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Tem amores que começam numa conversa despretensiosa e, quando você percebe, já mudaram o lugar onde o coração morava.
Se até o Barulho das nossas lágrimas chega aos Céus, imagina o Barulho da nossa Oração!
Façamos Barulho!?!
Não o Barulho que incomoda o próximo, mas aquele que desperta a nossa própria alma.
O Barulho de quem se recusa a Desistir, de quem ainda acredita, de quem, mesmo sem compreender os caminhos, continua conversando com Deus.
Há lágrimas que não encontram palavras.
Há dores que não cabem em discursos.
Há noites em que a única oração possível é o silêncio entre um soluço e outro.
E, ainda assim, Deus ouve.
Porque oração não é apenas aquilo que os lábios pronunciam.
Às vezes, oração é o coração cansado dizendo: “Senhor, eu não sei mais o que fazer, mas continuo aqui.”
Se nossas lágrimas chegam aos Céus, nossa oração também chega.
Cada clamor, cada pedido, cada agradecimento, cada “me ajuda, Deus” é uma forma de dizer que ainda existe fé — mesmo quando ela parece tão pequena.
Façamos Barulho, então.
Barulho de joelhos dobrados.
Barulho de corações que perdoam.
Barulho de mãos que ajudam.
Barulho de quem escolhe a esperança quando seria mais fácil entregar-se ao desânimo.
Barulho de quem ora pelos seus, mas também aprende a orar por quem pensa diferente.
E talvez o maior Barulho que possamos fazer diante de Deus não seja aquele que ecoa na nossa voz, mas aquele que acontece dentro de nós quando a oração transforma medo em confiança, angústia em esperança e revolta em propósito.
Não precisamos gritar para que Deus nos escute.
Mas precisamos falar com Ele para que nós mesmos não nos esqueçamos de que não estamos sozinhos.
Então, quando faltar força, ore.
Quando sobrar dor, ore.
Quando a resposta parecer tão distante, ore.
Quando a bênção chegar, ore também.
Porque oração não é somente pedir que Deus mude as circunstâncias.
É permitir que Deus transforme quem somos enquanto atravessamos as circunstâncias.
Se até o Barulho das nossas lágrimas chega aos Céus, imagina o Barulho da nossa Oração!
Façamos Barulho!?!
Mas que seja um Barulho de fé.
Um barulho de esperança.
Um barulho de amor.
Um barulho que comece no coração, atravesse os lábios e termine nas mãos — em atitudes capazes de tornar o mundo um pouco mais humano.
Façamos Barulho diante dos Céus…
e silêncio suficiente dentro de nós para conseguir ouvir a resposta.
Me ame como o alvorecer ou o cair do dia, como a brisa ou como o vento.
Me ame como as gotas de um sereno breve ou derrame-se feito tempestade violenta.
Me ame feito o canto dos pássaros, leve, suave, mas que se perde no firmamento.
Gentileza é a declaração d'uma alma que transborda humildade e passa pela vida do outro, tocando-o com carinho.
Existe uma velha parábola sobre um jardim lindo por fora, cheio de flores coloridas na entrada, mas com as raízes completamente podres por baixo da terra. De longe, impressiona. De perto, desmorona ao primeiro vento forte. O Brasil, muitas vezes, parece exatamente esse jardim.
Na superfície, discursos bonitos, propaganda colorida, promessas de campanha. Mas embaixo da terra, a realidade é outra: violência gratuita tirando vidas todos os dias, como se sangue nas ruas já fosse paisagem normal. Guerras urbanas travadas entre facções enquanto o poder público assiste de longe, fingindo não perceber.
A educação, que deveria ser raiz forte, está sucateada, professores mal pagos tentando florescer em solo seco. A saúde vive eternamente em sala vermelha, emergência constante, sem estrutura para cuidar de quem mais precisa. O judiciário, que deveria julgar com justiça, muitas vezes emperra, decide tarde, protege quem tem poder e esquece quem tem fome.
E ainda assim, mesmo diante desse caos visível e doloroso, uma parte do povo insiste em acreditar que o Brasil tem jeito. Talvez essa teimosia seja exatamente o que sustenta o país de pé: não é o governo que salva, é o povo mesmo que resiste, planta de novo, mesmo sabendo que a colheita ainda está distante.
Aviso de textão, um pouco de minha visão de vida para outras pessoas que se interessarem:
Hoje tenho 37 anos e nunca consegui ter um relacionamento romântico, não por falta de tentativa, pois tentei desde contatos diretos, apresentação por amigos, uso de aplicativos, conversas por rede social e etc. Se fosse para eu dizer o porque de eu não conseguir eu diria que o problema seria exclusivamente meu, desde minha aparência, a maneira como eu porto, minha personalidade... Enfim, hoje acredito que todas minhas chances acabaram e, de certa forma, até consigo aceitar bem isso.
