Quem tem Telhado de Vidro Evita Chuva de Pedra
Teu nome ainda lateja na minha cabeça
como vidro quebrado brilhando no chão,
bonito de longe, perigoso de perto.
Eu aprendi a sangrar devagar pra não fazer barulho,
como quem respeita o luto de algo que nunca foi vivo de verdade.
As palavras que te escrevi vieram feridas,
cheias de poeira e intenção torta,
misturando carinho podre com raiva cansada.
É foda admitir, mas tem amor que nasce morrendo,
e mesmo assim a gente insiste em regar o cadáver.
Te transformei em metáfora sem pedir tua permissão,
porque é mais fácil lidar com poesia
do que com a merda concreta do abandono.
E doeu, doeu pra caralho.
Esse negócio de achar beleza no que me destrói.
No fim, guardei tudo numa gaveta sem fundo:
tu, eu, os restos, as frases tortas,
toda essa bagunça emocional que fede e brilha ao mesmo tempo.
E quando a madrugada pesa,
parece que o universo inteiro respira, por cima do meu peito,
me esmagando, me lembrando
que até as ruínas têm memória.
E as minhas, infelizmente, ainda falam teu nome.
"Há em mim
memórias que guardei
feito vidro de perfume vazio, daqueles cuja a fragrância nos transporta a um lugar de conforto;
Há em mim
restos de caminhos que não trilhei, porque a falta de coragem
me congelou, feito aquelas pontes que balançam sobre penhascos e parecem
querer nos roubar a Alma;
Há em mim
ventos que sacodem meus cabelos, que me fazem lembrar que
já foram tempestades,
daquelas que nos fazem perder o rumo, perder o prumo;
Há em mim uma liberdade que conquistei, daquelas que nos mostram porque viemos, para onde vamos e porque somos;
Há em mim
uma certeza de amor que plantei, daqueles que a vida ensina, que cada um é o que é,
grão de areia, pingo de chuva, pétala de flor.
Parte do universo."
CHÃO DE ESTRELAS.
Pergunto-me se minha direção que trilho é certa, por fora de ferro, por dentro de vidro;
Reconheço meus tropeços de erros ou até mesmo acertos para eu guardar os sentidos já dormente;
Sei que devo resistir e nunca desistir para colher minhas vitórias, tenho ainda amor em meu coração, retroceder jamais;
Tudo passará e cicatrizará para que possamos nos levantar para reconstruirmos nosso castelo com o nossos sentimentos;
Os cacos de vidro não sabem
que a inveja que demonstram
pelos diamantes, no fundo,
esconde uma profunda admiração.
✍©️@MiriamDaCosta
'O sol bateu no vidro, anulei o cansaço. No mérito
da vida, dei meu segundo passo.
Contemplo a natureza, neste belo cenário...
Deus é o escritor do meu itinerário.
No rastro da estrada, fiz minha petição
Solicitando prudência e mais direção.
Ratifico a graça de estarmos aqui.
Dá-me sabedoria Senhor, pra prosseguir.'
Sobras da paixão
Quadros são pintados em telas de vidro, de poeira e de algodão,
No detalhe do pincel cores vibrantes e ricas são expostas no quadro de algodão, na estação de verão e da primavera,
No reflexo integro e saudoso dos momentos singulares a exposição de outono foi pincelada e muito aplaudida no quadro de vidro, porém no final faltou brilho,
Então, chegou o inverno, e o que parecia gritar sem vida na tela foi ganhando forma, as gotas de lágrimas que caiam do pincel pousavam como neve densa tomando conta da imagem,
Nas sobras da paixão, o pincel foi se desfazendo aos poucos transformando o quadro na poeira do esquecimento.
Entre portais e livros proibidos,
anda-se em corredores de vidro,
onde a realidade treme,
e a fantasia morde.
O coração dos magos é um labirinto,
desejo e dor entrelaçados,
e a pergunta arde, sempre:
o que vale mais... O poder ou a alma?
E no fim, quando as cartas caem,
resta a vertigem de saber:
a magia nunca foi sobre vencer,
mas sobre perder... E ainda escolher.
#themagicians
Você diz que eu sou vidro, mas se vidro sou, espelho sou também. E se espelho sou, talvez você esteja vendo o seu reflexo ao me olhar.
O Silêncio de Vidro
Tudo se fez deserto, o verbo se perdeu no intransponível.
Há dias em que o sol ensaia um brilho,
mas a luz é breve, quase um suspiro que se apaga.
Ainda que o amor resista, no cuidado e no abrigo,
há um medo que sussurra: o receio da crítica,
a sombra de nunca ser o suficiente diante da cobrança voraz.
É preciso erguer-se em aço, esconder as cicatrizes,
pois neste mundo de máscaras, o sentir é vigiado:
Se choro, chamam-me fraca.
Se entristeço, dizem ser futilidade.
Se me indigno, taxam-me de desequilíbrio.
A alegria, que antes era bússola e motivação,
agora deságua em ansiedade e num vazio cinzento.
Vi o caráter e o ego serem postos em altares,
enquanto a humanidade se perde no egoísmo,
atropelando corações sem olhar para trás.
Nesta minha verdade nua, nesta sinceridade que dói,
sinto o peso de ver o que muitos ignoram.
Ah, quem me dera a cegueira do espírito,
o silêncio dos ouvidos e a anestesia do peito...
Pois enxergar o invisível e sentir o que fere
é o fardo de quem ainda insiste em ser humano.
(Assinado: Roseli Ribeiro)
Apenas um gole
Não bebo um gole. Nem chego perto do vidro.
Tenho medo do que o vinho faz com a minha cabeça.
O álcool solta as correntes que eu levei meses para prender.
Se eu beber, eu perco a vergonha.
