Pensamentos Mais Recentes
Cartografia do teu corpo
Teu corpo não é carne.
É geografia.
Teus ombros são margens onde descanso o cansaço,
e teu peito, um chão firme
onde minha respiração aprende a ficar.
Há curvas em você que não pedem pressa,
pedem leitura.
Como quem percorre uma estrada sem mapa,
aceitando se perder só para continuar.
Quando você se aproxima,
meu corpo entende antes de mim.
A pele vira escuta,
o pulso acelera como se reconhecesse
um idioma antigo.
Não é toque ainda
é intenção.
E a intenção pesa mais que a mão.
Seu corpo me chama sem palavras,
como chamam os lugares que a gente sonha morar
antes mesmo de saber o endereço.
E eu fico ali,
entre a vontade de entrar
e o respeito pela porta.
Porque há desejos que não querem urgência,
querem permanência.
E o meu, quando te vê,
não quer te possuir.
Quer te habitar devagar.
"É verdadeiramente intrigante a flexibilidade moral dos paladinos da família e dos bons costumes. Conseguem ignorar o racismo, o negacionismo, a mentira e o preconceito em nome de uma conveniência política. Se Cristo voltasse hoje, o maior susto Dele não seria com o mundo secular, mas com o fã-clube que criaram em Seu nome."
"Olho para os altares erguidos em nome da moral e vejo apenas o eco vazio de palavras sem amor. Trocaram o Evangelho da compaixão pelo aplauso ao ódio, à mentira e ao preconceito. Diante dessa inversão de valores, o peito aperta e a alma suplica pelo retorno Daquele que realmente ensinou o significado da humanidade."
"Pensar por si mesmo virou uma arte para poucos. A maioria prefere a conveniência de vegetar como gado digital, aguardando o sinal verde do WhatsApp para saber qual 'verdade' deve defender no dia. São mentes brilhantes limitadas pelo horizonte de uma terra plana, orgulhosas de viverem presas em seus próprios cercadinhos de ignorância manipulada."
O deslumbre do realismo ressoa no Iluminismo, enquanto a arte cubista aflora conceitos, experiências e linguagens no ambiente. As cores — vivas, mortas ou sombrias — despertam sensações e revelam dimensões para a contemplação do quadro, expondo a alma do artista.
Metáforas, sombras e dimensões notáveis oferecem a noção psicológica do pintor no instante exato da criação. A cada renovação, damos livre-arbítrio à evolução existencial, que reluta contra a superficialidade em busca de um olhar profundo, mesclando sensação e percepção.
A imersão dos valores éticos na cor deforma o sentido e instiga a surpresa; é a transição do espectro visual para o mosaico cubista, moldando uma realidade alternativa. Torna-se, assim, o reflexo instável da entropia humana, congelado no tempo.
Uma cadeira de balanço ou o olhar de uma velha mulher transpõem o tempo e o espaço, reluzindo nas rachaduras da tinta, no ar pesado do chumbo e na terra misturada à pigmentação. A geometria do mosaico cubista se renova e aflora. O espírito renascentista surge em palavras lançadas como imagens em uma folha seca.
Olhos fixos, perdidos e focalizados emanam uma energia massiva no contraste dos contornos, evoluindo para sombras desfocadas que traduzem o primor da época. Esta obra-prima busca o equilíbrio emocional na dobra das pinceladas, evocando o ar rústico da arte barroca. Erguem-se muros de cores abstratas numa fonética dramática: aqui, o autor à beira da loucura cortou a própria orelha; ali, outro pintou sua musa. A arte ressoa da loucura à própria existência magnânima.
Instável, assimilada como reflexo da entropia do tempo, a arte viaja através das eras — assim como meus escritos. Muitas vezes vejo cenários para os quais evoluímos por um simples pingo: a assinatura da própria arte.
