Quem
Quem é feliz não fica afirmando a todo momento a sua felicidade; assim como quem se acha verdadeiro, não afirma toda hora a sua própria verdade... Quando se afirma demais uma coisa, é porque tem-se algo que não é verdade e nem real...
Caminho e o mundo abre como casa sem portas,
entro como quem não recebeu convite e saio como parte da rua.
Degusto uma saudade na esquina, como quem abraça pela primeira vez,
e guardo em meu bolso está parte de quem sou
Volto a caminhar e observo o céu como quem olha teus pulsos, pisando no chão como se este tivesse culpa.
Sou amargo com quem tenta adoçar minha vida "não tenho dinheiro, obrigado".
Agora, vejo as vias correndo e zango-me quando elas param.
Anseio pelo tempo como quem possui encontro marcado .
Retorno e deito-me
Caminho e o mundo abre como casa sem portas (...)
Quem aprende a suportar o silêncio dos próprios pensamentos descobre verdades que o barulho do mundo jamais revelaria.
A verdadeira liberdade não é escolher com quem casar, mas ter a coragem de não casar se não encontrar sentido nisso!
Quem realmente quer não foca nas dificuldades ou nas circunstâncias, pois obstáculos sempre existirão. Com força de vontade, sabedoria e fé — em si mesmo e em Deus — somos capazes de alcançar nossos objetivos.
Para quem tem entre 15 anos de idade ou mais e quer estudar ainda porque não teve oportunidade em sua terra natal, tem o EJA(Educação para Jovens e Adultos), mais tarde do que nunca, se inscreva enquanto ainda tem vida.
Quem é ele?
Diziam que Víctor tinha hábitos estranhos, que colecionava livros de ocultismo, artefatos antigos e totens indígenas. Uns falavam que ele era um bruxo; outros, um sádico terrorista. Havia até quem afirmasse ser ele um alienígena. Tinha noites em que se podia ouvi-lo murmurar palavras indecifráveis que mais pareciam grunhidos a evocar entidades. Um amigo meu me disse certa vez que um terceiro lhe havia dito que alguém teria visto Víctor conversar com estatuetas de cobre enquanto fazia gestos esquisitos com um punhal de prata. Segundo ele, esse alguém teria sido vizinho de Victor. Relatou-me que esse tal vizinho teria visto a cena por meio de um binóculo, espionando através da janela da casa onde Victor morava. Nunca acreditei integralmente em tudo isso. Mas a presença dele realmente incomodava. Talvez por conta das histórias, não sei. De fato, ele era muito obscuro. Victor parecia não ter sentimentos, falava só o necessário, apenas respondia pausadamente, com voz baixa e grave, a quem ousava dirigir-lhe a palavra. Não sei por que nem para que tinha vindo a nossa cidade. Ele pouco saia. Na verdade, Víctor só podia ser visto em público depois que o sol se punha; ou melhor, quando o sol não se fazia presente. Aliás, isso o tornava ainda mais misterioso. Seria ele um vampiro? Se eu acreditasse que vampiros existissem, ele seria a pessoa mais suspeita do mundo. Confesso que o vi pouquíssimas vezes. Talvez umas quatro ou cinco. Ainda assim, não o vi direito... quero dizer: não vi detalhes de sua aparência, por causa do capuz. Só dava para perceber que ele tinha uma pele muito branca, rosto alongado, nariz comprido e fino. Mesmo seus olhos sempre pareciam fechados, na penumbra do capuz, voltados para baixo. Figura sinistra, sem dúvidas. Era bem alto, um tanto quanto corcunda, não se misturava. Dentre outras coisas bizarras, criou-se uma espécie de lenda em que se dizia que Victor não olhava para as pessoas porque, ao olhar, poderia capturar os pensamentos e até mesmo a alma delas. E isso seria um fardo para ele. Por conta dessas histórias, todos desviavam os olhares de Víctor, embora se sentissem misteriosamente atraídos por aquela pobre criatura. Quando o vi pela primeira vez, senti como que se ele pudesse me observar mesmo sem olhar para mim. Sentia também que ele podia ver a tudo e a todos mesmo sem usar os seus olhos. Sempre que um fato inusitado ocorria na cidade, desconfiava-se dele, como que se ele pudesse interferir inclusive na natureza do mundo. Sinceramente, eu tinha muita pena daquele homem, tanto que por não poucas vezes expulsei meninos que atiravam pedras na casa dele para depois darem no pé sem olhar para trás, com medo de se transformar em estatuetas de cobre.
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