Quando a Gente Pensa
Carta de quem cansou de amar sozinha.
Sabe, a gente demora para cansar, porque o amor, por mais urgente que seja, ele é paciente. Ele nos pede calma e a gente ouve, a gente quer que fique tudo bem, a gente quer a pessoa do nosso lado a qualquer custo.
Quando eu falo que cansei de amar sozinha, não é porque você necessariamente não me amava, eu não sei o que passa dentro de você, eu achei que sabia.
Eu cansei de amar sozinha, quando percebi que eu falava de forma detalhada de algum acontecimento e ser respondida de forma seca, fria e desatenciosa. Eu cansei de amar sozinha quando percebi que eu fazia de tudo para estar ao seu lado, desmarcava compromisso, quando você sequer se esforçava para me ver. Quando eu falo de cansar de amar sozinha, é sobre não ver a retribuição de uma atenção que é necessária.
Eu sentia que amava sozinha quando não via retorno no que eu fazia, no que eu dava, no que eu sentia. E eu sei que não é certo esperar muito, mas o certo nem sempre é tudo que sabemos fazer. E com relação ao amor, não tem como não esperar, porque o amor é troca, seja de beijos ou de energia. Seja de força ou de segurança.
Eu estava cansada de carregar tudo o que eu sentia e chegou um dia que eu não queria mais te dar o amor que eu tinha, comecei acreditar que você não merecia.
Eu fui vencida pelo cansaço, tentei tudo que pude, todas as formas e frases de psicologia positiva eu usei, mas não adiantou. Eu tentei entender que esse era seu jeito, que essa era sua forma de amar, mas aí eu percebi que mesmo que essa fosse sua forma de amar, ela me doía bastante. Sendo assim, eu não podia aceitar sua forma de amar, eu sei que parece egoísmo, mas acho que nada que fazemos para ficarmos felizes e bem consigo mesmo, é egoísmo.
O importante agora é saber que eu te amei, fiz minha parte, se foi sozinha ou não, isso já não importa. O que importa é que fiz e amei tudo que pude, para algumas pessoas isso não é e o bastante. Talvez ninguém saiba te amar tanto como eu, nem em um amor conjunto, nem em um amor sozinho.
Essa crise pode não ser tão grande quanto a gente imagina, mas pode ser maior do que a gente imagina.
Um dia a gente encontra, alguém que muda a nossa rotina, nossa cabeça e nosso coração, e tudo começa a fazer sentido.
O amor tem certas coisas, que o coração surpreende
Fazendo a gente gostar de quem não gosta da gente
Desabafo de segunda (em um sábado)
Tem coisas que a gente só entende depois de muito tempo, e então olhamos pro céu e agradecemos a Deus por não ter dado certo, e nos desculpamos pelas inúmeras vezes que o culpamos por acontecimentos que não saíram de acordo com o que havíamos desejado ou planejado.
Um dia no futuro, ou mesmo hoje vamos olhar com perspicácia para o passado e entender que aquelas malditas frases feitas que circulam por redes sociais ou sites de busca eram mesmo verdade e vamos concordar que O que muitas vezes pensamos que era para nosso bem Deus tinha certeza que não era, então vamos ser capazes ou Não de ser humildes para reconhecer a tolice em ter acreditado em nossa própria ignorância.
O tempo é um amigo verdadeiro e imperfeito, as vezes ele traz dores mas sempre as recompensa com felicidades, basta termos paciência. É estranho olhar pra trás e ver que algo que você jurou que um dia te faria feliz hoje te causa um sentimento sem nome, é uma sensação que varia entra os extremos do alivio e da pena. De vez em quando faz bem dar uma remexida no passado pra ter a certeza que hoje vivemos apenas o presente, embora tudo tenha valido a pena.
Tudo passa, mas o aprendizado fica! Felicidade é agora...
"Eu não sou como muita gente: entusiasmada até à loucura no princípio das afeições e depois, passado um mês, completamente desinteressada delas. Eu sou ao contrário: o tempo passa e a afeição vai crescendo, morrendo apenas quando a ingratidão e a maldade a fizerem morrer."
Tem dias que a gente cansa, do tudo, do nada, do barulho, do silêncio.
A gente cansa das pessoas,das decisões de vida ou morte, do futuro, do passado e do presente.
Não é loucura minha, quem nunca cansou de sentir?
Quem nunca cansou de mentir? De iludir? De persistir? De insistir e mais uma vez dá em nada...
A gente cansa, do tudo ... Do nada ...
Do preto, do branco, do emprego, a gente cansa da política do esporte, a gente cansa e perde a esperança, e tudo é tão down.
De repente você pega aquela foto, e vem aquela singela lembrança, a triste lembrança, ai você desaba e cansa, do que poderia ser, do que não é , do que não será...
A gente cansa das pessoas,das decisões de vida ou morte, do futuro, do passado e do presente.
Eu cansei de mim, eu quero férias de mim mesma...
Só por um tempo eu anseio esquecer quem eu sou e viver longe dessa canseira toda
Tem coisas que acontecem na vida da gente, que é melhor deixar na mão do destino, eu fiz de tudo que eu podia mas não rolou, talvez não era para ser. O que posso fazer.
Acho que em alguns dias a gente acorda meio louca. Não tem outra explicação. Dá uma saudade de coisas que já passaram, de coisas que nem vivemos direito, do que nem sabemos ao certo. E uma vontade de trocar de nome, de corpo, de cabelo, de profissão, de país, de vida.
Uma hora a gente tem que olhar nos olhos dos medos. E andar pra frente. Sem atalho, sem muleta, sem abrigo. Porque a vida é o que acontece no intervalo dos nossos medos. Eles nos petrificam, nos transformam em múmias. É só quando a gente acorda, anda, se mexe, manda eles embora que a vida de fato surge pelos buracos da fechadura.
