Pensamentos Mais Recentes
Meu amor,
Eu disse adeus querendo ficar.
Dentro de mim, tudo implorava para que você me pedisse para não partir.
Meus passos foram pesados, cada um deles arrancando um pedaço da minha alma.
Fui embora ainda apaixonada, com sede dos teus beijos, com o desejo de sentir teu abraço me envolvendo,
com a esperança ingênua de que teu coração ainda pudesse ouvir o meu.
Escrevi tantos versos tentando te alcançar, depois apaguei... Achei que minhas poesias já não encontrava abrigo em ti.
E quando percebi que minhas palavras se perdiam sem resposta, fechei os olhos, não quis ver a frieza dos teus sentimentos
e a distância que, aos poucos, foi crescendo entre nós.
Eu quis tanto ficar, amor...
Quis acreditar que o amor bastava,
que a minha entrega seria suficiente para dois.
Mas descobri, com dor, que não posso carregar o amor sozinha,
o peso de um amor que pede reciprocidade.
Meu coração ardia em fogo,
enquanto o teu se tornava gelo em minhas mãos.
Agora, a saudade é a minha companhia.
Ela me rasga por dentro, me acompanha nas madrugadas silenciosas, na sua playlist a ti dedicada, me lembra a cada instante de tudo o que eu perdi.
É fria, é dura, mas é o que restou de nós dois.
Quero que saiba, com toda delicadeza que ainda guardo,
que eu te amei como uma mulher só sabe amar:
com entrega, com ternura,
com o cuidado dos detalhes que talvez tenham passado despercebidos.
Te amei no riso e no silêncio,
na presença e até na ausência.
Te amei por inteiro.
E por mais que doa, aprendi que amar também é saber partir,
quando o coração já não encontra repouso.
Por isso, mesmo em lágrimas,
preciso me acostumar a viver sem você.
Mas se um dia a vida nos unir novamente,
quero que seja leve
sem dor, sem feridas,
apenas com a lembrança doce do que fomos.
Adeus, meu amor.
Caí tantas vezes, errei sem medida,
fui a lugares que me machucaram,
busquei mãos que só me feriram,
mas hoje vejo além da mentira vestida.
Máscaras de maldade, falsos sorrisos,
hipocrisia tentou me engolir,
mas resisti, Senhor, e aprendi
a ouvir Tua voz nos meus abismos.
Chorei calada, sem eco ou luz,
mas um anjo sussurrou em mim,
e mesmo quando o mundo caiu,
Tua presença me fez crescer na cruz.
Se a vida grita que é o fim,
lembro do sangue que escorreu,
e mesmo cansada, eu sigo em Ti,
porque em Tua força eu renasci.
A chama da fé não se apagou,
Jesus me abraça, sinto o calor,
lembro os momentos que me ergueu,
e hoje sei: quem crê não caiu.
Minha esperança não acabou,
em Tuas mãos eu vou vencer,
mesmo que o vento sopre dor,
quem está em Ti permanece de pé.
Hoje meu coração quis falar em versos, do amor que sinto por você minha menina, minha Manuella. Não apenas com palavras, mas com todo o amor que vive em mim desde o instante em que te vi pela primeira vez. Tu chegaste como um sopro de luz em minha vida, como uma flor que desabrocha no jardim do tempo, e desde então, meu mundo nunca mais foi o mesmo.
O teu sorriso é o meu amanhecer. Ele ilumina até os dias mais nublados e me faz lembrar que, mesmo nas tempestades, existe sol esperando para brilhar. Em ti, encontro a delicadeza das pétalas, o perfume suave da manhã, e a ternura que faz da vida algo mais bonito e leve.
Cada gesto teu é uma poesia escrita no vento, e tua face, ah, tua face é como pintura divina, moldada com o toque da própria criação de Deus. Cada traço teu é uma canção que embala meu coração, e cada olhar teu, um verso de amor que o universo escreveu só pra mim.
Teus olhos, minha menina, são lagos encantados, onde a verdade dança e o brilho da tua alma reflete tudo o que há de mais puro. Mesmo quando o mundo parece escuro, é esse brilho que me guia, que me ensina o caminho de volta para o amor.
Em mim há tanto amor, tanto encanto, que às vezes transborda. Guardo-o inteiro para ti para proteger teus passos, para enfeitar o caminho que escolheres seguir. Quero que saibas que não importa onde a vida te leve, sempre haverá em mim um abrigo, um colo, um lar.
Tu és meu milagre, minha estrela, minha flor. És a razão mais doce da minha existência. E enquanto houver vida em mim, haverá amor um amor eterno, profundo e silencioso, que te acompanhará mesmo quando meus braços não puderem mais te alcançar.
Com todo o amor que cabe em um coração de mãe,
Tua mãe, que te ama infinitamente. 🌷
Querido Diário
Achei que poderia apagar o sol,
vestir as noites como um véu,
sorrir sem que doesse o olhar,
mas o recente passado é um eco eterno.
Planejei ser água, leve e nova,
sem marcas, sem cicatrizes,
mas a dor é tinta que não seca,
mancha até o que não se vê.
Tentei correr, esquecer deixar tudo pra trás,
como folhas ao vento de outono,
mas as sombras são fiéis companheiras,
sussurram seu nome no escuro.
Não há portas que fechem o meu medo,
nem chaves que tranquem a saudade,
o mal é sombra que se alonga,
mesmo quando a luz parece voltar.
Mas espero, quieta,
no meio da minha tempestade calma,
aprendendo a ser terra fértil,
porque o bem, quando vier,
precisará de raízes fortes.
E eu preciso dele como o ar,
como o rio precisa do mar,
como a noite precisa do amanhecer
preciso ir ao seu encontro
mesmo sem saber se vou chegar.
Em vez de fugir, mergulho fundo,
nas águas turvas da memória,
onde os fantasmas dançam em silêncio,
e o tempo dissolve sua história.
Não há bússola neste abismo,
apenas o eco do que fui,
mas sigo, devagar, sem pressa,
colhendo os cacos de mim.
A dor é um peixe prateado,
que brilha e some na corrente,
e eu, aprendiz de navegante,
aprendo a ser paciente.
Mergulho e saio com algas nos cabelos,
e o sal queimando na pele,
mas trago nos olhos um brilho novo,
e nas mãos, um pouco mais de fé.
As ondas me cospem na areia,
mas já não sou o mesma mulher,
o mar me devolveu em fragmentos,
e eu os guardo como um poema.
Agora respiro, agora existo,
com menos medo e mais verdade,
pois quem mergulha nas sombras,
encontra também a claridade.
Estranha Dança
Eu sou estranha, e o meu espelho sabe disso,
meus passos desenham labirintos
do meu modo de ser,
enquanto o mundo corre em fila indiana.
Minha música é feita de compassos
dos meus pedaços quebrados.
Carrego constelações desalinhadas,
tempestades que brilham, silêncios que ardem.
Meu caos é morada, não ferida
um fogo que aquece quando o chão some.
Eles dizem "seja reta", eu rio e giro,
minha dança é um mapa de cicatrizes vivas.
Ser diferente é como ter asas invisíveis
que voam mesmo quando o céu pesa.
Não me moldo, me reinvento,
sou feita de recomeços e perguntas.
Minha estranheza é minha armadura,
minha língua fala em raios, marés,
e idiomas que transformo em poemas.
Num mundo de cópias, ser original dói,
mas quebrei o molde antes de nascer.
Minha verdade é um animal selvagem,
não se domestica, só se entende.
Sou estranha, sim, e abraço esse abismo,
nesse meu lugar torto onde a luz é mais viva.
Aqui, onde os espelhos me reconhecem,
minha alma dança e nunca se despede...
Não Me Conformo
Deve ser por isso que escrevo tanto.
Sou um ser que não se conforma,
mar que se agita e que descansa,
buscando coragem nas frestas do vento
para seguir navegando onde a alma pede.
O oceano sou eu, às vezes fúria, às vezes silêncio, ondas que guardam forças,
máscaras que caem como folhas cansadas,
revelando rostos frágeis no chão.
Fecho os olhos e tento não encarar a malícia
em sorrisos frios,
em olhares que ferem sem som,
o mundo parece um palco de teatro com sombras antigas, e eu, pequena, tento compreender devagar.
Até onde amar? Onde cabe o meu grito?
