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Onde a Luz Aprende a Sentir
Antes da luz,
existia um silêncio tão profundo
que nem mesmo o tempo
sabia para onde caminhar.
Então nasceu a vida —
pequena, frágil, inexplicável —
com um coração aprendendo
a transformar ausência em esperança.
E foi assim que o mundo começou:
uma luz tocando outra luz,
um olhar encontrando abrigo,
uma alma percebendo
que não nasceu apenas para existir.
Porque viver
não é somente atravessar os dias.
Viver é carregar tempestades no peito
e, ainda assim, oferecer flores.
É conhecer a noite
sem esquecer que existe manhã.
Há sentimentos
que não cabem em palavras.
São como estrelas:
ninguém consegue segurá-las,
mas basta levantar os olhos
para saber que estão ali.
Talvez seja isso a vida:
uma breve chama
acesa entre dois infinitos.
E talvez o sentimento
seja a razão pela qual ela continua acesa.
Pois enquanto houver alguém capaz de amar,
de lembrar,
de sonhar mesmo depois da dor,
a luz nunca terá desaparecido.
Ela apenas terá encontrado
outro coração
para nascer novamente.
hereditário, até mim.
Meu filho, minha filha, eu ainda não sei como será o seu rosto, se você vai carregar os meus olhos, o meu sorriso ou alguma mania tão parecida comigo que vai me fazer parar por alguns segundos diante de você tentando entender como alguém que ainda nem existia conseguiu carregar alguma parte de mim, mas existe uma coisa que eu já sei antes mesmo de conhecer a sua voz, você nunca vai precisar olhar para dentro de si procurando uma razão para o meu amor. Eu quero que você cresça sabendo que foi desejado antes de ser visto, amado antes de ser tocado e esperado antes mesmo de ter um nome, porque eu conheço o estrago que a dúvida pode fazer quando ela cresce junto com uma criança.
Eu sei como é olhar para os próprios pais e não entender por que o carinho parece tão difícil de alcançar, como se existisse alguma distância invisível entre você e as pessoas que deveriam ser o seu primeiro abrigo. Passei boa parte da infância tentando compreender coisas que uma criança nunca deveria precisar compreender, observando meu pai, observando minha mãe, tentando encontrar algum sentido nas dores que existiam dentro daquela casa e que, embora não tivessem começado comigo, acabavam chegando até mim.
Meu pai tinha as próprias feridas, os próprios erros e as próprias maneiras de fazer o mundo pesar sobre quem estava perto dele, e minha mãe carregava as consequências de muitas dessas coisas dentro dela, junto com a sensação de ter perdido uma parte da própria juventude e de ter precisado amadurecer em lugares onde talvez só devesse ter vivido. Eu era pequeno demais para saber separar a dor dela da minha, então muitas vezes aquilo que machucava minha mãe encontrava em mim um lugar para continuar existindo, e eu recebia sentimentos que não sabia nomear, muito menos entender de onde vinham.
Hoje eu consigo olhar para isso com outros olhos e perceber que ela também era uma pessoa tentando sobreviver às próprias circunstâncias, mas naquela época eu não tinha essa capacidade. Eu só sabia que alguma coisa estava errada e, como toda criança que ainda não conhece a complexidade dos adultos, comecei a procurar a resposta em mim. Talvez eu tivesse feito alguma coisa. Talvez eu não fosse bom o bastante. Talvez se eu fosse diferente, mais obediente, mais quieto, mais fácil de amar, alguma coisa dentro daquela casa finalmente encontrasse paz.
Foi assim que algumas culpas cresceram comigo.
A culpa por não conseguir proteger minha mãe, como se fosse responsabilidade de uma criança impedir a dor de um adulto. A culpa por sentir raiva de quem também estava sofrendo. A culpa por ter precisado de afeto justamente quando as pessoas ao meu redor estavam ocupadas demais tentando sobreviver às próprias dores para perceber que eu também precisava ser cuidado. E, enquanto outras pessoas podiam simplesmente atravessar a infância, eu fui aprendendo cedo demais a observar o ambiente, medir palavras, perceber mudanças de humor e tentar descobrir quando era seguro simplesmente existir.
Eu não quero isso para você.
