Pensamentos Mais Recentes

Nem todo pensamento que nasce em nós nasceu de nós.

Carlos Eduardo Balcarse

A pergunta mais perigosa não é a que não tem resposta, mas a que recebe uma resposta antes de merecer confiança.

Carlos Eduardo Balcarse

Quem só questiona o mundo pode continuar prisioneiro daquilo que nunca questionou em si.

Carlos Eduardo Balcarse

Não preciso ser cristão para entender que Jesus não está na política. Ele não está nesse jogo sórdido e mesquinho pelo poder, nas disputas de ego, nas bandeiras partidárias ou na necessidade de transformar o outro em inimigo. Sua simbologia representa o amor, a compaixão, a misericórdia e a capacidade de enxergar humanidade até em quem pensa diferente de você.
Então, não use Deus para justificar seu preconceito, sua intolerância, sua raiva ou seu ódio. Não coloque na conta de uma ideologia ou de um “partido político” aquilo que já existe dentro de você.
O ódio não precisa de Deus. Precisa apenas de uma justificativa. E você só está procurando uma para não precisar olhar para o monstro que existe dentro de você.

A consciência percebe o pensamento; a autoria decide quanto daquele pensamento continuará escrevendo nossa história.

Carlos Eduardo Balcarse

Não basta mudar de ideia; é preciso descobrir se fomos nós que mudamos a ideia ou se a ideia mudou quem somos.

Carlos Eduardo Balcarse

A certeza encerra a pergunta; o discernimento pergunta se a pergunta deveria ter sido encerrada.

Carlos Eduardo Balcarse

Há ideias que carregamos e ideias pelas quais somos carregados; discernir é descobrir quem está levando quem.

Carlos Eduardo Balcarse

Se tem algo em que os políticos-influencers são especialistas, é na produção de conteúdos para manter o aluguel dos apaixonados.

Eles aprenderam, cedo demais, que, na política das redes sociais, nem sempre é preciso entregar resultados para arregimentar apaixonados quando se pode entregar narrativas.

Um vídeo ou um corte indignado, uma frase de efeito, uma promessa cuidadosamente editada ou um inimigo convenientemente escolhido podem ser suficientes para manter acesa a chama de quem já decidiu acreditar.

E assim, a paixão política passou a funcionar como um contrato de aluguel: paga-se com atenção, compartilhamento, defesa incondicional e, às vezes, até com a própria capacidade de questionar.

Em troca, recebe-se diariamente uma nova dose de conteúdo para confirmar aquilo que o coração já escolheu antes que a razão pudesse perguntar.

O problema não está em admirar, apoiar ou defender ideias.

Toda sociedade precisa de convicções.

O perigo começa quando a convicção deixa de ser ponto de partida para a reflexão e passa a ser autorização para não refletir mais.

E o político-influencer sabe disso.

Ele não precisa necessariamente convencer o apaixonado de alguma coisa nova.

Basta retroalimentá-lo com aquilo que ele já deseja ouvir.

A cada publicação, um motivo para indignar-se com o adversário; a cada discurso, uma razão para justificar o próprio lado; a cada controvérsia, uma oportunidade de transformar política em torcida.

E torcida não exige coerência.

Exige apenas pertencimento.

Talvez por isso seja tão fácil transformar cidadãos em plateia e representantes em celebridades.

A política deixa de ser uma conversa sobre o destino coletivo e se transforma em uma disputa permanente por atenção.

Quem grita mais alto parece mais presente.

Quem viraliza parece mais relevante.

Quem provoca mais reações parece ter mais razão.

Mas existe uma pergunta bastante incômoda que todo apaixonado deveria fazer de vez em quando: e se aquilo que defendo estiver errado?

Essa pergunta não é traição.

É maturidade.

É humildade intelectual.

Pensar criticamente não significa abandonar princípios, mas submetê-los à prova.

Significa reconhecer que nenhum político deveria ocupar, dentro da nossa cabeça, um espaço que pertence à nossa própria consciência.