Sem exagero, sem falta , só o suficiente,
pra não passaar do ponto.
A vida é um roteiro marcado,
e sigo lendo suas linhas com cuidado.
Os monstros… são humanos escondidos,
amigos às vezes, outras vezes espelhos partidos.
Aperto minha intensidade com ternura,
e choro quando o peito precisa aliviar.
Mas tomo meu gole de coragem diária,
mesmo quando a armadura pesa demais pra usar,
mesmo quando machuca o que já estava sensível.
Ainda assim caminho, esperando gestos simples, pequenas delicadezas que o mundo deixa cair pelo caminho, como migalhas de pães.
Só tento continuar sem perder a esperança.
O simples me resgata a cada novo dia, o espontâneo me abraça forte, e a verdade da natureza sempre me deixa emocionada.
Sempre.
Lembro como hoje ao luar, ouvindo nos teus versos, a melodia da tua voz em meu silêncio, comparando-me à luz que banha o mar, naquelas pedras.
Embriagados de amor, de vinho, de tempo.
Minha pele arrepiando-se ao teu olhar,
fundos abismos onde me perco e encontro luz, teus olhos são espelhos do meu ser,
e neles vejo o que jamais esqueço.
Impossível apagar tua expressão,
o sorriso que desenhaste em mim,
impossível esquecer-te, mesmo agora,
quando a noite me lembra o teu jardim.
Hoje te busquei-te nas esquinas do vento,
nos reflexos da lua sobre o mar,
mas só encontrei o eco da tua sombra,
um vago rumor que não pude tocar.
Talvez nunca tenhas existido,
senão na perfeição dos meus delírios,
um sonho que teceu minha alma,
e agora se desfaz em devaneios.
Sonhos não são reais, eu sei,
mas carrego teu nome na pele,
na memória que não se apaga,
no verso, um apelo de saudade que nunca se revela.
Quando o caminho se apaga na névoa,
meus passos são só ecos na estrada,
meu coração vira bússola,
e o sol, meu único mapa.
Giro como folha ao vento,
leve, sem rumo, sem chão,
o horizonte é um abraço,
o céu, minha direção.
Não há norte nem sul,
só o pulsar deste coração,
que bate em ritmo de uma dança de luzes,
que se perde no seu jeito.
As sombras são companheiras,
me prendem, me falam sutilezas,
sigo fios dourados, que tecem meus passos.
Esse mundo é um carrossel,
que meu eu, criança teme,
mas me deixo levar no vento,
onde o sol está quente e lento.
E quando a noite chegar,
meus dedos desenham constelações no escuro,
cada estrela, um verso esquecido,
um mapa de luz que não sei decifrar.
Olho o céu, na tentativa de ler suas estrelas,
mas elas piscam em código antigo,
sussurros de outras vidas,
e eu, apenas um eco perdido no vento.
Me torno silêncio e preces,
um corpo que se dissolve na sombra,
oferecendo ao infinito
o pouco que me resta de fé e esperanças.
Sigo o rumo da lua,
ela me chama sem palavras,
e eu navego em seu brilho prateado,
até que a madrugada me devolva ao chão.
À Flor da Alma
Às vezes eu queria ser perfeita.
Não por vaidade,
mas pra ser mais sábia
pra entender e reagir ao mundo
com mais clareza,
pra reagir com serenidade
sem me deixar abalar tanto
quando a vida me fere com palavras duras
e o coração sangra em silêncio.
Queria ser elevada o bastante
pra não me abater com a maldade alheia,
pra não acumular mágoas
como pedras nos bolsos da alma.
Mas o espelho não mente.
Sou falha demais.
Ciumenta demais.
Desastrada demais.
Tola demais.
O mundo desaba e eu tropeço
às vezes o raio cai, sim,
no mesmo lugar.
Mesmo assim, eu agradeço.
Peço perdão a Deus,
tento me redimir das culpas
que me seguem como sombras.
Vivo atenta aos passos,
pra não gerar mais erros e carmas
nas próximas vidas.
Porque há arrependimentos
que não se desfazem,
palavras que ficam presas no tempo,
manchando o que fomos,
sem chance de apagar.
E quando o peso aperta,
eu sinto demais e escrevo.
