Preço

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A dor do fim é o preço pago por ter vivido um capítulo que valeu o livro.

A lucidez é o preço de quem prefere ver o real em vez de inventar o belo.

Não há redenção sem um preço que se paga em silêncio. A voz pede espetáculo, mas a terra exige humildade. Quero pagar com gestos que ninguém registra. Com a moeda singela de cuidar de dias sem holofotes. E assim entendo que remissão é trabalho debaixo do pano.

O demagogo fala ao estômago faminto e não à mente pensante. O preço da liberdade é a vigilância eterna contra quem promete facilidades.

O riso escapa às vezes como quem rouba um remédio proibido. Dói o riso quando sei o preço que ele tem: esquecer por instantes. Mas prefiro esses lapsos de luz a um cotidiano contínuo de negrume, pois há beleza mesmo nos intervalos em que a alma consegue respirar.

A solidão é o preço que se paga por ter uma alma que não aceita imitações e que prefere o isolamento à companhia de quem só sabe falar do que é superficial. É um custo alto, mas a vista do deserto é muito mais honesta do que a da cidade iluminada por luzes artificiais.

​Olhar para o espelho e não reconhecer quem nos tornámos é o preço mais cruel que pagamos pelas feridas que o mundo nos causou.

⁠Mulher de alto valor não tem preço. Veste o avesso e continua linda.

⁠O principio da felicidade que tem preço jamais terá valor.

A verdade liberta, mas o preço, nem todos estão dispostos a pagar perdendo seus bens, sonhos e desejos por Jesus.

Aprendamos a cuidar dos que nos querem bem. Nada é tão valioso quanto aqueles que não têm preço.⁠

⁠Quando parte do povo tenta relativizar, a qualquer preço, a depredação cometida por adultos — e, em simultâneo, condena os protestos de estudantes, jovens e adolescentes — fica evidente que a metástase que assola nosso país não apodrece somente o Estado.


Talvez não exista caos comparável àquele que se instala na mente humana.


O simples fato de alguém aplaudir tamanha truculência já deveria constranger o caráter dos que se autoproclamam cidadãos de bem.


É um mau-caratismo sem precedentes: o mesmo “cidadão de bem” que se infla de certezas para absolver adultos que não sabem o que fazem, tentar condenar estudantes.


Um trisal tão nefasto — entre a Igreja, o Estado e seu Braço Armado — só poderia parir tamanha aberração.

⁠O
Brasil
carece
de
Homens
Incomerciáveis.


Homens que não tenham preço — não porque sejam moralmente perfeitos, mas porque tenham descoberto que há coisas que não se vendem.


A consciência, por exemplo.


A palavra empenhada.


A dignidade de dizer não quando todos ao redor já descobriram quanto custa um sim.


Vivemos tempos sombrios em que quase tudo parece negociável.


Convicções mudam conforme o vento, princípios ganham cláusulas, lealdades têm prazo de validade e a verdade, não raro, é tratada como mercadoria: vale mais quando convém e menos quando contraria interesses.


É nesse ambiente que o Homem Incomerciável se torna uma espécie muito rara — e, por isso mesmo, muito incômoda.


Ele não precisa ser um herói…


Basta não aceitar a lógica segundo a qual quase toda posição tem um preço e quase toda consciência pode ser alugada.


Nem trocar sua independência por aplausos, sua coragem por cargos, sua honestidade por vantagens ou seu silêncio por conveniências.


O Homem Incomerciável sabe que poder nenhum é suficientemente grande para comprar aquilo que ele considera inegociável.


E talvez seja justamente por isso que ele incomode tanto: porque sua existência desmente a famigerada ideia de que todos têm preço, que todos podem ser comprados, seduzidos, constrangidos ou domesticados.


Um país não se degrada apenas quando seus governantes erram.


Degrada-se também — e muito — quando seus cidadãos aprendem a negociar aquilo que deveriam defender.


Quando a indignação passa a depender de quem pratica o abuso.


Quando a moral se torna seletiva.


