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As Mãos que nos Plantaram
Nas marcas do seu rosto, a história da terra,
O suor que pingou onde a vida floresce.
Sua voz, uma moda de viola que encerra,
A dor do cansaço, a força que cresce.
Com mãos calejadas, plantou o sustento,
Do pão na mesa ao exemplo de herói.
Nos deu o abrigo, acalmou nosso vento,
E o amor que plantou, agora nos constrói.
Se antes o senhor guiava o caminho,
Na lida da roça, sob o sol a brilhar,
Hoje nos cabe ser o seu ninho,
Cuidar do seu passo, ser o seu descansar.
Não se preocupe, paizinho, estamos aqui,
Como raízes fiéis, segurando o seu chão.
Todo o amor que nos deu, guardamos em si,
Devolvendo em zelo, com o coração na mão.
Seus netos, seus filhos, o seu legado vivo,
Cantando baixinho o que aprendeu a ensinar.
Obrigada por tudo, por ser nosso motivo,
Agora é a nossa vez, pai, de te cuidar.
----------------- Eliana Angel Wolf
Hoje me despeço do meu pai.
Tivemos nossas diferenças. Pensamos diferente muitas vezes, seguimos caminhos que nem sempre se cruzaram da forma mais fácil… mas a vida é feita disso: aprendizados.
Foi com ele que aprendi a ter vocação para vendas.
Aprendi a conversar, a insistir, a não ter medo de ouvir um “não”.
Aprendi, principalmente, que desistir nunca foi uma opção.
Se hoje eu continuo lutando, é porque vi nele a força de continuar também.
Pai, me perdoa por tudo que ficou mal resolvido.
Eu também te perdoo por tudo que um dia doeu.
Porque acima das falhas sempre existiu algo maior: o laço, a história e o sangue.
Obrigado por ter me ensinado a ser forte.
Obrigado por ter me mostrado que a vida é batalha, mas também é caráter.
Sua caminhada termina aqui na terra…
Mas o que você plantou continua em mim.
Descanse em paz.
Em memória do senhor Raimundo Edmundo. 03/09/197 - 01/05/2026
Evangelista Araújo leite ✍️
Não existe criação do nada absoluto, apenas transformação da matéria anterior. Se deus existe, ele teria que usar partes do próprio corpo para criar o universo.
O ser humano moderno proclama força, mas organiza a existência sobre alicerces frágeis: depende de dispositivos, oscila no íntimo, mendiga validação e evita a própria solidão. Teme a morte a ponto de esvaziar a vida — protege-se tanto que já não vive. Recusa o frio da realidade, tratando a lucidez como ameaça. E, assim, prefere a fantasia da invulnerabilidade — confortável, negociável — à verdade incontornável: a fragilidade não é falha, é condição. Negá-la não fortalece; apenas afasta do que se é.
