Pensamentos Mais Recentes
O Sol se pôs e a Lua se ergueu,
foi no Galo da Madrugada
que o amor para nós aconteceu
numa noite estrelada --
O mundo parecia que parou,
e no final era só você e eu.
As minhas mãos percorrem
o teu corpo
com a urgência das marés cheias,
e o teu corpo responde
em ondas que quebram, insistentes,
na areia quente do teu ventre.
As nossas bocas procuram-se
como se o mundo fosse acabar
no próximo segundo,
línguas que escrevem promessas
no sal da pele arrepiada.
Somos dois abismos
à beira do mesmo precipício,
caindo um no outro
sem medo da queda.
E quando o prazer nos atravessa
como um relâmpago a rasgar o céu,
não há mais nome, nem forma,
apenas o pulsar desmedido
de carne, desejo e entrega.
Depois, exaustos e ainda a arder,
repousamos na brasa suave do pós-fogo, sabendo que basta um olhar
para que tudo comece outra vez.
Vida
A vida não vem com manual,
vem com dias claros e noites longas,
com risos que nascem do nada
e silêncios que pesam toneladas.
Ela não pede permissão para mudar,
nem avisa quando vai doer.
A vida ensina enquanto caminha,
às vezes com carinho,
às vezes com quedas.
E quase sempre aprendemos
depois de errar,
depois de perder,
depois de chorar escondido.
Há momentos em que a vida floresce,
mesmo em solos improváveis.
E há dias em que tudo parece seco,
como se o tempo tivesse esquecido de passar.
Mas até na espera,
a vida trabalha em silêncio.
A vida não é só vencer.
É levantar quando ninguém aplaude.
É continuar quando o coração pede pausa.
É respirar fundo
e dar mais um passo
mesmo sem entender o caminho inteiro.
Ela é feita de encontros breves
que mudam tudo
e despedidas longas
que deixam marcas.
De sonhos que morrem
para que outros, mais maduros, nasçam.
A vida machuca,
mas também cura.
Ela tira,
mas devolve de outra forma.
Nada se perde totalmente —
tudo se transforma.
Viver é aceitar que não teremos controle,
mas ainda assim escolher tentar.
É aprender que força não é dureza,
é resistência.
Que coragem não é ausência de medo,
é fidelidade ao que vale a pena.
A vida passa rápido,
mas ensina devagar.
E quem aprende a observá-la
descobre beleza nos detalhes:
no café quente,
no pôr do sol inesperado,
num abraço que chega na hora certa.
No fim, a vida não pergunta
quantas vezes caímos,
mas quantas vezes amamos.
Não mede conquistas,
mede significado.
E talvez viver seja isso:
seguir mesmo sem garantias,
amar mesmo com riscos,
esperar mesmo cansado,
e agradecer
porque, apesar de tudo,
a vida ainda pulsa.
E enquanto ela pulsa,
há chance.
Há recomeço.
Há sentido.
CARNAVAL À LUZ DA CONSCIÊNCIA ESPÍRITA.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro .
O carnaval constitui manifestação cultural de raízes antiquíssimas, cuja gênese histórica remonta às festividades agrárias da Antiguidade, notadamente às Saturnais romanas e aos cultos dionisíacos, nos quais a suspensão provisória das hierarquias sociais e a exaltação dos sentidos compunham o núcleo simbólico da celebração. Com o advento do cristianismo e a instituição da Quaresma, consolidou-se o período que antecede os quarenta dias de recolhimento, recebendo o nome de carnaval, termo associado à ideia de "carne vale", expressão que remete à despedida dos prazeres carnais antes do ciclo penitencial. A síntese histórica dessas transformações encontra-se sistematizada em estudos introdutórios sobre a origem da festividade, como os divulgados por plataformas acadêmicas de caráter didático, a exemplo do portal Toda Matéria.
No contexto brasileiro, a festividade adquiriu contornos próprios a partir do século XIX, integrando influências europeias, africanas e indígenas, culminando nos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro e nas manifestações populares de diversas regiões. A Sambódromo da Marquês de Sapucaí tornou-se símbolo dessa expressão cultural, projetando internacionalmente o carnaval como espetáculo artístico de grande envergadura estética e econômica.
