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" Desfrute no banquete da vida, amor, felicidade,sucesso existem abundantes. Não se boicote ".
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A violência é a valentia dos fracos. (Boaventura Bonfim).
La violencia es el coraje de los débiles. (Boaventura Bonfim).
" Não limite os seus sonhos, ao invés disso expanda seus horizontes e supere todos eles".
Márcos Frèitas
" Treine e Fracasse quantas vezes necessário. O sucesso chegará somente com muito sacrifício. Tudo a seu tempo " .
Márcos Frèitas
" Somos únicos, portadores da própria trajetória . Mire no seu caminho. Viva e lute suas batalhas, você está onde é vital. Abstenha-se de cotejar ".
Márcos Frèitas
DO LIVRO: A Valsa Do Pensamento - 25/09/1997
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
OS LÁBIOS DE MEU LÍRIO.
(...desta sepultura nasce a minha tortura e minha incerteza)
Palavra ignóbil, diante da sepultura de Amanda.
Em carne, talvez comecem os sonhos, e destas tuas minúsculas mãos, o jardim terrestre, ofertava-te as perfumosas flores. Com teus delicados lábios, dominavas já as águas caudalantes de fontes, mares, poeticamente as dos olhos! Quiçá permita-me lançar estas emocionadas palavras, que não têm outro destino senão o meu dilacerado coração que é também o teu! E não queria o primeiro beijo teu, com as apagadas linhas da última viagem. No entanto, parece-me que o teu beijo foi à causa da rivalidade dos céus para com esse ser repugnante que se arrasta na terra. Pois, Amanda! O teu dono já não mais existe! Um leito maior o tem, e ele dorme contigo! Eu gostaria de lançar essas terras para longe de nossas vidas, mas no entanto nossas vidas são submissas a elas! Aqui! Ajoelho-me frente a tua sepultura para semear os lírios e o meu pranto! E essas sementes que aqui cravo com o meu ódio juntamente, sei que elas representam o teu bem e o teu mal... Certos morrerão, sem o teu olhar. Lanço, sobre tua cama morta, o meu protesto. Sepultei-me juntamente contigo, e aqui cravo profundamente uma cruz, para que essa nos lembre que a dor, sim, domina os seres frágeis, mas não me terá curado sem as batalhas que fazem dignos os homens de tê-la; E é neste mesmo leito que enterro minha fagulha de bondade, que me era já a última, para ressuscitar o meu encontro com o outro renegado; A Crueldade E descobri mesmo que estando aqui sozinho, que o túmulo não pode deter tais sentimentos e essas estátuas sobre as silenciosas sepulturas. Desta tua mesma, nasce então minha maior tortura e minha tímida incerteza...
Não vos direi descanse em paz, pois essa eu te proporcionarei Talvez essa eu terei, somente depois da tua.
André Aimé
NO CEMITÉRIO AINDA TE AMO
Ah! Esse solo! Solo árido, solo fétido Não obstante as flores depositadas em teu solo. Mas mesmo assim não tendes a fragrância desse cadáver! Esse que tantas vezes por uma obsessão acentada numa paixão tentei roubar! Por três vezes preso fui! Três frustradas tentativas de rever o meu amor. Então me limitei em contemplar sua morada, onde também cravei uma cruz de madeira. Ali mesmo, onde se podia perceber aquelas sementes germinarem, enraizando-se no leito de minha amada. Enquanto eu os meus pensamentos nas nuvens, que iam passando uma a uma, parecendo não me perceber em dor. E essa maldita faz morada em meu ser, disputando-a com o ódio que tende a abafa-la! E não pretendais dizer vós que outros festins dar-se-ão, por que me apressarei em dizer:
não sem o vinho dos Santos! Onde está você Amanda? Homens, permitam-me ver o seu corpo, que está aqui, sob o pé dessa cruz! Lanço-me de joelhos e começo a cavar, com as próprias mãos. E sou atordoado com pancadas, mais uma vez, não me aniquilem... Dê me a pena máxima! Desejo a língua da guilhotina! Matem esse amor doentio.
