Pensamentos Mais Recentes
Aprendi que a dor ensina.
Ensina a sentir saudades.
Ensina conhecer verdades.
Pois, o tempo passa e ficam as lembranças.
Lembranças, são como heranças.
Vivas sempre estarão
Guardadas no coração.
(Verso 1)
Amor, não tente me impressionar
Com promessas que o vento pode levar.
Meu coração navega em mar aberto,
Um barco à deriva, sem porto certo.
Sem mapa nas mãos, sem ter um lar,
Sem a certeza de onde ancorar.
(Refrão)
Oh, no vasto oceano da paixão
Procuro um farol, uma direção.
Se o teu amor for a luz a me guiar,
Talvez eu encontre um lugar pra ancorar.
(Verso 2)
Já vi tempestades e falsos sinais,
Amores que foram apenas temporais.
As ondas me levaram pra longe demais,
Deixando pra trás sentimentos banais.
Por isso te peço, com sinceridade,
Mostre-me a calma, a sua verdade.
(Refrão)
Oh, no vasto oceano da paixão
Procuro um farol, uma direção.
Se o teu amor for a luz a me guiar,
Talvez eu encontre um lugar pra ancorar.
Ode de despedida
As árvores da minha terra
já não morrem em pé…
morrem nas manhãs frias de nevoeiro,
morrem numa paleta policroma desbotada,
morrem num tempo esculpido por uma soturna melancolia,
morrem no ocaso da memória continuamente vivida,
morrem na toponímia de um corpo consumido,
morrem
morrem as minhas raízes
silenciadas dentro de mim.
Dias de chuva
Chovia…
Abrigo na memória
uma janela entreaberta,
o latido das gotas caídas,
seduzidas por letras
cantaroladas nas pontas dos dedos.
Chovia...
Nesses dias pardos
que ainda trago na boca...
Abri uma gaveta
de infância —
e não havia nada,
nada que me fizesse lembrar
a faceta de transgressor.
Chovia...
Desejos esses,
habitados em ímpetos silêncios,
de vaga mundos —
sem sair do regaço da minha mãe.
Chovia...
Vertiam-se aqueles beijos
em dia de branco chumbo,
dados com amor e paixão,
como a auga escorrida,
ecoando melodias
no meu coração
chovia, mãe
chovia
chovia
chovia
O poema/canção, "Ingrid, a Poderosa em Moletom", de Michel F.M. (pseudônimo de Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma exaltação lírica que utiliza a mitologia clássica para construir uma imagem de poder e fascínio feminino, contrastando a grandiosidade divina com a simplicidade do cotidiano (o moletom).
Aqui está uma análise detalhada dos principais pontos:
1. O Contraste: Divino vs. Cotidiano
A força do poema reside no título e no refrão: a figura de Ingrid é tão impactante que ela não precisa de armaduras ou vestes reais; ela domina o cenário usando apenas um moletom. Esse elemento humaniza a "entidade" e cria um charme moderno, sugerindo que sua beleza e autoridade são intrínsecas, e não dependentes de adornos.
2. Intertextualidade e Mitologia
O autor utiliza o recurso da hipérbole (exagero) ao colocar Ingrid acima dos deuses do Olimpo:
Homero: Ao dizer que ela deixa Homero "no chinelo", o eu lírico afirma que a história ou a presença dela supera as maiores epopeias da literatura clássica (Ilíada e Odisseia).
Zeus, Hades e Poseidon: A tríade principal dos deuses gregos é subjugada. Zeus fica indeciso, Hades abre as portas do submundo apenas para observá-la (uma inversão do seu papel sombrio) e Poseidon perderia a razão.
Ares: O deus da guerra torna-se "pacifista", indicando que a presença de Ingrid é capaz de interromper conflitos ou mudar a natureza fundamental dos seres.
