Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra

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Quando a chuva para,
por uma fresta nas nuvens
surge a lua cheia.

nuvem grávida
ao entardecer
primeira chuva de verão

vento muda
ares de chuva
tua chegada

Chuva cai lá fora
No batuque das goteiras.
Eu durmo tranqüilo.

Limpo o rosto na camisa -
O vento começa a trazer
As primeiras gotas de chuva

Chuva fina
trânsito na Paulista
São Paulo amanhece

A chuva parou -
Na voz do pássaro,
Que frio!

Entre haicais e chuva
Súbita inspiração:
Um trovão.

Chuva e névoa gélida.
Que frio teria o sapo
se tivesse frio?

Fina chuva inútil
fundo musical
a flauta casual

Chuva de primavera -
Uma criança
Ensina o gato a dançar.

A chuva passou.
A noite um instante volta
A ser fim-de-tarde.

chuva na praia
o céu beija o mar
- gaivota espera

Você me provoca, você me perturba. Joga água e sai correndo. Atira a pedra e me acerta de raspão. Me espia no escuro e mostra a língua. Me xinga. Me atiça. Invade o meu sossego. Você me provoca achando que não há perigo. Sem conhecer a força da minha mordida, o tamanho dos caninos. Você me provoca sem esperar a picada. Sem saber que ainda não inventaram antídoto pro meu tipo de veneno.

A linguagem das lágrimas não pode ser entendida pelos corações de pedra.

Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.

Virei pedra e entendi porque a solidão é a experiência mais universal de todas. A solidão é muito sacana. Num dia, ela te deixa eufórico, pensando nessa liberdade possível de não dever satisfação a ninguém e nessa possibilidade infinita de realizar todas as tuas vontades. Mas, no outro dia, a solidão te dá uma rasteira daquelas bem dadas. E te faz cair na real. Tu estás só feito um cão de rua, meu filho. Ninguém te ama, ninguém te quer, ninguém te conhece, ninguém tem acesso à tua alma. Tuas neuras são só tuas, e parece que nada nem ninguém preenche esse vazio.

Ele me perguntou qual era a minha pedra preciosa favorita, e eu respondi que era o topázio sem pensar. Meu rosto ficou vermelho porque, até pouco tempo atrás, minha pedra preciosa favorita era o Ônix. Era impossível olhar pra os seus olhos da cor
do topázio, e não entender o motivo da troca. E, naturalmente, ele não ia descansar enquanto eu não admitisse porque estava envergonhada.

Edward: Me diga
Bella: É a cor dos seus olhos hoje.

Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra.

Tati Bernardi

Nota: Trecho da crônica "Zelador".

Imaginar o amanhã é o que nos impulsiona, mas nunca fazemos nada. Simplesmente usamos o futuro para escapar do presente.