matem-me! Há as nuvens, mesmo assim passarão mansas! E tão irônicas aos sentimentos nossos. Ai! Por que não me contento em ver o teu leito? Será que pelo mesmo fato de não ter tentado quando vi seu ser? Os teus protegidos e doridos sentimentos, por alguma razão a mim confiastes Eu poderia dizer que naquele dia evoquei os anjos para resgatar da iniqüidade humana a sua própria sombra, Amanda E eu os evoquei, clamei-os, lancei minh'alma em algum ponto do universo. Tentativo malogro! Os anjos não te querem, minha flor. Relicário de luz, que fizestes no jardim celestial? E nunca poderei esquecer as tuas palavras daquele instante:
Eu amei Deus! Então amei a tua voz, mais intensamente ainda. Eu, que já amava a tua imagem, agora vi que ela tinha vida, e que tal criatura era possível existir na face da terra! Para que fim? Eu o ignoro! Mas a força da loucura acometeu-me, pois eu, que dentre os homens era o encanto da morte, nada poderia obter contra Deus! Por isso, em algum ponto desse universo infinito, hão de te cederem um lugar. Mas se estás além, por que razão procuro-te na terra.
DOIS ANOS DEPOIS
Permaneço eu aqui, ainda sobe angustias pesadas Ainda esperando não sei o que, mas não tenho coragem de ir embora Mas nesse momento acabou de parti um menino, que me trouxe uma pedra para que eu me sentasse nela, E eu lhe perguntei o porquê disso E ele me respondeu como um verdadeiro sábio:
Para que mates as tuas lágrimas com a queda delas, e para que elas não se evaporem ao ar, pois esses frutos precisam ser saciados, e se são teus filhos, nada mais justo que bebam de perto, mesmo que seja o teu sangue. Retruquei:
Mas então, deitar-me-ei para ter mais valor E essa criança disse-me paciente:
Não! Tu precisas dessa pedra, pois ela vem da Antiga Grécia Como isso se deu? Perguntei curioso E ele narrou os fatos do passado:
O Sábio andava orgulhoso pelas ruas dali, e não viu a pedra que no chão estava, tropeçou e foi-se ao chão. Eu prestava atenção com os ouvidos atenciosos, quando o ser pequenino perguntou:
Quem estava invadindo área de quem? Respondi como se sábio fosse:
A pedra! Grande decepção foi a minha, pois logo tive o sentido da história. E veio a resposta:
Sábio! Como? Ele não andava numa estrada que era de comum acesso às pessoas?
Aí é que está o lapso! Aquele anda orgulhoso, querendo espiar os segredos além de suas chaves, querendo o céu, não viu o caminho pelo qual seguia e se pôs à lateral da estrada, onde repousava humilde, essa pedra, que cega até aqui a ponta dos pés dos orgulhosos... Agora cabe a você usufruir do interior socrático dessa e acrescentou:
Mas por hora descansa. Eu compreendia perfeitamente a explicação, só ignorava como aquela pedra poderia me ajudar Mas eu estava tão melancólico da minha Amanda, que não me questionei, onde estaria agora o menino? E meditando numa morada universal para minha amada, sentei sem perceber sobre aquela pedra, onde adormeci.
