Quanto Vale um Abraco
A obrigação jurídica nasce onde a liberdade de um indivíduo passa a produzir deveres juridicamente exigíveis perante outro.
Um dia me disseram que o maior feito de um professor é ser esquecido. Esquecido o motivo, não a presença. Esquecida a data da prova, não a sensação de alívio ao entregar a folha. Esquecido o conteúdo exato da matéria, mas jamais o timbre da voz que disse confiar num aluno que às vezes nem tinha essa confiança dentro de casa. Ser professor é, de fato, virar memória afetiva. É instalar-se na alma do outro como uma mobília invisível. Ninguém aponta para o peito e diz: “Devo minha felicidade àquela aula de história do dia 15 de maio”. Não. A gratidão é mais sutil, mais entranhada. É um tempero. O aluno se transforma e, anos depois, não saberá dizer onde começou a metamorfose, mas o professor estava lá, no casulo. Nas minhas palestras para professores, eu sempre ressalto essa herança, esse valor que não cabe no holerite. A gente nunca pode esquecer o nosso tamanho, mesmo quando tentam nos diminuir. É uma profissão de solidão assistida. Os pais podem não valorizar, afobados em educar os filhos para o sucesso, esquecendo-se do ser. O poder público pode não valorizar, míope, preocupado com as estatísticas que apagam os indivíduos. A sociedade pode não valorizar, com sua pressa e sua idolatria ao que é instantâneo. Mas um professor... ah, um professor sempre saberá reconhecer a importância de outro professor. É um reconhecimento de trincheira. Um olhar cúmplice que atravessa o pátio da escola e diz tudo. Um professor vê no outro a voz rouca no fim do dia, a mancha de caneta nos dedos, a paciência remendada com afeto, a esperança teimosa de acreditar num futuro bom. Dos futuros que carrega no coração. Porque ser professor é ser um artesão do tempo. É ter a coragem de ser a ponte. E é no olhar de quem escolheu no presente a tarefa de explicar o passado, que mora o brilho inconfundível desse futuro que muitos nem sabem que desejam. Feliz dia do professor.
Edgard Abbehusen, escritor, pedagogo e palestrante.
A democracia não é apenas um mecanismo de escolha de governantes, mas uma estrutura jurídica destinada a impedir a concentração ilimitada do poder.
Um milésimo de segundo
Sou como asfalto quente em dia de calor. Absorvo tudo à minha volta:
cansaço,
rotina,
2.192,19$
um emprego sem benefícios,
segunda a sexta,
contrato político.
Deve ser por isso
que estou nervosa para a prova do concurso:
inflação,
dor no pescoço,
a louça por lavar,
ele não gostou da panqueca de banana.
Acho que tenho dificuldade
de aceitar que discordem de mim,
principalmente quando se trata
do homem que escolhi
para dividir a minha cama,
os meus dias de dor,
angústia
e raiva.
Apesar de tudo isso,
da vida
e do cotidiano
de uma mulher de 26 anos
que está aprendendo a viver,
tenho muita expansividade.
Sinto o toque da chuva,
o ardor dos raios de sol
pela janela do carro
Danço de calcinha
e sozinha,
lavando a louça.
São momentos assim
que fazem a vida valer a pena:
um milésimo de segundo
de insanidade.
Te amei como um leitor ama os livros, vc nunca leu meu coração vc era apenas era o mentor da minha dor
Te amar me fazia cair no abismo esperando que fosse o paraíso
Foi só achismo
Minha dor pra você foi decoração, achei que era amor, só me transformou em confusão
Te desejo um arco-íris de infinitas cores, para pintar a vida com tudo aquilo que realmente importa: amor, leveza, esperança e felicidade. Que nunca nos falte luz para enxergar o que nos faz bem, nem sabedoria para deixar para trás tudo o que rouba a nossa paz. Que a gente escolha caminhar ao lado de quem soma, floresce e ilumina nossos dias. Porque a alma merece cores bonitas, o coração merece tranquilidade e a vida merece ser compartilhada com quem faz o bem florescer dentro de nós.
O Despertar das Almas
Há encontros de almas,
Há energias que se tocam,
Como o brilho de um olhar
Que acende a esperança de um novo dia.
Ele te move e te faz enxergar
O que estava escondido e descuidado,
Como uma motivação para voltar
A ser como sempre foi.
Por algum motivo,
Ficou na escuridão, sem esperança...
Mas a alegria, quando volta,
Põe tudo a mudar.
— Roseli Ribeiro
Erguem-se os homens ao trono do Estado,E em suas mãos, o destino de milhões,Sob um comando cego e implacável,Que move massas, forças e nações.Por essa glória de ilusório brilho,Caminham firmes, sem poupar a ética,Trilhando a fraude, o erro e o desvario,Numa vaidade estéril e patética.
O ego impera, a ganância dita as leis,Promessas voam como fumo ao vento,Rios de ouro vertem para estes reis,Mas o povo padece no esquecimento.Quem os contesta enfrenta a vil vingança,Pois a injustiça é a arma de quem pregaUma disputa onde a virtude cansa,E a própria pátria ao exterior se entrega.
Nenhum dos lados traz a solução,Nenhum partido cumpre o seu papel,Enquanto o povo espera na opressão,Sob o silêncio de um decreto cruel.Contudo, a culpa não reside neles,Não são as cores que nos dão o norte;A verdadeira história não é deles,É sobre nós que pesa a nossa sorte.Onde se esconde a alma verdadeira,Que zela pelo todo e o bem comum?Quem erguerá a mística bandeira,Sem esquecer de povo algum?
Ass: Roseli Ribeiro 2026
Gatilho
Por Roseli Ribeiro (2026)
Ansiedade. Pânico.
Dizem ser frescura,mas é silencioso.
Um barulho qualquervira gatilho.
Falta o ar, o peito sofre a punhalada.
O choro transborda, a razão some.
O emocional quebra.
A raiva consome.
Reza, chora pede discernimento.
Respira fundo!
Tenta distrair a mente.Ninguém entende.
O peso é só teu.O "outro" é muita gente para compreender.
Procura-se um refúgio,uma fuga da crise.Você acha que passou,mas nunca cessa: é contínuo.
O respeitar o próximo é apenas uma palavra bonita para muitos, não é atitude!
O reconhecimento, portanto, é postergado para além da existência. A morte atua como um filtro purificador: ela remove a ameaça prática da ação e transforma o indivíduo incômodo em um símbolo estático. Somente quando o herói deixa de ser uma força viva e imprevisível é que a sociedade se sente segura para ritualizar sua memória. Santifica-se o morto para silenciar o impacto que ele causava quando vivo, convertendo o tributo tardio em uma tentativa de reconciliação com a própria covardia moral do tempo presente.— Roseli Ribeiro, 2026
O trabalho enobrece o ser humano, nos dá asas, coragem e destino. Sem ele, vagamos em vão, um vazio no meio do caminho. Sentimo-nos como o zero à esquerda, invisíveis no mar de gente, ignorados na própria incerteza, sem valor para quem não nos sente. Somos vistos só como um número, quando o mercado nos dá o valor; mas sem ele, caímos na sombra, no meio da multidão sem amor. Perdidos, carentes, distantes, como alguém que ninguém quer notar. Somos vidas, não meros instantes, que precisam do mundo abraçar.
No meio de uma imensidão sem fim,
Somos apenas um grão de areia,
Diante da grandeza que brilha em nós e fora de mim,
Em um mistério que a mente não clareia.
Nosso planeta é divino, intocável e perfeito,
Guarda segredos na terra e no coração,
Além do conhecimento que trazemos no peito,
Muito além de qualquer humana razão.
Não somos capazes de compreender ou aceitar,
Essa energia superior que tudo conduz,
Mas resta-me o peito aberto para saudar,
O milagre supremo que me traz à luz.
Obrigada pela vida!
— Roseli Ribeiro
Se eu pudesse falar de paixão
Eu escreveria um livro
Mas não é um livro comum
Aquele que você lê e desbloqueia
Aquele que você desbrava
Aquele que te rodeia
Se eu não te conhecesse
Eu não teria me apaixonado
Eu não teria te emocionado
Eu não teria ter vivido
Eu não teria me alucinado
Cada capitulo tem uma história
Uma história boa ou ruim
Só resta saber o que vai acontecer
Se é pra ser feliz ou pra sobreviver
Porquê o que vale, é se emocionar e sentir
Sem rodeios e sem colidir
Que está paixão está dentro de mim, em ti
Te desejo um arco-íris de cores para pintar a vida com amor, luz e esperança. Que a gente mantenha por perto o que floresce na alma, fortalece o coração e faz a paz permanecer.
O sapato amarelo
Eu planejei comprar um sapato amarelo amanhã,
mas hoje ganhei um vermelho.
Recebo o carinho de quem me deu o vermelho,
e não comprarei mais o amarelo,
pois agora já tenho um sapato novo.
Pra quê ter tantos pares se só tenho dois pés?
Meu boné me deixa bonito e combinaria muito com o sapato amarelo,
mas não com o vermelho.
Boné e sapato vermelho, nada a ver.
Visto o vermelho e mostro que respeito o carinho de quem me presenteou.
Mostro, mostro e me mostro.
Ponho na gaveta o boné,
abandono o sonho do sapato amarelo,
e assim deixo de lado o desejo de construir a mim mesmo.
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