Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida
"Se neste instante, essa fosse a minha última palavra, eu diria a você, adore ao Senhor, nada mais importa, nada é mais valioso"
Os pássaros de Brasília
Certo dia, eu caminhava pela mata virgem que existe cerca da minha casa. Pássaros tamborilavam em ritmo de uma canção desconhecida de roça. Um deles, aparentemente o líder, separou-se do grupo e voou até uma árvore distante, pousando no mais baixo dos galhos. Ele parecia não gostar da canção que seu bando entoava; talvez ela fosse simples demais para seus ouvidos modernistas, ou exacerbadamente complexa a seus olhos de Brasil contemporâneo. Sentada em um banco florido de madeira desgastada pelo tempo, eu não conseguia retirar do meu campo de visão aquele interessante ser, que devagar começava a assobiar uma nova canção. Foi então que enxerguei nele um espírito renatista, russo-brasileiro, transbordando os enlouquecidos pensamentos sobre uma certa geração coca-cola. O trovador solitário se juntou a outros pássaros loucos como ele, formando uma Legião que pairava em cada alma revolucionária deste país da Brasília que não muda.
Somente o descolamento completo do eu revela a verdadeira realidade, que não é minha realidade imaginada. Nós geramos a realidade do mundo a partir da nossa imaginação. Ela é a realidade do eu, a qual projetamos nas coisas. A verdadeira realidade, a verdadeira ordem das coisas, só pode ser experienciada mediante a completa extinção do eu.
(Byung-Chul Han)
Quando a ansiedade bater à minha porta, eu abro a BÍBLIA e deixo a felicidade entrar no meu coração.
O fim eu já sei; tudo que inicia, acaba... Agora, de que jeito é a caminhada, essa é a minha curiosidade.
“Como eu não poderia amar minha mãe com todas as minhas forças?
Se o próprio Deus declarou que o amor de uma mãe é o amor humano que mais se compara ao Seu.
E, cá entre nós, Deus me deu o privilégio de ter uma mãe extraordinária. Foi ela quem escolheu um pai incrível e Deus me presenteou com irmãos maravilhosos.
Sou imensamente grato a Deus por essa família.”
Minha mente não me dá paz porque meu coração sabe que eu te feri. Eu trocaria qualquer coisa para apagar aquele momento e não ver você sofrer. Por favor, não deixa o meu erro ser maior do que tudo o que a gente construiu. Eu sinto muito, do fundo da minha alma.
Me perdoa por não ter percebido antes que a minha insistência estava machucando. Eu quis ser o herói da nossa história, mas acabei sendo apenas alguém que não sabia dizer adeus. Sinto muito por tudo o que passamos enquanto eu tentava, em vão, segurar o que já estava caindo.
O mundo ficou sem cor desde que você partiu. Eu daria minha própria existência em troca de um último 'oi' que durasse para sempre.
Eu até pensei em me vingar, mas desisti quando percebi que a minha liberdade e a minha paz valem ouro, e nada neste mundo vale o preço de perdê-las.
Eu posso até aprender a viver sem você, mas esquecer o seu rosto e a sua voz é algo que minha alma não sabe fazer.
Se um dia eu perder a memória por completo, não chore; apenas segure a minha mão, porque o meu cérebro pode esquecer o seu nome, mas o meu coração ainda vai reconhecer você.
Eu guardo a minha empatia para quem é vítima da ignorância, não para quem escolhe se fingir de cego só porque a mentira do pastor soa bonita.