A tinta respira enquanto o thinner ou o solvente secam. A ação do catalisador e a secagem revelam um processo lento e doloroso, pois a obra exige constante retoque e reconstrução; muitas vezes, a evolução existencial da arte é apenas o sentimento do artista registrado em seu diário visual.
— Por Celso Roberto Nadilo
"A consciência tornou-se uma arte rara, um farol solitário em um mar de mentes anestesiadas. Triste é o tempo em que o homem escolhe vegetar em cativeiro, entregando o leme da própria alma a um comando digital. Vivem aprisionados no horizonte estreito de um cercadinho ilusório, onde a verdade foi achatada e o mundo deixou de girar."
O Rio e as Pedras
A vida é como um rio em movimento constante.
Ele nasce pequeno, quase tímido, nas montanhas. Ao longo do caminho encontra de tudo: curvas inesperadas, margens estreitas, troncos caídos e pedras de todos os tamanhos.
Algumas pedras são pequenas. O rio quase não as percebe. Passa por elas com facilidade.
Outras são grandes e parecem bloquear o caminho. Por um instante parece que o rio terá de parar.
Mas o rio não discute com as pedras.
Ele não se irrita com elas, nem perde sua natureza por causa delas.
Ele simplesmente continua.
Às vezes contorna.
Às vezes passa por cima.
Às vezes, com paciência, desgasta lentamente aquilo que parecia intransponível.
Assim também são os encontros humanos.
Há pessoas que fluem conosco naturalmente. Outras parecem obstáculos em nosso caminho. Despertam impaciência, provocam conflitos ou desafiam nossa tranquilidade.
O pensamento estoico nos lembra que não precisamos lutar contra cada pedra.
Podemos continuar sendo quem somos.
A serenidade é como a água: firme sem ser rígida, persistente sem ser violenta.
Com o tempo, até as pedras mais duras aprendem algo com o rio e o rio segue seu curso sem perder sua essência.
Talvez seja esse o segredo da sabedoria estoica:
não permitir que as pedras decidam o rumo da nossa natureza.
Porque quem aprende a viver como um rio descobre que a verdadeira força não está em resistir a tudo,
mas em continuar fluindo com dignidade.
"O verdadeiro patriotismo não se desenha no lucro de poucos, mas no abraço que acolhe a todos. Ser patriota é zelar pelo chão que pisamos, respeitando cada vida que nele habita e cada lei que nos protege. A pátria é o seu povo caminhando com dignidade, e não uma engrenagem que moe o trabalhador para alimentar a vaidade do opressor."
Maria, Maria … não é domesticável, nasceu para ser livre!!
Maria buscou tanto pelo mundo a fora e descobriu que não precisava ter ido tão longe, bastou olhar pra dentro de si!
E quando isso aconteceu, encontrou a leveza que precisava, a paz inabalável, a felicidade incondicional, o amor puro!
Por isso continuarei “mariando”!
Aprendi mais sobre eu advercidade do que no meu sucesso.
A situação pode até me ferir, me fazer chorar mas jamais irá me vencer...
Daí-me força e fortalece a minha fé para a cumprir a sua vontade Paí.
R & F Perazza .'.
Nem tudo é sobre nós
Demétrio Sena - Magé
É inadequado e anti-ético alguém aparecer em um casamento vestido em trajes mais deslumbrantes do que os dos nubentes. Especialmente os da noiva. "É contra a lei ou alguma norma?", não. Apenas fere a ética e o bom senso. Apenas isso tudo.
Da mesma forma, é inconcebível você ir ao hospital visitar uma pessoa doente e, chegando lá, inverter os papéis: você passa mal, treme, se descontrola e alguém, às vezes o próprio paciente, vai em busca de quem o socorra.
Ninguém tem o direito de chegar a um velório ou sepultamento e se esmerar em parecer que sofre mais do que pai, mãe, filho/filha, irmãos ou cônjuge. Ninguém sofre mais do que a família, que talvez esteja controlada em razão das providências que precisa tomar, inclusive para receber você. Se algum familiar se mobiliza para socorrê-lo(a), tem algo errado aí.