Sob o prisma espírita, contudo, a análise não se limita ao fenômeno sociológico ou histórico. A Doutrina codificada por Allan Kardec propõe abordagem moral e psicológica da conduta humana, enfatizando a responsabilidade individual e a lei de causa e efeito. Em "O Livro dos Espíritos", especialmente nas questões 614 a 618, afirma-se que a lei natural é a lei de Deus, inscrita na consciência.
O LIVRO DOS ESPÍRITOS. LIVRO III.
CAPÍTULO I.
LEI DIVINA OU NATURAL.
Estrutura temática do capítulo.
Caracteres da lei natural. 614 a 618.
Origem e conhecimento da lei natural. 619 a 628.
O bem e o mal. 629 a 646.
Divisão da lei natural. 647 e 648.
O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
CARACTERES DA LEI NATURAL.
Que se deve entender por lei natural.
Resposta. A lei natural é a lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.
É eterna a lei de Deus.
Resposta. Eterna e imutável como o próprio Deus.
Será possível que Deus em certa época haja prescrito aos homens o que noutra época lhes proibiu.
Resposta. Deus não se engana. Os homens é que são obrigados a modificar suas leis por imperfeitas. As de Deus são perfeitas. A harmonia que reina no universo material como no universo moral funda-se em leis estabelecidas por Deus desde toda a eternidade.
As leis divinas compreendem somente o procedimento moral.
Resposta. Todas as leis da Natureza são leis divinas pois Deus é o autor de tudo. O sábio estuda as leis da matéria. O homem de bem estuda e pratica as da alma.
Pergunta complementar. Dado é ao homem aprofundar umas e outras.
Resposta. É, mas uma única existência não lhe basta para isso.
Alguns anos são insuficientes para a aquisição de tudo o de que precisa o ser a fim de se considerar perfeito, ainda que se considere apenas a distância que vai do selvagem ao homem civilizado. Mesmo a existência mais longa seria insuficiente. Com maior razão o será quando curta como é para a maioria dos homens.
Entre as leis divinas, umas regulam o movimento e as relações da matéria bruta. São as leis físicas cujo estudo pertence ao domínio da Ciência. Outras dizem respeito ao homem considerado em si mesmo e em suas relações com Deus e com seus semelhantes. Contêm as regras da vida do corpo e da vida da alma. São as leis morais.
São as mesmas para todos os mundos as leis divinas.
Resposta. Devem ser apropriadas à natureza de cada mundo e adequadas ao grau de progresso dos seres que os habitam.
O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
ORIGEM E CONHECIMENTO DA LEI NATURAL.
A todos os homens facultou Deus os meios de conhecerem sua lei.
Resposta. Todos podem conhecê-la, mas nem todos a compreendem. Os homens de bem e os que se decidem a investigá-la são os que melhor a compreendem. Todos entretanto a compreenderão um dia pois o progresso é inevitável.
Comentário doutrinário. A justiça das diversas encarnações do homem decorre deste princípio. Em cada nova existência sua inteligência se desenvolve e ele compreende melhor o que é bem e o que é mal. Se tudo se ultimasse numa única existência qual seria a sorte de milhões que morrem na selvageria ou na ignorância sem que deles tenha dependido instruírem-se.
Antes de unir-se ao corpo a alma compreende melhor a lei de Deus do que depois de encarnada.
Resposta. Compreende-a conforme o grau de perfeição atingido e dela guarda a intuição quando unida ao corpo. Os maus instintos porém fazem ordinariamente que o homem a esqueça.
Pergunta complementar. Se o homem traz na consciência a lei de Deus que necessidade havia de revelação.
Resposta. Ele a esquecera e desprezara. Quis então Deus que lhe fosse lembrada.
Síntese doutrinária.
A lei divina ou natural apresenta-se como princípio eterno, imutável e universal. Governa tanto a ordem física quanto a ordem moral. Está inscrita na consciência e manifesta-se progressivamente pelo desenvolvimento intelectual e ético do Espírito através das existências sucessivas. Sua compreensão plena não se esgota numa única vida, mas realiza-se no curso da evolução espiritual. A fidelidade a essa lei constitui a base da verdadeira felicidade e do equilíbrio entre o homem, Deus e a coletividade.
