Quanto Vale um Abraco

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Aceitar a sua cor


...E me diz um cidadão,
que nunca passou por tal situação:
“Cada um tem que aceitar a sua cor...”


Como assim, aceitar?


A minha cor não é um câncer,
não é uma síndrome,
não é uma deficiência.


A minha cor não é uma doença
para ser aceita, superada, removida ou esquecida.


Posso ser uma mulher negra e doente,
mas não sou doente por ser negra.


É esse surto silencioso,
disfarçado, maquiado, hipócrita,
que enfrentamos todos os dias —
nos olhares, nas atitudes,
nas perguntas retóricas que ferem mais que o silêncio.


Eu sou livre.


Posso ser o que eu quiser,
e como eu quiser.
A minha cor não me define.
Não define o meu caráter,
os meus valores,
a minha competência.
Pelo menos...
não deveria.


Racismo não é doença a ser curada.
Racismo é burrice.
É ignorância.
É maldade.


Mais de cento e trinta anos
lutando contra o que nunca deveria ter existido.


Centos e trinta anos lutando
por uma liberdade que humilha,
que sufoca,
que prende,
que mata.

Eu vi… Racismo reverso

Eu vi…
um branco ficar de pé no ônibus,
como se sentar ao lado de outro branco
fosse um erro.

Eu vi a polícia correr atrás de um branco,
como se a cor dele dissesse alguma coisa.

Eu vi famílias proibirem amores,
só porque o amor tinha pele branca.

Vi barrigas rejeitadas
antes mesmo de serem vida,
por medo de nascerem claras demais.

Vi brancos confundidos com funcionários,
babás, serviçais, sombras…
como se a cor definisse o destino.

Vi gente que jurava
que nunca teria filhos brancos.

E vi…
vi tantas vezes
que perdi a conta.

Vi brancos reduzidos a leite,
a anjos,
a piadas que doem
onde ninguém vê.

Vi quem dizia:
“até tenho um amigo branco”,
“até tenho um parente branco”,
“até já namorei um”.

Vi um homem branco
ser chamado de empregado
na própria casa,
enquanto pediam para ver o “patrão”.

Eu vi…
e a cada vez,
doía perceber
que nada disso existe.
Que o que chamam de “racismo reverso”
é só a prova mais triste
de que não entenderam nada
sobre o que realmente dói.

Louca por você!


Os sentimentos se sentem,
não se explicam.
O amor não é um problema,
é caminho.


Por você, desprezei meus preconceitos,
lancei ao ar a minha sensatez,
esqueci velhos defeitos
e renasci outra vez.


Te amo não pelo que você faz,
mas pelo que acontece em mim
quando te vejo.


E o que eu sinto eu não consigo explicar.


Só sei que um calor sobe pelo meu corpo
e me deixa louca.


Louca por você!

A verdade do amor

Um dia pensei que poderia amar a todos.
Mesmo os que erram,
os que machucam,
os que me fizeram chorar.

Não por obrigação,
mas porque não sei guardar rancor.

Hoje não sinto raiva.
Sinto medo.

Algumas pessoas assustam
não pelo que fizeram,
mas pelo que ainda são capazes de fazer.

Minha capacidade de amar é imensa,
mas o instinto de sobreviver fala mais alto.

Amar à distância
é a forma que encontrei
de me proteger
sem perder quem eu sou.

E seguir inteira,
sem me dissolver
no ódio
nem na hipocrisia do mundo.

O ódio é um veneno silencioso: não fere o alvo, apenas envenena quem o sustenta.

É justo um pedreiro ganhar mais do que alguém com estudo?


Depende do que se entende por “estudo”: diploma?
Porque, com certeza, o pedreiro não é um vegetal, e para tudo é preciso ser racional.
Inclusive, as duas pessoas mais inteligentes que conheço não estudaram. Podem chamá-las do que for; eu as chamo, com orgulho, de mãe e pai.
Uma sabedoria que nasce, que vive e que se transforma em ações.

Sonho artificial


As pessoas vivem aprisionadas a um padrão social, alimentando crenças limitantes e, em nome delas, se autodestroem. Vivem uma vida que não existe — um sonho artificial, distante da verdade. Tornam-se artistas impecáveis, encenando papéis que não lhes pertencem, enquanto renegam quem, por coragem ou necessidade, ousou sair do roteiro.