O SONHO
( O vale dos orgulhosos )
Um unicórnio veio de encontro ao rio, que já banhou as vestes de Amanda. E sorveu aquela água. Depois disso se retirou um tanto quanto cambaleante e foi deitar-se sob a sombra de uma árvore. E eu estava lá! Aonde? Não sei... E já fazia anos que o sol e alua fugiram do firmamento que por hora era confuso. A natureza parecida morrer a cada gole d'água que o unicórnio bebia daquele rio, que era único ali. E cada sede saciada, um filho de Merlim oferecia às torrentes uma flor. Ali tudo parecida viver o último momento. Menos o animal unicórnio, que mesmo sendo obrigado a sustentar tal lei para sua sobrevivência, sempre corria em direção a ponto de deságue do rio para resgatar as suplicadas flores, mas decepcionado e exausto, sempre parava sem terminar sua jornada. Pois a cada galope, morria a sua imagem na distância. O amaldiçoado ser quadrúpede não suportava mais ter que aniquilar para viver. Decidiu por vez, dar um salto ao precipício da terra. E quando isso fez, a natureza retomou seu curso normal. E daquele dia em diante, o sol e a lua dividiam o céu com um pégasus, que só pisava na terra quando aclamado pelos exaltados em momentos de humildade.
DOIS DIAS DO PASSADO
Estão errantes Sim estão por aí os meus dois dias do passado. Por dois dias dormi. E acordei dois dias atrasados. Bem! Não sei dizer o que acontecera. Mas tenho a permissão para salientar que uma ramagem verde do parado arrastava-se sobre o túmulo de Amanda, que ainda dormia o seu profundo sono. Quando me dei conta, ainda dormia sobre a pedra da filosofia. E por um estranho impulso, recordei-me das indicações da criança "eterna" para que eu entrasse no interior dessa que derrubou tanto filósofos, sábios, mestres, do primeiro lugar entre os homens. Por uns instantes, pedi licença à querida morta, e pus a travar uma luta com a pedra. Bati contra as outras diversas vezes Atirei-a de um penhasco. Mas, malgrado as minhas tentativas, nada obtive, o que me frustrou, e fui para um outro canto. E descontrolado lancei-a séculos a minha frente. E voltei a arranhar a terra que pesava sobre a amada. E quando cavava, percebi a sombra de um ser temeroso e que, ao fitá-lo de frente, causou-me espanto, pois nele eu via os meus dois dias do futuro. E chorei descontroladamente, e minhas águas não chegavam até o chão, uma vez que sumiam em vapores no ar. Foi daí que me lembrei do enfeitiçado cavalo voador que estava preso em meu sonho já há dois dias.
AMANDA SEM AMADA
Se eu não estivesse tão louco quando permiti que te colocassem nesse lugar frio e sujo, eu juro que mesmo morta te rogaria aos frios coveiros, para que te colocassem em meu leito. Por que agora, vê bem o que te infligiram! Tenho meu colo, e tu és um cadáver. Mas mesmo com essa dúvida, beijei-te os lábios tão frios, disformes e sujos. E por que não usastes os aromas que te preparei? Ah! Amanda tu não vês que estás sumindo com esse teu sono? Vamos, desperta-te! Vem ver o dia e a noite. Pois eu libertei o pégasus, não existe mais essa prisão do sono! Então volte do teu Muitas evocações usei para trazer minha querida daquela maldição e não obstante tudo me foi em vão! E só a essa realidade cheguei, quando ela em meus braços sumiu em pó. Eis que me resta tua delicada veste. Posso dizer que fostes na brisa, como o teu sonho e teus pensamentos. E eu quis doar-te às nuvens
BEBO NO MESMO CÁLICE TEU
Nada reclamaria eu, se me imputassem a pena de fitar o firmamento até os meus decisivos dias, Mas se não tivesse que abraçar os meus filhos, que já despertaram no leito da mãe que se foi... Sinto amor... Criei uma montanha, eu a enfrentei, vencendo o seu cume, e daquelas alturas vi o quanto somos insignificantes. E resolvi libertar os seres horrendos de minha prisão Sem escandalizar, livrei-me de tudo que me seria mal. Senti-me, então, puro e retornei aos seres frágeis. Em outras terras fui feliz! Mas me bastou retornar ao lar, e ver a face transtornada expressa na tumba de Amanda, que mês escapou em vida e em morte. Vi agarrados na madeira seca da cruz aqueles a quem batizei por filhos. E os brindei E relembrei o cálice tombado pelos lábios de meu amor. Mas minha boca sorveu um por um aqueles frutos, que em sementes foram retirados da boca doce ou sem gosto da Dama fugida. Eu os engoli sorridente. Mas não com o sorriso dela, e que gosto fino, sim, tão fino quanto essa seda. Ah! essa dor! Miséria Pretendes roçar o meu peito! Tantos anos! E já não tenho mais nada para te ofertar! Ou tu queres essas mãos mesmo que sujas? Essas próprias que acabarão com essa tua perseguição Tu queres a mim, o inocente do primeiro segundo. O louco dessa casa! O amante vivo, condenado a viver morto. E nem com uma morta o deixaram dormir. Oh! Vida, arrependo-me do berço! Ali, desse primeiro momento, lançaram-me aos infinitos túmulos vivos da amargura. Tanta ingratidão para com um transviado da sanidade. E que os homens me negaram, também foi por Deus! Por isso ergo um estandarte, em nome de uma louca que é a própria vida. Essa que me menosprezando ainda assim me chamou de filho teu em teus próprios braços.
