Pensamentos Mais Recentes

TE AMO 
É  O QUE SINTO.⁠
DO AMOR
MAIS BONITO.

Paz e tranquilidade

Posso ter perdido tudo. 
Mas não perdi minha fé minha vontade de viver e meu futuro.!
O meu Pai é  o Supremo Rei do Universo e nada me faltará.!




Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa  do cerrado




Copyright  diretos autorais

UM SONHO
NÃO DEVE MORRER.
NA CANÇÃO 
DO TEU SER.

O Decreto do meu futuro. 
Bem eu sei que o que está por vir é uma grandiosa benção Divina é uma chamda pessoal e exclusiva.




Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha 
Poetisa do cerrado


Copyright  direitos autirais

DO CORPO DELA
EU QUERIA FAZER ARTE..
POIS DE AMOR
 É ESTA FRASE.

Ja não consigo fingir estar na mesma frequência. Certos assuntos não tem mais sentido enquanto as profundidades ficou nas margens. Graças a Deus está solidão me protegeu de sangue sugas energéticos..




Sonia solange da Silveira 
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado


Copyright  direitos  autorais

AH INTENÇÃO AGUDA REGRESSE LOGO PARA O COMANDO DA MINHA EXISTÊNCIA.
RETIRA MINHA ALMA DO ABANDONO.






Sonia Solange da Silveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado




Copyright direitid autorais

Amor de duas pessoas maduras.
O tipo de amor que eu quero é
simples, tranquilo, brincalhão e cheio de pequenos momentos que fazem a vida se sentir melhor.

Ela não se encantou pela beleza dele, pois não salta aos olhos: ela é percebida atentamente.

Deus escolheu os loucos para confundir os sábios.


Há coisas que o mundo não entende, e talvez nem precise entender. Deus, em Sua infinita sabedoria, escolhe quem ninguém consegue prever.


Enquanto os sábios procuram respostas, os loucos ousam acreditar. Enquanto o mundo exige provas, há quem tenha fé para caminhar.


Chamam de loucura aquilo que não compreendem, de fraqueza aquilo que não podem explicar. Mas Deus não escolhe pela aparência, nem pelo que o mundo tem para oferecer.


Afinal, nem toda loucura é ausência de razão, nem toda sabedoria conhece a verdade. Às vezes, quem o mundo chama de louco carrega no peito uma missão que ninguém vê.


Porque Deus não precisa da aprovação dos sábios para realizar o impossível através daqueles em quem o mundo não acredita.


Inspirado em 1 Coríntios 1:27: "Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias."

Clarice Lispector nos convida a desafiar a nós mesmos a viver na nossa própria companhia.


E eu acredito nisso: viver só também pode ser magnífico. É aprender a gostar do próprio silêncio, apreciar os próprios momentos e descobrir que a nossa presença também pode ser suficiente.


Mas, na minha perspectiva, existe algo ainda mais extraordinário: encontrar alguém com quem dividir tudo aquilo que aprendemos a viver sozinhos.


Porque estar bem consigo mesmo é liberdade.
Mas encontrar alguém que queira caminhar ao seu lado, sem tirar de você essa liberdade, é encontro.


No fim, talvez a vida não seja sobre precisar de alguém para ser feliz,
mas sobre encontrar alguém com quem a felicidade faça ainda mais sentido.

No fim, talvez a vida não seja sobre precisar de alguém para ser feliz, mas sobre encontrar alguém com quem a felicidade faça ainda mais sentido.

Quando você é um mapa aberto nas mãos de alguém,
essa pessoa conhece seus caminhos,
suas curvas, seus atalhos
e até os lugares onde você costuma se perder.


Mas nem todo mundo que conhece o caminho
quer te levar às Maldivas.


Alguns usam o mapa para te conduzir ao destino dos sonhos.
Outros estudam suas rotas
apenas para saber exatamente onde te fazer cair.


Por isso, cuidado com quem recebe o mapa da sua vida.
Nem todo mundo merece conhecer seus atalhos,
seus pontos fracos
e o endereço dos seus sonhos.


Porque, quando você entrega seu mapa para a pessoa errada,
ela não precisa destruir seu caminho.


Basta te convencer a seguir a direção errada.

Muita gente gasta a vida em mesas onde não havia cadeira para si.

Feliz quando percebo que fui escolhido para ser o instrumento imediato, uma hábil ferramenta para exercer a vontade e a justiça da vida, para a gloria e verdade infinita e generosa do Altíssimo, entre meus semelhantes. A partir de então, deixo de ser o finito eu e passo a ser o todo, investido com as armas dos soldados da Grande Milícia Celeste.

FIGURAS CINZAS

Quando a ausência ganha a cor da memória.

Talvez a vida seja como um álbum.

Nascemos com algumas páginas praticamente vazias. Não sabemos quantas existirão, quantas pessoas passarão por elas ou quais histórias serão escritas ao longo do caminho.

Então começamos a preencher.

Primeiro aparecem aqueles que já estavam conosco antes mesmo de compreendermos o significado da palavra família. Pai, mãe, irmãos, avós. Depois chegam os tios, primos, professores, colegas, amigos, amores, filhos, vizinhos e tantas outras pessoas que, de alguma maneira, encontram um espaço em nossas páginas.

Cada uma delas é uma figurinha.

E, enquanto está conosco, é colorida.

Algumas ocupam páginas inteiras. Outras aparecem discretamente em algum canto da nossa história. Há aquelas que permanecem durante décadas e aquelas que passam rapidamente, mas deixam uma marca que não desaparece.

Há figurinhas que trazem alegria.

Outras carregam ensinamentos.

Algumas nos fazem rir.

Outras nos fazem chorar.

Existem aquelas que nos abraçam e aquelas que nos ferem.

Algumas nos amam.

Outras nos decepcionam.

E há aquelas que simplesmente passam por nós sem perceber que, por algum motivo, deixaram uma pequena parte de si em nossa história.

É assim que o álbum vai crescendo.

Página após página.

Ano após ano.

Até que descobrimos uma coisa que ninguém nos ensina verdadeiramente a compreender:

o álbum também muda de cor.

Um dia, uma das figuras coloridas se torna cinza.

Não porque perdeu sua importância.

Não porque deixou de ser amada.

Não porque sua história deixou de ter valor.

Ela se torna cinza porque sua presença terminou e sua memória começou.

É o momento em que alguém parte.

Um avô.

Uma avó.

Um pai.

Uma mãe.

Um irmão.

Um amigo.

Um amor.

Alguém que, talvez, acreditássemos que estaria sempre ali.

E então descobrimos que algumas pessoas não desaparecem exatamente.

Elas apenas mudam de lugar.

Saem do espaço onde podíamos encontrá-las e passam a ocupar outro lugar, muito mais silencioso: a memória.

É por isso que algumas figuras ficam cinzas.

Não são figuras apagadas.

São figuras encerradas.

A história chegou ao seu ponto final.

E talvez seja justamente isso que torne a perda tão dolorosa.

Porque a morte não leva apenas uma pessoa.

Ela leva também a possibilidade de escrever novos capítulos com ela.

Não haverá mais aquela conversa.

Aquela ligação.

Aquele abraço.

Aquela discussão.

Aquela risada.

Aquele conselho.

Aquela presença aparentemente comum que, depois da partida, descobrimos ser extraordinária.

É então que sentimos saudade.

E a saudade talvez seja uma das formas mais silenciosas de amor.

Porque sentimos falta justamente daquilo que teve importância.

Ninguém sente saudade daquilo que nunca significou nada.

A dor da ausência é, de certa forma, a prova de que houve presença.

Talvez por isso devêssemos olhar para nossas figuras cinzas com um pouco mais de ternura.

Elas não representam somente aquilo que perdemos.

Representam também aquilo que tivemos.

Um dia aquela pessoa esteve ali.

Um dia houve convivência.

Houve histórias.

Houve abraços.

Houve conflitos.

Houve perdão.

Houve amor.

Houve vida.

E talvez essa seja a primeira grande lição das figuras cinzas:

não devemos permitir que a tristeza pelo fim apague a beleza do que existiu.

O ponto final não torna inútil a história.

Uma história não perde seu valor porque terminou.

Pelo contrário.

É justamente porque sabemos que ela terminaria algum dia que cada capítulo deveria ter sido vivido com maior intensidade.

A criança que brincou com o avô talvez não soubesse que um dia sentiria falta daquela voz.

O filho que achava cansativo ouvir os conselhos dos pais talvez um dia daria qualquer coisa para escutá-los novamente.

O amigo que sempre esteve por perto talvez só tenha revelado seu verdadeiro valor depois de partir.

A vida possui essa estranha capacidade de nos ensinar o valor das coisas muitas vezes depois que elas deixam de estar disponíveis.

Por isso, talvez devêssemos olhar mais para as figuras coloridas enquanto ainda estão coloridas.

Abraçar enquanto podemos.

Dizer “eu te amo” enquanto a pessoa pode ouvir.

Pedir perdão enquanto ainda existe tempo.

Perdoar enquanto ainda existe oportunidade.

Visitar enquanto a porta ainda pode ser aberta.

Ligar enquanto ainda existe alguém do outro lado da linha.

Porque não sabemos em qual página a cor vai mudar.

---

Com o passar dos anos, nosso álbum fica cheio.

E, inevitavelmente, algumas figuras coloridas começam a ficar cinzas.

Isso pode nos assustar.

Quando somos jovens, pensamos que viver é acrescentar pessoas.

Mais tarde descobrimos que viver também é aprender a conviver com as ausências.

Talvez amadurecer seja exatamente isso.

No começo, queremos preencher páginas.

Depois aprendemos a preservar páginas.

E, finalmente, compreendemos que algumas das páginas mais importantes de nossa existência são justamente aquelas que guardam pessoas que já não podemos abraçar.

O álbum da vida não é composto apenas pelas pessoas que permaneceram.

Ele também é formado por aqueles que partiram.

Somos, de certa maneira, uma coleção de pessoas.

Carregamos expressões que aprendemos com nossos pais.

Gestos dos nossos avós.

Conselhos de professores.

Histórias de amigos.

Manias de irmãos.

Lembranças de antigos amores.

Feridas deixadas por algumas pessoas.

Perdões oferecidos por outras.

Somos também aquilo que recebemos daqueles que passaram por nossa vida.

Talvez sejamos um pouco de cada pessoa que realmente nos tocou.

E, nesse sentido, as figuras cinzas continuam participando do álbum.

Elas já não podem acrescentar novos capítulos à própria história, mas continuam influenciando a nossa.

O avô que partiu pode continuar ensinando através de uma frase que repetimos.

A mãe pode continuar presente em um gesto que aprendemos.

O pai pode continuar vivendo em uma maneira de trabalhar, cuidar ou enfrentar dificuldades.

O amigo pode continuar provocando um sorriso quando lembramos de determinada história.

A pessoa que amamos pode continuar existindo na forma como aprendemos a amar.

É assim que a memória desafia a ausência.

Ela não devolve fisicamente quem partiu.

Mas impede que tudo aquilo que aquela pessoa representou desapareça completamente.

Enquanto alguém se lembrar, alguma parte daquela história continua existindo.

---

Talvez seja por isso que o cinza não deva ser entendido apenas como a cor da tristeza.

O cinza também pode ser a cor da permanência.

É a cor de uma presença que deixou de ser física, mas não deixou de ser significativa.

É a cor da memória.

E memória não é o contrário da vida.

É uma das maneiras pelas quais a vida continua dentro de nós.

Existe, então, uma esperança escondida nas figuras cinzas.

A esperança de que aquilo que foi verdadeiro não seja completamente perdido.

A esperança de que o amor não termine simplesmente porque o abraço terminou.

A esperança de que uma história possa continuar produzindo frutos mesmo depois de seu último capítulo.

Talvez a morte encerre uma existência, mas não consiga apagar todas as consequências de uma vida.

Uma pessoa pode partir e ainda permanecer na maneira como alguém pensa, educa, ama, trabalha, perdoa ou enfrenta o mundo.

Nesse sentido, algumas pessoas continuam vivendo através daqueles que deixaram para trás.

---

Imagine, então, alguém chegando ao final da própria vida e abrindo seu álbum.

Haverá muitas figuras coloridas.

Mas haverá também muitas figuras cinzas.

Algumas provocarão lágrimas.

Outras trarão risos.

Algumas despertarão arrependimento.

Outras, gratidão.

Talvez algumas páginas sejam difíceis de olhar.

Talvez existam pessoas que gostaríamos de encontrar novamente.

Talvez existam outras das quais gostaríamos de nos despedir melhor.

Mas todas elas terão alguma coisa em comum:

fizeram parte da história.

E talvez, naquele momento, seja possível compreender algo que levamos uma vida inteira para aprender.

O objetivo nunca foi manter todas as figuras coloridas.

Isso seria impossível.

O objetivo era viver.

Amar.

Conhecer.

Errar.

Perdoar.

Aprender.

Construir histórias.

Preencher páginas.

E, quando algumas figuras inevitavelmente mudassem de cor, ter memória suficiente para olhar para elas e dizer:

“Eu tive você na minha vida.”

Talvez essa seja uma das maiores formas de gratidão que podemos oferecer aos que partiram.

Não apenas chorar porque eles se foram.

Mas agradecer porque um dia estiveram conosco.

Porque, quando transformamos a lembrança em gratidão, a ausência começa a dividir espaço com a esperança.

E então percebemos algo ainda mais bonito.

O álbum não terminou.

Ainda existem páginas vazias.

Ainda existem pessoas que não conhecemos.

Amizades que ainda não começaram.

Abraços que ainda não demos.

Lugares onde ainda não estivemos.

Amores que ainda podem chegar.

Histórias que ainda não foram escritas.

E, principalmente, ainda podemos ser a figurinha colorida na vida de alguém.

Talvez seja essa a grande responsabilidade de estar vivo.

Enquanto nossas páginas ainda estão sendo preenchidas, precisamos cuidar da cor que deixamos nas páginas dos outros.

Porque um dia, para alguém, também seremos memória.

E quando esse dia chegar, talvez não sejamos lembrados pelo tamanho da nossa casa, pelo dinheiro que acumulamos, pelos cargos que ocupamos ou pelas coisas que possuímos.

Talvez sejamos lembrados por uma conversa.

Por um abraço.

Por uma ajuda.

Por uma palavra.

Por uma presença.

Por um momento em que fizemos alguém sentir que não estava sozinho.

No fim, talvez seja isso que realmente permaneça.

As coisas passam.

As pessoas partem.

As páginas viram.

As cores mudam.

Mas algumas histórias continuam.

E talvez a vida seja exatamente isso:

um álbum que começa vazio, se enche de cores e, lentamente, vai adquirindo tons de cinza.

Não devemos temer o cinza.

Porque o cinza nos lembra que houve cor.

E se ainda dói olhar para determinada figura, talvez seja porque aquela pessoa ainda possui um lugar dentro de nós.

Por isso, quando sentir saudade, não pense apenas na ausência.

Volte à página.

Olhe a figura.

Lembre da voz.

Lembre do sorriso.

Lembre da história.

E agradeça.

Porque nem todos têm a sorte de possuir uma memória que ainda dói.

Às vezes, a dor da saudade é simplesmente o coração dizendo:

“Isso foi importante.”

E talvez seja essa a esperança escondida nas figuras cinzas.

Algumas pessoas deixam de estar ao nosso lado, mas nunca deixam de fazer parte de quem somos.

O álbum continua aberto.

Ainda há páginas.

Ainda há cores.

Ainda há vida.

Preencha-as.

Sempre recebemos generosamente mais dadivas da vida do que espalhamos sementes, carinhos e flores. Sempre, muito mais a agradecer do que pedir.

Quero fazer carinho nas suas mãos, e ver você sentir o amor inteiro nesse gesto.
Me diz qual pequeno carinho faz você se sentir profundamente amada?

O Que Esperar de Outubro?


O que esperar de outubro Que eu já não esperei dos outros meses? Espero, sinceramente, que a Lua se mova, E que o impossível aconteça de repente.


Que os ventos mudem de direção, Que o destino surpreenda o coração, E que tudo aquilo que ficou pelo caminho Floresça de uma só vez, sem explicação.


Que outubro traga as respostas, As verdades que o tempo escondeu, E que tudo aquilo que não aconteceu em um ano Aconteça no instante que Deus escolheu.


Porque eu ainda acredito no inesperado, Nas reviravoltas que a vida traz, E profetizo que, quando menos esperar, Outubro vai me entregar o que os outros meses não foram capazes.








- Camila Rescaroli

Negros usando crucifixos no pescoço podem ser comparados, hipoteticamente, à imagem de judeus sobreviventes do Holocausto que, depois de toda aquela história, passassem a integrar grupos neonazistas e supremacistas arianos, como a Ku Klux Klan, tatuando suásticas no próprio corpo, empunhando símbolos associados aos supremacistas Arianos e gritando palavras de ordem anti semitas.

Enquanto o amor for real existirá a ponte para a eternidade.
©nilzacarvalho

Hoje olhei para o céu e vi pinturas,
olhei para as flores no balneário e vi beleza,
vi dois cachorros caramelos sentados e apreciei a imagem como duas esculturas,
Logo, olhei para o lago a frente e vi os peixes dançarem,
Enfim, pude entender que eu era apenas um integrante desta bela paisagem.

Capítulo III — A Estação do Reencontro


Quando a última nota da música se dissolveu no ar, o silêncio que retornou à sala já não carregava o


peso de uma ausência. Tinha o frescor de um recomeço. Desliguei o rádio com um toque suave, não


para calar a sua voz, mas para guardar aquele momento como um amuleto dentro do peito.


Caminhei até o quarto e abri o guarda-roupa.


Lá no fundo, sob casacos antigos e memórias empoeiradas, estava a velha caixa de papelão que eu


não tinha coragem de tocar há mais de um ano. Dentro dela, fotografias com bordas gastas,


ingressos de shows memoráveis e aquela sua jaqueta jeans desbotada, que ainda guardava um


rastro quase imperceptível de loção pós-barba e poeira de estrada.


Peguei a jaqueta. Em outros dias, aquele pedaço de pano teria me feito desabar no chão, abraçada


ao fantasma do que fomos. Mas hoje, eu apenas a vesti. Ela ficou grande nos ombros, um abraço


largo e familiar que me protegeu do vento fresco que entrava pela janela. Olhei-me no espelho e vi,


nos meus próprios olhos, um brilho que eu julgava ter esquecido em algum lugar do passado.


Decidi sair. Caminhei pelas ruas do bairro sentindo o sol da manhã esquentar o asfalto úmido. As


pessoas passavam com pressa, imersas em suas próprias rotinas, alheias ao pequeno milagre


doméstico que havia acabado de acontecer na minha sala de estar. Parei na floricultura da esquina,


um lugar que costumávamos frequentar juntos aos sábados.


— O mesmo vaso de sempre? — perguntou o florista, reconhecendo-me com um sorriso


complacente.


— Não — respondi, e minha própria voz soou firme, quase nova aos meus ouvidos. — Hoje eu quero


girassóis. Os mais radiantes que tiver.






Caminhei de volta para casa segurando as flores amarelas contra o peito, como quem carrega um


pedaço do próprio sol. Ao entrar, mudei os móveis de lugar. Abri as cortinas da sala inteira, deixando


a luz inundar cada canto que antes vivia na penumbra. Coloquei os girassóis bem no centro da mesa


da cozinha, onde o vapor do café havia desenhado o futuro algumas horas antes. O passado ainda


estava ali, vivo e eterno, impresso na minha história. Mas o presente batia na janela com a urgência


da vida que não espera. O ontem tinha sido feito; o hoje era meu para construir!
©nilzacarvalho

O mundo ensina a desistir,
Poucas pessoas ensinam a resistir,
O tempo ensina a permanecer.