Pensamentos Mais Recentes
"Se a desumanização do outro não me doer,
serei eu o desumano:
pobre de alma, morto de espírito,
condenado aos confins do inferno
de minha própria mente, eternamente."
-B.M.
S.AL (cloreto de Sódio)
Sal - o mar Morto foi a grandefonte desse mineral.
Chegou a ser reconhecido como moeda de troca.
Pagava_se divida com o sal .,isso se denota!
Por causa dele que surgiu a palavra "salário".
Jesus, comparou o homem com do Sal,foi notório!
"Tu és o sal da Terra."_... Que ideal
Ser referência de um Mineral
que dá sabor muda no tempero.
O Sal
Cloreto de sódio,
mineral indispensável à vida.
Na antiga tradição,
era costume de
aspergir e esfregar
o sal ,
nos recém -nascido
"Algumas conexões não chegam para serem conquistadas, mas para nos ensinarem que o verdadeiro valor está em saber cuidar, respeitar limites e preservar aquilo que foi construído com sinceridade."
... Atualidade: O Crânio Do Jovem De Escol ...
Trevas ... canhões ... apaga-se o milênio
A construção dos séculos desaba
Ressurge O Crânio Do Morubixaba
Na cultura da bomba de hidrogênio
Novo Sol banha O Pélago profundo
É Jesus ... através da tempestade
Traz ao Berço da Nova Humanidade
A Consciência Cósmica do Mundo ... A Anjos ... GTC ...
Noites de verão
sob a Via Láctea,
nos aproximarão.
As ondas do mar
os pés acariciarão,
e as palmeiras
nos reverenciarão.
Nas tuas mãos
macias e solares,
estarei nos teus
paradisíacos lugares,
e você nos meus,
nós em encaixes.
Com água de coco
e nossos beijos:
as sedes cessarão.
O amor e a paixão
as apostas dobrarão.
O maior triunfo dos falsos profetas foi convencer o rebanho de que expor o lobo atrai a fúria do criador, quando na verdade só ameaça o bolso do pastor.
O povo não é ignorante por falta de acesso à verdade; é mantido refém por um mecanismo que transforma a dúvida em pecado e a obediência cega em passaporte para o céu.
Curioso é que sabemos tão pouco dos outros e, ainda assim, falamos deles com uma certeza que nem mesmo temos sobre nós.
O milagre moderno não opera mais na saúde ou na economia; opera na capacidade de líderes religiosos cometerem crimes em um dia e serem ovacionados no domingo seguinte como ungidos perseguidos.
A ignorância do rebanho não é falta de inteligência, é excesso de conveniência: preferem santificar o lobo no altar a admitir que foram enganados pelo pastor.
A brasa acesa consome a noite fria, enquanto o teu silêncio me devora por inteiro. O amor que ontem nos aquecia hoje é apenas fumaça no cinzeiro.
Resta o filtro marcado pelo teu beijo, o gosto amargo que ficou na minha boca. Sufoco em tragos o que ainda desejo, nesta moldura de solidão tão louca.
A fumaça desenha o teu contorno no ar, mas se desfaz antes que eu possa tocar. És o vício que insiste em me queimar, a ferida aberta que não quer fechar.
Viro a cinza da nossa história no chão, enlatado no peito um adeus que não consolo. Apago o cigarro com a palma da mão, e no escuro do quarto, sozinho, desabo.
Um universo sem consciência não faria sentido. Do que adiantaria ter nebulosas, estrelas e galáxias, se não houvesse ninguém para contemplá-las?
Tiago Valentim
A verdade sobre nós não está nos olhos dos outros, nem nos nossos próprios, mas nos olhos d'Aquele que nos criou.
Todo homem é, ao mesmo tempo, três pessoas:
a que vê a si mesma,
a que os outros enxergam,
e a que realmente é.
Boa coisa seria se as pessoas me vissem como sou,
e se, ao olhar para o espelho, eu fosse capaz de enxergar o homem que Deus planejou que eu fosse.
Talvez então não houvesse dúvidas sobre mim.
Nem sobre quem sou.
Nem mesmo sobre aquilo que de mim pensam.
Pois grande parte das inquietações nasce justamente da distância entre quem acreditamos ser, quem aparentamos ser e quem, de fato, somos.
Não sou mais, nem menos.
Não me vejo superior, tampouco inferior a quem quer que seja.
Não olho para ninguém de cima, mas também não permito que me coloquem em um pedestal. Basta-me a consciência de quem sou e, sobretudo, a quem pertenço.
Não sou arrogante, mas isso, por si só, não me torna humilde.
