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um "eu te amo" dito da boca para fora nunca será capaz de substituir o eu te amo do amar em silêncio,do amar e proteger e do amar e demonstrar.
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POESIA DE ANANINDEUA
O MEU CORAÇÃO FOI PULANDO SALTITANDO BRINCANDO GESTICULANDO SORRINDO CHORANDO ATÉ PARAR EM FRENTE DELA.
QUE PODERIA ATÉ PENSAR QUE ERA UMA BOLA DE BORRACHA.
Precisamos aprender — com muita urgência — a parar de ir para o debate com quem já decidiu em que acreditar.
Há uma diferença fundamental entre conversar para compreender e discutir para vencer.
Embora ambas as atitudes possam se manifestar por meio das mesmas palavras, elas nascem de disposições completamente distintas.
Quem conversa para compreender admite a possibilidade de ser transformado pelo encontro com o outro.
Quem discute apenas para vencer, por sua vez, não procura a verdade: procura argumentos que protejam aquilo que já decidiu considerar verdadeiro.
Eis um dos grandes impasses da sociedade contemporânea: transformamos o debate em uma disputa de identidades, na qual rever uma opinião passou a ser interpretado como sinal de fraqueza, reconhecer um erro tornou-se motivo de constrangimento e admitir a razão do outro parece significar uma derrota pessoal.
Sociologicamente, esse fenômeno não pode ser compreendido apenas como uma falha individual de raciocínio.
Nossas convicções são construídas dentro de contextos históricos, culturais, econômicos e políticos.
Pertencemos a grupos, compartilhamos valores, assimilamos discursos e desenvolvemos vínculos afetivos com determinadas visões de mundo.
Muitas vezes, aquilo que defendemos não é apenas uma ideia, mas o nosso lugar no mundo, a nossa comunidade de pertencimento e a imagem que construímos de nós mesmos.
Por isso, quando alguém questiona nossas crenças, nem sempre reagimos como pessoas examinando um argumento.
Frequentemente, reagimos como indivíduos que sentem sua própria identidade ameaçada.
O debate deixa de ser intelectual e passa a ser emocional.
Já não escutamos para avaliar o que foi dito; escutamos para encontrar a falha, a contradição ou a palavra que nos permita atacar de volta.
A psicologia social ajuda a compreender esse mecanismo: tendemos a selecionar informações que confirmam nossas crenças e a desconfiar daquelas que as contradizem.
Não raro, quanto mais profundamente uma convicção se encontra ligada à nossa identidade, mais difícil se torna submetê-la a um exame honesto.
A razão, que poderia funcionar como instrumento de investigação, transforma-se em advogada das nossas certezas fabricadas.
É nesse ponto que o pensamento filosófico se torna indispensável.
Sócrates fez da pergunta um instrumento de investigação e da consciência da própria ignorância uma condição para o conhecimento.
Sua postura nos lembra que pensar não significa apenas acumular respostas, mas desenvolver a capacidade de questioná-las.
Afinal, quem acredita já possuir todas as respostas dificilmente encontrará motivos para continuar aprendendo.
O problema não está em ter convicções.
Uma sociedade sem convicções seria incapaz de sustentar princípios, reivindicar direitos ou lutar por transformações.
O problema começa quando deixamos de distinguir convicção de dogmatismo, quando confundimos firmeza com inflexibilidade e quando passamos a acreditar que a intensidade com que defendemos uma ideia constitui, por si só, uma prova de sua validade.
Ter convicções é reconhecer que existem ideias pelas quais vale a pena lutar.
Ser dogmático é acreditar que nenhuma experiência, nenhum argumento e nenhuma evidência poderão nos convencer de que estamos equivocados.
E existe uma diferença ainda mais sutil, porém decisiva, entre respeitar o direito de alguém pensar diferente e considerar que todas as ideias possuem o mesmo valor.
O diálogo não exige relativizar os fatos, abandonar princípios ou conceder legitimidade a qualquer argumento.
Exige, antes, que estejamos dispostos a examinar as razões que sustentam nossas próprias posições com o mesmo rigor que aplicamos às posições alheias.
Entretanto, vivemos em uma época na qual a exposição pública de opiniões frequentemente importa mais do que a disposição para revê-las.
As redes sociais transformaram muitas discussões em espetáculos de afirmação pessoal.
Não basta ter razão; é preciso parecer vitorioso.
Não basta apresentar um argumento; é preciso constranger o adversário.
Não basta discordar; é necessário desqualificar quem discorda.
Nesse ambiente medonho, o outro deixa de ser alguém com quem podemos construir conhecimento e passa a ser alguém que precisamos derrotar.
