Posias de Amor Querido
Infância
Sonhos
enormes como cedros
que é preciso
trazer de longe
aos ombros
para achar
no inverno da memória
este rumor
de lume:
o teu perfume,
lenha
da melancolia.
Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.
Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos, alegria.
Entretanto, deixai que me não cale:
até que o muro fenda, a treva estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.
A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.
A entrega profunda ao Criador é o nosso grande objetivo e se constitui no propósito existencial de todos nós, a meta que trazemos em nossa consciência. A pessoa consciente sabe, portanto, por que deve desenvolver a fé em Deus.
Livro: Inteligência Consciencial - a conquista da autonomia da consciência
Lágrima
A cada hora
o frio
que o sangue leva ao coração
nos gela como o rio
do tempo aos derradeiros glaciares
quando a espuma dos mares
se transformar em pedra.
Ah no deserto
do próprio céu gelado
pudesses tu suster ao menos na descida
uma estrela qualquer
e ao seu calor fundir a neve que bastasse
à lágrima pedida
pela nossa morte.
Empreendo
O que é a vida se não uma eterna luta por algo que no fim compreendemos que não nos serve tanto quanto esperávamos
O que é o sonho se não um delírio que alimenta a alma para que o corpo não decaia
O que é o homem se não o fruto de outros homens, tanto no aspecto biológico como no intelectual
Somos o que somos é a definição mais fiel
Pois não define nada além do propriamente dito
Porque no fundo não tem importância sabermos quem somos
A vida é efêmera e há mais para se fazer que se pensar
Não descarto aqui o pensar, ele é essencial, mas o fazer é existencial do nosso delírio de viver
Papel amassado
Se a gente pegar uma folha de papel e disser para alguém descontar toda a raiva que sente, como se o papel fosse o ofensor, rasgaremos com absoluta certeza, mas se um dia voltarmos com o perdão e pedir esse papel do jeito que estava, não será mais possível, pois as palavras ditas não voltam atrás... Deixam marcas...
O que seria do concreto,
Se não fosse o abstrato,
O próprio do comum,
O derivado sem o primitivo,
Sendo simples ou coletivo,
Na forma de nós Substantivo.
Verso do inverso...
Obrigado amiga,
Obrigada amigo,
Obrigado a fazer,
Obrigada a sair,
Brigado com você,
Fogo...
Chame a brigada...
Já parou para pensar o quanto podemos fazer e dizer em uma fração de segundos? Às vezes, me pergunto porque perdemos tanto tempo, adiamos palavras doces, suprimimos abraços, não sorrimos quando o coração pede... Às vezes, não entendo o que fazemos com tanto tempo se nunca temos tempo para fazer felizes os que amamos, para sermos felizes com aquilo que nos faz sorrir, para nos alegrarmos com o simples, nos contentarmos com a possibilidade de ter mais um dia...
Onde estamos depositando os nossos segundos, nosso tempo? Será que naquilo que permanece ou no que é efêmero? Eu ainda sou fã do que dura, nunca se perde tempo com coisas e pessoas verdadeiras que farão nossa vida e nosso tempo terem valido a pena... Nunca saberemos quando é nosso último segundo, por isso, reflita sobre onde deposita sua fração de vida e com quem a divide...
A sociedade não corrompe o homem, o homem é quem escolhe se vai ir contra o que dizem, ou escolherá seguir o caminho que dizem.
relógios que contam
que está passando da hora
de trabalhar
nossas imperfeições
nossa moral
nossa inteligência
nosso dizer
nosso pensar
nossas atitudes
nossas emoções
nossas razões
nosso querer
nosso amor
nossa fé
nossa ignorante condição
e é trabalhando
mesmo em sentido anti-horario
que deixamos a ociosidade de lado
e após a labuta vem o descanso
e enquanto descansamos
carregamos pedras preciosas
ao nosso desenvolvimento!!!
Fernanda de Paula
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Novo Instagram: mentepoetica2020