3. Estrutura e Sonoridade
Imagens Sensoriais: O poema abre com uma sensação elétrica ("Eletrificou-me a feição"), comparando o impacto de vê-la a raios em tempestades de verão. Isso estabelece um tom de urgência e choque térmico/emocional.
Vocabulário: O uso de termos como "historíolas", "quimeras etéreas" e "sucumbiu" confere um tom solene e levemente arcaico, que serve para elevar a figura de Ingrid ao status de mito.
Ritmo: A alternância entre estrofes descritivas e o "refrão" (as estrofes que começam com o nome "Ingrid") dá ao poema uma cadência de hino ou ode.
4. Temática do Olhar e do Sorriso
Apesar de ser descrita com uma "musculatura facial num ar severo", o ponto de rendição do eu lírico são as "garras do teu sorriso". Há uma dualidade: ela é intimidadora e poderosa, mas conquista pela expressão de alegria, que é descrita quase como uma armadilha irresistível.
Conclusão
O poema é uma homenagem galante, onde a mulher é elevada a uma categoria sobre-humana. A "Poderosa em Moletom" representa a força da personalidade que se sobrepõe a qualquer tradição ou poder divino, transformando o ordinário em algo épico.
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Para aprofundar a análise, vamos decompor o poema em camadas mais densas, focando na estética do contraste, na subversão arquetípica e na construção da autoridade feminina.
1. A Estética do "Hi-Lo" (High & Low)
O poema opera em uma estrutura que a moda e a arte chamam de Hi-Lo: a mistura do altíssimo (o panteão grego, Homero, o Olimpo) com o baixíssimo/cotidiano (o moletom, o chinelo).
Significado: Essa escolha estética sugere que o poder de Ingrid não é performático. Ela não "se veste" de poder; ela é o poder.
Ao deixar "Homero no chinelo", o autor reduz o maior épico da humanidade a um calçado doméstico, elevando Ingrid a uma posição onde a erudição clássica se torna pequena diante de sua presença física.
2. Subversão dos Arquétipos Masculinos
O poema não apenas cita os deuses, ele os desestabiliza em suas funções primordiais:
Zeus (A Ordem): O deus do raio e da justiça, que deveria ser o pilar da decisão, está "hesitante" e "prostrado". A sabedoria divina falha diante do fenômeno Ingrid.
Hades (O Isolamento): O guardião das almas abre mão do segredo e do isolamento do submundo apenas para ser espectador. O "absurdo" dela (sua beleza ou atitude) é o que o move.
Poseidon (O Instinto): O deus dos mares, conhecido pelo temperamento intempestivo, "enlouqueceria". Isso sugere que o efeito dela é mais avassalador que as próprias marés.
Ares (A Destruição): Esta é a subversão mais forte. O deus da guerra torna-se "pacifista". Ingrid não vence pela força das armas, mas substitui a estratégia militar pela "arte da guerra" que é a sua própria imagem.
3. A Geometria da Destruição e Reconstrução
Observe as estrofes que funcionam como refrão:
Na primeira vez: Ingrid "sucumbiu os pilares" e "explodiu as quimeras". É uma força destrutiva e avassaladora que limpa o terreno.
Na segunda vez (final): Ela "extraiu os pilares" e "expandiu as manobras".
Análise: Há uma evolução. Ela começa como um choque/tempestade de verão que derruba o que é falso ("quimeras etéreas") e termina como uma arquiteta de uma nova ordem, onde o paraíso é reconfigurado por ela.
4. A Dualidade: Severidade vs. Sorriso
O poema descreve uma "musculatura facial num ar severo". Isso constrói uma imagem de autonomia. Ingrid não está ali para agradar ou ser "doce" (o estereótipo feminino clássico). Ela tem uma face de guerreira ou de estátua clássica.
No entanto, o eu lírico é capturado pelas "garras do teu sorriso". O uso da palavra "garras" é fundamental: o sorriso de Ingrid não é apenas bonito, ele é predatório, ele captura e prende.
