Pensamentos Mais Recentes

A mente viaja por lugares obscuros, não por maldade, mas por excesso de sentir. É quando o desejo não pede permissão e o coração perde o freio da razão.

Há profanação no pensamento, sim, porque amar também é desordem, é rasgar regras invisíveis para tocar o que pulsa vivo. A mente devassa não destrói — ela revela.

Explora encantos proibidos como quem procura verdade no abismo. Nem tudo que assusta é vazio, nem tudo que queima é perdição. Às vezes, o amor nasce torto, intenso, indomável, e só sobrevive porque é fértil no caos.

Se é devastador, é porque é real. Se é obscuro, é porque não aceita rótulos. Amar assim não é pureza fingida, é entrega crua, sem máscaras, sem medo de ser demais.

Ciclos

Demétrio Sena - Magé

É difícil fecharmos os nossos ciclos... eles nos envolvem; são senhorios; não inquilinos de nossos caprichos. Ciclos são como círculos que delimitam as nossas fases. Não podemos despejar com facilidade o que nos abriga, e não o contrário. São necessárias algumas resistências e viradas, e há ciclos imensos, que nós passamos muito tempo tentando superar.

A questão é vencermos a nós mesmos, antes de partirmos para o enfrentamento contra o que nos rodeia, cerca, enclausura, "embarrica". E tudo fica mais difícil, se algum de nossos ciclos está confortável para nós... queremos mantê-lo, mas precisamos fechá-lo por pessoas muito queridas, que a nossa visão de comum, despojado e natural enreda ou elege, unilateralmente. Precisamos renunciar ao porto seguro, para que essas pessoas possam fluir pela bolha rompida e se livrar do que jamais pediram para viver a reboque dos nossos eus.

Em suma, fechar ciclos não é uma decisão caprichosa que resolvemos tomar como um truque de mágica. Decidirmos as nossas questões, não raramente envolve desatar os nós que tais questões ataram em outras vidas. Precisamos fazê-lo com muito critério e respeito por quem, de alguma forma, está em nossos ciclos... e não temos ideia de como será impactado.
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Respeite autorias. É lei

Ser adepto ao ceticismo não é o mesmo que enamorar o exterminador do romantismo. A agradabilidade de modo exarcebada é superficial e a nenhum sábio comove. A este, só as ações extremamente genuínas encantam!


150126

Então Deus, vamos conversar sem rodeio, sem enfeite.
O mundo está torto.
A humanidade tropeça no próprio ego e chama isso de progresso.
Estão banhados no caos, nadando no orgulho, respirando ganância.
A hipocrisia virou rotina,
a ambição virou oração,
e as mentes vivem inseguras fingindo certeza.
Deus, parece que estamos indo de mal a pior.
Não por falta de aviso,
mas por excesso de arrogância.
O homem já não escuta, impõe.
Já não aprende, confronta.
Já não cuida, explora.
Até a família, que era abrigo, está se desfazendo no vento da indiferença.
Lares cheios de paredes e vazios de presença.
Pais ausentes, filhos perdidos, afetos terceirizados.
Tudo rápido, tudo raso, tudo descartável.
Não te peço compaixão, nem clemência, nem misericórdia.
Peço consciência.
Porque se continuar assim,
a humanidade não vai cair por castigo,
vai despencar pelas próprias escolhas ruins.
Estamos à beira do precipício, Deus,
e o pior: achando bonito o abismo.

Você não precisa ter religião para ter senso de moral. Se não consegue distinguir o certo do errado, o que falta é caráter e não religião!

Queira você ou não, a vida continua.

A criança que sentia demais




Ela aprendeu cedo
que o chão podia desaparecer.


Não por terremotos,
mas por silêncios que mudavam de humor,
por paredes que escutavam demais,
por relógios sempre prontos para correr
até um lugar branco, de luz dura.


Cresceu com antenas no peito.
Sentia antes de entender.
Pressentia antes de querer.


Enquanto outras brincavam de futuro,
ela brincava de equilíbrio:
não ocupar espaço demais,
não desejar alto,
não guardar segredos em gavetas frágeis.


Aprendeu a existir em modo de espera.
Como quem segura o fôlego
para não acordar o perigo.


Havia beleza, ainda assim.
Sempre há.
Ela colecionava migalhas de mundo:
um pedaço de céu visto da janela,
o cheiro de algo bom que não durava,
um riso emprestado no meio da tarde.


Com o tempo,
cresceu por fora
antes de crescer por dentro.


Levou para a vida
a inocência dos que nunca foram protegidos:
acreditou demais,
deu nomes às coisas antes de testá-las,
ofereceu o coração
como quem oferece água
num deserto que finge ser oásis.


Roubaram-lhe ideias
como quem colhe frutos de uma árvore
sem perguntar quem a plantou.
Confundiram sua entrega com fraqueza,
sua escuta com permissão.


E ela, ainda assim,
continuou aberta.


Porque quem aprende a sobreviver cedo
demora a aprender a fechar portas.


Mas há um ponto,
sempre há,
em que a criança cansada
olha para o adulto que se tornou
e diz, em silêncio:
agora é comigo.


Não há ruptura visível.
Não há vingança.
Há algo mais raro:
a construção lenta de um centro.


Ela começa a devolver pesos
que nunca foram seus.
A deixar no chão
o que carregou por amor mal compreendido.


Descobre que pode escolher
onde pousar o corpo,
a quem confiar a própria história,
o que merece permanecer intacto.


E então,
sem anúncio,
sem aplauso,
algo muda de lugar.


A vigilância vira atenção a si.
O medo aprende a descansar.


A criança não desaparece.
Ela finalmente encontra abrigo
no adulto que sobreviveu
sem perder a capacidade de sentir.


E isso,
isso é um tipo silencioso de vitória.

Tudo na vida é relativo. Por exemplo: um cabelo na cabeça é pouco, mas na sopa é MUITO .

Não seja persistente demais; duvide um pouco.

Prevenir é melhor do que remediar; e se acontecesse mal, sempre proteja as suas relações e seus hábitos preocupantes/apertados da saúde para evitar danos e desconfortos; e se acontecesse bem, sempre conserva as suas condições saudáveis no bem-estar para evitar danos e desconfortos; Juntos somam não uma salvação e milagre, mas um tratamento e descomplicação da vida.

Você não deve temer alguém que tem uma biblioteca e lê muitos livros; você deve temer alguém que tem apenas um livro, e o considera sagrado, mas nunca o leu.

Conviver com a saudade é aprender a honrar o passado sem se aprisionar nele.

Há pessoas que viram lembrança, mas nunca deixam de ser parte da história.

A saudade não é fraqueza, é sensibilidade que não se perdeu.

Nem tudo que faz falta precisa voltar; algumas coisas só precisaram existir uma vez.

A saudade é um afeto que aprende a caminhar sozinho quando a presença já não pode acompanhar.

A saudade não pede retorno, pede espaço para existir.

A ausência também ensina, mesmo quando machuca.

Às vezes, sentir saudade é a única maneira de manter alguém presente sem invadir o tempo.

A saudade amadurece a gente, porque ensina a valorizar o que não pode mais ser tocado.

A saudade aparece quando o coração revisita momentos que a vida não permite repetir.

Nem toda despedida foi planejada, mas toda saudade carrega significado.

A distância não apaga o que foi sentido, apenas muda a forma como lembramos.

A saudade é a prova de que houve conexão, mesmo quando o destino escolheu caminhos diferentes.

Há silêncios que só existem porque antes havia conversa, riso e companhia.