Isso não é poesia. É assustador. São pessoas que se colocam em pedestais frágeis, julgando, ferindo e apunhalando o outro, enquanto batem no peito para se autoproclamar honestas e dignas. Mas a verdade é dura: a maioria — talvez todos, não sei — são apenas covardes. Covardes demais para abandonar a zona de conforto, para lutar pelo que querem, para assumir o que amam.


No fim, essa omissão também vira crime. Crimes silenciosos ou explícitos, como os cometidos pelos pais dessa menina de 15 anos. Porque nem todo pai é pai de verdade. E, da mesma forma, nem todo humano é humano de verdade.

Em Seus Braços


Deve haver um lugar para mim
que seja como em seus braços,
onde eu consiga ficar em paz.


Que seja parecido com você,
onde o silêncio me abrace
e eu não precise me perder.


Um lugar quentinho,
como o seu abraço,
onde os meus sonhos se acalmem
e o meu coração se sinta em casa.


Um canto quente e protegido
feito o teu aconchego,
onde os sonhos fazem ninho
e o amor vence o medo.


Deve haver um lugar pra mim
com cheiro do teu abraço,
onde o tempo anda devagar
e o silêncio não é cansaço.


Um canto manso pra deitar
os medos que eu não digo,
onde o sonho aprende a ficar
e a saudade dorme comigo.


Deve existir esse lugar,
mesmo longe do teu olhar,
onde o meu peito faz morada
até você voltar.


Se for preciso, eu vou
por caminhos sem direção,
só pra encontrar o calor
que acalma o meu coração.


Deve existir, sim, esse lugar
em algum canto, mesmo distante,
para que eu permaneça
até que eu te reencontre.

Final?



As pessoas estão pedindo um desfecho…
Imagino que este seja o fim:
um contrato onde ela voltaria,
pisaria novamente aquele solo —
e assim foi feito.


Não se trata de um filme de ficção,
com guerras e efeitos especiais.
Às vezes, só é preciso energia,
a frequência,
o brilho que emana da alma…
e isso basta.


Não com estrondo,
nem com sinais nos céus,
mas como a luz que atravessa frestas:
discreta, inevitável…
impossível de conter.


Não era luta,
não era espetáculo.
Era ajuste.


Pouco, talvez,
para um mundo sedento de ilusão —
mas suficiente para equilibrar uma situação.


Porque o verdadeiro embate
nunca foi visto,
nunca foi narrado.


Afinal, as maiores batalhas
não ocorrem neste plano…


E talvez — só talvez —
isso ainda esteja longe de acabar. 🌙

Luz que não se apaga


Lana e Ian,


um dia eu me escondi
para caber no mundo…
diminui quem eu era
para não incomodar.


Mas vocês foram criados diferentes.
Eu fiz o possível para que fossem pessoas radiantes,
confiantes e com personalidade...


A vida, às vezes, ensina pela dor —
mas eu peço a Deus
que vocês aprendam pelo amor.


Que a fé de vocês nunca se apague,
que a bondade não endureça
e que os seus corações
sempre reconheçam o que é verdadeiro.


Que rezem e agradeçam sempre.
Que orem pelas pessoas
e por todos os seres vivos,
para que fiquem sempre bem
e protegidos de todo o mal...


Nunca deixem de acreditar nas pessoas,
nunca guardem rancor
e ouçam os seus corações.


Que, com o tempo, aprendam
que as coisas ruins existem
para algo ainda maior...


Enfim, eu criei vocês para brilhar.


Que sejam sempre luz na vida de alguém.


Então, levantem sempre a cabeça,
estufem o peito
e andem como donos do mundo.


Não se diminuam.
Nunca.


Quem ama vocês de verdade
não caminha ao lado limitando —
corre para acompanhar.


E, se algum dia tudo parecer incerto,
olhem para dentro…
é lá que Deus sussurra.


No Reino de Deus,
nada se abaixa para caber —
só entra quem vibra na verdade.


Só quem for realmente capacitado fará parte.


Então, meus filhos, não se apaguem.
Brilhem e, simplesmente, sejam felizes...


Sabendo que sempre fizeram o melhor que puderam.


Eu amo vocês!