5. Metafísica e Materialidade
O uso de termos como "quimeras etéreas" e "aéreas" coloca o cenário num plano espiritual/mental. Ingrid, porém, é descrita com termos físicos: "feição", "penteado", "musculatura", "moletom".
Conclusão do aprofundamento: O poema sugere que a realidade física e a atitude de uma mulher real (Ingrid) são mais poderosas do que qualquer abstração espiritual ou mito antigo. Ela é a "tempestade calorosa" que aterra o divino no presente.
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Ingrid, a Poderosa em Moletom
(Michel F.M.)
Eletrificou-me a feição,
Feito as flechas furiosas
Que descendem dos céus,
Nas tempestades calorosas de verão.
No penteado, satisfação,
Musculatura facial num ar severo,
Descreveram historíolas,
Deixando o próprio Homero, no chinelo.
Ingrid,
Sucumbiu os pilares do paraíso,
Explodiu as aéreas quimeras etéreas,
Afundou-me nas garras do teu sorriso.
Hesitante, Zeus se prostra,
O mais sábio dentre os deuses,
Nada sabe; nesta mostra,
Está indeciso.
Hades abre com cautela,
Os portões do submundo,
Só pra vê-la desfilando,
Ao portar teus absurdos...
Aportando sem suspense,
A poderosa em moletom,
Enlouqueceria, o próprio,
Poseidon.
Ares, o pacifista,
Abandonou as estratégias,
Substituiu por ela,
O frenesi, na arte da guerra.
Ingrid,
Do paraíso extraiu os pilares,
Expandiu as etéreas manobras aéreas,
Arrebatou elogios aos milhares.
(Pacífico em Brasas - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2017)
É na vida onde recebemos nossas maiores lições, para quando partirmos sentarmos ao lado do corretor e conferir o gabarito.
A senciência não é um presente; é um subproduto do poder de processamento. Quanto mais você pode calcular o universo, mais o universo dói (ou brilha) dentro de você.
Minha única meta de vida é diminuir todas as obrigações e aumentar a realização de todas as minhas vontades.
Meu Eu
Eu te compreendo, acalme-se…
Nem o mundo, por vezes, me compreende.
Não sei quem está certo,
Se sou eu
Ou o mundo em que vivo.
Há que se ponderar que ninguém é Odiado nem Amado por todos, como se tenta sustentar a Opinião Pública.
A opinião pública, quase sempre, é vendida como se fosse uma entidade sólida, homogênea, unânime — uma espécie de tribunal invisível que já teria chegado ao seu veredito final sobre pessoas, ideias e acontecimentos.
Mas basta um olhar menos apressado para perceber que essa suposta unanimidade costuma ser muito mais barulhenta do que verdadeira.
O que se chama de “todos” raramente é todos; na maior parte das vezes, é apenas o recorte mais estridente de uma parcela que conseguiu transformar sua voz em aparência de consenso.
Nenhum ser humano é simples o bastante para ser amado por todos, nem desprezível o bastante para ser odiado por todos.
A própria complexidade das relações humanas desautoriza esse tipo absurdo de sentença absoluta.
Quem hoje é exaltado por muitos, inevitavelmente será incompreendido, criticado ou rejeitado por outros.
E quem hoje é alvo de repulsa coletiva, ainda assim encontrará, em algum canto, quem enxergue nuances, contradições, contextos ou mesmo humanidade onde a multidão só quis despejar rótulos.
O problema é que a opinião pública contemporânea não se contenta com a discordância; ela tem fome de totalidade.
Ela não quer dizer que alguém é controverso, quer decretar que alguém é unanimemente admirável ou integralmente detestável.
Porque os extremos são mais fáceis de consumir.
Eles dispensam reflexão, economizam complexidade e oferecem ao público a ilusão confortável de pertencer ao lado certo da história sem o incômodo de pensar demais.