Porque, quando entregamos a nossa capacidade de pensar por conta própria em troca da confortável sensação de pertencer a um lado, deixamos de ser cidadãos e passamos a ser consumidores de narrativa.

E talvez seja justamente esse o grande negócio dos políticos-influencers: não vender ideias, mas vender pertencimento.

Enquanto houver apaixonados dispostos a receber o aluguel, sempre haverá quem produza conteúdo para manter o imóvel ocupado.

Quem não examina o próprio pensamento transforma opinião em prisÃO e convicção em carcereiro.

Carlos Eduardo Balcarse

A dúvida amadurece quando deixa de duvidar apenas da resposta e começa a duvidar do critério que a chamou de CERTA.

Carlos Eduardo Balcarse

Pensar por si mesmo começa quando conseguimos pensar CONTRA aquilo que gostaríamos de continuar pensando.

Carlos Eduardo Balcarse

O pensamento que não aceita ser PENSADO acaba, silenciosamente, pensando por nós.

Carlos Eduardo Balcarse

A mente não precisa MENTIR para nos enganar; basta que acreditemos nela sem interrogá-la.

Carlos Eduardo Balcarse

QUANDO A INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL COMEÇA A PENSAR POR NÓS

A inteligência artificial não precisa dominar o ser humano para diminuir sua autonomia. Basta que o ser humano deixe de dominar aquilo que delega a ela.

A grande questão do nosso tempo talvez não seja se as máquinas conseguirão pensar como nós, mas se continuaremos pensando quando elas puderem pensar por nós.

Pensar com uma máquina não é o mesmo que entregar à máquina aquilo que deveríamos continuar pensando.

A tecnologia pode ampliar a inteligência sem ampliar a consciência. Pode acelerar a resposta sem acelerar a compreensão. Pode entregar conhecimento sem entregar discernimento.

E aqui mora o periGO: aquilo que nos ajuda a PENSAR também pode, silenciosamente, começar a PENSAR por nós.

Quanto mais pronta a resposta, maior deveria ser nossa disposição para perguntar.

Porque uma resposta pode estar pronta sem estar certa.

Pode estar CERta e ainda nos tornar inCERTos sobre aquilo que realmente sabemos.

A inteligência artificial produz respostas. O problema começa quando transformamos produção em comprovação.

PRODUZIR não é PROVAR.

INFORMAR não é FORMAR.

RESPONDER não é compreender a PERGUNTA.

Saber utilizar uma ferramenta não significa saber avaliar aquilo que a ferramenta utiliza para nos convencer.

É por isso que tenho insistido, em minha produção acadêmica sobre discernimento, educação, metacognição e autonomia, numa diferença aparentemente pequena, mas decisiva: receber informação não significa conceder autoridade à informação.

A mente recebe.

A consciência percebe.

O discernimento pesa.

E aquilo que não PESAMOS pode acabar PESANDO sobre nós.

Talvez este seja o paradoxo da inteligência artificial: quanto mais inteligente se torna a ferramenta, mais inteligência precisamos desenvolver para não terceirizarmos a nossa.

Não devemos ter medo de máquinas que aprendem.

Devemos prestar atenção em seres humanos que desaprendem porque as máquinas aprenderam por eles.

DESaprender pode ser necessário para REaprender.

Mas desaprender a pensar para aprender a pedir respostas é outra coisa.

Quando perguntamos tudo, corremos o risco de deixar de perguntar a nós mesmos.

Quando terceirizamos todas as respostas, podemos terceirizar também as perguntas.

E quem terceiriza a pergunta talvez já tenha terceirizado parte do pensamento antes mesmo de receber a resposta.

Por isso, não basta prestar atenção na resposta produzida pela inteligência artificial.

É preciso prestar atenção na ATENÇÃO que estamos prestando à resposta.

Depois, é necessário ir além.

Precisamos observar os critérios com os quais julgamos aquilo que observamos.

Porque pensar sobre o pensamento ainda é pensamento.

Discernir exige decidir quanto poder aquilo que pensamos continuará tendo para pensar por nós.

A pergunta do futuro, portanto, não será apenas:

“O que a inteligência artificial consegue fazer?”