Assim, qualquer manifestação cultural deve ser examinada à luz da intenção, da finalidade e das consequências morais que dela derivam.
Não há, na Doutrina Espírita, prescrição taxativa que proíba ou recomende a participação nas festividades momescas. O princípio Espiritista da liberdade responsável estabelece que "tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém", advertência paulina constante em 1 Coríntios 10:23. A decisão, portanto, é de foro íntimo, sendo cada indivíduo chamado a avaliar a compatibilidade entre suas escolhas e os valores que professa.
No carnaval tradicional, sobretudo nas cidades interioranas, em que famílias inteiras confraternizam, observa-se ambiente de convivência social, música, dança e alegria sem finalidade dissoluta. Quando a diversão é sadia, desprovida de intenções lesivas, não se identifica, do ponto de vista espírita, elemento intrinsecamente pernicioso. A recreação equilibrada pode constituir válvula de distensão emocional, favorecendo a saúde psíquica.
Todavia, a análise ética torna-se mais complexa quando a festividade assume contornos de exacerbação sensorial, erotização ostensiva, abuso de álcool e substâncias psicoativas, além de práticas sexuais irresponsáveis. Nesses contextos, a psicosfera coletiva, conceito recorrente na literatura mediúnica, adquire relevância. Thereza de Brito, por intermédio das faculdades mediúnicas de Raul Teixeira, adverte em "Vereda Familiar", p. 92, que a sintonização psíquica estabelece-se pelo padrão vibratório predominante. Mesmo a boa intenção individual pode tornar-se ineficaz quando imersa em campo energético densificado por interesses materialistas.
A obra "Nas Fronteiras da Loucura", psicografada por Divaldo Franco, sob a autoria espiritual de Manoel Philomeno de Miranda, descreve quadros de intensa interferência espiritual em ambientes de descontrole coletivo. A narrativa apresenta multidões encarnadas e desencarnadas sintonizadas em vibrações de baixo teor moral, favorecendo processos obsessivos e induções psíquicas perturbadoras. O comentário atribuído a Bezerra de Menezes é emblemático ao afirmar que grande parcela da humanidade transita entre o instinto e os pródromos da razão, mais sedenta de sensações do que de emoções superiores.
Do ponto de vista psicológico, a festividade pode funcionar como mecanismo de fuga. Muitos buscam no excesso a anestesia para conflitos íntimos, frustrações afetivas ou vazio existencial. A embriaguez coletiva, longe de resolver tais conflitos, pode intensificá-los, gerando arrependimentos, traumas, doenças e desajustes morais. A Doutrina Espírita ensina que o Espírito progride pelo esforço consciente de autoaperfeiçoamento, não pela evasão temporária das próprias responsabilidades.
É imperioso frisar os dias atuais. A hipersexualização midiática, a mercantilização do corpo, a banalização das relações afetivas e o consumo exacerbado transformaram parte do carnaval em vitrine de estímulos que favorecem a coisificação do ser humano. A exposição constante a tais estímulos influencia a formação moral de crianças e jovens, contribuindo para distorções na compreensão da afetividade, da dignidade e do respeito mútuo. As consequências manifestam-se em estatísticas de violência, gravidez não planejada, doenças sexualmente transmissíveis e conflitos psíquicos que se estendem muito além do período festivo.
Entretanto, não se trata de condenação moralista. A Doutrina Espírita convida à lucidez, não ao julgamento precipitado. Como sintetizou Divaldo Franco em artigo publicado em 12 de fevereiro, o carnaval não é, em si mesmo, fator de degeneração, mas oportunidade para que muitos exponham suas feridas morais. A festa revela o que já se encontra latente na intimidade. O ambiente apenas amplia disposições internas preexistentes.
A ética espírita fundamenta-se na consciência esclarecida. Cada Espírito, em seu estágio evolutivo, escolhe os ambientes com os quais se afina. A responsabilidade é pessoal e intransferível. Participar ou não participar das folias é decisão íntima, cuja avaliação se dará à luz da própria consciência, esse tribunal silencioso onde a lei divina se inscreve.
