Pensamentos Mais Recentes
Conhecer a Bíblia sem ser transformado por Cristo pode produzir conhecimento na mente, mas não necessariamente amor no coração.
O mais triste não é encontrar frieza no mundo; é encontrar frieza em quem diz servir Àquele que ensinou a amar até os inimigos.
Se a minha permanência incomoda, não é porque eu seja forte demais; é porque a graça de Deus foi maior do que aquilo que esperavam que me destruísse.
Nem tudo que Deus permite eu consigo administrar; algumas coisas Ele permite para que eu aprenda a depender dEle.
O que parecia grande demais para mim tornou-se testemunho de que Deus pode sustentar aquilo que minhas forças não conseguem carregar.
Para iniciar um novo caminho, é preciso desprender os olhos da realidade que nos aprisiona e enxergar além das fronteiras do que conhecemos. A vida não concede novos horizontes àqueles que permanecem imóveis nas trincheiras do medo; é preciso abandonar o lugar onde fomos feridos para descobrir aquilo que ainda podemos ser.
Josiel V. Henrique
Deus não coloca sobre mim apenas aquilo que minhas forças suportam; muitas vezes, Ele me conduz a lugares onde descubro que Sua graça é suficiente. 2 Coríntios 12:9
Há coisas que eu não teria capacidade de administrar sozinho, mas a graça de Deus me capacita a atravessá-las.
Fingir que não sente parece ser o melhor remédio para a dor,
mas é um truque enganoso,
que só envenena a alma.
A dor não desaparece quando escondemos o que sentimos.
Ela precisa ser acolhida, compreendida
e, aos poucos, transformada em força.
Não permita que a mágoa faça morada no coração.
Perdoar não significa esquecer o que aconteceu,
significa escolher não carregar para sempre
aquilo que um dia tentou destruir você.
Helaine Machado
Quando você olha para dentro de si com honestidade, entende: se a graça conseguiu me alcançar, ninguém está longe demais para ser alcançado por Cristo.
KARDEC DIANTE DE SWEDENBORG: PRECURSORES DO ESPIRITISMO - PARTE IV - FINAL.
A ENTREVISTA ESPIRITUAL QUE REVELOU OS LIMITES DA MEDIUNIDADE E A GRANDEZA DO MÉTODO ESPÍRITA.
INTRODUÇÃO — QUANDO O PASSADO ENCONTRA A CODIFICAÇÃO.
Marcelo Caetano Monteiro.
A análise da evocação de Emmanuel Swedenborg realizada por Allan Kardec na Revista Espírita de novembro de 1859 representa um dos momentos mais expressivos da metodologia espírita. Não se trata apenas de uma comunicação mediúnica, mas de um verdadeiro estudo filosófico sobre a relação entre revelação espiritual, interpretação humana, razão e progresso da consciência.
Kardec não se aproximou de Swedenborg com espírito de condenação, nem com admiração cega. Sua postura foi a de um pesquisador espiritual: reconheceu o valor do missionário sueco, examinou suas experiências, destacou suas contribuições e investigou seus equívocos.
Essa atitude revela um dos fundamentos essenciais da Doutrina Espírita: a verdade espiritual não deve ser aceita pelo prestígio daquele que transmite, mas examinada pelo critério da razão, da lógica e da concordância universal dos ensinamentos.
A comunicação publicada na Revista Espírita ocorre em um contexto no qual Kardec estudava os grandes precursores do movimento espiritualista. Swedenborg, falecido em 1772, era considerado um dos homens mais cultos de sua época e havia apresentado, décadas antes da Codificação, descrições de uma realidade espiritual organizada.
Entretanto, Kardec compreendia que uma faculdade mediúnica elevada não transforma automaticamente o médium em autoridade absoluta.
A mediunidade revela uma possibilidade de contato; não elimina as limitações humanas do intérprete.
A EVOCAÇÃO DE SWEDENBORG — UM DIÁLOGO ENTRE DUAS ETAPAS DA HISTÓRIA ESPIRITUAL.
Na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, em setembro de 1859, Allan Kardec realizou uma evocação do Espírito atribuído a Swedenborg. Na sessão anterior, o comunicante havia manifestado desejo de retornar para responder perguntas sobre sua doutrina.
O diálogo apresenta uma característica profundamente significativa: Swedenborg não aparece defendendo rigidamente suas antigas ideias, mas reconhecendo aspectos que, segundo a comunicação, necessitavam de correção.
