Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida

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Se amizade fosse flor, você seria a minha rosa.
Forte, linda e cheia de cor.
Obrigada por me ensinar que dá pra ser doce e valente ao mesmo tempo.
Conta comigo pra regar esse nosso jardim pra sempre!

⁠Na tristeza, Deus ajude minha mente;
Na alegria, Deus perpetue meu gozo;
Há apenas um capaz de me compreender inteiramente.

Eis que faço a minha confissão. Ó meu caro amigo, bem sabes que minha loucura tem asas e não cabe na casa. Escrevo versos contidos, hinos à natureza e ao amor, mas minha mente tem mil voltas e arduamente tento educar minha insanidade que quer gritar obscenidades e clamar pela justiça e a liberdade com sons histéricos e canções insandecidadas de minhas mãos já conhecidadas. Mas tranco minha loucura com grades de ferro e espero que ela morra de inanição. Se eu pudesse falar tudo que eu penso, não restaria pó sobre pó, porque eu sou mais do eu mesma e meu ser não conhece o limite do céu. Escrevo versos educados, mas minha boca quer comer o mundo e regugitar outro planeta. Sim, sou louca, e não posso me ofender com a verdade se meus dedos digitam acorrentados. Não quero assustar o mundo, nem acordar os passarinhos, mas vivo enclausurada em mim mesma, calculando os meus passos e não há margaridas nem begôneas que me contenha. Tenho palavras na boca que não podem ser ditas. Como eu seria livre se eu pudesse me expressar realmente quem sou. Mas não quero que me joguem novamente no calabouço, esse pouco ar que eu respiro me é sagrado e meus poemas são falseados se eu quero extrapolar todos os limites, mas respiro longamente e me limito. Sei que eu nunca poderei ser eu mesma, que a educação sempre calará minha garganta. Mas do amor eu sinto eu não minto, essa é a única verdade dos meus versos cabaleantes, adornados por palavras que desconheço, porque minha sinceridade é do tamanho da minha loucura e seu amor foi a única sanidade que me restou. Não espero ver sua face novamente, bastam-me as lembranças e já tenho metade do céu. Quem ousaria declarar sua insanidade assim tão cruamente? Vivo em uma linha tênue entre a razão e a loucura, mas se te amo há tanto tempo, bem sei que meu amor é verdade e sobrevive heroicamente sobre minha oscilação. Já não me importa mais quem sou, se tristemente vivo o que esperam de mim. E eu queria gritar no sol da tarde até acordar as estrelas e difamar o universo. Morre minha loucura na minha constante educação. E você continua como esperança em forma de canção. Que Deus ouça minha oração.

Sempre que olho pra trás, me pergunto o que minha versão de 8 anos pensaria hoje.

O problema foi você ter entendido a minha exigência em ser respeitada como uma negociação da minha permanência. Não era. Nunca foi. Eu nunca mostrei a alguém como eu devo ser tratada sem ter fechado as minhas malas antes.

Hoje é o dia dela! Minha irmã querida!
Dia desta mulher de fé, iluminada, tendente, forte, alegre, amorosa, sensível, determinada, sábia, sorridente. Tantos predicados que a faz muito especial e significativa para nós.
Peço a Deus sempre te proteja e te conduza, que continue trilhando seu caminho com muita benção, que você colha todos os frutos do seu merecimento, lhe concedendo a paz e a saúde; a força e a coragem, a alegria e o amor; a prosperidade e a vitória.
Continue sendo essa mulher de fibra, essa mulher resolutiva, essa mulher provida de encanto, essa mulher radiante, essa mulher heroína, essa mulher de coração gigante!
Parabéns pelo seu dia, parabéns pela excelência de ser você.
Feliz aniversário! Te amo.

Anjo


És tu ilusão da minha mente?
Projeção dos meus desejos?
Materialização das minhas carências?
Ou minh'alma que transcende?


És um anjo em minha vida.
És de fato o que vejo?
Fé da minha expectativa?
Ou o amor que tanto almejo?


Poema de verso e cânticos
Platônico amor romântico
Me criva na tua memória


E nesse universo quântico
Quando eu pensar no meu anjo
Que eu viva na tua história.


Reeditada em 16/7/26

Houve um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos diaslímpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

Houve um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

Houve um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Tratar bem as pessoas é manter minha emprea de portas abertas.

Minha razão explica por que ajo; a razão alheia testa se minha ação é justa.

Tudo que sou é sobre minha verdade aquilo que vivi e que vivo.

“Assistiram minha luta, mas não carregaram meu peso.”

Minha mente pensa e o "pensador" grava tudo...

*“Dúvida”*


Dúvida, minha dúvida,
por que você insiste em morar entre o que sinto
e o que tento esconder?


Você chega silenciosa,
bagunçando certezas
que eu jurava eternas.
Mas, às vezes,
minha dúvida inclui certezas.


A certeza do teu sorriso
invadindo meus pensamentos
nas horas mais distraídas.
A certeza do vazio
quando você demora a aparecer.


A certeza de que meu coração te reconhece
mesmo quando minha razão
finge não saber teu nome.


Talvez amar seja isso:
um encontro estranho
entre medo e esperança,
entre partir e permanecer


Porque existem sentimentos
que não sabem explicar a si mesmos, mas ainda assim…
têm absoluta certeza de existir.

Minha Noruega 🇧🇻


Minha Noruega mora no silêncio branco das montanhas que conversam com o céu.


Nos fiordes profundos onde o vento antigo guarda segredos que ninguém esqueceu.


Minha Noruega tem cheiro de pinho, de neve caindo sem fazer ruído, de noites longas bordadas de estrelas e um coração calmo, quase infinito.


Vejo auroras dançando no inverno, rios de luz sobre a escuridão, como se o universo escrevesse poemas
direto nas paredes do coração.


Minha Noruega é barco e horizonte, é mar que abraça pedra e solidão, é o frio que ensina delicadeza e transforma saudade em canção.


Nas pequenas casas de luz amarela, há café quente e histórias no olhar; cada janela acesa na distância parece um convite para sonhar.


Minha Noruega não cabe no mapa, porque vive além de qualquer lugar.


Ela existe onde a alma encontra paz e aprende, devagar, a respirar.


E quando o mundo pesa em meus ombros, fecho os olhos sem medo algum: escuto neve caindo ao longe e volto inteiro para o Norte azul.

Capítulo — Quando a porta se fechou

A chegada da minha filha mais nova deveria ter inaugurado um dos períodos mais felizes da nossa família. Mas, quase ao mesmo tempo em que ela nasceu, o mundo inteiro fechou as portas. A pandemia nos trancou dentro de casa, silenciou as ruas, modificou rotinas e obrigou milhões de pessoas a reaprenderem a viver.

Eu acreditava que estávamos enfrentando apenas mais uma fase difícil.

Não estávamos.

Enquanto o mundo parava, meu casamento também parava — só que de uma forma muito mais silenciosa.

Meu marido já não era mais meu marido.

Ele vinha para casa apenas para jantar e dormir. Nos fins de semana, trabalhava. As conversas desapareceram. Não existiam mais planos, risadas, confidências ou discussões sobre o futuro. Falávamos apenas do que faltava comprar, das contas da casa ou de alguma necessidade imediata das crianças.

Nem sobre os filhos ele perguntava.

É claro que eu percebia que alguma coisa havia mudado. Mas tentei justificar tudo.

Pensei que fosse a pandemia. Pensei que fosse o peso de um bebê recém-nascido. Pensei nas dificuldades financeiras. Pensei na minha própria dor, porque eu ainda não havia aprendido a sobreviver à morte da minha mãe. Havia dias em que a saudade voltava inteira, sem pedir licença, e eu mal conseguia respirar.

Talvez, eu dizia para mim mesma, fosse apenas uma fase.

Talvez estivéssemos todos emocionalmente cansados.

Passei um ano inteiro acreditando nisso.

Mas o amor, quando vai embora, deixa pistas por todos os cantos da casa.

Ele já não pegava nossa filha caçula no colo. Não brincava com ela. Não perguntava como ela estava. Saía cedo, sem sequer dizer bom-dia, e voltava apenas para cumprir uma rotina mecânica de comer e dormir.

O que mais me machucava, porém, era vê-lo perder a paciência com nosso filho do meio. Qualquer motivo era suficiente para uma explosão, e eu sempre precisava me colocar entre os dois para protegê-lo.

A casa já não era um lar.

Era apenas um endereço onde quatro pessoas dividiam o mesmo teto.

Até que chegou um sábado de novembro.

Ele entrou com um lanche nas mãos. Entregou às crianças. Sentou-se. Comeu em silêncio.

Então olhou para mim e disse, sem alterar a voz:

— Vou embora. Não aguento mais.

Foi como ouvir uma sentença.

Perguntei por quê.

Disse que podíamos conversar. Que poderíamos tentar. Afinal, eram treze anos de casamento. Treze anos de histórias, sonhos, dificuldades e conquistas.

Mas ele já havia partido antes mesmo de sair pela porta.

Disse apenas que estava com depressão e que precisava se afastar.

Naquele momento, eu acreditei.

Por mais que meu coração estivesse sendo despedaçado, minha maior preocupação deixou de ser o fim do casamento.

Passei a acreditar que o homem que eu amava estava doente.

E pessoas doentes precisam de cuidado, não de abandono.

Depois que ele saiu, tentei ligar todos os dias.

Mandava mensagens.

Perguntava se estava bem.

Perguntava quando veria as crianças.

Não havia respostas.

Nenhuma.

Nem para saber dos próprios filhos.

Naquela época eu também enfrentava outro medo.

Eu estava desempregada.

Precisava alimentar duas crianças pequenas e reconstruir uma vida inteira.

Foi então que decidi transformar um pequeno espaço da casa numa sala de reforço escolar.

Comecei com apenas dois alunos.

Era pouco.

Mas era um começo.

Em dezembro já atendia quatro crianças. Ainda não resolvia todos os problemas financeiros, mas me devolvia algo que eu havia perdido havia muito tempo: a sensação de que eu podia construir alguma coisa com as minhas próprias mãos.

Foi também em dezembro que ele voltou.

Não porque sentisse saudades.

Nem porque quisesse conversar.

Eu havia mandado uma mensagem dizendo que, se ele não buscasse seus pertences, eu colocaria tudo no lixo.

Ele apareceu.

Entrou em casa como quem nunca tivesse ido embora.

Deu bom-dia.

Sorriu para as crianças.

Brincou com elas.

Riu.

Como se nada tivesse acontecido.

Depois devolveu a chave da casa, pegou suas coisas e foi embora.

Simples assim.

Sem lágrimas.

Sem conversa.

Sem despedida.

Sem qualquer demonstração de emoção.

Parecia alguém visitando parentes distantes durante uma viagem: entra, cumprimenta, pega o que veio buscar e segue seu caminho.

Naquele momento, eu ainda alimentava uma pequena esperança.

O Natal estava chegando.

Treze anos juntos.

Dois filhos.

Talvez ele aparecesse.

Talvez quisesse reconstruir alguma coisa.

As crianças pediram para falar com o pai.

Liguei.

Ele atendeu.

Havia música ao fundo.

Estava arrumado.

Desejou feliz Natal.

Mas disse que não viria.

Naquele instante, algo dentro de mim finalmente acordou.

Ele não estava tentando se curar.

Não estava vivendo um tempo de afastamento.

Ele já estava vivendo outra vida.

E, pela primeira vez desde que tudo começou, compreendi que eu precisava parar de esperar.

Naquela noite, entendi uma verdade dolorosa.

Os filhos eram meus.

A responsabilidade era minha.

A força teria que nascer de mim.

Não porque eu tivesse escolhido isso.

Mas porque a vida havia escolhido por mim.

E, embora eu ainda não soubesse, foi exatamente naquele momento — quando todas as portas pareciam fechadas — que comecei, silenciosamente, a reconstruir a mulher que eu seria dali em diante.

Percorri caminhos , tantos que nem sei...às vezes eles surgem em minha mente, na velha sensação de deja vu, uma fugaz lembrança do que fui ou do que sou, por onde andei, não sei...Talvez sejam sonhos...Talvez sejam reais.Só sei que às vezes penso que nada sei.

Beija minha boca com loucura,
faz desse instante o mundo calar,
teu toque acende a minha pele,
como chama que insiste em ficar.


Helaine Machado

Rosa, por que choras?
Helaine Machado, para minha mãe Rosa Alves

Rosa, por que choras?
Se tua beleza é radiante,
tua pétala é tão delicada,
tua cor… puro resplendor.
— Eu choro…
porque minhas lágrimas ninguém vê,
minha dor se esconde no silêncio,
nos espinhos que em mim nascem
e contam tudo o que sofri.
— Mas, rosa…
tua beleza é mais que paixão!
— Para alguns…
mas para mim, sou um coração aberto,
cada cor que carrego
é um sentimento meu.
Sou suave, sou intensa,
sou feita de emoções…
mas cada espinho que cresce em mim
guarda aquilo que me feriu.
— Oh, rosa…
tua beleza é sublime,
enche de vida quem te vê.
— Mas nem todos querem sentir…
alguns desejam só a beleza,
sem aceitar os espinhos
que também fazem parte de mim.

Me diminuí
porque ainda não me conhecia.
Apaguei minha luz
como se fosse pouco…
como se não fosse dom.
Deixei meus talentos esquecidos,
guardados em silêncio,
como quem acredita
que não merece florescer.
Helaine machado