Quem abre um show não se apresenta mais do que a estrela desse show. A decepção de quem não passa em um concurso público não é maior para outra pessoa do que para quem não passou. Quem introduz um palestrante é anti-ético, se ele introduzir uma "pré-palestra" com ingredientes propositais para causar maior impacto.
O que é sobre o outro não deve ser transposto para nós. Aliás, muita coisa na vida é sobre o outro. E sobre nós, a partir do outro. A dor ou alegria de alguém pode nos atingir, mas atinge muito mais o detentor do sentimento ou da sensação.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
"Caminhamos sob o eclipse da razão, onde o desconhecimento virou troféu. A ignorância espalhou suas raízes como uma hera conveniente, cobrindo os olhos do mundo. O mais triste é ver que, mesmo colhendo os frutos amargos dessa cegueira, a mente insana ainda se orgulha da própria escuridão."
A arquitetura da alma
Assim como uma casa não se sustenta sem alicerces, o homem também não permanece de pé sem uma estrutura interior. A alma possui sua própria arquitetura. E tudo nela depende daquilo que, em silêncio, foi sendo construído ao longo do tempo: hábitos, valores, renúncias, convicções, memórias e fidelidades.
Há homens belos por fora e arruinados por dentro. Há homens simples por fora e majestosos por dentro. Isso porque a verdadeira grandeza não está no acabamento aparente, mas na solidez do que foi erguido no invisível. A alma mal construída desaba diante de elogios excessivos, críticas duras, desejos desordenados ou perdas inevitáveis. Já a alma bem arquitetada atravessa tempestades sem perder completamente a forma.
Construir a alma exige trabalho paciente. Ninguém se torna justo por acaso, nem sereno por impulso, nem sábio por aparência. Cada escolha é um tijolo. Cada renúncia limpa o terreno. Cada verdade aceita fortalece as colunas. Cada queda enfrentada com humildade reforma rachaduras internas. O homem vai se tornando morada de si mesmo.
Mas toda arquitetura revela uma intenção. A pergunta essencial é: para que estamos construindo? Há almas erguidas para a vaidade, para o poder, para a aprovação. E há almas construídas para a verdade, para o amor, para a responsabilidade e para o bem. Só estas permanecem habitáveis quando a vida endurece.
No fim, o legado de um homem não é apenas o que ele deixou no mundo, mas aquilo que ele edificou dentro de si. Porque a alma é a obra mais importante que alguém pode construir. E quando ela se torna firme, clara e justa, passa a servir de abrigo não apenas para si mesma, mas também para todos os que dela se aproximam.
"O diploma mais disputado do momento é o de 'burrologia'. A ignorância deixou de ser falta de acesso à informação e virou uma escolha conveniente. O cúmulo do ridículo é ver essa massa alienada reclamando da crise e dos problemas atuais, sem perceber que o espelho é quem guarda o verdadeiro culpado."
"Viver de forma consciente virou artigo de luxo. Hoje, a moda é terceirizar o cérebro e esperar pacientemente pela próxima notificação de rede social para descobrir o que pensar e como agir. É o ápice da evolução humana: viver confortavelmente trancado em um cercadinho ideológico, onde a realidade é plana e a ignorância é entregue com frete grátis."
Desabroche, mas no seu tempo
Existe uma pressa no mundo que, às vezes, nos adoece sem fazer barulho. Uma pressa que olha para o relógio como quem olha para um juiz. Uma pressa que inventou a mentira de que há idade certa para começar, idade certa para vencer, idade certa para sonhar, idade certa até para ser feliz.
E então muita gente acredita.
Acredita que, depois de certo tempo, tudo fica mais difícil. Que o coração envelhece junto com o corpo. Que os sonhos criam ferrugem. Que a coragem passa a morar só na juventude. Como se a vida colocasse uma placa invisível diante de nós dizendo: “até aqui você podia; daqui para frente, apenas aceite”.