A complexidade dos problemas sociais é reduzida a slogans, as contradições da realidade são substituídas por explicações simplistas e a divergência, que poderia ampliar nossa compreensão de mundo, converte-se em justificativa para o desprezo.
Mas talvez a Maturidade Intelectual comece justamente quando compreendemos que nem toda discordância precisa se transformar em confronto e que nem todo confronto merece a nossa energia.
Isso não significa abandonar o Debate Público, renunciar à crítica ou silenciar diante das injustiças.
Significa desenvolver discernimento para reconhecer quando existe, do outro lado, uma disposição genuína para o diálogo e quando existe apenas o desejo de reafirmar uma posição previamente estabelecida.
Há pessoas que entram em uma conversa dispostas a pensar.
Outras entram apenas para defender o que pensam.
E há aquelas que sequer estão interessadas no conteúdo da discussão: querem apenas preservar a superioridade moral que atribuem a si mesmas diante daqueles que consideram inferiores, ignorantes ou inimigos.
Nesses casos, insistir indefinidamente no debate pode ser menos um exercício de paciência democrática do que uma forma de desperdiçar a própria lucidez.
Precisamos compreender que o diálogo é uma construção compartilhada.
Nenhuma conversa produz conhecimento quando apenas um dos lados está disposto a questionar suas certezas.
Não existe troca real quando alguém exige abertura intelectual do interlocutor, mas se concede o privilégio de permanecer impermeável a qualquer argumento.
A disposição para ouvir não obriga ninguém a concordar.
A disposição para argumentar não obriga ninguém a convencer.
E o compromisso com a verdade exige reconhecer que, em determinadas circunstâncias, a melhor resposta não é um argumento mais elaborado, mas a decisão consciente de não continuar uma discussão que perdeu sua finalidade.
Talvez seja urgente e necessário recuperar uma virtude pouco valorizada em nossa época: a capacidade de reconhecer os limites da persuasão.
Não somos responsáveis por desconstruir todas as certezas que encontramos, nem precisamos transformar cada divergência em uma missão pedagógica.
Há batalhas intelectuais que não travamos não porque nos faltam argumentos, mas porque compreendemos que argumentos, por si sós, não garantem a disposição de alguém para rever aquilo em que acredita.
Afinal, o conhecimento não depende apenas da existência de boas razões, mas também da disposição humana para considerá-las.
Por isso, precisamos urgentemente aprender a escolher melhor nossas conversas, nossos confrontos e nossas batalhas.
Não para viver entre iguais, cercados por pessoas que confirmam nossas opiniões, mas para preservar a possibilidade de diálogos que efetivamente nos desafiem e nos façam pensar.
Que não confundamos silêncio com covardia, afastamento com ignorância ou desistência de uma discussão com incapacidade de argumentar.
Às vezes, retirar-se é reconhecer que a conversa deixou de ser um caminho para a compreensão e se tornou apenas um mecanismo de reprodução das mesmas certezas.
No fundo, a questão não é deixar de debater com quem pensa diferente.
Uma sociedade democrática precisa justamente da convivência com as diferenças, da crítica às ideias preestabelecidas e da possibilidade permanente de revisão dos nossos julgamentos.
A questão é aprender a distinguir quem pensa diferente de nós de quem se recusa, de antemão, a considerar qualquer possibilidade diferente da sua.
Porque o verdadeiro diálogo não começa quando duas pessoas apresentam suas opiniões, mas quando ambas admitem que podem sair daquela conversa pensando de maneira diferente.
E talvez a pergunta mais importante que possamos fazer antes de qualquer debate não seja: será que tenho argumentos suficientes para convencer essa pessoa?
Talvez seja esta: existe, do outro lado, alguém disposto a correr o risco de mudar de ideia?
Se a resposta for não, precisamos ter maturidade para compreender que nem toda discussão merece continuidade.
Afinal, pensar criticamente não é apenas aprender a questionar as certezas dos outros.
É, sobretudo, desenvolver a coragem de submeter as nossas próprias certezas ao mesmo questionamento.
E uma sociedade que perde essa capacidade não deixa de pensar porque lhe faltam opiniões.
Deixa de pensar porque passa a confundir aquilo em que acredita com aquilo que não pode ser questionado.
Há amores que não sobrevivem como relacionamento, mas conquistam uma segunda existência, mais duradoura e mais perigosa: a de nunca terminarem dentro de quem os transforma em palavras.
"Confusão na disseminação de uma ideia, e a Revolução Francesa não tem tela. Horas prestando atenção nos detalhes, para tentarem entender a humanidade."
O verão não reconhece os vencidos
Bebelle, há guerras que terminam muito antes de o último inimigo desaparecer. A nossa talvez tenha terminado no instante em que o futuro abriu suas portas e um de nós reconheceu nelas uma promessa, enquanto o outro enxergou uma ameaça.