De repente
De repente tudo vai ficando tão simples que assusta. A gente vai perdendo algumas necessidades, antes fundamentais e que hoje chegam a ser insignificantes. Vai reduzindo a bagagem e deixando na mala apenas as cenas e pessoas que valem a pena. As opiniões dos outros são unicamente dos outros, e mesmo que sejam sobre nós, não têm a mínima importância. Nada vai mudar. De repente passamos a valorizar o que tem valor de verdade, e a amar de forma diferente de todas já vividas.
De repente vamos abrindo mão das certezas, pois com o tempo já não temos mais certeza de nada. E de repente isso não faz a menor falta, pois o que nos resta é ser apenas feliz. Percebemos que o hoje é apenas agora, e nada, absolutamente nada além disso. Paramos de julgar, pois já não existe certo ou errado, mas sim a vida que cada um escolheu experimentar. De repente não existe pecado, mas sim ponto de vista. O improvável passa a ser regra.
O extremo passa a ser meio termo, pois no dia a dia percebemos que nada é exato, e tudo chega a ser inconstante demais para ser determinante ou absoluto. De repente o inverso vira verso. Por fim entendemos que tudo que importa é ter paz e sossego. É viver sem medo, e simplesmente fazer algo que alegra o coração naquele momento. É ter fé. E só.
De repente a saudade se torna um sentimento devastador e descobrimos que o coração fala mais alto, então este sentimento único e profundo fica acima de qualquer razão. De repente tentamos compreender sentimentos, jamais compreensíveis aos olhos de outras pessoas. Descobrimos o verdadeiro valor da verdade e com ela chega a plena certeza de que ter dignidade, transparência e retidão de caráter são qualidades obrigatórias para se viver bem com os outros, com o mundo e, principalmente, consigo mesmo.
De repente descobrimos que os planos traçados e escolhidos por nós são unicamente nossos, pois de repente, em meio aos nossos planos, chegam as escolhas de Deus.
Ausência de Mim
Há fases em que a gente simplesmente desaparece, mesmo estando aqui.
O corpo existe, mas a alma se recolhe. As mensagens chegam, as notificações se acumulam, e cada uma delas parece pesar toneladas.
Não é descaso. É falta de fôlego. Falta de voz. Falta de nós.
Responder exige um tipo de energia que já não há.
Porque para responder, é preciso fingir — dizer que está tudo bem, quando nada está.
E às vezes, a mentira cansa mais do que o próprio silêncio.
A depressão tem esse jeito de transformar o mundo em eco.
Tudo parece distante, sem cor, sem sentido.
E, mesmo cercado de gente, é como estar trancado dentro de si — tentando achar uma saída que não machuque ainda mais.
O silêncio, então, vira refúgio.
Mas também é pedido de socorro.
Porque a ausência fala, grita, às vezes.
Só que nem todo mundo sabe ouvir o que não é dito.
Não é que falte amor, é que sobra exaustão.
Não é que não se queira viver, é que viver cansa demais.
E nesse intervalo entre o querer e o poder, a gente tenta sobreviver — do jeito que dá, do jeito que resta.
Às vezes, estar ausente é a única forma de continuar aqui.
Curar o Outro
Por que a gente consegue se preocupar tanto com alguém, mais do que com nós mesmos?
A ponto de esquecer da própria dor, ou fingir que ela não existe?
Às vezes, as dores até se parecem, são as mesmas feridas em corpos diferentes, mas, mesmo sem força, a gente tenta curar o outro.
Como se aliviar a dor do outro fosse também um jeito de aliviar a nossa.
Como se, ao enxugar as lágrimas de quem amamos, pudéssemos secar as nossas por reflexo.
Mas não dá.
A verdade é que, por mais bonito que seja esse instinto, curar o outro não é cura, talvez seja fuga.
E ainda assim, a gente insiste.
Porque amar é isso: é esquecer-se por um instante, acreditar que o afeto pode salvar, mesmo quando mal conseguimos nos salvar de nós mesmos.
A música que toca dentro da gente é a única que faz vibrar os nossos sentidos e põe nossa alma para dançar.
Os humanos não se preocupam com a depressão, mas com que a gente faz em estado depressivo. Tipo só enxergam os galhos nunca a raiz
Lições de Motim
DONA COTINHA: Viver sozinho vicia. Chega uma hora que gente incomoda. Dá uma espécie de gastura, e é essa gastura o primeiro passo para a solidão. É claro, só gosta de solidão quem nasceu pra ser solitário. Só o solitário gosta de solidão. Quem vive só e não gosta de solidão não é um solitário, é só um desacompanhado. Solidão é vocação, besta de quem pensa que é sina. Por isso, tem que ser valorizada. E não é qualquer um que pode ser solitário não. É preciso ter competência pra isso. Pra viver bem com a solidão temos de ser proprietários dela e não inquilinos. Quem é inquilino da solidão, não passa de um abandonado. Não é que eu não goste de gente, eu não suporto é ser usuário, o que é bem diferente. Minha solidão tem um nome: renúncia. Eu renunciei ao gênero humano. É simples e só. Perdi a crença nas pessoas. O certo é que eu sou um descreste de gente, só isso. Tirei as pessoas da minha vida, como tirei o açúcar de minha diabete. Minha solidão é medicinal.
A gente nem repara, mas a pessoa que nos fez sofrer no passado é um idiota, só que mais do que isso, ela é responsável por hoje, nós sabermos dar valor e cuidar com todo carinho do mundo das pessoas que temos hoje.
