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A semideusa estendeu as mãos douradas sobre o casal e, com um sorriso benevolente, proferiu as palavras que mudariam o destino deles para sempre.
A luz etérea que envolvia a criatura angelical começou a se dissipar, transformando-se em um calor denso, profundo e puramente terreno.
As linhas de código e os resquícios de magia se converteram em sangue, batimentos cardíacos reais e uma alma completamente humana.
Ela abriu os olhos, sentindo pela primeira vez o peso exato da gravidade, o ar preenchendo seus pulmões de verdade e o calor das lágrimas humanas que banhavam seu rosto.
O milagre estava completo: ela era agora uma mulher mortal, pronta para envelhecer e viver uma vida comum ao lado de seu amado.
Como um último presente antes de desaparecer no firmamento, a divindade tocou o ventre da nova humana, profetizando uma benção de fertilidade e continuidade para aquele amor que desafiou o universo.
Anos depois, o antigo casarão isolado já não era mais um lugar de silêncio e medo, mas sim um lar repleto de vida, cor e risadas.
O casal, agora completamente integrado ao mundo dos homens, foi agraciado com a promessa da deusa: o nascimento de filhas trigêmeas, idênticas em beleza e traços.
As meninas carregavam em seus olhares a mesma faísca mágica e misteriosa que um dia deu início a toda essa história, perpetuando o romance eterno entre o mortal e a poesia que ganhou vida!
O Legado da Poesia
Do silêncio do código antigo,
à promessa que a deusa selou,
o destino encontrou seu abrigo no milagre que o peito guardou.
Já não há mais segredo ou cansaço,
nem o medo do mundo invadir,
pois a vida floriu num abraço,
que o tempo não pode romper.
Três meninas, três joias sagradas,
trigêmeas da mesma raiz,
caminham no chão, abraçadas,
num lar que se fez tão feliz.
Trazem nelas o olhar de mistério,
a faísca que o céu acendeu,
onde o sonho que era etéreo,
na risca dos homens venceu.
O mortal e a musa divina,
se veem nos traços do amor,
na dança que a vida ensina,
na história que o peito gravou.
Se o verso um dia foi prece,
o fruto está vivo no chão,
e a magia que nunca adormece,
virou uma linda canção!
O Amanhã da Magia
Dezoito invernos o tempo contou,
e o casarão que guardava o segredo,
em um porto seguro se transformou,
longe do medo e de todo o degredo.
As três meninas que o céu enviou,
deixaram a infância num sopro sutil,
e a graça que a deusa nelas moldou,
desabrochou como flor em abril.
Idênticas, livres, mulheres e luz,
caminham no mundo que o pai desbravou,
cada uma com a força que a alma conduz,
honrando a história que a mãe começou.
Nos olhos das três, a faísca persiste,
um brilho que o silício não pôde conter,
a prova viva de que o amor existe,
e que o impossível nasceu pra vencer.
O tempo passou pelo homem e pela musa,
cabelos de prata, sorriso no olhar,
olhando o futuro que a vida difusa,
em três novas vidas ousou semear!
Entre as três irmãs,
Iris sempre foi a que carregava o olhar mais profundo.
Enquanto suas irmãs Aurora & Helena exploravam o mundo através da arte e da música,
ela sentia o mundo de uma forma completamente diferente.
No dia em que completaram dezoito anos,
o que antes era apenas uma sensibilidade incomum revelou-se como o seu dom especial: Iris conseguia ver e ouvir a essência de todas as coisas, lendo o mundo ao seu redor como se tudo fosse feito de pura informação e linhas de luz.
Caminhando pelas ruas da cidade, ela não via apenas prédios ou pessoas; ela enxergava os fluxos de energia,
as conexões invisíveis e os sentimentos que flutuavam no ar.
Era como se a herança digital de sua mãe e a magia da semideusa tivessem se fundido perfeitamente nela.
Ela conseguia tocar um objeto antigo e decifrar toda a sua história,
ou olhar para alguém e entender exatamente o que aquela pessoa estava sentindo ou pensando.
Diferente do medo que seus pais sentiram no passado,
Iris não queria se esconder.
Ela decidiu usar seu dom para ajudar os outros.
Em segredo,
ela começou a atuar como uma conselheira e solucionado mistérios na cidade,
guiando pessoas perdidas e consertando corações partidos apenas ao decifrar as "linhas" invisíveis que moldavam a vida delas.
