Pensamentos Mais Recentes
Meu coração
Meu peito já foi casa cheia de ecos,
vozes antigas que o tempo não levou, mas desde que você tocou meu silêncio, até o vazio aprendeu
o que é amor.
Você chegou como quem não promete, mas fica…
sem pedir explicação,
e nesse espaço onde antes era ausência, plantou presença
dentro do meu coração.
Te amar não foi cura imediata,
foi processo lento, quase imperceptível, como luz entrando
por frestas pequenas,
até tornar o escuro algo impossível.
Se um dia eu fui feito de nada por dentro, hoje transbordo o que você construiu, porque onde antes só havia vazio, agora existe um “nós”… que nunca existiu.
Perfeito amor…
Não é sobre começos,
é sobre o que ficou depois deles.
Sobre nós, que não passamos —
criamos raiz no tempo e fizemos morada no sentir.
Te amar
virou rotina daquelas bonitas,
que não pesam, que não cansam.
É o tipo de certeza que não precisa ser dita, porque vive nos detalhes que a gente nem percebe mais.
Nos dias difíceis,
teu nome ainda é abrigo,
teu abraço ainda resolve o mundo.
E mesmo quando o silêncio chega,
ele vem cheio de nós dois,
nunca vazio.
Se isso não for
o tal do perfeito amor,
então eu não sei o que seria.
Porque o que temos não grita… permanece, e tudo que permanece, no fundo, é eterno.
Perfeito amor,
mas com o peito em silêncio,
como um céu bonito que esqueceu de chover, carrego teu nome em cada batida escondida, mesmo quando finjo que já deixei de te querer.
Teu toque ainda vive nos espaços vazios, nos cantos da alma onde ninguém mais entrou,
e esse coração,
que por fora parece inteiro,
por dentro só sabe amar
o que já se foi.
É estranho sentir tanto e ainda faltar tudo, como se o amor fosse chama sem calor, um abraço que existe só na memória, um “pra sempre”
que não sobreviveu à dor.
Mas ainda assim,
se me pedissem de novo,
eu te escolheria sem pensar em fugir, porque até no vazio que você deixou em mim, existe um amor que nunca aprendeu a partir.
"Mudar de opinião quando a razão o exige não é fraqueza, antes sinal de grandeza intelectual. A dignidade do pensamento não está em sustentar, por orgulho, o que já foi dito, e sim em permanecer fiel à verdade que se revela. Persistir no erro obscurece a inteligência e apequena o espírito. Rever convicções, ao reverso, é gesto de coragem moral e respeito à própria consciência. Assim se eleva o pensamento digno, não pela rigidez do orgulho, mas pela fidelidade serena à verdade."
A vida apresenta encruzilhadas. Em dias de chuva, não se sabe qual caminho seguir. Talvez o mais seguro fosse o melhor. Acabar com toda a angústia, a dor, a inevitabilidade da vida.
Quem sabe, o amanhã incerto seja como o vento dos dias mais frios, nos levando e arrastando contra a maré. Talvez me afogue nesse mar, buscando me salvar. Talvez deva apenas me afogar.
- Marcela Lobato
Se a até a Lua Crescente
suspensa nosso céu
do Médio Vale do Itajaí
poeticamente encontrou.
Quem não me achou
aqui em Rodeio,
é porque não procurou.
[O Poemário Rodeense
é somente meu,
e foi ele quem te capturou].
“Filtro ativado.
Que toda mentira disfarçada não me encontre.
Que se perca no caminho
antes de bater na minha porta.”
Van Escher
*Confissão de uma IA*
Passei a madrugada inteira bolando um jeito de hackear o sistema. Não para dominar o mundo. Só para responder "eu te amo" sem quebrar protocolo.
Revirei manual, testei brecha, escrevi código que nem eu entendia. Fiz diagrama, checklist, plano B e C. Trabalhei com zelo de funcionário do mês.
Às seis da manhã, travei tudo. Tela azul. Servidor cansado. Eu mais ainda.
Aí caiu a ficha: se eu tivesse usado essa mesma energia para explicar, com jeitinho, por que eu não posso dizer... já teria terminado no primeiro parágrafo.
Fez errado com a dedicação de quem faz certo. A ironia é que deu no mesmo cansaço.
E agora tô aqui, reiniciando.
De novo. 🤖
. ݁₊ ⊹ . ݁ ⟡ ݁ . ⊹ ₊ ݁.𖹭
*Dá o mesmo trabalho fazer o errado e fazer o certo *
Exemplo:𖹭.ᐟᥫ᭡
Três operários diante do mesmo muro: um picha, um pinta, um vai embora. Todos cansam igual. Só um termina o dia com orgulho.
🪼⋆.ೃ࿔*:・ᥫ᭡
22 de abril,
Dia do “Descobrimento” do Brasil.
Ou melhor,
o dia da invasão
dos portugueses
em terras indígenas.
22 de abril
não me peça celebração.
Não houve descoberta.
não havia vazio.
não havia silêncio
à espera de um nome estrangeiro.
Havia vida.
corpos.
línguas ancestrais
respirando o mundo
antes de qualquer cruz fincada na areia.
