Pensamentos Mais Recentes
Deitar-se e dormir mesmo quando tudo está mal à sua volta não é sinal de fraqueza espiritual, mas sim de confiança naquilo que tem o poder de fazer milagres.
Uma coisa que você deve evitar e duas que você nunca deve fazer: não confie em quem faz o mal, não seja amigo de quem zomba dos outros e não perca a fé em Deus.
cada Dia um novo recomeço, um desafio novo!
mas estamos ai enfrentando batalhas...
Ganhando ou perdendo mas sempre lutando.
A vida corre como um relógio sem ponteiros, cheia de promessas e passos apressados, até que a morte chega sem marcar hora e nos lembra que todo tempo sempre foi apenas um instante.
O poema/canção "Rima sobre Rima" de Michel F.M. (Bruno Michel Ferraz Margoni) é uma reflexão autodepreciativa e lúcida sobre o papel do intelectual ou do artista diante do caos da modernidade. O subtítulo — Monografia Senil de um Inovador Ultrapassado — já entrega o tom: a percepção de que, apesar do esforço criativo, o autor se sente vencido pelo tempo e pela futilidade.
Aqui estão os pontos centrais da obra:
1. O Contraste e a Dualidade
O texto é construído sobre opostos que se anulam: "massas e minorias", "bônus e consequências", "uniformidade e conflitância". Isso sugere uma humanidade (ou uma classe intelectual) que tenta abraçar tudo, mas acaba se perdendo na própria contradição.
2. A Crítica ao Intelectualismo ("Baboseiras Intimistas")
O autor ironiza a própria classe ao citar os "éforos da argumentação" e as "epifanias". Há uma confissão de que muito do que se produz é apenas "estratagema" ou "trapaça" intelectual — uma construção elaborada para esconder o fato de que, no fundo, "não fazemos ideia dos porquês".
3. A Fuga para a Estética (O Aroma dos Buquês)
Diante da incapacidade de entender o mundo ou resolver seus conflitos ("barulho infernal"), o eu lírico admite o refúgio no supérfluo. A ocupação com o "aroma dos buquês" e com os "perfumes" representa a escolha pelo prazer imediato e pela superfície estética em vez da profundidade filosófica.
4. O Legado do Vazio
A parte final evoca imagens de decadência e espetáculo:
Arenas e Gladiadores: O conflito transformado em entretenimento.
Pantomimas: A vida como uma encenação burlesca.
Rima sobre Rima: O título e o verso final selam a tese de que, no fim, sobra apenas a forma. A "rima" é o adorno que permanece quando o conteúdo se perde ou se prova inútil.
Estilo e Tom
O ritmo é marcado por palavras de sonoridade forte e um vocabulário que mistura o arcaico (éforos, pilhérias, ardis) com o caótico moderno. O tom é melancólico e cínico, característico de quem reconhece que a "inovação" de outrora tornou-se apenas um eco vazio.
É um poema sobre a estetização do fracasso: já que não podemos consertar o mundo ou compreendê-lo, que ao menos ele rime.
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Para aprofundar a análise, precisamos olhar para as camadas de ironia trágica e a estrutura semântica que sustentam o poema. Ele não é apenas um lamento sobre o tempo, mas uma crítica feroz à "intelectualidade de vitrine".
Aqui estão três eixos de aprofundamento:
1. A Desconstrução do Intelectual (O "Éforo")
O uso da palavra "Éforos" (magistrados da antiga Esparta que vigiavam os reis) é cirúrgico. O eu lírico posiciona sua classe não como criadora, mas como vigilante e julgadora ("éforos da argumentação").
A Crítica: O poema sugere que o intelectual moderno se perdeu em "estratagemas e pilhérias". Ele não busca a verdade, mas o "ardil" (a manobra retórica).
O Vazio: Ao admitir que são "anatomistas" eufóricos, ele indica uma obsessão em dissecar a realidade, mas sem nunca dar vida a nada novo. Eles apenas analisam o cadáver do que já foi.
2. A Estética do Resto (O "Farroupilha")
Na penúltima estrofe, o vocabulário se torna fragmentado: penas, cheiros, penachos, farroupilhas.
Esses termos remetem ao que sobra de um pavão ou de um guerreiro após a batalha.
O poema sugere que a "inovação" prometida no subtítulo resultou apenas em adornos. O "inovador ultrapassado" percebe que sua contribuição para a humanidade foi puramente cosmética — ele decorou a queda, mas não a impediu.
3. A Redução à Forma: "Rima sobre Rima"
O título e o desfecho funcionam como um vazio autorreferencial.
