Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

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#POEIRA

⁠Fim de noite...
De quem sou eu...
Um cigarro...a saideira...
Nem tão tonto...
Sem zueira...
Uma última catuaba...
Subir costurando...
Pela calçada...

Quando eu for...
Poeira no vento da madrugada...
De tudo serei um pouco...
E de pouco serei nada...

Sono chega de mansinho...
Saindo à francesa...
Devagarinho...

O tempo se encarrega de me cobrir...
Partirei só com a minha alma...
Tal qual como nasci...

Conversa demais...
Chega...
Não posso mais...

Que perfume é esse?
Que sinto agora...
Não condiz...
Com essa hora...
Homem cheiroso ...
Na madrugada...
Na hora vazia...
Balança tarda...

Já tô chato...
Melhor seguir um rastro...
Minha aldeia está morta..
Não se vê...
Nada nas sombras das casas...

Janela fechada não me protege da vida...
Em meu destino...
Esperança triste...
Me resta a saudade...

Linda assim...
Me entrego...
Menino sem medo...

Tudo vai ficar bem...
Seguir adiante...
Ave Maria...
Amém...

⁠#INSÔNIA

Atravessa a noite...
Gostaria de ser inesperada...
Não sou só eu quem dorme tarde...
Enquanto o coração arde...

Aqui dentro sentimento...
Quantas noites sem dormir apenas olhando...
Esse tão louco e estranho sufoco...

Sombra que eu carrego....
Espírito cego...
Silenciosa e fria...
Por que se arrasta tão longa?

Por que o espelho mente...
Enquanto o sonho se dissolve?
Para alguns tarde...
Para outros muito cedo...

Fico girando o mundo...
E a paisagem parada...
Chego a ter medo dessa paz...

Há anjos em pé, por sobre as nuvens...
Em alamedas, ruas escuras...
Na procura de um doce instante...
Espalhando sementes ao vento...

Ouço ao longe gritos...
Mendigos e curiosos...
Bandidos e criminosos...
Desdém do acaso...
Das noites sem destino...

Um detalhe aqui, outro ali...
Lá fora névoas de incertezas...
Aqui dentro uma penumbra de sentimentos...

Todo mundo rasteja pela madrugada...
Momentos que eu perdi...
Olhares que eu não vi...
Saudades das coisas que não fiz...

Sino da igreja calado...
Insônia escancarada...
Alma despedaçada...
E vai-se a hora...

Amarroto os lençóis...
Desforro a cama...
Junto todos os meus cacos...
Tudo é chama...
Junto com as cinzas do meu corpo cansado...

Então, me diz alguma coisa...
Pra sempre ou só por um momento...
E eu ainda estou aqui pensando...
Enquanto passa o tempo...


Sandro Paschoal Nogueira

⁠#QUIÇÁ

Ah quem me dera que terminasse a espera...
A liberdade nunca ser demais...
Percorrer as estrelas...
E o amor não ter fim jamais...

Ah quem me dera que a vida fosse completa...
Que eu pudesse atravessar as noites e os dias no vento...
Sem nenhum pudor, sem pecado...sem lamento...

Ah quem me dera que no mundo não houvesse pranto...
E simples assim fosse o canto...

Ah quem me dera ter nascido anjo...
E que meus caminhos fossem tudo um sonho...
De venturas, paz e encantos...

Ah quem me dera não haver solidão...
Que em cada troca de olhares...
Haveria um encontro de mãos...

Ah quem me dera não me importar onde você estivesse...
Lhe alcançaria com meu pensamento...
E na brisa suave lhe enviaria o meu beijo...
Para lhe alcançar nesse momento...

Ah quem me dera perder a tristeza desse meu olhar...
Quando eu fosse ao encontro seu...
Para lhe encontrar...

Que nossos corações batessem como um...
Que o tempo parasse...
Deus nos abençoasse...
Fôssemos felizes...
Ah...quem me dera...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠#PÉROLAS AOS #PORCOS

Para quem não sabe...
Eu vou lhe explicar...
Sou do tempo de outrora...
Em que os pais sabiam educar...

É falta de educação...
Sentar à mesa para comer...
Tem que tirar o chapéu...
Também o boné...

Usar chapéu em lugar coberto?
Que feio, sem noção...
Chapéu só na rua...
Aprenda a ter noção...