Quero que a sua infância tenha espaço para ser infância, que você possa desperdiçar uma tarde brincando de alguma coisa que eu não entendo, que possa voltar para casa cheio de histórias inúteis e maravilhosas, que possa se apaixonar pela primeira vez sem medo de contar, errar sem imaginar que o seu erro vai fazer alguém deixar de amar você e crescer sem precisar descobrir cedo demais como os adultos escondem suas próprias dores.
Quando alguma coisa acontecer, eu quero que você pense em mim como alguém para quem você pode correr, não alguém de quem precisa se esconder. Se o mundo te machucar, eu quero conhecer a ferida antes de perguntar quem teve razão. Se você fizer alguma coisa da qual tenha vergonha, quero que a primeira coisa que encontre nos meus olhos seja a certeza de que aquilo não mudou o lugar que você ocupa em mim. Se um dia você não souber o que está sentindo, quero que possa sentar ao meu lado em silêncio e ainda assim sentir que não está sozinho.
Porque eu sei o que acontece quando uma criança aprende que precisa resolver tudo dentro dela.
Ela cresce.
E leva essa criança consigo.
Durante muito tempo eu carreguei a sensação de que precisava ser forte antes mesmo de saber o que força significava, e talvez parte dos problemas que vieram depois tenham nascido justamente dessa falta de colo, dessa dificuldade de acreditar que alguém poderia ficar quando eu deixasse de ser conveniente, dessa necessidade de procurar nos outros aquilo que deveria ter aprendido primeiro dentro de casa. A ausência de afeto não desaparece quando a infância termina, as vezes ela apenas muda de roupa e passa a aparecer nos relacionamentos, nas escolhas, nos medos, na maneira como alguém ama e até na maneira como espera ser abandonado.
Eu não quero que você precise aprender amor pela falta dele.
Quero que você aprenda pelo excesso.
Quero que você saiba que pode ser amado sem produzir nada em troca, que pode existir sem precisar provar o próprio valor, que pode discordar de mim sem perder meu respeito, que pode seguir uma vida completamente diferente da que eu imaginei e ainda encontrar em mim alguém torcendo por você. Não quero criar uma versão de você que corresponda às minhas expectativas, quero conhecer a pessoa que vai nascer quando você descobrir quem é.
E se algum dia você se parecer comigo, que seja apenas nas coisas bonitas que eu conseguir deixar para trás. Talvez você tenha meu rosto, minha voz, meus gestos ou alguma mania que vai fazer sua mãe rir porque ela vai reconhecer imediatamente de onde veio, mas eu não quero que você precise carregar aquilo que me feriu só porque veio antes de você. Você não é a continuação das minhas dores, assim como eu não deveria ter sido responsável pelas dores dos meus pais.
Eu passei muito tempo tentando não me tornar aquilo que me machucou e descobri que não basta fugir de uma herança para quebrá-la, é preciso olhar para ela de frente, reconhecer onde ela deixou marcas e decidir conscientemente o que termina ali. Eu não posso mudar o pai que tive, não posso devolver a infância que perdi, não posso apagar as vezes em que precisei entender sozinho coisas que deveriam ter sido explicadas com carinho, nem posso voltar no tempo para abraçar aquele menino e dizer que nada daquilo era culpa dele.
Mas posso fazer uma coisa que talvez seja ainda mais importante.
Posso impedir que ele continue existindo através de você.
Se algum dia eu errar, quero que você veja em mim alguém capaz de reconhecer o próprio erro. Se eu estiver errado, quero que minha idade não seja uma desculpa para estar certo. Se você me mostrar uma dor que eu não consigo compreender, quero que minha primeira reação seja tentar conhecê-la, não diminuí-la. Eu não quero usar a autoridade de ser seu pai para impedir que você tenha voz, porque sei demais sobre o que acontece quando uma criança aprende que seus sentimentos precisam desaparecer para que os adultos consigam continuar.
Você não vai precisar carregar a culpa pelo casamento dos seus pais, pelas dificuldades deles, pelas escolhas deles ou pelas coisas que aconteceram antes de você chegar. Se eu e sua mãe tivermos problemas, eles serão nossos. Se estivermos cansados, será nossa responsabilidade encontrar uma maneira de cuidar um do outro sem transformar você em testemunha ou responsável por aquilo que não lhe pertence.
Eu quero que você tenha uma coisa que para mim demorou muito para existir, a certeza de que os adultos ao seu redor são responsáveis pelas próprias feridas.
Você será filho.
Nada além disso.
E talvez seja justamente essa a maior forma de proteção que eu possa oferecer.
