Pensamentos Mais Recentes

"Há poemas que nascem para ser lidos. Outros esperam pacientemente até encontrar o dia em que descobrirão, que sempre foram canções."

Receio ou medo?

Ao toque das mãos, se encolhe — comprime-se, se esconde.
No olhar, a busca pela aprovação do nada que fez.

Às vezes, surpreende-se desprotegida
e então é natural —
é cândida,
é apenas uma menina.

Sem perceber, procura nos outros um abraço, um carinho, talvez mais:
procura um colo, quem sabe perdido na infância.

Se soltasse as amarras,
se o sorriso florescesse livre,
mais bela seria —
se é que ainda pode ser mais.

Ivo Terra Mattos

Sentir o amor certamente é algo de mais belo que sentimos na vida, pois podem existir vários, ambos são a projeção do amor que existe na gente que transmite ao outro, amor familiar, amor de amigos, amor de paixão. São tantos, na nossa vida certamente é impossível viver sem esse amor, por eles somos capazes de algo quase sobrenatural, ser melhor por amor, se cuidar por amor e cuidar dos outros por amor é algo extremamente belo.


Por: J. Leão.

Depois de passar cerca de três meses parado, gastando muito e sem ganhar nada, surgiu uma oportunidade de voltar a trabalhar na área energética.

Tudo começou numa conversa com um amigo que trabalhava em uma empresa de equipamentos de segurança. Como seus clientes eram empresas do setor elétrico, ele comentou sobre uma fábrica em São Bernardo do Campo que produzia escadas para concessionárias de energia e tinha a intenção de entrar no mercado de linha viva, justamente a minha especialidade.

Ainda decepcionado com a experiência da empresa anterior, ouvi a proposta com certa desconfiança. Porém, como precisava urgentemente voltar ao mercado de trabalho, resolvi conhecer a empresa e conversar com seu proprietário.

O dono era o Sr. João, um homem de aproximadamente sessenta anos, cheio de ideias e entusiasmo, embora com poucos recursos financeiros para investir. Os equipamentos utilizados na fabricação de ferramentas para linha viva eram caríssimos e, pior, não eram produzidos no Brasil.

Passamos algumas horas conversando. Ele me mostrou a fábrica de escadas para o setor energético e, ao lado dela, um enorme galpão onde eram fabricadas escadas domésticas, bancos-escada e tábuas de passar roupa, produtos destinados ao mercado residencial.

Como eu já estava há algum tempo sem trabalhar, acertamos uma experiência voltada aos setores elétrico e telefônico. O salário era bem inferior ao que eu recebia na empresa anterior, mas minha situação não permitia muitas exigências.

Comecei realizando um trabalho de divulgação das escadas junto às companhias elétricas. Como eu já conhecia muitos clientes daquele segmento, o desenvolvimento do trabalho foi relativamente fácil. Em seguida, passei a atuar também no setor telefônico.

Atendendo a solicitações das concessionárias de energia, desenvolvemos algumas escadas especiais montadas sobre veículos. Com esses equipamentos voltei a viajar, embora em uma frequência muito menor do que nos tempos anteriores.

Com o passar do tempo, após a saída do gerente da área doméstica, acabei assumindo a parte comercial das duas fábricas.

Foi nessa época que vivi um episódio que jamais esqueci.

Certo dia, eu conversava em minha sala com minha esposa sobre a situação da minha sogra. Ela estava muito doente e internada em um hospital de Osasco. Seu estado de saúde se agravava a cada dia, e o atendimento que recebia nos preocupava muito.

O Sr. João entrou na sala e ouviu parte da conversa. Ao entender o que estava acontecendo, pegou o telefone e ligou para um amigo que era diretor do Hospital de São Caetano.

— Qual é o nome da sua sogra? Em qual hospital ela está internada?

Passei as informações.

Ele falou com o amigo, explicou a situação e, ao desligar, disse apenas:

— Vamos tirar ela de lá.