Mas a vida não fala assim.
A vida fala por estações. E cada estação tem sua beleza, seu peso, seu fruto e sua revelação. Há flores que se abrem cedo, quase ainda de madrugada. Há outras que precisam de mais sol, de mais chuva, de mais silêncio. Nem por isso são menos belas. Nem por isso erraram o tempo. Apenas obedeceram ao ritmo secreto com que Deus, o destino ou a própria existência as chamou para florescer.
Desabrochar não é correr. É amadurecer.
Há pessoas que só descobrem a própria força depois das perdas. Há quem encontre sua voz depois de anos de silêncio. Há quem só aprenda a amar de verdade depois de ter juntado os cacos do próprio peito. Há quem comece uma nova história quando todos ao redor já tinham decretado o fim do livro.
E como é bonito isso.
Porque viver não é cumprir calendário; viver é acender sentido. Não importa se alguém começou aos vinte, aos quarenta, aos sessenta ou aos oitenta. O que importa é que começou. O que importa é que ainda houve chama, ainda houve desejo, ainda houve entrega. Enquanto houver fôlego, há tempo de nascer por dentro outra vez.
Talvez o grande erro de muita gente seja confundir idade com limite. Idade não é muro; é estrada. Não é sentença; é experiência. Não é fechamento; é acúmulo de céu e de chão dentro da alma. Em muitos casos, é justamente o passar dos anos que nos devolve a coragem mais bonita: a de viver sem pedir licença ao medo.
Chega uma hora em que a gente entende que não precisa provar nada para ninguém. Precisa apenas não desistir de si. E isso muda tudo. Porque, quando alguém decide acreditar novamente em si mesmo, até os dias comuns começam a florescer de outro jeito.
Por isso, desabroche. Mas no seu tempo.
Sem se comparar com a primavera do outro. Sem invejar o jardim alheio. Sem achar que sua hora passou só porque o mundo resolveu medir a vida com réguas apressadas. O fruto que amadurece no tempo certo tem mais doçura. A flor que respeita o próprio processo tem mais raiz.
Acredite: não ficou tarde demais.
Ainda há beleza esperando sua coragem. Ainda há caminhos esperando seus passos. Ainda há instantes que a vida quer lhe entregar como quem diz baixinho: “veja, ainda não terminei com você”.
E talvez a maior sabedoria seja justamente esta: receber cada momento como uma nova oportunidade de existir com inteireza. Viver o agora com gratidão. Abraçar o que chega. Honrar o que passou. E seguir, não com pressa, mas com presença.
Porque a vida não premia quem corre mais.
A vida revela seus milagres a quem permanece.
A quem acredita.
A quem, apesar de tudo, ainda escolhe florescer.
Os Olhos da Alma
Vivemos cercados por grandes discursos sobre amor, relacionamento e conhecimento, como se essas riquezas estivessem escondidas apenas em feitos grandiosos, em declarações memoráveis ou em momentos raros. Mas a verdade costuma caminhar em silêncio. O essencial quase sempre mora no pequeno, no simples, no que passa despercebido aos olhos distraídos.
Muitos procuram o amor como quem busca um espetáculo. Esperam fogos de artifício, promessas eternas, cenas dignas de aplauso. No entanto, o amor verdadeiro frequentemente se revela em gestos que não fazem barulho: em uma escuta sincera, em um copo d’água oferecido sem pedir, em alguém que percebe o cansaço do outro e permanece ao lado. O amor não precisa gritar para existir. Ele sussurra.
Também o relacionamento se perdeu, em muitos casos, na aparência. Fala-se em conexão, mas vive-se distante. Compartilham-se imagens, mas não intimidade. Trocam-se mensagens, mas não presença real. Um relacionamento não nasce da quantidade de palavras ditas, e sim da verdade contida nelas. Ele floresce quando duas almas decidem se enxergar além das máscaras diárias.