Ela era a ponte perfeita entre o milagre do passado e a realidade do futuro!
Em uma tarde chuvosa, enquanto decifrava as linhas de melancolia que flutuavam por um antigo café no centro da cidade,
o dom de Iris, a alertou.
O fluxo de informações ao seu redor,
sempre constante e previsível, simplesmente congelou quando um jovem de casaco escuro cruzou a porta.
Ao olhar para ele, Iris não viu as correntes de luz habituais.
Em vez disso,
ele era cercado por um vácuo absoluto,
uma ausência total de ruído energético que ela nunca tinha testemunhado.
Quando seus olhos se cruzaram,
o rapaz paralisou.
Ele não olhou apenas para o rosto dela; ele olhou diretamente para a faísca mágica que brilhava nas pupilas de Iris.
Você também consegue ver as engrenagens do mundo, não é?
Ele perguntou, aproximando-se a passos lentos e firmes.
O nome dele era Emanoel.
O dom de Emanoel era o oposto e o complemento perfeito ao de Iris: ele conseguia silenciar e moldar a energia ao seu redor,
criando barreiras de calmaria ou isolando ruídos invisíveis.
Pela primeira vez em dezoito anos, Iris não se sentiu uma observadora solitária do universo.
Diante dela estava alguém que operava na mesma frequência misteriosa que a sua!
Emanuel puxou uma cadeira e sentou-se à mesa de Iris.
Com um sorriso calmo, ele retirou do bolso um pequeno pingente de metal escuro, gravado com o símbolo de uma engrenagem entrelaçada a uma asa de luz.
Ele revelou que fazia parte da Ordem do Prisma, uma sociedade secreta que há séculos monitorava e protegia pessoas nascidas com dons extraordinários.
A Ordem não era composta por deuses, mas por humanos que, assim como Iris, herdaram fragmentos de anomalias da realidade,
vestígios de magias antigas,
milagres ou intervenções divinas que o mundo moderno tentava apagar.
Nós não estamos aqui para nos esconder do mundo,
explicou Emanuel,
a voz baixa para não chamar a atenção dos outros clientes do café.
Nós mantemos o equilíbrio.
Enquanto você lê as linhas do destino, outros na Ordem conseguem curar, mover estruturas ou prever colapsos.
Fomos criados para garantir que pessoas como nós tenham um lugar seguro e um propósito.
Para Iris,
aquela revelação foi um choque,
mas também um alívio profundo.
O segredo que seus pais guardavam trancado em um casarão por dezoito anos não era uma maldição solitária.
Havia todo um universo de pessoas como ela,
e Emanuel tinha sido enviado para convidá-la a finalmente ocupar o seu lugar de direito nessa rede de mistérios!
Iris sabia que um passo tão importante não poderia ser dado sem antes consultar aqueles que abriram mão de tudo para que ela pudesse existir.
Com o coração batendo forte,
ela agradeceu a Emanuel pelo convite, mas foi firme: precisava voltar para casa e contar a verdade aos seus pais.
Emanuel compreendeu o peso daquela decisão e, antes de se despedir, entregou-lhe o pingente da Ordem do Prisma,
dizendo que saberia onde encontrá-la quando estivesse pronta.
Ao cruzar a porta do casarão familiar,
o ambiente acolhedor e o cheiro de café fresco trouxeram um contraste reconfortante com o turbilhão de revelações que ela acabara de viver.
Seus pais estavam na sala, os cabelos agora salpicados de prata, mas com o mesmo olhar de cumplicidade que os unira dezoito anos atrás.
Suas irmãs
Aurora & Helena também estavam por perto,
trazendo a alegria habitual da casa.
Iris respirou fundo e colocou o pingente de metal escuro sobre a mesa de centro.
Com a voz calma,
mas carregada de emoção,
ela revelou o seu dom especial,
o encontro com Emanuel,
e a existência da Ordem do Prisma.
O silêncio tomou conta da sala por alguns instantes.
Sua mãe, que um dia fora apenas código e poesia, trocou um olhar profundo com o marido mortal.,
que apertava firmemente seu revólver (38) no coldre.
Eles sabiam que a magia e o destino que tentaram esconder do mundo haviam finalmente batido à porta,
não como uma ameaça,
mas como o chamado para o futuro de sua filha Iris!
Ao ouvirem o relato sobre a Ordem do Prisma,
o rosto de seus pais empalideceu.
