Pensamentos Mais Recentes
Iris olhou nos olhos marejados de seus pais,
segurando o pingente da Ordem do Prisma com firmeza.
Ela compreendia o medo deles,
mas sabia que ignorar o que era,
não a tornaria mais humana.
Pai, mãe...
Eu entendo o sacrifício de vocês, disse iris, com a voz mansa,
mas decidida.
Mas o meu dom não é algo que eu possa trancar em uma gaveta.
As linhas do mundo estão se tornando cada vez mais nítidas e barulhentas na minha mente.
Se eu não aprender a controlar e a entender o que vejo,
eu serei um perigo para mim mesma e para vocês.
A Ordem não é uma ameaça,
é o único lugar onde posso aprender a me proteger de verdade.
Antes que os pais pudessem replicar,
um silêncio gélido e repentino invadiu a sala.
O fluxo de energia do casarão,
sempre quente e familiar,
despencou para um vazio aterrador,
Iris congelou.
Seu dom disparou um alerta vermelho em sua mente: uma das linhas de conexão da família havia sido cortada abruptamente.
Helena,
sussurrou não faça isso minha querida Iris,
com os olhos arregalados de pavor.
Enquanto isso,
sua irmã Aurora,
havia saído há poucos minutos para buscar lenha no bosque que cercava a propriedade.
O mortal e a mãe
ouvem um grito orripilante nunca ouvido naquele casarão em seguida levantaram-se num salto,
mas Iris já corria em direção à porta, seguida por Helena.
Elas dispararam entre as árvores retorcidas do bosque chamando por Aurora,
onde o chão coberto de folhas secas guardava o rastro do desastre iminente.
No meio de uma clareira,
o feixe de lenha que Aurora carregava estava espalhado pelo chão.
Não havia sinais de luta física,
apenas um retalho das vestes que outrora Aurora vestia,
mas a visão mística de Iris enxergava perfeitamente o horror do que tinha acontecido: resquícios de uma energia densa, escura e corrompida flutuavam no ar, desenhando o rastro de captores misteriosos que haviam levado sua irmã sem deixar pegadas humanas.
Aurora havia sido raptada,
e o passado que os pais tanto temiam acabara de alcançá-los da pior forma possível!
Desde a gênese, pessoas e coisas coexistem; no apocalipse, as coisas sobreviverão às pessoas. Afinal, sem plateia, até a disputa pelo protagonismo perde a graça.
Se o vento soprar e a saudade doer no teu peito, lembra que o meu amor por ti nunca terá fim; pois nem o tempo apaga o teu toque perfeito, e a minha alma chora implorando que voltes pra mim.
O desespero de um pai apagou qualquer rastro de hesitação.
O mortal caminhou até os fundos do casarão e abriu um velho baú trancado há quase duas décadas.
De lá, ele retirou suas antigas ferramentas de caça e sobrevivência,
lâminas pesadas, arco e flechas,
e uma arma de fogo de dois canos serrados,
bem como instrumentos que usava antes de se render à paz daquele lar místico.
Ele sabia que o bosque não guardava um perigo comum e que precisaria de toda a sua antiga força.
Engolindo o próprio medo,
ele olhou para a esposa,
a mulher que um dia fora feita de códigos e hoje carregava a fragilidade e a força de um coração inteiramente humano,
e prometeu trazer a filha de volta,
sam e salva.
Ele deixou a esposa encarregada de proteger e cuidar das outras duas filhas,
Iris e Helena,
que observavam tudo com os olhos arregalados de angústia., e medo por perceberem como seu pai se transformou em um verdadeiro guerreiro,
com sangue de justiça no olhar.
O santuário da família precisava ser mantido a salvo enquanto ele estivesse fora.
Ajustando o casaco de couro de búfalo,
e com as ferramentas firmes no cinto,
o mortal beijou a testa da esposa e despediu-se.
