aceita o dogma como imposição autoritária, mas reconhece princípios fundamentais que podem ser chamados de "dogmas de razão", isto é, fundamentos que sustentam uma visão filosófica, porém permanecem submetidos ao exame da inteligência, da observação e da lógica.
A ORIGEM GREGA:
O DOGMA COMO PRINCÍPIO FILOSÓFICO.
Na Grécia Antiga, entre filósofos como Platão e Aristóteles, o termo dógma não possuía inicialmente o sentido moderno de uma verdade obrigatória e intocável. Representava uma conclusão racional, uma opinião fundamentada ou um princípio aceito dentro de determinado sistema filosófico.
O pensamento grego valorizava o diálogo, a investigação e a busca pela verdade através da razão. O conhecimento não era simplesmente recebido; era debatido.
É justamente nesse ponto que encontramos maior afinidade com o Espiritismo.
Allan Kardec, ao estruturar a Doutrina Espírita, não estabeleceu uma religião baseada em decretos humanos, mas um corpo de princípios derivados da observação dos fenômenos espirituais, do raciocínio filosófico e da análise das comunicações mediúnicas.
Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", Kardec apresenta um dos pilares fundamentais do pensamento espírita:
"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade."
Essa afirmação demonstra que a fé espírita não teme a investigação; ao contrário, necessita dela.
A DEFINIÇÃO LATINA:
O DOGMA COMO DECRETO E AUTORIDADE.
Na evolução histórica da palavra, o termo latino dogma aproximou-se do significado de decreto, determinação ou regra estabelecida por uma autoridade.
Essa interpretação não corresponde à estrutura espírita.
O Espiritismo não possui sacerdócio, hierarquia religiosa, tribunal de fé ou autoridade humana capaz de impor crenças obrigatórias. Não existe no movimento espírita uma figura equivalente a um pontífice que determine aquilo que todos devem aceitar sem questionamento.
Kardec estabeleceu um método baseado na universalidade dos ensinos dos Espíritos, na concordância das manifestações e no uso da razão.
Portanto, o sentido latino de dogma, quando entendido como uma ordem imposta por autoridade externa, distancia-se da proposta espírita.
A DEFINIÇÃO CRISTÃ TRADICIONAL:
O DOGMA COMO VERDADE ABSOLUTA.
No campo teológico tradicional, especialmente dentro de determinadas correntes cristãs, dogma passou a significar uma verdade revelada por Deus e definida oficialmente pela autoridade religiosa, tornando-se obrigatória para a fé dos seguidores.
Grandes pensadores cristãos, como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, trabalharam a relação entre fé e razão, porém dentro de uma estrutura teológica na qual certos princípios eram considerados verdades definitivas da revelação.
O Espiritismo, embora reconheça a importância moral e espiritual dos ensinamentos de Jesus, diferencia-se por não adotar verdades impostas como artigos de fé.
Para Kardec, a revelação espiritual não elimina a responsabilidade humana de raciocinar.
A doutrina espírita apresenta Jesus como modelo moral da Humanidade, mas interpreta seus ensinamentos pela perspectiva da evolução espiritual, da justiça divina e da lei de progresso.
ALLAN KARDEC E O CONCEITO DE "DOGMAS DE RAZÃO"
A grande inovação de Kardec foi unir espiritualidade, filosofia e investigação racional.
Em "O Livro dos Espíritos", publicado em 1857, princípios como:
existência de Deus;
imortalidade da alma;
reencarnação;
comunicabilidade dos Espíritos;
evolução moral do ser humano;
formam a estrutura filosófica do Espiritismo.
Esses princípios podem ser considerados "dogmas de razão" porque funcionam como fundamentos do sistema, mas não são aceitos por imposição.
O Espírito humano é convidado a estudar, compreender e refletir.
O próprio Kardec afirmou em "A Gênese":
"O Espiritismo, marchando com o progresso, jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas demonstrarem que ele está em erro sobre algum ponto, ele se modificará nesse ponto."
Essa posição revela uma característica essencial: a Doutrina Espírita não teme a verdade, porque acredita que toda verdade legítima está em harmonia com a razão.
HERCULANO PIRES E A VISÃO FILOSÓFICA DO ESPIRITISMO.
O filósofo espírita J. Herculano Pires, conhecido como "o metro que melhor mediu Kardec", aprofundou essa questão ao defender que o Espiritismo deve ser compreendido como uma doutrina dinâmica, filosófica e racional.
Para Herculano Pires, transformar o Espiritismo em um sistema fechado seria contrariar sua própria essência.
A Doutrina Espírita não surgiu para substituir o pensamento humano por uma nova autoridade religiosa, mas para estimular a consciência a buscar a verdade através do estudo e da reflexão.
O ESPIRITISMO É DOGMÁTICO OU ANTIDOGMÁTICO?
A resposta depende do significado atribuído à palavra.
Se dogma significa imposição de uma verdade absoluta, sem exame e sem possibilidade de questionamento, o Espiritismo é claramente antidogmático.
Porém, se dogma significa princípio fundamental de um sistema filosófico, então o Espiritismo possui seus fundamentos, denominados por alguns estudiosos como dogmas de razão.
A diferença está na natureza desses princípios:
O dogma tradicional exige submissão.
O princípio espírita convida à compreensão.
O dogma religioso fechado encerra a investigação.
O pensamento espírita mantém aberta a busca pela verdade.
CONCLUSÃO:
A PALAVRA DOGMA SOB A LUZ ESPÍRITA.
Entre as três definições analisadas, a origem grega é a que melhor corresponde ao Espiritismo, pois preserva a ideia de princípio racional e filosófico.
O Espiritismo não se apresenta como uma doutrina de crenças cegas, mas como uma proposta de investigação espiritual fundamentada na razão, na moral de Jesus e na lei de progresso.
Seus princípios não são correntes que aprisionam a consciência; são caminhos que estimulam o pensamento.
Como ensinou Kardec, a verdadeira fé não teme a luz da razão, porque aquilo que é verdadeiramente divino jamais será destruído pelo conhecimento.
AFORISMO FILOSÓFICO.
( "Todo dogma que impede o pensamento transforma-se em prisão; porém, todo princípio que desperta a razão torna-se uma janela aberta para a verdade." )
M.C.M.
FONTES:
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Paris, 1857.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Paris, 1864.
KARDEC, Allan. A Gênese — Os Milagres e as Predições Segundo o Espiritismo. Paris, 1868.
PIRES, J. Herculano. O Espírito e o Tempo. São Paulo, 1964.
PIRES, J. Herculano. Kardec: O Homem, a Época, o Meio, as Influências e a Missão.
AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus.
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica.
Platão. Diálogos Filosóficos.
Aristóteles. Metafísica.
