Pensamentos Mais Recentes
Como lâmina que toca o nervo e revela a verdade oculta sob a pele do mundo, a obra de Dostoiévski lembra que nenhuma consciência é inteira, nenhum gesto é puro e nenhum sofrimento é simples. Há sempre uma voz subterrânea que contradiz, acusa, implora, resiste — e é nessa fratura que o humano se mostra em sua face mais verdadeira. Literatura não descreve o abismo: desce até ele, acende uma pequena luz e obriga cada leitor a encarar o que prefere não nomear.
A INDIFERENÇA TAMBÉM DEIXA MARCAS
A chuva fazia aquele trabalho sujo de sempre: cair sobre todo mundo sem perguntar quem merecia.
Eu estava no bar, diante da vidraça embaçada, com um copo que já tinha perdido a graça fazia algum tempo.
O bar estava cheio.
Gente falando alto, rindo de coisas que provavelmente não teriam graça no dia seguinte. Gente reclamando do preço da cerveja, do governo, do chefe, da vida, do casamento, do trânsito.
A vida humana em seu estado mais sofisticado: reclamar de pequenas merdas enquanto outras pessoas desaparecem a poucos metros.
Foi então que eu o vi.
Caminhava devagar.
Muito devagar.
Como se cada passo precisasse ser negociado com o corpo.
Um bastão em uma das mãos.
Uma trouxa enorme pendurada nas costas.
Aquele tipo de bagagem que não parece carregar roupas.
Parece carregar anos.
Ele levou a mão ao rosto.
Não sei se chorava.
Talvez estivesse apenas cansado.
Talvez tivesse vergonha.
Talvez estivesse protegendo os olhos da chuva.
Ou talvez estivesse tentando esconder de si mesmo o espetáculo miserável de continuar vivo.
E ninguém parou.
Ninguém.
Alguns passaram por ele com aquela pressa característica de quem tem compromissos importantes.
Um homem esbarrou em seu ombro.
Nem olhou para trás.
Uma mulher desviou como se tivesse encontrado uma poça.
Outro simplesmente continuou andando.
A cidade possui uma técnica admirável para isso.
Ela transforma pessoas em obstáculos.
Depois transforma obstáculos em paisagem.
E, finalmente, transforma paisagem em nada.
Fiquei olhando.
E comecei a me perguntar quando foi que aprendemos a não nos importar.
Talvez tenha começado cedo.
Quando descobrimos que sentir demais dói.
Então construímos pequenas paredes.
Depois paredes maiores.
Depois uma casa inteira dentro da cabeça.
Chamamos aquilo de maturidade.
Chamamos de experiência.
Chamamos de inteligência emocional.
Na verdade, muitas vezes é apenas medo com uma boa roupa.
A gente aprende a olhar sem ver.
A ouvir sem escutar.
A passar por alguém sofrendo e dizer:
Não é problema meu.
É uma frase eficiente.
Curta.
Prática.
Quase elegante.
Serve para tudo.
Para o mendigo.
Para o velho.
Para o vizinho.
Para a criança.
Para o amigo.
Para o planeta.
Para a própria consciência.
Não é problema meu.
E assim vamos ficando especialistas em não pertencer a nada.
A tragédia é que ninguém nos avisou que, quando você se separa suficientemente dos outros, começa também a se separar de si mesmo.
Porque aquele homem ali não era somente aquele homem.
Era uma possibilidade.
Uma versão futura.
Uma lembrança de alguma coisa que poderíamos ter sido.
Ou simplesmente alguém que teve menos sorte.
E essa é a parte que incomoda.
Porque é fácil desprezar aquilo que acreditamos estar muito distante.
Mas e se não estiver?
E se a diferença entre aquele homem e o sujeito sentado aqui no bar for apenas uma sequência de acidentes?
Uma doença.
Um abandono.
Uma dívida.
Uma perda.
Uma velhice que chegou sem pedir licença.
Uma mão que ninguém segurou quando ainda havia tempo.
É aí que a coisa fica desagradável.
Porque começa a desaparecer a confortável fronteira entre eu e ele.
Nós gostamos de acreditar que somos indivíduos separados.