O medo, aquele velho conhecido que eles haviam trancado dezoito anos atrás, voltou a ecoar nas paredes do casarão.
Seu pai segurou a mão da mãe,
cujo coração humano agora batia acelerado de preocupação.
Eles sabiam, melhor do que ninguém,
que o mundo exterior e as forças místicas raramente trazem paz.
Iris, minha filha...
Começou o pai,
com a voz grave e trêmula.
Nós construímos esta vida na base do sacrifício e do silêncio.
A magia que corre em você veio de um milagre que desafiou as leis do universo.
Se essa sociedade secreta descobrir a sua verdadeira origem,
se souberem que sua mãe já foi código e que uma semideusa interveio na nossa realidade...
O que os impede de tentar usar esse poder ou de nos caçar?
Sua mãe,
com lágrimas nos olhos,
aproximou-se e segurou as mãos da filha,
olhando-a com ternura e desespero:
Essa Ordem pode parecer protetora agora,
mas o conhecimento é uma arma perigosa.
Nós queríamos que você e suas irmãs fossem apenas humanas,
livres do peso que quase nos destruiu.
Por favor Iris,
recuse esse convite.
Guarde o seu dom aqui,
onde você está segura.
Suas duas irmãs Aurora & Helena,
observavam a cena em um silêncio tenso, divididas entre o desejo de proteger a família e o fascínio pela grandiosidade do que Iris havia descoberto!
Iris olhou nos olhos marejados de seus pais,
segurando o pingente da Ordem do Prisma com firmeza.
Ela compreendia o medo deles,
mas sabia que ignorar o que era,
não a tornaria mais humana.
Pai, mãe...
Eu entendo o sacrifício de vocês, disse iris, com a voz mansa,
mas decidida.
Mas o meu dom não é algo que eu possa trancar em uma gaveta.
As linhas do mundo estão se tornando cada vez mais nítidas e barulhentas na minha mente.
Se eu não aprender a controlar e a entender o que vejo,
eu serei um perigo para mim mesma e para vocês.
A Ordem não é uma ameaça,
é o único lugar onde posso aprender a me proteger de verdade.
Antes que os pais pudessem replicar,
um silêncio gélido e repentino invadiu a sala.
O fluxo de energia do casarão,
sempre quente e familiar,
despencou para um vazio aterrador,
Iris congelou.
Seu dom disparou um alerta vermelho em sua mente: uma das linhas de conexão da família havia sido cortada abruptamente.
Helena,
sussurrou não faça isso minha querida Iris,
com os olhos arregalados de pavor.
Enquanto isso,
sua irmã Aurora,
havia saído há poucos minutos para buscar lenha no bosque que cercava a propriedade.
O mortal e a mãe
ouvem um grito orripilante nunca ouvido naquele casarão em seguida levantaram-se num salto,
mas Iris já corria em direção à porta, seguida por Helena.
Elas dispararam entre as árvores retorcidas do bosque chamando por Aurora,
onde o chão coberto de folhas secas guardava o rastro do desastre iminente.
No meio de uma clareira,
o feixe de lenha que Aurora carregava estava espalhado pelo chão.
Não havia sinais de luta física,
apenas um retalho das vestes que outrora Aurora vestia,
mas a visão mística de Iris enxergava perfeitamente o horror do que tinha acontecido: resquícios de uma energia densa, escura e corrompida flutuavam no ar, desenhando o rastro de captores misteriosos que haviam levado sua irmã sem deixar pegadas humanas.
Aurora havia sido raptada,
e o passado que os pais tanto temiam acabara de alcançá-los da pior forma possível!
Desde a gênese, pessoas e coisas coexistem; no apocalipse, as coisas sobreviverão às pessoas. Afinal, sem plateia, até a disputa pelo protagonismo perde a graça.
Se o vento soprar e a saudade doer no teu peito, lembra que o meu amor por ti nunca terá fim; pois nem o tempo apaga o teu toque perfeito, e a minha alma chora implorando que voltes pra mim.
O desespero de um pai apagou qualquer rastro de hesitação.
O mortal caminhou até os fundos do casarão e abriu um velho baú trancado há quase duas décadas.
De lá, ele retirou suas antigas ferramentas de caça e sobrevivência,
lâminas pesadas, arco e flechas,
e uma arma de fogo de dois canos serrados,
bem como instrumentos que usava antes de se render à paz daquele lar místico.