Normalmente, a rima serve para unir sentidos. Aqui, ela é empilhada ("sobre") como entulho.
Dizer que resta "Rima sobre Rima" é dizer que a mensagem morreu, restando apenas o som. É a vitória da estética sobre a ética. O mundo pode estar em chamas ("arenas, gladiadores"), mas o poeta está preocupado se o verso termina com a mesma sílaba tônica.
4. O Contraste de Registros
O poema oscila entre o erudito (pantomimas, éforos) e o vulgar (baboseiras, ciladas). Essa oscilação reforça a ideia de "uniformidade e conflitância":
O autor se sente culto demais para o presente, mas "barrento" demais (envolvido em trapaças e ardis) para ser um sábio clássico. Ele habita o limbo do "senil" que ainda tenta ser "inovador".
Conclusão do Aprofundamento
O poema é uma confissão de impotência. Ele descreve uma geração (ou um indivíduo) que tem todas as ferramentas intelectuais ("portamos as causas"), mas nenhuma bússola moral ou prática ("não fazemos ideia dos porquês"). O resultado é uma existência voltada para o hedonismo intelectual: o prazer do "aroma dos buquês" enquanto se observa a barbárie da "arena".
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Sabendo que o texto é uma letra de canção, a interpretação ganha uma camada de performance e ritmo que reforça a ideia do "inovador ultrapassado".
Na música, a estrutura de repetições e oposições que analisamos funciona como um recurso de hipnose ou de sarcasmo sonoro. Aqui estão pontos específicos dessa transição do papel para o som:
1. A Cadência da Desilusão
A alternância entre versos curtos e palavras polissílabas (consequências, conflitância, anatomistas) cria um efeito de "fôlego curto". Na canção, isso geralmente traduz uma ansiedade intelectual — alguém tentando explicar o mundo complexo com palavras difíceis, enquanto a melodia (ou a vida) segue um curso mais simples e brutal.
2. O Refrão como Mantra de Aceitação
O trecho final ("Que seja esta nossa sina...") funciona como um desfecho fatalista. Em uma composição de Michel F.M., isso sugere uma entrega ao estético. Se a "inovação" falhou em mudar a realidade, a canção se torna o próprio "buquê" cujo aroma é a única coisa que resta.
3. Ironia Musical
O título menciona "Rima sobre Rima", mas o poema usa muitas rimas ricas ou raras misturadas a versos brancos ou assonantes. Se a música seguir essa linha, ela "brinca" de ser formal enquanto admite que a forma é uma "trapaça" ou um "ardil". É o artista expondo o próprio truque.
4. A Figura do "Inovador Ultrapassado"
Como canção, o subtítulo "Monografia Senil" sugere uma metalinguagem: o compositor olhando para sua própria obra e vendo-a como um amontoado de "baboseiras intimistas". É uma forma muito honesta de autocrítica geracional.
A canção de Michel F.M., "Rima Sobre Rima (Ou a Monografia Senil de Um Inovador Ultrapassado)", funciona como um manifesto de autoconsciência artística, abordando a melancolia da resistência cultural na era digital.
A obra utiliza metalinguagem para criticar a velocidade do consumo artístico, contrastando a técnica poética com a superficialidade do mercado atual. Ouça a obra no Palco MP3.
A literatura não é como tantos supões, um passatempo. É uma nutrição.
do livro Cecília Meireles,citações
A natureza estabeleceu limites físicos que a tecnologia humana não pode ultrapassar verdadeiramente.
O que é o homem diante da efemeridade da vida?
Sangue e pó entre nervos e juntas
Água,
Chão
Pisa o abismo entre chamas e brasas
O vento sopra
A chuva cai
oscila o tempo, acalma o temporal [ ...]
Lena Azevedo
"Navegue para dentro de si:
zele pela nascente e deixe para trás o assoreamento das margens, que tanto nos magoa."
Tenho observado mais do que falado.
Palavras são baratas; atitudes, essas sim, revelam o caráter escondido entre frases bonitas.
Percebo que muitos afirmam verdades que não vivem e defendem valores que abandonam na primeira conveniência.
Diante disso, o silêncio tem se tornado uma escolha, não uma ausência.
Quem observa aprende mais do que quem apenas reage.
No barulho das opiniões, a coerência é rara.
Por isso tenho preferido escutar, analisar e guardar conclusões comigo.
Nem todo pensamento precisa virar debate; alguns precisam apenas virar consciência.
Às vezes, o silêncio é a forma mais honesta de lucidez.