Não sou fraco, embora nem sempre isso signifique ser forte.
Sou apenas alguém em constante construção, aprendendo a caminhar entre limites e virtudes, sem esquecer minhas raízes, meus valores e minha essência.
A Construção do Presente como Território de Paz
Alinny de Mello
Agradeço imensamente a cada um de vocês por acompanharem esta jornada de exposição e libertação. Antes de darmos os passos finais nesta reflexão, convido todos a visitarem a minha página no Pinterest. Lá, eu organizo os meus e-books e centralizo os temas que debatemos, criando um espaço de troca e clareza. Não se esqueçam de acompanhar os lançamentos semanalmente, pois cada obra é pensada para estimular a nossa autonomia diante das amarras da vida.
Existe um momento em que a sobrevivência deixa de ser o objetivo principal e dá lugar, finalmente, ao direito de existir. Depois de atravessar décadas sob o peso de um ambiente Hostil, eu e meus irmãos compreendemos que a maior resposta que podemos dar ao passado não é o rancor, mas a nossa insistência em sermos felizes no agora. Tudo o que queremos e exigimos da vida a partir deste momento é o presente cheio de paz, o silêncio de uma noite tranquila e o sossego de saber que as portas estão trancadas contra o absurdo.
A nossa emancipação definitiva se traduz na oportunidade de experimentar, tardiamente, a leveza que nos foi roubada na infância e na adolescência. Estamos em um processo de resgate. Viver o que não tivemos oportunidade de viver significa rir sem o medo da punição imediata, conversar sem a obrigação de vigiar o tom de voz e andar pela casa sem o pavor de arrastar os chinelos no chão. Significa usar o perfume que quisermos, vestir a roupa que nos agrada e usufruir da liberdade de escolher quem entra e quem sai dos nossos dias. Cada pequena escolha cotidiana, que para as pessoas comuns parece irrelevante, para nós é uma celebração de independência.
Não se trata de tentar apagar o tempo perdido, porque o relógio não retrocede, mas de ressignificar o tempo que nos resta. A nossa maturidade foi construída na marra, mas a nossa leveza está sendo conquistada por escolha consciente. Olhamos para o futuro não com a ansiedade de quem espera um novo golpe, mas com a curiosidade de quem finalmente é o único autor da própria história. Nós nos tornamos os pais que nunca tivemos, protegendo a nossa criança interna e garantindo que ela possa, finalmente, brincar em paz.
A paz que desfrutamos hoje não é um presente do destino, é um território conquistado com muita coragem e cortes profundos na carne da conivência. Se o mundo lá fora continua orbitando em torno de aparências e julgamentos rasos, nós escolhemos a profundidade do nosso próprio bem-estar. O sossego é o nosso maior luxo e a nossa melhor vingança contra a destruição que tentaram nos impor. Conseguimos. Estamos aqui, inteiros, respirando o ar limpo de uma vida que pertence exclusivamente a nós.
Como podemos medir a grandeza de reconquistar a própria infância na vida adulta? Será que a verdadeira paz só é plenamente compreendida por aqueles que conheceram de perto o peso do inferno?
QUANDO O ESTADO VIRA A COSTAS PARA FILHOS COM PAIS INSANOS
Alinny de Mello
Agradeço a cada um de vocês por acompanharem esta anatomia das relações mais densas da nossa existência. Antes de encerrarmos esta sequência de reflexões, reitero o convite para que conheçam a minha página no Pinterest. É lá que mantenho o acervo dos meus e-books e organizo os tópicos que debatemos aqui. Não deixem de acompanhar as atualizações semanalmente para que possamos continuar jogando luz sobre as engrenagens ocultas do comportamento humano.
O conceito de liberdade, quando forjado no interior de um ambiente de destruição sistemática, difere substancialmente da definição idílica dos dicionários. Para mim e para os meus irmãos, ser livre não significou a ausência de cicatrizes, mas a conquista da autonomia sobre os nossos próprios destinos. Nós vencemos os pesadelos, domamos os traumas e estabelecemos uma distância profilática do epicentro do caos. Sobrevivemos ao que chamo, sem qualquer receio de exagero analítico, de um holocausto familiar. Contudo, a independência factual não nos concede imunidade diplomática contra a insanidade alheia; a libertação está consolidada, mas a necessidade de vigilância permanece intacta.
É profundamente doloroso constatar que, mesmo após termos reconstruído as nossas vidas longe daquele perímetro, a proximidade daquelas duas figuras ainda represente uma ameaça latente. A dor não vem mais do chicote ou do facão mecânico, mas da certeza racional de que a perversidade e a loucura deles são forças dinâmicas, perfeitamente capazes de articular novas conspirações sob qualquer pretexto, a qualquer momento. Nós conhecemos a engenharia daquela aliança neurótica; sabemos que o ódio que partilham entre si é frequentemente canalizado na tentativa de nos destruir.