Entretanto, as vezes fico triste com o pensamento de que não poderei dar netos aos meus pais, que sempre quiseram. Também tenho reparado que me coloco em muita baixa estima, algo que um amigo meu já até me disse uma vez, falando que eu deveria parar de me subestimar, o problemo é que eu acho que na verdade eu me superestimo até.
Sempre tive e até hoje tenho uma imaginação muito vívida, gosto de criar e contar histórias e frequentemente me perco em pensamentos nessas histórias, e como todo mundo já fez, também colocava alguns self inserts meus, antigamente eu me colocava na posição de protagonista, de heroi, daquele que enfrenta a jornada e tem um final feliz, hoje eu já me vejo como um personagem trágico, sem lugar, que tenta ser aceito e acaba expulso e que, se muito, as vezes faz um sacrifício trágico, isso me incomodou a ponto de nunca mais fazer um self insert, no máximo como um secundário esquecível.
Em relação a como me vejo fisicamente, por muito tempo se me perguntassem eu me descreveria como terrivelmente feio, apesar de que quando criança me achava especial, especial de verdade. Se perguntasse ao meu eu criança, como ele seria hoje, mais velho, aos 37 anos, ele com certeza responderia que estaria casado e com filhos já, afinal eu me enxergava como um verdadeiro protagonista.
Em relação a relacionamentos e namoradas eu me via apenas como tímido, mas achei que superando essa barreira, assim como outros amigos meus, também teria uma namorada, mas tive um choque, que ainda me lembro bem, quando as garotas da minha sala, isso quando eu tinha por volta de 13 anos, fizeram uma lista dos garotos mais bonitos da sala e meu nome aparecia entre os mais feios. Isso se repetiu no ensino médio, onde novamente meu nome estava entre os piores. O ensino médio aliás foi uma experiência estranha, durante meu primeiro ano eu tenho a lembrança e sensação de que foi o ano mais solitário da minha vida, havia mudado de escola, mas isso era comum para todo mundo, pois era uma escola de ensino médio apenas, até tinha alguns amigos meus lá, porém eram de outra turma, tentei me enturmar com alguns colegas, mas em trabalhos em grupo eles me deixavam de lado para se misturarem com outras pessoas e, em mais de uma ocasião, cheguei a ficar sozinho e até receber um zero por não ter um grupo, o que foi um dos capítulos mais vexatórios da minha vida, além disso o único momento em que eu me sentia muito feliz e que eu ansiava era o horário de ir embora, pois pegava um ônibus cheio de outros alunos de outras turmas, que se interagiam tão bem que me dava apenas vontade de ficar assistindo eles, nunca cheguei a interagir com esse grupo, mas gostava demais de vê-los. No ensino médio ainda algumas garotas em especial pareciam gostar de me provocar, quando rolou um boato de que eu tinha uma namorada, pois eu tinha saído com uma prima e encontrei um colega de sala no shopping, algumas até expressaram choque absoluto, como se fosse um acontecimento impossível, o que me incomodou, pois se todo mundo podia, por que logo eu não? Após o primeiro ano consegui fazer amigos o suficiente para formar um grupo, minha timidez também já não era um problema, não me sentia solitário de amigos, mas também não conseguia um relacionamento.
Na faculdade já não tive problemas de amizade, seja com homens ou mulheres, mas ainda tinha essa situação que me incomodava, um amigo meu uma vez presenciou as pessoas falando algo de mim, mas ele pareceu tão incomodado que nunca disse nada do que ouviu. Novamente uma garota me interessou e dessa, acho que pela primeira vez, senti uma paixão genuína, tentei mudar minha forma de comunicar, busquei uma amizade inicial que deu certo, trocávamos muitas mensagens e, em certo ponto, cheguei a realmente acreditar que ela podia estar retribuindo o sentimento, contudo, em um dia em que ela passou mal e não foi a aula, enviei uma mensagem para peguntá-la como se sentia, um outro colega de sala, usando o celular dela, respondeu que era o namorado dela e que não era para mandar mensagem, eu sabia que era mentira, o que de fato era, pois ela disse que ele fez isso depois, mas ainda assim não consegui deixar de me sentir humilhado e exposto, pois ele parecia saber tudo o que eu tinha conversado com ela, depois até ouvi que ela tinha um certo interesse nele e esse meu amigo ouviu dizer que falaram que ela tentou fazer ciúmes nele através de mim, a única vez em que a chamei para sair ela inclusive foi com ele, o que me fez sentir como trouxa e desistir de vez, em relação a minha aparência eu queria, sentia que precisava ouvir, que era feio e consegui manipular uma discussão com uma outra colega minha onde eu apontava minhas qualidades me colocando acima, dizendo coisas como "pelo menos sou engraçado", "pelo menos tenho notas boas", até que ela finalmente disse "mas você é feio", naquele momento em que ouvi essas palavras pareceram que tudo se encaixou e aquela situação que disse mais cedo, das histórias, do protagonismo, de como me enxergava, foram lentamente mudando onde meu self insert era cada vez menos um personagem relevante e cada vez mais um secundário dispensável. Após a faculdade e já na vida adulta novamente permaneci sem qualquer perspectiva de romance ou relacionamentos, em aplicativos de namoro pareço conseguir curtidas apenas de pessoas que dão like em todo mundo ou homossexuais (nada contra, mas não é o que eu possa retribuir, aliás nesse nicho em específico foi o único que recebi várias cantadas na vida, talvez eu devesse jogar no outro time...), sendo que quando alguém finalmente retribuia o like, a pessoa imediatamente desfazia o crush, cheguei até mesmo a ser banido do tinder, quando uma mulher um pouco mais bonita deu match e eu enviei apenas uma mensagem de "Oi, tudo joia?", sendo banido com justificativa de assédio, provavelmente por denúncia dela que não gostou de me ver entre seus crushes.