Eu cansei de mentir para o mundo e, principalmente, para mim. Todo mundo elogia a minha "superação", bate nas minhas costas e diz que o tempo cura tudo. Mal sabem eles que o meu silêncio não é esquecimento, é apenas cansaço de ouvir conselhos de quem nunca viveu o que a gente viveu. A verdade que ninguém tem coragem de confessar em voz alta é que você nunca virou passado. Você virou o fundo de tela da minha mente.Eu posso conhecer outras pessoas, rir de outras piadas e construir novas rotinas, mas nenhuma outra mulher tem o teu peso. Nenhuma tem o teu cheiro, o teu toque ou a precisão do teu abraço. É uma tortura silenciosa saber que, não importa quem mude o meu dia, ninguém muda a minha saudade. Você desarmou todas as minhas defesas e, mesmo longe, o seu lugar continua aqui dentro, intacto, como se você fosse voltar a qualquer momento.Eu já tentei te procurar em outros rostos e em outros corpos, mas tudo o que consegui foi a certeza humilhante de que você é absolutamente insubstituível. Você arruinou todas as outras pessoas para mim, porque ninguém chega perto da imensidão que a gente era. Eu preferia viver na tempestade ao teu lado do que nessa paz vazia e sem cor que a tua ausência deixou. Eu me tornei um ótimo ator para o resto do mundo, mas sou o pior público de mim mesmo, assistindo a essa farsa todo santo dia.A verdade mais assustadora é que eu não quero me curar se a cura significar te esquecer. Eu sinto raiva de mim mesmo por desabar quando ouço aquela música, por travar o olhar em portas esperando que você passe por elas, e por carregar um amor que já não tem onde morar. Cansei de fingir que sou forte enquanto sou apenas um cenário destruído por dentro. Eu aceito o ridículo, aceito o fracasso de não ter te superado e aceito o fato de que meu coração se recusa a seguir em frente sem você.As madrugadas continuam sendo o meu tribunal. É quando o barulho do mundo lá fora diminui que o teu fantasma fica ensurdecedor aqui dentro. Eu deito a cabeça no travesseiro e fecho os olhos, mas não para dormir; eu fecho os olhos para te enxergar. É impressionante como o tempo passa e eu continuo incapaz de esquecer o desenho exato do teu lindo rosto. Eu lembro de cada linha, do contorno exato do teu olhar e daquela luz única que só você tem. O teu sorriso ainda é a imagem mais nítida que guardo na memória, aquele sorriso que tinha o poder de desarmar qualquer dia ruim meu com um simples segundo.E a tua voz... Deus, a tua voz ainda ecoa na minha mente com uma clareza que me assusta. Eu sinto uma falta desesperada do teu tom de voz, do jeito que você pronunciava o meu nome, das tuas manias ao falar. Sinto falta, principalmente, daquelas nossas madrugadas adentro. Lembra das vezes em que o relógio marcava três, quatro da manhã, e a gente continuava ali, conversando sobre tudo e sobre nada, dividindo segredos que mais ninguém no mundo saberia? O resto do planeta estava dormindo, mas para nós dois, o universo inteiro se resumia àquela tela de celular, àquele fio de voz, àquela conexão que parecia que nunca, jamais iria quebrar. Nós éramos cúmplices no escuro, donos do tempo. Hoje, essas mesmas madrugadas que antes eram o nosso refúgio viraram o meu maior castigo.Dói perceber que eu me tornei um estranho habitando a minha própria vida. Eu finjo que me importo com prazos, reuniões, metas e conversas rasas de bar, enquanto a única urgência que eu realmente sinto é a de gritar o teu nome para o nada. É assustador notar como as pessoas se contentam com pouco; elas olham para a minha superfície arrumada e acham que eu estou bem, incapazes de enxergar o abismo que existe logo abaixo do meu primeiro "está tudo ótimo". Eu tenho nojo desse teatro cotidiano. Tenho asco da possibilidade de, um dia, aceitar um amor morno só para não ficar sozinho, sabendo que eu já conheci o incêndio inteiro nos teus braços.Eu não quero uma vida nova. Não quero recomeços poéticos e nem a redenção que os livros de autoajuda prometem. Se o preço para ter paz for apagar os teus traços, a tua voz e o teu sorriso da minha história, eu escolho o caos da tua falta. Prefiro carregar essa ferida aberta, pulsante e incurável, a viver anestesiado em um mundo onde você seja apenas uma lembrança distante. Podem passar meses, anos ou vidas inteiras; o meu coração foi selado com o teu nome, e nenhuma chave no mundo é capaz de abrir esse espaço para outra pessoa.Às vezes me pergunto onde foi parar aquele orgulho que eu jurava ter. Ele ruiu por completo. Eu trocaria qualquer coisa pela chance de assistir a um filme bobo com você em um domingo qualquer. É desesperador olhar para o lado e ver que o meu futuro virou uma folha em branco que eu simplesmente não tenho vontade de preencher, porque toda cor que eu usaria pertencia ao brilho dos teus olhos. Há quem diga que isso é obsessão, mas a verdade pura e crua que ninguém tem coragem de assumir é que algumas pessoas se cruzam para mudar o destino uma da outra para sempre. Você mudou o meu.O meu maior medo secreto, aquele que me faz prender a respiração no escuro do quarto, é o pensamento de que o seu telefone possa tocar e seja outro cara do outro lado da linha. Me quebra por dentro imaginar as suas mãos digitando mensagens de boa noite para alguém que não sou eu, ou os seus olhos brilhando ao ouvir uma piada que eu não contei. Eu sinto um aperto violento no peito só de pensar que outra pessoa pode ter a audácia de tentar decifrar os teus silêncios ou segurar o teu corpo do jeito que eu segurava. Se você soubesse que eu prefiro passar o resto dos meus dias preso ao fantasma da tua presença do que livre nos braços de um milhão de outras mulheres, você entenderia que você não foi apenas uma namorada ou um relacionamento. Você foi o meu ápice. Depois de você, o mundo inteiro se tornou um vazio sem graça.