Eu tenho minha vida.
Ele tem a dele.
Eu tenho meus problemas.
Ele tem os dele.
Uma pequena matemática moral para justificar nossa covardia.
Mas existe uma coisa incômoda chamada humanidade.
E ela não respeita nossos muros.
Ela passa por dentro deles.
O homem continuava caminhando.
A chuva continuava caindo.
A motocicleta continuava estacionada.
As pessoas continuavam indo para algum lugar.
E eu continuava atrás do vidro.
Isso também me incomodava.
Porque observar o sofrimento não nos torna melhores.
Às vezes apenas nos torna espectadores mais sofisticados.
Você pode escrever sobre a fome e continuar jantando tranquilamente.
Pode falar sobre compaixão e não oferecer um minuto a ninguém.
Pode publicar frases bonitas sobre humanidade enquanto passa por uma pessoa caída na calçada olhando para o celular.
A consciência é uma coisa estranha.
Ela permite que você se sinta culpado sem precisar mudar absolutamente nada.
Talvez essa seja uma das maiores fraudes que inventamos.
Sentir não basta.
Pensar não basta.
Indignar-se não basta.
A compaixão que não atravessa o corpo e chega às mãos é apenas uma emoção bem-comportada.
E talvez seja disso que este homem esteja nos lembrando.
Não com palavras.
Não com discursos.
Não com nenhuma bandeira.
Apenas com aquele corpo cansado.
Aquele bastão.
Aquela trouxa.
Aquela mão cobrindo o rosto.
Ele não precisa saber que está nos ensinando alguma coisa.
Talvez nem queira.
Talvez só queira chegar a algum lugar.
E existe uma brutalidade nisso.
Ele está tentando chegar.
Nós também.
A diferença é que alguns carregam uma mochila.
Outros carregam apartamentos, carros, diplomas, investimentos, fotografias de família, rancores, traumas, vaidades, fracassos e uma quantidade absurda de medo.
Todos carregamos alguma coisa.
A questão é o que fazemos quando percebemos que outra pessoa não consegue mais carregar a dela.
Viramos o rosto?
Aceleramos o passo?
Ou paramos?
Talvez seja esse o ensaio mais simples para recuperar alguma coisa que perdemos.
Parar.
Olhar.
Reconhecer.
Cuidar.
Não porque somos santos.
Não porque precisamos salvar o mundo.
Mas porque, antes de todas essas teorias sobre sucesso, liberdade, mérito e individualidade, existe uma coisa muito mais antiga dentro de nós.
A necessidade de cuidar.
Ela está lá.
Debaixo do cinismo.
Debaixo do orgulho.
Debaixo das cicatrizes.
Debaixo dessa couraça ridícula que construímos para não sofrer.
Você foi feito para cuidar.
E eu sei que isso soa ingênuo.
Num mundo que transforma gentileza em fraqueza, parece até uma piada.
Mas talvez a verdadeira fraqueza seja justamente o contrário.
Passar por alguém quebrado e precisar fingir que não viu.
Porque para não sentir a dor dos outros você precisa amputar alguma coisa dentro de si.
E amputações emocionais também deixam cicatrizes.
O homem desapareceu na chuva.
O bar continuou cheio.
Pedi outra cerveja.
Não porque tivesse esquecido o que vi.
Mas porque ainda não sabia o que fazer com aquilo.
Talvez começar seja exatamente isso:
não esquecer.
Não deixar que aquela imagem vire apenas mais uma fotografia entre milhares.
Não permitir que a dor de alguém se torne paisagem.
Talvez a mudança comece antes da ação.
Comece no instante em que você se recusa a olhar para o outro como um estranho.
Porque, no fim, somos todos passageiros da mesma coisa.
E a cidade continuará esbarrando em nós.
A chuva continuará caindo.
Os bares continuarão cheios.
As pessoas continuarão com pressa.
E algum homem continuará caminhando devagar, carregando nas costas tudo aquilo que ninguém quis carregar com ele.
A pergunta não é se podemos salvar aquele homem.
Talvez não possamos.
A pergunta é outra.
