Porque sou assim
Eu flamengo, o que é há...?
"Eu sou flamengo, o que é há?
Eu sou flamengo, o octa.
Eu sou flamengo, o que é há?
Estou em outro patamar."
Em fevereiro de 21
Mesmo isolado ganhei mais um.
Não houve festa nem abraço na torcida
Tão guerreira, e tão querida
A pandemia limitou
Com tudo isso jogo
Só poderia vencer o melhor.
Eu sou flamengo, o que é há?
Eu sou flamengo, o octa.
Eu sou flamengo, o que é há?
Estou em outro patamar."
Sou pó
O infinito é a medida certa
Da nossa ignorância.
Sou partícula de pó
Dentro deste vasto e imensurável caos
Deste mundo de matéria,
Feito de água, terra, ar e fogo.
Sou pó, sem importância,
Às vezes pura presunção de existir.
Sendo pó ainda me arrisco,
Persisto em ser alguém
Alguém que sofre as dores do mundo
Alguém que canta, que chora e ri.
Alguém que esquece a sua insignificância
A ponto de amar sem condição
Mesmo sendo pó, sem nenhuma importância
Me atrevo a ignorar o medo
De prosseguir evitando o ódio.
Como partícula de pó escolhi viver o hoje
Sem pensar na inutilidade que me aguarda o futuro.
Eu sou violento ao escrever, quando estou indignado, mas a minha caneta só emite tinta preta, não sangra.
Quem deve sangrar são os estúpidos fazendo força para entender o que digo..
O que sou, hoje tenho convicção, sei perfeitamente, entre tantos personagens que as circunstâncias me proporciona ser. Sou homem, pai, marido, irmão, poeta, escritor, jornalista, músico, compositor, cozinheiro, livre pensador, cristão dedicado, cidadão. Mas nenhum desses me representa plenamente, pois há uma pessoa secreta entre mim e Deus, quando me afasto de todos esses, sou plenitude de liberdade, neste ambiente livre, sereno e seguro posso alcançar uma unidade sublime que se comunica com o divino eterno. Neste mundo livre tenho paz e esperança, serenidade para executar minha função de ser pensante sem credo ou etnia, nessa condição superior posso discordar de tudo ou acreditar, não há condenação prévia como há no sistema humano comum.
Este estado pode ser alcançado por qualquer humano, basta que encontre por livre escolha o silêncio onde habita a liberdade suprema de Deus.
Último estoico
Sou amante da beleza,
sem extravagância
sem pudor, sem arrogância.
Amo a beleza sem medida,
fico preso a contemplar
uma noite, um luar,
ou uma tarde em despedida.
Mas no que tange ao meu prazer
sou estoico a perecer
nesta geração desvalida.
Não sou uma pessoa normal, pois tudo que não é arte, digo grande arte me incomoda. Me irrita de fato ter que ouvir discussões sobre futebol, religião e política.
Não me chame de gênio
nem classifique-me por gênero
sou humano-divino
sem classificação.
A obra que faço
é como disfarço
minha inquietação.
Não sou fêmea
nem macho
não sou luz
nem facho
sou constelação.
LATINO AMERICANO
Sou latino-americano,
filho de paraibano...
Fui criado no Nordeste,
mas logo corri da peste...
Da peste de passa fome...
Fui embora muito cedo...
Com coragem e pouco medo
fui morar com tio baiano...
Na Bahia percebi, duramente descobri
qual seria o meu destino...
Não seria como os outros
Filho errante, natimorto...
Eu queria ser urbano.
Num impulso fui ao alto
de carona pro Planalto
pra seguir a minha sina
no Distrito Federal.
Em Brasília fui pra noite
pra cantar sob os açoites
dos donos da Capital...
Mas foi boa a experiência
descobri logo a ciência
não queria ser cantor!
E o tempo foi passando
E a plateia foi cansando
Não queria mais me ouvir...
Entre copos de cerveja
mesas de melancolia
eu colhi o suprassumo
de onde faço a poesia...
Entre tanto vaivém
Sem notar eu encontrei
A morena de olhos negros
Meu maior e eterno bem!
Não sou político nem apolítico. Penso que a mediocridade do espírito político não merece minha adesão nem minha exclusão.
Eu sou um poeta boêmio
E Ipanema é meu refúgio certo
Onde a musa carioca me inspira
E o ritmo Bossa Nova me encanta
Em meio às garotas douradas
Que caminham pela areia fina
Eu vejo a beleza da vida noturna
Lembrando de Tom Jobim e Vinícius de Moraes
Com acordes dissonantes inconscientes
Minhas notas musicais se fundem
Com a brisa do mar e as ondas da saudade
Em uma Bossa Nova de amor e paixão
Ipanema é meu lar, minha morada
Onde a noite se torna minha amada
E a boemia transforma em poesia
Cada respirar desta bela cidade.
Oh, vida tão doce e tão amarga vida,
Sou um poeta, maldito, incompreendido,
Através das rimas, a dor é desmedida,
E o mundo em volta, é um fardo caído.
Charles Baudelaire me ensinou a sonhar,
Com o ópio deixa a mente a delirar,
Rimbaud mostrou o caminho da loucura,
E o café, ah, como ele desperta a ternura!
Mas o vinho é a minha droga preferida,
Ele me faz esquecer da solidão sofrida,
E acalenta a minha alma tão ferida.