Não quero que você seja meu confidente quando eu estiver quebrado, não quero que você precise escolher lados, não quero que sinta que precisa me salvar, muito menos que precise amadurecer para me entender. Se um dia eu estiver mal, vou tentar encontrar outros adultos para dividir o peso, porque você não nasceu para carregar aquilo que eu não consegui resolver.
Você nasceu para viver.
E eu quero assistir.
Quero assistir você descobrir as coisas, mudar de ideia, escolher caminhos que eu jamais escolheria, quebrar a cara, voltar para casa, se apaixonar, perder alguém, ganhar alguma coisa importante, rir até faltar ar e chegar aos trinta anos contando uma história da sua adolescência que eu provavelmente vou fingir que já sabia. Quero estar presente nas partes bonitas e nas partes difíceis, não para controlar a sua vida, mas para que você nunca precise atravessar nenhuma delas acreditando que está sozinho.
Talvez algum dia você me pergunte sobre o meu passado e eu precise falar das coisas que me fizeram ser quem sou. Talvez eu conte sobre um menino que cresceu cercado por adultos que também não sabiam muito bem como cuidar das próprias dores, sobre um pai que deixou marcas e uma mãe que também carregava marcas demais, sobre a culpa de ter visto coisas que nunca deveria ter visto e sobre a sensação de ter perdido pedaços de uma juventude tentando entender uma família que não sabia como permanecer inteira.
Eu provavelmente vou chorar quando contar.
Mas espero que, depois de ouvir tudo, você consiga perceber que aquelas histórias chegam até mim e param aqui.
Não atravessam você.
Porque você não precisa pagar pela minha infância, assim como eu nunca deveria ter precisado pagar pela infância dos meus pais. Eu não quero transformar aquilo que me faltou em uma dívida que você precisa quitar sendo o filho perfeito. Quero transformar aquilo em consciência, para que eu saiba exatamente o tipo de pai que quero ser quando você precisar de mim.
E talvez seja por isso que pensar em você tenha uma tristeza tão bonita.
Porque, de alguma maneira, eu consigo imaginar uma criança recebendo aquilo que um dia eu procurei sem saber como pedir. Consigo imaginar alguém crescendo com a certeza de que existe uma pessoa no mundo para quem sua existência nunca será um peso. Consigo imaginar você entrando pela porta depois de um dia ruim, jogando as coisas no chão, sentando ao meu lado e contando alguma coisa que para qualquer outra pessoa pareceria pequena, mas que para mim será importante simplesmente porque aconteceu com você.
E talvez naquele momento eu entenda que não consegui voltar para buscar aquela criança que fui, mas consegui impedir que ela desaparecesse sem deixar nada de bom para trás.
Ela me ensinou o que eu não quero repetir.
Ela me mostrou onde dói.
E, de alguma forma, me trouxe até você.
Se um dia você olhar para mim e perceber que somos parecidos, eu espero que não seja preciso ter medo daquilo que encontrou. Quero que você possa reconhecer meu rosto no seu sem encontrar nele a obrigação de repetir minha história. Quero que você carregue meu sangue sem carregar meus fantasmas, que tenha meus olhos sem enxergar o mundo através das minhas cicatrizes e que, quando pensar em mim, a palavra que venha antes de qualquer outra seja abrigo.
Porque eu quero ser o homem que fica.
O homem para quem você liga quando não sabe para onde ir.
O homem cujo abraço não precisa ser merecido.
O homem que consegue ouvir um “eu errei” sem transformar aquilo em vergonha.
O homem que, mesmo depois de uma discussão, ainda deixa a porta aberta.
E, principalmente, quero ser aquele pai que você nunca precisará perguntar se ama você, porque isso estará tão presente na maneira como eu te olho, te escuto, te protejo e te deixo ser quem você é que a pergunta sequer vai precisar nascer.
Quando você for adulto, talvez já não precise tanto de mim. Talvez tenha sua própria casa, sua própria família, seus próprios problemas e uma vida que eu só vou conhecer em partes. Mas eu espero que alguma coisa permaneça intacta dentro de você, uma memória simples de quando era pequeno e acreditava que o mundo podia ser enfrentado porque seu pai estava por perto.
E se algum dia você tiver um filho, talvez compreenda por que eu escrevi tudo isso antes mesmo de saber quem você seria.
Eu não estava tentando imaginar uma criança perfeita.
