Quando Morre Alguém que Amamos

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Reduzir alguém ao seu transtorno é um atalho intelectual de quem não quer se comprometer com a escuta. É mais fácil citar o manual do que sustentar o encontro. O diagnóstico, quando vira identidade, não cuida, encerra. E encerrar o outro sob a aparência de saber é só uma forma sofisticada de não ter coragem de ouvi-lo.

Sou alguém que fez da escuta um jeito de estar no mundo e da palavra um lugar de encontro. Não tenho pressa de respostas prontas, me interessa mais criar espaço para que cada um possa se aproximar da própria verdade, no seu tempo, do seu jeito. No fundo, é isso que me move: acompanhar processos onde a vida pode, aos poucos, fazer mais sentido.

Uma instituição saudável precisa permitir que alguém diga: “Este procedimento está errado”.

A banalidade do mal começa quando alguém substitui consciência por obediência administrativa.

Vender não é convencer alguém a comprar. É ajudá-lo a ter segurança para decidir.

Seu cargo pode fazer alguém obedecer. Sua liderança faz alguém querer caminhar com você.

A Caligrafia firme e rabiscada de minha mãe é a mais bonita com que alguém poderia escrever, nela está depositada uma vida de batalhas e desafios onde ela deu tudo de si, para aprender aquelas palavras.

⁠Se alguém quiser conhecer a Deus, o amor é a única maneira.
frases cristãs 4

Revelação: descoberta que revela uma vocação em alguém.
sfj,estudo de palavras⁠

A Culpa de Sentir Demais


Quando escuto que minhas escolhas machucaram alguém,
o mundo parece perder a cor.
É como se eu me tornasse um monstro,
como se tudo o que existisse dentro de mim
fosse apenas um vazio disfarçado de coração.


Dizem que uso pessoas como abrigo,
como quem tenta fugir de si mesma.
Dizem que minhas atitudes machucam,
que nem sempre sei permanecer sem ferir.


Então começo a me esconder.
Guardo as palavras, os afetos, os sorrisos.
Porque talvez o silêncio doa menos
do que a culpa de existir.


Mas me explica...


Como desacelerar uma vida
quando tudo em mim grita intensidade?
Como aprender a ser calma
se meu peito nasceu tempestade?


Como perceber que todos estão indo embora,
se sou eu quem fecha as portas
antes mesmo de ouvir a despedida?


E como aceitar que, no fim,
talvez eu fique sozinha,
vendo cada pessoa partir,
acreditando que me odeiam simplesmente por eu ser quem sou?


Talvez a terapia consiga traduzir
os sentimentos que nem eu compreendo,
esses nós invisíveis
que apertam meu peito todos os dias.


Porque eu já não consigo chorar.


Parece que minhas lágrimas
secaram antes de cair,
e que cada emoção precisa morrer em silêncio
para não terminar me destruindo.


Mas, no fundo,
eu não queria sentir menos.


Queria apenas que alguém entendesse
que toda essa intensidade
nunca foi uma tentativa de machucar.


Era só a minha forma, imperfeita e humana,
de amar, de permanecer, de existir.


E talvez exista um dia
em que eu deixe de pedir desculpas
por ser quem sou.


Um dia em que eu descubra
que intensidade não é pecado,
que errar não me transforma em um monstro,
e que até os corações mais cansados
merecem um lugar para descansar.


Até lá, sigo recolhendo os pedaços de mim.


Porque, se um dia todos forem embora,
eu espero que ainda reste alguém...


eu mesma.


E que, pela primeira vez,
isso seja suficiente.

Nas entrelinhas do meu coração


Eu poderia fazer de tudo...
Ser melhor do que alguém
que um dia ocupou o teu coração.
Poderia aprender teus medos,
decorar teus silêncios,
amar até as partes de ti
que ninguém teve coragem de conhecer.


Talvez pudéssemos ser mais
do que um simples talvez.


Mais do que encontros escondidos,
mais do que conversas que atravessam madrugadas,
mais do que dois destinos
insistindo em caminhar lado a lado,
mesmo sabendo
que nasceram para seguir caminhos diferentes.


Só não sei quando tudo começou.


Talvez esse sentimento
sempre tenha vivido adormecido em mim,
esperando apenas
que tua presença lhe desse um nome.