Será também:

“O que deixamos de conseguir fazer depois que ela começou a fazer por nós?”

A inteligência artificial pode ser uma extraordinária ferramenta de emancipAÇÃO.

Mas toda emancipAÇÃO tecnológica exige responsabilidade sobre a própria AÇÃO.

Caso contrário, aquilo que deveria ampliar nossa AUTOnomia poderá apenas automatizar nossa HETEROnomia.

A máquina não precisa nos substituir.

Basta que, pouco a pouco, substituamos a nós mesmos.

O verdadeiro desafio não é impedir que a inteligência artificial aprenda a pensar.

É impedir que o ser humano aprenda a NÃO pensar.

Porque talvez o maior risco da inteligência artificial não seja uma máquina adquirir consciência.

Talvez seja o homem, cercado de inteligência, abrir mão da própria.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

Menina teimosa


Escaladora de montanhas muito altas conhecida por ser inimiga do desfibrilador,
Incansável corredora das pistas que fleta com o eletrocardiógrafo,
Ela é afrontosa e sarcástica com o seu próprio karma,
Nos três poderosos pedidos para o gênio da lâmpada ela não pestanejou e pediu por ele  três vez seguidas,
Ela é duro na queda é rocha pura nos sentimentos, mas peca na insistência de construir seus castelos em cima da areia fofa.

Texto escrito em homenagem ao dia do Agente Comunitário de Saúde,em 04 de outubro de 2026.
Autora: Olívia Profeta 


Quem diria...


Quem diria que, um dia, teríamos uma data nacional para celebrar o Agente Comunitário de Saúde?


Quem diria que aquela profissão que, no início, era tantas vezes marginalizada, subestimada e até julgada por atender, sobretudo, pessoas simples e comunidades que mais precisavam de cuidado, um dia conquistaria reconhecimento e um lugar de destaque dentro da saúde pública?


Quem diria que, depois de tantas batalhas, tantas lutas, tantas reivindicações e tantas idas e vindas a Brasília, chegaríamos tão longe?


Quem diria que a nossa categoria alcançaria o patamar que alcançou, conquistando direitos, reconhecimento e respeito, e fazendo ecoar sua voz nos espaços onde antes quase não era ouvida?


E quem diria que, hoje, haveria quem olhasse para nós e dissesse que “ganhamos muito para pouco trabalho”?


Talvez essas pessoas não conheçam a nossa história. É preciso lembrar do início dessa história. Pois houve um tempo em que ser Agente Comunitário de Saúde era visto por alguns como “coisa de pobre”, “coisa de gente simples”, como se cuidar do próximo fosse uma profissão menor.


Mas foi justamente essa gente simples que ajudou a construir uma das profissões mais importantes da saúde pública brasileira.


O ACS conhece o território. Conhece as famílias. Conhece suas dificuldades, suas necessidades e, muitas vezes, suas histórias muito antes de elas chegarem a uma unidade de saúde.


Somos a ponte entre a comunidade e o serviço de saúde.


Somos presença onde, muitas vezes, o Estado ainda precisa chegar.


E, se hoje temos conquistas, direitos e reconhecimento, não foi por acaso. Foi resultado de luta.


Por isso, neste 4 de outubro, não celebramos apenas uma profissão. 


Celebramos uma história construída por milhares de homens e mulheres que, diariamente, colocam os pés nas ruas, enfrentam sol, chuva, distâncias, dificuldades e, acima de tudo, continuam acreditando que cuidar de pessoas é uma missão que vale a pena.


Que nunca nos esqueçamos de onde viemos.


Que valorizemos aqueles que lutaram antes de nós.


Que tenhamos coragem para continuar lutando pelo que ainda precisamos conquistar.


E que ninguém diminua a importância do nosso trabalho.


Porque ser Agente Comunitário de Saúde é muito mais do que ter uma profissão. É conhecer pessoas, reconhecer necessidades, criar vínculos e fazer da saúde um instrumento de transformação social.


Parabéns a todos os ACSs e TACSs!


Que a nossa história continue sendo escrita com luta, união, respeito, reconhecimento e, acima de tudo, compromisso com aqueles que mais precisam.


