Pensamentos Mais Recentes
Bater não é errado quando se bate pouco, mas sim quando se bate na pessoa errada, ou por motivos errados.
A afinidade transita pelo conhecido e pelo que em nós se reconhece; não pertencer é mais do que ter saído, é nunca ter estado.
A dor você não controla no seu próprio corpo, ela vai embora quando passa, mas o sofrimento só para se você ir atrás de tratá-lo.
Viva o hoje, pois o que você ama só vai ser amado no presente, no passado você só tinha o medo de perder, mas no futuro, só restará saudades.
Sotaque não se corrige — se celebra.
É raiz que fala, memória que respira,
é a terra moldando a palavra
na boca de quem a carrega.
No chiado leve do Rio de Janeiro,
no ritmo firme de São Paulo,
na doçura mansa de Minas Gerais,
no vento aberto do Rio Grande do Sul,
e na cadência viva do Pará,
onde o falar carrega rios, florestas e histórias —
há vozes que não cabem na gramática,
mas vivem inteiras na identidade.
Cada fala é um mapa invisível,
um retrato que não se desenha,
mas se ouve.
Não há língua mais certa que a outra,
há caminhos diferentes para dizer o mundo.
E em cada som, em cada jeito,
o Brasil se reconhece plural.
Valorizar o sotaque
é reconhecer o outro —
e, no eco da diferença,
descobrir que somos muitos
e ainda assim, um só.
Hierarquias, medidas e proporções existem com tudo bonito nada seria bonito, com tudo feio nada seria feio, quando é tudo negativo não há comparativo, e sem comparação todo parâmetro é nulo
A discordância percorre solos férteis, onde as ideias tendem a avançar; a intolerância quase sempre se instala em campo estéril, onde tudo já secou por dentro.
Soneto para Parintins
Minha terra é bonita
Outra terra igual não há,
É o melhor lugar do mundo
Pra viver e amar.
Se eu pudesse escolher
Um lugar para morar
Tenho toda a certeza
Que eu não iria te trocar.
No interior tenho o rio e a floresta
Criações, plantações, caça e pesca,
Na cidade tenho uma casa para morar.
O que mais posso precisar?
Só me falta uma palmeira
Pra cantar o sabiá.
Autor: Silvano Pontes.
Amazonas em poesias.
O amor só existe no presente. Colecionar memórias não é uma regra sobre a forma do humano amar.
Afetos e memórias são relativas.
O painel de controle interior para amar foi esquecido em meio a tanta alienação.
Podemos construir um futuro incrível juntos ou padecer em guerras imaginárias movidas ao ego de predadores de crianças e bebês.
Meus próximos perderam a confiança em mim por não saber guardar segredo.
Na verdade o que acontece é que sou bom ouvinte, só que os segredos que me contam ao invés de eu as guardar acabo esquecendo, quando, onde, como, porque e o que me contaram como segredo..
No meio ao segredo foram ditas coisas engraçado que não levei em conta a seriedade do conto do segredo, fiquei mas entretido nas piadas do que no segredo..
Mas já aconteceu mesmo..
A adaptação talvez seja a forma mais decisiva da inteligência; a inteligência acha o melhor caminho, mas a adaptação atravessa os obstáculos de qualquer caminho.
Igarapé do Boto
Igarapé:
Caminho de canoa;
Caminho do tempo,
Que trás a lembrança
Da minha infância.
Em tuas águas tranquilas
Aprendi a nadar
E muitas histórias
Tenho para contar,
Você nem imagina!
Uma canoa cheia d'água
Era a minha piscina.
Em tuas águas pesquei
E de manja brinquei,
Para a escola eu remei
E com outras canoas
Eu aporfiei.
Igarapé:
Caminho de canoa,
Caminho do tempo,
Não te troco por outro,
Pra sempre querido,
Igarapé do Boto.
Autor: Silvano Pontes.
Amazonas em poesias.
Filho do Boto
Eu sou filho do Boto
Do Boto eu vim
O meu sangue é de guerreiro
Guerreiro parintintin.
Dos meus desafios
Nunca vou desistir
Pois, cada um deles
Me trouxeram aqui.
Andei de canoa no igarapé,
Na longa estrada
Também fui a pé.
Não temo o banzeiro,
Eu sou filho do Boto
Caboclo matreiro.
Autor: Silvano Pontes.
Amazonas em poesias.
Filho do Norte
Vou navegar na história
Nas águas do rio Amazonas
Esse lugar que eu amo
Nação de bravos guerreiros
Povos nativos, povo brasileiro.
Apurinã, Atroari, Tupinambá,
Parintintin, Mundurukú, Kaxinawá,
Kanamari, Baré, Sateré-Mawé.
Minha terra ancestral
Teus filhos viviam dessa natureza
Os rios e as matas eram sua riqueza
Teu canto de lendas te eternizou
A tua lembrança, meu sonho de amor.
O tempo revela a tua herança
A cultura cabocla eu vou preservar
Eu vivo da mata, eu sou farinheiro,
Eu sou ribeirinho, eu sou pescador,
Caboclo guerreiro, eu sou vencedor.
Sou amazonense,
O meu sangue é tupi
O meu canto é mais forte
Eu sou filho do norte,
Meu lugar é aqui.
Autor: Silvano Pontes.
Amazonas em poesias.
O caboclo e o rio.
O meu pai é caboclo,
Caboclo eu também sou
Amazonas é minha vida
O meu caso de amor.
Esse rio é minha estrada
Que me leva pra lá e pra cá
Em suas águas barrentas
Eu preciso navegar.
Dele eu tiro o meu sustento
E sigo a dança da vida
Conforme o seu movimento.
Na vazante ou na enchente,
O majestoso Amazonas
Comanda a vida da gente.
Autor: Silvano Pontes.
Amazonas em poesias.
