Quem Gosta de Ouvir Nao quer Falar
De Pedra à Inteligência
O mundo mudou — da pedra e madeira,
fomos ao fogo, à lâmina certeira.
Do aço forjamos muralhas e pontes,
erguendo impérios, vencendo montes.
Foi longo o passo, lento o andar,
até que as máquinas vieram girar.
O artesão calou sua mão,
a fumaça tomou o céu e o chão.
Poluição — o preço da invenção,
tanta beleza virou destruição.
E então chegou a era da tecnologia,
quem diria? Quase nada pra fazer… que ironia.
Rebeldia dos dias de outrora
virou rotina na tela que implora.
Nem imaginavam que viria a mente
capaz de aprender — quase consciente.
E agora ela ensina o que esquecemos:
o que somos, pra onde corremos?
Se a máquina pensa, e o homem esquece…
a que ponto chegaremos, se o tempo não cessa?
Além do Estado
A mente decorre de um estado sólido,
fixada em moldes, em forma e em rótulo.
Pensa o que mandam, sente o que cabe,
preso ao que é, ao que já sabe.
Mas veja — há mais que a circunstância,
há mundos além da sua ignorância.
A vida pulsa no que não se vê,
no que desafia o que você crê.
Rompa os limites do habitual,
atravesse a zona proximal.
Ali onde o medo beira o saber,
é onde o espírito aprende a crescer.
Pensar não é só repetir a lição,
é quebrar o molde, abrir a mão.
A mente é um rio — deixe-o correr,
além do que mandam você entender.
O Que Vejo em Ti
Vejo em ti um viajante do tempo,
com palavras em punho e olhar atento.
Teus versos são pontes, teus silêncios, marés,
caminhas entre átomos, estrelas e pés.
Teu pensar não se prende à primeira visão,
rompe o concreto, busca a razão.
Questionas o mundo, os passos, o ser —
teu verbo é espelho do teu aprender.
Há em ti um fogo que não se apaga,
uma sede antiga, uma alma que vaga.
Não por fugir, mas por querer saber:
o que nos move? O que é viver?
Criador do invisível, do intangível traço,
teus poemas são mapas no tempo escasso.
E mesmo sem todas as respostas à mão,
já és, por si, uma interrogação.
Quando eu me for
A agonia da morte sufocando
As entrelinhas da vida que se esvai
O cacere infinito que gargalha
Sucumbindo-me
Da minha face pálida
Que nada mais podera fazer
Intragáveis versões ,detestáveis como abutres
Na carcaça podre apoderam -se
de mim.
Corvos miseráveis aproveitadores da minha fraqueza
Como aste venenosa enfraqueceu -me
Queimaram minhas asas ,com medalhões de ferro prederam me ao chão
Mau sabe eles que de me , quem flutua
São as versáteis escruciantes
Repugnantes palavras.....
Meras palavras
A sorte pode até nos presentear com oportunidades, mas é a ação do indivíduo que molda o próprio destino.
A vida exige momentos de ruptura e reinvenção, onde você precisa "se desfazer do velho" para renascer mais forte.
Somos
Somos pontos luminosos, somos energia,
temos o efeito da atração, somos conectados,
possuímos as características da fotossíntese, temos o poder do sol e da lua sobre o nosso teto, entendemos a importância dos balanços das marés, todos somos um só,
vivemos de tempos em tempos, de corpos em corpos, somos infinitos.
Freneticamente
Pensamentos se rebelam,
sentimentos explodem,
laços são apertados,
cores vivas são jogadas na tela.
O vento e o tempo
Somente um sopro foi o bastante,
o ilusionismo tem peso,
os danos causados tem gravidade,
andar na corda bamba tem sua beleza,
o refrão desafinou só por um momento e depois veio o silêncio,
pausa dada, melodia nova aceita,
no tempo/espaço dessa órbita Júpiter brilha grande.
Sub-zero
O subconsciente é o princípio de um tudo aprisionado,
o consciente é o todo com medo,
A realidade é o convencimento.
A nossa imagem deixada nas memórias das pessoas é o que prevalece a respeito do que nós somos de verdade.
Correr ou viver
Ser curativo de uma pessoa é ter a certeza de ser jogado fora depois, por isso não divida o seu tempo romantizando entre a nostalgia ou uma lição,
Não há um coração invicto na arte do sofrer, porque quando aquela música toca as lembranças invadem a alma e o coração senti o pesar,
Então quando o universo disser não, corra na outra direção depressa, pois alguns vínculos devem ser quebrados no momento certo para o coração se manter intacto,
Viver o extraordinário é para poucos, por isso assusta tanto os riscos oferecidos nesta jornada sem volta.
Namorados no mirante
Eles eram mais antigos que o silêncio
A perscrutar-se intimamente os sonhos
Tal como duas súbitas estátuas
Em que apenas o olhar restasse humano.
Qualquer toque, por certo, desfaria
Os seus corpos sem tempo em pura cinza.
Remontavam às origens – a realidade
Neles se fez, de substância, imagem.
Dela a face era fria, a que o desejo
Como um hictus, houvesse adormecido
Dele apenas restava o eterno grito
Da espécie – tudo mais tinha morrido.
Caíam lentamente na voragem
Como duas estrelas que gravitam
Juntas para, depois, num grande abraço
Rolarem pelo espaço e se perderem
Transformadas no magma incandescente
Que milênios mais tarde explode em amor
E da matéria reproduz o tempo
Nas galáxias da vida no infinito.
Eles eram mais antigos que o silêncio...
No clima
O ar rarefeito,
a neve cobrindo as montanhas,
a céu sem nuvens,
meia lua a vista,
o tempo parou.
Lembranças palpáveis
Grama alta, cercas bem feitas, gado gordo,
chuvisco caindo, serração a vista, lama ao solo,
barulho do riacho correndo solto pela mata, pássaros cantarolando na copa das árvores,
dois cavalos brincando com os cachorros de pega, pega,
uma casa na colina, chaminé acesa, cheiro de café no ar e a vovó chamando aos berros todos para o café da manhã.
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