E foi exatamente o que aconteceu.

Minha sogra foi transferida para o Hospital de São Caetano, onde permaneceu internada por cerca de trinta dias. Recebeu um atendimento excelente e saiu de lá recuperada.

Naturalmente, minha preocupação seguinte foi com os custos.

— E a conta, Sr. João? Como vamos pagar?

Ele respondeu com a maior tranquilidade:

— Não se preocupe. Quando ela chegar, a gente dá um jeito.

Algum tempo depois a conta chegou. Eu nunca soube o valor. O Sr. João não deixou que eu a visse.

Mais tarde fiquei sabendo que ele ligou para o diretor do hospital e fez um acordo. Em seguida, carregou um caminhão com uma grande quantidade de tábuas de passar roupa, bancos-escada, escadas metálicas e escadas de alumínio, enviando tudo para o bazar beneficente do hospital.

O assunto morreu ali. Ele nunca mais comentou sobre isso.

Os anos seguiram seu curso. Continuávamos trabalhando e, de vez em quando, viajávamos juntos para visitar clientes, principalmente no Rio Grande do Sul, estado pelo qual ele tinha uma admiração especial. Adorava ir a Caxias do Sul.

Até que um dia a telefonista transferiu uma ligação para minha sala.

Do outro lado da linha estava o diretor de uma empreiteira que prestava serviços para a CESP — Centrais Elétricas de São Paulo. Chamava-se Dr. Rubens.

Ele disse que precisava tratar de um assunto confidencial e perguntou se eu poderia encontrá-lo no dia seguinte.

Conversei com o Sr. João e expliquei que uma empresa havia me procurado, mas que eu não fazia ideia do motivo.

Na manhã seguinte fui ao endereço combinado.

Ao chegar à portaria da empreiteira, me identifiquei e pedi para falar com o Dr. Rubens.

O porteiro respondeu:

— Aqui não tem nenhum Dr. Rubens.

Estranhei.

— Claro que tem. Ele marcou uma reunião comigo.

Nesse momento o telefone interno tocou. Após atender, o porteiro mudou imediatamente de atitude.

— Desculpe, eu me enganei. Ele vai recebê-lo.

A conversa foi cordial, mas algo me chamou a atenção. De cada dez palavras que o Dr. Rubens dizia, oito eram sobre a Munck.

A Munck era, naquela época, a maior fabricante de guindastes da América do Sul. Tinha sua principal fábrica em São Paulo, filiais no México e na Argentina, distribuidores espalhados por toda a América do Sul e uma operação em Londres que atendia o Oriente Médio.

Era uma gigante do setor.

Ao final da reunião ficou evidente para mim que alguém queria me contratar, mas não era aquela empreiteira.

Apesar da insistência, deixei claro que não tinha interesse imediato na proposta. Mesmo assim, prometi pensar e dar uma resposta no dia seguinte.

Saí dali e segui para o trabalho.

Durante o caminho, uma conclusão se formou naturalmente na minha cabeça: quem realmente estava tentando me contratar era a Munck.

Assim que cheguei à empresa, peguei o telefone e liguei diretamente para a fábrica da Munck.

— Gostaria de falar com o Dr. Rubens.

A telefonista perguntou quem estava ligando. Eu me identifiquei.

Poucos segundos depois ele atendeu.

Não fez apresentações nem rodeios.

Perguntou apenas:

— Quando você pode vir conversar aqui na Munck?

Foi naquele momento que percebi que minha vida estava prestes a mudar mais uma vez.

E mudou.

O Cinema, a Sorveteria e o Banana Split

...e eu nem tive tempo de agradecer. Quem sabe um dia...

Em frente à pracinha havia um cinema: o Cine Rios.

Nos intervalos das “engraxadas” — eu era engraxate, ainda iniciante — ficava na porta do cinema, viajando naqueles painéis de fotografias de “mocinhos e bandidos”.

Eu gostava de ficar olhando para aquelas imagens e imaginando as histórias. Depois, ficava esperando a matinê de domingo, quando, então, aconteciam aquelas batalhas do bem contra o mal.

O mocinho bom sempre vencia.

No fim do filme, vinha a continuação dos seriados intermináveis, que sempre terminavam com algum suspense. Acho que era para a gente voltar no domingo seguinte.

Perto do cinema havia uma sorveteria.

A mais linda do mundo.

Pelo menos era a única que eu conhecia.

Nas paredes, ficavam expostos grandes desenhos dos sabores dos sorvetes. Eu passava um tempo enorme olhando para aqueles painéis e viajando naquelas imagens.

O meu preferido era o banana split.

Eu nem conhecia o sabor.

Gostava da imagem.

O dono da sorveteria classificava os meninos que podiam ou não entrar no recinto. Lógico, pela aparência.

Como eu era um dos que não podiam entrar, o negócio era ficar do lado de fora, olhando pelo vidro e imaginando.

E foi ali, naquela sorveteria, que um dia aconteceu uma coisa que nunca esqueci.

Um homem bom, usando botas e chapéu de boiadeiro, entrou.

Ele mandou que o homem ruim servisse o melhor sorvete — justamente aquele da fotografia que eu tanto admirava: o banana split — para aquele menino que não podia entrar na sorveteria.

E assim foi feito.

Sem relutar.

Talvez aquele homem nunca tenha imaginado o que fez.

Talvez nem tenha percebido.

Mas, naquele dia, alguém abriu uma porta para mim.

Uma porta que, até então, eu só conseguia olhar de fora.

E eu nem tive tempo de agradecer.

Quem sabe um dia...

Do outro lado da pracinha havia um bar que vendia umas balas com figurinhas de jogadores de futebol.

Havia também a promessa de ganhar uma bicicleta, desde que você conseguisse preencher um álbum imenso.

Ganhar aquela bicicleta era quase impossível.

Mas sonho de criança não entende de impossibilidade.

Foi assim que, um dia, aos oito anos, eu comprei o salário inteiro do meu pai em figurinhas.

Eu nem tinha um álbum de figurinhas.

E, claro, também não ganhei a bicicleta.

Mas acho que, naquele dia, eu comprei alguma coisa que não cabia em álbum nenhum.

Comprei um sonho.

E, para um menino de oito anos, talvez isso já fosse uma espécie de riqueza.

Hoje, acho que foi assim:

A vida, aleatoriamente, foi ajustando nossos destinos
e colocando, equivocadamente, nossas almas frente a frente.

Nunca foi para ser,
mas foi.

E a vida, sem saber como desfazer o que fez,
escondeu-nos das consequências,
deixando que cada um levasse,
para sempre,
um pedaço do outro.

Ivo Terra Mattos

O meu eu de 1975

Tenho vários “eus” dentro de mim.

Gosto de todos eles. Cada um viveu seu tempo, enfrentou suas dificuldades, teve seus sonhos, seus medos e suas escolhas.

Mas existe um que é especial.

Ele nasceu em 1975.

Foi assim.

Eu trabalhava como vendedor externo em uma empresa de materiais elétricos. Visitava empresas de grande porte na região de Guarulhos e, naquela manhã, estava na antessala do comprador da Philco, aguardando para ser atendido.

Havia outros vendedores esperando também.

Por curiosidade, comecei a mexer em um rádio que estava fixado em um painel de demonstração dos produtos Philco.

Não estava exatamente olhando para ele.

Estava tentando ligá-lo.

E não conseguia.

Foi quando um dos vendedores que estavam ali se aproximou, apertou alguma coisa e o rádio funcionou.

Ele olhou para mim e disse:

— Demorei para aprender. Outro dia fiquei um tempão tentando ligar. Fui mexendo nele até ele funcionar.

Rimos.

Como o comprador estava demorando para nos atender, começamos a conversar.

Foi uma conversa simples, dessas que normalmente começam e terminam ali mesmo.

Mas aquela conversa mudou a minha vida.

Ele trabalhava em uma empresa de Belo Horizonte, uma multinacional do setor energético, dividida em vários segmentos de produtos elétricos. Em um deles, estavam procurando uma pessoa para uma determinada função.

Ele perguntou se eu não gostaria de tentar.

Eu era jovem e solteiro, dois requisitos importantes para o trabalho, principalmente porque seria necessário viajar muito. Ele não poderia assumir a função porque era casado.

Fiquei interessado naquele “projeto”, mesmo sem saber exatamente do que se tratava.

Ele pediu que eu passasse no dia seguinte pela filial de São Paulo, onde me explicaria melhor.

Marcamos.

Foi então que descobri que aquela multinacional fabricava ferramentas especiais para trabalhos em redes elétricas de alta tensão.

Eram ferramentas fabricadas em fibra de vidro que permitiam ao eletricista trabalhar com a rede energizada, sem precisar desligar o sistema.

Para explicar melhor, ele fez uma comparação:

— É como se você estivesse tomando banho e precisasse trocar a resistência do chuveiro sem desligar a energia da casa.

Achei aquilo meio loucura.

Mas minha vontade era maior do que minhas dúvidas.

Talvez eu já fosse assim naquela época.

Tem pessoas que nascem como postes: ficam sempre no mesmo lugar.

Outras nascem como vento.

Eu nasci vento.

Não paro. Nunca.

Na semana seguinte, eu estava em Belo Horizonte para uma reunião com o presidente e o vice-presidente da empresa.

A entrevista foi objetiva.

Fiz o psicotécnico, acertamos a parte financeira e, quinze dias depois, lá estava eu mudando para Belo Horizonte.

Comecei estudando o material técnico.

Pela manhã, lia e estudava.

À tarde, tinha contato direto com as ferramentas.

Eram inúmeras.

A técnica de trabalho em linha viva, ou linha energizada, ainda estava começando no Brasil. Nos Estados Unidos e no Canadá também era uma tecnologia relativamente recente.

A empresa possuía um campo de treinamento onde os trabalhos eram simulados.

Ali eu treinava todos os dias.

Montava as ferramentas.

Desmontava.

Subia nos postes.

Descia.

Montava novamente.

E começava tudo outra vez.

Durante aproximadamente noventa dias fiquei naquele ritual.

Até que chegou o momento de sair do treinamento e enfrentar a realidade.

A empresa possuía um técnico que havia sido treinado pelos americanos. Ele seria responsável pela entrega das primeiras ferramentas vendidas no Brasil e também ministraria o treinamento aos eletricistas.

Agora seria de verdade.

Era junho de 1975.

A primeira operação aconteceu na Celpe — Centrais Elétricas de Pernambuco.

As ferramentas haviam sido adquiridas para trabalhos em uma linha de 69.000 volts.

Durante aproximadamente um mês, quase todos os dias, subíamos e descíamos das estruturas, trabalhando com a rede energizada.

Depois fomos para Curitiba, para a Copel.

Agora a tensão era de 230.000 volts.

Mais um mês de treinamento.

Na sequência, fomos para Paulo Afonso.

Ali o desafio era ainda maior.

A tensão da rede chegava a 500.000 volts.

Nessa operação, a empresa americana enviou um técnico para ministrar um treinamento chamado bare hand — trabalho com contato direto do eletricista com a rede energizada.

Quanto maior a tensão, maiores são as distâncias necessárias entre os componentes que isolam os cabos da torre.

Chega um momento em que o eletricista precisa ser conectado ao próprio potencial da rede, no ponto energizado, para realizar determinados serviços.

Para isso, utilizava-se uma roupa especial, extremamente condutiva, além de uma plataforma isolante que permitia levar o eletricista até o ponto de trabalho.

Era uma tecnologia que, para mim, parecia quase inacreditável.

Hoje, trabalhos desse tipo também podem ser realizados com o auxílio de helicópteros.

Depois de todo aquele período de treinamento, começamos a ministrar cursos para outras empresas.

Passei a atender São Paulo, trabalhando principalmente com a Cesp, a Eletropaulo e a CPFL.

Meu amigo ficou responsável pelo Norte e Nordeste.

Como aquela tecnologia era uma novidade no Brasil, algumas escolas de engenharia nos convidavam para fazer apresentações aos alunos e explicar aquela nova maneira de trabalhar com redes energizadas.

Aquela atividade acabou se tornando muito mais do que um emprego.

Era uma profissão.

Era uma especialidade.

E, de certa maneira, era uma parte da minha identidade.

Depois de alguns anos, meu instrutor abriu sua própria empresa e eu passei a atender também os clientes do Norte e Nordeste.

Foi quando comecei a perceber que estava sobrecarregado.

Eu já era casado.

E quase não parava em casa.

Vivia dentro de aviões.

Às vezes ficava quinze, vinte dias fora.

Até que surgiu um convite irrecusável.

Uma empresa de São Paulo havia se associado a uma empresa americana, concorrente daquela onde eu trabalhava, e me fez uma proposta.

O salário e a possibilidade de voltar a morar em São Paulo pesaram muito na minha decisão.

Aceitei.

Não foi fácil deixar a empresa que havia mudado a minha vida.

Foi ali que eu havia aprendido uma profissão que jamais imaginara existir. Foi ali que conheci a linha viva e descobri um caminho profissional que me levaria a lugares que eu nunca tinha imaginado.

Mas não havia outro jeito.

Fui admitido na nova empresa.

Comecei fazendo aquilo que sabia fazer: divulgando a tecnologia, visitando clientes e trabalhando com as empresas que já conhecia.

Parecia que começava uma nova etapa.

Mas seis meses depois aconteceu algo que eu não esperava.

A empresa americana que era sócia da empresa onde eu havia acabado de ingressar comprou a parte brasileira.

Mais uma vez, minha vida profissional mudou de direção.

Pedi demissão.

E recomecei.

Hoje, quando olho para trás, percebo que aquele rapaz que, numa manhã qualquer, estava tentando ligar um rádio na antessala de um comprador da Philco não fazia ideia do que aquela conversa iria provocar.

Ele só estava esperando ser atendido.

E, enquanto esperava, a vida apareceu.

Foi assim que nasceu o meu eu de 1975.

"Não faça nada de absurdo! Pois, a vida é simples para quem entende o seu mecanismo! Venha, podemos cuidar dessa dor! "_ O Humanizado ☺️🙏 #setembroamarelo #conscietizacaocontraosuicidio

2993 📜 BÁBA ZÉFA, a Vidente Prudente e Convincente, tem Visto que, enquanto os Projetos do 𝘾𝙖𝙣𝙙𝙞𝙙𝙖𝙩𝙤 𝙌 𝙑𝙚𝙣𝙘𝙚 visam ao desenvolvimento do País e dos Cidadãos, alguns muitos demais Candidatos têm como Projeto atacar, ofender e destruir a Honra do 𝘾𝙖𝙣𝙙𝙞𝙙𝙖𝙩𝙤 𝙌 𝙑𝙚𝙣𝙘𝙚. Poizés!

O Desfile dos Meus Eus




Sou o intervalo entre o que quero e o que sou,


o lugar onde meus eus se encontram
sem se reconhecer.


Cada um traz no rosto aquilo que o outro deixou,


e nenhum sabe ao certo
quem veio primeiro a ser.


Passa por mim um que se julga corajoso,


logo atrás,
vem o que chora na penumbra.


Um inventa certezas com ar cuidadoso,


enquanto o outro desfaz
tudo aquilo que inventa.


Eu os observo,


ou eles me observam?


Já não sei
quem conduz esta procissão.


Talvez sejam meus os passos que me movem,


talvez eu seja apenas
mais uma na multidão.


Quantos sou eu
neste instante exato?


Quem pensa
aquilo que agora escrevo?


Sou o autor,


o personagem


ou o ato?


Sou o que sinto


ou aquilo que concebo?


Há em mim quem sonhe
sem nunca ter vivido,


quem viva
sem jamais saber que sonha.


Quem escreva
para encontrar o próprio sentido


e quem se perca
justamente quando o encontra.


Canso-me de assistir
à minha própria passagem,


espectadora de uma comédia
sem enredo.


Procuro um rosto inteiro
atrás da personagem,


mas só encontro
estilhaços, máscaras e medo.


Nunca ser somente um,


talvez seja esse o dilema:


ser o que parte,


o que fica


e o que quebra.


Carregar dentro do peito
mais de um


e ainda perguntar:


qual deles sou eu, afinal?


Se me procuro no espelho,
não vejo nada.


Nenhuma certeza
permanece ali.


Vejo apenas
a multidão que me habita calada,


e, no meio dela,
alguém


que escreve por mim.


Carina Gameiro

Havia uma pessoa que levaram quase tudo.
Levaram a beleza que ela tinha quando era jovem.
Levaram o tempo que não volta mais.
Levaram o emprego, a rotina, o chão.

E por um tempo ela achou que tinha ficado sem nada.

Mas ninguém conseguiu levar o que ela é por dentro.
Ninguém levou a força de levantar quando dói.
Ninguém levou a sabedoria que só a vida ensina.
Ninguém levou a luz que acende nela mesmo nos dias escuros.

A juventude foi embora, mas ficou a maturidade.
A beleza mudou, mas ficou a dignidade.
O emprego acabou, mas não acabou a capacidade de recomeçar.
O tempo passou, mas o que importa é o que ela ainda vai fazer com o tempo que resta.

Ela não é o que perdeu.
Ela é tudo o que sobreviveu.
E quem sobrevive, reconstrói.
Devagar. Um pedaço por vez.

Porque no fim, o que ninguém pode tomar...
é a chance dela de se reencontrar.

Dizem que ela perdeu demais.
A beleza da juventude, o tempo que não volta, o emprego, os planos.

Mas ninguém viu o dia em que ela decidiu não desistir de si.

Ela entendeu que recomeçar não é voltar pro zero.
Recomeçar é usar os pedaços que sobraram e construir algo novo.
É pegar a sabedoria que a dor ensinou e transformar em coroa.

Ela não tem mais 20 anos.
Tem algo melhor: tem história.
Não tem mais o mesmo emprego.
Tem as mãos que ainda sabem trabalhar.
Não tem mais o mesmo tempo.
Tem o agora. E o agora basta.

Devagar ela vai.
Planta de novo.
Sorri de novo.
Acredita de novo.

Porque quem já perdeu tudo...
descobre que ainda tem o mais importante:
a si mesma.

E com isso, ela pode começar quantas vezes forem preciso.

Por que não pode colar do Google?
Porque o cérebro não reproduz o conhecimento adquirido.

Seria bom demais nunca ter pesadelos, acordar de manhã alegre e sereno. Trevo de quatro folhas colher no terreiro, e que toda inimizade virasse dinheiro.

“Algumas partidas não começam quando damos o primeiro passo, mas quando o lugar onde ficamos deixa de saber nosso nome.”

“Talvez o vento não esteja chamando para algum lugar, mas tentando devolver ao mundo aquilo que nunca deveria ter criado raízes.”

Você acha que a tecnologia deixa as pessoas burras, preguiçosas e fracas; é culpa do capitalismo! Essa burla a mentalidade sutil do povo. Não importa quanto a máquina usa; o que importa é o tempo, a matéria e o espaço.

"O ABISMO NAO EXISTE
PARA TE ENGOLIR, MAS
PARA SERVIR DE
CONTRASTE:É NA
ESCURIDÃO MAIS
PROFUNDA OUE A TUA
PRÓPRIA LUZ REVELA A
SOBERANIA DO TEU
CAMINHO. " - ERICK PINHO




Essa frase traz uma poderosa virada de perspectiva sobre o sofrimento, o isolamento e a busca por propósito. Em vez de enxergar a escuridão como um ponto final ou um destino trágico, ela a reinterpreta como uma ferramenta de revelação.
​Aqui está uma análise detalhada do que ela expressa:




​1. A Ressignificação do Abismo
​"O abismo não existe para te engolir..."
​A maioria das pessoas enxerga o abismo — as dores, as incertezas, o vazio ou os momentos de crise profunda — como uma ameaça destruidora cujo único fim é devorar a individualidade.
​A frase desconstrói essa visão vitimista: o abismo perde seu papel de "vilão". Ele não tem o poder de te extinguir, a menos que você conceda a ele esse significado.




​2. A Função do Contraste
​"...mas para servir de contraste..."
​Aqui reside o conceito chave: a luz só é visível em sua plenitude quando há contraste.
​Em um ambiente totalmente iluminado, uma vela acesa passa despercebida.
​Na escuridão absoluta, a menor faísca se torna o centro de tudo e orienta qualquer olhar.
​O abismo existe como uma tela preta. Ele não cria a sua luz, mas fornece o cenário perfeito para que o brilho do que você carrega dentro de si se torne inquestionável e nítido.




​3. A Soberania do Caminho
​"...é na escuridão mais profunda que a tua própria luz revela a soberania do teu caminho."
​Esta é a conclusão máxima da frase e se divide em três pontos fundamentais:
​Autonomia Absoluta: A luz não vem de fora (não depende de aprovação, de circunstâncias favoráveis ou de terceiros). É a sua própria luz.
​Autoiluminação: Quando tudo ao redor falha e se apaga, você descobre que é a sua própria fonte de energia e direção.
​Soberania: A palavra "soberania" implica domínio, autoria e autoridade inabalável. O seu caminho não é traçado pelo que o ambiente impõe, mas pela direção que a sua própria essência ilumina.
​Em Síntese
​Trata-se de uma afirmação de autodescoberta e poder pessoal. Ela diz que os momentos mais sombrios não vêm para te aniquilar, mas para provar a força da sua própria essência. É na ausência de todas as referências externas que você assume o controle total do seu próprio destino.

Ela perdeu a juventude, o tempo, o emprego.
Mas não se perdeu.

Recomeçar não é voltar ao zero.
É usar os pedaços que sobraram e construir algo novo.

Se eu te fisgar com um verso 
Venha calmo ao contrário do literal
Penso ter nas minhas linhas força suficiente
Pra ti puxar pro meu literário pretexto
Tenho o sal pra palavras
E não é ser grosso
É que, pro peixe certo
Ler assim faz crescer o olho
Pro jeito certo
É ver na água... peixe grande...
E lançar o próprio esboço
Pra pegar versos de bom valor
Grandes e espertos
Esses pedem linha
E não perdê-la... 
Em água rala
Tubarão de poema devora tédio
literalmente!


(Leonardo Mesquita)

“Ninguém deveria ser condenado pela direção dos seus passos sem antes conhecer o peso que eles carregam.”

“Às vezes temos medo do caminho à frente porque esquecemos o quanto já fomos corajosos para deixar o caminho de trás.”

Ela perdeu a juventude, o tempo, o emprego,
Mas não se perdeu.


Recomeçar não é voltar ao zero.
É usar os pedaços que sobraram e construir algo novo.


Ela tem história. Tem força. Tem o agora.
E com isso, ela recomeça quantas vezes precisar. ✨

“O vento não pergunta se estamos preparados; ele apenas revela quando já não pertencemos ao lugar onde estamos.”

“Nem toda raiz precisa permanecer no mesmo chão para continuar viva.”