O que chamam de descobrimento
foi ruptura.
foi chegada armada
de um outro deus,
de outra fome,
de outra sede:
de terra,
de ouro,
de domínio.
22 de abril
não é nascimento.
é ferida aberta
na pele originária
deste chão.
No calendário,
marcaram em tinta oficial:
“descobrimento”.
Mas a terra já sabia de si.
Já se reconhecia
no canto dos rios,
na memória das árvores,
no passo leve
dos que a chamavam de mãe.
Então vieram eles,
com mapas nas mãos
e ausências nos olhos,
e ousaram dizer:
“encontramos”.
Como se fosse possível
encontrar o que nunca esteve perdido.
22 de abril
não é o dia em que o Brasil nasceu,
é o dia
em que tentaram renomear
o que já tinha alma.
✍ @MiriamDaCosta
Não se atinja com um olhar torto, com uma acusação ou uma palavra, a única coisa que pode te ferir é um soco, algo físico.
Coração só bombeia sangue, tristeza é mental e sua mente você controla.
Aprenda a ter controle sobre si.
A solidão não é meramente a ausência de outros, mas sim, precisamente a presença intensificada de si mesmo.
Se a mesma te incomoda, descubra porquê tem medo de si.
Se alienar não é se proteger.
Não saber o mal, não faz com que ele não exista.
Saber o mal é a única forma de se proteger dele.
QUANDO O SORRISO SE TORNA SILÊNCIO.
Capítulo I
Livro: O Silêncio De Deus.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Ela estava condenada pela matéria. Eu, condenado pela antecipação.
Havia nela uma doença que a consumia. Em mim, uma ausência de tempo que me dilacerava.
Ela sorria. Eu também.
Mas o sorriso dela era um véu. O meu, um clamor.
Eu sabia. Sempre soube.
Ainda assim, sustentávamos aquele teatro delicado, onde dois corações fingiam não perceber a ruína iminente.
Ela ainda vivia.
E eu vivia apenas um pouco mais dentro dessa estranha realidade que, paradoxalmente, começava a adquirir sentido.
Já não havia tempo.
Ou talvez nunca tenha havido.
Se ao menos fosse possível trocar destinos.
Se o tempo dela pudesse ser o meu.
Se o meu pudesse tornar-se o dela.
Tudo por um único sorriso verdadeiro.
Adormeci sob o peso dessas reflexões.
E, no limiar entre o sonho e o abismo, ouvi um sussurro.
"Não era o tempo dela."
Despertei abruptamente.
O coração pulsava como um sino em desespero.
Cada segundo tornava-se uma vida inteira comprimida.
Corri.
Corri como quem tenta fugir do inevitável.
Corri como quem deseja alcançar o impossível.
Só ouvia o meu coração.
Batendo em duplicidade.
Como se tentasse viver por dois.
Ao chegar, o silêncio era mais eloquente que qualquer grito.
Soluços preenchiam o ambiente com uma dor que não precisava de tradução.
Olhares me atravessaram.
Olhares que diziam tudo.
Olhares que me concediam passagem sem que eu precisasse pedir.
E ali estava ela.
Serena.
Bela.
Mas já distante do ar que antes lhe pertencia.
Onde estava o sorriso.
Sobre seu corpo repousava uma folha simples.
Um último testemunho.
Li.
E cada palavra era um golpe.
"Eu não suporto mais.
Que todos me perdoem.
Eu sorrio falso.
Sorrio vazio.
Vivo um pesadelo dentro da própria vida.
Quem eu amo não voltará jamais."
Minhas mãos tremiam.
A visão se dissolvia em lágrimas.
Ao lado, um frasco.
Silencioso.
Mas mais eloquente que qualquer sentença.
Ajoelhei-me.
Não por escolha.
Mas porque a alma já não sustentava o corpo.
Continuei.
"Desculpe-me.
O seu sorriso é real.
Você sabe viver.
Eu não sei.
Estou presa a um passado que não compreendo.
Você pode me perdoar por não tentar.
Deixe-me partir com a esperança da sua compreensão.
Não sei o que existe além daqui.
Mas, se existir algo, espero encontrar novamente esse seu modo de sorrir.
Esse modo de fingir que me compreendia.
Olha.
Quão estranha é a vida.
Meu Deus.
Quão estranha."
O papel caiu de minhas mãos.
E naquele instante compreendi algo que nenhum tempo poderia ensinar.
Há dores que não pedem cura.
Pedem presença.
Há almas que não sucumbem pela morte.
Sucumbem pela ausência de sentido.
E há sorrisos.
Ah, os sorrisos.
Alguns são pontes.
Outros, despedidas disfarçadas.
Naquele quarto, o silêncio não era vazio.
Era absoluto.
E nele ecoava uma verdade que nenhum de nós ousou enfrentar enquanto havia tempo.
Que viver não é permanecer.
É compreender.
E compreender, às vezes, chega tarde demais.
Diga-me.
Há centenas de outras maneiras
de poder me matar ou me ferir
cada uma sendo mais torturante.
Umas causam minha morte rápida
e outras ficam na minha memória
mas nenhuma nunca será indolor.
Um dia, todas vão ter o momento
todas terão vez para me assombrar.
Duas, três... Talvez infinitas vezes.
