Pensamentos Mais Recentes
"Não sou santo, mas também não sou um pecador ao ponto de causar dano à vida de alguém. Se prejudiquei alguém nessa vida, foi a mim mesmo. E se devo algum pedido de perdão, é a Deus e não a terceiros. Enquanto isso, a minha consciência repousa no sono dos justos."
"Chegará o tempo em que o caos no inferno se tornará incontrolável e o diabo pedirá ajuda aos anjos."
As Virtudes
Sabedoria,
Coragem,
Justiça e
Temperança;
Valores a serem estabelecidos
e trabalhados.
Alessandro Bous'T
"O poder, seja ele político ou financeiro, nunca é gratuito;cobra um preço proporcionalmente alto de quem o
detém ou de quem o busca."
O Duque
"Impressionante como algumas pessoas acumulam meio século de vida, mas a autopercepção continua parecendo um desenho animado de domingo de manhã."
"Idade avançada com visão de mundo infantil não é charme, é síndrome de Peter Pan com prazos vencidos."
A TERCEIRIZAÇÃO DA CONSCIÊNCIA
O homem terceirizou quase tudo.
Terceirizou o trabalho, a memória, as escolhas, os caminhos, os relacionamentos e, aos poucos, começou a terceirizar aquilo que jamais poderia entregar a outro: a própria consciência.
Hoje não perguntamos apenas o que pensamos. Perguntamos ao mundo o que devemos pensar sobre aquilo que pensamos.
Consultamos algoritmos para decidir o que assistir, avaliações para decidir onde comer, tendências para decidir o que vestir, influenciadores para decidir o que desejar e a aprovação alheia para decidir quem devemos ser.
Criamos uma sociedade cheia de informação e cada vez mais vazia de discernimento.
O problema não é termos acesso ao mundo. O problema começa quando o mundo passa a ter acesso ao governo de nós mesmos.
Privatizamos a intimidade e terceirizamos o próprio governo.
E talvez essa seja uma das formas mais silenciosas de escravidão contemporânea: continuamos acreditando que estamos escolhendo justamente quando nossas escolhas já estão sendo escolhidas por nós.
Nunca tivemos tantas respostas disponíveis.
Talvez por isso estejamos desaprendendo a fazer perguntas.
Nunca tivemos tanta informação.
Talvez por isso tenhamos tanta dificuldade para transformá-la em conhecimento.
E nunca falamos tanto em consciência enquanto entregamos nossa atenção, diariamente, para quem aprendeu a comercializá-la.
Os algoritmos estão ditando o ritmo de nossas vidas.
Não porque sejam necessariamente nossos inimigos, mas porque descobrimos que é mais confortável obedecer ao que nos recomenda do que discernir aquilo que realmente queremos.
A guerra atual é, antes de tudo, mental.
Disputa-se atenção.
Disputa-se percepção.
Disputa-se desejo.
Disputa-se interpretação.
E quem consegue determinar aquilo a que você presta atenção começa, silenciosamente, a participar daquilo que você pensa.
Por isso:
Preste atenção na atenção que você está prestando.
Sua atenção não é apenas uma função cognitiva. É território existencial.
Aquilo que captura repetidamente sua atenção começa a ocupar sua mente; aquilo que ocupa sua mente influencia sua percepção; aquilo que influencia sua percepção interfere em suas escolhas; e escolhas repetidas acabam escrevendo aquilo que chamamos de vida.
Tempo é vida. Atenção é vida direcionada.
Quando entregamos indiscriminadamente nossa atenção, não estamos simplesmente perdendo tempo. Estamos entregando fragmentos de existência.
O homem contemporâneo não precisa necessariamente ser proibido de pensar.
Basta mantê-lo ocupado demais para perceber que não está pensando.
Porque pensamento sem processamento ou é nulo ou é limitado.
Receber informação não significa compreendê-la.
Compreender não significa discerni-la.
E ter consciência de alguma coisa não significa possuir autonomia diante dela.
É exatamente nesse intervalo que surge uma questão fundamental: quem está pensando aquilo que você chama de seu pensamento?
A pergunta incomoda porque ameaça nossa certeza de autonomia.
A mente recebe, associa, repete, racionaliza e muitas vezes transforma condicionamento em convicção.
Por isso digo:
A mente mente e o discernimento desmente.
E também:
O senso comum comumente mente.
Não porque toda percepção coletiva seja falsa, mas porque repetir uma ideia milhares de vezes não a transforma em verdade. Popularidade não é evidência. Viralização não é conhecimento. Convicção não é consciência.
Para pensar não basta pensar.
É necessário duvidar do que pensamos.
A dúvida, nesse sentido, não destrói o pensamento. Ela impede que o pensamento se transforme em prisão.
Existe diferença entre possuir pensamentos e possuir autoria sobre eles.
Talvez seja justamente aí que comece a terceirização da consciência: quando deixamos de examinar aquilo que entra em nossa mente e passamos a reproduzi-lo como se tivesse nascido dentro dela.
A consciência terceirizada não precisa de correntes.
Precisa apenas de estímulos suficientes.
Ela consome antes de compreender.
Reage antes de refletir.
Compartilha antes de verificar.
Julga antes de conhecer.
Escolhe antes de perceber por que escolheu.
E chama tudo isso de liberdade.
Consciência sem autoria é perceber a própria vida e continuar permitindo que outros a escrevam.
É por isso que discernimento não pode ser confundido com inteligência.