Ou talvez tenha sido aos poucos,
entre os jogos que inventávamos,
entre risos despretensiosos,
olhares demorados
e palavras que nunca tiveram coragem
de confessar o que realmente diziam.


Sem perceber,
você despertou em mim
uma parte que eu desconhecia.


E agora,
às vezes fecho os olhos
e imagino como seria
se fugíssemos de tudo.


Deixaríamos para trás
os nomes,
as lembranças,
as promessas,
os pesos.


Talvez eu carregasse o teu nome,
talvez você encontrasse abrigo no meu,
como se duas vidas
pudessem recomeçar
sem que o passado nos alcançasse.


Mas a realidade sempre nos encontra.


E ela me lembra,
todos os dias,
que existe uma distância
que não foi feita de quilômetros,
mas de escolhas.


É estranho...


Encontrar paz
justamente na pessoa
de quem eu deveria me afastar.


É cruel descobrir
que o lugar onde meu coração repousa
é o mesmo lugar
onde ele jamais poderá permanecer.


Porque é errado
te trazer para o meu mundo.


É errado desejar
que teus passos caminhem ao lado dos meus.


É errado sonhar contigo,
sabendo que teus sonhos
já dividem espaço
com outra pessoa.


Então eu sorrio,
finjo que nada mudou,
escondo o caos atrás da calma
e continuo vivendo
como quem sabe
que alguns amores
não foram feitos para acontecer.


Foram feitos para transformar.


Para ensinar
que nem tudo o que floresce
foi criado para ser colhido.


Algumas flores
existem apenas para lembrar
que até o impossível
é capaz de perfumar uma vida inteira.


E, se um dia você perceber
que existia amor
escondido entre as minhas entrelinhas,
talvez seja tarde.


Porque haverá restado apenas o silêncio...


e um poema,
escrito por alguém
que encontrou em você
o lugar onde sempre quis ficar,
mesmo sabendo
que nunca poderia chamar de lar.

Quando a Lua Chama


Há alguém que só desperta quando a noite vem,
surge entre as estrelas, quando dorme alguém.
Não sei se é lembrança, mistério ou ilusão,
mas deixa sua sombra presa ao coração.


De dia, é silêncio perdido pelo ar,
uma imagem distante que não sei alcançar.
Mas quando o sol se rende e começa a partir,
há qualquer coisa nela que me faz sentir.


A lua, testemunha do que não confessei,
guarda entre suas sombras tudo o que calei.
E quando a maré vem beijar a areia,
seu nome se dissolve na espuma da sereia.


Procuro no espelho alguma explicação,
mas vejo somente a minha expressão.
Quanto mais eu procuro saber quem ela é,
mais o mistério me prende de pé.


Talvez seja um sonho que insiste em ficar,
talvez seja a noite querendo me enganar.
Talvez seja alguém que eu nunca encontrei,
ou uma parte de mim que um dia abandonei.


E quando amanhece, ela deixa de existir,
como uma estrela cansada que decide partir.
Mas quando a noite retorna e a lua vem me chamar,
eu sinto sua presença outra vez no meu olhar.


Se é sonho, por que parece tão real?
Se é lembrança, por que ainda é tão igual?
Se a lua conhece o segredo que escondi,
por que toda noite ela a traz de volta a mim?


E se ela só existe quando a noite vem,
se só vive no escuro, distante de alguém...
quem é que desaparece quando nasce o dia:
ela, ou a parte de mim que por ela sorria?

Sem Precisar Ser Menos


Às vezes, a maior cura vem de alguém
que simplesmente não exige que você seja menos.


Menos intensa, menos sonhadora,
menos você.


Alguém que não tenta mudar aquilo que você é,
que não julga a sua maneira de ser feliz,
que não critica a criança que ainda mora em você,
mas aprende a brincar com ela também.


Alguém que te faz sentir protegida,
mesmo quando é você quem sempre quis proteger.
Que olha para as suas partes mais frágeis
e, em vez de querer consertá-las,
escolhe ficar.


Que queira conhecer tudo sobre você:
seus medos, suas manias, seus silêncios,
as pequenas coisas que fazem seus olhos brilharem
e até aquelas que você quase nunca conta.


