Pensamentos Mais Recentes
Soneto da Perseverança
Não temas a tormenta que o mar levanta,
Nem o vento contrário que açoita a quilha.
Se o sonho arde em ti, que a alma o encanta,
Segue, que a glória mora além da trilha.
Que importa o escarcéu, a noite dura e fria,
Se dentro arde chama que não se apaga?
Cada queda é degrau que ao céu te guia,
Cada ferida é prova que o peito não fraqueja.
Persevera, nauta de teu próprio fado,
Que os deuses provam quem merece a palma.
Não largues o leme por cansaço ou enfado:
Quem desiste cedo, enterra a própria alma.
E quando chegares ao porto desejado,
Dirás: valeu a dor por ter ousado.
💕✨️"...Ah o tempo...um sopro do vento...uma brisa de um momento...guardado no peito...na luz do seu olhar."✨️💕
Sobre o tempo, a liberdade e a vida
I
Conta o relógio, mas não te prenda ao seu tique,
Que a vida foge em vento se a deixas parada.
Bebe o agora em goles, antes que a noite te explique
Que o tempo não volta, e a alma fica magoada.
II
Levanta o peito ao sol, solta as amarras do medo,
Que liberdade é asa e não promessa no papel.
Caminha onde o coração te chama em segredo,
Mesmo que o mundo diga que o passo é infiel.
III
Não guardes riso pra depois, nem sonho pra gaveta,
Que o minuto que passa não pede segunda vez.
Sê senhor do teu dia, capitão da tua seta,
E faze da tua breve vida um eterno português.
IV
Se o destino é mar alto e a alma é frágil nau,
Que ao menos o leme seja teu e a vela aberta ao ar.
Porque quem vive a medo, vive pouco e vive mal,
E quem vive livre, vive inteiro a cada respirar.
como era antes x como é agora
na mesa de cirurgia você se pergunta.
você se conserta ou você se destrói?
você não volta a ser o que era.
e você não muda pra algo melhor.
tanto esforço pra nada.
Conta o relógio, mas não te prenda ao seu tique,
Que a vida foge em vento se a deixas parada.
Bebe o agora em goles, antes que a noite te explique
Que o tempo não volta, e a alma fica magoada.
A Última Casa
Nasci onde os telhados aprendiam a desabar
antes mesmo de conhecerem a chuva.
Chamaram aquilo de infância.
Eu chamei de ensaio
para todas as ausências que ainda viriam.
Meu pai deixou apenas o formato da porta
fechando-se pela última vez.
Minha mãe transformou-se
num retrato que a memória insiste em restaurar,
embora o tempo continue roubando-lhe o rosto.
Desde então,
aprendi que abandono
é uma religião silenciosa:
ninguém a prega,
mas todos os órfãos sabem rezá-la.
Amei mulheres
que partiram antes mesmo de chegarem.
Elas deixaram perfumes
que sobreviveram mais do que as promessas.
Ainda encontro algumas
caminhando pelos corredores da minha insónia,
sem jamais voltarem
para recolher o que esqueceram dentro de mim.
Há anos
o telefone permanece imóvel,
como um cemitério de números.
Nenhuma voz pergunta se sobrevivi.
Nenhum "como estás?"
atravessa o deserto dos fios.
Até o toque desistiu de mim.
Conheci a anatomia das praças públicas.
Os bancos de cimento
foram mais fiéis do que muitos abraços.
As estrelas serviram de teto,
o frio escreveu cartas nos meus ossos,
e os cães de rua
guardaram melhor o meu sono
do que qualquer promessa humana.
Vi o amanhecer nascer
entre papelões, ferrugem e nicotina.
Descobri que a fome
não dói apenas no estômago;
ela mastiga a esperança
até restarem apenas os dentes.
Durante anos
acreditei que Deus
tinha perdido o meu endereço.
Talvez nunca o tenha conhecido.
Mas há uma verdade
que nenhuma ruína conseguiu demolir.
Depois que todos partiram...
depois que cada amor escolheu outra estação...
depois que o mundo esqueceu o meu nome...
restou alguém.
Eu.
Este homem coberto de cicatrizes,
de mãos rachadas,
de olhos que aprenderam
a conversar com o silêncio.
Foi ele quem me levantou
quando ninguém regressou.
Foi ele quem dividiu comigo
o último pedaço de dignidade
quando já não existia pão.
Hoje compreendo:
o amor mais raro
não chega pelo telefone.
Não regressa numa fotografia.
Não bate à porta
vestido de saudade.
Ele cresce,
bruto como ferro,
puro como água encontrada
no meio do deserto.
E quando o mundo inteiro
me declarou abandonado,
eu finalmente encontrei
a única pessoa
que jamais teve coragem de me deixar:
eu mesmo.
Em um estado onde o tempo já não me pertence, e onde minha solidão deixou de responder ao próprio nome, encontro-me lançado em um abismo tão profundo que, ao olhar para os lados, vejo rostos em alegria, vidas seguindo seu curso, como se a luz ainda existisse para todos. Porém, ao erguer os olhos para cima, percebo a distância entre mim e aquilo que um dia chamei de céu. E então compreendo que o verdadeiro abismo não é a queda, mas a consciência do lugar em que se está.
"Eu sou touro, nunca sou 8, sou sempre 80,
mente ligada a1000, e o coração no 360.
Pisa, mas quando eu levantar...
CORRE!"
Haredita Angel
06.08.23
Café, quem quer?
Eu quero para não ficar lelé.
Minha vida não é muito de ficar de pé.
Talvez precise de mais café.
Café para acordar, café para trabalhar.
Café até para tomar café.
"Muitos confundem o rigor do professor de Matemática com arrogância ou excesso de exigência. Na verdade, a exactidão das respostas nasce do rigor das medidas, da lógica do raciocínio e da disciplina do pensamento crítico."
FURUCUTO, P. D., 2026.
Considero profundamente lamentável a atuação de uma imprensa parcial, que se engaja em campanhas políticas em favor de determinados partidos, quando sua função primordial deveria ser a de atuar como formadora de opinião isenta, comprometida exclusivamente com os interesses da sociedade.
Benê Morais
para aonde vou quando estou entediado
Acredito em uma teoria estranha que diz que todo espelho é uma janela atrasada.
Você olha e vê a própria imagem repetindo seus movimentos, mas ninguém nunca conseguiu provar que ela está realmente copiando você. E se for o contrário? E se houver um mundo inteiro esperando o instante exato para assumir o seu lugar?
Foi assim que nasceu o meu cemitério.
Não era feito de terra.
Era feito de reflexos.
Toda vez que alguma parte de mim morria por aqui, ela acordava do outro lado.
No começo eram só pequenas coisas. Uma ingenuidade enterrada numa terça-feira. Um amor que não suportou o próprio peso. Uma promessa feita olhando nos olhos de alguém que também acreditava nela. Aqui, essas coisas recebiam flores. Lá, elas levantavam da própria sepultura e continuavam vivendo como se nada tivesse acontecido.
Demorei anos para perceber que aquele outro mundo nunca foi uma cópia.
Era uma continuação.
Como em Coraline, existe sempre uma versão perfeita daquilo que você queria encontrar. Um corredor escondido atrás da parede, uma porta pequena demais para chamar atenção, um convite educado demais para parecer perigoso. O outro lado sempre sabe exatamente o que está faltando em você.
Porque foi construído com as coisas que você perdeu.
Imagine atravessar.
Encontrar todas as pessoas que você não conseguiu manter. Conversas que terminaram diferente. Abraços que duraram mais alguns segundos. Escolhas que nunca machucaram ninguém. Uma vida onde todas as despedidas foram canceladas antes de acontecer.
É impossível não querer ficar.
Mas esse lugar cobra de um jeito inteligente.