MUTISMO
Eis o silêncio! Já parastes para refletir que as lagartas sofrem? Percebestes lágrimas nos olhos de teu cão? Ao descansar da jornada, pensastes que por certo pisastes em algumas formigas? Compreendes que é na sucessão das flores que os beija-flores existem? Sabes que o fogo que queima o mundo é filho de tua pequenina chama? Que o agressor tem frente a tua ignóbil palavra? O féretro passa silencioso! Vês as freiras e os conventos? Chegastes no extremo de tua solicitude diante do pai? Sabes aquela montanha, que agora apontas o dedo? Ela possui reflexos, esses de teus olhos! É o eco que sai da boca! É a expressão da face! É o mistério do peito! É o mudo pensamento...
SUBMISSO A VOCÊ
Eu vi! Sim! Foi-me imposto por mim, ver até mesmo a última partícula de Amanda misturar-se ao velho vento. Mas que lisonja para mim, pois por motivo de minha existência, agora tenho a querida por dentro. Eu me sinto feliz! Embora queira matar os transeuntes, que não se deram conta do corpo que por fim consegui roubar. E ali depositavam suas considerações. Mas não obstante a minha felicidade, o meu ser anseia por descobrir Amanda. Deus, livrai-me dessa rede, dessa obsessão, ou então me trazei nela mesma a rainha que escoam no tempo, e se perde no infinito. Isso será sofrer? E por que querem os meus joelhos se dobrarem frente à cruz caída que parece apiedar-se desse farrapo de homem! E que tem por pureza somente a última veste daquela que fora disputa por vários gentis homens, mas que foi ignorada quando apenas dormia. E se sorrio diante do meu célebre momento de agora, talvez seja carregar a roupagem de um anjo
A ÚLTIMA BATALHA
Séculos! Não, não batalharei mais! Nem mesmo pela última vez... Eis que profundamente temo esse poder que a tudo governa. E que bem sabe dessas chamas infernais que eu mesmo alimento. E talvez ela até exista pela razão da tua existência. Imploro, cansado dos tempos. Mas ainda erguido por essas vestes. Essa que me alimenta mais que a própria Amanda. Agora desfaço-me de tudo frente ao teu trono! Criador de Amanda, reconheça o teu filho! Criastes o teu anjo Criastes o teu demônio! Mata-me com Amanda Disseram-me que no trono de um rei deposita-se humildade! Aqui estou e não pretendo ser hipócrita! Perdoa-me, dando-me a mulher que amo! E finalizarei a guerra de meus séculos. Ela é eterna, tornou-se a primeira e a última! Mas eis que caio de joelhos, aqui, e encontro à pedra do meu passado. E aos pés de teu trono mergulhei naquele enigma, onde encontrei a criança e o unicórnio. A criança trazia nas mãos a mesma pedra e uma espada na qual o aço tinha por meta atingir a pedra socrática. E quando a lâmina entortou-se e cegou-se, o anjo aproximou-se de mim, e trouxe mais uma sabedoria.