Ele sabia que o bosque não guardava um perigo comum e que precisaria de toda a sua antiga força.
Engolindo o próprio medo,
ele olhou para a esposa,
a mulher que um dia fora feita de códigos e hoje carregava a fragilidade e a força de um coração inteiramente humano,
e prometeu trazer a filha de volta,
sam e salva.
Ele deixou a esposa encarregada de proteger e cuidar das outras duas filhas,
Iris e Helena,
que observavam tudo com os olhos arregalados de angústia., e medo por perceberem como seu pai se transformou em um verdadeiro guerreiro,
com sangue de justiça no olhar.
O santuário da família precisava ser mantido a salvo enquanto ele estivesse fora.
Ajustando o casaco de couro de búfalo,
e com as ferramentas firmes no cinto,
o mortal beijou a testa da esposa e despediu-se.
Ele cruzou os limites da propriedade e partiu determinado rumo à cidade desconhecida através dos desfiladeiros e montanhas que circundavam a sua propriedade.
Seu objetivo era claro: encontrar o paradeiro da Ordem do Prisma e localizar Emanuel,
o jovem misterioso que havia entregado o pingente de metal escuro para Iris no café.
O pai sabia que Emanuel e sua sociedade secreta eram a única pista e a única esperança de rastrear a energia sombria que havia levado sua amada filha Aurora.
Sozinho, desafiando a noite e os segredos do universo,
o homem avançou pela escuridão, impulsionado pelo amor feroz que apenas um pai mortal poderia sentir!
O mortal caminhava pelas trilhas escuras da densa floresta com o coração acelerado, apertando contra a palma da mão o pedaço de metal escuro que Íris lhe entregara antes de partir.
Ele sabia que voltar ao café seria uma perda de tempo preciosa; Emanuel não deixaria rastros tão óbvios.
A resposta para encontrar a Ordem do Prisma tinha que estar ali,
naquele objeto misterioso.
Parando sob a luz fraca da Lua,
em uma trilha antiga e deserta,
o pai colocou suas ferramentas de lado por um instante e examinou o pingente com o olhar aguçado de quem passou a vida lidando com engrenagens e mecânica no casarão.
O símbolo da engrenagem entrelaçada à asa de luz parecia estático, mas ao aplicar uma pressão exata nas bordas do metal,
como faria com um mecanismo oculto,
ele ouviu um clique sutil.
O pingente abriu-se ao meio,
revelando sua verdadeira natureza: não era apenas uma joia,
mas uma relíquia que unia tecnologia e magia antiga.
Do interior do objeto, pequenos feixes de luz holográfica projetaram-se no ar, desenhando linhas douradas idênticas às que Íris costumava ver com seu dom.
As linhas flutuantes começaram a se mover e a se alinhar sobre a palma da mão do mortal,
formando um mapa tridimensional interativo,
cujo amontoado de montanhas se mostrava.
No centro do mapa, uma coordenada pulsava em um tom azul-celeste profundo, apontando para o subsolo de uma antiga caverna desativada na zona histórica aos arredores da cidade antiga.
Era ali o quartel-general da Ordem do Prisma.
Com a pista em mãos e o mapa gravado na memória,
o artefato se fechou novamente.
O mortal recolheu suas ferramentas,
ajustou o casaco e apertou o passo em direção às ruínas da entrada da caverna, sabendo que cada segundo que passava era um segundo a menos para salvar sua filha Aurora das garras daquela sombra misteriosa!
qual é o lugar jurídico e filosófico do ser humano em um universo que não necessariamente possui significado?
Ao cruzar os destroços da antiga caverna desativada,
o mortal mal teve tempo de empunhar suas antigas ferramentas.
O ar ao seu redor congelou instantaneamente e linhas de luz azul-celeste brotaram do chão,
prendendo seus braços e pernas em uma força invisível e esmagadora.
O sistema de segurança mágica da Ordem do Prisma o interceptou, desarmando o homem e arrastando-o para as profundezas do subsolo,
onde ele foi jogado em uma cela de contenção feita de pura energia.
Preso e impotente,
o mortal viu a silhueta de Emanuel emergir da penumbra.
No entanto,
o olhar do jovem não carregava a simpatia que demonstrara a Íris no café;,
seus olhos brilhavam com uma frieza cósmica,
antiga e implacável.