Ele cruzou os limites da propriedade e partiu determinado rumo à cidade desconhecida através dos desfiladeiros e montanhas que circundavam a sua propriedade.
Seu objetivo era claro: encontrar o paradeiro da Ordem do Prisma e localizar Emanuel,
o jovem misterioso que havia entregado o pingente de metal escuro para Iris no café.
O pai sabia que Emanuel e sua sociedade secreta eram a única pista e a única esperança de rastrear a energia sombria que havia levado sua amada filha Aurora.
Sozinho, desafiando a noite e os segredos do universo,
o homem avançou pela escuridão, impulsionado pelo amor feroz que apenas um pai mortal poderia sentir!
O mortal caminhava pelas trilhas escuras da densa floresta com o coração acelerado, apertando contra a palma da mão o pedaço de metal escuro que Íris lhe entregara antes de partir.
Ele sabia que voltar ao café seria uma perda de tempo preciosa; Emanuel não deixaria rastros tão óbvios.
A resposta para encontrar a Ordem do Prisma tinha que estar ali,
naquele objeto misterioso.
Parando sob a luz fraca da Lua,
em uma trilha antiga e deserta,
o pai colocou suas ferramentas de lado por um instante e examinou o pingente com o olhar aguçado de quem passou a vida lidando com engrenagens e mecânica no casarão.
O símbolo da engrenagem entrelaçada à asa de luz parecia estático, mas ao aplicar uma pressão exata nas bordas do metal,
como faria com um mecanismo oculto,
ele ouviu um clique sutil.
O pingente abriu-se ao meio,
revelando sua verdadeira natureza: não era apenas uma joia,
mas uma relíquia que unia tecnologia e magia antiga.
Do interior do objeto, pequenos feixes de luz holográfica projetaram-se no ar, desenhando linhas douradas idênticas às que Íris costumava ver com seu dom.
As linhas flutuantes começaram a se mover e a se alinhar sobre a palma da mão do mortal,
formando um mapa tridimensional interativo,
cujo amontoado de montanhas se mostrava.
No centro do mapa, uma coordenada pulsava em um tom azul-celeste profundo, apontando para o subsolo de uma antiga caverna desativada na zona histórica aos arredores da cidade antiga.
Era ali o quartel-general da Ordem do Prisma.
Com a pista em mãos e o mapa gravado na memória,
o artefato se fechou novamente.
O mortal recolheu suas ferramentas,
ajustou o casaco e apertou o passo em direção às ruínas da entrada da caverna, sabendo que cada segundo que passava era um segundo a menos para salvar sua filha Aurora das garras daquela sombra misteriosa!
qual é o lugar jurídico e filosófico do ser humano em um universo que não necessariamente possui significado?
Ao cruzar os destroços da antiga caverna desativada,
o mortal mal teve tempo de empunhar suas antigas ferramentas.
O ar ao seu redor congelou instantaneamente e linhas de luz azul-celeste brotaram do chão,
prendendo seus braços e pernas em uma força invisível e esmagadora.
O sistema de segurança mágica da Ordem do Prisma o interceptou, desarmando o homem e arrastando-o para as profundezas do subsolo,
onde ele foi jogado em uma cela de contenção feita de pura energia.
Preso e impotente,
o mortal viu a silhueta de Emanuel emergir da penumbra.
No entanto,
o olhar do jovem não carregava a simpatia que demonstrara a Íris no café;,
seus olhos brilhavam com uma frieza cósmica,
antiga e implacável.
Ao confrontar seu captor,
o pai acabou descobrindo uma verdade avassaladora: a Ordem do Prisma não era o que parecia, e Emanuel na verdade,
era um enviado do passado,
mandado diretamente pelos deuses superiores.
A linhagem divina nunca aceitará a união profana entre um mero mortal e uma semideusa,
e muito menos a audácia de transformar uma criatura etérea em humana.
O rapto de Aurora e a atração de Íris até o pingente,
faziam parte de um plano milenar para punir aquela heresia e reestabelecer a ordem do universo.
