Pensamentos Mais Recentes

A verdade costuma atravessar a história como um estrangeiro indesejado: primeiro provoca riso, depois resistência e, quando finalmente se torna familiar, passa a parecer tão óbvia que ninguém mais se recorda de quando foi contestada.

A felicidade talvez não consista em possuir tudo o que se deseja, mas em reduzir o poder que o desejo exerce sobre aquilo que somos.

A riqueza promete saciedade, mas o desejo transforma cada conquista em prólogo de uma nova carência; acumulamos objetos tentando silenciar um vazio que não possui natureza material.

Quanto mais profundamente a inteligência contempla a existência, menos encontra nela respostas definitivas e mais percebe que o mistério não desaparece: apenas se torna intelectualmente mais sofisticado.

A solidão é o preço silencioso de quem descobriu que nenhuma multidão é capaz de preencher o espaço interior que somente a própria consciência pode habitar.

O ser humano imagina possuir liberdade porque escolhe seus atos, mas raramente percebe que permanece prisioneiro daquilo que, dentro de si, o ensinou a desejar.

A existência oscila entre a ferida do desejo e o vazio que nasce quando o desejo finalmente se cala; entre uma dor que nos move e um tédio que nos devolve a nós mesmos.

Certas ocasiões, fazem escolher
E quando a vida nos cobra
Nossas oportunidades já passaram
Esse grito não ecoa mais

O desespero é a angústia nos castigam
Aquele grito de antes está frágil amargurado
Quem nos ouve muitas vezes é aquele que nunca imaginamos.

Como ecoou em nossa mocidade?
Frágeis estás agora,
O que era belo a ti,
Hoje não mais é.

Sempre existe um ombro amigo
Na vida confundimos as pessoas
Apenas saberemos a verdade
De quem nos estende a mão

Na casinha simples de família humilde, a mãe colocava na mesa a comida feita com amor e carinho: cuscuz, arroz, feijão de corda cozido com carne de sol, fruto do nosso trabalho. E o suco de caju não poderia faltar. Era um banquete!


Mas a alegria estava estampada no sorriso. A mãe e o pai faziam o sinal da cruz, agradecidos:


"Obrigado ao nosso Senhor."


Era pura simplicidade, onde a fé fortalecia a esperança e esta enchia o peito de coragem. A pobreza não existia. E toda a nossa riqueza estava ali, em volta de uma só mesa: a família...


Bem maior!


Por Marcio Melo

nós éramos amigos
por que não poderíamos continuar sendo?
ele me fazia rir,
usava palavras gentis.
por que quando me confessei,
ele nunca mais me quis?

se ele não liga,
por que ele ligou tanto?
cada brecha que eu fechei,
ele mesmo abriu.
se ele não se importa, no entanto,
por que não admite o que sentiu?

fomos pra frente
e esquecemos dois anos em um.
nós éramos amigos.
agora, pessoas comuns.

O caminho não se torna difícil porque contém obstáculos; é a própria dificuldade que revela quem somos quando já não podemos avançar apoiados apenas nas certezas que tínhamos.

Existir é escolher; e toda escolha verdadeira contém uma pequena morte, porque cada caminho assumido sepulta os inúmeros caminhos que poderiam ter sido.

O desespero é a doença de uma existência dividida contra si mesma: viver, mas não querer ser quem se é; desejar ser outro, mas não conseguir escapar de si.

A fé nasce no território em que a certeza objetiva termina e a interioridade começa a exigir uma decisão que nenhuma prova pode assumir em nosso lugar.

Quem se recusa a escolher conserva infinitas possibilidades, mas permanece prisioneiro delas: tornar-se alguém exige renunciar a quase todos os caminhos para assumir um só.

A existência guarda forças que permanecem invisíveis enquanto apenas pensamos sobre a vida; certas verdades só aparecem quando finalmente nos arriscamos a vivê-las.

A felicidade frequentemente escapa àquele que tenta capturá-la diretamente; algumas coisas só permanecem conosco quando deixamos de tratá-las como propriedade.

O poder do tirano termina quando seu corpo desaparece; o poder daquele que morre por uma convicção pode começar justamente quando já não possui corpo para defendê-la.

O que deixei pelo caminho: 


Se um dia me perguntarem qual foi a maior coisa que fiz na vida,
responderei com serenidade:


dei o melhor de mim a quem cruzou o meu caminho.


Alguns ficaram.
Outros partiram.
Alguns me deram amor; outros, cicatrizes.


Mas nenhuma decepção teve força suficiente
para mudar a delicadeza do meu coração.


Aprendi que a bondade não perde o seu valor
quando não é retribuída.
E que a nossa essência não deve ser escrita
pelas marcas que os outros deixam em nós.


Se a vida me permitir voltar,
eu faria tudo outra vez:
continuaria sendo luz,
mesmo depois de conhecer a escuridão.

Ter pureza de coração é atravessar a dispersão das possibilidades e descobrir, sob o ruído do mundo, aquilo pelo qual estamos dispostos a comprometer a própria existência.

A multidão oferece abrigo contra a responsabilidade de existir; tornar-se indivíduo começa quando já não podemos esconder nossa consciência atrás da voz dos outros.

Podemos ser enganados tanto pela mentira que aceitamos quanto pela verdade que recusamos, sobretudo quando reconhecer a realidade ameaça a narrativa que construímos sobre nós mesmos.

Amar verdadeiramente é permitir que o outro nos transforme sem que, nessa transformação, deixemos de reconhecer a pessoa que escolhemos ser.

O contrário do pecado talvez não seja a perfeição moral, mas a coragem de acreditar que a existência pode ser vivida para além daquilo que nossos próprios limites conseguem demonstrar.

O desespero mais profundo não é desejar desaparecer, mas continuar vivendo sob uma identidade que já não reconhecemos como nossa.