Concluir, portanto, implica reconhecer que o carnaval pode ser expressão artística legítima, celebração cultural ou campo de desregramento moral, conforme a intenção e o comportamento dos indivíduos. A Doutrina Espírita não impõe proibições exteriores, mas convoca ao autoconhecimento, à vigilância e à elevação dos propósitos.
Ficar em paz com a consciência exige coerência entre valores professados e atitudes assumidas. Onde houver respeito, equilíbrio e dignidade, a alegria não será inimiga da evolução. Onde prevalecer o excesso e a fuga, as consequências ensinarão, pela experiência, as lições que ainda não foram assimiladas.
A verdadeira liberdade não reside na licença irrestrita dos sentidos, mas na capacidade de escolher o bem mesmo quando o mundo oferece o contrário, porque é nessa escolha silenciosa que o Espírito edifica o próprio destino com serenidade e responsabilidade.
Despertar da alma no descansar do corpo: trabalhadores espiritual astea noturna.
Não se esqueça quem agita o bem e o mal é você , da mesma face que apanha e a mesma que bate , lembre somos feitos a imagem e semelhança nós torna seres de compaixão não mais só , sem escravidão cesse o ardor o ódio o julgamento a dor não cante e dance ou clame no mundo espiritual nem por ligação religiosa nem mesmo por Deus sua fé está sendo colocada a prova para garantir que duvide de si do pai eterno para sugar tua alma te confundir te lançando , lembra do terror que assola de dia e de noite são terrores que se alimenta dos desequilíbrios. E que fica a espreita a menor sinal de clareza, eles temem e se esforçam para toma-lo mesmo com a face mais singela de quem salva e acolhe.pois lá é lugar de provações e mantém trabalhando quem tá acordado por lá vocês os tem alimentado então o cansaço que sentir por lá se te faz te apagar é a forma que tem de ir pra casa , oq sente não é teu , não é sua fraqueza nem desistência oq guerrear se Deus entregou o único filho e a todos a luz da salvação e esses conflitos venceu que a paz de Cristo reine sobre tudo e todos nós , eu creio amém , os únicos que tem o dom de proferir a luz é quando ainda oramos em fé despertos acordados então vigia.
O mudo de desespero que Pune pecado é esse quando estamos frágil ou em desequilíbrio ou para nos alertar. O mesmo que incita o negativo o poem em equilíbrio só depende de você mesmo rever oq alimenta. Às vezes cessar é clareza. Te expulsam pq sabem da tua insistência em toda busca de não abandonar,( de desistir) de se fazer querida (útil ), Oq tem alimentando?
Me encontra e me busca nas tuas orações nos teus atos. Não fira, não se aflinja mais. Vai entregando ao pai e viva o que Deus prometeu , ele vê o seu esforço ele vem sendo sempre!!! Não se puna com pecados mesmo que não o tenha cometido, pois Deus não os faz!!!
Estrada do homem.
Escravo do que alimenta.
Quem vai ao pai , sabe que ele não deixa dúvida.
leticia17
Hino do Sacrificado:
A mim mesmo, por mim mesmo, busquei
e a Sabedoria Primordial alcancei:
memória, destino, origem;
somente eu conquistei.
Huginn, Muninn, Geri, Freki:
da Lembrança ao Pensamento;
do Instinto à Fome,
eu sou acompanhado pela
natureza do Homem.
Sacrifiquei a mim mesmo,
por mim mesmo,
para mim mesmo -
em nome do oculto,
não-dito fora de meu tributo.
Aceitei o sofrimento
como preço do Sentido -
tal é o sangue simbólico,
do egoísmo nascido.
Na Yggdrasil fui enforcado,
e com a Lança Gungnir
perfurei a mim mesmo,
(eu, somente eu)
durante o ciclo eterno do Nove -
e, como Sacrificado,
vislumbrei de tudo o Fim,
e a observação absoluta escolhi,
do Ragnarok.