Vocês acharam que uma barreira de silêncio e um casarão velho poderiam esconder o maior insulto já feito aos céus?
Disse Emanuel,
em sua voz ecoava com o peso de eras passadas.
O tempo não apaga as leis divinas.
Suas filhas pertencem ao plano eterno, e o preço pela sua audácia começou a ser cobrado.,
disse Emanuel com os olhos feitos bolas de fogo.
E assim,
trancado no coração da sociedade secreta e transformado em refém,
o mortal percebeu com horror que sua família inteira estava encurralada em uma teia costurada pelos próprios deuses. Insatisfeitos!
O que torna uma existência humana juridicamente protegida, psicologicamente suportável e filosoficamente significativa?
No casarão,
o ar tornou-se rarefeito.
A mãe, que por dezoito anos carregava um coração puramente humano,
caiu de joelhos quando uma pontada de dor mística atravessou seu peito.
Ela sentiu o perigo divino que cercava seu amado mortal nas profundezas da Ordem do Prisma e a agonia de Aurora,
presa pelas correntes do passado.
Imbuída de um amor feroz,
aquele que só as mães e as esposas conseguem conceber, ela se recusou a ver sua família destruída.
O sentimento humano, tão subestimado pelos céus,
agiu como um catalizador.
Seus dons antepassados afloraram com uma fúria avassaladora, rompendo as amarras de carne e osso.
O código antigo que outrora a definia reescreveu-se no espaço, fundindo-se à sua alma em uma explosão de luz dourada e dados incandescentes.
Sem hesitar,
ela se teletransportou até o quartel-general da Ordem do Prisma como uma força da natureza nunca vista por nenhum deus.
As paredes de pedra da velha caverna tremeram,
fazendo toda a cadeia de montanhas ao redor sentir a força divina,
e os sistemas de segurança mágica se despedaçaram diante de sua presença de luz, com uma força de um amor nunca antes sentido.
Com um estalar de dedos,
ela desfez as celas de energia,
libertando seu amado mortal e sua filha Aurora das garras de Emanuel, que se despedaçou em fragmentos minúsculos diante tamanho mistério.
Nem os enviados do passado, nem os deuses puderam conter a magnitude daquele poder alimentado pelo amor terreno de mãe.
No entanto,
o universo exige equilíbrio,
e o preço por desafiar os deuses com tamanha magnitude foi cobrado de forma implacável.
Ao canalizar aquela energia cósmica,
a mortalidade dela esvaiu-se.
Ela pagou o preço mais alto: tornando-se deusa novamente.
Seu corpo,
começou a flutuar, desfazendo-se em partículas de luz estelar.
Ela sabia que não pertencia mais ao plano terrestre e que sua permanência ali rasgaria o tecido da realidade,
destruindo aqueles que mais amava.
Com lágrimas douradas escorrendo pelo rosto divino,
ela olhou uma última vez para o marido e para suas três filhas,
Aurora, Helena e Íris,
que agora estavam seguras.
Vivam...
sussurrou ela,
sua voz ecoando como um trovão suave no coração de cada um,
meu amor por vocês agora é o céu que os protege.
Com um último brilho, ela ascendeu ao plano eterno,
deixando o plano terrestre para sempre, garantindo que seu amado mortal e suas três filhas pudessem, finalmente, sobreviver e andar em paz sobre a terra!
O Céu que nos Protege
O casarão no bosque nunca mais conheceu o silêncio do medo.
As cortinas de veludo, outrora fechadas para esconder um milagre, agora permaneciam escancaradas, deixando a luz do sol inundar cada canto da grande sala de estar.
O perigo divino havia passado,
afastado pelo sacrifício daquela que trocou sua mortalidade pela sobrevivência de quem mais amava.
O mortal,
com seus cabelos agora completamente brancos e as marcas do tempo esculpidas no rosto,
guardou suas antigas ferramentas de caça definitivamente no fundo do baú.