Quando a coragem desaparece justamente no instante em que ela deixa de ser conveniente.


O Brasil não precisa apenas de homens que saibam vencer disputas.


Precisa de homens que saibam perder sem se vender.


Porque há derrotas honrosas e vitórias miseráveis.


Há posições que custam caro demais para serem ocupadas e silêncios que custam caro demais para serem mantidos.


No fim, talvez a verdadeira liberdade comece aí: no momento em que alguém descobre que pode perder quase tudo sem precisar perder a si mesmo.


É desse tipo de Homem que o Brasil carece.


Homens que tenham preço para quase tudo — menos para a própria consciência.

"COISAS QUE NÃO TÊM PREÇO (1): BACALHAU NAS PEIXARIAS. Impossível ver preço de Bacalhau nas Peixarias porque, no Brasil, Peixarias não vendem Bacalhau (apesar de o dito estar associado a peixe)!"
0710 | Criado por Mim | Em 2014


USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

"COISAS QUE NÃO TÊM PREÇO (2): DINOSSAUROS! Se os cientistas não se enganaram, dinossauros foram extintos há mais de 60 milhões de anos. Então, uai, como fixar preço para esses seres? HeuHein!"
0715 | Criado por Mim | Em 2014


USE, MAS DÊ BOM EXEMPLO.
CITE A FONTE E O AUTOR:
thudocomh.blogspot.com

Responsabilidade é o preço jurídico de sermos tratados como autores daquilo que fazemos.

ISSO NÃO TEM PREÇO NÃO


Lembro da casa de taipa,
do terreiro e do fogão;
da fumaça da lenha acesa,
do café no bule, então.
Era pouco na despensa,
mas sobrava coração.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


O cuscuz com manteiguinha,
a tapioca no fogão,
o leite ainda morninho,
tirado da vaca à mão;
quem provou esses sabores
guarda eterna gratidão.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Banho de chuva na rua,
mergulho limpo no ribeirão;
cada gota era brinquedo,
cada riso uma canção.
A natureza era mestra
da mais bela educação.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Pipa riscando o infinito,
bola de meia no chão,
pião rodando na areia,
bila na palma da mão.
A infância era rainha
sem conhecer ambição.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


A bênção aos mais antigos
era gesto de afeição;
o respeito era riqueza,
não pesava obrigação.
Hoje ainda vale ouro
quem cultiva essa lição.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


O vizinho era da casa,
compadre era um irmão;
bastava um aperto de mão
para selar obrigação.
A palavra tinha força
mais que firma em cartório, então.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


As férias na casa do tio,
rede armada no alpendre, então;
manga madura no pé,
açude cheio no verão.
Cada lembrança dessas
vive firme no coração.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Hoje mudou muita coisa,
veio a modernização;
tem progresso e tecnologia,
facilitando a missão.
Mas o abraço continua
sendo a melhor conexão.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Ainda existe quem conserve
a fé na oração,
o café servido à visita,
o sorriso e a gratidão.
Enquanto houver gente assim,
há esperança na nação.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Não condeno o tempo novo,
nem rejeito a inovação;
só não deixo que o dinheiro
compre minha tradição.
Há riquezas que o mercado
nunca vende em promoção.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Quem mede tudo em moedas
desconhece a verdadeira razão;
há tesouros invisíveis
guardados no coração.
São lembranças, fé e amizade,
a mais valiosa coleção.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.


Se um dia eu partir da vida
com pequena condição,
levarei a maior fortuna:
amor, paz e gratidão.
Pois quem viveu essas riquezas
jamais conheceu pobreza, não.


Isso não tem preço não.
Não troco seu Dólar pelo meu Tostão.

Confundimos valor com preço
porque desaprendemos a sentir.

A solidão é o preço silencioso de quem descobriu que nenhuma multidão é capaz de preencher o espaço interior que somente a própria consciência pode habitar.

"Quem escolhe a segurança da sombra
renuncia à imensidão do céu — o preço
do abrigo de um mentor é a
própria estagnação."

Alessandro Bous'T