Logo no início, transmite uma mensagem de incentivo aos estudiosos espíritas:
“Minha moral espírita e minha doutrina não estão isentas de grandes erros, que hoje reconheço.”
Essa declaração possui enorme importância filosófica.
Ela demonstra que, dentro da perspectiva espírita, o Espírito desencarnado continua em processo de aprendizado. A morte física não transforma automaticamente o indivíduo em Espírito perfeito.
O progresso permanece sendo uma lei universal.
A PRIMEIRA GRANDE QUESTÃO - O ESPÍRITO QUE SE APRESENTOU COMO DEUS.
Uma das perguntas mais profundas feitas por Kardec refere-se à experiência inicial de Swedenborg, quando ele afirmou ter recebido uma revelação de um ser que identificou como o próprio Senhor.
Kardec pergunta:
“Qual foi o Espírito que vos apareceu dizendo ser o próprio Deus? Era realmente Deus?”
A resposta atribuída a Swedenborg é:
“Não. Acreditei no que me dizia porque nele via um ser sobre-humano e por isso fiquei lisonjeado.”
Essa resposta contém uma das maiores lições da entrevista.
O fenômeno espiritual, por mais impressionante que seja, exige discernimento.
Um Espírito pode apresentar aparência elevada, linguagem superior ou manifestações extraordinárias, sem necessariamente possuir a perfeição que afirma possuir.
Esse princípio encontra profunda correspondência com a advertência de Kardec em vários momentos da Codificação: os Espíritos devem ser avaliados pela qualidade moral e intelectual de suas comunicações, não apenas pelos fenômenos que produzem.
Na própria Revista Espírita de 1859, Kardec enfatiza que existem Espíritos em diferentes níveis evolutivos e que as comunicações devem ser submetidas a severo controle, pois refletem o caráter e o grau de elevação daqueles que se comunicam.
A ILUSÃO DOS SENTIDOS E O PAPEL DA INTERPRETAÇÃO HUMANA.
Um dos pontos mais relevantes da comunicação é o reconhecimento de Swedenborg de que determinadas percepções foram interpretadas segundo sua compreensão da época.
Ao ser questionado sobre suas visões do mundo espiritual, ele afirma que algumas ideias sobre o mundo dos anjos eram ilusões dos sentidos.
Essa declaração revela uma questão central:
A percepção espiritual precisa ser interpretada pela inteligência.
O médium percebe, mas interpreta através de seu próprio universo mental.
Sua cultura, suas crenças religiosas, seus valores e suas experiências anteriores podem influenciar aquilo que compreende.
É exatamente nesse ponto que Kardec se diferencia dos pesquisadores anteriores.
Ele não negou a possibilidade do fenômeno espiritual; porém, recusou transformar experiências individuais em verdades absolutas.
SWEDENBORG E A DIFERENÇA ENTRE REVELAÇÃO PESSOAL E MÉTODO ESPÍRITA.
A grande contribuição de Swedenborg foi abrir uma nova perspectiva sobre a existência espiritual.
Ele descreveu:
continuidade da vida após a morte;
comunicação entre Espíritos e encarnados;
diferentes condições espirituais;
consequências morais das escolhas humanas.
Contudo, segundo a análise espírita, seu principal limite esteve na elaboração pessoal dessas percepções.
Ele construiu uma interpretação própria denominada Nova Jerusalém, baseada em sua compreensão particular das Escrituras.
Kardec, ao contrário, não buscou fundar uma interpretação individual.
A Codificação Espírita foi organizada mediante:
comparação das comunicações recebidas;
análise racional;
universalidade dos ensinos;
rejeição de opiniões isoladas.
O próprio Kardec afirma em O Evangelho Segundo o Espiritismo que as grandes ideias não surgem repentinamente; elas possuem precursores que preparam seus caminhos.
Assim, Swedenborg não seria o fundador do Espiritismo, mas um trabalhador que antecedeu uma etapa posterior.
A HUMILDADE DE SWEDENBORG DIANTE DA VERDADE.
Um dos aspectos mais belos da comunicação é a atitude de reconhecimento.
Segundo o relato publicado por Kardec, Swedenborg admite que alguns conceitos defendidos durante sua vida precisavam ser revistos.