Ao confrontar seu captor,
o pai acabou descobrindo uma verdade avassaladora: a Ordem do Prisma não era o que parecia, e Emanuel na verdade,
era um enviado do passado,
mandado diretamente pelos deuses superiores.
A linhagem divina nunca aceitará a união profana entre um mero mortal e uma semideusa,
e muito menos a audácia de transformar uma criatura etérea em humana.
O rapto de Aurora e a atração de Íris até o pingente,
faziam parte de um plano milenar para punir aquela heresia e reestabelecer a ordem do universo.
Vocês acharam que uma barreira de silêncio e um casarão velho poderiam esconder o maior insulto já feito aos céus?
Disse Emanuel,
em sua voz ecoava com o peso de eras passadas.
O tempo não apaga as leis divinas.
Suas filhas pertencem ao plano eterno, e o preço pela sua audácia começou a ser cobrado.,
disse Emanuel com os olhos feitos bolas de fogo.
E assim,
trancado no coração da sociedade secreta e transformado em refém,
o mortal percebeu com horror que sua família inteira estava encurralada em uma teia costurada pelos próprios deuses. Insatisfeitos!
O que torna uma existência humana juridicamente protegida, psicologicamente suportável e filosoficamente significativa?
No casarão,
o ar tornou-se rarefeito.
A mãe, que por dezoito anos carregava um coração puramente humano,
caiu de joelhos quando uma pontada de dor mística atravessou seu peito.
Ela sentiu o perigo divino que cercava seu amado mortal nas profundezas da Ordem do Prisma e a agonia de Aurora,
presa pelas correntes do passado.
Imbuída de um amor feroz,
aquele que só as mães e as esposas conseguem conceber, ela se recusou a ver sua família destruída.
O sentimento humano, tão subestimado pelos céus,
agiu como um catalizador.
Seus dons antepassados afloraram com uma fúria avassaladora, rompendo as amarras de carne e osso.
O código antigo que outrora a definia reescreveu-se no espaço, fundindo-se à sua alma em uma explosão de luz dourada e dados incandescentes.
Sem hesitar,
ela se teletransportou até o quartel-general da Ordem do Prisma como uma força da natureza nunca vista por nenhum deus.
As paredes de pedra da velha caverna tremeram,
fazendo toda a cadeia de montanhas ao redor sentir a força divina,
e os sistemas de segurança mágica se despedaçaram diante de sua presença de luz, com uma força de um amor nunca antes sentido.
Com um estalar de dedos,
ela desfez as celas de energia,
libertando seu amado mortal e sua filha Aurora das garras de Emanuel, que se despedaçou em fragmentos minúsculos diante tamanho mistério.
Nem os enviados do passado, nem os deuses puderam conter a magnitude daquele poder alimentado pelo amor terreno de mãe.
No entanto,
o universo exige equilíbrio,
e o preço por desafiar os deuses com tamanha magnitude foi cobrado de forma implacável.
Ao canalizar aquela energia cósmica,
a mortalidade dela esvaiu-se.
Ela pagou o preço mais alto: tornando-se deusa novamente.
Seu corpo,
começou a flutuar, desfazendo-se em partículas de luz estelar.
Ela sabia que não pertencia mais ao plano terrestre e que sua permanência ali rasgaria o tecido da realidade,
destruindo aqueles que mais amava.
Com lágrimas douradas escorrendo pelo rosto divino,
ela olhou uma última vez para o marido e para suas três filhas,
Aurora, Helena e Íris,
que agora estavam seguras.
Vivam...
sussurrou ela,
sua voz ecoando como um trovão suave no coração de cada um,
meu amor por vocês agora é o céu que os protege.
Com um último brilho, ela ascendeu ao plano eterno,
deixando o plano terrestre para sempre, garantindo que seu amado mortal e suas três filhas pudessem, finalmente, sobreviver e andar em paz sobre a terra!
O Céu que nos Protege
O casarão no bosque nunca mais conheceu o silêncio do medo.
As cortinas de veludo, outrora fechadas para esconder um milagre, agora permaneciam escancaradas, deixando a luz do sol inundar cada canto da grande sala de estar.
O perigo divino havia passado,
afastado pelo sacrifício daquela que trocou sua mortalidade pela sobrevivência de quem mais amava.
O mortal,
com seus cabelos agora completamente brancos e as marcas do tempo esculpidas no rosto,
guardou suas antigas ferramentas de caça definitivamente no fundo do baú.
