Que meus Pes me Levem
Hoje foi um dia triste para mim, fiquei sem você e, na despedida, os meus olhos escreveram em forma de lágrimas a minha dor.
A ansiedade entrou na minha vida, para atormentar os meus pensamentos com preocupações que não são de hoje.
Se olhando dentro dos meus olhos você não consegue enxergar nada, desculpa, vai ser inútil ouvir de mim o que estar escrito na lente da alma.
Eu andei no jardim dos meus pensamentos no domingo a tarde e encontrei você, sentada no meu coração.
Senhor, guia-me na tua justiça, por causa dos meus inimigos; endireita diante de mim o teu caminho.
Ela sabe dos meus esconderijos
Ela sabe onde me encontrar
Ela sabe onde se esconder
Ela sabe onde me enfraquece
Ela sabe não permanecer
E mesmo assim nunca deixar de estar sempre perto
Eu tenho medo dos meus abismos, e creia, não é por não saber o que existe dentro deles, é exatamente pelo contrário.
O som que eu gosto
O som que sempre gostei
Faço repetir aos meus ouvidos
Como um acalanto ao coração
Como um reviver
Como trazer a presença
Mesmo que distante
Antes de eu tocar num pincel, eu já havia mergulhado meus olhos nas melhores obras já vistas.
O pássaro que voa tranquilamente; o sol que sai de casa de manhã, banhando o mundo com seu perfume gostoso de quentura; assim como também o canto dos pássaros em minha janela, toda vez que a abro para servir como porta-voz de doces vozes melodiosas.
Eu gostaria de guardar cada traço dessas lindas imagens em algo além do que apenas em meu coração, mas uma câmera digital é rápida demais, pois faria com que a missão de capturar o belo fosse ligeira como um trem — e o que desejo é me sentar num canto qualquer desse mesmo trem, (não mais em movimento) e sentir contra o corpo o mesmo vento que não pôde ser pintado naquele trem apressado.
Olho para uma foto que tirei de uma linda paisagem, mas não sinto seu calor.
Olho para a mesma imagem numa tela coberta de tinta e, no mesmo instante, meu coração se aquece.
De imediato...
Posso compreender que meu vento não está no mundo lá fora, ele já mora aqui dentro de mim.
Para fazê-lo sorrir, devo olhar para os únicos palhaços que conseguem pintar dentes reluzentes em meus lábios.
Dito isso, sentada numa cadeira do vagão, olho pela janela e vejo o circo acontecer diante de mim, com apenas a dança da gaivota e o vento seguindo o som do compasso do trem apressado.
