Pensamentos Mais Recentes

O invisível que carrego dentro de mim ocupa o espaço onde eu deveria estar, e observa-me quando tuestás perto de mim, e
ainda assim não posso tocá-lo.

Rosa Morena



Cada detalhe daquele vermelho encanta;
A textura, a intensidade,
O sorriso que sai do meu rosto,
Quando meus olhos encontram a luz que reflete dela.
Como pode a natureza produzir alguém tão bela?



Seus espinhos a mantiveram viva;
No jardim de rochas por onde passou,
E agora que assumi a missão
de cultivar você em meu jardim;
A certeza de vez ou outra espetar o dedo,
Não me espanta.




Pois logo você vai perceber que seus espinhos,
Não são mais necessários.
Pois todo meu jardim foi criado,
para receber você.

Quando o Texto Me Lê

Eu pensei que escrevia
para dizer ao mundo.
Mas escrevo
para escutar
o que ainda não sei.

A palavra sai achando
que sabe o caminho,
desfila segura,
convencida.

Até que eu volto.
Leio.
E o texto me olha de volta.

Ler o que escrevi
é chegar atrasado
a mim mesmo.
Um espelho sem rosto,
só gesto,
só intenção escancarada.

O medo se esconde
em frases longas,
cheias de vírgulas,
com medo do fim.

A coragem aparece
sem alarde,
num verbo simples
que não pede desculpa.

Enquanto escrevo,
defendo ideias.
Quando leio,
negocio com elas.

Descubro palavras
que não eram minhas
apenas passaram.
E verdades pequenas
que se sentaram
e ficaram.

O texto pergunta,
com ironia mansa:
Era isso mesmo?

Às vezes dói reler.
A genialidade de ontem
vira eco vazio hoje.
Outras vezes assusta:
fui eu
que escrevi isso?

Sim.
Fui eu.
Naquele dia.
Com aquele peso.
Com aquela lucidez possível.

O texto não mente:
ele registra o movimento.

Escrever não acaba
no ponto final.
Começa
quando o autor
vira leitor.

Ali,
o texto também escreve.
Aponta.
Ensina.
Cutuca.

Não grita.
Mas fica.

Quem não relê
perde metade da aula.
Porque escrever é falar.
E reler
é escutar.

E quase sempre
é na escuta
que a gente aprende.

No fim,
eu queria ensinar alguém.
Mas o papel, paciente,
me mostrou:

o aluno
era eu.

Pedras

As pedras nunca perguntam nosso nome.
Elas apenas estão espalhadas no caminho, acumuladas nos bolsos invisíveis da vida, empilhadas no peito quando o dia pesa demais.

Há pedras que tropeçam a gente. Pequenas, traiçoeiras, quase invisíveis. São as palavras mal ditas, os olhares que ferem sem tocar, as ausências que chegam antes da despedida. Outras são enormes, do tamanho de um não definitivo, de um sonho interrompido, de uma porta fechada por dentro.

Aprendi cedo que pedra não escolhe quem encontra. Rico ou pobre, descalço ou de sapato caro, todo mundo tropeça. A diferença está no que se faz depois da queda.

Tem gente que senta na pedra e faz dela morada. Constrói casa de lamento, coloca cortina de desculpa, serve café de amargura. Vive ali, endurecendo junto, confundindo peso com destino.

Mas há quem recolha a pedra com cuidado. Observe seus cantos, sinta sua aspereza, reconheça o machucado que causou e sigui. Algumas viram degraus. Outras, fundação. Algumas, quando lançadas longe, ainda fazem barulho ao cair, como se protestassem contra a própria inutilidade.

As pedras também guardam memória. Sabem onde a gente caiu, onde sangrou, onde quase desistiu. Por isso doem tanto quando reaparecem no mesmo trecho do caminho. Elas lembram: você já esteve aqui.

E mesmo assim, seguimos. Com os pés calejados, com a alma aprendendo a pisar melhor. Porque, no fim, o caminho não é feito só de chão liso. É feito de pedras que nos ensinaram equilíbrio, força e escolha.

Talvez a vida seja isso:
não a ausência de pedras,
mas a arte de decidir
quais carregamos,
quais usamos para subir
e quais deixamos onde estão
para que não sejamos nós
a endurecer primeiro.

Minhas cicatrizes são os relevos de um mapa que me trouxe até aqui, lugares onde a vida tentou me interromper e eu respondi com a teimosia de continuar sentindo. Elas não são feias, são a prova de que a alma, embora frágil, possui uma arquitetura capaz de suportar terremotos.

O amor que não se conta

Há amores que não se anunciam.
Não porque sejam pequenos, mas porque são grandes demais para o barulho do mundo.
Vivem no silêncio confortável do peito, onde ninguém entra sem permissão.

É um amor que se reconhece no instante do encontro.
Quando os olhos veem a amada, o dia muda de tom.
O tempo desacelera.
O coração que fingia normalidade entrega-se sorrindo.