E o conhecimento, esse tão celebrado, não se resume aos livros empilhados ou aos títulos pendurados na parede. Há sabedoria em quem aprende a ouvir, em quem observa o tempo das coisas, em quem entende a dor alheia sem precisar explicações longas. Há mestres anônimos sentados em bancos de praça, em cozinhas simples, em mãos marcadas pelo trabalho. Nem todo saber veste formalidade.
O problema é que nos acostumamos a olhar depressa. E quem olha depressa, vê pouco. Passamos por manhãs bonitas sem notá-las, por pessoas valiosas sem reconhecê-las, por oportunidades de amar sem percebê-las. A vida oferece tesouros discretos, mas exige sensibilidade para encontrá-los.
É por isso que precisamos olhar com os olhos da alma.
Os olhos comuns enxergam forma, cor e distância. Os olhos da alma enxergam intenção, dor, beleza escondida e verdade silenciosa. Eles percebem quando um sorriso pede socorro. Notam quando o silêncio de alguém é cansaço e não indiferença. Reconhecem amor onde outros veem rotina.
Talvez o maior erro humano seja esperar que o extraordinário venha sempre vestido de grandiosidade. Muitas vezes, ele chega disfarçado de simplicidade: uma conversa breve que cura, um abraço sem palavras, uma lembrança gentil, um perdão concedido, uma presença fiel.
Quem aprende a ver assim nunca mais chama de pequeno aquilo que carrega eternidade.
Porque o amor está nas entrelinhas do cotidiano. O relacionamento está no cuidado constante. O conhecimento está na humildade de aprender com tudo. E a vida, em sua mais pura grandeza, continua acontecendo nos detalhes que só os olhos da alma conseguem notar.
"Antigamente, as pessoas usavam a cabeça para pensar. Hoje, elas esperam o 'plim' do celular para saber se devem respirar ou não! É a geração do cérebro no modo de espera: só funciona se vier instrução no grupo da família. O pessoal se tranca em um cercadinho mental de terra plana e jura de pé junto que descobriu o segredo do universo pelo aplicativo de mensagem!"
O Labirinto que Construímos Dentro do Mundo
Há quem diga que o mundo é difícil. Há quem acorde pela manhã e veja no horizonte um campo de batalhas invisíveis: contas a pagar, afetos mal resolvidos, desigualdades antigas, dores que atravessam gerações, silêncios que pesam mais do que palavras. E então se conclui, quase sempre sem pensar: o mundo é complicado.
Mas será mesmo?
Talvez o mundo, em sua essência, nunca tenha sido complicado. A manhã nasce simples. O sol não hesita em nascer. A chuva não faz discursos antes de cair. A árvore não questiona se deve crescer para cima ou para os lados. O rio não perde tempo odiando a pedra que encontra no caminho; ele apenas contorna e segue. A natureza inteira parece conhecer uma sabedoria silenciosa que nós, humanos, tantas vezes desaprendemos.
O complicado talvez não esteja no mundo. Esteja em nós.
Somos nós que transformamos diferenças em muros. Somos nós que pegamos aquilo que era apenas diverso e chamamos de ameaça. A cor da pele, a língua, a fé, o sotaque, o lugar de origem, o modo de amar, a forma de pensar. O que poderia ser riqueza vira conflito. O que poderia ser encontro vira disputa. O que poderia ser aprendizado vira preconceito.
O mundo oferece matéria-prima. Nós escolhemos a forma.
Pegamos o tempo, que era só passagem, e o transformamos em ansiedade. Pegamos o amor, que era só entrega, e o transformamos em posse. Pegamos o trabalho, que era dignidade, e o transformamos em prisão. Pegamos a política, que deveria ser serviço, e a transformamos em guerra. Pegamos a fé, que poderia ser consolo, e a transformamos em julgamento.
E depois culpamos o mundo.