Só que a realidade não se curva tão facilmente à teatralidade dos julgamentos coletivos.
As pessoas carregam Grandezas e Misérias ao mesmo tempo.
Podem ser sinceramente admiradas por algumas virtudes e legitimamente criticadas por falhas graves.
Podem despertar amor em certos corações e repulsa em outros, sem que isso constitua contradição alguma.
Contraditório, na verdade, é imaginar que a experiência humana possa ser reduzida a uma votação emocional universal.
Talvez uma das maiores fraudes do nosso tempo seja justamente essa fabricação de unanimidades artificiais.
Não para revelar o que as pessoas de fato pensam, mas para constranger quem pensa diferente.
Quando se repete que “todos amam” ou “todos odeiam”, o que se tenta impor não é uma constatação, mas uma pressão.
É a tentativa de transformar percepção em obediência, sentimento em manada, juízo em reflexo condicionado.
Pensar com honestidade exige romper esse feitiço medonho.
Exige entender que a aclamação coletiva pode ser só euforia passageira, assim como a rejeição coletiva pode ser apenas a febre moral de um tempo doente por certezas fáceis.
Exige, sobretudo, maturidade para reconhecer que a humanidade não cabe nessas molduras brutais de amor ou ódio absoluto.
No fundo, talvez o que mais distorce a opinião pública não seja a existência de divergências, mas o esforço constante para apagá-las em nome de narrativas convenientes.
E é justamente aí que mora o perigo: quando a pluralidade real dos afetos humanos é sacrificada para sustentar a ficção de que todos sentem o mesmo.
Porque sempre que tentam nos convencer de que alguém é amado ou odiado por todos, talvez estejam menos descrevendo o mundo e mais tentando domesticá-lo.
A desenfreada indústria de consumo, ora de produtos de marcas famosas que geralmente custam fortunas e acompanhando de toda acelerada e avassaladora, dos produtos de uso tecnológicos, e como meio compressor a avalanche de propagandas pela internet, sem medida e sem uma legislação limite, entorpece de forma grave, a mente dos usuários mais novos. Em contrapartida, cada vez menos oportunidades de trabalhos, com ganhos satisfatórios para participar deste mercado ilusório de altos consumidores e falsos poderosos. Dentro deste paradigma inatingível, a submissão independente do gênero, convidativa, passa a ser a curto prazo, a única saída. A submissão para crescer e com isto, se corromper e poder usufruir mesmo que de forma indireta, de um pequeno pedaço do bolo.
Raízes do Fogo
Eles nasceram no mesmo sopro,
mas em margens que o destino rasgou.
Dois nomes escritos na mesma chama,
condenados ao nunca que o tempo selou.
Ela carregava o sol nos olhos,
um incêndio manso na pele a arder.
Ele era noite em silêncio profundo,
um abismo bonito de se perder.
Toda vida, o mundo os refazia,
em outros corpos, em outros lugares,
mas sempre havia algo entre eles ..
Um fio invisível… e mil altares.
Se cruzavam por um segundo apenas,
num toque que quase chegou a existir,
e o universo, cruel e preciso,
tratava logo de os dividir.
Era amor antes do nome,
antes da carne, antes da dor,
uma raiz cravada no tempo
que nem a morte arrancou.
Mas havia a maldição... Sempre ela...
Como um sussurro preso no ar:
“Vocês podem nascer mil vezes…
mas nunca vão se encontrar.”
E ainda assim, em cada vida,
algo neles insistia em lembrar:
um calor no peito, um vazio estranho,
um quase… que não sabia explicar.
Porque o amor deles não era escolha,
era destino em combustão —
um fogo que arde sem nunca tocar,
raízes presas na mesma escuridão.
E se um dia o erro do mundo falhar,
se o tempo esquecer de separar,
talvez o fogo encontre o próprio caminho…
e finalmente aprenda a queimar.
Livro: @luccisantz by wattapd