Escrevo pra libertar meus bichos
os ferozes e os mansinhos.
Escrevendo, eu voo.
Toco o céu com as pontas dos dedos,
descubro o meu avesso,
o eu oculto que mora trancado,
protegido por senhas que ninguém sabe decifrar.
Não busco quantidade, busco verdade.
Escrevendo, converso comigo, me ouço e
respondo o que o mundo não pergunta.
Me perco em sílabas,
exagero nas reticências,
fugindo dos pontos finais,
porque nunca paro de imaginar,
de me corrigir, de me reinventar.
Quando escrevo, espanto a melancolia.
É minha forma de rezar.
De traduzir o que sinto,
o que me rasga e o que me cura.
Só escrevendo digo o que grita no meu olhar,
que ainda sei amar e mereço, cuidado, amor.
Ando à flor da pele
mas fraca não sou.
Sou teimosa.
Sou guerra e paz, sou alma antiga.
E, mesmo myitas vezes cansada,
ainda tenho esperanças e sonhos.
Ainda acredito.
Ainda escrevo..
Teus olhos são um segredo
que o tempo não desvenda,
um véu de sombra e luz
onde a alma fica suspensa.
De longe, são abismos,
noite sem lua ou estrelas,
mas de perto, claridade
que a meu poema inspira.
Não são negros, nem azuis,
nem cor que o mundo nomeia,
parece-me verdes em tons
que não existe em lugar nenhum.
Têm a cor do que se perde
e nunca mais se encontra,
são ecos de um silêncio.
Se a mágoa fosse visível,
teria esse olhar profundo,
um mar de ausência e desejo,
um céu sem chão, sem fundo.
E assim, entre sombras e luzes,
teus olhos me confundem:
ora são fogo, ora frio,
ora lembrança, ora esquecimento.
Mas se a mágoa tivesse cor,
seria da cor do teu olhar, amor
um mistério que não se decifra,
um verso que não tem fim.
Quando Você Ama Alguém...
Se o amor é verdadeiro, não há meio,
entrega-se tudo, mesmo que seja o fim.
Até quando dói? Especialmente então.
O coração sabe, mesmo calado.
Toque nele, toque nela, enquanto há tempo,
a vida é um sopro, um instante sem volta.
Não espere que o relógio te lembre
do que já se foi sem aviso.
Garota, vai ficar tudo bem,
mesmo que agora o peito pareça vazio.
Perder é parte do caminho,
e os passos mais leves são os mais difíceis.
Juntar os cacos, refazer o corpo,
encontrar um sentido na ausência.
O amor deixa marcas, mas também asas
quem disse que voar não dói?
Existe algo maior que o amor?
Talvez a perda, esse abismo sem nome.
Algumas feridas não fecham,
aprendemos a viver com elas.
Mas a vida insiste, e não há escolha:
é preciso seguir, mesmo sem respostas.
O amor foi grande, a dor também,
e o mundo não espera, para ninguém catar
os fragmentos de um coração quebrado.
Minha beleza não cabe no espelho,
habita nas entranhas,
no fogo que não se apaga,
no verso que não se cala.
Sonho sem ser utopia,
alço voos sem medir distância,
caio, rasgo o joelho,
e ainda assim danço na resistência.
Hoje sou rio, amanhã mar,
mudo de curso quando a vida grita,
sou menina que carrega mulher,
sou mulher que brinca de ciranda.
Me perco nos labirintos,
me acho nos becos escuros,
enlouqueço se preciso,
deixo o vento levar meu cabelo solto.
Não me divido em quase,
ou sou raiz ou sou tempestade,
não há meio amor que me satisfaça,
nem meio abraço que me aqueça.
Rio até doer a barriga,
choro até lavar a alma,
sou boba, mas não tola,
sou inteira, sempre em chama.
Sou forte, dizem,
mas há dias em que a doçura se dissolve,
o ácido escorre nas bordas do sorriso,
e eu me pergunto se sou apenas um eco.
Olho para o espelho,
encontro a fraqueza escondida,
a boba que ri sem saber,
enfiando a cara na almofada, sufocando as lágrimas.
