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A Felicidade e o Agora


Sentei-me num banco ao pôr do sol,
Com a brisa a contar-me segredos do tempo.

Perguntei ao vento, perguntei à coruja:
"Por que a felicidade é só um momento?"
Com olhos profundos de noite estrelada,
Ela sorriu na sua quietude sã.

"Tu buscas no longe, esperas no tempo,
Mas a felicidade está onde estás amanhã."
Suspirei com o peso dos dias passados,
Dos sonhos guardados num frágil baú.

Sempre esperando o dia perfeito,
Enquanto o presente se esvaiu.
"Olha à tua volta," a coruja insistiu,
"O céu se incendeia, a terra respira.

A vida acontece no agora que pisas,
E a felicidade não é mentira."
Então compreendi, com alma serena,
Que a felicidade não é um destino final.
Ela mora no instante, no riso, no afeto,
No voo da coruja e no mundo real.

O Amor Pelo Sol

O sol está lá fora, não está?
E eu fico aqui, a olhar pela janela,
Sabendo que, onde tu estás, ele brilha pra ti,
Mas é uma luz que nunca chega até mim.
Porque o sol, assim como o teu amor,
É algo que se sente, mas não se pode tocar.


E mesmo sabendo disso, sigo a esperar
Que um dia as nossas sombras se encontrem no mesmo lugar.
Eu sei, tu também olhas o céu,
E, de certa forma, estamos juntos no brilho dourado.
Mas essa distância, ah, essa distância,
Faz o amor parecer tão complicado.


Eu te envio os raios do meu pensamento,
Como um abraço quente, mas invisível.
E tu, do outro lado, sentes o meu amor,
Mesmo que o sol e eu sejamos quase inacessíveis.


Eu te amo, como o sol ama o horizonte,
Sabendo que nunca pode tocá-lo.
Fica distante, mas ainda assim ilumina.
E eu fico aqui, olhando para o alto,
A esperar o dia em que a distância se desfaz,
Quando finalmente seremos sol e sol,
Sem fronteiras, sem separação, sem mais.

Cada vez que você diz “sim” para algo que não deseja, corre o risco de dizer “não” à sua própria paz. Muitas vezes, por medo de decepcionar, desagradar ou ser mal interpretado, acabamos ultrapassando nossos próprios limites para atender às expectativas dos outros.

Mas ser uma boa pessoa não significa estar sempre disponível, aceitar tudo em silêncio ou carregar responsabilidades que não são suas. Bondade não é submissão, e respeito não exige que você se abandone para fazer os outros felizes.

Aprenda que dizer “não” também é um ato de honestidade. Você não precisa se sentir culpado por escolher o que lhe faz bem, nem justificar cada decisão para quem não aceita seus limites. Quem realmente respeita você pode até não concordar com suas escolhas, mas compreenderá que você também tem necessidades, sentimentos e direitos.

Nunca sacrifique sua paz para provar que tem um bom coração. Você pode ser gentil sem ser submisso, generoso sem se anular e amar as pessoas sem deixar de amar a si mesmo. Afinal, não há bondade verdadeira em cuidar de todos enquanto você se abandona pelo caminho.

A arte deles


No silêncio,
eles criam mundos,
onde lágrimas caem sem ruído profundo,
mas transformam dor em algo fecundo,
e fazem do invisível o seu segundo.


São vozes que nascem na sombra,
ecos de quem nunca se dobra,
palavras que queimam e não se escondem,
memórias que sangram e não se afogam,
e verdades que na alma respondem.


Cada verso é um espelho partido,
reflexo do caos vivido e sentido,
do grito calado, mas não esquecido,
do sonho ferido, mas renascido,
do ser humano em busca de sentido.


Bob Marley foi voz e não silêncio,
foi luta, foi fé, foi renascimento,
foi reggae a quebrar o sofrimento,
foi amor em constante movimento,
foi história além do momento.


Clarice Lispector foi pensamento,
foi existir dentro do próprio tormento,
foi silêncio que grita sentimento,
foi alma em constante desalinhamento,
foi verbo que rompe o entendimento.


Fernando Pessoa foi fragmento e inteiro,
vários em si, num só passageiro,
Alberto, Ricardo, um mundo inteiro,
um ser que se fez verdadeiro
no jogo complexo do seu roteiro.


Frida Kahlo pintou a própria dor,
fez do sofrimento a sua cor,
do corpo ferido, um grande valor,
e da fragilidade… força e vigor,
do caos interno, expressão e amor.


