Quem Nao da Audiencia Abre Concorrencia

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O dinheiro, depois de certa quantia, parece deixar de ser estimulante sexual. Já o poder funciona como um Viagra sem limite de idade.

Festa de família pode derrapar, abrir cicatrizes mal curadas, tirar cadáveres dos armários, avivar conflitos e pôr fogo em guerras não declaradas.

Pai e mãe são tudo, tudo mesmo, algo estratosférico, mais importantes do que qualquer estilo de vida.

É urgente eleger uma mulher para comandar os Estados Unidos.

Neoliberalismo: novo liberalismo sem a sabedoria e a eficiência do velho, mas com a falta de compostura que caracteriza a acumulação primitiva do capital e as pilhagens depois que a terra foi arrasada e a ética morreu, o que permite taxas de acumulação diretamente proporcionais à barbárie usada.

Diplomacia: arte milenar de continuar falando de paz quando a guerra já devastou tudo e só resta fazer as contas dos estragos, das perdas, das mortes e das terras que serão roubadas pelo vencedor.

Música sertaneja: gênero escolhido por pessoas que sempre viveram na cidade, mas ganham dinheiro suficiente para comprar uma fazenda em Goiás.

Rede social: ambiente tecnológico associal em que nenhuma conexão humana prospera.

Seria possível contar a história das forças armadas no Brasil como a história dos golpes de Estado fracassados ou bem-sucedidos.

Os militares brasileiros parecem se atrapalhar com as armas sem guerras para combater. Assim, no tédio das casernas, sonham com poderes políticos.

Toda tese pode ser defendida. Tudo dependerá da capacidade retórica do argumentador.

Um dos problemas de se envelhecer é ter de fazer o normal como extraordinário. Por exemplo, levantar os braços, amarrar os sapatos, coçar as costas, abaixar-se e caminhar.

A elite empresarial e financeira deixou-se seduzir por um capitão dispensado do Exército por tentar um golpe contra seus superiores e o colocou na presidência da República. Foram quatro anos de vexame, culminando com a tentativa de golpe para não devolver o poder depois de derrota em eleições livres e limpas.

A geopolítica, a mais cínica das visões de mundo, divide o planeta em três grandes áreas de influência: chinesa, russa e norte-americana.

Estamos vivendo uma revolução tecnológica e outra comportamental. A ideia de viver para trabalhar já não convence.

Eis uma das distorções da democracia: o mais visível passa a ser confundido com o mais preparado.

⁠Pode existir cidadão quando o homem passa de pessoa a consumidor e de indivíduo a figura virtual?

"O INVENTÁRIO DA AREIA E DO VENTO..."


Ah! Alcancei a crista da onda, aquele ponto cego onde o oceano se torna abismo e as águas, memória; um ápice que não é o topo da montanha, mas o momento em que a descida se torna a única forma de abraçar a terra. Já tenho em mãos o inventário do mundo: o sangue ramificado em filhos, o suor cristalizado em ofícios e os pequenos templos de tijolo que chamo de lar, mas à mesa, o banquete é de silêncio e o tilintar do garfo no prato vazio ecoa uma fome de ser...


A água na geladeira, guardada em vidros gélidos, retém o gosto de todos os rios que não naveguei, sabores de partida, espera e esquecimento que se misturam aos meus pensamentos, cavalos selvagens chicoteados pelo cronômetro. Eles galopam para o ontem em busca de um rastro, caem mortos no solo estéril do agora e fixam o olhar vítreo num amanhã que nunca se deixa tocar, enquanto meu centro se desfaz como um catavento enferrujado tentando ler o sentido dos ventos em dispersão...


Aos quarenta e oito invernos, o corpo reclama o aluguel do tempo e a força, antes uma lança de ferro, hoje é um fio de seda segurando o peso de uma existência que parece ter durado séculos. O álcool deixou de ser celebração para tornar-se um solvente, um mergulho em águas turvas para ignorar o naufrágio das células e os pequenos motins que minha própria biologia organiza contra mim...


Sinto a falta daquela euforia bruta dos finais de ciclo da juventude, da liberdade que cheirava a asfalto quente, antes que o acúmulo de dias se tornasse uma biblioteca de angústias. O livro da [minha] vida decidiu queimar suas próprias páginas; a história quer se abreviar, quer o ponto final antes que a tinta acabe, transformando-me em um ancião que assiste à própria biografia ser devorada pelas traças da finitude, enquanto o horizonte insiste em escrever capítulos sobre minha pele cansada...


Nesse processo de liquefação, aprendi a coreografia secreta do riso para mascarar o estrondo das quedas, descobrindo o luxo de chorar por dentro, uma chuva privada que irriga jardins que ninguém visita. Distanciei-me das âncoras que me prendiam a portos de gente falsa, buscando uma ecologia do ser onde o propósito é a presença da luz e o silêncio dos pensamentos que já pararam...


Não há mais o que explicar sobre a vista que embaça ao tentar ler o que está perto; talvez a alma tenha decidido focar apenas no que é infinito, desdenhando o que é ainda palpável. Sigo agora por este desfiladeiro onde a avalanche dos dias transforma o concreto em névoa e as lembranças em espectros sombrios e distantes, aceitando que tudo morra finalmente em mim, para que eu possa, despojado de tudo, renascer, quem sabe um dia, no vazio...


--- Risomar Sírley da Silva ---

Tanta gente confundindo José Maria com Maria José que, se elas encontrarem a Paz de Espírito na rua, é capaz de pedir desculpas e dizer que estão esperando o Espírito da Paz...


--- Risomar Sírley da Silva ---

A disciplina é a arte de dominar os sentimentos que nos fazem crescer.