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Inferno Localizado 


Nesta terra alguém chora sangue,
E ninguém se importa.
O choro e a agonia são provocados por vocês,
Ó demônios de carne!


Quem é o Satanás senão vocês?
Com esses olhos malignos e mentes perversas,
Com esses risos de hienas.
Quem são os inimigos se não os da mesma espécie?


Peso sobre a cabeça e as costas.
A agonia transborda.
Sua autonomia é vendida:
"Se submeta, eu te ajudarei!"


Isso é violação da própria alma.
Vocês pediram, não há escapatória?
Nessa prisão eles mantêm o controle,
Mas vocês não são inocentes.
Não parecem inocentes.


Deus tenha piedade de nós.
Que Deus amaria demônios que ele mesmo criou?
Que conversa é essa?
Tempo se esgotando.
Por que esperar tanto?
Você sabe, não sabe?!


Nesta terra alguém chora sangue,
E ninguém se importa.


- Ramile Godon

Toda norma contém uma ideia de ser humano, mesmo quando não fala sobre o ser humano.

O Direito organiza a convivência; a filosofia questiona os fundamentos dessa organização.

A lei responde ao conflito; a filosofia pergunta por que aquele conflito deveria importar.

Compreender o comportamento humano não significa justificá-lo; significa julgá-lo com maior precisão.

Toda decisão jurídica é racional na forma, mas nenhuma decisão humana é produzida fora da psicologia.

Às vezes, o preconceito chega ao julgamento antes dos fatos.

O ser humano procura culpados antes de compreender causas.

A memória reconstrói o passado; o processo tenta reconstruí-lo com provas.

A imparcialidade não é ausência de preconceitos; é a capacidade de impedir que eles decidam.

Todo julgamento possui uma dimensão jurídica e outra psicológica que o processo nem sempre revela.

Antes de interpretar a lei, o ser humano interpreta a realidade.

O Direito não pergunta apenas “o que aconteceu?”, mas “o que podemos legitimamente afirmar que aconteceu?”.

A verdade é livre; a prova possui regras.

O maior perigo de um julgamento não é a ausência de verdade, mas a certeza prematura sobre ela.

"Desde que conheço, o pasto é sempre o mesmo, só troca-se os burros."

A prova não cria a verdade, mas determina até onde o Direito pode alcançá-la.

Toda decisão judicial é também uma decisão sobre qual narrativa dos fatos será reconhecida como verdade.

O processo não reconstrói o passado; constrói uma versão juridicamente justificável dele.

Entre o que aconteceu e o que pode ser provado existe todo o drama da verdade jurídica.

sou linda por natureza

A verdade pode existir sem provas; o Direito, não.

A justiça é a tentativa humana de impedir que a força seja confundida com a verdade.

Toda sociedade escreve suas leis tentando resolver problemas que ainda não compreendeu completamente.

O Direito tenta domesticar o poder sem destruir a liberdade.