À mesa, enquanto come...
Falar de boca cheia nem pensar...
Que coisa feia...
Só falta rosnar...

Palitar os dentes?
Que horror...
Nem no escuro do banheiro...
Nem escondido no corredor...

Cotovelos sobre a mesa ...
Também não é bom apoiar...
Passa a idéia...
Que na sarjeta é o seu lugar...

De que adianta?
Procurar ostentar...
Pensa que largou a pobreza...
Porém ao seu lado ela está...

Guardanapo é sobre o colo...
Vai que erra a boca...
Assim sua comida caindo...
Não suja sua roupa...

Mas aí você diz...
Que tudo isso é besteira...
Educação e bons modos nos difere dos bichos...
Então seja bom aprendiz...
Escute o que lhe digo...

Raspar o prato também é feio...
Está passando fome companheiro?
Arrotar Deus me livre !
Não tô podendo...
Melhor eu parar...
Pérolas não se dão aos porcos...
Eles não saberiam usar...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠#MALANDRAMENTE

Não vacila...
Nem tenta a sorte...
Quem é do meio sabe como é...
Coração de malandro...
Bate na sola do pé...

Toda minha caminhada...
Nesse imenso mundo cão...
Com malandragem de sobra...
E liberdade para conquistar...

Caio fácil não...
E quando caio...
Logo me ponho a levantar...

Malandro que é malandro...
Sabe bem como viver...
Vou continuar assim em meu caminho...
Pelas noites de luar...

Malandro sabe onde ir...
Quando deve sair e a hora de entrar...
Sabe quando deve ficar mudo...
Sabe quando deve falar...

Já dizia o poeta...
"O mundo é dos espertos"
Malandro bom envelhece...
Pedindo força ao universo...
Não vê a morte tão cedo chegar...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠Essa terra em que ando...
Não a considero meu ninho...
Dorme quem muito me amou...
Enquanto cá sofro em desatino...

Ah como o tempo foge...
E escorre a doce vida...
E a morte que a tudo espreita...
Percorrer celeste estrada nos convida...

Vês o meu amor que lhe dei ?
Que ao mundo é só o que me prende...
Tão loucamente não quiseste...
Em pouco caso o abandonaste...

Pouco ama aquele que tanto pode dizer o quanto ama...
Por tal ardor minha alma inflama...

O meu coração silencioso esconde...
No silêncio que nada me responde...

Perante o céu então me perco...
Nas vontades em mim despertas...
Será juízo ou será pecado?
Por querer tanto e tanto...
Estar ao seu lado...

Sandro Paschoal Nogueira

Caminhos de um poeta

⁠#QUEM ?

Quem me deu asas para sonhar?
Quem olhou em meus olhos e me apontou a direção do céu?
Aos astros me ensinou a olhar?
Quem me deu o mundo e as suas ilusões mortas?

Me pegou pela mão e junto a mim caminhou...
Corremos em verdes prados e na esquina me ensinou a decepção?

Quem roubou meus beijos?
Encheu-me de desejos?
Brincou com meus sentimentos?
Jogou-me ao esquecimento?
Dizendo me amar?

Quem me envolveu e não sabendo o que sentia agora também não sabe o que sou?
Quem muito me mentiu e causo-me tamanha dor?

Quem foi que me fez entregar-me de corpo, alma, coração aberto?
Me ensinou os caminhos do amor...
E agora...que tudo acabou...
O pouco que me resta...
O pouco sou...

Tenho fome, tenho sede do infinito...
E escondendo o meu grito...
Descobrindo a esperança, Descortinando a mentira...
Não sei por onde ando e nem para onde vou...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠#DEUS #NU

Vaidade das vaidades...
Viver de aplausos...
Quem diria...
Que em sua louca fantasia...
Teria mais loucos a querer um dia...

Ergo a taça vazia...
Saúdo a sua insanidade...
A tumba que lhe espera...
Abrirá a boca faminta...
Ofício das horas ardentes...
Até a fatídica hora chegada...

Embriaga-se em falso orgulho...
Enquanto a multidão feroz arrota falsas alegrias...
Sob a lua escondida...
Sobre as pedras em noites frias...