Esse amor é feliz em detalhes.
No jeito como ela caminha,
na curva distraída do riso,
na voz que chega antes da presença.
E quando a noite vem, eu sonho.
Um sonho tão profundo que acordo com o cheiro dela no ar, como se o sonho tivesse atravessado a realidade.

Ninguém sabe.
E talvez seja por isso que eu seja tão inteiro.

Quando estou longe, a saudade não pede licença.
Ela se instala no peito como uma casa antiga,
abre as janelas da memória
e deixa o vento passar por tudo o que foi sentido.

É uma saudade grande, quase física.
Daquelas que apertam o coração sem machucar,
porque doem de amor, não de ausência.

Esse amor não precisa de testemunhas.
Ele existe porque vive.
Porque pulsa.
Porque transforma dias comuns em eternidade breve.

É um amor que não se conta a ninguém.
Mas que conta tudo para quem sente.

"Enquanto marcas são rótulos passageiros, a história de vida é o que define o caráter. A elegância autêntica não depende de uma grife, ela se revela de forma silenciosa, porque é tecida na coerência entre quem se é e o que se projeta ao mundo."

A dona dos meus dias


A dona dos meus dias chega sem aviso, faz do tempo um lugar 
mais lento e bonito.
Quando sorri, 
o mundo aprende a respirar,
e tudo em mim encontra 
um motivo pra ficar.


Ela mora nos detalhes 
que ninguém vê:
no silêncio que conforta, 
no jeito de entender.
É porto seguro em meio à confusão,
é calma vestida de amor, 
batendo no meu coração.


Se um dia eu me perder nas curvas da vida, que seja nos braços dela, minha direção escolhida.
Porque amar assim 
não é acaso ou poesia:
é destino escrito 
— ela, a dona dos meus dias.

Se um dia o tempo me faltar,
que reste ao menos a certeza:
fui inteiro por alguém
que foi, sem saber, a dona dos meus dias.

Num peito antigo
um poema repousou
exigindo a sua
última morada.

Quebra-cabeça raro



Meu coração é uma caixa antiga,
dessas cheias de segredos e fechaduras falsas.
Não se abre com força, nem com pressa,
exige paciência, silêncio e tentativa.
Cada erro ensina, cada pausa revela
que amar aqui é decifrar, não invadir.


Há códigos escondidos nos meus gestos,
pistas espalhadas no jeito que eu fico,
nas palavras que digo pela metade.
Quem me ama precisa montar peça por peça,
aceitar que nem todo encaixe é imediato
e que algumas respostas só surgem
depois de muito sentir.


E quando alguém, enfim, entende o enigma,
não encontra facilidade —
encontra verdade.
Porque meu amor não é simples,
é um quebra-cabeça raro:
cansa, desafia, confunde…
mas quando se completa,
faz todo o esforço valer a pena.

In an ancient heart, a poem rested, demanding its final resting place.

⁠Há segredos escondidos nas suas pausas,
senhas disfarçadas no jeito que me olha.
Nada se abre à força —
é preciso errar, voltar, tentar de novo.
Como todo quebra-cabeça raro,
o valor não está na resposta,
mas no tempo que a gente aceita gastar.

Você é um enigma deixado sobre a mesa do meu peito, uma caixa antiga sem manual, cheia de símbolos que não se repetem.
Cada gesto seu muda a ordem das peças, e eu quebro a cabeça, não por falta de entender, mas porque decifrar você exige mais sentir do que pensar.

Para ser sólido, o amor precisa da lentidão. Ele deve brotar do solo fértil da amizade, onde não há máscaras nem a urgência de impressionar. É no cotidiano, observando as reações aos imprevistos, o tom de voz usado com os desconhecidos e o cuidado com os pequenos detalhes, que a alma de alguém se revela.
A verdadeira beleza de um relacionamento não está no "parecer", mas no "ser". Quando permitimos que o convívio aconteça sem pressa, damos espaço para a consistência aparecer. Afinal, ninguém consegue fingir por muito tempo; o caráter se manifesta na repetição das atitudes. Amar é, acima de tudo, ter a paz de saber que a pessoa ao seu lado é exatamente quem ela demonstra ser, sem truques ou artifícios, permitindo que o sentimento cresça sobre a rocha da verdade e não sobre a areia das aparências.

Dono dos meus dias


Sob o horizonte infinito do Morro do Gavião, contemplo sua beleza e sinto o peito transbordar gratidão.


Entre o brilho das águas da Represa de Chavantes e o calor dos teus braços, meu Alexandre, eu floresço: sinto-me gigante, elegante, radiante.


No silêncio sagrado da Pedra do Índio, encontro-me amada e renovada por você — o dono da minha vida, a quem amo sem medidas.


Autora: Priscila da Silva Oliveira Orphanides.

Quando o ser humano foge da compreensão, aí ele está se compreendendo e percebe o risco disso.

A senha do coração


Meu coração não abre com promessas,
ele pede gestos pequenos,
como quem gira a chave devagar
para não acordar o passado.
Cada batida é um código vivo,
feito de silêncios respeitados
e presenças que sabem esperar.


