Querer bem e uma Prece que se Reza por Alguem
"Arrecadar fundos é uma bela missão, mas perder a humanidade no caminho transforma qualquer boa ação em pura encenação."
Ser próspero é, antes de tudo, cultivar um caráter inabalável. A nobreza de uma vida íntegra é a moeda mais valiosa que existe.
Ser nobre é manter o caráter puro mesmo quando o mundo tenta nos corromper em troca de uma falsa prosperidade.
A disciplina racional é uma forma de liberdade porque reduz a dependência do indivíduo em relação ao acaso de seus próprios impulsos.
Uma sociedade que educa adequadamente suas crianças reduz a necessidade futura de converter a sanção em instrumento permanente de governo.
A música demonstra que a ordem pode tornar-se perceptível aos sentidos sem deixar de possuir uma estrutura racional.
O princípio de todas as coisas não pode ser simplesmente identificado com uma delas, pois aquilo que fundamenta o conjunto não pode depender integralmente de uma parte do próprio conjunto.
O fenômeno não esgota o fundamento: aquilo que aparece constitui apenas uma dimensão da realidade cognoscível.
Talvez uma das maiores injustiças que cometemos com o próprio coração seja exigir que ele se recupere dentro de um prazo. Como se a passagem dos dias fosse suficiente para reorganizar aquilo que uma decepção desarrumou por dentro.
"Habitar a normalidade de um corpo humano é ser a testemunha silenciosa de uma carcaça que se move por ordens divididas."
QUE A FOME NÃO ENCONTRE O CAMINHO DE VOLTA
Vi a fome sentada à mesa,
usando o prato de uma criança.
Comia as horas,
roía os domingos,
deixava os ossos do tempo
debaixo da cama.
A mãe mexia uma panela
onde a água sonhava ser feijão.
O menino desenhava um pão,
e o papel fazia um barulho
que ninguém tinha coragem de ouvir.
No meu Brasil,
houve quem dormisse cedo
para encurtar a distância
até uma refeição.
Mas a noite crescia,
esticava suas pernas sobre a casa,
e a manhã demorava
uma eternidade para chegar.
Depois, em tantas mesas,
o alimento voltou.
O arroz soltou pequenos sóis,
o feijão abriu suas janelas,
e uma criança largou o lápis
para segurar uma colher.
A mãe chamou pelo nome de cada filho.
A fome ouviu.
Recolheu sua cadeira
e saiu arrastando os pés.
Agora falam de uma caixa
que chegará à nossa porta.
Vem embrulhada em promessas,
com uma fita feita de amanhã.
Eu olho para ela
e penso nas mesas do meu povo.
Quem sabe o que dorme lá dentro?
E se houver uma mão
capaz de apagar o fogo?
E se aquele velho visitante
estiver dobrado entre os papéis,
esperando que alguém
lhe devolva a cadeira?
Meu medo atravessa a distância,
bate nas portas do Brasil,
encosta o ouvido nas cozinhas.
Quero ouvir pratos,
conversas,
uma criança perguntando
se ainda pode repetir.
Não quero ouvir outra vez
uma colher raspando o vazio.
Que abram essa caixa à luz do dia,
diante de quem conhece
o peso de uma panela sem comida.
Que cada promessa diga
o que fará com aquela mesa.
Meu povo já ensinou o pão
a encontrar o caminho de casa.
Que nenhuma mão
lhe troque o endereço.
Interpretaçâo:
Esse poema expressa a preocupação com quem já passou fome e o medo de que essas pessoas voltem a sofrer. Ele reúne a lembrança da privação, a alegria de ter comida novamente e a incerteza diante de uma mudança de governo.
O surrealismo transforma esses sentimentos em cenas impossíveis, mas que conseguimos sentir:
* “A fome sentada à mesa, usando o prato de uma criança”: a fome ocupa o lugar do alimento. A imagem da criança torna essa ausência especialmente dolorosa.
* “Comia as horas, roía os domingos”: a fome consome também o tempo, o descanso e a alegria. Até um domingo pode se tornar apenas mais um dia de espera.
* “A água sonhava ser feijão”: representa uma mãe tentando alimentar os filhos com recursos insuficientes. O desejo de oferecer comida está ali, mas falta o alimento.
* O menino desenhando um pão: a criança tem no papel aquilo que deveria ter no prato. O “barulho” desse papel é uma denúncia que incomoda quem a escuta.
* Dormir cedo e a noite se alongar: dormir aparece como uma tentativa de escapar da fome. Para quem espera uma refeição, o tempo parece não passar.
Quando “o arroz soltou pequenos sóis” e “o feijão abriu suas janelas”, a comida devolve calor, esperança e possibilidades à casa. A criança deixa de desenhar o pão e passa a comer: aquilo que era apenas desejo se torna realidade. A fome recolhendo sua cadeira representa o fim daquela privação.
A caixa embrulhada em promessas simboliza um futuro governo cujo conteúdo ainda não conhecemos. A embalagem pode ser bonita, mas o poema pergunta pelas consequências concretas: haverá alimento? As famílias estarão protegidas? A fome poderá voltar? Essas perguntas expressam um receio, sem afirmar que esse resultado acontecerá.
O trecho “meu medo atravessa a distância” mostra você longe do Brasil, mas ligado à vida de quem ficou. Seu desejo é ouvir os sinais simples de uma casa alimentada: pratos, conversas e uma criança pedindo mais.