O mundo é um lugar amplo,
mas a busca é por um canto apertado,
onde a vulnerabilidade é um segredo,
e o pranto se transforma em um mantra.
A força que carrego é um paradoxo,
uma dança entre o riso e a dor,
cada lágrima é um lembrete,
que até as rochas podem se desgastar.
Nos dias mais cinzentos,
as sombras se tornam companheiras,
e eu me pergunto se a coragem é só um disfarce,
ou se existe beleza em ser frágil.
Mas então, com o sol surgindo,
percebo que sou um misto de tudo,
forte e doce, ácida em essência,
e chorar é apenas parte da canção.
Senhor, dá-me a esperança
para vencer minhas ilusões e tristezas.
Planta em meu coração
a semente do amor.
Ajuda-me a fazer feliz
o maior número de pessoas possível,
para ampliar seus dias risonhos
e abreviar as noites tristonhas.
Não me deixes ser cordeiro diante dos fortes,
nem leão diante dos fracos.
Dá-me o dom de saber perdoar
e afasta de mim
todo desejo de vingança.
Senhor Jesus Cristo,
ilumina meus olhos
para que eu veja os defeitos da minha alma
e venda-os
para que eu não comente
os defeitos alheios.
Retira de mim a tristeza, Senhor,
e não a entregues
a mais ninguém.
Enche meu coração
com a divina fé,
para sempre louvar o Teu nome,
e arranca de mim
o orgulho e a presunção.
Muito obrigada, Senhor Jesus Cristo,
por me amares tanto,
mesmo sendo eu tão imperfeita e pecadora.
Esta humilde oração
é tão somente para Te agradecer.
E tudo o que Te peço é que,
mesmo quebrantada,
aumentes a minha fé
e faças de mim
uma mulher segundo Tua vontade.
Amém, Senhor Jesus. ✨
Pensamentos que não dormem
Minha mente tece fios de insônia
no tear invisível da noite antiga,
oráculos sussurram em meus sonhos
enigmas que o tempo não decifra.
Sou chama iniciada no escuro,
alma errante entre véus e portais,
um rio sagrado de ideias febris
que não conhece margens nem sinais.
Amar, para mim, é rito e vertigem,
pular sem temer o abismo,
ofertar o coração aos deuses mudos
sem pedir proteção ou aviso.
Sensível demais, uma alquimia viva
ardo em brasa e gelo num só sopro,
meu peito é um vulcão selado em símbolos,
um segredo antigo gravado no corpo.
Como conter o que nasceu com asas,
marcado por estrelas errantes?
Sou tempestade invocada em silêncio,
sou o eco antes do instante.
Pressinto dores ainda sem nome,
sombras que o destino ensaia,
queria desligar esse sentir,
por ao menos um único dia,
essa luz que me fere e me guia.
Mas há beleza nosse excesso sagrado,
no amor que transborda e não cabe,
sou feita de marés proféticas
e presságios que a alma sabe.
Aceito o fardo de sentir o infinito,
o eterno ritual de existir.
Mesmo exausta, sigo sentindo
com os espíritos do pensar
sem me deixar dormir.
Cada passo profana o chão.
O mundo não consente,
apenas suporta.
Sempre acreditei que cada passo
mostra um mapa invisível,
um destino que se desenha
nas linhas da palma vazia.
Carrego marcas que não escolhi,
símbolos gravados antes do nome,
juramentos feitos
num lugar onde a luz não entra.
Não sou acaso.
Sou resto de algo antigo.
Mas o norte apodrece
quando é tocado.
Caminho lendo sinais falhos
o corpo que falha,
o pressentimento que sangra,
o silêncio que nunca responde.
A intuição não guia
ela empurra.
É lâmina cega na carne,
força que chama
sem revelar o preço.
O coração não é templo.
É ruína.
Oráculo quebrado
que fala em ecos
e cobra em medo.
Como distinguir o chamado
da condenação,
se ambos usam a mesma voz?
Talvez a missão seja cair fundo,
errar o rito,
quebrar o círculo
e ainda assim continuar respirando.
Talvez seja escrever o caminho
com falhas,
com carne,
com culpa.
No fim, não há salvação.
Há movimento.
Viver é atravessar
sem sinal,
sem bênção,
sem garantia.