Se eu beber, meus pés me levam sozinhos para a sua porta.
Eu viro bicho carente, volto para o seu colo pedindo carinho,
como um cachorro que apanha, mas ainda
abana o rabo para o dono.
Todo mundo bebe para rir, para celebrar, para esquecer.
Eu não. Se eu bebo, eu lembro.
Eu sinto uma saudade que não cabe no peito.
Por isso, continuo com a garganta seca.
É melhor morrer de sede do que morrer de vergonha
correndo atrás de quem não me quer mais.
O Dono da Estufa
Na cidade de vidro havia uma estufa
onde cresciam homens em fileiras retas —
raízes presas a crachás,
folhas presas ao relógio.
O jardineiro vestia linho claro
e falava sobre produtividade
como quem fala do clima:
sem jamais olhar o céu.
Regava apenas a própria varanda.
Nos corredores, o ar era contado
em parcelas invisíveis —
cada respiração descontada do salário.
As plantas amarelavam
não por falta de água,
mas pelo excesso de sede alheia.
Ele bebia a empresa em taças largas,
degustando relatórios como vinhos raros,
e confundia lucro com eternidade.
Um dia mandou vir um sino —
um leiloeiro de voz firme,
treinado para anunciar destinos
e dar preço ao silêncio das coisas.
O homem do martelo
aprendeu o eco das paredes,
mediu o peso do tempo,
deu valor até ao pó suspenso.
Mas o jardineiro, entediado,
trocou o sino por outro qualquer,
não por falha,
não por custo,
não por razão —
apenas pelo prazer
de provar que até a palavra
lhe pertencia.
E assim ficou a estufa:
homens podados antes de florescer,
cadeiras polidas como lápides,
e um dono sentado ao sol artificial
num trono feito de folhas arrancadas.
No livro-caixa
não constava o vento.
No balanço
não cabia o cansaço.
Mas à noite,
quando as lâmpadas cessavam de mentir,
as raízes conversavam sob o chão
e sabiam —
nenhuma planta sobrevive
ao jardineiro
que se alimenta do jardim.
"A intenção limpa o vidro para que possamos ver; a atitude abre a porta para que possamos caminhar."
Quando a esperança parece de vidro, protejo-a com pano fino. Não a exponho ao vento de opiniões alheias. Se quebrar, guardo os cacos e aprendo a colar de novo. A cada remendo, ela vira arte com marca de costura. E toda esperança remendada brilha de forma diferente.
CACOS DE VIDRO NA MADRUGADA
(O silêncio ensurdecedor da maternidade atípica.)
As lembranças da gestação eram a única coisa que martelava na minha cabeça naquela madrugada chuvosa, mas o barulho lá dentro era ensurdecedor.
Olhei para o relógio: duas da manhã. Meu filho autista não parava de entrar e sair do quarto; ia até a cozinha, abria e fechava a geladeira à procura de algo. Foi quando ouvi o estrondo: era mais uma xícara que ele arremessava, fruto da crise que o vencia naquele momento.
Lá fora, a chuva batia forte, no mesmo ritmo em que meu coração acelerava na angústia de ver meu filho nesse elo perdido entre o mundo dele e o meu. Levantei num sobressalto; as lágrimas escorriam silenciosas e indefesas ante a fragilidade que eu sentia.
Naquele instante, o peso do mundo se concentrou nos meus ombros e a pergunta que eu evitava finalmente me alcançou no escuro: O que é ser mãe neurodivergente?
É quando a sociedade e a família falham em ser suporte e a mãe atípica adoece no silêncio. O isolamento vira um cárcere, e a exaustão vira risco. Precisamos entender que cuidar de quem cuida é um ato de justiça e humanidade.
Nenhuma mãe deveria ter que ser forte o tempo todo; ninguém sobrevive apenas de resiliência quando o que falta, na verdade, é acolhimento. Que o elo não se quebre pela nossa indiferença. A rede de apoio é o que impede que o amor vire dor.
Nós, mães atípicas, sentimos como se a chuva lá fora fosse o reflexo das nossas lágrimas de exaustão. Um mergulho intenso em um mundo dito "azul" que, de azul, só tem os símbolos. Na realidade, existem todas as nuances de cores: ora nítidas, ora borradas. Um labirinto onde caminhamos em círculos.
Se alguém achar o encaixe exato das peças ou a saída, diga-nos...
E, nesse ínterim, o que me resta nesta madrugada é juntar os cacos de vidro pelo chão.
Lu Lena / 2026
Hipócrita
Isso foi tudo que restou,
um caco de vidro enterrado no peito,
memória ferida que sangra silêncio,
eco de promessas que morreram no escuro.
Teu amor, hipócrita,
era fogo disfarçado de abraço,
ceniza quente que queimava e sorria,
um veneno doce que se escondia nos lábios.
E eu, naufrago de tua ausência,
vago entre sombras de nós que não existem,
cada suspiro um grito afogado
no abismo de um desejo que nunca volta.
Meu coração é de vidro,
transparente e frágil,
onde teu nome
se escreve sem pedir permissão.
Qualquer olhar teu me atravessa inteiro, e até o silêncio aprende a bater junto com a emoção.
Coração de Vidro
Tenho um coração de vidro,
transparente como o que sinto quando te vejo.
Qualquer palavra toca fundo,
qualquer silêncio reflete
em mim teu nome.
Já trincou algumas vezes,
confesso, por amar demais,
por acreditar sem medo.
Mas mesmo frágil,
ele insiste em brilhar
quando teu olhar encosta no meu.
Se um dia fores cuidar dele,
faz com calma:
vidro não suporta
pressa nem descuido.
Em troca, prometo te amar inteiro,
mesmo sendo feito
de algo tão sensível.
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