Feliz Dia Nacional do Agente Comunitário de Saúde!


4 de outubro,uma data para celebrar, mas também para lembrar que nenhuma conquista veio sem luta.


_(Olívia Profeta)_

Para vencer o temor,
primeiro passo é conhecê-lo

depois enfrentá-lo,
após assumir o controle,
mantê-lo nas rédeas curtas.

Comece a regar melhor os teus sonhos mais antigos, eles ainda não viraram pó.

ser cheio do Espírito Santo é ser a transformação que Ele gerou em nós, a Boa, e Perfeita Agradável vontade d’Ele, quando nos fez nova criatura. Perfeição do Espírito Santo a qual molda em nós caráter de Cristo, para viver das primícias, desfrutar da glória eterna.

A curadoria em arte é o processo de pesquisar, selecionar, interpretar e organizar as obras, os focos e a proposta da trajetória do artista para criar uma nova experiência de exposição coerente e cheia de significado. No entanto além do termo técnico propriamente dito, acredito que caiba ao curador estimular, incitar a curiosidade de novos grupos. Alguns que nunca tiveram a oportunidade de se enriquecerem com os processos criativos e outros que por invisibilidade nunca foram convidados. Cabe ao trabalho curatorial desenvolver novas indagações no meio da sociedade e resgatar diálogos que ate então, eram inexistentes.

Matemática!
Só de pensar em matemática, eu já me lembrava de um velho problema. Durante praticamente toda a minha vida escolar, até chegar à universidade, ela foi uma companheira difícil. Números, fórmulas e problemas pareciam falar uma língua que eu não conseguia compreender. E, talvez por isso, durante muito tempo imaginei que não levava jeito para aquilo.
Mas a vida tem dessas coisas: às vezes, precisamos envelhecer para compreender aquilo que, quando jovens, parecia impossível.
Depois dos sessenta anos, tive curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a história da matemática. Descobri que ela nasceu de necessidades simples do ser humano: contar, medir terras, organizar o tempo e compreender o mundo. No Egito e na Mesopotâmia, já fazia parte da vida das pessoas. Mais tarde, pensadores como Pitágoras ajudaram a transformá-la em uma ciência.
Quanto mais eu lia, mais percebia que a matemática nunca esteve apenas dentro dos livros escolares. Ela está nas compras, nas finanças, na cozinha, na tecnologia, no tempo, nas distâncias e até nas minhas caminhadas. Está em tudo aquilo que mede, organiza e dá sentido às coisas.
E então compreendi algo ainda mais importante: matemática não é sinônimo de inteligência.
Durante muito tempo, uma nota baixa em matemática me fez acreditar que eu não era suficientemente inteligente. Hoje sei que isso não é verdade. A inteligência não mora em uma única matéria. Há pessoas brilhantes com números e outras que brilham com palavras, arte, criatividade, sensibilidade, emoção ou capacidade de compreender o próximo.
Não ser bom em matemática não nos torna menos inteligentes. Cada pessoa carrega dentro de si uma maneira diferente de aprender, pensar e enxergar o mundo. Talvez o nosso talento esteja justamente em um lugar que a escola nunca conseguiu medir.
Ninguém é excelente em tudo. E talvez seja essa uma das maiores belezas de ser humano: somos incompletos, diferentes e, justamente por isso, capazes de aprender uns com os outros.
Às vezes penso que teria sido diferente se algum professor tivesse me dito isso quando eu era estudante. Talvez eu não tivesse olhado para a matemática como uma inimiga. Talvez tivesse entendido que uma dificuldade não define uma pessoa.
Hoje, quando olho para trás, percebo que a matemática deixou de ser apenas uma matéria que eu não compreendia. Tornou-se uma lição sobre a própria vida. Aprendi que não devemos medir a inteligência de uma pessoa apenas por aquilo que ela não consegue fazer, mas também por tudo aquilo que ela é capaz de realizar.
E foi assim que, depois de tantos anos, descobri uma conta que a escola nunca me ensinou: na matemática da vida, o nosso valor não está naquilo que nos falta, mas naquilo que somos capazes de somar ao mundo.
Peregrino Nino Carneiro

QUANDO A CERTEZA DEVERIA NOS DEIXAR DESCONFIADOS?