“Que abram essa caixa à luz do dia” é um pedido de transparência. As promessas precisam ser examinadas diante de quem conhece a fome, porque essas pessoas sabem o que está em jogo.
E o final “Meu povo já ensinou o pão a encontrar o caminho de casa. Que nenhuma mão lhe troque o endereço” pede que o alimento continue chegando às famílias. É a sua maneira poética de dizer: “Quem voltou a comer não pode ser condenado a sentir fome novamente.”
A FEIRA DOS DESEJOS
Esta manhã, meus desejos organizaram uma feira na sala. A liberdade vendia gaiolas abertas; a felicidade oferecia sapatos para dançar nos dias difíceis; e a ambição, de cima de uma escada, anunciava o céu em suaves prestações. Eu queria um pouco de tudo: conhecer o mundo, escrever um livro, mudar a vida e ainda chegar a tempo para o café. Foi quando a paz apareceu carregando uma cadeira. Sentou-se entre minhas vontades e perguntou: “Se todos os seus sonhos se realizarem, haverá lugar para você?” Fiquei pensando. Enquanto isso, um pequeno desejo, que eu quase havia esquecido, puxou minha manga: queria apenas uma tarde com alguém querido. Dei-lhe a mão. Os outros continuaram anunciando suas maravilhas, mas saímos juntos para tomar um sorvete.
Interpretação:
Essa crônica fala da variedade dos nossos desejos e pergunta se, na vontade de conquistar tantas coisas, ainda reservamos espaço para viver e estar com quem amamos. O surrealismo transforma sua vida interior numa feira: cada vontade tem uma voz e oferece algo atraente.
“Meus desejos organizaram uma feira na sala” mostra muitas aspirações reunidas, disputando sua atenção. A sala, um espaço íntimo, fica ocupada por tudo aquilo que você gostaria de realizar.
A liberdade vendendo gaiolas abertas representa a possibilidade de sair das limitações. A porta está aberta, mas atravessá-la ainda exige uma escolha e, às vezes, coragem.
A felicidade oferecendo sapatos para dançar nos dias difíceis sugere a capacidade de encontrar alegria mesmo quando existem problemas. Os sapatos permitem continuar participando da vida, com seus tropeços e suas possibilidades.
A ambição anunciando o céu em suaves prestações brinca com a promessa de alcançar tudo. Como numa propaganda, um objetivo enorme parece fácil de adquirir. As “prestações” também podem sugerir seu custo: tempo, esforço e compromissos que vamos assumindo.
Quando você deseja conhecer o mundo, escrever um livro, mudar a vida e chegar para o café, aparecem juntos os grandes projetos e os pequenos hábitos. Há entusiasmo, mas também a vontade de fazer tudo caber no mesmo dia.
A paz chega com uma cadeira porque propõe uma pausa. Sua pergunta “Se todos os seus sonhos se realizarem, haverá lugar para você?” é o centro da crônica. Ela pergunta se suas conquistas permitirão que você descanse, reconheça seus sentimentos e desfrute daquilo que construiu. Uma vida pode ficar tão cheia de metas que a própria pessoa se sinta apertada dentro dela.
O pequeno desejo que puxa sua manga representa uma necessidade afetiva quase esquecida. Ele fala baixo, enquanto os outros anunciam suas maravilhas: quer apenas uma tarde com alguém querido.
Ao lhe dar a mão e sair para tomar um sorvete, você escolhe atender esse desejo naquele momento. Os grandes sonhos continuam existindo, mas o carinho também recebe seu tempo.
O sorvete representa uma alegria simples, concreta e compartilhada. A crônica nos convida a perceber que uma tarde assim também faz parte da vida que desejamos construir e não precisa esperar até que todas as outras conquistas estejam prontas.
A Seletividade em Cascata revela que uma exclusão aparentemente insignificante pode se tornar decisiva quando filtros sucessivos transformam pequenas omissões em invisibilidade institucional.
Uma resposta administrativa sem registro verificável de busca pode encerrar um protocolo, mas não necessariamente responder à pergunta.
Há injustiça epistêmica quando a credibilidade de uma pergunta é reduzida antes que seu conteúdo tenha sido efetivamente examinado.
12/10 🇧🇷 Dia de Nossa Senhora Aparecida
e Dia das Crianças
BRASIL!
És uma Nação abençoada por Deus, pela natureza e por suas riquezas.
Um solo enriquecido pelo imenso patrimônio da miscigenação de povos, suas culturas e suas lutas.
É preciso ter fé!
Fé na força do nosso povo trabalhador, para que nunca percamos o ânimo de acreditar no progresso e na coexistência pacífica entre as nossas diferenças.
É preciso ter fé para que possamos legar um bom exemplo e um futuro promissor às nossas crianças e jovens.
Que a nossa fé, expressa em caminhos tão distintos, se una em prol de um bem maior
para a nossa amada Nação.
Que Nossa Senhora Aparecida
(Padroeira do Brasil) ,
sincretizada na Umbanda como a doçura de Mamãe Oxum, lave a alma da nossa Pátria.
Que suas águas sagradas purifiquem o país de todo o mal, trazendo resiliência e coragem ao povo brasileiro, especialmente à juventude.
Salve as crianças!
Nelas reside o amanhã.
Em nós, a responsabilidade pelo presente
que construímos para elas.
Que a nossa jornada seja costurada com os fios da bondade e da sabedoria, pelo bem maior da nossa Pátria.
✍@MiriamDaCosta
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