Ele reconhece, por exemplo, que as penas eternas não poderiam harmonizar-se com a justiça e bondade divinas:
“Deus é muito justo e muito bom para punir eternamente a criatura que não tem força suficiente para resistir às paixões.”
Essa ideia aproxima-se profundamente da visão espírita da justiça divina.
Para o Espiritismo, o sofrimento espiritual possui caráter educativo e temporário. A alma não está condenada definitivamente; ela evolui através das experiências e do esforço próprio.
A GRANDE LIÇÃO DE KARDEC - A RAZÃO COMO LUZ DO FENÔMENO ESPIRITUAL.
A entrevista com Swedenborg revela a grande diferença entre duas fases do pensamento espiritualista:
A primeira fase é marcada por experiências individuais, visões e interpretações pessoais.
A segunda fase, representada por Kardec, busca estabelecer um estudo racional e sistemático.
O mérito de Kardec não foi apenas aceitar a existência dos Espíritos.
Muitos antes dele já acreditavam nessa possibilidade.
Seu grande trabalho foi estabelecer um método.
Ele transformou fenômenos dispersos em uma doutrina filosófica com consequências morais.
A comunicação com Swedenborg demonstra justamente esse cuidado:
Kardec respeita o precursor, mas não abandona o pensamento crítico.
Valoriza o mensageiro, mas analisa a mensagem.
Reconhece o fenômeno, mas investiga sua origem.
CONCLUSÃO.
OS PRECURSORES E A MARCHA PROGRESSIVA DA VERDADE.
A análise da entrevista entre Allan Kardec e Emmanuel Swedenborg permite compreender um dos princípios mais importantes do pensamento espírita: a revelação divina acompanha o amadurecimento intelectual e moral da humanidade.
Sócrates preparou o homem para olhar a própria consciência.
Platão apresentou a realidade superior do mundo espiritual através da filosofia.
Swedenborg abriu uma janela para os fenômenos do além.
Andrew Jackson Davis anunciou uma nova compreensão da vida espiritual.
As irmãs Fox chamaram a atenção do mundo para a possibilidade da comunicação inteligente dos Espíritos.
As mesas girantes despertaram a investigação de Allan Kardec.
E Kardec, utilizando razão, método e prudência, organizou a Doutrina Espírita.
A grandeza de Swedenborg permanece justamente porque ele foi um precursor. Seu trabalho não foi perfeito, porque nenhuma etapa da evolução humana é definitiva. Mas sua contribuição foi preparar caminhos.
Como ensina Kardec:
As grandes ideias não surgem subitamente; elas encontram trabalhadores que preparam o terreno para sua manifestação futura.
A história espiritual da humanidade é uma construção progressiva, na qual cada consciência oferece sua parcela de colaboração ao desenvolvimento da verdade.
FONTES CONSULTADAS.
KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos.
Questões 115, 621 e 622.
KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo.
Capítulo I — Não vim destruir a Lei.
Capítulo VI — O Cristo Consolador.
KARDEC, Allan. Revista Espírita — Jornal de Estudos Psicológicos.
Ano II, novembro de 1859.
Artigo: Swedenborg — Comunicação de Swedenborg prometida na sessão de 16 de setembro de 1859.
KARDEC, Allan. Obras Póstumas.
Minha iniciação no Espiritismo.
DOYLE, Arthur Conan. História do Espiritismo.
Editora Pensamento, São Paulo.
PIRES, José Herculano. O Espírito e o Tempo.
Editora Paideia.
PIRES, José Herculano. Os Filósofos.
Edições FEESP.
PLATÃO. Apologia de Sócrates.
Fedro.
A República.
PLATÃO. Mito de Er.
SWEDENBORG, Emmanuel.
Arcana Celestia.
A Nova Jerusalém.
O Céu e o Inferno. (obra espiritualista de Swedenborg, não confundir com a obra homônima de Allan Kardec).
A graça não produz uma pessoa que se acha merecedora; produz alguém que se maravilha por ter sido alcançado.
Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus. Efésios 2:
Se a graça me alcançou apesar de quem eu era, não tenho o direito de decidir quem é indigno de ser alcançado por Cristo.
Quando olho para dentro de mim, não encontro motivos para me achar superior; encontro motivos para agradecer pela graça.
Eu não fui salva porque merecia; fui salva porque Cristo teve misericórdia de mim. Por isso, creio que a graça também pode alcançar qualquer pessoa.
