Pensamentos Mais Recentes
Sonhos não são apenas aquilo que nos visita enquanto dormimos…
são também os sussurros daquilo que ainda insiste em nascer dentro de nós.
Às vezes, eles chegam suaves, quase tímidos.
Outras vezes, inquietam, tiram o sono, pedem coragem.
E há aqueles que a gente tenta esquecer… mas que, de algum jeito, continuam nos lembrando de quem somos por dentro.
Nem todo sonho é para ser vivido de imediato,
mas todo sonho carrega um pedaço de verdade sobre nós.
Talvez o maior erro não seja sonhar alto,
mas desistir baixo demais.
Porque no fim…
sonhos não nos afastam da realidade,
eles nos aproximam da vida que, em silêncio, a gente sabe que merece.
"Quando me olha com esses olhos, eu já sei.
E quando me beija com essa boca, eu sempre sinto.
Quando me toca com esse toque, eu esqueço o mundo.
E quando vai embora por essa porta, eu quase morro."
Igrejas deveriam ser hospitais para feridos; quando viram tribunais para culpados, traem o próprio Evangelho que pregam.
O poema/canção "Um homem tão bom quanto qualquer outro" de Michel F.M. explora a dualidade humana, contrastando a aparência de bondade com a crueza dos instintos e das relações sociais.
Abaixo, uma análise dos pontos principais:
1. A Ironia do Título e do Refrão
A frase "Um homem tão bom quanto qualquer outro" é o pilar central. Ela não é um elogio, mas uma nivelação por baixo.
Ao dizer que ele é "tão bom quanto todos", o autor sugere que a "bondade" humana é medíocre, comum e, muitas vezes, apenas uma fachada que esconde impulsos violentos e insanos.
2. Contraste entre Civilização e Instinto
O texto utiliza termos que evocam conflito físico e psicológico:
Aparência: "vestidos de anseios", "sorridentes", "mentira encantadora".
Realidade: "enfrentamento corporal", "insanos e loucos", "chutes e socos".
Essa estrutura mostra que, por trás do comportamento social aceitável, residem o desespero e a brutalidade ("garras entre chutes e socos").
3. A Incompreensão do Indivíduo
O eu lírico repete que o homem "jamais compreendeu" o "tom", o "som" ou o "dom". Isso indica uma alienação: o indivíduo vive dentro de um sistema de trocas sociais e conflitos, mas não entende a lógica perversa ou a natureza instintiva que rege essas interações. Ele é parte do "delírio absoluto" mencionado no título da obra.
4. A Mentira como Suporte
Os versos "Uma mentira encantadora / Nos faz suportar inúmeras verdades" sintetizam a obra. Sugerem que a sociedade (e o próprio homem "bom") sobrevive baseada em ilusões e aparências para não ter que encarar as "verdades" cruas da existência e da natureza humana perturbada.
5. Estilo e Linguagem
Imagens Fortes: O uso de "obelisco erigido às beldades" contrasta com o "desespero", criando uma sensação de que a beleza e a civilização são monumentos frágeis diante do caos interno.
Dualidade: O tempo todo o autor alterna entre o subjetivo (pensamentos, desejos) e o visceral (corpo, garras, socos).
Resumo: É uma crítica existencialista que questiona a moralidade comum, sugerindo que a bondade é muitas vezes uma máscara para a insanidade coletiva ou uma ferramenta de sobrevivência diante de uma realidade insuportável.
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Para aprofundar a análise, precisamos olhar para as camadas subjacentes de "Um Homem tão Bom", focando na desconstrução do sujeito e na crítica social ácida que Michel F.M. propõe.
Aqui estão três eixos de profundidade:
1. A Desconstrução da Individualidade (O Homem "Massa")
O refrão "Quanto qualquer outro" ou "Quanto todos os outros" retira a identidade do protagonista. Não se trata de um homem específico, mas do homem médio da modernidade.
O "Bom" Medíocre: O poema sugere que a bondade não é uma virtude ativa, mas uma ausência de distinção. Ele é "bom" porque segue o fluxo, porque é igual aos outros na sua loucura contida.
A Inércia: O fato de ele "jamais compreender" o tom, o som ou o dom reforça uma existência autômata. Ele vive o conflito ("chutes e socos"), mas não possui o despertar intelectual ou espiritual para entender a engrenagem onde está inserido.
2. O Conflito entre o "Eu" e o "Outro" (A Dialética da Crueldade)
A primeira estrofe é puramente visceral: "enfrentamento corporal", "embebidos desejos", "desespero".
