Pensamentos Mais Recentes
O Frio das Correntes
O frio das correntes é o frio da alma.
O frio da liberdade tardia, no contraste cruel da fome.
O frio do aço, que range e se move a cada movimento do corpo.
O frio de cada corte, pois o metal rasga a carne nas suas amarras.
O castigo imposto... porque a sua cor te define.
Mas esse mesmo frio alimenta a indignação.
A liberdade tem preço, tem credo, tem luta.
E o frio continua nos castigos modernos,
Ditados pelos novos senhores da terra,
Os mesmos senhores que ainda conduzem o povo.
Nos calamos diante da autoridade?
Devemos engolir tudo em silêncio...?
Somos prisioneiros apenas por sermos afrodescendentes?
Ou será que nos tornamos frios, distantes daquele mundo espiritual
Onde somos uma única raça, uma única existência?
Aqui, o credo e a cor ainda servem para definir o opressor.O Frio das Correntes
O frio das correntes é o frio da alma.
O frio da liberdade tardia, no contraste cruel da fome.
O frio do aço, que range e se move a cada movimento do corpo.
O frio de cada corte, pois o metal rasga a carne nas suas amarras.
O castigo imposto... porque a sua cor te define.
Mas esse mesmo frio alimenta a indignação.
A liberdade tem preço, tem credo, tem luta.
E o frio continua nos castigos modernos,
Ditados pelos novos senhores da terra,
Os mesmos senhores que ainda conduzem o povo.
Nos calamos diante da autoridade?
Devemos engolir tudo em silêncio...?
Somos prisioneiros apenas por sermos afrodescendentes?
Ou será que nos tornamos frios, distantes daquele mundo espiritual
Onde somos uma única raça, uma única existência?
Aqui, o credo e a cor ainda servem para definir o opressor.
Ciclo
Eu me apaixonei
pra não desapaixonar.
Te amei
pra nunca na vida te desamar.
Porque quem se apaixona não deixa
até virar amor.
E quando vira amor, não quer acabar.
E não acaba.
Porque a paixão é o fogo
que esquenta o amor.
Que de paixão nunca falte ao amor,
nem ao amor a paixão que o alimenta.
Marcio Melo
Manifesto: A Gaiola Coletiva
O futebol não é a nossa cultura; nossa cultura é a estrutura, a crença e a raça da nossa gente que, com o próprio suor, levantou esta nação. Uma nação que não foi construída pelos senhores escravagistas, mas sim apesar deles.
Hoje, somos governados por democratas da alienação. Promovem a futilidade e a ganância, alimentando a luxúria de um espírito podre — para aqueles que acreditam em alma, pois para o sistema, ela nunca existiu. O velho "pão e circo" continua de pé. No jardim da nossa sociedade, a flor é devorada pelos ratos da extrema-direita democrática. Mas há um preço: todas as flores precisam de espinhos para proteger e expor a sua beleza.
Somos obrigados a engolir a corrupção e o negacionismo. Na transição do ser político e analítico para o ser inerte, fomos engolidos pela alienação social e religiosa que viralizou. Junto com ela, viralizaram o racismo, a intolerância espiritual e a indiferença. Sob esse teto, a pobreza tornou-se sinônimo de ignorância e de escassez política.
Somos uma rica mistura de raças e credos, mas os governantes ainda nos enxergam como meros objetos de manobra. Criam-se políticos de estimação e cargos previsíveis. Candidatos corruptos desfilam impunes, esfregando na nossa cara as provas do roubo. Mesmo assim, a alienação vence, porque a mente da massa está presa em uma gaiola coletiva.
O senso da razão ainda sobrevive, resistindo bravamente em meio a deepfakes e fake news. No entanto, dividimos o espaço com aqueles que lutam para viver na utopia de uma "Matrix". Somos peças de um jogo político focado nas riquezas do povo, onde a vida é sofrida e onde lutamos diariamente pelo direito de existir em um mundo onde tudo — absolutamente tudo — tem preço.
O Idiota
Idiota é quem cospe na mão que lhe estende a verdade.
Orgulha-se da própria cegueira e chama isso de opinião.
Ignorância por escolha.
Teimosia por vaidade.
E ainda acha que o problema é o mundo.
Marcio Melo
"Lamento"
A vida é lamento.
Nem sei quem foi a peste que inventou o sofrimento.
Será que eu só lamento?
O que dói é angústia,
a dor que machuca,
essa tortura que nunca acaba.
Parece até praga.
Uma injustiça desgraçada.
Quem aguenta?
Na vida só se leva pancada.
Quando parece que vai terminar...
Aí é hora de outra vez lamentar.
Marcio Melo
Quero, então, olhar para o céu.
Pausar o dia.
Sentir a luz, a energia, e contemplar o instante.
Respirar.
Agradecer por estar viva.
Quero, então, olhar para o céu,
e viver o dia.
À medida que os anos vão passando, costumamos nos tornar mais serenos, refletindo mais sobre o que dizemos e, ao final, encontramos uma vida plena de tranquilidade. A interrogação que surge é: por que não aprendemos isso desde a infância?
O coração é um lugar estranho: transforma lembranças em eternidades e faz uma única ausência pesar mais do que a presença de mil pessoas.
Existem feridas que não querem ser curadas; querem apenas que alguém reconheça que elas existiram e que doeram mais do que as palavras conseguem contar.
Se ao menos eu pudesse ter
seu carinho perto de mim,
como o ar dá vida à terra,
a realidade de sua presença
me faria mais feliz,
me distanciaria
da sensação que me preenche de cinza.
Nada mais seria tão profundo,
tão definitivo dentro de mim.
Mas como explicar minha enorme
necessidade de ternura!
Meus anos de solidão.
Minha estrutura descontente, desarmoniosa, desajustada.
Acho que é melhor partir,
partir e não fugir.
Que tudo passe num instante.
Quem me dera.
Meu corpo se enche de você por dias e dias. Você é o espelho da noite. A luz violenta do relâmpago. A umidade da terra. O buraco de suas axilas é o meu refúgio. Minhas células tocam o seu sangue. Toda a minha alegria é sentir brotar a vida de sua fonte.
Esperar com angústia retida, a coluna partida, o imenso lugar, sem andar, num vasto caminho... movendo minha vida criada de aço.
A angústia e a dor, o prazer e a morte nada mais são do que um processo para existir.
Hoje acordei pensando: ninguém presta muita atenção ao número de vezes que um homem precisa se reconstruir. Talvez porque considerem isso algo natural. Mas não há nada de simples nesse processo; cada reconstrução cobra um esforço imenso da alma, da mente e do coração, gera cicatrizes.
