Pensamentos Mais Recentes
Hoje li um poema intitulado de Maldição,
Seu último verso, machuca como o corte de um pedaço de papel, sútil e dolorosa.
E dela o endagamento,
O que eu poderia ter me tornado sem essa tristeza que me rege?
O orçamento raramente quebra de uma vez. Ele vaza aos poucos, em gastos pequenos demais para alguém notar.
5/11 🇧🇷 Brasil
O Conselheiro de vidro ( Rui Barbosa)
Ergueu-se a estátua em mármore cinzento,
Oh! Rui, que o Brasil chama de Águia mansa,
cujo bico, moldado ao brando vento,
fez da palavra fútil segurança.
Olhamos teu legado de doutor,
um monumento ao verbo sem vigor.
Mestre das leis de um povo sem abrigo,
teclaste as regras com sutil vaidade,
enquanto o chão queimava no perigo
e faltava o pão na realidade.
Que vale a erudição do teu latim
se a República nasceu em crise assim?
Guardaste a fina flor do pensamento,
mas foste o mestre do Encilhamento.
Deixaste a inflação correr na praça,
moeda falsa que o progresso embassa.
O teu saber de livros, tão profundo,
provou-se frágil frente ao lodo do mundo.
Teu próprio sangue traz a tez retinta,
mulato que ascendeu à fidalguia,
mas cuja história traz a grave tinta
da chama que apagou a escravaria.
Dizias combater o cativeiro,
mas apagaste o rastro do herdeiro;
ao queimar os arquivos do passado,
deixaste o povo preto amputado.
Buscaste em Haia a glória das nações,
a defender a paz com belos traços,
mas esqueceste as duras opressões
que o próprio solo dava a tantos braços.
Jurista das elites, diplomata,
tua retórica o operário maltrata.
Descansa, pois, na tumba da memória,
Ó sábio que o Brasil idealizou.
Teu verbo brilha e ecoa na história,
mas tua mão, de fato, pouco transformou.
Ficou o mito da palavra pura,
mas faltou fibra à tua estrutura.
✍@MiriamDaCosta
👉 Rui Barbosa de Oliveira
(Salvador, 5/11/1849 – Petrópolis, 1/03/1923) foi um político, jurista, advogado, diplomata, escritor, filólogo, jornalista, tradutor e orador brasileiro.
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Viver em função da própria imagem é um trabalho exaustivo, uma maratona solitária onde a linha de chegada nunca se aproxima. Que alívio imenso é quando desviamos o olhar do próprio reflexo e descobrimos que a nossa existência ganha peso, cor e sentido real apenas no instante em que nos esquecemos de nós mesmos para cuidar de quem caminha ao nosso lado.
Quando conseguimos mudar em nós, o que queríamos mudar no outro — percebemos que fizemos a única mudança que nos cabia.
Há uma profunda sabedoria espiritual no instante em que deixamos de exigir do mundo aquilo que ainda não fomos capazes de cultivar dentro de nós.
Talvez uma das maiores ilusões humanas seja acreditar que a transformação começa quando o outro reconhece seus erros, abandona suas imperfeições ou passa a enxergar a vida pela perspectiva que consideramos correta.
Entretanto, enquanto esperamos que o outro se transforme para que nossas relações melhorem, corremos o risco de desperdiçar a oportunidade de nos tornarmos melhores.
A verdade é que somos frequentemente mais atentos às imperfeições alheias do que às nossas próprias contradições.
Identificamos facilmente a arrogância no outro, mas nem sempre percebemos nossa prepotência; cobramos compreensão, mas oferecemos julgamento; exigimos paciência, mas nos irritamos quando a realidade não obedece às nossas expectativas.
Queremos ensinar humildade sem antes silenciar nosso orgulho e reivindicamos tolerância sem aprender a conviver com aquilo que nos contraria.
Talvez seja por isso que a verdadeira evolução não comece quando adquirimos o poder de corrigir alguém, mas quando desenvolvemos a consciência necessária para corrigir a nós mesmos.
Na perspectiva teológica, existe uma profunda coerência nessa compreensão.
Jesus, ao ensinar sobre o cisco no olho do próximo e a trave no próprio olho, não estava apenas propondo uma reflexão sobre julgamento, mas revelando uma inversão de prioridades que ainda compromete a espiritualidade humana: a facilidade de enxergar o erro alheio e a resistência em reconhecer o próprio. (Mateus 7:3-5).
Não se trata de fechar os olhos para os erros do mundo, tampouco de transformar a tolerância em cumplicidade com aquilo que é injusto.