Pois, nele, os nomes
deixarão de ser dito,
enquanto tudo retornará ao pó -
ode à morte que no infinito governa;
não-ser que atrai à divina contemplação,
que sela o Obscuro no universo,
à corrupção da alteração.
Sim, é fato: entreguei o Olho divino
ao Logos arcaico, à memória cósmica,
do poço de Mimir como
intelecto pré-racional,
anterior à morada de deuses
e suas vitórias.
Sim, conheço,
(eu, somente eu)
conheço o Possível pela perda,
pelo sofrer do que amei;
enquanto, no silêncio, permaneço
no afastamento do sagrado,
que pela minha morte foi pago.
Ora, no símbolo, e pelo símbolo, morro.
(eu, somente eu)
Por mim mesmo, eu morro.
Sozinho, eu morro.
Dou-me à morte como oferenda,
pelo sublime que permanece
à realidade em sacrifício,
como a realização da sabedoria mítica:
tal é das runas a magia não-dita.
Ofereci a mim mesmo, por mim mesmo,
para conviver com o inevitável saber
da trágica morte
vindo a mim;
e, pelo mistério das runas,
para obtê-las e enxergar o oculto,
enforquei-me
sem jamais temer dos deuses
o fim.
Assim, retorno aos Nove Mundos
após o Abismo ver,
os segredos conhecer,
e meu destino contra Fenrir perceber;
realizando o destino do fim divino,
como morada do eu mítico.
Oração aos filhos...!!!
(Nilo Ribeiro)
Oração feita com muita crença,
direcionada ao Bondoso Senhor,
livra os filhos das desavenças,
coloca-os no caminho do amor
Deus, peço a Sua generosidade,
dê aos filhos toda proteção,
livra-os de toda vaidade
e também da tentação
oração simples e dedicada,
dirigida ao Senhor Jesus,
livra-os de toda emboscada,
e do peso que não vem da cruz
uma oração sem segredo,
de um coração sereno e puro,
livra-os de todo medo,
sé para eles o porto seguro
Pai, dá-lhes toda confiança
e que jamais percam a esperança...
“Pai, os filhos são Teus filhos,
não os deixes sair dos trilhos”...!!!
Amém...!!!
A amizade verdadeira não é aquela que vive sempre na sua casa ou que se compra com algo de valor, mas é aquela que se cativa no olhar e mora dentro do seu coração.
"Não precisa pedir perdão
á DEUS por algum erro
cometido, você não fez
nada contra ELE e sim
contravocê mesmo.
Se arrependa, volte as
boas ações e siga os SEUS
Mandamentos"
Talvez não haja sofrimento maior que o das almas carentes, que mal aprenderam a buscar curas para as dores físicas.
Porque a dor do corpo grita, aponta, incha, sangra — e, ainda assim, muitos só aprendem a silenciá-la com remédios apressados, sem jamais perguntar de onde ela veio.
Mas a dor da alma… essa só sussurra.
E, quando não é ouvida, encontra um megafone no corpo.
Há quem passe a vida peregrinando por consultórios, comprimidos e diagnósticos, enquanto a verdadeira ferida permanece intocada: a ausência de sentido, de afeto, de pertencimento.
Não por descuido, mas por desconhecimento.
Nunca lhes ensinaram que pode haver vazios que não se preenchem com anestesia, mas com presença.
Que há cansaços que não se resolvem com repouso, mas com reconciliação interior.
Almas carentes não são fracas — são famintas.
E fome não se cura com distração, mas com alimento verdadeiro.
O problema é que muito poucos foram orientados a reconhecer essa fome.
Ensinaram-nos a tratar sintomas, não a investigar silêncios; a conter lágrimas, não a compreender suas origens.
Talvez o maior sofrimento seja esse: carregar uma dor que não tem nome — e, por isso, não receber cuidado.
Buscar alívio onde só há paliativo, enquanto a raiz implora por atenção.
Curar o corpo é necessário.
Mas aprender a escutar a própria alma — isso é urgente.
Porque quando a alma é negligenciada, o corpo acaba pagando a conta de um abandono que nunca foi dele.
ONDE A PALAVRA SE EXTINGUE E O SER SE REVELA.