A afiada espada só corta aquilo que lhe é outorgado, e agora ela se cede aquilo que os séculos destruirão. Tu tens de ser como esses dois irmãos, quando lançarem pedras, serás como o tempo, e quando quiserem te cortar, serás como a pedra. Mas deveis ser suave, pois desses dois o que é eterno é o tempo no infinito... Notei então que aquela pedra era filha da sabedoria daquele ser.
MEUS SINOS TOCAM ADIANTE DO TEMPO
Tentarei o último toque nos céus. Morrerei sob os olhos de Deus! Quando não tenho mais a pretensão de violentar os extremos. E o que tenho são ainda os frutos daquele cemitério, onde inutilmente os dias passam! À minha amada permitido não me foi abraça-la em vida, muito menos me foi na morte; Viemos ao mundo juntos, mas posso dizer que, quando o sol nasceu, necessariamente a lua morreu, e dizendo ir em busca do seu grande amor na eternidade, quando ele de lá retornava para busca-la. Posso contemplar esse romance, como posso ouvir as derradeiras badaladas dos sinos na grande capela, vem assombrando minha intimidade. E digo sem cessar: os séculos me pertencem! Mas agora os temo! Tenho solidão. Sacudistes a minha boca, que agora receia clamar por aquela senhora que me fez sucumbir. E neste vale das sombras eis que somos incontáveis, mas só vejo a mim!
DENTRO DA ETERNIDADE DEVORA AS CHAMAS
O tempo vive para mim. E os séculos acompanham,-me mesmo que eu não dê um passo. Os caminhos das trevas encandecem com minha presença, o fogo que tem! Eu estou livre! Mas nas chamas! De onde não sei há quanto tempo dei-me o último cálice. Bebi o doce, é que me trouxe o amargor! Sento por momentos o nada, e agora definho-me em meus de incontáveis séculos. Deus ainda me mantém vivo! E ainda sem minha vida. E sou mais irônico, pois aceitei a luta do filho contra o pai. Se ele me manda as chamas, eu as desejo E se a dor for mais forte, eu a derrotarei em mais alguns séculos milênios... E as chamas do inferno não são tão ingratas assim, pois que estão unidas a mim as vestes de Amanda e as lembranças Há séculos alguém se lembrou de mim e falou aos céus, em misericórdia para com esse que arde. É inútil! Pois em tal região sofro menos de que sem o amor. E vão se lembra desse réprobo A eternidade a Deus. E a eternidade sem luzes para mim! De onde nunca poderei estender as mãos novamente em direção ao universo, em intenção de Deus. Como desejo por mais uma vez a cicuta Ainda estou vivo! E posso ver a potência que represento para os portões do paraíso Somente Amanda está morta? Não descansarei da luta que travo!
A LUZ BEIJA AS TREVAS
Paz! Enfim a luz sobre este pecador Ajude-me Mas te cuida para que não te contamines com minhas sombras Permite-me tocar uma ponta de teu manto? -Filho! Agarra-te e não o largues, jamais, pois as tuas pedem outras, mas não as poderei dar, cumpre a te adquiri-la, face a vida que tens
oh Anjo celestial, donde tu vens, trazendo paz a esse infortunado do passado?
Filho, anjo meu! Dói mais em mim que em ti pois eis que te tenho em todos os momentos desse teu martírio voluntário! Isso filho, choras, pois a dor também extrai a verdade, há séculos te espero. Sou aquela envenenada aquela na qual tu te envenenastes, mas agora te trago paz e luz. E como tu retiraste o meu corpo do cemitério, eu venho retirar-te dessas trevas. Filho meu, bem amado! Eu sou Amanda, tua irmã. Agora durmas, pois os teus olhos a tanto nas descansam.
Dizem que neste dia aconteceu um eclipse tão longe, que todas as desafeições se reaproximaram.
A Garota do Balcão
Passei dois anos tentando entender como é perder alguém.