De que lhe vale a contenda?
Um vulto na mortalha vazia...
De que lhe vale banhar-se no ódio...
Soberbo e cego tocando a ferida...
Em horas mortas de nostalgia...

Proferes uma tormenta de palavras...
Na espessa noite que lhe abraças...
No íntimo sabes que não dizes és nada...

Amado...
Invejado...
Não compreendo mas sei que és...
Tolos que se enganam...
Sabes bem e bem no fundo...
Que és um deus desnudo...
Mas não o culpo...
Assim é o mundo.

Paschoal Nogueira

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⁠#Quem me #dera

Tentei fugir das sombras que me perseguiam, mas desisti...

Entre bares, nos fundos dos copos, tentei te encontrar.

Todo o amor que nos prendera desfez-se como asas de cera...

Quem me dera...
Quem me dera...

E por vezes as noites me cobrem de angústia...
Tortura-me os dias...

Vivendo sem no entanto ...
Esquecer-me desse encanto...
Que perdi...

Hoje...
Na esquina de cada rua...
Sem ti...
Vagando...
Eu sou...
Tal como a lua...

Sandro Paschoal Nogueira

facebook.com/conservatoria.poeta

⁠UM #SEGREDO

Eu queria contar-lhe que a vida é também isso:

Não há sossego...
Para quem está cansado de esperar...
Segue até ao fundo de existir...
Faz-se velho...
Esfria-lhe a alma...
Sente a fúria fria do destino...
Sente tudo de todas as maneiras...

Sou o único a bordo do meu barco...
Ao meu redor...
Apenas monstros...

O mais temido veneno é o tempo...
Nascemos carne....
E a cada dia vamos nos transformando em sonhos...

Sandro Paschoal Nogueira

facebook.com/conservatoria.poemas

⁠#ESPREITO

Por quais caminhos seguem a quem espreito olhares meus?
Bem sei que mesmo assim os desejos vagam para longe de mim...

A ilusão de agora...
Podendo crer-me livre...
Onde tenho a alma,
Sabendo que não sou?

Um passo além...
Distância a que não chego...
Trilhando estranhas sendas...
Sempre adiante...
E muito mais...

Eu não posso descobrir como é possível...
Amar sem ser amado...
Viver, sonhando acordado...
Ser consumido...
Em não te ter ao meu lado...

Sandro Paschoal Nogueira

facebook.com/conservatoria.poeta

⁠Nasço, vivo, morro por um destino em que não mando...
Então quem eu sou?

No luto dos meus olhos...
Foi na minh'alma que nasceu a dor...

Quem é leal e quem não nos abandona...
Quem devemos procurar...
E ser dignas de confiança...
Alguém a encontrar?

Já quase desisti...
Da inocência do desconhecido...
E a saudade?
Ainda vive em meu peito...

O que levamos da terra
É o céu que possuímos...
E à morte que damos vida...
Criam-se o sentido...

Vã filosofia...
Turvo clarão de raciocínios tristes...
Nos engana e mente...
Entre sombras nos conduz...

Quem rasteja na Verdade...
Se desencanta...
Do amor escravo...
Vítima sempre serei...

São muitas as provas na vida que servem para testar quem somos...
Seguir adiante, sem descansar...
Afinal ...
Onde tudo vai dar?

No meio da confusão é preciso ver para além do que se pode olhar…

No meio de tudo onde estou eu?...
Que serão os meus sonhos...
O que posso almejar?

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Quem poderá domar os ventos?
Quem poderá calar a voz do sino triste?
Nem deuses...
Nem monstros...
Nem tiranos...
Que em cada hora se perde...
A esperança que amarga...
Do que foi dito pelo não dito...
Na voz dos aflitos...
O consolo dos desconsolados...
O cristal foi quebrado...
O tempo perdido...
A lágrima que rola...
Escondendo os gritos...
Outrora prometido...
O que hoje não tem mais sentido...
E no labirinto que se encontra...
Ainda sonha...
Desejando não estar perdido...
Mas os ratos devoram...
Até as hóstias sagradas...
Invadem casas...
Trazem dores e martírios...
A saída é a luta...
Mas com quem lutar?
A luz está difusa...
O fim será se entregar?
Será do látego o carinho que irá receber?
A fome...
A miséria...
A morte...
Mais sofrer...
O destino escolhido...
Pela indecisão...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Misteriosa visita a quem aguardo...
Tua vontade que me bate...
Enrendando meus cuidados...

Um culto por mim cultivado...
Tão pouco de mim julgo que o mereça...
Antes que a noite desapareça...
Fazendo-me atrevido...

Fremente volúpia pecadora...
De lábios macios e tentadores...
Onde o amor repousa lascivo...
Onde conheço mil sabores...

Os rumores do mundo são esquecidos...
Quando em seus braços me perco e me acho...
Seus sussurros alongam meus ouvidos...
Que representam em terra meu paraíso...

Despojo-me dos pudores e me dispo...
O toque torna-se mais aflito...
Faço de minha alma uma lâmpada de cego...
E dou-me por rendido...

Assim a natureza fala...
As portas de ouro vão se abrindo...
Florida canção que nos deleita são os nossos gemidos...
E por fim...
Transfigurados de emoções...
Adormecemos sorrindo…

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Original é quem se origina de si mesmo...
Que encara o abismo que o chama...
Que sendo de toda a parte
não é de lugar algum...

Que planta e colhe a própria sorte...
Que faz do choro o riso...
Que amplia seus horizontes...
Tendo o céu como limite...
Não se cansa...
E se cansa...
Segura o peso e segue adiante...

Original é quem enche os copos...
Sem perder o juízo...
Que tal como um gato possui sete vidas...
Não desprezando nenhuma em qualquer esquina...

Original é aquele...
Que foi expulso do paraíso...
Que lavra o coração...
Fortalece os sentidos...
Que acima de tudo não esquece...
Mas se compraz no perdão...

Original é aquele...
Que desce às ruas...
Como se fizesse amor...
Que em madrugadas solitárias e frias...
Encontra em si mesmo o próprio calor...

Original é aquele...
Que percebe as mentiras...
Mas que com elas não se deita...
Que enfrenta os medos e as dores...
Que não perde as rédeas da vida...
Que mesmo sendo sofrida...
Cultiva o amor...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Quem vós engana para conseguir o que desejas?
Pois te falta espelhos pra ver tuas faltas...
És terra, és lodo, és pó...
És vazio na alheia cama...

Mas não te digo, nem te lembro nada...
Enquanto entre risadas vaga...
O tempo vil, que tudo troca, e muda...
Sem perdão, de outrora sem culpa...
Desgasta o que cultua...
E te levará à cova...

São dias de febre na cabeça...
E não sentes o que te corrói...
Num jardim onde há flores sem hastes...
Dá-se sua alma em troca...

Finges uma lágrima enquanto chora...
A ti e aos teus no correr do tempo...
Somente enganas a tu mesmo...
Enquanto apodrece a alma...

Triste e dúbia luz em que vives...
Cuja vaidade lhe assombra...
Entre falsas lisonjas caminhas...
Em suas tristes e perdidas horas...

Eu dar-vos-ia as estrelas...
Se realmente soubesses amar...
Mas que triste ironia...
Nem isso anseias por sonhar...

Nem batalhas, nem paz tens...
Apenas um grito na memória...
Apenas dia após dia...
Apenas noite que vai e vem...

Se alguma qualidade pode ser preferida...
Não a restrinja...
És só...
Não tem ninguém...

Redemoinho de ventos...
A desenhar seus próprios pés...
Incerto destino te procura...
Enquanto vagas na realidade crua...
Enquanto singra pelas noites e ruas...

Seria hipócrita se dissesse...
Que sendo assim não te quero...
Contundo cresce em mim a paixão...
Desde que apenas com um único olhar seu...
Roubaste meu coração...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Com dura e branda cadeia...
Já esqueci-me de quem eu fui...
E nesta incessante lida...
Já nem sei quem ou o quê serei...

Com o mal, e com o bem...
Já não me dá beijos qualquer passageiro...
Entre o que vai e o que vem...
Entre lágrimas, um sorriso faceiro...

Anjos ou deuses, sempre nós tivemos...
Nossa vontade é o nosso pensamento...
Tão pouco me agrada...
O ardor do inferno...
Ou a paz do céu verdadeiro...

Se eu fosse tão feliz...
De viva voz eu diria:
Que pouco ou muito é dito...
Mas é certo tudo terminar um dia...

Há fogo que devora…
Há frio que abraça...
Há amor que entre nós volteia...
E também o descaso que se semeia...

Eu te abençôo...
Não desejando amaldiçoar...
Mas se o faço...
Não permito ninguém me julgar...

O coração que vive ainda...
E pulsa e quer pulsar...
Ainda sonha...
Em sua metade encontrar...

Oh...
Pudesse durar sempre...
As venturas por quais passei...
Mas compreendo que assim o mundo não seria o que é...
Só lamento por quem tolamente me entreguei...

Tive soluços, febre, e absurdos desejos...
De nada me arrependo...
Mas quisera eu...
Poder voltar no tempo...

Façamos nossa vida um dia...
Que há noite antes e após...
O pouco que duramos...
Ninguém sabe o que vai por esse mundo...
Na eternidade - não é mais que poucos segundos...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Quem é amado deve...
Quem ama pede...

A lua se insinua...
Entre vielas escuras...
Há fogo que devora...
Que mata e que dá...

Arde a cabeça...
Enquanto o olhar vaga...
Nem entre as estrelas encontras...
O que procuras...

Só porque houve outrora...
No presente indeciso vives agora...
Será que haverá o futuro,
Do que necessitas e sonhas ?

Procura o ar onde a respiração é doce...
E canta para afugentar a tristeza...
Porque és do tamanho que vês...
Porque sentes a falta do que não tens...

Vaga..
Longe de todo céu...
E no inferno onde abitas nada encontra...
O verme da agonia te devora...
Onde estás afinal,
Nessas horas mortas?

O nevoeiro é tão grande...
E o final não encontras...
Sim...
Tu bem sabes...
Tendes total culpa...

Entre o temor e o espanto...
Reconhece o amor perdido...
Peito endurecido...
Por mostrar-se soberbo e presumido...
Feristes e não percebeste o real sentido...

Tendo o teu erro algum desconto...
Saberia que sendo amado deve...
E que amando...
Deveria ter pouco pedido...

Agora buscas a noite escura...
Cujo medo te afigura...
Tão certa desaventura...
De vagas esperanças...
Nem mesmo te ajuda a lua...

Sandro Paschoal Nogueira

#Quem #é #capaz #de #amar...

E trair ao mesmo tempo ?

Será eu ?...

Será você ?...

Talvez o vento...



Responda quem puder...

Essa minha indagação...

Doar sem receber...

Receber sem merecer...



Alguém merece a confiança ilimitada?

Acreditar que dali não viria...

A cruel punhalada...



Trai com um sorriso...

Em ato banal...

Sentindo alegria...

Enquanto faz o mal...



Colecionar decepção...

Para mim não é normal...

Aperta meu coração...

Perco a fé ...

Desistimula a crer...

Nas pessoas por final...



Em mais um dia...

Compreendo então...

Embora não aceite...

Tamanha ilusão...



De onde menos se espera...

Na alma se recebe a punhalada...

Ao traído um triste ai...

Para quem traiu ...

Não foi nada...



Sandro Paschoal Nogueira

#Corpo #cansado...


Nem bebida inspira...

Sono pesado...

Quem diria...

Enfim aqui estás...

Você...

E tantos outros mais...

Por onde olho...

Promessas se fazem...

De travesseiros soltos...

Lençóis amarrotados...

Corpus suados...

Ensaidecidos...

Mas o sono tão pesado...

Ciumento clama ...

Pisca os olhos...

Quer ficar acordado...

Sapato incomoda...

Essa roupa chata...

Quero ficar pelado...

Debaixo das cobertas...

Sozinho....

Mais uma noite estarei de fato...

Culpa não é minha...

Vontade eu tinha...

Porém Morfeu venceu...

Caminho de casa...

Bebida jogada na rua...

Não dá mais..

Nem segurar um copo consigo...

Será sono ?

Talvez quebranto...

Não me espanto...

Um pai nosso...

Quem sabe...

Desfaz o feitiço...

De olhos ruins...

Más vontades...

Gente sem juízo...

De vocês não preciso...

Nem quero contato...

Antes só...

Que mal acompanhando....



Sandro Paschoal Nogueira

— em Conservatória, Rio De Janeiro, Brazil.