E o coração
esse órgão obscuro
bate não por fé,
mas por insistência
Há uma luz antiga no fundo do abismo,
não chama, mas acolhe.
Quando os pés param à beira,
é a terra que respira sob eles,
lembrando:
nenhum salto é sem mãos invisíveis.
Que o vento venha,
não para derrubar,
mas para sustentar.
Que ele ensine o corpo a confiar
no movimento que não fere.
O erro não é maldição.
É abertura.
Ferida por onde o amor esquecido
retorna ao sangue e faz pulsar o coração.
Que aquilo que sangrou
seja lavado não pelo medo,
mas pelo tempo certo.
Que essa pele nova endureça.
As defesas podem descansar.
Que as muralhas se tornem portais,
que os fantasmas dissolvam seus nomes.
Coragem não é ataque:
é permissão.
Que o amor seja lembrado.
Não como promessa,
mas como presença.
Que o sol não seja negado
mesmo quando a noite ainda pesa.
Que os ossos desaprendam a dor
que não lhes pertence.
Se houver sombra,
que ela seja abrigo,
não prisão.
Que o silêncio não engula,
mas escute.
E ao caminhar,
mesmo sem mapa,
que cada passo seja bênção.
Que o passado não seja apagado,
mas se torne aprendizado.
E que novos e bons caminhos surjam
onde antes só havia medo.
Assim seja no corpo.
Assim seja no fôlego.
Assim seja no agora.
Se você fosse música, eu te cantaria baixinho, como quem canta para ficar. Se fosse poesia, eu te recitaria sem pressa, com a voz cheia de intenção.
Se fosse bebida, eu te beberia em goles lentos, saboreando o risco e o prazer, pois você é como aquele gole da bebida proibida, que a gente evita todos os dias, porque sabe que basta um só gole para se viciar.
Se fosse erro, eu erraria sem medo, mas sendo acerto, eu te acertaria todas as vezes.
Se estivesse à venda, eu te compraria sem pechinchar. E se estivesse perdido, eu te encontraria, mesmo sem mapa, sem GPS, mesmo no escuro.
Você traz movimento ao meu tédio, e os seus olhos são o remédio que cura qualquer dor de um dia ruim.
Se você fosse um livro, eu te leria devagar, uma frase por dia, repetindo cada sílaba, bem lentamente, para nunca chegar ao fim.
E se alguém te pedisse emprestado, eu sorriria e diria: lamento, esse é especial. Não empresto, não confio ele a ninguém, e ainda não terminei e não quero terminar de ler, nunca.
Eu sinto falta da sua voz
como quem entra num quarto vazio
e percebe o eco da própria solidão.
Sua voz não é só som
é abrigo.
É casa.
É o lugar onde meu caos se aquieta.
Sinto falta do seu cheiro…
e isso me desarma.
Não sei explicar a fragrância,
mas meu corpo reconhece.
É química, é memória, é desejo.
É vontade de fechar os olhos
e me perder no seu pescoço
até esquecer o mundo.
Sinto falta do seu beijo
da pressão, da entrega,
do calor da sua boca encontrando a minha
como se fosse a única verdade possível.
Sinto falta do seu corpo junto ao meu,
da sua temperatura misturada na minha,
do jeito que você me puxa
e me faz sentir
inteira, viva, escolhida.
Escrever é a única forma que encontrei
de tocar você sem tocar.
Porque quando não estou com você,
o que me resta
é transformar saudade
em palavra.
Poder é diferente de dever; dever é cumprir as promessas e assumir as responsabilidades legítimas, poder é tomar decisão certa do que medir as necessidades.
A saudade é uma onomatopeia que ninguém consegue pronunciar, um eco de passos que nunca chegam a tocar o chão do corredor. Escrevo o teu nome no vidro embaçado, esperando que o frio traduza em som o que o peito tenta, mas falha em organizar. No fim, resta apenas esse vocábulo estranho, um balbucio oco, a onomatopeia de um adeus que não teve coragem de fazer barulho.
— E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Mas, como o ser humano é ingrato, ele preferiu ser a imagem do diabo na Terra.
É tão mais dolorosa a noção tardia de depender dos outros que o arrependimento de errar por ter feito sem ajuda.