Quem tenta forçar a entrada se perde,
porque aqui amor não é invasão,
é reconhecimento.
É saber ler os sinais nas entrelinhas,
tocar sem ferir,
ficar sem possuir,
como quem acende uma luz
e não apaga a sombra.


E quando alguém descobre a senha,
não encontra um prêmio —
encontra responsabilidade.
Porque amar meu coração
é aceitar suas rachaduras como janelas,
seu medo como aviso
e seu amor como casa:
não se entra para passar,
entra-se para permanecer.

É você...


É você quando o mundo pesa
e alguém fica.
Quando o silêncio ameaça me engolir
e uma presença basta para me lembrar
que ainda existe chão sob os pés.
Você não chega fazendo barulho,
chega ficando.


É você quando me entende sem tradução,
quando segura minha mão
antes mesmo de eu pedir ajuda.
No meio do meu caos,
é abrigo.
No meio das minhas dúvidas,
é certeza tranquila,
daquelas que não precisam prometer nada.


E talvez seja isso que mais importa:
você não me salva —
me acompanha.
Não me ensina a viver,
vive comigo.
Veio sem aviso, sem plano, sem pressa…
e ficou,
como quem escolhe todos os dias.

Há um lugar



Carrego uma terra inteira dentro do peito, não feita de mapas,
mas de lembranças que
insistem em voltar.
Há um lugar onde tudo soa mais vivo, onde o vento sabe meu nome
e o silêncio não pesa.


Aqui, as coisas existem,
mas não me reconhecem.
O céu é o mesmo, dizem,
mas não brilha igual ao
que mora em mim.
Sinto falta até do que nunca toquei,
porque a ausência também aprende a criar raízes.


Que eu não me perca antes de voltar,
nem desaprenda o caminho daquilo que me forma.
Que eu ainda veja,
nem que seja por dentro,
o lugar onde meu coração repousa.
Porque há saudades que não pedem distância —
pedem reencontro.

Não é jogar fora certos pensamentos, é afiar os que devem ser lançados e estruturados como material físico

Me pergunto



Às vezes me pergunto se sou escolha ou consequência,
se minhas paredes foram erguidas por mim
ou levantadas à força pelas mãos que partiram.
Não sei se sou frio (a),
ou se apenas aprendi a não queimar mais por ninguém.


Não sei se gosto do silêncio
ou se ele foi a única resposta quando precisei falar.
Talvez eu não seja forte —
talvez só tenha continuado
porque parar
ninguém percebeu que doía mais.
Entre pedidos não atendidos,
fui virando ausência dentro de mim.


E se no fim eu não for vazio (a),
apenas cheia demais de marcas?
Não feita de falhas,
mas moldada por tudo que sobrevivi.
Talvez eu não seja o que me tornei —
talvez eu seja o que restou
depois que o mundo tentou me quebrar.

⁠Noutros tempos, eu também já tropecei em vários infortúnios: o mais desonesto deles era me preocupar com opiniões alheias.


Alguns vinham disfarçados de acaso, outros de destino.


Mas o maior deles não caiu do céu nem brotou do chão:
nasceu do excesso de atenção às opiniões alheias.


Enquanto eu media meus passos pelo olhar dos outros, perdia o ritmo do que realmente era meu.


Cada julgamento externo virava régua,
cada expectativa alheia, uma pedra a mais nos ombros…


Mas não era o mundo que me limitava — era eu, entregando minha autonomia à aprovação de quem não podia caminhar meus passos, ainda que suportasse o peso das minhas sandálias.


É curioso perceber que o medo de desapontar
quase sempre nos faz abandonar a nós mesmos.


E, nessa tentativa constante de agradar,
vamos nos desencontrando do que sentimos, pensamos e somos.


O dia em que compreendi isso foi muito menos Libertador do que Honesto.


Doeu admitir que muitas quedas não foram empurrões,
mas escolhas deliberadas feitas para caber em opiniões que nunca me pertenceram.


Hoje, quando tropeço, sei diferenciar:
há infortúnios que ensinam,
e há distrações que aprisionam.


Preocupar-se demais com o que pensam de nós
é uma das mais silenciosas —
porque parece prudência,
mas cobra o preço da própria liberdade.


Definitivamente, é impossível bancar um aluguel tão caro por um imóvel sem a menor condição de habitar: a aprovação alheia.

"...mas eu não estou sozinho, o deserto me acompanha! "

Justiça Injusta


Demétrio Sena - Magé


Quando monstros detém os tribunais,
outros monstros terão impunidade;
quanto mais injustiças na justiça,
mais verdades pra dentro dos bueiros...
Se nos fóruns estão os mentirosos,
a mentira não perde pra ninguém,
porque são enganosos os processos,
todo bem é vencido pelos maus...
Há juízes de mais com mau juízo;
muito guizo indicando quem dá mais
pra colar inocência em sua culpa...
Magistrados gulosos e tiranos
tiram anos de vida do inocente;
dão mais vida e direitos aos culpados...
... ... ...


Respeite autorias. É lei