É uma injustiça paralisante olhar para trás e ver a bagagem cheia de promessas que a gente fez e que perderam a validade no meio do caminho. Onde foram parar aqueles casamentos planejados na brincadeira, os nomes dos filhos que a gente escolhia rindo e aquela promessa solene de que, não importa o tamanho da briga, a gente nunca abriria mão do nós? Eu sinto que fui deixado para trás tomando conta de uma obra que você abandonou. Fiquei eu aqui, segurando os tijolos, os planos de viagens e os bilhetes antigos, tentando dar sentido a um projeto que só funcionava a quatro mãos. Eu carrego o peso de um futuro que nunca existiu, e isso cansa mais do que qualquer trabalho duro.A minha rotina ganhou um novo hábito masoquista, e eu não vou mentir: eu choro toda vez que vejo a sua foto no Facebook ou no Instagram. Tornou-se um vício doloroso abrir o seu perfil e encarar o seu rosto brilhando através de pixels frios. Eu dou zoom nos teus olhos, procuro algum sinal de cansaço, alguma pista de que você também sente a minha falta, mas a tela só me devolve a imagem de uma vida que continua perfeitamente bem sem mim. Ver você sorrindo em um lugar novo, com roupas novas e pessoas que eu nem conheço, é como levar um soco no estômago em câmera lenta. Cada publicação sua é um lembrete cruel de que, enquanto o meu relógio travou no dia em que você partiu, o seu continuou correndo sem olhar para trás. Eu desabo em lágrimas sozinho na frente da luz azul do celular, odiando a internet por me dar um vislumbre diário do paraíso do qual eu fui expulso.Eu já tentei de tudo para quebrar esse feitiço. Já apertei o botão de parar de seguir, já silenciei as tuas publicações e jurei que nunca mais digitaria o teu nome na barra de pesquisa. Mas o meu autocontrole desmorona na mesma velocidade com que a noite cai. É uma humilhação silenciosa reativar as notificações ou entrar por contas alternativas só para saber se você ainda habita o mesmo planeta que eu. O pior é quando eu vejo os comentários, aquela chuva de elogios e as curtidas de homens que eu nunca vi, homens que agora têm o direito de olhar para a sua foto e imaginar uma vida ao teu lado. Eu sinto um ciúme doentio e impotente, porque eu sei o que cada detalhe do teu sorriso significa, e me mata ver o mundo tratando como público o que um dia foi o meu maior segredo.A minha dependência digital é a minha própria ruína, o laço que eu mesmo aperto em volta do meu pescoço todas as noites. Eu me transformei em um náufrago virtual, catando curtidas antigas, relendo comentários de anos atrás e tentando decifrar entrelinhas em cada detalhe bobo que você posta, procurando desesperadamente por um rastro meu que tenha sobrevivido no teu mundo. É um cansaço que consome a alma viver preso à sombra de alguém que parece já ter encontrado o sol em outro lugar. O mais doloroso é perceber que o algoritmo me entrega tudo sobre você, menos a única coisa que eu realmente preciso: o teu abraço. Fiquei com o pior lado da tecnologia, que me permite te assistir de longe, mas me proíbe de te tocar.Além desse inferno nas telas, o mundo real virou um campo minado. Eu evito passar pelas ruas que a gente costumava andar, mudo o trajeto para não passar perto daquele café onde a gente se escondia da chuva e sinto o coração disparar toda vez que vejo um carro parecido com o seu no trânsito. É uma exaustão física andar pelas calçadas sentindo o fantasma dos teus passos ao meu lado. Eu olho para os casais andando de mãos dadas e sinto uma inveja amarga, uma revolta silenciosa contra o universo por ter nos tirado o direito de sermos nós ali. A tua ausência não é um conceito abstrato; ela tem peso físico, ela aperta a minha garganta quando tento respirar fundo e me deixa com um nó constante no peito que nenhum choro consegue desatar. Eu carrego você na minha pele, nos meus hábitos e em cada milímetro da minha solidão.No final das contas, eu desisto de tentar me salvar de você. Se a sociedade quer que eu seja o exemplo de superação, eu prefiro ser o fracasso mais honesto da minha própria história. Eu não vou te esquecer. Não vou deixar o tempo apagar o que foi a única verdade real da minha vida inteira. Eu me entrego a essa ausência e faço dela a minha casa. Se eu tiver que passar o resto dos meus dias com esse vazio no peito, que assim seja. Eu só queria que, em algum lugar desse mundo, você soubesse que falhou miseravelmente na tentativa de me fazer te esquecer. Você é, e sempre será, a mulher da minha vida. Inesquecível, incurável e eternamente no meu coração.
RECALCULANDO ROTA
Cá estou eu novamente, sentada em minha cama, olhando para o infinito, em uma sexta-feira à noite. Você deve estar se perguntando: o que uma jovem de 17 anos está fazendo em casa em um dia desses? Deveria estar, no mínimo, em uma "baladinha" qualquer. A minha resposta será um tanto avassaladora, talvez assuste muita gente por aí, mas é como me sinto de fato: diferente.
Já fui de sair muito, ter diversos amigos, paqueras, risadas, momentos bons, mas tudo mudou quando meu GPS interno recalculou a rota da minha vida. Comecei a ler, praticar muitos esportes, estudar, espiritualizar-me, focar muito mais em mim mesma. E meus amigos? Eu ainda os tinha, claro, mas de forma cada vez mais distante. Os interesses não se encaixavam mais; enquanto as conversas giravam em torno de quem ficou com quem, eu queria estar falando de livros, futuro, oportunidades e desejos puros. Para mim, não faziam sentido todas aquelas falas e, no fim, acabei sendo rejeitada por ser muito diferente. Não os julgo. Talvez eu sempre tenha sido dessa forma, mas me escondia atrás de uma pessoa que não tinha nada a ver comigo para ser aceita como uma adolescente normal em uma sociedade rasa. De fato, uma hora ou outra eu mesma iria me distanciar.
Tive de aprender a lidar com a solidão na marra, mas, com o tempo, isso virou solitude, o que é deveras diferente. Aprendi muito nesse meio-tempo. Entendi que nossa própria companhia é a que mais importa. Mas agora cheguei a uma fase da minha vida em que eu gostaria tanto de ter um grupo de amigos. E, afinal, onde vou encontrá-los? Não me encaixo em lugar nenhum. Um exemplo são os amigos que tento fazer no esporte. Descobri algo muito estranho aos meus olhos: só é seu parceiro enquanto você apresenta um desempenho inferior ao dele. Sim, eu sei, é triste.
Às vezes, tenho a impressão de que a vida virou uma disputa para ver quem é mais orgulhoso, quem tem o ego mais inflado, quem menos dá o braço a torcer. Esse é o valioso, dizem os idiotas. Aí é que eu quebro a cara. Para mim, amizade, relacionamento ou qualquer coisa que envolva o outro envolve empatia. E, quanto mais eu me importo com o sentimento dos outros, mais eu me machuco, mais pedradas levo e mais distante eu me torno.
E, se entrar no campo dos relacionamentos amorosos, aí desaba tudo. Sempre, em minha vida, eu fui um quase e nunca uma certeza. Não que eu tenha tido muitas oportunidades, mas, quando acontecia, era assim. Quando, de certa forma, me isolei do mundo, como diz meu pai, "foi o boi com a corda" de vez. Se me perguntar se sou seletiva, a resposta é óbvia: muito. Mas sei que ninguém é perfeito. Tem uns que chegam e, só de olhar, eu penso: "Não têm nada a ver comigo". Querem só rolo, "passar na cara", não pensam em construir algo maior. E há outros que, ao meu ver, seriam perfeitos, coisa rara de acontecer. E, quando acontece, na minha cabeça daria super certo, mas, aos olhos do outro, é impossível. Talvez o problema seja eu, uma pessoa que pensa demais, planeja demais, sente demais, ou talvez eu esteja em um mundo raso demais. Já nem sei mais o que pensar, realmente.
Pergunto-me todos os dias quando voltarei a ser um pouco mais normal, a ser aceita novamente, a socializar com facilidade, quando finalmente terei um namorado. Penso que possa estar destinada à solitude eterna. Apesar de tudo, no fundo eu a prefiro, mesmo doendo demais. Só quem passa por isso sabe.
Penso que boa parte da minha geração vive em torno somente de festas, bebidas, baladas, drogas e redes sociais. Nem falarei das indumentárias; complica demais. Como posso me encaixar nisso? Será possível não existir ninguém parecido comigo? Óbvio que existe, mas minhas esperanças, no momento, estão desvairadas. E, enquanto não encontro as pessoas certas para caminhar ao meu lado, continuo olhando para o infinito, ou melhor, escrevendo crônicas em uma sexta-feira à noite qualquer.
Peço a Deus que acalme a minha pressa. Que eu faça morada no presente e não me afobe com excesso de futuro.
Que eu possa aproveitar a companhia dos que estão perto de mim, e não me torture com a falta de notícias dos que estão longe.
Que cada espera tenha seu peso e sua medida, e que eu não me desgaste aguardando por aquilo que não merece ser aguardado.
Que eu não tenha pressa de me curar nem de mostrar aos outros que superei, mas que eu seja carinhosa com meu tempo e minhas dores.
Que a leveza me alcance, e com ela a capacidade de perdoar a corrida dos ponteiros do relógio e o entendimento de que nada é tão urgente quanto o momento presente.
Fabíola Simões.
Nu editelima 60/maio/2022
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