Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra
Não tenho medo de que eles desistam de mim; temeria, sim, que quem me amou me abandonasse. Cristo! Por Ele vivo, por Ele caminho.
A Graça me fez entender quem eu era, antes mesmo de saber quem Ele era. Após isso, descobri que foi Ele, "Jesus", que me alcançou por meio dela, a Graça.
"Dança comigo"
Dança comigo como quem encontra abrigo no silêncio entre uma música e outra.
Vem sem medo, deixa o mundo lá fora e pisa leve dentro do meu peito.
Dança comigo
até o relógio esquecer das horas, até a lua cansar de nos olhar pela janela da
madrugada.
Segura minha mão
como se fosse possível
não cair nunca mais.
E se a vida desafinar,
a gente inventa outro ritmo,
outro passo, outra canção.
Só não solta de mim
quando o som diminuir.
Porque há amores
que começam com palavras,
mas existem os mais bonitos… que começam dançando.
Você quer caminhar comigo?
Perguntou baixinho o teu olhar, como quem convida o destino pra desacelerar.
E eu quis. Quis teu passo ao lado do meu, quis dividir silêncios, risos, manhãs e o céu.
Porque caminhar contigo
não é só seguir uma estrada,
é transformar qualquer instante em eternidade apaixonada.
Se for tua mão na minha,
não importa o rumo ou o lugar, até os caminhos mais simples aprendem a florescer e amar.
Então repete outra vez,
bem perto, devagarinho:
“Você quer caminhar comigo?” — e eu vou por toda vida no teu caminho.
As alturas não revelam quem é melhor; revelam apenas quem, apesar das tempestades, ainda encontrou forças para continuar voando.
No mínimo, Ela se deixaria atravessar por cada paisagem. Como quem não passa, mas fica.
Tentaria fotografar. Não só com os olhos, mas com aquilo que n’Ela sabe sentir cada instante que, em milésimos de segundo, lhe rouba o ar ou abre seus olhos em espanto manso… daqueles que Ela nem quer entender, só permanecer.
Esse momento é rápido, é muito breve. Talvez dure um “click”. Mas, quando acontece, já não é mais do mundo — é d’Ela. E fica.
Fica nos cheiros que não se explicam, nas cores que não se repetem, nos sons que atravessam sem pedir licença, na música, no barulho, no sol, no vento, no corpo…
E foi exatamente esse pequeno pedaço de eternidade que escolheu morar dentro d’Ela.
De repente, Ela olharia para o lado… (quero dizer, para frente… é mais provável, rs) e veria Ele.
E, então, tudo faria ainda mais sentido. Ficaria ainda mais bonito… não, bonito não. SU BLI ME.
ELE. A pessoa que tornou tudo isso possível, com uma dedicação silenciosa e uma entrega que não se mede, só se percebe, se nota.
E Ela… talvez não dissesse nada. Só agradeceria.
Pensando bem, Ele seria a paisagem da qual Ela não conseguiria (nem por vontade própria, caso existisse) desviar o olhar.
E, sim… acho que Ela estaria aproveitando. Na verdade… vivendo.
... coisas sobre Ela e Ele
Mapa e o Território... a visão de quem observa duas solidões que se amam.
Ele está no mapa.
Ela está no território.
No mapa, tudo é linha reta, distância calculada, destino traçado.
O mapa diz: "Estamos juntos."
Mas o território tem montanhas que não estão no mapa.
Tem vales escuros, rios que mudam de curso, ventos que o mapa não prevê.
Ela vive no território.
Ele vive no mapa.
Ela sente o vento no rosto.
Ele mede a velocidade do vento.
Ela chora porque a paisagem é bela e dolorosa.
Ele tenta fotografar a paisagem para ela não esquecer.
Os dois estão certos.
Mas o mapa não é o território.
E o território, sem o mapa, pode ser um labirinto.
O que vi, foi uma saudade que não se contenta com presença.