Estava tentando imaginar uma criança livre daquilo que me aprisionou.
Eu não quero ser lembrado como o pai que nunca errou. Quero ser lembrado como o pai que tentou não fazer você pagar pelos erros que vieram antes dele. Quero que você saiba que eu também tive medo, que também carreguei culpa, que também precisei aprender a amar sem confundir amor com abandono, mas que em algum momento decidi que a minha história não precisava continuar exatamente como começou.
Algumas heranças são feitas de sangue.
Outras são feitas de silêncio.
Eu quero que a minha para você seja feita de amor.
E talvez seja essa a única maneira que encontrei de conversar com aquela criança que ainda existe em algum lugar dentro de mim, prometendo a ela que o que faltou não será esquecido, mas também não será repetido.
Porque um dia você vai nascer, vai olhar para mim sem saber absolutamente nada sobre o homem que está diante de você, e eu vou ter a vida inteira para te mostrar.
Nesse primeiro olhar, eu espero que você não veja perfeição.
Espero que veja presença.
E, quando você crescer, quando puder entender todas as coisas que eu não consegui explicar enquanto era pequeno, talvez finalmente consiga compreender a promessa que fiz antes mesmo de você existir
eu não posso mudar o pai que eu tive, nem a mãe que tive, nem salvar o menino que fui, mas posso amar você de uma maneira que faça aquela história terminar em mim.
E, se eu conseguir fazer isso, talvez pela primeira vez uma coisa que começou como ausência termine como presença, uma coisa que começou como culpa termine como proteção, e tudo aquilo que um dia me fez perguntar se eu era digno de amor encontre finalmente uma resposta em você.
Não porque você veio me curar.
Mas porque você nunca precisará ser ferido para aprender o que é ser amado.
Não é necessário ser jurista para reconhecer que o Supremo Tribunal Federal é, e sempre será, o guardião da Constituição Federal, jamais um partido político.
Benê Morais
Um homem de mau-caráter pode ser perigoso. Mas um homem de bom caráter, quando precisa proteger quem ama, torna-se imparável.
TÁ NA SALA
Tá na sala o povo chegando,
Pra última despedida,
Uns trazendo no silêncio
As lembranças desta vida.
Eu, deitado, observo tudo,
Sem poder dar mais um pulo,
Pois já terminou minha lida.
Tem gente que fica calada,
Relembrando o que passou,
Revendo antigas histórias,
Tudo aquilo que viveu.
Outros dão boas gargalhadas
Das minhas velhas presepadas,
Das peripécias que aprontou.
Um lamenta a minha perda,
Diz que eu era bom amigo,
Outro fala: “É muito triste,
Nunca pensei nesse perigo.”
E entre um suspiro e outro,
Vão lembrando do meu rosto
E do tempo que esteve comigo.
Tem conversa sobre o presente,
Sobre a vida e a situação,
Enquanto alguém, bem baixinho,
Puxa outra recordação.
“Ele fez isso certa vez...”
E começa outra história
No meio da reunião.
Uns contam contos do falecido,
Que eu jamais pude imaginar;
Cada qual tem sua lembrança,
Cada qual tem seu contar.
E eu escuto em silêncio,
Percebendo que, no tempo,
Já não posso mais falar.
Chegam amigos e parentes,
Para os meus confortar,
Dão abraços apertados,
Tentando amenizar.
Mas, olhando aquela cena,
Descubro, sem mais problema,
Que não posso mais voltar.
Observo todos na sala,
Cada gesto, cada olhar,
E começo a compreender
O que é enfim descansar.
A conversa continua,
Mas minha voz ficou na rua,
Não tenho mais como falar.
Foi então que eu percebi
Que a vida tinha passado;
Eu estava ali presente,
Mas já não era mais lembrado
Como alguém que estava vivo.
Eu era apenas o motivo
De todos terem chegado.
Tá na sala a despedida,
Tá no rosto a emoção,
Tá no canto de um amigo,
Tá no abraço de um irmão.
E entre lágrimas e risadas,
Vão fechando as minhas estradas
Sem nenhuma explicação.
Quando o talude se fecha,
E termina a derradeira passagem,
Pela porta saio sozinho,
Sem bagagem, sem viagem.
Não levo ouro nem dinheiro,
Nem relógio, nem roteiro:
Só aquilo que fui na passagem.
