Pensamentos Mais Recentes
Seria
impossível Brincar com as Palavras temendo o Absurdo, temendo o Indizível.
As palavras nunca foram apenas instrumentos de comunicação.
Elas são também pontes, labirintos, espelhos e abismos.
Brincar com elas não é um ato de leviandade, mas de liberdade.
É permitir que a linguagem ultrapasse os limites do previsível e alcance aquilo que a lógica, sozinha, jamais tocaria.
O absurdo, tantas vezes rejeitado, pode ser justamente o lugar onde as certezas se desfazem e novas possibilidades surgem.
É no aparente contrassenso que descobrimos perguntas que jamais faríamos seguindo apenas o caminho da razão.
O indizível, por sua vez, não representa um fracasso da linguagem, mas um convite permanente à imaginação.
Há sentimentos, memórias e silêncios que nenhuma palavra consegue conter por inteiro, mas é justamente essa insuficiência que mantém viva a necessidade de continuar falando, escrevendo e criando.
Quem teme o absurdo acaba prisioneiro do óbvio.
Quem teme o indizível contenta-se apenas com aquilo que pode ser explicado.
E uma vida reduzida ao explicável perde o encanto do mistério, da poesia e da descoberta.
Talvez o verdadeiro sentido das palavras não esteja apenas naquilo que elas afirmam, mas também naquilo que insinuam.
Nos vazios entre uma frase e outra.
Nas metáforas que desafiam a lógica.
Nos paradoxos que revelam verdades incômodas.
Afinal, nem tudo o que faz sentido parece razoável, e nem todo absurdo está vazio de significado.
Brincar com as palavras é, no fundo, brincar com a própria realidade.
É reconhecer que o pensamento cresce quando se permite duvidar de si mesmo e que a liberdade de imaginar é uma das formas mais profundas de compreender o mundo.
O Medo do Absurdo empobrece a linguagem; a Coragem de enfrentá-lo transforma Palavras em Possibilidades e Silêncios em Reflexão.
Ó capitão, meu capitão
Nestas longínquas águas,
Nestes imensos mares,
Não mais me encontro...
Sei que não estou a deriva,
Já que sigo pra um caminho que sei qual é...
Mas não sei para onde me leva.
Nestes tempos tenho me encontrado em tempestades,
Em ruas sem saídas,
Em vales sombrios.
E, em todos eles, meu capitão, não me achei..
Entre ratoeiras e poeiras, entre armadilhas e realezas.
Não me encontrei.
Ó capitão, meu capitão,
Dos poemas larguei a mão,
mas da mão não larguei a mente.
E ela, forte como antes, não dormiu,
Mas eu a reneguei e a rejeitei.
Agora, ando-me só.
Acompanhado mas só,
com companhia mas desacompanhado,
me vejo numa grande ópera, imensa e bela. Linda como nenhuma antes, mas tão vazia e contaminada...
E não sei como sair, sei que quero, mas não sei por que porta sair.
E se eu sair e a ópera se reconstruir tão bela e formosa como é? E se, por menores chances que seja a reconstrução, se descontamine e se reforme por si só?
Sem as tramanhas e mesquinhas mãos dos piratas sujos, tropeiros e interesseiros.
Mas e se eu ficar e desabar? Ou me contaminar por achar que a reconstrução há de vir..
Como hei de ficar? Ó capitão...
Tens me instruído mas não tenho entendido...
Tens me segurado e guardado, mas como covarde e teimoso não te respaldo..
Falho mais que todos os outros..
Fraco mais que todos os outros..
Ó capitão, meu capitão, perdoa pelos tropeços,
Estes tão bravos mares me atormentam e me fazem recordar de momentos de perdição.
Canso-me destes mares e ainda mais dos que vejo pela frente.
Mas me cansas no que eu mesmo me coloquei, ó capitão, meu capitão.
Instrua-me uma última vez por estas bravas águas. Instrua-me e me faça passar pelo fogo, meu capitão.
Que juro-te minh'alma que me tornarei o mais valente e sábio dos mares.
2080 📜 "Não sei de nenhum caso em que Deus teve 'necessidade' de provar que Ateus existem (ou não). Será que Deus não existe? Ou Deus não se importa com esse tipo de 'necessidade'?
Não sei nada sobre a minha obra. Só sei que a escrevi. Durante cinquenta anos pude escrever tudo o que queria escrever.
Se você é coerente consigo mesmo, o resto é suportável. Eu suporto.
Escrever é ir em direção a muitas vidas e muitas mortes.
Considero ignorante quem não ousa se aproximar das coisas absurdas, do indizível.
Tudo de mais essencial do que pude dizer, eu escrevi.
Acho que todo escritor põe o mais verdadeiro de si no que escreve.
Acho que é muito difícil, nos tempos atuais, uma pessoa ser otimista.
2078 📜 "Ateus são aqueles que só existem porque Deus e Divindades existem. Mesmo assim, Ateus não querem que Deus e Divindades existam. É isso?"
Eu acho que a literatura vem desse conflito entre a ordem que você quer e a desordem que você tem.
Talvez eu seja uma pessoa com uma intensidade meio desesperada, uma lucidez também desesperada.
Eu acho que a vida transborda, não existe uma xícara arrumada para conter a vida!
É o processo da vida que é tão complexo! Eu não saberia simplificar esse processo para ser mais compreensível, é o meu próprio processo dificultoso de existir que faz com que venha essa avalanche de palavras, umas assim barrocas demais, e que tudo seja misturado.
No mundo de hoje só um louco é que não pode pensar em utopias. Temos que desejar a utopia, sonhar com a utopia.
Acho isso impensável: existir.
Eu sempre vi o mundo de uma forma mágica, eu vivo em um estado de comoção contínua, renovada, diante das coisas…
É preciso estimular a mente do outro. Nem que esse outro não entenda direito, não tem importância. O estímulo foi dado.
O que faz nascer a minha poesia é a não aceitação de que um dia a vida se diluirá e, com ela, o amor, as emoções do sonho e toda essa força em potencial que vive dentro de nós.