Uma presença que não entende a saudade.
Eles querem a mesma coisa: um ao outro.
Mas um quer o outro inteiro, com todas as raízes e espinhos.
O outro quer dar o seu melhor, sem saber que o seu melhor não é o suficiente para ela.
Ela precisa que ele desça do mapa.
Ele precisa que ela veja que o mapa também é um gesto de amor.
Enquanto isso, a noite cai sobre os dois.
E, na escuridão, eles se procuram.
Ele acende um fósforo.
Ela ouve o barulho do vento.
E, por um instante, os dois se encontram no mesmo lugar:
no desejo de ser compreendido.
Talvez seja isso, o amor.
Não a compreensão.
Mas a coragem de continuar se procurando, mesmo sem se achar.
... coisas sobre Ele e Ela
Liberdade Feminina
Helaine Machado
Sou livre para amar
e para ser quem sou.
Não abro mão da minha essência,
nem da minha identidade.
Quero ser vista como ser humano,
capaz de decidir, de escolher.
Não tenho dono,
não sou mercadoria.
Sou inteira —
e isso basta.
Helaine Machado
Quantas vezes assistimos a vida passar,
como quem olha pela janela,
sem tocar, sem sentir,
sem realmente viver?
Memórias não nascem do acaso,
elas florescem
onde houve entrega,
onde houve tentativa,
onde houve verdade.
Helaine machado
A verdade é menos bonita:
a democracia sangra em silêncio
toda vez que é manipulada
por quem diz defendê-la.
Helaine machado
A verdade é menos bonita:
a democracia sangra em silêncio
toda vez que é manipulada
por quem diz defendê-la.
Ela nasce do povo, sim —
mas morre um pouco
cada vez que o povo é ignorado.
Helaine machado
Chegam sem alarde,
sem passos que ecoam,
quase como quem pede licença
ao próprio ar.
Mas quando ficam…
mexem em tudo.
Viram o avesso da alma,
tocam onde ninguém ousou tocar.
Não gritam, não exigem,
não fazem tempestade —
são chuva fina
que insiste…
até encharcar o coração.
Têm cheiro de abrigo,
voz de oração baixa,
mãos que curam
sem anunciar milagre.
Helaine machado
“Politicamente incorreto?
Então olha de frente:
no Brasil, quem nasce sem nada
aprende cedo a baixar a cabeça.
Não por escolha —
mas porque o sistema já escolheu antes.
O pobre não herda liberdade,
herda dívida, silêncio e sobrevivência.
E chamam isso de mérito
quando ele consegue respirar.”
Helaine machado
Me afoguei no mar…
mas fui eu quem escolheu descer.
Quis sentir cada correnteza
rasgando o que eu fingia ser.
Nas águas me perdi — sim,
mas não foi fraqueza, foi decisão,
porque mulher que se enfrenta
não teme a própria imensidão.
Meu corpo não pede licença,
minha alma não sabe recuar,
sou fogo que aprende no toque
o próprio jeito de queimar.
Minhas curvas não imploram,
elas sabem o que são,
carregam força e desejo
como um grito em combustão.
Helaine machado
Quem é Esse?
Quem é esse
que conhece a tempestade do meu ser
e ainda assim vê beleza
em mim, toda quebrada,
cheia de falhas e imperfeições?
Quem é esse
que acalma o meu interior
e me envolve numa paz
que excede todo entendimento?
É Ele quem me conduz
pelos percalços da vida,
mesmo quando o medo grita
e as ondas se levantam.
Ele está no meu barquinho…
e mesmo quando parece silêncio,
basta eu confiar.
Dono de tudo —
da ciência, do céu, da terra e das águas,
Ele vê o profundo,
conhece cada pensamento meu,
cada parte que escondo
e cada parte que sou.
E ainda assim…
me chama de filha.
Esse é Jesus —
presença que não abandona,
amor que não desiste,
paz que me sustenta.
Helaine Machado
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