Ele não pede dinheiro.
Pede realidade.
Cada minuto vivido ali faz você esquecer quem realmente é. Aos poucos, a dor desaparece, a culpa desaparece, os arrependimentos desaparecem… e, junto deles, desaparece também a única coisa que fazia tudo aquilo ser verdadeiro.
O sofrimento era o preço da autenticidade.
Foi aí que entendi por que meu cemitério nunca me deixou entrar completamente.
Ele não existe para que eu visite os mortos.
Existe para impedir que eles me convençam a morar com eles.
Porque toda versão de nós mesmos acredita que era a versão certa.
Aquele garoto que ainda esperava mensagens nunca aceitou ter sido abandonado. O homem que decidiu ir embora continua achando que deveria ter ficado. Quem perdoou inveja quem guardou raiva. Quem esqueceu sente falta de quem ainda lembra.
Do outro lado, todos eles continuam vivos.
E todos juram que eu sou o fantasma.
Talvez seja essa a verdadeira função de um cemitério.
Não guardar quem morreu.
Mas separar dois mundos que jamais poderiam existir ao mesmo tempo.
O das vidas que aconteceram…
e o das vidas que ainda tentam nos convencer de que deveriam ter acontecido.
A parte mais assustadora nunca foi descobrir que existe um mundo invertido.
Foi perceber que, às vezes, quando fico tempo demais olhando para dentro de mim, já não sei mais de qual lado do espelho estou olhando.
"Os matemáticos são eternos insatisfeitos: mal resolvem um problema, já inventam outro ainda mais difícil. É dessa inquietação que nasce o progresso da Matemática." FURUCUTO, P. D., 2026.
O Casamento Além das algemas
O casamento verdadeiro é escolher alguém para caminhar junto e subir a montanha da vida. É ter a certeza de que existe uma mão para nos amparar nos tropeços, e não uma algema que nos prende ou nos segura.
Unir-se a alguém não significa anular a própria identidade; não existe "nós" o tempo todo, colados de mãos dadas sem respirar. Amar é também respeitar as ausências necessárias. Ver um espaço vazio na cama e não levar isso como ofensa ou motivo de briga, mas entender que o outro precisa de um tempo para pensar, meditar e ficar sozinho. É ter a liberdade de o homem jogar o seu futebol, tomar uma cerveja com os amigos, e de a mulher sair com as amigas e visitar a família, aproveitando cada momento individual sem cobranças ou possessividade.
O amor real floresce no respeito ao espaço do outro e na certeza de que, mesmo na ausência física, eu sei que ele está ali por mim, e ele sabe que estou ali por ele.
Porque, apesar de toda essa liberdade e de estarmos distantes por um momento, na hora da dificuldade e do desespero, a primeira pessoa que nos vem à cabeça é aquela que escolhemos para estar do nosso lado. É saber que, não importa onde o corpo esteja, a alma sabe exatamente em quem confiar e com quem contar.
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Ela é linda
Ela é feroz
Ela é o amor puro que não cabe no peito
Ela é a própria perfeição
Ela é a luz que carrega o sol
Ela é o sorriso que acalma a minha alma
Ela é a tempestade e a paz no mesmo lugar
Ela é o motivo de eu querer ficar
Ela é o meu hoje e todo o meu amanhã
Todos nós vamos passar por momentos difíceis na vida, é através dele que adquirimos o alicerce para desenvolver a sabedoria e a maturidade de viver.
Anderson Pio
O observador sabe que o número de peões é muito maior do que o das peças realmente importantes no tabuleiro de xadrez. Os peões possuem funções limitadas, mas, por serem numerosos, podem causar grande impacto no jogo.
O verdadeiro observador compreende o momento certo de mover cada peça, pois sabe que toda estratégia depende do tempo e da decisão correta. Até mesmo o rei, sem o apoio das demais peças, por mais importante que seja, nada conquista no tabuleiro.
