Quanto Vale um Abraco
"Ah, mas o teu autismo é bem leve, né?"
"Todo mundo tem um pouco de autismo."
"Nossa, mas você nem parece autista!"
O que para alguns soa como um comentário inocente, para um autista pode ser um lembrete de que sua existência ainda é vista como algo a ser justificado.
Conscientização não é só em abril!
Autismo não é um tema para uma campanha pontual ou um dia no calendário. Conscientizar-se é mudar a forma como olhamos, ouvimos e acolhemos. É abrir espaço para que todas as vozes sejam respeitadas, inclusive aquelas que não falam da forma convencional.
Será que essas histórias imaginadas têm, de certa forma, um lugar no meu ser? Como se, em um universo paralelo, eu realmente as tivesse vivido?
Você tem um jeito único que ninguém consegue copiar.
A forma como você pensa a respeito da vida me deixa admirado.
Quando você ri encolhendo o queixo e apertando os lábios é de encantar.
Se existe combo perfeito eu não sei, mas você, seus olhos, seu jeito, não tem como não se apaixonar.
Sorte de quem a conquistar.
D.S
Sinto você na pele que cobre meu corpo
Sinto seu gosto na memória de um presente constante. Satisfaço a vontade de seus beijos lembrando os beijos que demos.
Saudade é aquilo que faz o tempo parar e que também faz as coisas pararem no tempo.
Os corpos despertam na disciplina regrada de um encontro despercebido. Suaves na calma da sua santidade. Abençoados por uma mão que inocenta todas as atitudes pensadas ou não. O pecado não existe mais e não há mais também um tempo para despedida. Ficamos atônitos ao lembrar de que um beijo selou nosso destino e contou para o mundo quem realmente éramos. Trocamos olhares e esperamos pelo abraço matinal.
Nesses dias frios desenho a imagem do desejo no espelho embaçado do banheiro. Sinto um acréscimo de estima e me deleito numa existência superiormente interessante. Controlo com minhas mãos aquilo que meu corpo espera. Escrevo os recados pra você e deito numa cama vazia pensando como seria sua presença aqui! Nossa vontade não nos deixaria em paz, mas nós também nunca pedimos para que ela nos deixasse. Essa correria traz na sua pressa a saudade de um beijo que agora só posso recordar.
Fosse uma fábula, fosse uma mágica, fosse um sonho que trouxesse a realidade com o despertar. Mas a cidade já está acordada, ela nunca sonha porque ela nunca se põe a dormir. Como poderia então almejar algo mais surrealista do que a própria experiência concreta de seus braços que escondem abraços sob o cansaço de quem a desafia?
Nos abraços de um dia a caricatura solta da sua voz me copia. Intermitente, constante, condizente, ressonante. Tudo poderia satisfazer num simples expressar da situação. Meu sorriso mais sincero reflete nossos melhores momentos.
Desprezo a ignorância dos imberbes que se auto-proclamaram senhores do universo. Só se for um universo de diamantes de vidro, de soluços intelectuais e cultura saboreada numa refeição digna de uma hiena. No universo deles eu cago e vomito palavrões. Afogo o último verso do poema nas minhas inquietudes para não correr o risco de ver a poesia e a prosa cometendo suicídio ao passar pelas bocas porcas que nada tem a dizer.
Bebemos as nossas necessidades como um sedento se satisfaz num Oasis após uma jornada seca, onde até seus ossos estiveram ameaçados de se esfacelar. Minha garganta só grita as frases que ela aprendeu durante sua história. Enquanto os sonolentos dormem, é no meu palco que as apresentações acontecem. O show arranca suspiros, leva multidões a um delírio entorpecente de espasmos e contrações. O rosto se desmancha nocivo num balde de alívio que provoca consternações. Meu amigo está na hora de parar.
O vicio regenerado posto sob o pedestal da virtude. O cálice abominável guardando um avental púbico exige que a noite ouça mais um desabafo das nossas bexigas, e as plantinhas recebam a chuva urinária daquilo que melhor soubemos preparar. Não podemos lavar as mãos, as torneiras não existem por aqui. Seca-se o rosto na vaga sensação da agonia. Vingar a intempérie do nosso juízo talvez fosse uma boa maneira de começar um auto de penitência. Seria uma “mea culpa”? Acho que está mais para uma “máxima culpa” e choramos depois de mijar na relva. Ainda bem! Torço pra não chegar o dia em que eu ouçamos o choro e sintamos o mijo.
A noite fotografava cada momento como a despedida de um novo olá! Sempre fomos verdadeiros com o mundo nas nossas mentiras. Por mais que tentássemos provar que o inevitável não aconteceria, a paixão foi trazida para nossa praia com os primeiros ventos da manhã.
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