Que Saudades eu tenho da Aurora da minha Vida

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Disse adeus a muitas coisas: minha primeira dentição, minha chupeta, meu cabelo, meu amigo imaginário, minhas fraldas...
- E às pessoas?
Não precisei. As que não faziam parte do caminho foram embora por si só. E eu também nunca precisei dizer adeus à saudade que me deixaram: ela, ao me lembrar dos bons momentos, encheu-se de si e partiu junto a eles.
- Mas e as (pessoas) que morreram?
Não morreram (para mim). Estão dormindo em meu coração.

Fomos ver o pôr do sol, mas o sorriso dela chamou mais minha atenção.

Minha mente é muito perigosa. É incrível o quão é difícil para mim não pensar. Até agora tem sido impossível.

Não lhe tiro da minha cabeça
Nem por um segundo do dia
Quanto mais o tempo passa
Mais apaixonado fico... Eu diria...

Sou tão grato por me amar
É tão bom ter você
E como então não sonhar
Em ao teu lado sempre lhe ter?!

Eu te amo tanto, meu bebê

Num dia desses, minha andança por POA coincidiu com o horário de saída de um colégio. Crianças invadiram a calçada enquanto eu passava. Algumas ficaram me olhando fixamente. Na verdade, olhavam para meus cabelos. E riam. Saquei que elas nunca tinham visto um cara cabeludo! Estranho é que havia, entre as crianças, vários moicanos. Fala um pouco a respeito do nosso tempo o fato deste corte de cabelo complexo, que necessita aditivos químicos para dribar a gravidade, parecer mais natural às crianças do que cabelos que... simplesmente... naturalmente... crescem.

"O culto da paixão tem mais sabor que pitanga roubada e minha alma dissoluta, dissimulada, mistura ao vinho uma idéia de me jogar em lençóis de linho ou no mar

Minha cabeça é um mar cheio de ondas, umas vêm e me derrubam, outras vão e me levam. De vez em quando fica tudo calmo, sereno, é aí que tenho receio. Nada nunca é tranquilo pra mim. Acho que acostumei com isso: um temporal vive aqui dentro. Talvez seja disso que você tem medo, pois tem gente que não gosta de chuva.

Ao me deitar, agradeço ao meu corpo por manter minha saúde sempre dentro da normalidade. O bom da vida é isso! É lembrar que estou aqui para ser parcela viva de gratidão ao Universo!

Sorte minha que nasci assim: vim ao mundo para sentir.

ESTE É O PRÓLOGO

Deixaria neste livro
toda a minha alma.
este livro que viu
as paisagens comigo
e viveu horas santas.

Que pena dos livros
que nos enchem as mãos
de rosas e de estrelas
e lentamente passam!

Que tristeza tão funda
é olhar os retábulos
de dores e de penas
que um coração levanta!

Ver passar os espectros
de vida que se apagam,
ver o homem desnudo
em Pégaso sem asas,

ver a vida e a morte,
a síntese do mundo,
que em espaços profundos
se olham e se abraçam.

Um livro de poesias
é o outono morto:
os versos são as folhas
negras em terras brancas,

e a voz que os lê
é o sopro do vento
que lhes incute nos peitos
- entranháveis distâncias.

O poeta é uma árvore
com frutos de tristeza
e com folhas murchas
de chorar o que ama.

O poeta é o médium
da Natureza
que explica sua grandeza
por meio de palavras.

O poeta compreende
todo o incompreensível
e as coisas que se odeiam,
ele, amigas as chamas.

Sabe que as veredas
são todas impossíveis,
e por isso de noite
vai por elas com calma.

Nos livros de versos,
entre rosas de sangue,
vão passando as tristes
e eternas caravanas

que fizeram ao poeta
quando chora nas tardes,
rodeado e cingido
por seus próprios fantasmas.

Poesia é amargura,
mel celeste que emana
de um favo invisível
que as almas fabricam.

Poesia é o impossível
feito possível. Harpa
que tem em vez de cordas
corações e chamas.

Poesia é a vida
que cruzamos com ânsia,
esperando o que leva
sem rumo a nossa barca.

Livros doces de versos
sãos os astros que passam
pelo silêncio mudo
para o reino do Nada,
escrevendo no céu
suas estrofes de prata.

Oh! que penas tão fundas
e nunca remediadas,
as vozes dolorosas
que os poetas cantam!

Deixaria neste livro
toda a minha alma...


tradução: William Agel de Melo

Federico García Lorca
Obra Poética Completa

Não aguento mais essa confusão dentro da minha cabeça que, acaba passando para o meu coração e me ferindo novamente…

Toda história tem três versões: a minha, a de quem conta e a verdadeira, que pode ser igual a minha ou a sua.

Alê Paixão

Nota: Adaptação do provérbio chinês.

Fiquei sem meus peões, meu cavalo, minha torre, meu bispo... E até a rainha... Mas ainda é muito cedo para um xeque-mate.

Será talvez
Que minha ilusão
Foi dar meu coração
Com toda força
Pra essa moça
Me fazer feliz
E o destino não quis
Me ver como raiz
De uma flor de lis

Quanto mais olho para minha sogra, mais me convenço de que o divórcio é apenas uma questão de tempo.

Não confio em ninguém, nem mesmo em minha sombra, pois tem hora que ela não aparece.

Escrevo diante da janela aberta.
Minha caneta é cor das venezianas:
Verde!... E que leves, lindas filigranas
Desenha o sol na página deserta!

Não sei que paisagista doidivanas
Mistura os tons... acerta... desacerta...
Sempre em busca de nova descoberta,
Vai colorindo as horas quotidianas...

Jogos da luz dançando na folhagem!
Do que eu ia escrever até me esqueço...
Para quê pensar? Também sou da paisagem...

Vago, solúvel no ar, fico sonhando...
E me transmuto... iriso-me... estremeço...
Nos leves dedos que me vão pintando!

Mario Quintana
Quintana de Bolso. Porto Alegre: L&PM Editores, 1997.

Acredito que amanhã os angolanos hão-de entender o real motivo da minha luta. E neste dia, homens e mulheres da minha pátria, letrados ou não, hão-de caminhar em busca da verdadeira paz, em busca da verdadeira democracia. Terão a coragem de enfrentar o Regime. Porque não há na historia da humanidade um governo que pode oprimir um povo eternamente.

Só me sinto vivo quando estou usando a minha espada.

A sexta feira bateu na minha porta e perguntou: "Posso?", respondi: "Pode, mas rapidinho, pq eu quero mesmo é o sabado"