Quero um Homem que me Ame
Talvez Deus seja uma pergunta que o universo deixou dentro do homem para que ele jamais deixasse de procurar.
O homem ergue templos diante do desconhecido e depois confunde a arquitetura de sua esperança com a verdade do universo.
O caminho de Buda não exige que o homem possua o universo, apenas que aprenda a habitar a própria consciência.
O homem criou deuses para explicar o céu; talvez sua maior tarefa agora seja aprender a contemplar o céu sem exigir que ele lhe responda.
O homem teme o silêncio do universo e, muitas vezes, preenche esse silêncio com certezas que dizem mais sobre seu medo do que sobre o cosmos.
A psicologia descobriu que o homem não decide como imagina; o marketing descobriu como lucrar com essa descoberta; o Direito ainda investiga como protegê-lo sem negar sua liberdade.
O homem começa a ser livre quando ousa perguntar se os valores que recebeu merecem continuar governando sua vida.
Há um instante em que o homem deixa de obedecer às verdades recebidas e começa a escrever as suas próprias perguntas.
O homem raramente obedece à razão que proclama; primeiro é conduzido pelas paixões, depois convoca a inteligência para transformar seus desejos em argumentos e o Direito em justificativa.
O homem não é governado apenas pelas leis que o Estado escreve, mas pelas paixões que a consciência oculta; frequentemente, a razão apenas fornece ao desejo a linguagem sofisticada com que ele se absolve.
“A liberdade começa quando o homem deixa de ser objeto das vontades alheias e se reconhece como fim em si mesmo; o Direito existe, em sua forma mais elevada, para impedir que qualquer poder lhe retire essa condição.”
A razão não reina sobre o homem; muitas vezes apenas redige, em linguagem lógica, os decretos secretos de suas paixões.
O homem deseja certezas porque o desconhecido lhe parece um tribunal sem juiz; então inventa deuses, teorias e sistemas para preencher o silêncio.
Não é a ausência de respostas que assusta o homem, mas a possibilidade de que o universo não tenha obrigação alguma de fornecê-las.
O homem deseja conhecer o absoluto, mas carrega dentro de si uma razão construída para navegar apenas pelas margens do possível.
A autonomia começa quando o homem deixa de obedecer cegamente à tradição, ao medo e ao desejo e passa a interrogar a legitimidade de cada comando.