Certeza é confortável.

Ela encerra perguntas. Organiza decisões. Reduz ansiedade. Permite agir.

Não há nada de errado em possuir convicções.

O problema começa quando a sensação de certeza passa a ser utilizada como evidência da própria certeza.

“Tenho certeza” descreve um estado psicológico.

Não demonstra, sozinho, a qualidade das razões que produziram esse estado.

Podemos estar absolutamente certos e absolutamente errados.

Isso significa que quanto mais importante for uma decisão, menos deveríamos depender exclusivamente da intensidade subjetiva da convicção.

Talvez algumas certezas mereçam uma pergunta adicional: por que estou tão certo disso?

Tenho evidências fortes? Consultei fontes independentes? Considerei explicações alternativas? Estou confundindo familiaridade com verdade? Minha identidade depende dessa conclusão? Alguma evidência poderia me fazer mudar de posição?

Essas perguntas não destroem convicção.

Elas a testam.

E uma convicção que não suporta perguntas talvez não seja tão forte quanto parece.

A dúvida não é inimiga da certeza.

Às vezes é o teste que separa convicção de cegueira.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

QUANDO APRENDER EXIGE DESAPRENDER?

Aprender costuma ser imaginado como acrescentar.

Mais informações. Mais conceitos. Mais experiências. Mais repertório.

Mas existem momentos em que o crescimento intelectual depende de uma operação aparentemente contrária.

Retirar.

Uma explicação antiga pode ter sido útil e deixar de ser suficiente.

Um hábito mental pode ter funcionado em determinado contexto e tornar-se inadequado em outro.

Uma crença pode ter sido construída com as melhores informações disponíveis e precisar ser revisada diante de novas evidências.

Nesse sentido, desaprender não é esquecer.

É reavaliar a autoridade daquilo que já aprendemos.

Isso é muito diferente de apagar o passado.

Conhecimentos anteriores continuam participando da nossa história.

A questão é se continuarão governando nossas decisões.

Por isso, aprender a desaprender também é aprender.

Talvez seja uma das formas mais difíceis de aprendizagem.

Adicionar conhecimento novo pode ser prazeroso.

Retirar autoridade de uma certeza antiga pode atingir identidade, pertencimento e segurança.

O discernimento aparece justamente nesse intervalo.

Não devemos abandonar o antigo porque é antigo.

Nem preservar o antigo apenas porque nos trouxe até aqui.

Precisamos perguntar se aquilo que aprendemos continua merecendo o peso que recebe.

Aprender acrescenta possibilidades. Desaprender retira obrigações. Discernir decide o que permanece.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

POR QUE UMA EXPLICAÇÃO SIMPLES PODE SER MAIS PERIGOSA DO QUE UMA RESPOSTA DIFÍCIL?

Gostamos de explicações simples.

Elas organizam o mundo. Reduzem incerteza. Criam sensação de compreensão.

O problema começa quando confundimos simplicidade com verdade.

Alguns fenômenos são realmente simples. Outros não são.

Quando comprimimos um problema complexo até ele caber confortavelmente em uma única causa, podemos ganhar clareza e perder realidade.

Pessoas raramente agem por apenas um motivo.

Fenômenos sociais raramente possuem uma única causa.

Decisões humanas misturam história, contexto, emoção, informação, expectativa e circunstância.

Uma boa explicação simplifica aquilo que pode ser simplificado sem destruir aquilo que precisa permanecer complexo.

Essa diferença exige discernimento.

Precisamos perguntar: “O que esta explicação deixou de fora para conseguir parecer tão completa?”

A pergunta é poderosa porque toda explicação seleciona.

Nenhum modelo contém a realidade inteira.

O perigo surge quando esquecemos que estamos diante de um modelo.

Uma explicação pode caber perfeitamente na nossa cabeça justamente porque uma parte da realidade ficou do lado de fora.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador