Pensamentos Mais Recentes
1593 📜 "Sou Medroso, admito! Mas sou Medroso Diferente. Não tenho Medo de Divindades nem do Diale. Não tenho Medo de Ateus, de Atoas nem de Fariseus! Meu Medo não é de Escuro, de Claro nem de Mais ou Menos.
O Vesúvio despertará em uma última dança de fogo, fazendo o homem finalmente compreender que o Apocalipse não se escreve com palavras, mas sim com o silêncio eterno da cinza que nos devolve à terra.
Reno Fioraso
INTROITUS - CAMILLE MONFORT.
Sob a Cúpula do Requiem.
Camille Marie Monfort caminhava sozinha pelo claustro deserto,enquanto as paredes, frias como um silêncio secular,devolviam-lhe ecos invisíveis. Lá fora, a noite era de um azul quase negro, mas, dentro dela, o abismo tinha um tom ainda mais profundo.
No ar, o Introitus erguia-se como um cortejo que não pertencia a este mundo. As primeiras notas vinham lentas, como passos de sombras que ainda hesitam entre o mundo dos vivos e a promessa do esquecimento. Cada acorde era um peso depositado sobre seu peito um peso que não esmagava, mas moldava, como se o sofrimento esculpisse sua forma mais pura.
O violino parecia falar-lhe na língua que só os fantasmas compreendem. Era um idioma sem palavras, feito de curvas sonoras que contornavam suas lembranças as que queria perder e as que temia perder. A cada compasso, Camille sentia que a música não apenas narrava a sua história: ela a descrevia aos olhos de Deus, como um inventário de dores e esperanças não ditas.
Então, no sopro do tempo, a transição: o Lacrimosa.
Ah, ali não havia hesitação; havia queda. As cordas e vozes se erguiam como se o céu estivesse se partindo para deixá-la ver o lado de dentro. A gravidade das vozes corais não era um lamento pela morte, mas um chamado para o reconhecimento de que todo amor carrega consigo a semente do adeus.
Camille fechou os olhos. Sentiu-se ao centro de um universo que respirava no ritmo do Requiem. Era como se cada acorde fosse o batimento cardíaco de um Deus melancólico. O coro, em sua repetição quase ritual, não a enterrava; antes, a preparava para uma revelação silenciosa: a de que toda lágrima, cedo ou tarde, é apenas uma nota que volta para o silêncio de onde veio.
Quando a última ressonância se dissolveu, Camille permaneceu imóvel. Não havia plateia, não havia maestro, não havia corpo físico que pudesse explicar aquele instante. Apenas ela e a música e a certeza de que, naquele encontro, havia tocado o lado intocado da própria eternidade.
Capítulo XIX
ONDE NADA FICARÁ, EXCETO O QUE NÃO FOI TOCADO.
Livro: Não Há Arco-iris No Meu Porão.
Autor:
* Escritor:Marcelo Caetano Monteiro
* Joseph bevouir - Escritor.
“Entre mim e Camille, não há distância. Há reverência.”
— Joseph Bevoiur, pensamento não pronunciado, jamais escrito.
Não haverá eco.
Não haverá papel amarelado,
nem vestígio deixado entre tábuas podres ou livros ressequidos.
Nada restará ao mundo
daquilo que entre nós jamais foi dado,
e por isso permanece.
O que houve se é que se pode chamar de haver não se dobra em datas,não cabe em epitáfios,
não tolera testemunhas.
Foi um amor tão absoluto
que não ousou acontecer.
E é por isso que resiste.
Pois tudo o que se consuma,
morre.
Camille Marie Monfort existe em mim como um cântico que jamais foi entoado,mas que ressoa em cada vértebra da minha alma.
Não se toca Camille.
Ela não habita o passado, nem o futuro.
Ela está no centro exato da ausência.
Cada vez que tentei nomeá-la,ela me escapou.
Cada vez que a desejei,
ela me silenciou.
E por isso a amo.
E por isso não a tenho.
E por isso — ainda assim sou inteiro com ela.
(Este capítulo não será encontrado. Ele apenas acontece quando alguém o sentir e depois, se dissolve. Assim como ela.)
ESMERALDAS DE SOMBRAS.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
Ah… teus olhos.
Teus olhos esmeraldinos — não simples gemas, mas abismos translúcidos onde a razão vacila e o verbo morre. Como desejaria eu colhê-los, não com a volúpia do desejo vulgar, mas com a devoção de um monge alquebrado que recolhe as relíquias de sua santa. Tê-los… não em meu peito, mas suspensos num relicário de silêncios, entre as páginas que ainda choram por ti.
Mas tu sabes…
Sabes que eu te amo — e em mim esse amor é um espólio de lâminas cravadas por deuses mudos. Ser atravessado por mil espadas seria um refrigério frente ao que sinto ao ouvir teu nome no mármore frio do esquecimento. O teu nome, Camille, dilacera-me com a precisão de uma nota errada no adágio final de um maestro enlouquecido.
