Pensamentos Mais Recentes
Jesus Cristo foi crucificado pelo homem, pagando pelos pecados dos próprios que O crucificaram. — Raifran Alencar
"O QUE SOMOS HOJE, É FRUTO DAS NOSSAS ESCOLHAS ONTEM. SE ESCOLHEMOS SÓ FAZER ÀS COISAS FÁCIES A VIDA SERÁ DIFÍCIL" Ademar de Borba
A teologia cristã foi uma maneira mais barata de transmitir os ensinos das Escrituras, numa época em que os livros eram caros e a Bíblia só se popularizou após a Reforma Protestante.
Hoje, temo muito menos o fim da vida do que o teatro da Despedida — Velórios encenados, a turma da moral ensaiada e as gargalhadas condenadas.
Há algo profundamente perturbador na maneira como a sociedade administra a morte, sobretudo quando transforma a dor em espetáculo, o luto em obrigação social e a memória em tribunal de comportamentos.
Parece que, diante da finitude, não basta morrer: é preciso deixar uma imagem conveniente, uma reputação preservada e uma história que agrade aos vivos.
Até a Despedida, que deveria pertencer à intimidade dos sentimentos, acaba submetida à vigilância dos costumes.
Vivemos numa sociedade que, muitas vezes, confunde respeito com solenidade, dignidade com aparência e sensibilidade com representação.
Nos velórios, surgem personagens que parecem conhecer de cor o roteiro da comoção: os discursos cuidadosamente calculados, os gestos de pesar, as expressões compungidas e aquela moralidade repentina que, curiosamente, nem sempre encontrou espaço durante a vida de quem agora recebe homenagens.
É uma contradição humana, mas também sociológica: somos capazes de negligenciar alguém em vida e disputar, depois de sua morte, o protagonismo da saudade.
A ausência torna-se palco para presenças interessadas.
E aqueles que pouco fizeram para aliviar as dores de alguém, por vezes, são os primeiros a reivindicar autoridade sobre a maneira como essa pessoa deve ser lembrada.
Há também uma espécie de patrulhamento emocional que merece reflexão.
Como se a tristeza tivesse uma única linguagem, como se o sofrimento precisasse obedecer a um protocolo e como se sorrir, recordar uma passagem engraçada ou até gargalhar diante de uma lembrança feliz fosse uma afronta à morte.
Mas quem estabeleceu que o amor precisa vestir luto em tempo integral?
Quem determinou que a saudade não pode sorrir?
Talvez tenhamos esquecido que a vida de alguém não foi feita apenas de seus últimos dias, de sua enfermidade ou de seu desaparecimento.
Foi feita de encontros, excessos, contradições, defeitos, pequenas loucuras, alegrias improváveis e momentos em que uma gargalhada valeu mais do que mil discursos.
Por que, então, permitir que a morte apague justamente aquilo que havia de mais vivo nessa existência?
A filosofia nos ensina que a finitude deveria nos aproximar do essencial.
A sociologia, entretanto, revela como até a morte pode ser capturada pelas convenções, pelas hierarquias, pelos interesses e pela necessidade coletiva de preservar aparências.
Entre uma e outra, permanece o ser humano, tentando compreender o irreversível e, não raro, transformando o mistério da partida numa encenação de virtudes.
Não defendo a insensibilidade, tampouco o desprezo pelo luto.
Cada pessoa tem o direito de sofrer à sua maneira, no silêncio, nas lágrimas, na revolta ou até na aparente indiferença.
O que questiono é a pretensão de alguns de fiscalizar a dor alheia, distribuir certificados de respeito e estabelecer regras para sentimentos que jamais lhes pertenceram.
Afinal, há lágrimas sinceras que não precisam de plateia, assim como existem homenagens grandiosas que não conseguem esconder a ausência de afeto.
Há quem chore porque perdeu alguém e há quem chore porque perdeu a oportunidade de parecer alguém.
A diferença nem sempre é visível, mas a consciência, quando não está anestesiada, costuma percebê-la.
Talvez a despedida mais bonita não seja aquela cercada de discursos impecáveis, flores numerosas e solenidades intermináveis.
Talvez seja aquela em que a memória tenha liberdade para contar a verdade inteira: lembrar os acertos sem santificar, reconhecer os erros sem condenar e celebrar a humanidade de quem partiu sem transformá-lo numa personagem inventada para satisfazer os vivos.
Porque morrer é um acontecimento inevitável; transformar a morte em teatro é uma escolha social.
E, se existe alguma forma de honrar verdadeiramente uma vida, talvez ela esteja menos na coreografia dos últimos adeuses e mais na coragem de ter oferecido presença, respeito, afeto e compreensão enquanto ainda havia tempo.
Que não nos faltem lágrimas quando a tristeza transbordar, mas que também não nos proíbam os sorrisos quando a saudade trouxer uma lembrança feliz.
Que saibamos respeitar o silêncio de quem chora e a espontaneidade de quem recorda.
Afinal, a morte já é suficientemente definitiva para que os vivos ainda precisem aprisionar a memória em convenções.
No fim das contas, não é a gargalhada diante da morte que revela falta de respeito pela vida.
Às vezes, é justamente a incapacidade de compreender que alguém também merece ser lembrado sorrindo que denuncia o quanto ainda desconhecemos a própria vida.
O ser humano é obcecado pela ideia de fazer justiça, mas esquece-se de que a sua própria imperfeição é, muitas vezes, o maior obstáculo à sua concretização. Furucuto, 2026
Em tempos de tanta Polarização, tudo se divide — até o pensar: de um lado, quem pensa, do outro, quem finge fazê-lo.
Vivemos uma época em que as convicções parecem valer mais do que as ideias, as opiniões se sobrepõem aos argumentos e o pertencimento a um grupo frequentemente se torna mais importante do que o compromisso com a verdade.
A sociedade, fragmentada em trincheiras ideológicas, transformou o debate público em disputa, a divergência em ameaça e o pensamento em uma espécie de território cercado por certezas inegociáveis.
Pensar, entretanto, exige algo que a Polarização não costuma tolerar: a capacidade de duvidar.
Exige reconhecer que a realidade é complexa, que nenhuma corrente política, ideológica ou filosófica detém o monopólio da razão e que a verdade não se torna absoluta apenas porque encontra eco entre aqueles que compartilham nossas crenças.
O verdadeiro exercício do pensamento começa justamente quando somos capazes de questionar aquilo em que acreditamos.
É quando abandonamos, ainda que por instantes, o conforto das nossas próprias certezas e nos permitimos enxergar o mundo para além das lentes que escolhemos usar.
Afinal, pensar não é simplesmente ter opinião; é submetê-la ao confronto dos fatos, à inquietação da dúvida e à honestidade intelectual.
Há, contudo, uma diferença cada vez mais evidente entre pensar e representar o pensamento.
Nunca tivemos tanto acesso à informação, tantas plataformas para nos expressar, tantas vozes disputando atenção.
E, paradoxalmente, talvez nunca tenhamos confundido tanto informação com conhecimento, visibilidade com inteligência e eloquência com sabedoria.
Nas redes sociais, multiplicam-se especialistas instantâneos, verdades embaladas em frases de efeito e julgamentos proferidos antes mesmo que os fatos sejam compreendidos.
A reflexão cede espaço à reação; a escuta, ao ruído; o argumento, ao ataque.
Já não se busca necessariamente compreender o outro, mas derrotá-lo.
Não se procura ampliar horizontes, mas confirmar preconceitos.
Sociologicamente, esse fenômeno revela uma sociedade em que a identidade coletiva, muitas vezes, se sobrepõe à autonomia individual.
As pessoas passam a pensar não exatamente a partir daquilo que compreendem, mas daquilo que seu grupo espera que pensem.
A opinião transforma-se em senha de pertencimento, e a discordância, em risco de exclusão.
Assim, muitos deixam de defender ideias para defender identidades, como se rever uma posição fosse sinal de fraqueza, e não manifestação de maturidade.
No Brasil, essa realidade ganha contornos particularmente inquietantes.
Nossas diferenças políticas, históricas, econômicas e culturais, que poderiam alimentar um debate democrático enriquecedor, são frequentemente convertidas em instrumentos de hostilidade.
Esquerda e Direita, conservadores e progressistas, governo e oposição: categorias legítimas da vida democrática passam, não raro, a funcionar como fronteiras morais, separando pessoas entre as que merecem ser ouvidas e as que devem ser desqualificadas.
Mas há algo ainda mais preocupante: a transformação da ignorância em orgulho e da intolerância em virtude.
Em determinados ambientes, admitir que não se sabe tornou-se quase uma vergonha; reconhecer um mérito no adversário, uma traição; mudar de opinião, uma derrota.
E quando uma sociedade perde a capacidade de rever suas próprias convicções, começa a perder também sua capacidade de evoluir.
A Democracia, porém, não se sustenta na unanimidade, tampouco na submissão intelectual.
Sua grandeza reside precisamente na convivência entre diferenças, na liberdade de questionar e na disposição de reconhecer a legitimidade do contraditório.
Democracia não é o triunfo permanente de um lado sobre o outro, mas a construção cotidiana de espaços nos quais ninguém precise renunciar à própria dignidade para defender suas ideias.
Talvez seja necessário recuperar uma virtude aparentemente esquecida: a Humildade Intelectual.
Aquela que nos ensina que podemos estar certos em algumas questões e profundamente equivocados em outras; que o conhecimento não nos torna superiores, mas mais conscientes dos limites daquilo que sabemos; e que a inteligência não se mede pela capacidade de vencer discussões, mas pela disposição de aprender com elas.
No fundo, pensar é um ato de liberdade, mas também de responsabilidade.
Liberdade para não aceitar verdades fabricadas; responsabilidade para não transformar opiniões em sentenças, convicções em dogmas e diferenças em inimigos.
E talvez a maior tragédia dos nossos tempos não seja o fato de as pessoas pensarem de maneiras diferentes, mas o fato de tantas terem desistido de pensar por si mesmas, preferindo repetir, compartilhar e combater ideias que, muitas vezes, sequer se deram ao trabalho de compreender.
Porque uma sociedade não empobrece apenas quando lhe falta educação, cultura ou conhecimento.
Empobrece também quando perde a disposição de dialogar, quando deixa de fazer perguntas e quando passa a confundir fidelidade a uma causa com fidelidade à verdade.
Que não nos faltem, portanto, Coragem para discordar, Sensibilidade para escutar, Lucidez para reconhecer os erros e Grandeza para mudar de opinião.
Afinal, entre o Pensar e o Fingir Pensar existe uma distância imensa: a mesma que separa a consciência da conveniência, o conhecimento do preconceito e a Liberdade Intelectual da submissão às multidões.
Em tempos tão polarizados, talvez o gesto mais revolucionário não seja escolher um dos lados, mas preservar a capacidade de Pensar, inclusive contra o próprio lado.
Porque, quando todos disputam o direito de ter razão, poucos se dão ao trabalho, muito mais difícil e necessário, de buscar a verdade.
Quem muito lê, alimenta a inspiração; quem muito se inspira, encontra na escrita uma forma de expressão. Afinal, não se pode aspirar a ser um bom escritor sem antes compreender que a leitura é uma das principais fontes do conhecimento e da criação. Furucuto, 2026.
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E quando o último capítulo da vida terminar,
E as estrelas se cansarem de no céu brilhar,
Quero ser a lembrança que o tempo não destrói.
Ai de vós, que vos importais mais com a fachada da vossa casa do que com a Catedral do Espírito Santo.
Ai de vós, que empregais tanto zelo em ornamentar as paredes que os olhos alheios contemplam, mas tão pouca disposição em restaurar os aposentos secretos onde a vossa própria alma habita.
Que cuidais das aparências com a devoção de quem constrói um templo, mas negligenciais o espírito como se nele não residisse o sagrado.
De que vos vale uma casa impecavelmente adornada, se aquele que nela mora carrega o coração em ruínas?
De que serve polir as maçanetas, pintar as paredes, ornar as janelas e cultivar jardins admiráveis, se os corredores da consciência permanecem mergulhados na escuridão da indiferença, da arrogância, da intolerância e da ausência de amor?
Há uma estranha inversão de prioridades na existência humana: muitos se preocupam demasiadamente com aquilo que os outros podem ver e insuficientemente com aquilo que Deus pode contemplar.
Erguem fachadas para receber admiração, mas deixam desmoronar os alicerces da própria dignidade.
Aprendem a representar virtudes, mas se esquecem de cultivá-las.
Decoram discursos com palavras de fé, enquanto seus gestos desmentem aquilo que seus lábios professam.
E eis uma das mais dolorosas contradições da espiritualidade: transformar a religião em vitrine, quando ela deveria ser caminho; fazer da fé um ornamento social, quando ela deveria ser uma experiência de transformação interior.
Afinal, não é a aparência de santidade que santifica alguém, assim como não é a aparência de uma igreja que a torna casa de Deus.
O sagrado não se mede pela exuberância dos altares, pela imponência das construções, pela eloquência das orações ou pela quantidade de vezes que alguém pronuncia o nome do Criador.
O sagrado se revela, sobretudo, na qualidade do amor que conseguimos oferecer, na justiça que somos capazes de praticar, na misericórdia que não negamos e na humildade com que reconhecemos nossas próprias imperfeições.
Jesus, ao confrontar a hipocrisia religiosa de seu tempo, deixou uma advertência cuja profundidade atravessa os séculos:
“Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!”
“Pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas estão interiormente cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.” (Mateus 23:27)
Não seria essa, também, uma das grandes tragédias de nossa época?
A de confundirmos respeitabilidade com integridade, aparência com essência, reputação com caráter e manifestação religiosa com verdadeira espiritualidade?
A Catedral do Espírito Santo não precisa necessariamente de mármore, ouro, vitrais ou torres que desafiem o céu.
Sua arquitetura é outra.
Seus alicerces são a verdade; suas colunas, a humildade; seus vitrais, a consciência; seus sinos, a compaixão; seus altares, a capacidade de amar sem transformar o amor em moeda de troca.
E talvez a maior obra de restauração que um ser humano possa realizar não esteja apenas na reforma de sua residência, mas na reconstrução de si mesmo.
É preciso limpar os porões da alma, abrir as janelas da consciência, permitir que a luz da verdade alcance os cômodos que escondemos até de nós mesmos.
É preciso reconhecer as rachaduras provocadas pelo orgulho, as infiltrações da inveja, os incêndios da intolerância e os escombros deixados pelas palavras que feriram sem necessidade.
Porque Deus não necessita de nossas fachadas para reconhecer a nossa essência.
Somos nós que, tantas vezes, necessitamos delas para esconder aquilo que ainda não tivemos coragem de transformar.
E há uma beleza profundamente divina na possibilidade de recomeçar: nenhuma alma precisa permanecer eternamente condenada às próprias ruínas.
Enquanto houver consciência para reconhecer os erros, humildade para pedir perdão e disposição para amar melhor, haverá espaço para reconstrução.
Afinal, o Espírito não nos convida a parecer melhores diante do mundo, mas a nos tornarmos verdadeiramente melhores diante da vida.
Paulo nos recorda em (1 Coríntios 3:16):
"Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?"
Eis, portanto, a provocação que talvez devêssemos carregar como uma silenciosa oração:
De que adianta possuir uma casa digna da admiração dos homens, se o templo que Deus nos confiou permanece abandonado à própria sorte?
Que não sejamos arquitetos de fachadas e ao mesmo tempo de ruínas interiores.
Que não gastemos a existência inteira embelezando aquilo que termina com o tempo, enquanto esquecemos de cuidar daquilo que dá sentido à eternidade.
Porque, no derradeiro encontro com a Verdade, não serão as paredes de nossas casas que testemunharão a grandeza de nossa existência, mas a humanidade que conseguimos abrigar dentro de nós.
E talvez seja justamente aí que descobriremos que a mais bela Catedral jamais construída não é aquela que se ergue para alcançar o céu, mas aquela em que o céu encontra morada no coração humano.
Ira (Raiva)
A ira é um dos sete pecados capitais da tradição cristã.
O que é:
O sentimento de ódio, rancor ou raiva intensa e descontrolada, que busca a vingança
ou a destruição do outro.
PS: Isso é que estamos vivendo hoje com o separatismo POLÍTICO!!!
Existe uma atitude que torna impossível contemplar as maravilhas dos mistérios da vida: é sempre imaginarmos a nossa vida no meio de uma correnteza provocada por uma enchente, onde para ser salvo, nos agarramos a qualquer coisa.