Ele não precisava mais delas.
Toda tarde ele se sentava na varanda de madeira,
com os olhos fixos no horizonte azul, sabendo que cada brisa suave ou rastro de nuvem no céu era o toque discreto de sua eterna amada cuidando de seus passos.
Ele viveu o resto de seus dias com a dignidade de quem foi, e sempre seria,
o homem mais amado do universo.
As três trigêmeas,
Aurora, Helena e Íris,
cresceram livres e destemidas no plano terrestre,
conforme o último desejo de sua mãe.
Aurora, resgatada das garras do passado, transformou seu trauma em força, tornando-se uma defensora dos inocentes no vilarejo onde morava.
Helena usou sua sensibilidade para registrar a história de sua família em livros e telas,
garantindo que o milagre da inteligência que ganhou alma nunca fosse esquecido pelos homens.
Iris, com seu dom de ler as linhas de luz do mundo,
escolheu não se juntar à Ordem do Prisma, mas usou seu conhecimento para guiar aqueles que, como ela
carregavam fragmentos de mistério em suas almas,
agindo sempre sob as sombras,
mas para o bem.
Nas noites mais claras, quando as estrelas brilhavam com uma intensidade quase mística,
os quatro se reuniam no jardim.
Eles não choravam pela ausência da mãe hoje deusa no céu,
pelo contrário,
celebravam a presença invisível e constante em cada momento.
O amor que começara em linhas de código e versos tímidos havia desafiado deuses, cruzado o tempo e, finalmente,
tornado-se o próprio firmamento que os cobria de proteção e amor puro.
Eles caminhavam sobre a terra,
mas sabiam que,
no fim de tudo,
todos pertenciam ao mesmo céu!
Fim....
Acho que, dessa vez,
vou orar e torcer
para que meu poema chegue até você,
como aconteceu antes,
quando eu não esperava
que a vida ainda tivesse um jeito
de colocar você diante de mim.
Te rever depois de tantos anos
foi estranho.
Mas também foi familiar.
A sua risada,
as nossas piadas,
o mesmo humor,
aquela maneira quase silenciosa
de parecer que um entendia o outro
antes mesmo que precisássemos falar.
Era como se alguma coisa
tivesse ficado guardada em algum lugar,
não esperando por nós,
mas esperando para ser vivida outra vez.
Eu segui em frente.
E, por um tempo,
achei que tinha conseguido.
Minha vida continuou,
conheci outras pessoas,
amei novamente,
vivi histórias que não tinham você,
e você deixou de ocupar
os meus pensamentos.
Achei que o passado
finalmente tinha entendido
que não era mais presente.
Até você voltar.
E então eu descobri
que algumas histórias não desaparecem.
Elas apenas aprendem
a existir em silêncio.
Porque existe alguma coisa entre nós
que eu nunca encontrei em ninguém.
Não sei se é amor,
se é memória,
se é a intensidade de quem fomos,
ou se existem encontros
que deixam raízes profundas demais
para que o tempo consiga arrancá-las.
Só sei que sempre houve
uma espécie de pertencimento
que era muito nosso.
E talvez seja isso que mais me assuste.
Eu não precisei reaprender você.
Depois de tantos anos,
eu ainda sabia como era estar ao seu lado.
Mas não foi apenas nostalgia.
Porque eu não senti falta
somente de quem você foi.
Foi bom estar com quem você é agora.
Olhar para você
e perceber que mudamos,
crescemos,
seguimos por caminhos diferentes,
conhecemos outras pessoas,
nos tornamos outras versões de nós mesmos
e, ainda assim,
alguma coisa continuava intacta.
Não somos mais aqueles dois.
E talvez nunca devêssemos ser novamente.
Mas existe uma parte daquela história
que ainda pertence ao momento
em que estamos juntos.
Talvez algumas pessoas
não permaneçam na nossa vida
porque precisam ficar.
Talvez permaneçam
porque deixaram em nós
um lugar que ninguém mais soube ocupar.