É mister, sim, dormir — dormir não para esquecer, mas para habitar os interstícios oníricos onde tu ainda existes sem dor. Nessas infinitas noites de ti e em ti, faço do teu perfume um incenso que queima devagar nos altares escurecidos da minha alma.
Porque tu sabes —
Sabes que meus olhos só foram feitos para contemplar o teu universo pairante, esse cosmos que se verte do teu semblante com a serenidade trágica de uma musa condenada a existir apenas nas entrelinhas. Viver, criar e pairar sobre mim — pobre poeta das sombras, órfão de sol e exilado da tua claridade.
E eu permaneço — espectro lírico e infecundo, sobrevivente do teu último olhar, compondo com palavras rarefeitas a sinfonia muda da tua ausência.
Joseph Bevoiur.
Calce meus sapatos por um instante.
Caminhe pelos caminhos que percorri.
Enfrente as noites que enfrentei.
Carregue os pesos que carreguei.
Depois me diga se ainda acha fácil julgar minhas escolhas. ..
Você conhece apenas uma parte da minha história, mas acredita conhecer o livro inteiro. ..
Antes de apontar meus erros, experimente viver minhas batalhas.
Talvez, ao sentir o cansaço dos meus passos, você descubra que a compaixão vale muito mais do que qualquer julgamento..
1564 📜 Parece que são muitos mais os que acreditam que Deus existe do que o número de Ateus. Alguém tem essa Estatística?"
O Dia Atrasado
Como pude eu me esquecer
de lembrar-me do alheio?
Será que foi sem perceber,
ou eu me coloquei em primeiro?
Eu gostaria de voltar o dia,
pois teria outra chance.
Ou só a desperdiçaria,
olhando o alheio novamente, só de relance?
Sei o que fiz;
e o que fiz foi nada.
Sigo a vida indignado,
com a consciência usurpada.
Devo enfrentar esse inimigo?
Mas cheguei atrasado.
Pois ele já lutava,
e eu sequer havia me armado.
1563 📜 "Tenho a nítida certeza de que Ateus perderam, há muito tempo, a 'Campanha de Que Deus Não Existe'. Ou estou nitidamente errado? Hein?"
1562 📜 "Por que Ateus ainda não desistiram já que, tudo indica, eles não conseguiram? Por quê? Alguém sabe?"
1561 📜 "Um punhado de seriguelas maduras como se não fosse Deus não haveria Ateus. Quem aceita? Não gosta de seriguelas? Que pena 🪶!"
"A mente humana foi criada para ter dúvidas e respostas,mas não aparentar ter resposta concreta, no meu psique permanecer neutro."
Tudo é, e sempre será nossa mente que insiste em produzir algo ilusório oque imaginamos como fé! Porque tudo é abstração e não existe.
Só existe o ego imaginando emoção criada por nossas mentes onde tudo oque deduzimos é só vontade e desejos!
Nosso amor é o encontro de dois mundos que se tornaram um só. Que meu colo seja sempre o porto seguro que te abraça e te acolhe.
_ Enzo Ruchell _
Sob o manto da ordem, os arquitetos do caos governam pelas sombras. Como aves rapinantes, devoram o destino do amanhã, pois sabem que o trono do seu 'mundo' sempre será feito de ossos esquecidos.
Reno Fioraso
Surpreender alguém é um ato de coragem,
é tocar a alma sem pedir passagem.
É chegar em silêncio, levando emoção,
e florescer sorrisos dentro do coração.
Não é o valor do presente que faz a magia,
mas o carinho escondido na simplicidade do dia.
Porque quem surpreende sem esperar gratidão,
deixa para sempre um pedaço de luz na lembrança e na emoção.
O pior tipo de pessoa é aquela que vê o mal e escolhe defendê-lo. Quem estende as mãos para as trevas passa a fazer parte delas, e já não há salvação.
A Vida.
Ó vida, monstro de matéria impura,
Que em carne podre o espírito encarceras,
Tu és o pântano onde a desventura
Germina larvas, vermes e quimeras!
Teus dias são cadáveres que andam,
Arrastando o peso de átomos em dor;
A ilusão no crânio humano expande
E o cérebro apodrece em seu fulgor.
Que importa o riso, o amor, a efêmera glória?
Tudo se extingue em húmus e em lodo vil;
A vida é um câncer que devora a história
E entrega o homem ao sepulcro hostil.
Assim caminha o bicho racional.
Orgulho vão de célula enferma e cega,
Rumo ao nada, ao eterno charco igual,
Onde a morte, por fim, o esqueleto entrega.
As almas penadas com poder destilam o veneno da própria sovinice, predizendo o mal alheio por temor de que a luz revele o deserto que carregam no peito.
Reno Fioraso