Em questão física tenho boa saúde, emprego e faço academia regularmente, tenho boa família e alguns amigos realmente leais, apenas esse vazio e essa baixa estima em mim mesmo.
Mas o que eu considero meu pior defeito e minha maior vergonha é que hoje me vejo como um homem fraco, que não honra o papel de homem, acredito ser emocional demais e luto muito com o controle de minhas emoções, já cheguei a ponto de, em uma discussão séria, ter perdido tanto o controle de minhas emoções que tive de sair para chorar escondido e passar um tempo sem que não deixasse ninguém me ver ou perceber, para que esse descontrole e choro não fosse exposto, pois isso é atitude de um fraco, um homem de verdade encara suas discussões de frente e não chora escondido como um covarde frágil, sendo sincero até me emocionei um pouco enquanto eu escrevia esse texto, outra prova de minha fraqueza.
Em relação a meu vazio não sei dizer se ele é existencial, pois nunca considerei de verdade alternativa mais fatal. Encontro minhas forças em orações discretas, sou católico, mas não sou praticante fervoroso, faço minhas orações mais em casa, de forma mais discreta, desabafo durante minhas orações e isso me faz sentir melhor.
Como disse tenho uma vida boa, não posso reclamar, apenas as vezes penso se não tentei demais ou se tentei foi pouco realmente.
Alma viva de mambisa,
com mariposas blancas
adornando os cabelos;
mistérios ou segredos
não nos cabem, porque
muito nos queremos.
O nosso sentimento tem
honra e a igual mística
de Daniela e Alejandro:
manter a chama viva
é o nosso compromisso.
Não há único dia em que
a igual intensidade
de Coalina e Nerey
não ande fazendo
a nossa amorosa lei.
Só sei que para nós,
o que eu quero é que
disso a gente consiga
superar os desafios,
e consigamos sair dessa
sãos, salvos e vivos
para dar o testemunho
de que o amor supera tudo.
De tanto ser mal interpretado e ter minhas falas concluídas por mim, sempre supondo o pior, o silêncio tornou-se o lugar mais seguro.
Não por falta de sentimentos ou de coisas a dizer, mas porque cansei de explicar minhas intenções a quem já decidiu enxergar em mim aquilo que queria condenar.
As borboletas do meu estômago discutem qual direção seguir, enquanto meu coração insiste em não desistir.
Uma voa rumo ao novo, outra pensa em ficar, e há quem sussurre baixinho que ainda vale a pena tentar.
No fim, nenhuma escolhe partir.
Elas apenas continuam voando, até que o destino decida em qual abraço irá florir.
UM BRASIL QUE AINDA PRECISA APRENDER A ESCUTAR
Há riquezas que podem ser medidas em toneladas, hectares, barris ou cifras. E há outras que não cabem em nenhuma contabilidade. Vivem na memória de um povo, atravessam gerações e sobrevivem na maneira como alguém chama a chuva, nomeia uma árvore, conta uma história ou ensina uma criança a compreender o mundo.
O Brasil possui uma dessas riquezas: sua extraordinária diversidade indígena.
Muito antes de existir um país chamado Brasil, antes de nossas fronteiras, nossas cidades, nossas instituições e até mesmo da língua portuguesa chegar a estas terras, diferentes povos já habitavam este território. Não formavam uma única cultura, não falavam uma única língua e não possuíam uma única maneira de compreender a existência. Eram e continuam sendo muitos povos, com histórias, cosmologias, conhecimentos, organizações sociais e identidades próprias.
Talvez esteja justamente aí um dos grandes equívocos que ainda carregamos: falar dos povos indígenas como se fossem uma única realidade.
Não são.
O Brasil abriga centenas de povos indígenas e uma diversidade linguística impressionante. Cada língua preservada representa muito mais do que um conjunto de palavras. Dentro de uma língua existe uma maneira particular de organizar o pensamento, compreender a natureza, transmitir conhecimento, estabelecer relações e guardar a memória dos antepassados.
Quando uma língua desaparece, portanto, não desaparecem apenas palavras.
Desaparece uma biblioteca que talvez nunca tenha sido escrita.
Desaparecem histórias, conhecimentos sobre plantas, animais e territórios; desaparecem cantos, mitos, formas de educar, maneiras de interpretar a vida e experiências acumuladas durante séculos.
Por isso, preservar uma língua indígena não significa conservar uma curiosidade do passado. Significa proteger uma parte do patrimônio humano.
E talvez precisemos reconhecer algo ainda mais incômodo: durante muito tempo, o Brasil aprendeu a enxergar os povos indígenas através dos olhos de quem chegou depois deles.
Criamos uma imagem simplificada do “índio”: alguém distante, parado no tempo, vivendo exclusivamente na floresta e obrigado a corresponder a uma representação construída séculos atrás.
Mas um indígena não deixa de ser indígena porque frequenta uma universidade, utiliza um telefone celular, escreve livros, participa da política, exerce uma profissão ou vive numa cidade.
Nenhum de nós precisa permanecer preso ao século de seus antepassados para provar sua identidade.
Por que exigiríamos isso justamente dos povos originários?
Tal preconceito revela algo profundo: muitas vezes aceitamos a presença indígena enquanto ela permanece confinada ao nosso imaginário. O problema começa quando essas pessoas deixam de ser personagens do passado e aparecem no presente estudando, ensinando, produzindo conhecimento, ocupando espaços públicos e falando por si mesmas.
E é exatamente aí que precisamos aprender a escutar.
Durante séculos, muita gente falou sobre os povos indígenas.
Talvez tenha chegado o tempo de ouvir mais os próprios povos indígenas.
Ouvir suas línguas.
Seus professores.
Seus escritores.
Seus artistas.
Suas mulheres e seus homens.
Seus jovens e seus anciãos.
Suas diferentes maneiras de compreender território, comunidade, natureza, ancestralidade e futuro.
Isso não significa transformar culturas indígenas em algo intocável ou idealizado. Povos indígenas são sociedades humanas, diversas, contemporâneas e em permanente transformação. Respeitá-los verdadeiramente significa justamente abandonar tanto o preconceito quanto a romantização.
O Dia dos Povos Indígenas, celebrado em 19 de abril, pode servir para isso: não apenas homenagear, mas questionar o modo como aprendemos a contar a história brasileira.
Porque os povos indígenas não são um capítulo introdutório da história do Brasil.
Eles atravessam a história inteira.
Estavam aqui antes de o Brasil receber esse nome. Estiveram presentes durante a colonização, o Império e a República. Resistiram a epidemias, expulsões, escravização, deslocamentos e inúmeras tentativas de assimilação cultural. E continuam aqui, participando da construção do país no século XXI.
Talvez, portanto, a maior homenagem que possamos fazer não seja olhar para os povos originários como lembrança de um Brasil antigo.
É reconhecê-los como parte indispensável do Brasil presente.
Um país que perde suas línguas empobrece sua memória.
Um país que ridiculariza seus povos originários ridiculariza uma parte de sua própria história.
E um país que aprende a respeitar suas diferenças começa, finalmente, a compreender a própria riqueza.
Valorizar os povos indígenas não é voltar ao passado.
É impedir que o futuro seja construído sobre o esquecimento.
E talvez o Brasil ainda tenha muito a aprender com aqueles que estavam aqui muito antes de começarmos a chamá-lo de Brasil.
Eu escrevo não porque sou escritora ou poeta, mas porque há sentimentos que só se salvam quando viram poesia.
Um hOMEM me perguntou isso:
Por que todos normalizam o feminismo, mas sempre jugam o machismo?
Eu tenho que responder isso?
O puxa saco, puxa tanto o saco,
que a pessoa que ele puxa o saco,
fica até sem saco,
com o puxa saco...
"A graça de Deus não limpa apenas o nosso passado; ela muda completamente a nossa identidade e o nosso propósito."
O maior sinal de que a nossa humanidade está em pleno declínio é a atual tendência de pessoas tratarem animais igual a gente e gente igual a animais."
Por que ensinamos mulheres a reconhecer o perigo, quando também deveríamos ensinar os homens a não serem o perigo?