A última porta se fecha,
E o silêncio toma o lugar.
Deixo a sala, deixo a casa,
Deixo o mundo e seu falar.
E sigo, sem mais demora,
Meu destino vida afora,
Para onde ninguém pode voltar.
Tá na sala!
Foi assim que eu compreendi:
Enquanto vocês se despediam,
Eu também me despedia de mim.
Poderoso
Apelo Final da Sensibilidade
Mulheres e Afins,
Dominem o Mundo
E Salvem a Humanidade.
-
Michel F.M
B.M.F. Margoni
O PÓDIO QUE MUITOS PROCURAM PARA SEREM VISTOS, JESUS ENCONTROU NA CRUZ PARA NOS SALVAR.
Autor: Góis Del Valle
Muitos passam a vida procurando o pódio.
Jesus também chegou ao seu.
Mas o pódio de Jesus não tinha ouro, aplausos ou troféus. Tinha uma cruz.
Enquanto muitos querem estar no alto para serem vistos, Jesus esteve no alto para se entregar.
O mundo chama de vitória aquilo que nos coloca acima dos outros. Jesus mostrou que, às vezes, a maior vitória é entregar-se por eles.
O pódio de Jesus foi a cruz.
MACALÃ — A AGUARDENTE DOS CORRUPTOS
Lá pras bandas de Brasília
Tem reunião todo dia,
Homem de terno alinhado,
Cheio de pompa e regalia,
Coleirinho bem branquinho,
Com discurso de carinho,
Mas por trás, quem saberia?
Sentados numa grande mesa,
Com fartura e gentileza,
Político e empresário,
Autoridade e alteza,
Fazem brinde, apertam mão,
Trocam papel e comissão,
Tudo em nome da riqueza.
No centro daquela mesa
Tem uma garrafa acesa,
Com um nome bem sugestivo,
Que causa muita surpresa:
MACALÃ, a aguardente,
Que deixa o corrupto contente
E embriaga a esperteza.
Um diz: “Vamos conversar,
Tem contrato pra assinar.”
Outro responde sorrindo:
“Tem licitação pra ganhar.”
Um terceiro, muito ligeiro:
“Se sobrar algum dinheiro,
A gente pode repartir.”
E a garrafa vai passando,
E o acordo vai fechando,
Um gole pra cada amigo,
Todo mundo comemorando.
Quem pergunta fica de fora,
Quem se cala ganha a hora,
E o povo fica pagando.
Tem gravata e tem colarinho,
Tem discurso bem mansinho,
Tem promessa de progresso,
Tem aperto de carinho.
Mas quando a conta aparece,
O pobre é quem paga a prece
E fica sozinho no caminho.
Falam muito em democracia,
Em justiça e cidadania,
Em combate à corrupção,
Em moral e economia.
Mas se a porta se fechar,
Tem segredo pra guardar
Debaixo da mesa fria.
Macalã corre ligeira
Pela mesa traiçoeira;
Quem bebe perde a vergonha,
Quem vende ganha a carreira.
E aquele que diz “não quero”
É chamado de exagero
Por não entrar na brincadeira.
Tem obra, tem emenda,
Tem contrato que se estenda,
Tem privilégio escondido,
Tem promessa que se venda.
Enquanto o povo trabalha,
Tem quem faça sua farra
Com a riqueza desviada.
Mas cuidado, meu cidadão,
Não aceite essa ilusão:
Corrupção não é destino,
Nem faz parte da nação.
Se o poder perde a medida,
Quem sofre na própria vida
É quem paga a corrupção.
Brasília pode ser bela,
Mas não deve ser janela
Pra quem olha o povo de longe
E só protege a sua cela.
O poder que vem da gente
Deve servir honestamente,
Não alimentar mamela.
E se a Macalã surgir
Com alguém querendo servir,
Pergunte antes do brinde:
“Quem vai depois ressarcir?”
Porque enquanto eles bebem
E seus acordos concebem,
É o povo que vai pagar.
MACALÃ, pode guardar,
Não venha nos embriagar!
O Brasil precisa é de justiça,
De coragem pra fiscalizar.
Pois quando a esperteza impera,
A corrupção prospera
E o povo começa a acordar.
No fim deixo este refrão,
Como alerta à população:
“Macalã embriaga o corrupto,
Mas não embriaga o cidadão;
Enquanto uns brindam ao lucro,
O povo paga a conta na mão!”