A religião pergunta: Quem merece ser salvo? A graça responde: Ninguém merece; Cristo salva pela graça.
Quanto mais conheço a mim mesma, menos consigo condenar o outro e mais admiro a misericórdia de Deus.
Se Deus tivesse usado como critério o meu merecimento, eu estaria perdida. Foi a graça que me encontrou.
As Aves Que Aqui Cantam
O verde rompe o asfalto com firmeza,
um sopro de aragem na urgência do dia,
onde o concreto ergue sua frieza
e a vida pulsa em pura sinfonia.
Não há muro alto que cative o vento,
nem torre fria que anule o seu cantar;
o tempo avança em cada movimento,
lembrando a alma o dom de respirar.
As aves que aqui cantam na cidade
são as mesmas que cantam em todo lugar;
até no cemitério cantam a vida é passageira,
e o peito vibra ao ver o sol raiar.
Recordam o pó, mas cantam a aurora,
o instante breve, o sopro que é eterno,
a ânsia pura de viver agora
antes que chegue o silêncio do inverno.
Vagar pelas ruas é buscar o sentido
no voo ligeiro que cruza o azul,
entre o grito urbano e o peito ferido
que busca o norte, o leste, o sul.
Ser ave e ser homem é cruzar o abismo,
é ser faísca acesa na escuridão,
encontrar no trânsito o lirismo
e a paz profunda dentro do coração.
Olhar para a própria natureza deveria quebrar o orgulho e produzir uma certeza: se Cristo me alcançou, Sua graça ainda pode alcançar muitos outros.
PROFESSOR DE POETA
No sertão nasceu um mestre
Que ensinava sem cartilha,
Com a viola e a palavra
Fez da rima uma família;
E mostrou que a poesia
Também nasce na partilha.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Patativa do Assaré,
Ave sábia do sertão,
Transformou sua poesia
Em denúncia e oração;
Fez do verso uma ferramenta
De cultura e reflexão.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Seu cantar veio da roça,
Da enxada e do terreiro,
Da pobreza, da esperança,
Do vaqueiro e do roceiro;
E ensinou que o pensamento
Não precisa de dinheiro.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Em “Cante Lá, Que Eu Canto Cá”,
fez do canto profissão,
mostrando que cada terra
tem seu modo e tradição;
E que a voz de quem trabalha
também merece atenção.
Quando falou do “Caboclo Roceiro”,
deu ao campo dignidade,
fez da vida do agricultor
um retrato da verdade;
E levou para a poesia
a voz da comunidade.
Em “Triste Partida”,
fez a dor se levantar,
retratando o nordestino
obrigado a migrar;
E fez muita gente longe
do sertão se emocionar.
Não é apenas um poeta
que o tempo pode guardar;
Patativa é professor
que continua a ensinar:
quem conhece sua obra
tem mais força pra pensar.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Os poetas o admiram
pela força do seu dizer,
pela forma tão simples
de fazer o povo entender;
pois sabia transformar
o sofrer em aprender.
Negreiros Neto assim diz,
com respeito e clareza:
“O poeta é um título
da mais alta nobreza,
dado ao matuto analfabeto
e aos doutores da letra.”
Patativa nos mostrou
que a escola pode ensinar,
mas também existe a vida
com seus modos de educar;
e o poeta que a observa
tem lições pra revelar.
Foi professor de poetas,
sem cobrar mensalidade;
sua sala era o mundo,
seu diploma, a humildade;
seu quadro era o sertão,
sua matéria, a verdade.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Hoje, quando um poeta
pega a pena para escrever,
leva um pouco de Patativa
sem sequer perceber;
pois quem bebe dessa fonte
aprende também a viver.
Patativa, velho mestre,
teu legado é imortal;
tua poesia permanece
feito estrela no quintal;
Nordeste que vira verso,
sertão que vira jornal.
E aos doutores da palavra,
aos poetas do sertão,
fica viva a grande lição
do mestre da inspiração:
a maior sabedoria
é ter voz e coração.
Sou Poeta sem diploma no canudo,
mas cumpro o verdadeiro papel público
do intelectual Matuto.
Se Patativa foi mestre,
nós seguimos a lição:
fazer da poesia ponte,
da palavra, comunhão;
e colocar nosso verso
a serviço da nação.
Minha salvação não é um troféu que me torna superior; é uma prova de que a misericórdia de Deus é maior que a miséria humana.