Edineurai SaMarSi

A ciência e o Amor


Amar não tem a ver com reciprocidade.
Na verdade, é raro encontrar um amor de verdade, incondicional. A pessoa já nasce apaixonada — ama sem saber, sem conhecer. Ama nesta vida e em outra, talvez espiritual…
apenas ama e espera.


Não há perguntas, muito menos respostas. A ciência é linda, mas limitada.


E, no íntimo, a pessoa sabe quem é…
e sente a sua contraparte —
um estranho que te completa.🌛🌞

O amor é azul


Parada contra a parede,
mais um obstáculo...
Olhei para trás —
só havia ruínas.


Voltar não é uma opção.


Como seguir sozinha,
sem ânimo,
sem condição.


Sinto uma mão na minha,
alguém ao meu lado...
O amor da minha vida está aqui —
e era tudo o que eu precisava.


Escalar era a única saída.
Seria perigoso — ele me disse.
Mas respondi que conseguiríamos...


Já no alto,
impossível descer...
— Faz um arco-íris — ele sugeriu,
como você fez da outra vez...


E assim foi feito:
um grande e lindo,
com cores vibrantes...


E ele nos levou
a um belo campo distante...


Ele sorriu e perguntou:
— E onde está o tesouro?


E eu respondi:
— Você é o meu pote de ouro
no final do arco-íris...


Mas aquilo mexeu comigo...
De novo, eu o levei
para onde não pertencia...


Afastei-me,
olhei ao redor,
e tudo eram plantas e flores...


Era o meu mundo —
não o dele —
sem nenhuma atração,
sem realeza...


As nossas diferenças eram gritantes:
água e vinho,
branco e negro,
dúvida e certeza...


As suas mãos, tão lindas,
delicadas e macias...
As minhas — cansadas,
cheias de cicatrizes...


O amor é azul —
um jeito bonito
de chamar
de esquisito...


Doeu perceber.


Aproximei-me novamente
e me desculpei
por levá-lo a um lugar
que era só meu...


"Te afastei...
com medo de não te caber.


Mas você ficou."


Me olhou —
como quem nunca teve dúvida —
e disse baixinho:


— O nosso amor
é único e verdadeiro.


E o meu lugar
é ao seu lado...
pois somos um só,
e não existem barreiras.


E naquele instante,
entendi:


o amor é azul...
estranho,
profundo,
e infinito. 🌛☀️

E Mãe Brinca?


Passei uma semana em um resort e, no penúltimo dia, vivi uma conversa muito especial.


Havia um tipo curioso de pessoas que permanecia à beira da piscina, quase imóvel.


Não podiam molhar o cabelo, mantinham sempre um penteado impecável, óculos de sol e chapéu.


Reclamavam da água quando estava quente e também quando estava fria.


Reclamavam do sol e, curiosamente, da sua ausência.


Pareciam seguir um mesmo padrão social e filosófico,como se existisse uma maneira correta de aproveitar a vida.


Eu percebia muitos olhares sobre mim, mas um deles chamou minha atenção.


Aproximei-me e disse:


— Oi!


Nenhuma resposta.


Ela me observava.
Às vezes com admiração, às vezes como quem observa algo completamente fora do comum.


Perguntei seu nome, mas não obtive resposta.


Ela me seguia com os olhos, aproximava-se e se afastava, até que finalmente criou coragem e perguntou:


— Você trabalha com o quê?


— Sou professora.


Ela pareceu surpresa.


— E professora brinca?


— Brinca.


— E professora nada?


— Nada.


— Quem é esse menino?


— É meu filho.


Então vieram as perguntas que mais me marcaram:


— E mãe brinca?


— Sim.


— Mãe nada?


— Sim.


— E mãe mergulha?


— Eu mergulho.


— E mãe usa o espaguete para nadar?


— Eu uso.


Sorri e perguntei:


— A sua mãe não faz essas coisas?


Ela respondeu com toda a sinceridade:


— Não. Nem meu pai.
Eles só sentam, conversam, me olham e depois subimos.


Fiquei em silêncio por alguns segundos.


— Entendi. Mas você pode brincar com a gente.
Quantos anos você tem?


— Tenho quatro anos.


Naquele instante, percebi que, para algumas crianças, o mais extraordinário não é um brinquedo novo, uma piscina enorme ou uma viagem inesquecível.


Às vezes, o que mais desperta encantamento é descobrir que os adultos ainda sabem brincar.


Que mães mergulham.