Há uma ironia triste nisso tudo: complicamos a vida tentando controlá-la. Queremos prever tudo, garantir tudo, vencer sempre, nunca perder, nunca sofrer, nunca errar. Queremos uma existência lisa, sem rachaduras, sem tropeços, sem despedidas. Mas viver nunca foi isso. Viver é atravessar incertezas com coragem. É aceitar que algumas portas fecham, que algumas pessoas partem, que algumas respostas nunca virão.
O simples nos assusta porque exige humildade.
É mais fácil criar teorias do que oferecer perdão. É mais fácil discutir grandes ideias do que pedir desculpas. É mais fácil falar de humanidade do que tratar bem quem está ao lado. É mais fácil reclamar da escuridão do que acender uma vela.
Talvez por isso o mundo pareça tão pesado: carregamos pesos desnecessários. Orgulho antigo. Mágoas colecionadas. Competições inúteis. Aparências mantidas a custo da alma. Queremos parecer fortes, enquanto por dentro estamos apenas cansados.
Mas existe um caminho de volta.
Ele começa quando entendemos que nem tudo precisa ser guerra. Nem toda opinião contrária é inimiga. Nem toda diferença é ameaça. Nem toda demora é fracasso. Nem toda lágrima é fraqueza. Nem todo silêncio é vazio.
Há beleza no que é simples: sentar e ouvir alguém de verdade. Dividir o pão. Cumprimentar com respeito. Trabalhar com honestidade. Amar sem teatro. Reconhecer erros. Recomeçar sem vergonha. Olhar para o outro e lembrar que ele também carrega dores invisíveis.
Talvez a pergunta correta não seja “qual é a diferença no mundo?”, mas qual diferença temos criado dentro de nós e entre nós.
Porque o mundo, no fundo, continua girando com a mesma serenidade antiga. O céu continua abrindo espaço para as estrelas. O mar continua beijando a areia. A terra continua oferecendo frutos. O vento continua visitando janelas esquecidas.
Quem se perdeu fomos nós.
E ainda assim há esperança. Porque se fomos nós que complicamos, também somos nós que podemos simplificar. Se erguemos muros, podemos abrir portas. Se espalhamos ruídos, podemos semear silêncio. Se criamos ódio, podemos escolher respeito.
O mundo talvez nunca tenha pedido tanto de nós. Talvez ele peça apenas isto: menos máscaras, menos vaidade, menos medo… e mais humanidade.
Quando as Cicatrizes Encontram um Propósito
Há quem passe a vida inteira tentando esconder as próprias cicatrizes, como se elas fossem manchas deixadas pelo fracasso, lembranças de uma batalha perdida ou marcas de uma fraqueza imperdoável. Vivemos em um tempo que exalta a perfeição e, por isso, muitos acreditam que a beleza está na pele intacta, na história sem rupturas, na alma que jamais conheceu o peso da dor.
Mas a vida, silenciosamente, ensina o contrário.
As cicatrizes não são o fim da beleza; são a sua maturidade.
Elas são a assinatura do tempo sobre aqueles que tiveram coragem de continuar caminhando quando tudo parecia desmoronar. Cada marca carrega uma história que o corpo talvez não conte, mas que a alma jamais esquece. Há lágrimas que secaram há muitos anos, mas que permanecem gravadas como rios invisíveis dentro de nós.
Durante muito tempo pensei que minhas feridas eram lembranças de tudo aquilo que eu gostaria de apagar. Hoje compreendo que elas são capítulos indispensáveis da pessoa que estou me tornando.
Porque existe uma diferença profunda entre viver marcado pela dor e viver transformado por ela.
A dor aprisiona quando se torna identidade.
Mas ela liberta quando se transforma em propósito.
É então que a cicatriz deixa de ser apenas memória e passa a ser missão.
Ela já não aponta para aquilo que nos destruiu, mas para aquilo que aprendemos a reconstruir. Deixa de ser uma prisão do passado para tornar-se uma ponte em direção ao futuro.