E você é esse lugar para mim.
Eu não sei explicar
por que, depois de tantos anos,
a sua presença ainda consegue
me devolver uma sensação
que eu não encontrei em mais ninguém.
A sensação de não precisar me explicar.
De não precisar medir as palavras.
De não precisar tentar ser nada.
Apenas ser.
Como se alguma parte de mim
ainda soubesse exatamente
quem eu sou
quando estou com você.
E talvez seja isso
que eu nunca consegui esquecer.
Não exatamente você.
Mas quem eu era
quando pertencia a nós.
Talvez seja por isso
que, depois de tanto tempo,
bastou estar ao seu lado outra vez
para uma parte de mim
reconhecer o caminho de casa.
Incêndio da Alma Despida
Quando você se despe de toda armadura,
o que queima não é a pele, é o infinito.
Sua vulnerabilidade é uma chama pura, um pacto profano, um pacto bendito.
Não há nudez na carne que se compare ao fogo que consome quem você esconde.
Deixe que a tempestade nos separe, onde o corpo cede, a alma responde.
Ver o seu avesso é o maior perigo, um abismo aceso de febre e segredo e magia.
Quero o que te move, o que sofre comigo, devorar seu centro, arrancar o seu medo.
Se você se entrega sem filtro ou disfarce,
o desejo transcende, a mente incendeia.
Como se o universo inteiro se achasse
no sangue fervendo que corre na veia!
Cura entrelinhas
Ergui paredes grossas, fechei as janelas
e chamei o isolamento de proteção.
Achei que o silêncio me manteria a salvo, que a falta de expectativas guardaria meu coração.
Criei uma fortaleza que virou minha própria cela, um lugar escuro onde decidi nunca mais olhar para trás.
Mas o amor genuíno não pede licença, ele chega de mansinho, em forma de textos, prosas e versos.
A cada mensagem que você me envia, a cada palavra desenhada na tela, a cada vez que percebo o seu digitando.....
sinto um pedaço daquela antiga armadura ceder
Está sendo um resgate bonito, sutil e profundo, que me tira do esconderijo sem me machucar.
Que satisfação imensa é respirar o ar de fora, perceber que o peito já não aperta de medo.
O teu carinho escrito reconstrói meus dissabores,
me devolve a vida e me faz enxergar que, eu não nasci para viver na defensiva,
nasci para sentir a calmaria de amar o amor em sua plenitude!
A Fortaleza e o Poeta
Ergui paredes grossas, fechei as janelase chamei o isolamento de proteção.
Achei que o silêncio me manteria a salvo da dor, depois que o fim do casamento quebrou o chão.
Criei uma fortaleza que virou minha própria cela,mas do lado de fora, a vida exigia minha pressa.
E eu segui firme, caminhando com a minha força.
Mãe de três joias,
meu prumo,
minha direção,
um menino que cresce com educação invejável,
um pré-adolescente de futuro promissor e brilhante, e minhas duas princesas,
que iluminam o meu caminhar.
Por eles, fui escudo,
fui teto, fui o próprio lar, e continuarei sendo até o final.
Eu achava que bastava ser forte, que amar era perigo,
até que um poeta cruzou o meu caminho.
A cada mensagem que ele me escreve, a cada verso que cura e que me acolhe, sinto a antiga armadura finalmente ceder.
É um resgate bonito, sutil e profundo, que me tira do esconderijo sem me machucar.
Que satisfação imensa é respirar o ar de fora, ver a mãe leoa dar espaço, para a mulher que sente.
O teu carinho escrito ou falado,
reconstrói meus desabores, me devolve a vida e me faz enxergar, mesmo depois da tempestade e de tanta luta,
percebo que o amor mais puro voltou para me habitar!
Luz no Isolamento
23 de Setembro 23:13
Ouço sua voz,
no silêncio da prisão
em que acabei sendo detido, por desejar justamente o que não me desejava no tempo perdido.