Uma pessoa pode possuir enorme capacidade intelectual e continuar prisioneira das próprias certezas.
Pode acumular informação e permanecer incapaz de distinguir fato de interpretação, necessidade de desejo, identidade de personagem, consciência de condicionamento.
O discernimento é o cimento do conhecimento.
Sem ele, acumulamos conteúdos que nunca chegam a constituir consciência.
Mas há algo além.
O discernimento é o fermento que permite a expansão da consciência.
Ele cria distância entre estímulo e resposta, pensamento e adesão, desejo e decisão, informação e verdade.
Por isso compreendo discernimento como a capacidade de criar uma distância entre aquilo que pensamos e aquilo que decidimos continuar pensando.
Essa distância pode parecer pequena.
Mas talvez nela resida uma das últimas fronteiras da liberdade humana.
O contrário da terceirização da consciência não é isolamento.
Não é rejeitar tecnologia, ciência, redes sociais, inteligência artificial ou conhecimento produzido por outras pessoas.
É recuperar autoria.
É voltar a utilizar ferramentas sem permitir que as ferramentas nos utilizem.
É consumir sem ser consumido.
Porque a lógica contemporânea parece repetir uma ordem silenciosa:
Consuma ou suma.
Eu proponho outra:
Discirna para não desaparecer dentro daquilo que consome.
A verdadeira autonomia não começa quando podemos dizer tudo o que pensamos.
Começa quando conseguimos perguntar por que pensamos aquilo que estamos prestes a dizer.
Talvez a maior revolução do nosso tempo não seja tecnológica.
Talvez seja interior.
Recuperar a consciência que terceirizamos.
Retomar a atenção que entregamos.
Questionar as certezas que herdamos.
Processar as informações que acumulamos.
Discernir os pensamentos que chamamos de nossos.
E reassumir a autoria da própria existência.
Porque quem terceiriza tudo pode ganhar eficiência.
Mas quem terceiriza a própria consciência corre o risco de passar a vida inteira vivendo uma vida que nunca chegou verdadeiramente a escolher.
Carlos Eduardo Balcarse
Escritor, pensador, psicanalista e pesquisador do discernimento, da consciência e da autoliderança
15 de setembro de 2026
Para acariciar o ego de tantos Políticos Apaixonados, só a enxurrada de Eleitores igualmente Apaixonados.
Há uma curiosa relação entre o Poder e a Paixão.
O Político Apaixonado por si mesmo precisa, quase sempre, de uma multidão igualmente Apaixonada por sua imagem.
Não basta governar: é preciso ser Admirado.
Não basta apresentar propostas: é preciso ser Aplaudido.
Não basta ocupar um cargo: é preciso transformar o cargo em palco e o eleitor em plateia.
E assim se estabelece uma espécie de romance coletivo, no qual a razão frequentemente perde espaço para a devoção.
O eleitor deixa de perguntar “o que ele fez?” e passa a perguntar “como alguém pode falar mal dele?”.
A crítica vira ofensa, a discordância vira traição e o político deixa de ser um representante temporário da sociedade para se tornar, aos olhos de alguns, uma espécie de personagem infalível.
O problema é que a democracia não foi feita para produzir fãs.
Foi feita para produzir cidadãos.
Político não precisa de amor incondicional; precisa de cobrança.
Não precisa de seguidores dispostos a justificar todos os seus erros; precisa de eleitores capazes de reconhecer acertos sem fechar os olhos para os abusos.
Afinal, quando a paixão política se torna maior que o compromisso com a verdade, o cidadão corre o risco de defender aquilo que, em qualquer outra circunstância, condenaria.
Talvez o maior perigo não esteja apenas no político que alimenta o próprio ego, mas no eleitor que entrega voluntariamente a própria capacidade de questionar.
Porque o poder se torna realmente perigoso quando encontra não apenas quem queira mandar, mas quem esteja disposto a acreditar em tudo.
No fim, a enxurrada de eleitores apaixonados pode até acariciar o ego de um político.
Mas somente uma sociedade consciente, crítica e disposta a pensar por conta própria consegue impedir que essa paixão transforme a política em culto — e o cidadão, em devoto.
Porque votar é escolher representantes.
Não é entregar a eles a nossa consciência.
Em meio a tantas pessoas que vivem de aparências, prefiro viver de acordo com as minhas próprias verdades.
Um dia Deus soube de mim.
E agora o que eu faço?
Antes eu andava escondido,
achando que ninguém via minhas quedas.
Agora Ele sabe meu nome,
sabe minha dor,
sabe meu endereço.
Quem é Ele?
É aquele que soube de mim
e mesmo assim ficou.
Não foi embora quando viu meu caos,
não se assustou com meu pranto.
Soube de mim
e me chamou de filho.
E agora o que eu faço?
Agora eu descanso,
porque quem não me esquecia
finalmente me encontrou.
(Saul Beleza)
Toda conquista profissional precisa ser comemorada, pois são frutos germinados com esforço, lutas e perseverança, contudo regada de força de vontade, o principal ingrediente.
A nossa flora nativa
é sempre tão gentil
que manda flores
até sem a gente pedir,
Se não se distrair
irá aprender a notar
as bromélias do ar.
“O aparente aparentemente mente; o discernimento não nega a aparência, investiga o que ela aparenta esconder.”
“Pensar é o primeiro ato de resistência; discernir é impedir que a própria resistência se transforme em novo automatismo.”