Essa vulnerabilidade é amplificada pela falência gritante das instituições que deveriam oferecer salvaguarda jurídica. Quando decidimos acolher e cuidar da nossa mãe no período mais agudo de sua degradação mental, fomos confrontados com o ápice do perigo: ela empunhou uma faca na calada da madrugada, tentando desferir golpes contra um dos meus irmãos. Diante da ameaça de morte iminente e concreta, buscamos o Estado. A resposta que recebemos na delegacia de polícia foi o silêncio burocrático e a negligência institucional. O delegado recusou-se a registrar o boletim de ocorrência, negou-se a lavrar uma simples nota, demonstrando a total incapacidade das autoridades de decodificar a violência quando ela se apresenta sob o manto da senilidade ou do transtorno psíquico. Ficamos por nossa conta, como sempre estivemos na infância.
É nesse vácuo de proteção oficial que opera a inversão mais perversa da nossa história. Diante da cegueira social e da inércia estatal, os papéis são magicamente trocados pelo senso comum: os verdugos históricos são promovidos a vítimas indefesas, enquanto os filhos, que sangraram na infância e estenderam a mão na velhice, são carimbados como os vilões frios e ingratos. Ninguém na vizinhança, na delegacia ou nos círculos sociais distantes se dá ao trabalho de compreender o contexto estrutural do nosso calvário. Desconhecem o peso do sal na carne viva, as madrugadas de tremor involuntário e a tentativa de homicídio no útero. Julgam a nossa legítima defesa utilizando a régua hipócrita de uma moralidade que nunca precisou ser testada em um porão de torturas.
Deixar este relato registrado não é um ato de apego ao passado, mas um documento de autodefesa e um manifesto de sobrevivência. Nós saímos daquela trincheira por mérito próprio, arrancando a nossa sanidade das garras de um sistema doméstico feito para nos aniquilar. Estamos livres da tirania diária, mas permanecemos atentos às fronteiras do nosso sossego. Se o mundo prefere comprar a narrativa vitimista de quem nos agrediu, que compre; a nossa verdade não necessita do aval de burocratas ou de espectadores casuais para permanecer irrefutável.
Como lidar com a constatação de que as estruturas do Estado são frequentemente analfabetas para ler a mecânica do abuso familiar? Até que ponto o preço da nossa paz definitiva exige que aceitemos o papel de vilões no teatro da ignorância alheia?
“A única certeza é a morte. Tudo o que virá será passageiro, e o que se foi pode se tornar eterno em nossos pensamentos. Por isso, a vida deve ser vivida mais com o coração do que apenas com a razão.”
"A eternidade não existe como destino, pois ao querermos questioná-la, a resposta se torna um horizonte eternamente distante."
O Mito dos "Pais Gente Boa"
Alinny de Mello
Aproveito este momento de pausa analítica para reforçar o convite: não deixem de visitar a minha página no Pinterest, onde organizo as edições dos meus e-books e centralizo as discussões sobre os padrões ocultos das relações humanas. Acompanhem os lançamentos semanalmente para mantermos este canal de lucidez e questionamento sempre ativo.
Uma das maiores ironias da convivência em sociedade é a facilidade com que as aparências conseguem silenciar os fatos. O julgamento público é, por definição, superficial; ele se alimenta do espetáculo, da cordialidade de fachada e do verniz social que os piores tiranos domésticos costumam manejar com maestria cirúrgica. Nada ilustra melhor essa miopia coletiva do que o comentário displicente dos de fora: *“Nossa, os pais de vocês são gente boa demais.”*
Essa frase, proferida por vizinhos, conhecidos ou parentes distantes, funciona como um tapa duplo na cara de quem sobreviveu ao inferno. Primeiro, porque revela a total incapacidade do observador casual de enxergar além do óbvio. Segundo, porque expõe a genialidade perversa do opressor, que sabe perfeitamente quando guardar o chicote e o facão para vestir a máscara da simpatia, da simplicidade ou da conveniência comunitária na calçada. Para o mundo, o monstro é um homem trabalhador, um vizinho pacato, um acumulador exótico ou apenas um idoso pitoresco. A cúmplice é vista como uma senhora sofrida, uma mãe de família dedicada, alguém de fala mansa.