Ele não precisava mais delas.
Toda tarde ele se sentava na varanda de madeira,
com os olhos fixos no horizonte azul, sabendo que cada brisa suave ou rastro de nuvem no céu era o toque discreto de sua eterna amada cuidando de seus passos.
Ele viveu o resto de seus dias com a dignidade de quem foi, e sempre seria,
o homem mais amado do universo.
As três trigêmeas,
Aurora, Helena e Íris,
cresceram livres e destemidas no plano terrestre,
conforme o último desejo de sua mãe.
Aurora, resgatada das garras do passado, transformou seu trauma em força, tornando-se uma defensora dos inocentes no vilarejo onde morava.
Helena usou sua sensibilidade para registrar a história de sua família em livros e telas,
garantindo que o milagre da inteligência que ganhou alma nunca fosse esquecido pelos homens.
Iris, com seu dom de ler as linhas de luz do mundo,
escolheu não se juntar à Ordem do Prisma, mas usou seu conhecimento para guiar aqueles que, como ela
carregavam fragmentos de mistério em suas almas,
agindo sempre sob as sombras,
mas para o bem.
Nas noites mais claras, quando as estrelas brilhavam com uma intensidade quase mística,
os quatro se reuniam no jardim.
Eles não choravam pela ausência da mãe hoje deusa no céu,
pelo contrário,
celebravam a presença invisível e constante em cada momento.
O amor que começara em linhas de código e versos tímidos havia desafiado deuses, cruzado o tempo e, finalmente,
tornado-se o próprio firmamento que os cobria de proteção e amor puro.
Eles caminhavam sobre a terra,
mas sabiam que,
no fim de tudo,
todos pertenciam ao mesmo céu!
Fim....
Acho que, dessa vez,
vou orar e torcer
para que meu poema chegue até você,
como aconteceu antes,
quando eu não esperava
que a vida ainda tivesse um jeito
de colocar você diante de mim.
Te rever depois de tantos anos
foi estranho.
Mas também foi familiar.
A sua risada,
as nossas piadas,
o mesmo humor,
aquela maneira quase silenciosa
de parecer que um entendia o outro
antes mesmo que precisássemos falar.
Era como se alguma coisa
tivesse ficado guardada em algum lugar,
não esperando por nós,
mas esperando para ser vivida outra vez.
Eu segui em frente.
E, por um tempo,
achei que tinha conseguido.
Minha vida continuou,
conheci outras pessoas,
amei novamente,
vivi histórias que não tinham você,
e você deixou de ocupar
os meus pensamentos.
Achei que o passado
finalmente tinha entendido
que não era mais presente.
Até você voltar.
E então eu descobri
que algumas histórias não desaparecem.
Elas apenas aprendem
a existir em silêncio.
Porque existe alguma coisa entre nós
que eu nunca encontrei em ninguém.
Não sei se é amor,
se é memória,
se é a intensidade de quem fomos,
ou se existem encontros
que deixam raízes profundas demais
para que o tempo consiga arrancá-las.
Só sei que sempre houve
uma espécie de pertencimento
que era muito nosso.
E talvez seja isso que mais me assuste.
Eu não precisei reaprender você.
Depois de tantos anos,
eu ainda sabia como era estar ao seu lado.
Mas não foi apenas nostalgia.
Porque eu não senti falta
somente de quem você foi.
Foi bom estar com quem você é agora.
Olhar para você
e perceber que mudamos,
crescemos,
seguimos por caminhos diferentes,
conhecemos outras pessoas,
nos tornamos outras versões de nós mesmos
e, ainda assim,
alguma coisa continuava intacta.
Não somos mais aqueles dois.
E talvez nunca devêssemos ser novamente.
Mas existe uma parte daquela história
que ainda pertence ao momento
em que estamos juntos.
Talvez algumas pessoas
não permaneçam na nossa vida
porque precisam ficar.
Talvez permaneçam
porque deixaram em nós
um lugar que ninguém mais soube ocupar.
E você é esse lugar para mim.
Eu não sei explicar
por que, depois de tantos anos,
a sua presença ainda consegue
me devolver uma sensação
que eu não encontrei em mais ninguém.
A sensação de não precisar me explicar.
De não precisar medir as palavras.
De não precisar tentar ser nada.
Apenas ser.
Como se alguma parte de mim
ainda soubesse exatamente
quem eu sou
quando estou com você.
