Próprio

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⁠Maturidade é jogar no lixo um amor impróprio, pra salvar o seu próprio.

Sem raízes no próprio ser, resta apenas a representação vazia de quem se é.

A escrita é um rascunho do próprio viver, com pequenos fragmentos de pensamentos que se esvaem com o mais sútil sopro de vento, por vezes ocultos em nosso subconsciente. Cada palavra é como um vestígio do que fomos em determinado instante, um eco daquilo que não quis se perder no silêncio. Escrever é capturar o efêmero, transformar o intangível em forma, dar corpo ao que, de outra maneira, se dissolveria no tempo. Assim, cada linha é memória e invenção, confissão e mistério, como se a própria alma buscasse se perpetuar no papel.

Existem pessoas que são carniças pulsantes, infestadas de vermes, esquecidas na escuridão do próprio ser. Ao menor sinal de luz em alguém, avançam como pragas vorazes, dilacerando sem piedade até o último resquício de brilho, apenas para ocultar a imundície que as devora por dentro.

Superar é ato feroz de amor-próprio, pacto diário de sangue e coragem, aliança sagrada com o próprio ser.

A vida pode até tentar te enterrar, mas Deus te fará florir do próprio chão que tentou te cobrir.

Perder fez-se oficina de reconstrução, coletei pedaços e os tornei ponte, atravessei o meu próprio abismo.

O respeito próprio nasceu do enfrentamento, não é soberba, é limite sadio, mantenho nele meus passos.

O amor-próprio nasceu no dia em que parei de implorar amor.

Só quem atravessa o próprio deserto entende que, o fardo não é a areia, nem o calor, é a distância.Cada passo traz o eco daquilo que se perdeu e ainda assim, é o que nos ensina a chegar.⁠

O amor-próprio nasce ao ver valor no escuro, descobrir-se na escuridão é encontrar luz interna, valor íntimo não depende de aplausos, no silêncio aprendi a me reconhecer.

Há cura no silêncio de quem confia além do próprio medo.

A renúncia ao próprio direito é a prova mais eloquente de um amor que se assemelha ao Divino.

A vida nos oferece a chance de ser reis em nosso próprio domínio, escolhendo a sabedoria e a luz.

A traição capital é o nosso próprio silêncio vendido em troca da moeda podre da validação no palco da superficialidade.

O homem que se isola por medo do erro renuncia à sua natureza e torna-se um eco em seu próprio deserto.

A transformação é um ato violento de amor-próprio, que destrói o que é velho para dar espaço ao que é novo.

O desgaste emocional é o preço de viver tentando agradar a todos, exceto ao seu próprio centro.

A caridade mais essencial é aquela que oferecemos ao nosso próprio espírito ferido, é o perdão silencioso pelas escolhas que nos trouxeram à beira do precipício, é a decisão de não ser o carrasco da própria história, revivendo incessantemente o erro. O ato de ajudar o próximo deve ser um segredo guardado entre você e o invisível, assim como o seu renascimento precisa ser um pacto íntimo e sem alarde, onde o único testemunho necessário é a sua nova e inabalável paz.

As perdas ensinam a geometria do meu próprio espaço. Depois de cada saída, sobra um contorno novo do que sou. Desenho com cuidado as margens que restaram do mapa. E percebo que a estrada que me falta é também caminho. Perder é reformar a casa onde ainda cabe silêncio e canto.