O que a sociedade se recusa a entender é que o sadismo raramente se exibe em praça pública. Ele necessita das paredes de casa, do isolamento e do silêncio das testemunhas para operar em sua potência máxima. Quem vê o aperto de mão caloroso no portão não imagina o crânio vibrando com o impacto da lapada na madrugada. Quem elogia a "simplicidade" daquela dinâmica familiar não faz a menor ideia da terra cavada na sala para servir de pira funerária, nem do sal jogado na carne crua de uma criança de oito anos sob o pretexto de cura.
Essa desconexão entre a percepção externa e a realidade factual produz um tipo muito específico de isolamento para as vítimas. Ouvir que os seus torturadores são "gente boa" é uma tentativa involuntária do mundo de invalidar o seu sofrimento, como se a dor experimentada fosse um delírio, um exagero ou um desrespeito à sagrada instituição da paternidade. A sociedade tem um medo quase patológico de admitir que existem pais que odeiam, que destroem e que usam os filhos como laboratório de suas próprias frustrações e loucuras. É mais confortável para o senso comum acreditar na bondade ensaiada do agressor do que encarar o abismo da perversidade familiar.
No entanto, a validação da nossa história não depende do diagnóstico de quem olha de fora. O tribunal dos vizinhos é irrelevante diante da crônica irrefutável das cicatrizes. Deixar que as pessoas elogiem a fachada sem se dar ao trabalho de corrigi-las é, também, uma forma de distanciamento cínico e saudável. Eles que fiquem com o teatro; nós ficamos com a liberdade de saber exatamente quem são os atores quando as cortinas se fecham e as luzes se apagam. Os dois, afinal, encontraram o público que merecem para a peça que decidiram encenar.
Como o julgamento alheio consegue ser tão facilmente manipulado por uma encenação de bondade? Até que ponto a necessidade da sociedade de acreditar na pureza dos pais a torna cega e conivente com a barbárie que acontece do outro lado da parede?
É, ISSO QUE SEMPRE OUVIMOS DAS PESSOAS: 'SEUS PAIS SÃO GENTE BOA...'
A VERDADEIRA FACE DOS MEUS GENITORES QUE NINGUÉM CONHECE
Alinny de Mello
Sejam muito bem-vindos a este espaço de anatomia comportamental. Antes de darmos início à dissecação das memórias que dão corpo a este texto, convido todos vocês a conhecerem a minha página no Pinterest, o espaço onde organizo meticulosamente os meus e-books e centralizo as nossas reflexões estruturais. Recomendo que acompanhem os lançamentos semanalmente, pois cada nova obra busca clarear os padrões que a sociedade insiste em camuflar.
A verdade oculta nas fendas de uma dinâmica familiar disfuncional raramente emerge de forma linear. Costuma-se fantasiar a maternidade e a paternidade como instintos absolutos de preservação, mas a realidade factual frequentemente nos esfregar na cara o oposto, revelando que os laços de sangue podem ser o cenário perfeito para o exercício da tirania mais refinada e, simultaneamente, mais grotesca.
Antes mesmo que a minha existência física fosse consolidada, o ambiente já estava saturado por uma violência que cobrava o seu preço em vidas. Cresci ouvindo a narrativa fantasiosa de que a filha que minha mãe carregou antes de mim havia nascido morta e em decomposição devido a um desejo não realizado de comer manga. A mitologia popular adora criar bodes expiatórios biológicos para mascarar a barbárie humana. Aos quatorze anos, aproveitando a ausência da minha mãe, confrontei a minha avó paterna sobre a impossibilidade anatômica daquela história. A resposta foi o desabamento da mentira, a revelação de que a minha irmã passara três dias sem vida no útero materno após uma sessão de espancamento que culminou com um chute violento no ventre da minha mãe. O silêncio que se seguiu àquela revelação foi o meu primeiro aprendizado sobre o poder das verdades sufocadas.
Quando finalmente nasci, a recepção do meu genitor não foi a da celebração, mas a da rejeição simbólica. Ele verbalizou que eu não era sua descendente e me entregou ritualisticamente ao demônio, determinando que a entidade me levasse. Essa rejeição precoce ecoou na minha infância através de pesadelos recorrentes de perseguição, um reflexo psicológico previsível do terror que habitava o mundo desperto. Anos mais tarde, ao questioná-lo sobre essa afirmação, recebi a negação automática que todo opressor utiliza quando confrontado com a própria baixeza. Ele negava tudo, enquanto mantinha a engrenagem do controle absoluto funcionando vinte e quatro horas por dia.
O controle exercido naquele lar não conhecia limites banais. Se o meu irmão do meio ousava quebrar a barreira do isolamento para brincar com os vizinhos e não escutava o chamado de retorno, o preço era o espancamento com cabos de vassoura ou qualquer objeto ao alcance da mão. Aos meus treze anos, assisti do quarto ao horror do meu genitor quebrando um pedaço de madeira de um berço na cabeça do meu irmão, prometendo mandá-lo para o inferno, enquanto minha mãe assistia em absoluta inércia. A tragédia fatal só foi evitada porque o meu irmão mais velho teve a presença de espírito de gritar pelos vizinhos. O comportamento do agressor seguia um padrão clássico de oscilação neurótica, minutos depois do quase homicídio, ele chorava pedindo desculpas, apenas para reiniciar o ciclo logo em seguida.
A vida sob aquela tutela era um exercício de vigilância constante. Fomos privados do direito de conversar, de assistir à televisão e até de brincar. Arrastar os chinelos pela casa era motivo para agressão física. Instituiu-se a obrigação de bater palmas ao entrar na residência para que ele soubesse da nossa aproximação, sob pena de punição imediata. O olfato também era regulado, o uso de sabonetes perfumados ou perfumes era terminantemente proibido. Paralelamente à tirania, o homem manifestava um comportamento de acumulação compulsiva, transformando a casa em um depósito de detritos que ele recolhia pelas ruas.
A opressão estética também se direcionou a mim na adolescência. Ele exigia que eu me vestisse com trajes longos que ocultassem completamente o meu corpo, embora nunca tenha investido um único centavo para me comprar uma peça de roupa ou um calçado. Eu sobrevivia de doações. Quando a minha tia me presenteou com uma saia branca na altura dos joelhos, a reação dele foi a promessa de retalhar o tecido com um facão caso eu não a tirasse imediatamente. O ambiente doméstico era uma vitrine de humilhações, onde ele exibia comportamentos asquerosos, forçando a intimidade conjugal diante dos filhos como forma de demarcação de poder sobre a minha mãe.
O sadismo do meu genitor alimentava-se de memórias de morte. Ele se vangloriava de ter assassinado um primo aos quatorze anos na beira de uma lagoa, utilizando um estilingue para derrubar o garoto por trás de uma árvore sem que a vítima soubesse o que a atingira, um crime que permaneceu impune e oculto da sociedade. O terror habitacional atingiu o ápice quando ele cavou um buraco monumental que ocupava toda a extensão da nossa sala, verbalizando que o propósito daquela cratera era nos queimar ali dentro.
As tentativas de fuga eram tratadas como alta traição. Em uma madrugada, às três horas da manhã, após termos escapado para a casa da tia dele, ele nos localizou. Fui arrancada de debaixo da cama pelos cabelos enquanto ele empunhava um facão de dois gumes no pescoço. A ameaça era explícita, se eu emitisse um único som, ele me decapitaria ali mesmo. De volta ao cativeiro, trancada no quarto após horas de jejum forçado, ouvi as promessas de que ele cortaria as orelhas, os lábios, os cabelos e as pernas da minha mãe, estendendo o mesmo destino a mim. Naquela noite, a lâmina do facão deixou uma marca física profunda, uma ferida em carne viva que se estendia das minhas nádegas aos joelhos, complementada por uma lapada violenta na cabeça que fez o meu crânio vibrar.
O aspecto mais intrigante e definitivo dessa equação destrutiva reside na figura da minha mãe. Nem mesmo o infanticídio da primeira filha ou as décadas de suplício físico a fizeram romper o cordão umbilical com o agressor. A mente humana possui limites de elasticidade e, após mais de trinta anos de abuso contínuo, ela adoeceu mentalmente, transitando por diversas instituições psiquiátricas. Quando assumimos a responsabilidade de cuidar dela na velhice, o retorno foi a perfídia. Acolhida na casa do meu irmão, ela formulou uma conspiração financeira junto ao meu genitor, movida pela crença delirante de que ele possuía grandes somas de dinheiro guardadas. Ela registrou um boletim de ocorrência falso por roubo e chegou a acionar criminosos de aluguel para executá-lo. A trama só não se concretizou porque consegui interceptar e descobrir a fraude antes que o pior acontecesse.
A decisão de romper definitivamente o contato com ambos não foi um ato de crueldade, mas o exercício final da legítima defesa e da autonomia racional. O ciclo de cumplicidade entre a vítima histórica e o seu carrasco transformou-os em um organismo único, onde ambos se alimentam do mesmo veneno e se merecem na mesma medida.
Como podemos compreender a mente que escolhe a lealdade ao próprio opressor em detrimento da segurança dos próprios filhos? Até que ponto a loucura serve de justificativa para a deliberate maldade e a traição de quem recebeu apenas cuidado?