3404 📜 Vou ali, na Casinha, e volto no horário previsto ou a qualquer momento, em edição extraordinária.
3403 📜 Tendo em vista os fatos, nesta República, Imagino, só Imagino, que tem alguém 'Terrivelmente' Preocupado! Pode ser que sim, pode ser que não. Por isso só imagino!
Todos os dias recebemos 86.400 segundos. O banco chamado, tempo abre uma nova conta para você e para mim, todos os dias. Não há saldo acumulado, não há crédito para amanhã, não há saque antecipado. Ao fim do expediente, aquilo que não foi utilizado simplesmente desaparece — sem recibo, sem devolução, sem segunda oportunidade.
E talvez essa seja a maior crueldade da existência: acreditamos possuir o tempo, quando, na verdade, somos nós que pertencemos a ele.
O sol nasce uma única vez para cada manhã; quem espera que ele nasça duas vezes talvez ainda não tenha compreendido que a vida não repete seus instantes. O passado não aceita negociação, o futuro não oferece garantias e o presente é apenas um breve intervalo entre o nada que fomos e o nada que inevitavelmente seremos.
É VEROSÍMIL O LIXO
Autor: Góis Del Valle
É verossímil o lixo
quando repousa onde o deixaram,
sem pedir licença,
sem explicar de onde veio.
Há lixo que chega limpo,
quase intacto,
com aparência de coisa nova.
Mas basta o tempo
para revelar o que guarda.
É verossímil o lixo
que escolhe a sombra dos cantos,
que se acumula longe dos olhos,
onde ninguém costuma procurar.
Há restos que mudam de lugar,
empurrados para debaixo,
para trás,
para dentro de alguma fresta.
Para debaixo do tapete.
Não desaparecem.
Apenas deixam de ser vistos.
O lixo também conhece o momento
de permanecer quieto.
Aprende onde não incomoda,
quando não exala,
quando não chama atenção.
Mas a chuva espalha.
O vento revela.
A maré devolve.
E aquilo que parecia distante
volta para a superfície.
É verossímil o lixo
quando ninguém está olhando.
É ali que ele ocupa espaço,
ali que se acumula,
ali que deixa sua verdadeira marca.
No fim,
não importa o valor da embalagem,
nem o lugar onde foi encontrado ou vendido.
Todo lixo revela,
cedo ou tarde,
aquilo que realmente é.
Você apareceu na minha vida sem avisar e, quando percebi, já tinha ocupado um espaço que ninguém mais poderia preencher. O que começou de repente se transformou no sentimento mais bonito que carrego no coração. Hoje, você não é apenas parte da minha vida… você é meu amor, meu porto seguro e meu tudo.
LIVRO: VAMPIRISMO.
DE - J. HERCULANO PIRES:
UMA LEITURA SOBRE A INFLUÊNCIA ESPIRITUAL E A RESPONSABILIDADE MORAL.
Obs. Divulgamos o livro, não recebemos nada a não ser a satisfação de auxiliar aos leitores livros indispensáveis à maturidade espírita.
Marcelo Caetano Monteiro.
Há temas dentro do Espiritismo que exigem mais do que curiosidade: exigem discernimento.
Entre eles está o vampirismo.
Ao abordar esse assunto, J. Herculano Pires nos conduz para além da imagem superficial e quase folclórica do “vampiro”. No campo espírita, a questão é muito mais profunda: trata-se da possibilidade de influências espirituais que se estabelecem por meio de vínculos, afinidades, desequilíbrios e sintonia entre Espíritos encarnados e desencarnados.
O ponto essencial, entretanto, não está em alimentar o medo.
Está em compreender.
A Doutrina Espírita não nos convida a enxergar o mundo espiritual como um território povoado por forças misteriosas das quais precisamos fugir permanentemente. Ela nos chama, sobretudo, à compreensão das leis morais que regem nossas relações e à percepção de que nossos pensamentos, sentimentos e atitudes participam da construção daquilo que atraímos para nossa experiência.
É nesse ponto que o tema do vampirismo ganha uma dimensão profundamente psicológica.
Existem dependências afetivas, paixões descontroladas, ressentimentos prolongados, desejos de domínio, sentimentos de culpa, pensamentos obsessivos e hábitos mentais que podem criar vínculos de sofrimento. Quando essas disposições encontram correspondência em outras consciências, encarnadas ou desencarnadas, estabelecem-se relações de influência que podem prolongar o desequilíbrio.