O que ainda existe dentro de nós quando vemos alguém sofrendo e escolhemos não nos importar?
Talvez seja aí que a humanidade comece.
Ou termine.
Depende do que você fizer depois de olhar.
Se tudo o que você fez por mim precisa ser lembrado sempre que eu discordo de você, então talvez você não tenha ajudado por amizade; tenha ajudado para adquirir autoridade sobre a minha vida!
protegido.
Não peço que meus inimigos desapareçam. peço coisa pior, que continuem existindo, mas que nunca encontrem o caminho até mim.
Que tenham pés, mas que nenhum passo os traga na minha direção. Que tenham mãos, mas que toda tentativa de tocar aquilo que é meu encontre o vazio. Que tenham olhos, mas que não me vejam, não reconheçam meu rosto no meio da multidão, não saibam onde eu piso, onde eu durmo, onde eu levanto.
E que nem mesmo em pensamento eles possam ter espaço suficiente para me fazer mal.
Porque há guerra que não começa com barulho. Começa com intenção. Com inveja guardada atrás de um sorriso, com palavra atravessada, com desejo silencioso de ver alguém cair. E contra esse tipo de inimigo eu não quero apenas distância. Quero proteção. Quero que toda maldade enviada encontre uma parede antes de chegar.
Armas de fogo não alcançarão meu corpo. Facas e espadas se quebrarão antes de tocar minha pele. Cordas e correntes arrebentarão antes de me amarrar. Toda porta que tentarem fechar diante de mim vai encontrar uma chave que ainda não conheciam. Todo caminho que tentarem bloquear vai me ensinar outro caminho.
Não porque eu seja intocável.
Mas porque aprendi que nem toda batalha precisa ser travada.
Algumas guerras se vencem continuando de pé enquanto quem desejava a sua queda se cansa de esperar.
Então que venham os olhos que procuram, as mãos que apontam, os pés que perseguem, as bocas que amaldiçoam. Que façam seus planos, que gastem suas noites pensando em como me diminuir. Eu não preciso devolver o mal. Só preciso não permitir que ele atravesse a porta.
Porque existe uma proteção que não faz barulho.
Ela nasce quando alguém decide que aquilo que tentou destruí-lo não terá o privilégio de definir quem ele será.
E desde então, tudo que vier contra mim encontrará o mesmo destino: pés sem caminho, mãos sem alcance, olhos sem visão, armas sem força, facas sem corte, espadas partidas, cordas arrebentadas e correntes no chão.
Eu sigo.
E aquilo que foi feito para me parar aprende, tarde demais, que nem tudo que se move pode ser alcançado.
Às vezes, a vida não está pedindo que você seja forte; está pedindo que você pare de insistir no objetivo que já perdeu o sentido ou apenas se revelou uma ilusão.
Uma vez, eu disse a uma mulher que nunca mais iria esquecê-la. Ela simplesmente respondeu:
“Vou te perturbar até nos teus sonhos, porque o tempo cura tudo, mas lembranças são eternas — menos as promessas que nós achamos que eram eternas. Promessas são quebradas!”
Releitura do Autor: Valdir Enéas
Por: KANGAL
A Alquimia das Cores Assimiladas
Por Celso Roberto Nadilo
A arte nasce da transformação da matéria e da alma. O amadurecimento da tela ganha vida no banho de chá preto ou chá mate, onde pinceladas de café coado imprimem uma sensação envelhecida e escura — uma atmosfera gótica construída pelas sombras do preto e por um tom sóbrio e único. A camomila, quando diluída com gotas de limão, provoca a expansão de um amarelo corrompido pela acidez. A consciência expande-se diante da pimenta, que realça no vermelho uma tonalidade singular, viva e irrepetível. A tela pode até se desgastar no manuseio e na interação dos elementos com a composição, enquanto o fogo esmorece as cores assimiladas e sela a secura de cada camada.
Imagine uma obra assim: o chumbo diluído na tinta confere a originalidade de uma cor única, tornando-se a própria assinatura da composição. Elementos vegetais incorporam-se à tela — como a urtiga e a palma —, trazendo uma seiva viscosa que, misturada a vernizes, inova a textura com o brilho sutil de um olhar. Fios de ouro sintético ou o próprio pó de ouro conferem à obra-prima um toque de riqueza, enquanto, muitas vezes, o sangue e o suor do próprio artista se fazem presentes na matéria.
O estado psicológico do criador transborda para a pintura. É a filosofia da especulação ambiental e a oscilação da temperatura expostas nos traços, revelando os desequilíbrios do desempenho artístico. Tudo pode começar num esboço simples — no caderno, no papel-manteiga ou na riqueza do papel-carbono que nos permite duplicar a ideia. Uma folha seca de árvore integra a composição da arte renascentista, atravessa o cubismo e alcança a arte abstrata. Na abstração e nas metáforas, dá-se livre-arbítrio à criação, permitindo até a pureza da arte infantil com tinta nos dedos, onde o desespero e a angústia tornam-se nítidos, marcando o despertar da genialidade.
O vermelho que salta aos olhos denuncia a violência ou a dor superada — estigmas cravados na tela. As ferramentas ditam o ritmo: pincéis de crina de cavalo ou cerdas sintéticas alteram drasticamente a textura, do traço mais espesso ao mais fino. Linhas e panos integrados à obra podem ser costurados à mão ou à máquina, enfatizando o caráter tátil da criação.
Nas mãos do artista, o produto bruto toma forma na mistura do zinco, das ligas metálicas, dos tijolos decompostos em pó e até dos cristais ou diamantes moídos, que elevam a pureza do desenho. A colagem de fragmentos de outras obras transcende a imagem original, construindo um perfil visual próprio. Afinal, nem tudo na história da arte esteve à vista de todos: Monet expôs sua pintura, mas manteve seus esboços guardados no segredo do ateliê. Da mesma forma, latinhas de refrigerante ou cerveja, derretidas ou transformadas em pó para se fundirem à tinta, trazem à obra as inovações e as marcas da nossa própria época.
A arte enfeitiça porque é o reflexo direto da história, da vida e da essência de quem a cria. O respeito aos mestres reside na forma como escolhemos lembrar e perpetuar a sua arte.
O governo Lula prioriza a população de renda de base por meio de políticas de transferência de renda, valorização do salário mínimo, com políticas públicas de acesso a serviços que em outros paises seriam estremamente caros no Brasil é de Graça, acesso à moradia, educação e redução da vulnerabilidade social, formador de coalizões e resolvedor de conflitos!
O povo que entende o poder que sua voz tem, derruba impérios e liberta seu povo do controle dos tiranos!
#JaneFernandaN
Seja honesto com você seja verdadeiro com você próprio não perca tempo mostrando a honestidade não perca tempo mostrando ser verdadeiro principalmente a quem nunca vai estar disposto a ver isso
Daí-me força e fortalece a minha fé para a cumprir a sua vontade Paí.
Perazza .'.
Não tente ser leal a ninguém a não ser a você em primeiro lugar, quanto mais lealdade você mostrar aos outros, mas desprezo você ganha ...
Daí-me força e fortalece a minha fé para a cumprir a sua vontade Paí.
Perazza .'.
2941 📜 O Tal '𝙋𝙧𝙖𝙯𝙚𝙧 𝙚𝙢 𝘾𝙤𝙣𝙝𝙚𝙘𝙚𝙧' (se houver) é Vosso, ohquei? E juro porHh: Nasci de Parto, Não tenho Irmãos e Não conheci Nossas Mamães. Tenho aqui Uma Conta, só Uma, e também Sou Burro (pra Burro). Isso é tudo! Quereríeis Mais?
2940 📜 Quem afirma sem saber são os Levianos e que também são Covardes e Irresponsáveis, como são todos os Levianos!
2939 📜 Desconfiar, Imaginar, Supor ou Desejar não é Saber. Então, quando não sei e desejo, Eu pesquiso e/ou pergunto.
"Se passares a vida a controlar os defeitos dos outros, morrerás sem conhecer as suas valências. Wake up to life."
Cátedra, 2026
Terêncio Sony
Quanto maior a proximidade entre quem elogia e quem é elogiado, maior a possibilidade de condescendência.