Trata-se de compreender que não podemos exigir do outro uma consciência que ainda não conseguimos demonstrar em nossas próprias atitudes.
A fé, quando verdadeiramente amadurece, deixa de ser um instrumento para fiscalizar a conduta alheia e passa a ser um compromisso com a transformação interior.
Afinal, não é suficiente conhecer os ensinamentos de Cristo; é preciso permitir que eles modifiquem nossa maneira de pensar, sentir, reagir, perdoar e existir.
Tiago nos oferece uma advertência igualmente significativa: não basta ouvir a Palavra, é necessário praticá-la. (Tiago 1:22).
E talvez aqui resida uma das mais difíceis lições da existência: mudar a nós mesmos exige uma coragem muito maior do que apontar o que precisa mudar nos outros.
Porque, quando apontamos, frequentemente nos colocamos na posição confortável de observadores; quando nos transformamos, precisamos abandonar nossas justificativas, confrontar nossas incoerências e reconhecer que também somos parte daquilo que desejamos ver diferente no mundo.
Isso não significa assumir a responsabilidade pelas escolhas dos outros, mas reconhecer a responsabilidade intransferível pelas nossas.
Não podemos obrigar alguém a amadurecer, ensinar quem não deseja aprender, despertar quem escolheu permanecer adormecido ou oferecer consciência a quem faz da própria resistência uma identidade.
Podemos, entretanto, escolher não reproduzir aquilo que condenamos, não devolver ofensa com ofensa, não alimentar o orgulho com a arrogância e não permitir que a falta de sensibilidade de alguém nos transforme em pessoas insensíveis.
Afinal, não há grandeza em combater a escuridão tornando-nos semelhantes a ela.
Talvez a mais bonita manifestação da espiritualidade seja justamente essa: compreender que a transformação pessoal não é uma tentativa de nos tornarmos superiores aos outros, mas uma decisão de não permanecermos inferiores àquilo que nossa própria consciência já nos revelou.
Quando mudamos em nós aquilo que tanto desejávamos mudar no outro, deixamos de fazer da transformação alheia uma condição para a nossa própria evolução.
E descobrimos que a mudança mais importante não dependia da disposição de ninguém além de nós mesmos.
Porque Deus não nos concedeu a existência como uma missão de administrar consciências alheias, mas como uma oportunidade de desenvolver a nossa.
No fim, talvez a maior evidência de que compreendemos verdadeiramente uma lição não esteja na quantidade de pessoas que conseguimos convencer, corrigir ou transformar, mas naquilo que deixamos de ser depois de compreendê-la.
E quando a nossa mudança interior se torna testemunho, em vez de discurso, percebemos que não precisamos transformar o outro para que nossa existência faça sentido.
Afinal, há mudanças que podemos desejar no mundo, mudanças que podemos inspirar nos outros e mudanças que podemos até ajudar a construir coletivamente.
Mas existe uma que jamais poderemos terceirizar: aquela que começa dentro de nós.
E essa, diante de Deus, da consciência e da própria vida, sempre foi a única mudança que verdadeiramente nos coube.
Por vezes, investimos tanto na construção de uma armadura impecável que acabamos isolados dentro dela, intocáveis até para o afeto. Desarmar o ego não é um ato de descuido com quem somos, mas um convite leve para respirar: a verdadeira beleza do mundo acontece quando nos permitimos ser imperfeitos, vulneráveis e inteiramente disponíveis para o outro.
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É compreensível o impulso de buscar no espelho a segurança que o mundo lá fora frequentemente nega. A ilusão da perfeição promete um abrigo contra a rejeição. Contudo, nenhum contorno de carne esculpida consegue aquecer tanto quanto a mão estendida de quem se importa. O altruísmo nos lembra que a nossa melhor forma não é a que se exibe, mas a que se doa.
Habitamos uma época que nos ensinou a lapidar a casca com tanto rigor que quase esquecemos de cuidar do que pulsa por dentro. É um cansaço invisível tentar caber nos moldes que o mundo desenhou para nós. Mas a vida, vasta e generosa, só começa de verdade quando percebemos que o peito humano não foi feito para caber em vitrines, e sim para abrigar o outro.
Não importa a tempestade, atravesse com fé, não se desespere diante da turbulência, Deus sabe que você é capaz, de passar por ela.
O homem busca a ética pela moral, a moral pela sociedade e a sociedade por si.
Ninguém anda sozinho.
Nenhuma sociedade se ergue sem princípios comuns de moral.
A ética é apenas a média ponderada dos preceitos morais das sociedades existentes.
