Próprio

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Nenhuma lei permanece inteiramente idêntica ao mundo que pretende regular, porque o próprio mundo já se tornou outro.

"Quando ao redor do seu exterior estiver caótico, encontre refúgio em seu amor próprio e na sua fé, confiando que, eventualmente ficará claro, tudo; absolutamente tudo terá sentido pra você."


─By Coelhinha

Eu decido, intencionalmente, priorizar o meu próprio bem-estar.
(''Compromisso com o "viver bem")

Toda pessoa que ainda não conhece o seu próprio valor será sempre usada nesta vida.

A justiça que chega tarde não é apenas lenta: modifica, pela demora, o próprio significado daquilo que deveria reparar.

O amor-próprio sem amor ao próximo pode se tornar narcisismo.
O amor ao próximo sem amor-próprio pode se tornar anulação.
O amor maduro equilibra ambos.

“No instante em que o pensamento pensa o próprio pensador, o ‘eu’ percebe que talvez nunca tenha sido mais do que o último pensamento a ser questionado.”

“Toda educAÇÃO que teme o pensamento pensando o próprio pensamento deixa de formar consciências para aperfeiçoar condicionAÇÕES.”

“Pensar é ter ideias; pensar sobre o próprio pensamento é investigar quem produz as ideias.”

“Não pense como eu penso; pense no seu próprio pensamento.”

“Quem não questiona o próprio pensamento corre o risco de passar a vida defendendo ideias que nunca foram realmente suas. Pensar é comum; pensar sobre o que pensamos é consciência.”

“O senso comum digital pode ser apenas o senso comum do seu próprio algoritmo.”

“Quem não se torna AUTOR do próprio pensamento acaba sendo PERSONAGEM do pensamento de outro.”

Carlos Eduardo Balcarse

“Quem pensa sem examinar o próprio pensamento apenas muda de opinião sem necessariamente mudar de consciência.”

“Liberdade de pensamento também é liberdade diante do próprio pensamento.”

Carlos Eduardo Balcarse

Educar para pensar é importante. Educar para discernir é ensinar a não entregar ao próprio pensamento uma autoridade que ele ainda precisa justificar.

Carlos Eduardo Balcarse

COMO DECIDIR EM QUEM CONFIAR SEM TERCEIRIZAR O PRÓPRIO PENSAMENTO?

Não confiar em ninguém não produz autonomia. Produz isolamento.

Confiar em todos também não produz conhecimento. Produz vulnerabilidade.

Entre a desconfiança absoluta e a submissão intelectual existe um problema muito mais sofisticado: como decidir quanto peso dar ao conhecimento de outra pessoa?

Vivemos cercados por autoridades. Médicos, professores, pesquisadores, jornalistas, líderes, especialistas, influenciadores e, cada vez mais, sistemas de inteligência artificial oferecem respostas sobre assuntos que não dominamos.

Não existe tempo suficiente para verificar pessoalmente tudo aquilo de que dependemos.

Confiar, portanto, é inevitável.

O problema começa quando confundimos confiança com transferência de autoria.

Uma pessoa pode reconhecer que alguém sabe mais sobre determinado assunto sem transformar essa pessoa em proprietária de suas conclusões. Pode aceitar uma orientação especializada e continuar perguntando quais evidências a sustentam, quais são seus limites e em que condições ela deixaria de ser válida.

A pergunta madura não é apenas: “Em quem devo confiar?”

É também: “Por que estou confiando, em quê estou confiando e até onde essa confiança deve alcançar?”

Credenciais importam. Evidências importam. Histórico importa. Consenso especializado importa. Mas nenhum desses elementos possui exatamente a mesma função em todas as situações.

Discernir significa aprender a ponderá-los.

É por isso que tenho trabalhado com a ideia de autoridade epistêmica associada à calibração discernitiva. Não se trata de rejeitar autoridades, mas de impedir que reconhecimento de competência se transforme automaticamente em renúncia ao próprio julgamento.

A autonomia intelectual não exige que saibamos tudo.

Exige que saibamos o que fazer quando não sabemos.

Talvez a forma mais perigosa de terceirização do pensamento não seja pedir ajuda para pensar.

É esquecer que, depois da ajuda, a responsabilidade por aquilo que autorizamos continuar acreditando ainda é nossa.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

COMO USAR INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL SEM TERCEIRIZAR O PRÓPRIO JULGAMENTO?

O problema da inteligência artificial talvez não seja ela pensar por nós.

Talvez seja nós pararmos de perceber quando deixamos de pensar aquilo que ainda precisávamos pensar.

Usar uma ferramenta para ampliar capacidade não é novidade.

A humanidade sempre criou extensões cognitivas.

Escrita, livros, mapas, calculadoras, computadores e mecanismos de busca modificaram aquilo que precisamos memorizar e aquilo que conseguimos realizar.

A inteligência artificial introduz, porém, uma diferença importante.

Ela não apenas recupera informação. Pode produzir respostas com aparência de raciocínio, síntese e segurança.

Isso cria um risco particular.

A qualidade linguística de uma resposta pode ser confundida com qualidade epistemológica.

Uma resposta pode parecer extraordinariamente convincente e continuar errada.

Portanto, utilizar inteligência artificial exige mais do que saber formular comandos. Exige saber avaliar respostas.

E avaliar respostas exige alguma competência que não pode ser integralmente terceirizada à própria ferramenta que está sendo avaliada.

Surge então um paradoxo: quanto mais dependemos de uma ferramenta para saber, mais importante se torna preservar alguma capacidade independente para julgar aquilo que ela nos oferece.

Não precisamos escolher entre usar inteligência artificial e pensar. Precisamos aprender a dividir o trabalho cognitivo.

O que pode ser delegado? O que precisa ser verificado? O que precisa permanecer sob responsabilidade humana?

Terceirizar uma tarefa pode aumentar eficiência.

Terceirizar o critério pelo qual decidimos se a tarefa foi bem realizada é outra coisa.

A inteligência artificial pode ampliar nosso pensamento. Não deveria receber automaticamente autoridade sobre aquilo que decidimos continuar pensando.

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador

Quem não examina o próprio pensamento transforma opinião em prisÃO e convicção em carcereiro.

Carlos Eduardo Balcarse

COMO QUESTIONAR O PRÓPRIO PENSAMENTO?

Questionar aquilo que pensamos não significa viver em dúvida permanente.

Significa reconhecer que o pensamento também precisa prestar contas.

Quando uma ideia surgir, experimente não perguntar imediatamente se concorda com ela.

Pergunte:

De onde veio?

Que evidência possui?

O que estou deixando de considerar?

Eu pensaria da mesma maneira se essa ideia não favorecesse aquilo que desejo?

O que poderia me fazer mudar de posição?

Existe uma diferença enorme entre ter pensamentos e examinar a autoridade que concedemos a eles.

Pensar é produzir conteúdo.

Pensar sobre o pensamento é observá-lo.

Discernir é ainda perguntar:

“Quanto poder este pensamento merece exercer sobre aquilo que decidirei?”

Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador