Pensamentos Mais Recentes
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O espelho promete a soberania de uma imagem intocável, mas entrega apenas o silêncio de uma solidão feita de vidro. Quando a estética se converte em dogma, o corpo deixa de ser morada da vida para se tornar vitrine, um altar frágil onde se sacrifica a alteridade em troca de aplausos efêmeros.
Trabalha a tua intensidade para que não se decepcione com quem não dá importância aos seus sentimentos
Prepare-se com dedicação hoje, para receber com confiança as oportunidades que podem transformar seu amanhã.
Não se taca uma pedra num enxame de abelhas, pela mesma razão, não se insulta um pensador com um
assunto que na baca dele
vira mel...
(Leonardo Mesquita)
Num mundo onde quase tudo se polariza — Discurso de Ódio se confunde com Liberdade de Expressão, Arrogância com Bravura, Confusos com Multifacetados e a Cegueira com a Sensibilidade, é melhor ficar com Nostradamus…
Nostradamus sempre disse, e continua dizendo, e eu não quero dizer o que Nostradamus disse, para não dizerem que sou injusto.
Afinal, vivemos tempos em que a verdade precisa apresentar documentos, enquanto a mentira circula com credenciais de autoridade; em que a ignorância se veste de convicção, a intolerância reivindica o direito de ser respeitada e a incapacidade de compreender o outro é frequentemente anunciada como uma virtude intelectual.
Parece que perdemos a capacidade de distinguir as coisas não porque elas tenham deixado de ser distintas, mas porque nos tornamos excessivamente interessados em defender aquilo que nos convém.
Já não importa tanto o que algo é, mas o nome que conseguimos atribuir-lhe para torná-lo aceitável.
E assim, por uma espécie de alquimia moral às avessas, transformamos defeitos em qualidades, vícios em princípios e limitações em bandeiras.
Há quem confunda falar alto com ter razão, ferir com ser corajoso e discordância com perseguição.
Há também quem chame de sensibilidade a incapacidade de suportar a realidade e de liberdade a licença para desrespeitar a dignidade alheia. .
No meio de tudo isso, a lucidez parece ter se tornado uma inconveniência, a ponderação uma fraqueza e o silêncio reflexivo uma suspeita de cumplicidade.
Talvez o maior problema do nosso tempo não seja a existência de opiniões diferentes, mas a crescente incapacidade de reconhecer que nem toda opinião merece ser elevada à condição de verdade, nem toda indignação representa justiça e nem toda certeza é sinal de conhecimento.
O pensamento verdadeiramente livre não precisa transformar o diferente em inimigo, tampouco necessita humilhar para se afirmar.
A inteligência não se mede pela quantidade de certezas que alguém consegue ostentar, mas pela coragem de questioná-las.
E a grandeza de uma pessoa talvez esteja menos na habilidade de vencer discussões do que na disposição de não perder a humanidade durante elas.
Por isso, volto a Nostradamus.
Não necessariamente porque suas profecias sejam dignas de confiança, mas porque, diante de um mundo tão empenhado em reinterpretar o evidente, até o mistério parece oferecer alguma vantagem: pelo menos ninguém precisa fingir que o compreendeu.
E há uma ironia particularmente desconcertante nisso tudo: talvez não estejamos vivendo o fim dos tempos, mas o tempo em que o fim do discernimento passou a ser confundido com o começo de uma nova consciência.
Nostradamus que me perdoe, mas há coisas que nem mesmo uma profecia deveria precisar explicar.
E há verdades tão evidentes que, para não sermos acusados de injustiça, o melhor talvez seja apenas deixá-las diante dos olhos de quem ainda consegue enxergar.
Porque, no fim das contas, não é a realidade que se torna absurda quando deixamos de compreendê-la.
Somos nós que nos tornamos reféns do absurdo quando já não queremos reconhecê-la.