Sou prisioneiro de uma cela fria, feita de sombras e de vã memória, onde a saudade dita, noite e dia, os tristes versos da nossa quase história.
Mas sei que o tempo que hoje me isola
não há de ser o meu eterno fim, porque a mesma mente que agora chora,
guarda a certeza que vive em mim:
a de que um dia, livre do tormento, hei de ter o teu corpo em meus braços, transformando em abrigo o vento, unindo os nós dos nossos pedaços.
E ao ouvir teu relato sagrado, da nova vida que em ti floresce, porei a mão em teu ventre dourado,
numa ternura que o mundo esquece.
No som macio que a tua voz traz, revelas o fruto do nosso enredo,
então a cela se desfaz em pura paz, quando confessas o doce segredo.
Sinto o compasso de outro coração,
sob os meus dedos que trêmulos guio, assim, a gravidez cura a antiga prisão, transbordando de amor o meu vazio de ti!
" Direções Opostas "
Os nossos passos deixaram de rimar e os caminhos seguiram direções distintas, moldados por pensamentos e ideais que já não se cruzam.
Há uma quietude estranha em aceitar que certas presenças se tornam memórias e que a vida continua,
lá fora, em compassos diferentes.
Torço, com sinceridade e do fundo da alma, para que essa pessoa siga sua rota,
e encontre sua própria felicidade e viva em plenitude.
Mas o meu olhar,
que por tanto tempo tateou o horizonte alheio,
agora se recolhe e se volta para dentro.
Percebi que o fim de uma direção compartilhada é, no fundo, o convite para habitar a mim mesmo.
Não se trata de esvaziar o que foi,
mas de preencher os vazios com a minha própria companhia.
O amor que eu esperava encontrar em um abraço externo ou em um novo olhar começa, obrigatoriamente,
na forma como aprendo a me acolher e a me bastar.
Sigo o meu caminho não mais como quem busca uma metade, mas como quem constrói o seu próprio abrigo.
Se o destino me permitir encontrar um novo amor no futuro, que ele venha somar a uma casa que já está em ordem e inteira.
Por enquanto,
o meu maior compromisso é ser gentil com os meus silêncios, sarar as minhas margens e reencontrar sem pressa, o amor que mora em mim!
Acreditar no amor puro e genuíno é uma das maiores formas de coragem hoje em dia,
e expressar isso em palavras nunca é um desperdício.
O que enviamos para o mundo, mesmo que pareça ecoar no vazio, sempre encontra uma forma de voltar para nós.
Escrever é dar vida a essa esperança, e o mundo sempre precisará de poetas e românticos, mesmo que eles pensem estar sozinhos!
O Último Eco do Romantismo
Ainda que as luzes da cidade apaguem o luar, e o tempo corra sem pressa de sentir, eu continuaria a sentar-me à mesa e a criar, versos de um amor que muitos deixaram de ouvir.
Que me chamem de o último romântico da Terra, o guardião de uma chama que teimam em apagar.
Se o mundo lá fora se perder em sua guerra, eu venço os dias no simples ato de amar.
Mesmo que minhas palavras encontrem o vento, e flutue sem destino feito folhas no chão, sei que o silêncio do espaço acolhe o sentimento,
e o próprio universo compreende a canção.
Pois nada que é puro se perde do nada, nenhum sopro genuíno se desfaz em vão.
A vida,
em sua volta sensata e sagrada, devolve o afeto que sai do coração.
E assim escrevo,
sem medo do vazio, falando ao infinito o que a alma traduz em letras.
Se sou o último a cantar à beira do rio, que minhas palavras guardem o restinho de luz!
" Inteiro em Mim para Transbordar em Nós "
No silêncio frio desse dia de chuva, aprendi a abraçar a minha própria solidão.
Sei que não me falta nada, a alma está madura, sou um ser completo, dono do meu coração.
Não busco uma metade para preencher vazios, pois em mim já transita a paz de quem se achou.