Não perder por briga ou despedida, mas perder por dentro.
Perder a fé no sentimento, perder a crença no amor, perder a certeza de que algo assim pudesse acontecer de novo.
Durante esse tempo, eu realmente acreditei que não encontraria mais ninguém.
Que algumas pessoas atravessam a nossa vida levando consigo tudo o que havia para amar.
Que depois delas, o coração aprende a funcionar… mas não a sentir.
E então, sem qualquer aviso, eu entrei numa loja de acessórios de celular.
É curioso como a vida escolhe cenários simples para grandes recomeços.
Entre películas de vidro, suportes discretos e cabos organizados não por cor, mas por tipo —
como se até ali tudo precisasse fazer sentido —
havia uma garota atrás do balcão.
E o mais estranho de tudo é que a única coisa que realmente nos separa…
é o balcão.
Não foi só o sorriso que chamou atenção.
Foi o conjunto.
O jeito contido.
As tatuagens minimalistas, quase silenciosas, marcadas como pensamentos que não precisam ser explicados.
Detalhes pequenos, mas cheios de intenção — como quem diz muito sem dizer nada.
E então tem o olhar.
Um olhar tão misterioso que desconcerta.
Daqueles que, se sustentado por mais de três segundos,
faz a gente desviar não por timidez,
mas por sentir demais.
Ali eu entendi uma coisa importante:
o amor não avisa quando volta.
Ele reaparece… diferente.
Não veio com urgência, nem com exagero.
Veio como curiosidade.
Como vontade de permanecer um pouco mais.
Como aquela sensação estranha de querer voltar ao mesmo lugar sem precisar de motivo.
A Garota do Balcão não sabe,
mas ela desmentiu uma certeza que eu carreguei por dois anos.
Ela provou que a gente nunca perde a capacidade de se apaixonar —
a gente só esquece como é até alguém lembrar.
Hoje, confesso ao público:
já não tenho mais o que inventar para entrar naquela loja.
Já comprei o que precisava… e o que não precisava também.
Mas continuo voltando.
Talvez isso não seja uma história de amor.
Talvez seja só um capítulo breve.
Ou talvez seja o começo de algo que ainda não tem nome.
Mas uma coisa é certa:
depois de tanto tempo acreditando que o sentimento tinha ficado no passado,
eu me apaixonei de novo.
De um jeito novo.
Mais calmo.
Mais consciente.
Mais verdadeiro.
E tudo isso começou…
E tudo isso começou com um balcão no meio.
Não como obstáculo,
mas como prova de que às vezes o amor não está distante —
só separado por alguns centímetros
e pela coragem de atravessar.
✝️ O amor santo é paciente e bondoso; ativo para o bem e contra o mal, fazendo justiça, e passivo na reação, sem retribuir o mal com o mal.
📖 1 Coríntios 13:4
Atroz ser
Por excelência
Ate essência...
Reluz assim por existir.
Arco da decadência.
Inflama o seu ego...
Bem assim como o fel...
Paira pela solitude.
Vagas pela virtude julgada...
Assim mesmo atento voar pela madrugada.
O vento sopra pensamentos...
luz, soa o momento que ainda olhamos os céus....
As partículas de insinuações.
Sendo as palavras apenas sussurros
Que dão deslumbre da derradeira sombra acolhedora.
Sera que mundo ainda respira a virtude...
Por Celso Roberto Nadilo
O sere
Vastidão
Seria insignificante
apenas dizer: te amo.
Seria negligente
com a vastidão inexplicável
do meu sentimento.
Assim como a imensidão
do universo desconhecido,
faltam-me palavras para
descrever o que sinto.
Teria você
que se ver pelos meus olhos,
conhecer meus pensamentos,
sentir através do meu coração
e ouvir, quando a cito,
na minha oração.
E assim, somente assim, talvez
ter uma ínfima noção.