Que professoras nadam.


Que pais podem rir sem motivo.


E que crescer não deveria significar abandonar a alegria de viver.

Brasília, 27 de agosto de 2010


A dádiva de um Sonho


“Oh! Brasília…
Esperei-te tanto!
1891 – 1960”


“Os sonhos são engraçados, pois estão sempre a um passo da realidade.”


Os “Prós e Contras”


As tramas históricas, nas quais havia três grupos:


1º Ligado a JK (após 1956);
2º Geopolítico (desde o século XIX);
3º O grupo de Goiás (desde a década de 1920).


Teia de aranha:

Quantos nomes e histórias!


Cenas entre Dom Bosco e Brasília...


Parecia uma igreja, um sonho, da terra prometida, de nascentes com águas límpidas,
grandes livros, grandes traduções e de um lugar onde a terra tocava o céu (ou seria o contrário? Não sei).


Depois deuses da mitologia:
homens grandes e fortes, de vozes firmes, movidos pela grandiosidade da missão que carregavam.


Um excelente roteiro para compreender, com mais profundidade, o período da construção de Brasília.


Ano de 1956 e...


LUZES, CÂMERA E CONSTRUÇÃO.


A história continua:


Pró-mudanças (1955);
Comício de Jataí (abril);
Israel Pinheiro;
Posse de JK (janeiro);
Marechal José Pessoa deixa a comissão (abril);
Ernesto Silva assume a comissão (maio);
Criação da NOVACAP (setembro).


Quantos nomes, quantas ideias e um sonho!


Brasília foi construída pela NOVACAP em 1.309 dias corridos
— três anos, sete meses e um dia —,
de 19 de setembro de 1956 a 21 de abril de 1960,
com operários vindos “espontaneamente” de todos os recantos do Brasil.


Quantas pessoas, quantas histórias, quanta confusão e quanta poeira...


Era Brasília nascendo:
do suor, do braço, da raça.


Eram pessoas cheias de esperança e sonhos.


Eram pessoas injustiçadas, que conheceram o lado amargo de um sonho em construção,
mas que guardam na lembrança a satisfação de terem participado da dádiva de um sonho.


Um sonho que falava de um lugar onde a Terra tocava o céu...


Mas acho que se enganaram.


Porque aqui é um PEDACINHO DO CÉU!

O luto da “Vida” — 200 dias

Quando nasce uma criança especial, nasce um sentimento. Nasce a culpa, a revolta, nasce um luto. Aquela criança não é a que imaginaram, não é o que sempre sonharam. Mas nenhuma criança é exatamente aquilo que imaginamos ou sonhamos.

E, enquanto se sonha com uma criança que não existe, há uma ali, querendo abraços, querendo um olhar de amor, sorrindo sozinha...

Enquanto cresce, espera ser apreciada pelo que é, e não pelo que deveria ter sido.

Ainda não lhe deram a chance de aparecer, de mostrar para que veio.

E sua cabeça de “pai”, racional demais, não sabe o que pensar. E, baixinho, com medo de ser ouvida, pergunta:

— Para que nasceu? Por que ainda vive?

Enquanto isso, seu coração, acelerado como sempre, já ultrapassou o tempo e sofre calado, por medo de um dia vê-la partir ou de partir primeiro.

Quando alguém deixa ou se vai, não está abandonando aquele bebê, e sim a si mesmo. Está antecipando a própria dor, diminuindo o amor, protegendo-se de algo que acredita ser inevitável.

Mas quem sou eu para falar?

Não tenho filhos assim.

A vida, porém, me deu essa oportunidade.

Por impulsividade, troquei de escola e me tornei professora de dois adolescentes com deficiências múltiplas.

Para mim, era normal.

Eu simplesmente havia mudado de escola e tinha uma variedade de alunos.

Até começarem os comentários.

Comentários de lá, de todos os lugares... Gente dizendo que eu deveria desistir. Outros sofrendo por mim, lamentando a minha “falta de sorte”.

Eu não entendia.

Por que desistir?

Por que aquela seria uma escolha ruim?

Até que, cinco dias depois — no feriado prolongado de Carnaval —, aconteceu.

Era sábado.

De repente, senti o cheirinho de perfume de bebê de um deles.

Não quis acreditar.

Talvez fosse apenas uma lembrança.

Talvez fosse imaginação.

Mas aquele cheiro deixou uma lacuna em algum lugar aqui dentro.

Na terça-feira, senti falta do outro.

Talvez eu ainda estivesse em negação.

Talvez alguma coisa dentro de mim já soubesse, enquanto eu ainda tentava entender.

Era algo que gritava.

Algo intenso demais para passar despercebido.

E, então, pronto.

Não podia mais negar.

Eu estava apaixonada por eles.

E, naquele instante, tudo mudou.

Eu iria cuidar.

Iria protegê-los como pudesse.

Faria o meu melhor.

Quis devolver.

Mas, para esse tipo de coisa, não existe devolução.

Então, tive que usá-los.

Usei os outros 195 dias para brincar, cuidar, ensinar...

200 dias tinham sido muito.

Para que tanto?

Hoje eu sei.

Não precisei de 200 dias para amá-los.

Precisei de apenas cinco para descobrir que já os amava.

Realmente, 200 dias foram, exageradamente, bastante para alguém que não os teria; para alguém que estava apenas de passagem por suas vidas e que passaria o resto da vida sufocando a saudade.

Talvez os 200 dias não tenham sido dados para que eu aprendesse a amá-los.

Talvez tenham sido dados para que eu descobrisse que, depois de amar, não existe devolução.

Matar fantasmas e criar sonhos

“Deveria ter que sacrificar 27 alunos apenas por um?”

Sinceramente, prefiro acreditar que essa frase não tenha sido dita em referência às crianças com deficiência, porque isso, além de injusto, ignorante e preconceituoso, seria desumano.

Na verdade, falou muito e não falou nada...

Não sei se falou de crianças com deficiência, das mais agitadas ou, quem sabe, daquela criança quietinha, lá no canto. Enfim, tudo é relativo.

Já trabalhei em diferentes situações, e a minha opinião não muda: para mim, o que mais atrapalha a minha sala de aula são a direção e os pais. As crianças serão sempre a melhor parte!

No meu processo de ensino, não coloco todas no mesmo “saco”, porque cada uma é única, com sua própria bagagem de vida, suas necessidades e suas peculiaridades.

Não, eu não sou uma superpessoa, mas faço sempre o melhor que posso. E, se a minha meta é ensinar, eu vou ensinar! Da maneira que o Joãozinho consiga aprender e que a Maria fique feliz.

Não me importa transformar a sala de aula em um palco ou em um circo, porque não estou ali como telespectadora: faço parte da festa! Brincamos juntos enquanto aprendemos, porque a vida é isso: aprender sempre, inclusive com a dor. Mas eu prefiro aprender com amor.

E sempre deu muito certo!

Meu TCC foi sobre “A importância da ludicidade na aprendizagem de crianças: Educação Infantil”. Para mim, a aprendizagem floresce quando é regada com afeto, respeito, imaginação e brincadeira.

E uma observação para quem pensa que isso é apenas teoria: não, não é! Já trabalhei com quatro crianças com necessidades específicas ao mesmo tempo, entre elas crianças com síndrome de Down, deficiência intelectual (DI) e autismo.

E, só para constar, imaginem retirar da sala de aula cada criança que incomoda ou que, por algum motivo, não se encaixa naquele ambiente...

Particularmente, eu fui aquela criança quieta, calada, que o professor esquecia e cujo nome nem sequer lembrava.

Talvez seja por isso que eu me esforce tanto para fazer a diferença na vida das crianças. Procuro conhecer cada uma delas, compreender suas particularidades e encontrar maneiras de ajudá-las a aprender, respeitando suas diferenças.

Afinal, nem toda criança que fica quieta está bem, assim como nem toda criança agitada está simplesmente querendo atrapalhar. Cada uma tem seu próprio mundo, suas dificuldades e sua maneira de se expressar. E é justamente por isso que não podemos reduzir uma criança ao comportamento que apresenta em sala de aula.

E, em qualquer lugar em que eu esteja, sempre serei a pessoa que dará mais trabalho. Questiono, procuro entender e não me contento com respostas vazias. E, mesmo assim, terei que expulsá-los, porque ninguém quer ir embora...

Talvez a educação precise de menos julgamentos e mais disposição para compreender. Menos rótulos e mais oportunidades. Porque ensinar não é escolher quem merece permanecer, mas encontrar caminhos para que todos tenham a oportunidade de aprender.