Talvez Deus permita certas tempestades não para celebrar o sofrimento, mas para revelar uma força que desconhecíamos possuir. A árvore que enfrenta os ventos aprofunda suas raízes. O ouro conhece sua pureza no fogo. O coração amadurece quando aprende que nem toda perda é definitiva e que nem toda queda anuncia o fim da caminhada.
Hoje não agradeço pela dor em si.
A dor continua sendo dor.
Mas agradeço pelo homem que ela me ajudou a formar.
Se minhas cicatrizes puderem impedir que outra pessoa desista, então elas já terão encontrado um sentido. Se minhas lágrimas puderem ensinar alguém a acreditar novamente, então nenhum sofrimento terá sido desperdiçado. Se minhas quedas fizerem nascer esperança no coração de quem já não consegue enxergar o horizonte, então minhas feridas terão deixado de ser apenas minhas.
Descobri que a vida possui um estranho e belo mistério: aquilo que quase nos destruiu pode tornar-se exatamente aquilo que nos torna capazes de sustentar outras vidas.
Hoje já não escondo minhas cicatrizes.
Olho para elas como quem contempla antigas cartas escritas pelo tempo. Cada uma me recorda que sobrevivi, que amadureci e que a graça de Deus não elimina todas as marcas da caminhada, mas lhes concede um novo significado.
E talvez seja esse o maior milagre da existência: perceber que Deus não desperdiça nenhuma lágrima sincera. Nas mãos d’Ele, as feridas tornam-se fontes de compaixão, as quedas transformam-se em degraus de sabedoria, e as cicatrizes deixam de contar apenas a história daquilo que nos feriu para anunciar, com silenciosa grandeza, a história daquele que jamais desistiu de recomeçar.
No fim, compreendi que não sou definido pelas dores que carreguei, mas pelo propósito que escolhi dar a elas. E é justamente aí que a esperança floresce: quando as cicatrizes deixam de ser lembranças do sofrimento e passam a ser testemunhas vivas da transformação da alma.
"O verdadeiro marginal não veste apenas os trapos da miséria; ele se esconde, muitas vezes, sob o linho fino do poder. Marginal é a alma que caminha nas sombras da lei, plantando mentiras, sonegando o futuro e ferindo a dignidade do outro. Quem aplaude o retrocesso ou silencia diante do preconceito aceita o mesmo exílio moral e torna-se cúmplice da escuridão que destrói a nação."
"É fascinante o mal-entendido que existe em torno da palavra 'marginal'. Muitos acham que ela se aplica apenas à periferia, esquecendo-se de que o crime adora terno, gravata e redes sociais. Financiar milícias, sonegar, espalhar fake news ou flertar com o golpismo são apenas formas requintadas de viver à margem da lei. E o melhor de tudo? Quem apoia esse cardápio de infrações ganha, de brinde, o título de cúmplice por associação."
"O pessoal acha que ser marginal exige um figurino específico, mas a verdade é que o crime gourmetizou! Tem marginal que usa Wi-Fi para espalhar fake news, tem o que faz Pix de rachadinha e o que sonega imposto jurando que é o ápice da cidadania. E para quem fica na internet defendendo esse combo de absurdos: parabéns pelo cargo de cúmplice no contrato de prestação de serviços da ilegalidade!"
Cobiço a sua existência,
como os ghuts anseiam
ser inundados pela chuva
para verdejar a flora;
Com discrição de dama,
a curiosidade te namora.
A imaginação viaja longe,
ansiando estar contigo
na Antígua e Barbuda,
sob o sol e sob a lua,
sem pressa nenhuma.
Calipso quero dançar
na beirinha do mar,
sem se preocupar
se haverá alguém
olhando para nos julgar.
Sob a Antigua whitewood
abraçados descansar,
com a certeza de que
não são só juras de amor
que por nós irão passar:
O amor irá nos arrebatar.
