Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

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Eu sou o outro.

Sou esse morador de rua.
Sinto sua fome,
sinto o frio, o calor, a chuva.
Sinto sua vergonha,
sinto sua humilhação,
sinto o perigo, a indiferença,
sinto a sensação de não ter valor.

Sou essa mulher agredida —
em palavras e no corpo — pelo marido.
Sou essa mulher que trabalha na rua e em casa,
e ganha menos apenas por ser mulher.
Sou essa mulher que, por tanto tempo,
viu suas escolhas serem decididas sempre pelos homens.

Sou essa criança no mundo,
que sofre por ser frágil, por não ter força.
Sinto o sofrimento violento que os adultos causam.

Sou esse doente na cama,
sofrendo de dor, desenganado pelos médicos,
com apenas a morte esperada no futuro.

Senti a dor do Holocausto judeu,
senti a dor da escravidão do negro.

Eu sinto a dor do outro.
Eu sou o outro.

CHUVA

água caindo
paisagem embaçada
quase sumindo.

A chuva é passageira,
o orvalho da manhã seca,
as flores murcham, e a nossa beleza
se vai. Já o amor e a intensidade…

Eles permanecem, assim como as
estações do ano: às vezes mais
quentes, às vezes mais frios,
mas sempre existem.

Avante

⁠Às vezes o que nos resta é a chuva e a cangalha. Então que deixemos nos colocar esse instrumento, usufruir salutarmente da benção da chuva e seguir com equilíbrio o nosso caminho, rumo à meta esperada e deleitar-se com o triunfo, o nosso objetivo.
Erga-se e caminhe; Avante...

Os pingos da chuva que driblam a seca no sertão são resultantes do nosso povo em constante oração.

Vem a chuva de giz riscar o cansaço,
enquanto o espelho mastiga o perdão.
Borboletas de chumbo mergulham no passo,
de quem guarda o oceano na palma da mão


DeBrunoParaCarla

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​Não haveria arco-íris depois da chuva,
nem haveria construção sem alguém para erguer.
O meu próprio brilho não saberia como chegar
se não encontrasse um prisma para refletir e florescer.
​Sei bem que palavras não são emoções,
são apenas pontes, molduras do sentir...
Mas espero que, através delas,
eu tenha conseguido transmitir
um pouco do que a alma não cansa de agradecer.
​Gratidão.

⁠Mesmo em um tempo difícil, nublado e de chuva, é preciso caminhar, pois a vida é para ser vivida de forma plena. Mesmo que o Sol se esconda por alguns dias, a Luz da estrela que ilumina a vida vai resplandecer em breve em um maravilhoso amanhecer...

O silêncio amarrou o cadarço da chuva antes do relógio aprender a nadar.

O caminho




A chuva lá fora,


as músicas no tom certo,


duas taças cheias sem o princípio do fim,


são o caminho para uma bela e representativa noite, juntas são uma demonstração de arte viva, de poesia acontecendo a tudo que os olhos podem ver e os corações podem sentir.

Quando eu procurei um abraço para me acalmar não encontrei,


A chuva forte veio e me pegou em cheio,


O frio, o medo e a solidão tomaram conta de mim,


os pensamentos intrusivos e as verdades não ditas me sufocaram,


mas,


O tempo mudou não permite que tais coisas permaneçam agindo sem receberem suas devidas cobranças no ávido momento,


De joelhos rezei, de pé acreditei, de longe enxerguei e passei a entender como reagir,


Passo a passo fui saindo do meu próprio eu enterrado,


Aquela luz que me deu forças, também tem me guiado e me protegido do ferro e do fogo,


Olho para trás e vejo o tanto que sofri, olho para trás e vejo o quanto aprendi, da escuridão veio a luz, do vazio veio a fé e do medo veio a vontade de vencer.

Rosa dos ventos




E o que vêm depois do fim?


Talvez, chuva de amor no deserto, pode ser ventos levando sonhos possíveis ao topo das montanhas, ou quem sabe, ondas gigantes trazendo novos começos de amor,


Não custa nada imaginar o bem que se faz ao acreditar naquilo que poderia ser impossível momentaneamente, mas que pode nos surpreender como forma de magia ou mágica aparecendo instantaneamente,


Uma rosa entregue a pessoa amada em meio as nuvens escuras e os ventos fortes não pode ser tratado como um adeus, deve ser pensado como um ato de esperança, um desejo de não deixar se perder no tempo o que foi construído mesmo que algumas poucas pétalas de rosas saiam por ai vencidas pela tempestade.

Na terra da garoa




Ônibus cheio,
Caos turbulento,
Chuva de granizo,
Enchente lá fora,


Atrasos da vida,
Preocupações expostas,
Rosto sofrido,
Depressão a vista,


Gritos de ajuda,
Choros de raiva,
Buzinas gritantes,
Reza das senhoras,


Horas de descontrole,
Ajuda escassa,
Arco-íris na janela,
A esperança volta.

Eu vi a chuva densa chegar tão rápido quanto ir embora,


Eu vi um arco-íris nascer no horizonte deixando tudo calmo, até o mar,


Eu senti o teu abraço e nele quis morar.

A chuva incessante lá fora assemelha-se à minha fé, não se interrompe, não se exaure, apenas persiste.

Em algum lugar, à beira do mar da minha querida Florianópolis, sob a chuva que cai incessante, as sonatas de Beethoven não são apenas música, são tempestades que rasgam a alma, ondas que se confundem com notas e silêncios que ecoam na vastidão do céu cinzento.

O céu se abre sem alarde, a chuva já quer cessar. Um coração cansado retorna, sem pressa de explicar. O perdão chega como o vento, e o amor aprende a esperar.

Levo no peito a chuva passada e o sopro de um verão.

A esperança é o ato teimoso de acreditar no sol mesmo em dias de chuva torrencial.

Há noites em que o passado é uma chuva lenta no rosto, cada gota desenha mapas de feridas que não cicatrizam. Ando pelas ruas da memória descalço, procurando um porto. Não encontro abrigo, encontro só sinais de onde fui naufragado. E aprendo a navegar com a fome como timão.