Nunca soube se você temia o reino ou aquilo que se tornaria ao governá-lo. Há renúncias que se disfarçam de liberdade, assim como certas fugas preservam, sob a aparência da prudência, o segredo de uma derrota que jamais será confessada.
O trono permaneceu vazio por algum tempo. Depois, deixou de esperar.
As estações cumpriram seu ofício, os aliados aprenderam o silêncio e os antigos juramentos perderam a capacidade de convocar os mortos. De tudo o que fomos, restou uma fronteira sem nome, atravessada apenas pela memória de duas pessoas que talvez tenham vencido guerras diferentes e, por isso mesmo, perdido a única que importava.
Não a procurei entre os escombros. Existem ausências que precisam conservar sua própria arquitetura. E existem perguntas cuja resposta destruiria a última beleza daquilo que já não pode ser recuperado.
Você poderia ter sido a rainha de um mundo que nunca chegou a existir. Eu poderia ter sido o homem que você não precisaria temer. Mas o futuro, esse território que jamais pertenceu a ninguém, exigia de nós uma coragem que talvez só um dos dois estivesse disposto a confundir com destino.
Agora, dizem que o verão passou.
Como se as estações soubessem alguma coisa sobre os nossos abismos. Como se o calendário pudesse explicar por que certas pessoas abandonam o eterno quando ele finalmente adquire uma forma humana.
Não há mais guerra, Bebelle. Ou talvez tenhamos alcançado aquela forma superior de combate em que ninguém dispara, ninguém sangra diante das testemunhas e cada sobrevivente precisa fingir que escolheu exatamente o lugar onde terminou.
O reino continua. O tempo também.
E eu jamais saberei se você foi a mulher que não pôde permanecer ou a única que, permanecendo, teria mudado tudo.
"Revolta na década de 40, mas os livros são da década de 70. Biblioteca falante, onde as informações não são descritas."
Bebelle, o verão passou e o trono já não espera. Há coroas que pesam menos sobre a cabeça do que sobre a consciência, e futuros que morrem antes de nascer porque alguém confundiu a porta do destino com a entrada de uma prisão. Não sei se você fugiu de mim ou do que seríamos juntos. Sei apenas que, quando finalmente aprendi a governar as ruínas, já não havia ninguém a quem oferecer o reino.
Ó Afrodite, meus sentimentos é também o segundo lugar, pois a beleza dela a minha primeira escolha será.
De corpo e alma ela me cativou, a cumplicidade que nunca senti, ela criou. Ela brilha como lua nova, como sol no verão, e também brilha assim no meu coração. Sobre sua beleza mais uma vez escreverei desculpe, ainda não me acostumei. Bobagem estou a falar, pois de tal beleza nunca irei me acostumar; as palavras fogem quando sobre você tento expressar.
Mas de uma sempre vou me lembrar, porque você a disse ao prometer-me amar.
"Década de 80, mas percebi uma evolução na década de 90. O tempo foi passando, até que vivi na modernidade das décadas de 10 e 20. Será que eu fiz regressão?"
A hierarquia implanta em mim me torna assim.
Sem visão sem contexto
Apenas o que obedeço.
Certo ou errado não existem mais somos que nem animais.
Bebelle conhecia minhas fraquezas, meus planos e os caminhos secretos da minha fortaleza. Por isso sua partida foi mais devastadora do que qualquer invasão: não precisei ser derrotado por um inimigo, bastou que a única pessoa autorizada a entrar decidisse nunca mais voltar.
Há guerras que terminam com a rendição de um exército. A nossa terminou com a retirada de quem poderia ter sido minha rainha. Desde então, conquisto territórios, reorganizo fronteiras e reconstruo fortalezas, mas nenhum mapa registra o lugar onde nosso futuro foi sepultado.
Eu teria conquistado mil reinos para Bebelle, mas não consegui vencer a guerra silenciosa que ela travava contra o próprio medo de pertencer a alguma coisa maior do que si mesma.
A guerra contra Bebelle terminou no dia em que compreendi que já não havia inimigos no campo de batalha. Restavam apenas dois sobreviventes, cada qual carregando a memória de um amor que poderia ter mudado a história de ambos.
Bebelle poderia ter sido minha rainha. Não lhe faltou amor, nem reino, nem coroa. Faltou-lhe acreditar que algumas eternidades começam precisamente onde o medo nos ordena partir.
Bebelle foi o único inimigo a quem ofereci a chave da minha fortaleza e a única mulher por quem eu teria incendiado o mundo para, depois, construir um reino sobre suas cinzas.
"Filme "A Paixão de Cristo", mas duvidam das imagens de um livro sem imagens. Então seria o contexto bíblico uma verdadeira vaidade?"