Há experiências humanas que ultrapassam a jurisdição da linguagem. O discurso organiza, delimita, conceitua. Contudo, certos afetos não cabem em definições. Eles irrompem na consciência como forças originárias, anteriores à própria formulação racional.
O amor, nesse horizonte, não é mera emoção episódica. Ele constitui uma modificação estrutural do ser. Quando alguém se reconhece transformado pela presença do outro, não está apenas vivenciando uma sensação agradável. Está experimentando uma reconfiguração delicada. A alteridade deixa de ser exterioridade. Torna se dimensão interna da própria identidade.
A linguagem falha porque opera por abstração. O afeto, porém, é experiência concreta e totalizante. Ele envolve corpo, memória, expectativa, imaginação e vontade. A palavra descreve fragmentos. O amor unifica. Por isso, diante da intensidade afetiva, o sujeito frequentemente declara sua impotência verbal. Não é pobreza intelectual. É excesso de realidade.
O encontro autêntico com o outro possui densidade metafísica. Ele suspende a trivialidade do cotidiano e inaugura uma nova percepção do tempo. O instante compartilhado pode adquirir qualidade de eternidade psicológica. Não porque o relógio pare, mas porque a consciência se dilata. A experiência torna se qualitativa, não apenas quantitativa.
O toque, o olhar, o sorriso, são gestos aparentemente simples. Contudo, encerram uma simbologia profunda. O corpo não é mero instrumento biológico. Ele é veículo de sentido. No gesto, o invisível torna se visível. A interioridade manifesta se sem necessidade de longos discursos. O silêncio entre duas pessoas que se compreendem pode possuir mais conteúdo do que tratados inteiros.
A separação, por sua vez, revela outra dimensão da experiência amorosa. A ausência não anula o vínculo. Pelo contrário, evidencia sua interiorização. Quando o outro não está fisicamente presente e ainda assim permanece ativo na consciência, percebe se que o amor não depende exclusivamente da proximidade espacial. Ele inscreveu se na memória, tornou se parte constitutiva da estrutura psíquica.
Do ponto de vista psicológico, tal fenômeno demonstra que o afeto genuíno reorganiza prioridades e valores. Ele desloca o centro do ego para uma dinâmica relacional. O sujeito deixa de existir apenas para si. Passa a existir também em função de um nós. Essa passagem do eu isolado ao eu partilhado representa uma maturação da personalidade.
Há ainda um aspecto decisivo. O reencontro. Toda vez que duas consciências se aproximam após a distância, ocorre uma espécie de renovação existencial. O amor autêntico possui a capacidade de recomeçar. Ele não se limita ao impulso inicial. Ele se confirma na constância, na decisão reiterada de permanecer.
Sob uma perspectiva mais ampla, pode se afirmar que o ser humano realiza sua plenitude não na autossuficiência, mas na comunhão. A experiência do amor revela a estrutura relacional da existência. Somos constituídos pela abertura ao outro. A solidão absoluta não é ideal de grandeza. É empobrecimento ontológico.
Assim, quando as palavras se mostram insuficientes, não se trata de fracasso. Trata se de reconhecimento. Há dimensões da vida que não se deixam circunscrever por definições. Elas exigem presença, entrega e silêncio reverente.
O amor, em sua forma mais elevada, não é espetáculo emocional. É uma escolha reiterada, uma disposição ética, uma decisão de permanecer e de elevar o outro consigo.
E quando o verbo já não alcança, resta o gesto. Quando o conceito se esgota, resta o olhar. E quando tudo parece silencioso, é precisamente ali que o ser fala com maior verdade.
Eu aprendi que caminhos não nos levam a lugar algum; eles aparecem quando a coragem, cansada de negociar com o medo, decide pisar onde ainda não existe chão.
E eu tenho medo. Medo de não existir um amanhã em que eu possa me refazer.
Medo de me tornar pior do que sou hoje.
Medo de que até esse amanhã, que eu tanto acredito que virá, simplesmente não exista. Um amanhã que nunca vem.
E eu me prendo à possibilidade e, talvez, esqueça de viver o hoje.
Preciso RE-NAS-CER!!!!