Por isso, estudar o vampirismo não deveria nos levar imediatamente a perguntar:
“Quem está me prejudicando?”
A pergunta espírita mais fecunda talvez seja:
“Que tipo de sintonia estou estabelecendo?”
Essa mudança de perspectiva é fundamental.
Porque, se transformarmos todo sofrimento em consequência da ação de um Espírito obsessor, corremos o risco de abandonar justamente aquilo que o Espiritismo procura desenvolver em nós: a responsabilidade sobre a própria vida.
Herculano Pires tratou os fenômenos espirituais com seriedade e procurou afastá-los tanto da incredulidade sistemática quanto da credulidade sem exame. Seu pensamento permanece particularmente importante porque nos recorda que compreender a realidade espiritual não significa abandonar a razão.
O verdadeiro estudo espírita não alimenta o pânico.
Ilumina.
E quanto mais lúcida é a compreensão, menor é a necessidade de criar monstros para explicar nossas próprias sombras.
O chamado “vampirismo espiritual”, quando compreendido dentro da perspectiva espírita, também nos coloca diante de uma questão essencial: somos igualmente responsáveis pela qualidade das relações que estabelecemos.
Onde existe ódio cultivado, há uma porta para o ódio.
Onde existe dependência sem vigilância, pode nascer uma relação de aprisionamento.
Onde existe desequilíbrio persistente, a sintonia pode encontrar terreno fértil.
Mas onde existe renovação íntima, pensamento disciplinado, oração sincera, caridade e esforço moral, modifica-se igualmente o campo de influência.
É por isso que uma leitura séria de Herculano Pires não deveria produzir medo do mundo espiritual, mas maior vigilância sobre o mundo interior.
O problema não é simplesmente perguntar se existem influências espirituais.
A questão mais profunda é compreender por que determinadas influências encontram espaço em nós.
Essa reflexão torna Vampirismo uma obra de interesse não apenas para quem estuda mediunidade e obsessão, mas para todos aqueles que desejam compreender melhor as relações entre pensamento, sentimento, vontade e influência espiritual.
Uma biblioteca espírita não deve ser constituída apenas de livros que confortam.
Também precisa acolher aqueles que nos interrogam.
E há perguntas que, quando verdadeiramente compreendidas, transformam nossa maneira de viver.
Vampirismo, de J. Herculano Pires, é uma dessas leituras.
Livro impresso:
"Editora Paideia — Vampirismo" (https://reference-url-citation.invalid/0)
E-book:
"Amazon Brasil — Vampirismo" (https://reference-url-citation.invalid/1)
Estudar o mundo espiritual é, antes de tudo, aprender a olhar para dentro de nós mesmos com mais lucidez.
Porque nem toda sombra vem de fora.
E, muitas vezes, a verdadeira libertação começa quando compreendemos aquilo que, dentro de nós, ainda necessita de luz.
#JHerculanoPires #Vampirismo #Espiritismo #DoutrinaEspírita #AllanKardec #Mediunidade #Obsessão #EstudoEspírita #LiteraturaEspírita #ReformaÍntima
3402 📜 Já disse que tenho uma parenta que se acha (e espalha) ser 'Zen' e 'Especialista' em Coisas do 'Sobrenatural'? Eu já disse isso? Pois tenho e hoje ela vem me visitar. Sim, eu autorizei a vinda dela. Aguardemos!
A partir do momento em que conseguimos olhar para trás e dizer "eu me lembro disso", o véu da inocência absoluta já se rompeu.
3401 📜 Vi, li e ouvi que a Decisão Anterior, de afastar o Diretor Geral da PF e mais um Delegado, foi revertida. Se é isso mesmo, o Outro, o que Iniciou, passa, no Meu Entender, por Vexame 'Terrivelmente' Imprevisto. Oxalá seja isso mesmo! E que venha mais, em nome da Ordem e da Lei, sempre!
-
Foi em:
https://k.kwai.com/p/zxRCqFjL
Um repolho piquei,
com água cozinhei,
após ferver,
sal integral,
cúrcuma e uma pitada
de pimenta do reino coloquei,
tirei, ao liquidificador levei,
em segundo eu bati,
numa pequena bacia funda me servi
e finalmente eu comi...
Não estou louco,
esse é o poema do repolho,
que depois que provei,
jamais esquecerei!