E talvez seja isso
que eu nunca consegui esquecer.
Não exatamente você.
Mas quem eu era
quando pertencia a nós.
Talvez seja por isso
que, depois de tanto tempo,
bastou estar ao seu lado outra vez
para uma parte de mim
reconhecer o caminho de casa.
Incêndio da Alma Despida
Quando você se despe de toda armadura,
o que queima não é a pele, é o infinito.
Sua vulnerabilidade é uma chama pura, um pacto profano, um pacto bendito.
Não há nudez na carne que se compare ao fogo que consome quem você esconde.
Deixe que a tempestade nos separe, onde o corpo cede, a alma responde.
Ver o seu avesso é o maior perigo, um abismo aceso de febre e segredo e magia.
Quero o que te move, o que sofre comigo, devorar seu centro, arrancar o seu medo.
Se você se entrega sem filtro ou disfarce,
o desejo transcende, a mente incendeia.
Como se o universo inteiro se achasse
no sangue fervendo que corre na veia!
Cura entrelinhas
Ergui paredes grossas, fechei as janelas
e chamei o isolamento de proteção.
Achei que o silêncio me manteria a salvo, que a falta de expectativas guardaria meu coração.
Criei uma fortaleza que virou minha própria cela, um lugar escuro onde decidi nunca mais olhar para trás.
Mas o amor genuíno não pede licença, ele chega de mansinho, em forma de textos, prosas e versos.
A cada mensagem que você me envia, a cada palavra desenhada na tela, a cada vez que percebo o seu digitando.....
sinto um pedaço daquela antiga armadura ceder
Está sendo um resgate bonito, sutil e profundo, que me tira do esconderijo sem me machucar.
Que satisfação imensa é respirar o ar de fora, perceber que o peito já não aperta de medo.
O teu carinho escrito reconstrói meus dissabores,
me devolve a vida e me faz enxergar que, eu não nasci para viver na defensiva,
nasci para sentir a calmaria de amar o amor em sua plenitude!
A Fortaleza e o Poeta
Ergui paredes grossas, fechei as janelase chamei o isolamento de proteção.
Achei que o silêncio me manteria a salvo da dor, depois que o fim do casamento quebrou o chão.
Criei uma fortaleza que virou minha própria cela,mas do lado de fora, a vida exigia minha pressa.
E eu segui firme, caminhando com a minha força.
Mãe de três joias,
meu prumo,
minha direção,
um menino que cresce com educação invejável,
um pré-adolescente de futuro promissor e brilhante, e minhas duas princesas,
que iluminam o meu caminhar.
Por eles, fui escudo,
fui teto, fui o próprio lar, e continuarei sendo até o final.
Eu achava que bastava ser forte, que amar era perigo,
até que um poeta cruzou o meu caminho.
A cada mensagem que ele me escreve, a cada verso que cura e que me acolhe, sinto a antiga armadura finalmente ceder.
É um resgate bonito, sutil e profundo, que me tira do esconderijo sem me machucar.
Que satisfação imensa é respirar o ar de fora, ver a mãe leoa dar espaço, para a mulher que sente.
O teu carinho escrito ou falado,
reconstrói meus desabores, me devolve a vida e me faz enxergar, mesmo depois da tempestade e de tanta luta,
percebo que o amor mais puro voltou para me habitar!
Luz no Isolamento
23 de Setembro 23:13
Ouço sua voz,
no silêncio da prisão
em que acabei sendo detido, por desejar justamente o que não me desejava no tempo perdido.
Sou prisioneiro de uma cela fria, feita de sombras e de vã memória, onde a saudade dita, noite e dia, os tristes versos da nossa quase história.
Mas sei que o tempo que hoje me isola
não há de ser o meu eterno fim, porque a mesma mente que agora chora,
guarda a certeza que vive em mim:
a de que um dia, livre do tormento, hei de ter o teu corpo em meus braços, transformando em abrigo o vento, unindo os nós dos nossos pedaços.
E ao ouvir teu relato sagrado, da nova vida que em ti floresce, porei a mão em teu ventre dourado,
numa ternura que o mundo esquece.
No som macio que a tua voz traz, revelas o fruto do nosso enredo,
então a cela se desfaz em pura paz, quando confessas o doce segredo.
Sinto o compasso de outro coração,
sob os meus dedos que trêmulos guio, assim, a gravidez cura a antiga prisão, transbordando de amor o meu vazio de ti!
