Professor Carlos Drumond de Andrade

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PRECE A NOSSA SENHORA APARECIDA
Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil, assim como foste achada no rio, pelos pescadores, que até então nenhum peixe haviam pescado e, depois de a encontrem, os peixes chegaram em abundância, suplico-lhe que mostre sempre o melhor caminho da vida a percorrer para mim, minha família e meus amigos, para que sejamos alegres, felizes, cheios de bondade. Proteja nossos corpos e nossas almas de toda maldade. Cubra-nos com seu manto de proteção em todos momentos em que passarmos por perigos. Derrame graças sobre nós. Nossa Senhora Aparecida rogai sempre por nós. Amém.

O Poeta Come Amendoim

Mastigado na gostosura quente de amendoim...
Falado numa língua curumim
De palavras incertas num remeleixo melado melancólico...
Saem lentas frescas trituradas pelos meus dentes bons...
Molham meus beiços que dão beijos alastrados
E depois remurmuram sem malícia as rezas bem nascidas...
Brasil amado não porque seja minha pátria,
Pátria é acaso de migrações e do pão-nosso onde Deus der...
Brasil que eu amo porque é o ritmo do meu braço aventuroso,
O gosto dos meus descansos,
O balanço das minhas cantigas amores e danças.
Brasil que eu sou porque é a minha expressão muito engraçada,
Porque é o meu sentimento pachorrento,
Porque é o meu jeito de ganhar dinheiro, de comer e de dormir.

Mário de Andrade

Nota: Poema musicado pela banda A Barca

Se você nunca vem sorrir comigo, não venha chorar quando eu morrer.

Tenho a felicidade de escrever os meus melhores versos. Melhor do que isso não posso fazer.

Mário de Andrade
ANDRADE, M. 50 poemas e um Prefácio interessantíssimo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

Nota: Trecho de "Prefácio Interessantíssimo"

...Mais

-Porque insiste em causar seu próprio sofrimento?
-Pois meus Demônios me fortalecem. Mas só com a paz dos Anjos que posso ver o mundo.

Durma bem ,pois, quando o sol raiar eu ainda te amarei e estarei aqui do seu lado esperando a eternidade...

Antes de pedir perdão a Deus, perdoe quem te ofendeu e repare a ofensa que porventura tenha praticado contra alguém.

Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.

Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.

A inspiração é fugaz, violenta. Qualquer empecilho a perturba e mesmo emudece.

Mário de Andrade
ANDRADE, M. 50 poemas e um Prefácio interessantíssimo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2013.

Balada do Esplanada

Ontem à noite
Eu procurei
Ver se aprendia
Como é que se fazia
Uma balada
Antes de ir
Pro meu hotel.

É que este
Coração
Já se cansou
De viver só
E quer então
Morar contigo
No Esplanada.

Eu qu'ria
Poder
Encher
Este papel
De versos lindos
É tão distinto
Ser menestrel

No futuro
As gerações
Que passariam
Diriam
É o hotel
Do menestrel

Pra m'inspirar
Abro a janela
Como um jornal
Vou fazer
A balada
Do Esplanada
E ficar sendo
O menestrel
De meu hotel

Mas não há poesia
Num hotel
Mesmo sendo
'Splanada
Ou Grand-Hotel

Há poesia
Na dor
Na flor
No beija-flor
No elevador

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Obras completas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1972.

As prioridades, definem em muito o que queremos ser ou o que somos em nossas vidas. É uma questão de bom senso que vale para toda uma vida e que perdura por muitas gerações.

⁠A vida nem sempre segue o rumo que desejamos. Encontramos obstáculos inesperados e decepções pelo caminho. Porém, em meio ao caos, é necessário recomeçar. Novamente e quantas vezes forem necessárias. Não desista quando as lágrimas teimarem em cair. Acalme seu coração, reflita sobre suas escolhas e tenha coragem para dar novos passos.

O recomeço traz consigo esperança e oportunidade de fazer diferente. Nem sempre é fácil sair da zona de conforto e enfrentar o desconhecido, mas é nesse desapego que encontramos maturidade e crescimento pessoal. Não se prenda ao passado nem às mágoas que já não podem ser mudadas. Concentre-se no presente, abra-se para novas possibilidades e decole novamente.

Seja flexível, resiliente e saiba que, independente das dificuldades que possam surgir, você tem a capacidade de superá-las. Não se limite pelo medo de falhar. Abrace a vida de braços abertos, sempre prontos para novos começos...

- Edna de Andrade

Procura a maravilha.

Onde um beijo sabe
a barcos e bruma.

No brilho redondo
e jovem dos joelhos.

Na noite inclinada
de melancolia.

Procura.

Procura a maravilha.

Eugénio de Andrade
ANDRADE, E., Obscuro Domínio, 1972

Se você tem livre-arbítrio, então você é Deus, e o Lúcifer venceu mais uma vez! Não há profeta verdadeiro, se o futuro é você que constrói.

As trevas da burrice e do fanatismo cegam os mais saudáveis olhares! Quando a politicagem toma conta, ninguém escapa da nódoa.

Sou assim porque o muro caiu comigo em cima, arranhões foram inevitáveis e a reconstrução dele será por demais dispendiosa. Melhor do que ser covarde é ser hipócrita!

Os suicidas Romeu e Julieta são a maior expressão da ignorância sobre o amor e a felicidade. Iludidos que ficariam juntos eternamente, esqueceram-se que "no céu não se casam e nem se dão em casamento. Agora imaginem-se no inferno legalmente casados!!!

"Chama"

Hoje eu quero tudo.
Quero despertar todos os sentidos como quem destrói um formigueiro.

Quero queixos, pescoços e nucas.
quero halito quente e uma força maluca.
quero linguas, toques, dentes.
Respitos frofundos e gemidos frequentes.
Quero unhas cravadas nas costas, mordidas na orelja como a gente gosta.
Quero joelhos, coxas virinha.
quero amassos e descompassos.
quero chupões e arranhões.

depois do deleite.
quero que você se deite e sonhe ao meu lado antes de dormir.

Epitalâmio

O alto fulgor desta paixão insana
Há-de cegar nossos corações
E deserdados da esperança humana
Palmilharemos por escuridões...

Não mais te orgulharás da soberana
Beleza! e eu, minhas cálidas canções
Não mais dedilharei com mão ufana
Na harpa de luz das minhas ilusões!...

Pela realização que ora se ultima
Vai apagar-se em breve o alto fulgor
Que te inflama e ilumina o meu desejo...

Como no último verso a última rima,
Eu deporei, sem gozo e sem calor,
Meu derradeiro beijo no teu beijo!

Mário de Andrade
ANDRADE, M. Poesias completas: Volume 2, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014

Dedicatória

Cruz
Que este livro galante,
ante
Teus olhos, lembre um dia,
Quem to oferece nesta
Festa
De anos e de alegria.

Pequeno ele é e modesto.
Mesto
Quase sempre e tristonho;
Não roubará, no entanto,
Quanto
Tens de ilusão e sonho.

Aquela, que hás de agora,
Hora
Tirar (sem percebê-lo),
Das que em teus anos verdes
Perdes;
Não perderás ao lê-lo.

Lê com vagar. Repara
Para
A beleza do verso;
Vê como o vate ardente
Sente
O mundo tão diverso!...

Mas, que não te entristeças;
Nessas
Linhas, não há verdade.
Vive sempre a florida
Vida
Entre a felicidade.

Mário de Andrade
ANDRADE, M. Poesias completas: Volume 2, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2014