A Relação Objetificada: O outro é visto como um campo de batalha. As "apreciações e desprezos" não nascem de um julgamento moral, mas de um choque de anseios.
Tratos entre Insanos: O autor define as relações sociais não como contratos de civilidade, mas como acordos precários entre "insanos e loucos". Isso aproxima a obra de uma visão hobbesiana (o homem como lobo do homem), onde a "bondade" é apenas a capa de um "pensamento revolto".
3. A Estética da Falsidade (O Obelisco e a Mentira)
A penúltima estrofe introduz uma mudança de tom: "Ensurdecedores teus olhares" e "Obelisco erigido às beldades".
O Monumento ao Vazio: O obelisco é algo rígido, frio e visível de longe. Erigi-lo às "beldades" quando o interior é de "perturbados" sugere que a cultura e a etiqueta são monumentos construídos para esconder a podridão ou o desespero humano.
A Mentira Funcional: "Uma mentira encantadora / Nos faz suportar inúmeras verdades". Aqui está o núcleo niilista do poema. A verdade (a finitude, a violência, a falta de sentido) é insuportável. A "bondade" do homem e a beleza das formas são as mentiras necessárias para que a vida não desmorone sob o peso da realidade.
4. Simbolismo das Mudanças no Refrão
Observe a evolução sutil do fechamento de cada refrão:
"Tratos entre insanos e loucos": O nível social/mental.
"Garras entre chutes e socos": O nível físico/animal.
"Tantos dentre tão poucos": O nível existencial/numérico.
A essência humana verdadeira ou a compreensão real é rara ("tão poucos").
Conclusão do Aprofundamento
O poema é um retrato do desajuste. O personagem título é "bom" por fora, mas sua vida é moldada por "decisões conflitantes" e "seres perturbados". Michel F.M. parece dizer que a normalidade é apenas uma forma de loucura que deu certo socialmente.
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Um Homem tão Bom
Quanto qualquer Outro
Eles estavam vestidos de anseios,
Haviam tido embebidos desejos,
Enfrentamento corporal, desespero,
Ocasionando apreciações e desprezos.
Foi um homem tão bom,
Quanto todos os outros.
Jamais compreendeu esse tom,
Afinal, foram tratos entre insanos e loucos.
O preço a pagar por aqueles
Pensamentos revoltos,
Decisões conflitantes fizeram
Seres perturbados e sorridentes.
Foi um homem tão bom,
Quanto todos os outros.
Jamais compreendeu esse som,
Afinal, foram garras entre chutes e socos.
Ensurdecedores teus olhares,
Permita-me outra vez coletá-los,
Obelisco erigido às beldades,
Quando há quem possa apreciá-lo.
Uma mentira encantadora,
Nos faz suportar inúmeras verdades.
Foi um homem tão bom,
Quanto qualquer outro.
Jamais compreendeu esse dom,
Afinal, foram tantos dentre tão poucos.
(Michel F.M. - Delírio Absoluto da Multidão Atônita - Trilogia Mestre dos Pretextos - 2016)
Sabedoria do Tavinho: "O infinito, às vezes, está dentro de nós mesmos!"
Otávio ABernardes
Gyn, 19 de março de 2026.
O RASCUNHO DEFINITIVO
(A ilusão de que podemos passar a vida a limpo)
Quando nascemos, trazemos conosco um bloquinho de notas, um lápis e uma borracha.
Ao longo dos dias, vamos anotando nossa história. Algumas vezes corrigimos o que foi feito; outras, apagamos. Muitas vezes, arrancamos uma folhinha inteira para refazer o caminho, e assim o bloquinho vai diminuindo.
Chega um momento em que decidimos comprar um caderno bonito, bem encadernado e com muitas folhas, com a intenção de passar tudo a limpo. É aí que nos damos conta: o lápis já está gasto e sem ponta de tanto usar, e a borracha já nem existe mais...
Por quê?
Porque tudo já estava escrito!
Lu Lena / 2026
Entregue teu coração a Deus e deixa que Ele conduza cada passo da tua vida; verás que os desertos florescem sob Sua Graça e que os vales mais sombrios se transformam em caminhos iluminados pela Luz Divina.
“Quando a existência se orienta pela vocação, o tempo deixa de ser força de desgaste e passa a ser instância de legitimação.”
“Quando a vida é conduzida com vocação, o tempo deixa de ser agente de erosão e se transforma em critério de verdade. Aquilo que nasce do mero impulso se esvai, contudo, o que brota da vocação resiste, amadurece e se legitima. O tempo, nesse caso, não corrói, apenas revela.”