Alguém que te olhe e pense, em silêncio:
“Caramba… que sorte a minha
ter essa pessoa na minha vida.”


Que queira estar perto,
mas nunca perto demais.
Que saiba permanecer
sem sufocar,
cuidar sem prender,
amar sem exigir.


Porque talvez a maior forma de cura
seja encontrar alguém
diante de quem você não precise diminuir a própria luz
para que ela se sinta confortável.


Alguém que simplesmente diga, com a presença:


“Eu gosto de você assim.
Inteira.
Intensa.
Livre.
E não quero que você seja menos
só para caber na minha vida.”


E que, nos dias em que você não souber ser forte,
não te cobre coragem.
Que saiba sentar ao seu lado no silêncio,
sem pressa de encontrar respostas.
Que não tente transformar suas lágrimas em fraqueza,
nem seus medos em defeitos.
Alguém que entenda que cuidar
também é permanecer quando não há nada para consertar.
Que não precise de uma versão perfeita de você,
apenas da sua versão verdadeira.
Porque talvez seja isso que torna alguém especial:
não a capacidade de salvar você,
mas a delicadeza de fazer você perceber
que nunca precisou ser salva de quem é.


Porque algumas pessoas não chegam para mudar nossa vida; chegam para nos lembrar que não precisamos mudar quem somos para sermos amados.

Na Mesma Sintonia


Gostoso é quando você quer alguém
e descobre que essa pessoa também quer você —
e, para sua surpresa,
quer ainda mais do que você imaginava.


É quando aquele olhar que você achava ser apenas seu
carrega, do outro lado, a mesma vontade.
Quando o silêncio deixa de ser dúvida
e passa a ser uma conversa que os dois entendem.


Porque existe algo irresistível
em perceber que o desejo não nasceu sozinho.
Que enquanto você pensava nela,
ela também pensava em você.
Enquanto você imaginava,
ela também desejava.
E enquanto você tentava esconder o querer,
ela talvez estivesse fazendo exatamente o mesmo.


Quando o querer é recíproco,
a conexão ganha outra intensidade.
O que era possibilidade vira certeza,
o que era desejo vira encontro,
e aquilo que parecia perigoso demais para sentir
se torna irresistível justamente porque é sentido pelos dois.


Talvez seja isso que torne tudo tão gostoso:
não é apenas querer alguém.
É descobrir que, em algum lugar entre dois olhares,
dois desejos se encontraram
e nenhum dos dois quer mais fingir que não percebeu.

ÀS VEZES, ADMIRAMOS ALGUÉM PELO QUE ELE DESPERTA EM NÓS




“Jack nunca precisou ser o mais forte para que eu o procurasse com os olhos. Quando ele chegava, alguma coisa em mim simplesmente acreditava que tudo ficaria bem. Talvez ele nunca tenha percebido isso… talvez eu tenha passado tempo demais esperando que percebesse.”




— Mag, personagem




Obra: The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

CORAGEM NÃO É CHEGAR SEM MEDO




“Eu nunca quis ser lembrado como alguém que não teve medo. Só quero que, quando tudo terminar, possam dizer que o medo não decidiu por mim.”




— Dorian, personagem




Obra: The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

“Me vi pensando em Van Gogh:
Escrevendo para alguém que ô leria,
Porque falar? Se ninguém o ouvia.
Ele escrevia..”

Livro “o quarto dos poetas”
Maysa S. Barrocal

ÀS VEZES, É PRECISO ERRAR O CAMINHO PARA ENCONTRAR ALGUÉM




“Ele veio procurando outra pessoa e me encontrou. Durante muito tempo pensei que eu tivesse sido apenas um desvio no caminho de Alef. Hoje penso diferente: talvez o destino também use caminhos errados para colocar as pessoas certas diante de nós.”




— Duda, sobre Alef




Fragmentos de The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

NEM TODA PAZ MERECE SER PRESERVADA




“Se para manter a paz eu precisar assistir alguém indefeso ser destruído, então aquilo nunca foi paz. Há momentos em que não agir também é uma escolha — e eu prefiro carregar o peso da justiça do que a vergonha de ter virado o rosto.”




— Artur
Fragmentos de The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P Sodré








@Jonassaul.ofc

Alguém me disse:
Tu és
um algoritmo
complicadíssimo demais
para se entender.