Ser um poeta é uma sina, é um destino,
Com as palavras, eu navego sem tino
A minha alma transborda em verso divino.
Sou verso sem rima
Que tenta se expressar
Sou música e melodia
Tentando te encantar
Sou estrada sem destino
Que percorre sem saber
Um sonho a realizar
Lutando para acontecer
Sou alma solitária
Em busca de um abrigo
Sou coração que procura
Um abraço de um amigo
Sou pequena em imensidão
Destemido em força e voz
Sou a poeira que dança no caos
Facho de luz, aquarela azul-lilás
Sou imortal na minha arte,
Inspirado pelos astros,
pela natureza e pela vida,
Com minhas palavras,
encontro o caminho
para a eternidade.
Meu coração pulsa,
minha mente cria,
Cada verso
uma nova história,
um novo universo,
Compondo um poema
vivo e imortal.
E mesmo que a morte bata
à minha porta,
Minha poesiacontinuará a viver,
Preenchendo corações,
iluminando mentes,
Eternamente imortal.
O cara de pau
Eu sou um cara de pau
Se falam em trabalho
Eu passo mal
Se me pedem um favor
Por amor de Deus
Eu digo não.
Falta-me disposição
Pra chutar a bola pro gol
Pra cobrar um escanteio
Nem o cabelo eu penteio
Nesta vida, o que anseio
É não ter obrigação
Nem defesa nem ataque
Nem barbeiro nem peão
Falta-me disposição
Para afiar a navalha
Pra mover com uma palha
Para amassar o pão..
Eu sou um cara de pau
Se falam em trabalho
Eu passo mal.
Se me pedem um favor
Por amor de Deus
Eu digo não.
Falta-me disposição
qualquer coisa apareça
Eu disfarço e digo não
Não abro mão da minha solidão
Quando sou vazio metafísico
No silencioso abismo de mim
Onde criou o imponderável.
Neste instante glorioso em que "sou"
Longe do mundo e das pessoas
Eu tomo meu café amargo
E me solto das amarras dos homens
Tudo é infinito e intocável
Para tudo além de mim
Sou natureza e instinto
Não importa se sou verdade
O que crio foge às convenções
A arte de viver é ser livre
A arte de morrer é negar
Julgar é tarefa para os mortos.
Enquanto vivo penso, existo
A crença de esperar o amanhã
É fuga e medo de sonhar
Não sou poeta, apenas minto.
Ser o que sou
Sou o universo em tons diversos, em mil cores,
no balé eterno das estrelas finitas.
Sou o todo de ontem e a soma do agora,
o peso e o voo, o fardo e a febre,
medo e desengano entrelaçados.
Sou luz que arde, sombra que dança,
ferida que abre, navalha que estanca.
Sou você, sou o outro,
estou por dentro, estou por fora.
No espelho me vejo — sou cais e mar,
o que resta e o que há de faltar.
Sou abismo, sou pranto, sou riso de insânia,
sombra que resiste à indomável aurora.
Fragmento de Mim
Não começo.
Não termino.
Sou o intervalo entre o que passou e o que nunca veio.
Carrego pedaços —
ecos de vozes que já não me chamam,
calafrios de toques que o tempo apagou.
Já me entreguei inteiro a quem não ficou.
Já ardi por dentro sem que ninguém visse a fumaça.
Aprendi a amar no escuro,
com medo da luz mostrar demais.
Hoje, caminho com mais cautela.
Não por medo, mas por memória.
Há ternura no gesto contido,
há desejo no silêncio que não grita.
Não procuro mais sentido.
Procuro abrigo.
Um canto onde eu possa não explicar.
Apenas ser — sem enredo, sem promessa.
Tenho um mundo dentro que ninguém visita.
Um vazio que aprendi a conversar.
Às vezes, só preciso que alguém escute
o que nem eu consigo dizer.
Sou feito de pausas,
de tentativas,
de páginas rasgadas que nunca viraram história.
Mas ainda estou aqui.
Mesmo que em pedaços.
Confissão de um artista incompreendido
Eu só sou artista quando escrevo.
Tocar, cantar — tudo isso, por mais que me habite, me degrada. Há um processo silencioso de deterioração da minha alma artística quando tento me expressar fora da palavra. Como se algo se perdesse no ar. Como se aquilo que eu sou, no fundo, não coubesse no gesto ou na voz.
Minhas melodias? Eu as crio em catarse. Elas nascem do abismo, do indizível, mas raramente alcançam quem ouve. Alguns me dizem, com um sorriso breve: “muito legal.” Outros me parabenizam — por educação, talvez. Mas eu percebo. Eu sei. A língua que falo, com minha arte, não chega audível aos seus ouvidos.
Eles não escutam o que eu ofereço. Escutam outra coisa. Um som qualquer. Um ruído bonito, talvez. Mas não escutam eu.
É por isso que, quando escrevo, me sinto inteiro. Porque sei que um — um só já basta — um leitor, em qualquer tempo, há de entender. Há de perceber. Há de aprender a língua secreta do meu ditirambo. Porque a palavra escrita não exige pressa, não pede aprovação imediata. Ela se deixa ler por quem for capaz de ouvir o silêncio entre as sílabas.
E é ali, nesse instante invisível, que eu sou artista por inteiro.
