Praia, Mar, Areia
Na areia de Itaipuaçu o vento escreveu teu nome, e o mar guardou em segredo tudo aquilo que me consome.
DeBrunoParaCarla
Itaipuaçu guarda memórias entre a areia e o mar, e em cada lembrança bonita há um motivo para te amar.
DeBrunoParaCarla
As ondas vêm e vão, mas meu amor permanece, como o mar que nunca esquece o caminho da areia.
DeBrunoParaCarla
Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.
Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.
E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.
E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.
Porque ela encerrou.
E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.
Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.
Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.
Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.
Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.
No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.
E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.
Eu escolhi viver.
Ouvindo o barulho do mar,
Sentado na areia,
Com esse céu azul bonito,
Que se perde no infinito,
Tenho vontade de dar um grito,
Onde estás minha sereia.
Aonde está você?
Uma cadeira ocupada,
pés na areia,
as ondas do mar quebrando com seu barulho de paz,
Mas,,,
A frente, o por do sol gritando, aonde está você?
Passos de tartarugas na areia, são sinônimos de lentidão, mas levam a imensidão do mar e seus mistérios.
Observe a areia do mar e veja a sua aparência. Uma aparência momentânea: ora vêm os ventos e a movem, ora as ondas e chuvas. A aparência é momentânea e engana; vemos curvas e desenhos, no entanto, é só areia. Não se engane e não se deixe enganar pela aparência. Observe a essência.
Rosinei Nascimento Alves
Ótimo dia!
Deus abençoe sempre 🙏🏾
Tenhamos fé!
Assim como a onda do mar apaga os riscos na areia, o amor de Deus apaga nossas dores e nos dá a chance de recomeçar.
O mar e a areia (poesia)
Que um dia
os que foram negligenciados
sejam lembrados, e que o sejam
antes que a carne se desfaça,
sucumbida pelo fim do tempo,
ou antes que restem apenas ossos
e o pó misturado à terra.
Porque todos, sem qualquer exceção
ou vã generalização, precisam de algo
além de si mesmos. Qual seria, afinal,
o sentido de existir no isolamento,
dedicando a vida a um único ser?
Que um dia
os mesmos olhos que choram
sorriam; que o mesmo oceano
que banha a areia sedenta
por sua espuma, receba também
alguns de seus grãos,
num gesto manso de afeto
pelo simples direito de coexistir.
Marcelo HB
1544
" 'Eu escrevi na fria areia um nome para amar / O mar chegou, tudo apagou / Palavras leva o mar'. Quem cria algo assim, pode descansar de criar por muito tempo (da composição 'Nossos Momentos', de Haroldo Barbosa e Luis Carlos Reis)!"
Aqui na beira desse mar, me sento na areia fofa que insiste em esconder meus pés. Talvez seja por ver-me sem fôlego e queira me dizer que aqui tenho que voar!
Eu escrevi seu nome na areia, na areia do mar, por que mar e terra se completam assim como nós, mesmos com as ondas que se parecem revoltas de cada um, eles se completam, por que foram feitos um para o outro, como nós dois, como nossas brigas, como nosso jeito de amar, meu amor .
Só de pensar em te perder...
Fico sem chão.
Sou como pássaro sem assa.
Mar sem areia.
Só de pensar em te perder...
Meu coração acelera.
Minha perna fica bamba.
Não tenho razão para viver.
Pois a razão é você.
"A chuva deslisa pela telha.. Cai no chão e escorre pela areia.
Este mar tão caumo e ao mesmo tempo, sombrio.. Nada vejo, se não meu interior.. e também nada sinto alem deste triste rancor.. as lagrimas caem.. junto a chuva.. que deslisa pelo rosto e escorre pela areia..
Teu corpo, junto e distante, nao me aquece nem encendeia.. nada tenho pra me acalmar além do pingar da chuva que deslisa pela telha..
Se pudesse, estaria agora deitado na areia, sentindo a brisa e ouvindo o barulho do mar.. pensando em tudo e ao mesmo tempo em nada!
Quando vi teus olhos de mar
Entendi a onda e a areia
Num beijo eterno se enlaçam
No sol ou na chuva se incendeiam.