Van Gogh mergulhou no sentir profundo,
transformou tormento em um novo mundo,
cada pincelada, um grito fecundo,
cada traço, um abismo imundo,
mas também luz em segundo.


Lupita Nyong’o trouxe presença e voz,
Chimamanda fez pensar por nós,
Malala lutou contra o algoz,
e Martin Luther King sonhou por nós,
mostrando que a coragem vive em nós.


Porque a arte deles não é só criação,
é identidade, é libertação,
é cicatriz que vira canção,
é dor que encontra redenção,
é eternidade em formação.


Eles não foram apenas passagem,
foram essência, foram linguagem,
foram ruptura, foram viagem,
foram mais do que simples imagem,
foram alma em transformação.


E nós…
somos o reflexo dessa herança,
somos a voz que ainda avança,
somos a dor que se lança
e encontra na arte a esperança,
num mundo que insiste em cobrança.


Porque no fim,
não somos apenas o que vivemos,
nem só o que aparentamos,
mas tudo aquilo que sentimos
e tudo o que deixamos.


E quando o corpo se apagar,
e o nome deixar de ecoar…
Será a arte a continuar.

Os olhos🎭

Há olhos que parecem guardar chuva,
mesmo quando o céu está limpo.

Não dizem muito.
Mas também nunca passam despercebidos.

Alguns carregam silêncio.
Outros, perguntas.

E existem aqueles
que olham como se soubessem coisas
que nunca foram ditas.

É estranho.
Porque ninguém consegue explicar ao certo
o que certos olhos transmitem.
Ainda assim, quase todos sentem.
E então eu pergunto-te:
O que meus olhos transmitem à ti?

Um bom poeta é desorganizado em alguma parte da vida, mas precisa de saber organizar o caos quando o transforma em poesia.

Quem fala demais entrega seu poder de graça. Expõe seus planos antes da hora, revela suas intenções a qualquer um e desperdiça energia tentando provar aquilo que deveria demonstrar com atitudes. O tolo busca validação a cada passo; o estrategista compreende que nem toda conquista precisa de testemunhas, nem todo plano precisa ser anunciado e nem toda opinião merece uma resposta.

Aprenda a preservar seus pensamentos, a escolher suas palavras e a agir sem a necessidade constante de reconhecimento. Nem todos precisam conhecer seus próximos passos, assim como nem todos merecem ter acesso à sua intimidade.

Construa uma mente forte, não para se isolar do mundo, mas para não permitir que qualquer voz determine seu valor, que qualquer crítica destrua sua confiança ou que qualquer aplauso controle suas escolhas. Escute com inteligência, filtre com sabedoria e decida com autonomia.

O silêncio, quando nasce da consciência, não é fraqueza. É domínio próprio. É saber que você não precisa anunciar cada movimento para provar que está avançando.

Porque a verdadeira força não está em falar mais alto, revelar mais ou convencer a todos. Está em ter tanta clareza sobre quem você é e aonde quer chegar que já não precisa da aprovação do mundo para continuar construindo o seu caminho.

A qualidade de uma política econômica não deve ser medida apenas pelo volume de recursos que distribui ou economiza, mas pela sua capacidade de ampliar a produtividade, preservar a estabilidade e produzir resultados sustentáveis.

A razão não tem a capacidade de medir o infinito divino; por isso, entrega-se ao mistério da fé.

Pense menos. Aja.

THINK LESS. ACT.

"Você há de desaparecer quando as flores desabrocharem, pois todo fim engendra um começo"
-Cyrene

Já me afastei de pessoas que me tratavam muito bem, não porque tivessem me feito algum mal, mas porque percebi como tratavam aqueles que não tinham nada a lhes oferecer.

Foi então que compreendi que nem sempre o bom tratamento revela bondade; às vezes, revela apenas o interesse que alguém tem naquilo que podemos proporcionar.

Se uma pessoa é gentil comigo, mas humilha, despreza ou trata com indiferença quem não tem a mesma condição, o mesmo poder ou as mesmas oportunidades, dificilmente consigo enxergar nela a grandeza que aparenta ter. Afinal, se um dia eu estiver na mesma situação daquela pessoa, o que me garante que não serei tratado da mesma maneira?

Aprendi que caráter não se revela apenas na forma como alguém trata quem admira, quem precisa conquistar ou quem pode lhe trazer algum benefício. Revela-se, sobretudo, na maneira como trata aqueles de quem não precisa, dos quais não espera nada e com quem não tem qualquer vantagem a ganhar.

Porque a verdadeira grandeza de alguém não está na gentileza que oferece a quem lhe pode ser útil, mas no respeito que demonstra a quem não pode lhe oferecer absolutamente nada. É nesse momento que descobrimos quem a pessoa realmente é, quando não há interesse para disfarçar a falta de caráter.

"Às vezes, a bondade pode levar a uma tragédia ainda maior."
-Homura Akemi

Eu já olhei nos olhos da fome, já andei em esquinas escuras, já escrevi despedidas e já presenciei o perigo, mas meu maior medo é ficar sem você.
⁠

NÃO É SOBRE NÃO SABER ONDE QUER CHEGAR.
É SOBRE TER MUITOS CAMINHOS E NUNCA CHEGAR ONDE QUER!


sobre o meu TDAH!

O passado pode ensinar você, mas não precisa continuar punindo você. O que aconteceu já não pode ser mudado, as palavras ditas não podem ser apagadas e certas feridas não podem ser desfeitas. Mas existe algo que permanece em suas mãos: a liberdade de decidir quem você será depois de tudo o que viveu.

Não transforme seus erros em sentenças perpétuas, nem permita que as dores antigas roubem a paz que você ainda pode construir. Reconheça o que passou, aprenda com suas escolhas, perdoe-se pelo que não sabia e tenha coragem de seguir em frente sem carregar culpas que já cumpriram seu papel.

Você não precisa negar sua história para recomeçar. Precisa apenas compreender que ela faz parte de você, mas não determina tudo o que você ainda pode ser.

Que o passado seja uma lição, não uma condenação. Que as cicatrizes sejam lembranças da sua força, não correntes prendendo seus passos. Afinal, você não pode mudar o que viveu, mas pode impedir que aquilo que passou continue decidindo o seu futuro.

Três dias e o vento

O quente do ombro que acolhia,
com sopro quente e rápido,
parecia eternidade.

Curtas respirações,
com a promessa de ainda dormir,
esticavam o tempo.

O morno imperou na minha redoma
quando me deixei cair naquele canto ajeitado,
com cheiro de um cítrico frescor.

Dois, três dias passaram.
O morno não os atravessou.

Com o fim da chuva,
nuvens e frio
pairaram sobre o que ainda restava do abrigo.

O ombro, o sopro e o canto
eram só o que o corpo conseguiu guardar
antes de o tempo seguir.

Eu te via da maneira mais pura e gentil na qual nunca vi alguém antes. De algum jeito minha alma conhecia a sua alma antes que tivéssemos ter tido a chance de nos encontrar... E de algum modo eu tive um encanto pela sua alma. Por que há algo em vc cujo as palavras não são capazes de descrever, mas todo o meu corpo sente ao ver. Eu não sei o que vi em vc, mas sei q não vejo em mais ninguem... Eu te amei da forma mais pura que alguém poderia amar outro alguém... Vc é a luz que sempre escutei dizer que não existia mas nunca acreditei. E mesmo em outro universo, eu nunca deixaria de te amar.. Até por que vc foi a única que tocou o meu coração com a mesma profundidade que tocou a minha alma...

Ironicamente, Bebelle jamais fizera seu dinheiro trabalhar por ela. Talvez porque nunca tivesse compreendido que a riqueza verdadeira não está naquilo que se possui, mas naquilo que continua produzindo quando já não se está olhando. E, como acontece com todas as coisas que adiamos acreditando que o futuro nos pertencerá para sempre, o inverno chegou.


Um dia ele chegaria. Bebelle sabia disso, embora saber que alguma coisa acontecerá seja muito diferente de compreender que ela acontecerá conosco. O inverno não veio como uma tragédia. Não trouxe trombetas, carrascos ou sentenças. Veio silenciosamente, como quase tudo aquilo que realmente importa. Sem anúncio, sem piedade, sem sequer a delicadeza de bater à porta.


Chegou frio, vazio, solitário e inóspito, trazendo consigo aquele silêncio peculiar que surge quando o mundo deixa de reconhecer a importância que alguém imaginava possuir.


Ao fim de seu infame reinado, Bebelle estava quebrada. Não apenas financeiramente. Estava quebrada na própria narrativa que havia construído sobre si mesma. O dinheiro desaparecera. O poder evaporara. A juventude, que durante algum tempo parecera uma propriedade particular do seu corpo, descobrira aquilo que todo corpo acaba descobrindo: que o tempo não reconhece proprietários. E a beleza, que ela havia tratado como um patrimônio, revelou-se aquilo que talvez sempre tivesse sido: uma hipótese sustentada pelo olhar dos outros.


Restava o tempo.


E o tempo é a forma mais absoluta de pobreza para quem acreditou possuir tudo.


Porque o dinheiro pode ser acumulado, multiplicado, escondido, investido e transmitido. O tempo não. O dinheiro admite cálculo; o tempo impõe existência. O dinheiro pode voltar; o tempo apenas passa.


Talvez seja esse o maior equívoco de quem confunde poder com permanência: imaginar que aquilo que se consegue controlar durante algum tempo continuará obedecendo para sempre.


Não continua.


Toda corte acaba. Todo aplauso encontra seu último eco. Toda beleza envelhece. Toda fortuna pode desaparecer. Toda autoridade, por maior que pareça, depende de circunstâncias que um dia deixarão de existir.


Quando as luzes finalmente se apagaram, quando os aplausos cessaram e quando o último vestígio de sua pequena corte se dissolveu no anonimato, Bebelle encontrou algo mais terrível do que a pobreza: encontrou a si mesma.


E talvez tenha sido essa a verdadeira queda.


Porque sob a coroa não havia uma rainha. Havia apenas uma mulher.


Uma mulher que, durante algum tempo, acreditara que aquilo que possuía definia aquilo que era. Que confundira reconhecimento com valor, aparência com identidade, poder com permanência e riqueza com segurança.


O inverno não a transformou.


Essa talvez seja a parte mais cruel.


O inverno apenas retirou as coisas que estavam entre Bebelle e o espelho.


E, quando já não havia dinheiro para sustentar a personagem, poder para sustentar a ilusão, juventude para sustentar a aparência ou aplausos para sustentar a narrativa, restou aquilo que sempre estivera ali, esperando silenciosamente pelo fim da representação.


Bebelle não se tornou outra pessoa.


Apenas deixou de conseguir parecer outra.


E então, finalmente, quando todas as máscaras haviam perdido sua utilidade, Bebelle voltou a ser aquilo que sempre fora.


Plebe.

O Destino Era a Universidade, mas a Lição Veio pelo Caminho
Parecia ser apenas mais uma corrida na rotina do motorista de aplicativo, Peregrino Nino Carneiro. Mas, para quem tem o hábito de conversar com os passageiros, cada viagem pode esconder uma história interessante, daquelas que merecem ser registradas em sua coluna literária.
Ao chegar ao local combinado, o motorista recebeu um rapaz que aparentava ter entre vinte e vinte e cinco anos. Depois dos cumprimentos, perguntou:
— O destino é a Universidade Federal?
— Sim, por favor! — respondeu o jovem.
Enquanto iniciava o percurso, o motorista perguntou:
— E qual curso você está fazendo?
— Medicina.
— Uau! — exclamou o Peregrino, demonstrando admiração. Em seguida, aproveitou a oportunidade para conhecer um pouco mais sobre o passageiro.
— De onde você é?
— De Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo.
O motorista sorriu e comentou que conhecia um pouco da história daquela cidade. Explicou que o nome Mogi tem origem indígena e está associado à expressão *M'Boiji*, tradicionalmente interpretada como “rio das cobras”. Contou também que a ocupação da região começou no século XVI, com a atuação de desbravadores como Brás Cubas e Gaspar Vaz.
Mas havia outro capítulo importante naquela história: a imigração japonesa. Ao longo do século XX, famílias japonesas contribuíram significativamente para o desenvolvimento agrícola de Mogi das Cruzes, fortalecendo o cultivo de hortaliças, frutas, flores e cogumelos. Com trabalho e perseverança, ajudaram a transformar a região em uma das grandes referências agrícolas do cinturão verde paulista.
O estudante ouvia atentamente. Ao final da explicação, comentou, admirado:
— O senhor me deu uma aula brilhante sobre a minha própria cidade! Enquanto o ouvia, consegui imaginar como deve ter sido a chegada dos meus bisavós a Mogi, em 1935.
Animado, continuou:
— Até hoje, meus pais trabalham na agricultura. Todos os dias, um caminhão sai do sítio da nossa família carregado de verduras e legumes para abastecer a CEAGESP, em São Paulo. Cresci vendo o esforço deles, enfrentando o sol, a chuva e as incertezas de quem depende da terra para viver.
O Peregrino, interessado, fez outra pergunta:
— E por que você não quis seguir a profissão dos seus pais?
O rapaz respondeu:
— Por orientação deles. Meus pais sabem o quanto a agricultura pode ser sofrida e não querem que os filhos enfrentem as mesmas dificuldades. Apesar disso, reconhecem que é um trabalho nobre, essencial para a sociedade e cheio de vida. Por isso, escolhi a Medicina. Minha família também guarda com orgulho uma ligação de parentesco com o médico Sentaro Tacaoca, a quem associa à história da imigração japonesa em Mogi das Cruzes.
O motorista percebeu que aquela escolha representava muito mais do que a busca por uma profissão. Havia o amor dos pais, o desejo de oferecer um futuro melhor aos filhos e a vontade de cuidar de outras pessoas.
— Sabe de uma coisa? — comentou o motorista. — Você pode não ter seguido a profissão dos seus pais, mas certamente levará para a Medicina os valores que aprendeu com eles: disciplina, perseverança, responsabilidade e respeito pela vida.
O jovem sorriu. Talvez nunca tivesse pensado que a experiência vivida no sítio pudesse contribuir tanto para sua futura carreira médica. Naquele instante, percebeu que mudar de caminho não significava abandonar as próprias raízes.
A corrida se aproximava do fim, e o motorista aproveitou para fazer um convite:
— Um dia, ainda conversaremos sobre os lugares de Mogi das Cruzes que homenageiam a imigração japonesa, como o Parque Centenário da Imigração Japonesa, o Casarão do Chá e o Monumento ao Imigrante japonês. São espaços que preservam a memória de pessoas que atravessaram oceanos e ajudaram a construir a história da cidade.
— Será um prazer! — respondeu o estudante. — Depois desta conversa, fiquei com vontade de conhecer ainda melhor a história da minha terra e da minha família.
Ao chegar à universidade, os dois se despediram cordialmente. O estudante seguiu para seus compromissos, levando consigo uma nova perspectiva sobre suas origens. O Peregrino retomou seu trabalho, satisfeito por ter encontrado mais uma história digna de ser contada.
Assim terminou mais uma corrida prazerosa do motorista Peregrino Nino Carneiro. Uma viagem que começou com uma simples pergunta sobre o destino e terminou com reflexões sobre família, trabalho, vocação e conhecimento.
Mais uma vez, o motorista percebeu que a sabedoria não está apenas nos livros ou nas universidades. Ela também vive nas mãos calejadas dos agricultores, nas histórias dos imigrantes, nos ensinamentos dos pais e nas conversas inesperadas que a vida nos proporciona.
Conhecimento é caminhar com os olhos abertos: a cada passo, aprendemos não apenas sobre o caminho, mas também sobre as pessoas e as histórias que dão sentido à vida.
Peregrino Nino Carneiro

Ironicamente, Bebelle jamais fizera seu dinheiro trabalhar por ela. E, como todas as coisas que são adiadas indefinidamente, o inverno chegou.


Um dia ele chegaria, ela sabia. Chegaria sem anúncio, sem piedade, sem a cortesia de bater à porta. Gelado e vazio. Solitário e inóspito, trazendo consigo aquela espécie de silêncio que só existe quando o mundo já não se impressiona com quem um dia acreditou dominá-lo.


Ao fim de seu infame reinado, Bebelle estava quebrada. Não apenas financeiramente, mas também daquilo que durante tanto tempo sustentara sua pequena mitologia pessoal: já não havia dinheiro, já não havia poder, já não havia a juventude que imaginara eterna, nem a beleza que, na verdade, jamais possuíra.


Restava apenas o tempo.


E o tempo, ao contrário do dinheiro, não negocia.


Quando as luzes se apagaram, quando os aplausos cessaram e quando o último vestígio de sua corte se dissolveu, Bebelle descobriu aquilo que talvez sempre tivesse temido: não havia uma rainha sob a coroa, apenas uma mulher que durante algum tempo acreditara sê-lo.


O inverno não a transformou.


Apenas retirou dela tudo aquilo que a fazia parecer diferente.


E então, finalmente, Bebelle voltou a ser o que sempre fora.


Plebe.

Ironicamente, Bebelle não fez seu dinheiro trabalhar por ela e o inverno chegou. Um dia ele chegaria, ela sabia. Gelado e vazio. Solitário e inóspito. Bebelle estava quebrada ao fim de seu infame reinado, sem a juventude, sem a beleza que jamais teve. Bebelle voltou a ser o que sempre foi. Plebe.

Houve um tempo em que da sereia, seu canto, era o único encanto...
Tempo em que o Natal levava um ano para chegar.
Ah, minha inocência,
onde foi parar?
𝓙𝓾𝓻𝓾𝓷𝓪j

No fim, todos iremos sofrer do mesmo mal, a diferença é como chegamos lá.