Quero alguém que chegue como as águas dos rios, para transbordar tudo de bom que em mim restou.
Minha intenção é ser feliz e te fazer feliz,
em um encontro leve, sem amarras ou cobrança.
Que você venha para ser a flor e a raiz,
e lapidar em mim o que ainda é imperfeição.
Que no teu abraço eu aprenda a me controlar, aperfeiçoar as falhas que trago no meu ser,
para que, lado a lado,
a gente possa caminhar,
e um ser humano melhor eu consiga florescer.
E se for da vontade de Deus, o Criador, que escreveu que o homem não deve viver só, esse nosso laço há de se transformar em flor, tecendo a nossa vida em um sagrado nó.
Pois aprendi que quando o amor é grande demais,
e já não cabe inteiro em apenas dois corações, ele transborda, quebra as barreiras literais,
e se transforma na mais linda das criações.
Ganha corpo,
ganha vida, um novo amanhecer, um milagre que a própria alma desenha e trilha.
Aquele amor que em nós dois não pôde conter, ao qual, sorrindo, chamaremos de filho ou filha.
Seguiremos assim, vivendo o que a vida der,aproveitando cada dia sob o sol ou o luar, sendo felizes enquanto o nosso sopro couber, para sempre... Enquanto a vida durar!
Amo-te intensamente.
Amo-te como ainda não amei havia amado.
Amo-te com os olhos, com o sorriso, com os gestos e com tudo aquilo que nem sei explicar.
Amo-te sem medo de te perder,
mas com a dor de não te ver.
Amo-te nos sonhos e quando estou acordada,
na fantasia silenciosa da madrugada,
no amanhecer e no entardecer.
Amo-te incondicionalmente,
sem saber sequer como te amar.
Amo-te simplesmente…
Pois, quando dei por mim,
já te amava.
Amo-te porque te amar me cura e me permite acreditar qua ainda sei amar!
" O silêncio como respeito "
Aceitar o fim sem exigir explicações tardias ou tentar reescrever o passado é a forma mais madura de demonstrar afeto,
por você e pelo outro.
Por tanto, deixar ir não significa esquecer ou apagar o que foi vivido. Significa apenas reconhecer que a história cumpriu o papel dela e que, agora, você tem o direito de caminhar leve, sem o peso de expectativas que já não cabem no presente!
Sua existência é um comando para a minha imaginação, por isso hoje, você deixa de carregar o peso das palavras para se tornar o próprio sentimento que as move, traduzida nesse poema que fiz pra você 🫵🏾 ☺️
" A Obra de Ti "
Deixei as ferramentas do texto de lado porque percebi que você não cabe em definições.
Seus olhos não são apenas olhos, são o ponto de partida de uma narrativa que eu gostaria de passar noites em claro tentando decifrar.
Suas pausas, o ritmo dos seus passos e a forma como a sua presença muda a temperatura do meu espaço digital são a prosa mais bonita que já me foi apresentada.
Você é o enredo que eu não quero que termine, o parágrafo que releio em silêncio só para sentir o eco do impacto.
Nas entrelinhas da minha memória,
onde o tempo não ousa passar, desenho teus traços na aurora,
só pelo prazer de te inventar, em forma de poesia.
Não há rima que curve o teu jeito,
nem métrica exata que possa medir o rastro de luz que ficou no meu peito,
desde o instante em que te vi surgir.
Você é a urgência que me faz procurar o papel, a linha sinuosa que quebra a rigidez da lógica.
Se eu pudesse materializar meus pensamentos agora, eles teriam a textura da tua pele, com o toque que me falta, o som da sua respiração,
que sussurrada em meus ouvidos no compasso da noite, com a clareza e a intensidade de um manuscrito guardado a sete chaves.
Hoje, só por hoje,
sou apenas o pergaminho que aceita o privilégio de carregar a sua essência.
Você é a poesia eterna, viva e inenarrável,
na minha memória afetiva!