Foi assim que encontrei o meu jeito de ensinar. Não porque sou uma superpessoa, mas porque sei que, por trás de cada criança, existe uma história que nem sempre conhecemos.

E, se um dia fui aquela criança que passava despercebida, hoje procuro ser a educadora que percebe, acolhe e faz a diferença.

Porque, para mim, educar vai muito além de ensinar conteúdos: é ajudar a criança a descobrir suas capacidades, enfrentar seus medos e acreditar que pode ir muito mais longe do que imagina.

É olhar para aquela criança que tantos consideram um problema e enxergar alguém que também precisa de oportunidades, afeto, compreensão e respeito.

É não permitir que os fantasmas de uma infância difícil determinem os sonhos de uma vida inteira.

É matar fantasmas e criar sonhos.

O PIX pela FÉ

Um mendigo me pediu dinheiro no centro da cidade. Falei que não tinha sacado nenhum dinheiro, mas ele disse que aceitava PIX. Quando tirou um iPhone do bolso, quase roubei o celular dele! 😂😂😂

Mas acabei dando um dinheiro, porque vi o nome e era o do meu sogro, já falecido. E, para completar, naquela noite eu tinha sonhado com ele... 🤔😌

Preenchendo as Brechas da Biblia

Está na minha lista: fazer um upgrade em toda a Bíblia... 😂

Na verdade, talvez eu não vá fazer um upgrade, mas apenas preencher algumas brechas...

Porque são justamente nessas brechas que, muitas vezes, o homem coloca seus próprios limites, suas interpretações e sua necessidade de explicar o inexplicável.

E, quando tentamos colocar Deus dentro dos limites da nossa própria compreensão, acabamos deixando de fora aquilo que há de mais extraordinário:

o milagre.

Talvez seja por isso que eu não queira reescrever a Bíblia, mas apenas olhar para os espaços que ficaram em branco...

Porque é justamente ali que pode existir aquilo que o homem não consegue explicar, mas que Deus é capaz de fazer.

Afinal, o homem, por sua própria natureza, pode acabar se tornando uma verdadeira “Pedra de Tropeço” — não para Deus, mas para si mesmo — quando se perde na necessidade de transformar o mistério em algo pequeno, compreensível e limitado.

E eu prefiro deixar algumas portas abertas...

Porque onde termina a explicação do homem, talvez seja justamente onde começa o extraordinário de Deus. ✨

Edineurai SaMarSi

Um Pedaço de Amor

A melhor parte é quando um aluno do primeiro ano chega com a mãe, trazendo UM pedaço de bolo de aniversário, me entrega na frente de todos, e eu fico completamente sem graça — afinal, eu nem era a professora dele.

E, para completar, a mãe ainda solta aquela pergunta que não se faz para crianças dessa idade:

— Pensei que fosse para a sua professora. Você não gosta dela?

Antes que a pessoinha pudesse responder, eu me apressei:

— Eu vou dividir com ela! 😂

Enfim... o que quero dizer é que, quando um gesto assim vem de uma criança, ele carrega uma verdade que não precisa de explicação.

É um gesto espontâneo, puro e desinteressado.

É carinho sem cálculo, sem obrigação e sem esperar nada em troca.

É amor em sua forma mais simples e verdadeira. ❤️

Edineurai SaMarSi 🌷💙

Os meus tesouros


Um dia, voltando de uma viagem internacional, eu estava tomando todo cuidado com as minhas coisas especiais.


Enquanto organizava a mala, falei:


— Estou cuidando dos meus tesouros!


Ian me olhou e, com aquela sinceridade que só os filhos conseguem ter, respondeu:


— Nossa, mãe... se alguém ouvir isso e roubar sua mala, vai morrer de decepção quando abrir e descobrir que seus tesouros são balas, chocolates, brinquedinhos e bichinhos de pelúcia!


Eu ri.


Porque ele tinha razão.


Talvez um ladrão realmente esperasse encontrar ouro, joias ou dinheiro.


Mas encontraria os meus tesouros.


E talvez fosse justamente aí que estivesse a diferença.


Para ele, eram apenas balas, chocolates e brinquedos.
Para mim, eram lembranças.


E, afinal, não é isso que faz alguma coisa ser um tesouro?


O valor que ela tem para quem a guarda. 🥰🧸🍫🍬