Se o mundo lá fora estiver barulhento e pesado demais, vem para cá. Deixa eu ser o seu silêncio, o seu descanso e a certeza de que você nunca mais precisará carregar nada sozinha.
Você não precisa ser forte o tempo todo. Tira esse peso das costas e deixa eu ser o seu ponto de paz. Estou aqui para dividir a carga e renovar suas forças.
Não importa a distância, meu apoio é o seu porto seguro. Quando o cansaço bater, solta um pouco o peso e descansa em mim; eu ajudo você a carregar o resto.
Eu posso não estar ao seu lado fisicamente agora, mas nunca te deixarei carregar o mundo nas costas sozinha. Lembre-se: metade desse peso é meu, e eu estou aqui para te ajudar a segurar o que for preciso.
Sempre que sentir que o mundo está pesado demais para carregar sozinha, fecha os olhos e me encontra aí dentro. Mesmo longe, meu coração está de mãos dadas com o seu, pronto para dividir cada fardo e transformar esse peso em leveza.
SUBMERSA EM MIM
A chuva lá fora transborda o que carrego no peito. Sob o toque das gotas, perco-me em correntes submersas, vendo que, nesse oceano, não há margem para voltar — apenas o agora, profundo e infinito. Um mergulho intenso que só eu sinto.
Lu Lena
O ENIGMA DO RETORNO
Lancei a rede para dentro de mim, esperando encontrar respostas. Quando a puxei, só havia o brilho escorregadio de peixinhos voláteis; sem início, meio ou fim.
Lu Lena
Querida Jéssica,𔘓
Para ter um relacionamento saudável,preze pela comunicação honesta, respeito mútuo à individualidade e confiança. Estabeleça limites claros, mantenha sua própria vida, atividades de lazer, e evite idealizar o parceiro. O amor-próprio é a base; a parceria deve somar, não completar.
Nunca se diminua para fazer alguém feliz e, acima de tudo, retribua a felicidade que alguém te traz.
Espero ter ajudado 😉
Beijinhos ☘︎୧⍤⃝🌷𔘓
PARADOXO da PROGRIÇÃO
Define-se como o movimento evolutivo em que a aceleração para o futuro é ditada pela profundidade do olhar sobre o passado, estabelecendo que a única forma segura de antecipar o incerto é através da utilização estratégica do "retrovisor da História".
Neste paradigma, o intervalo entre desastres deixa de ser uma espera passiva para se transformar numa construção ativa de maturidade, funcionando como um motor que transmuta a energia cinética e destrutiva dos eventos do Contínuo de Magnitude em energia potencial de prevenção. Neste contexto, o gestor de emergências assume o papel de "historiador do futuro", garantindo que a inovação não seja um voo cego, mas sim uma ascensão em espiral sustentada pela solidez da memória e pela resiliência da condição humana.
[Ultraviolenta]
Eu traria o Sol até aqui,
Só pra vê-lo fracassar,
Atirado na lama,
Envolto em sombras,
Ofuscado por tua luz,
Apagado por tua chama.
Atrairia o Sol até aqui,
Só pra vê-lo implorar,
Desonrado em má fama,
Caído no esquecimento,
Ocultado por tua luz,
Resfriado por tua cama.
Eu trairia o Sol bem aqui,
Só pra vê-lo agonizar
Diante de ti, adorável tormenta.
Desprezado por quem mais ama,
Continue desumana contra mim,
Siga desprezível e ultraviolenta.
Apagado por tua chama,
Diante de ti, adorável tormenta,
Siga desprezível e ultraviolenta.
(Michel F.M. - Atlas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)
Desacelerou.𑁍ࠬܓ𔘓
Cantando as miudezas do dia, a mulher se senta no sofá e, sem perceber, adormeci.
Entre o sofá e o campo de dentes-de-leão, ela perdeu os sapatos e o peso do mundo.
E ela despertou mais leve, menos cansada, com a certeza de que nada lhe pertencia.....𓍯𓂃𖡼𖥧𖡼𖤣𖥧
