Porque sou assim

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⁠#SOU #POETA

Já contei todas as vaidades que senti...
Que devorou parte de mim enquanto vivo...
E no instante em que escrevo esse poema...
Ilustro um sonho...

Quero contar-lhe a beleza que não vês...
A lua no céu, esplendorosa...
As fadas que escondidas brincam...
Nas gotas dos orvalhos...

Que vales a desilusão dos homens?
Diante do tempo que desarvora?
Diante do canto dos querubins...
Enquanto o céu chora?

E por isso sou poeta...
Poeta que respira o suave sono...
A paz, o último bem, último e puro...
Murmurando ao vento o desalento...

Tênue neblina vaga na rua...
Em companhia à minha alma calada...
Diante dos anseios que tive...
Quantas, quantas vidas passadas...

Anos após anos, vem e vão...
Tal qual flor aberta e fresca junto a pedra...
Que agora jaz no chão...

Que pede o poeta de seu amante coração?
Apagar algumas lembranças?
Criar outra ilusão?

A minha alma, talvez, não é tão pura,
Como era pura nos primeiros dias...
Sob o clarão da silente lua...
Nas alta horas, vaga nas rua...

Na triste estância do abandono...
Na esperança em luz no futuro...
Pouso meus olhos fundos...

Vi correr os meus dias...
Vida que fatiguei...
Em toda parte busquei...
Cântaros de alegria, cálices de fel...
Muitos provei...

Noite adormecida...
Nessas horas lânguidas...
Possa novo ardor florescer...
E da crisálida...
Nova alma resplandecer...

Então sim, essa alma de poeta...
Cantará a ventura, o amor e a paz!

Sandro Paschoal Nogueira

⁠#INSÔNIA

Atravessa a noite...
Gostaria de ser inesperada...
Não sou só eu quem dorme tarde...
Enquanto o coração arde...

Aqui dentro sentimento...
Quantas noites sem dormir apenas olhando...
Esse tão louco e estranho sufoco...

Sombra que eu carrego....
Espírito cego...
Silenciosa e fria...
Por que se arrasta tão longa?

Por que o espelho mente...
Enquanto o sonho se dissolve?
Para alguns tarde...
Para outros muito cedo...

Fico girando o mundo...
E a paisagem parada...
Chego a ter medo dessa paz...

Há anjos em pé, por sobre as nuvens...
Em alamedas, ruas escuras...
Na procura de um doce instante...
Espalhando sementes ao vento...

Ouço ao longe gritos...
Mendigos e curiosos...
Bandidos e criminosos...
Desdém do acaso...
Das noites sem destino...

Um detalhe aqui, outro ali...
Lá fora névoas de incertezas...
Aqui dentro uma penumbra de sentimentos...

Todo mundo rasteja pela madrugada...
Momentos que eu perdi...
Olhares que eu não vi...
Saudades das coisas que não fiz...

Sino da igreja calado...
Insônia escancarada...
Alma despedaçada...
E vai-se a hora...

Amarroto os lençóis...
Desforro a cama...
Junto todos os meus cacos...
Tudo é chama...
Junto com as cinzas do meu corpo cansado...

Então, me diz alguma coisa...
Pra sempre ou só por um momento...
E eu ainda estou aqui pensando...
Enquanto passa o tempo...


Sandro Paschoal Nogueira

⁠#QUANDO ?

Saberei que sou amada...
Quando me olhar com mais carinho que desejo...
Quando por mim tiver mais ternura do que paixão...
Quando mostrar que o que há de vir será melhor do que está...
Enquanto segura minha mão...

Saberei que sou amada...
Quando você acender relâmpagos no pensamento...
Não medindo esforços para me ver...
Me cercando de atenção...
Para me ter...

Saberei que sou amada...
Quando sentindo você a loucura...
De me querer toda sua...
Me cercará de cuidados...
No momento preciso...
Pelo simples fato de me ter ao seu lado...
E embora eu nada diga...
Se mostrará apaixonado...

Saberei que sou amada...
Quando eu pedir para me encostar em seu peito...
Para ouvir seu coração...
E dele fazer meu porto seguro...

E você feliz e sem jeito...
Em suspiro mostrará ser feliz...
Me fazendo me sentir...
Como eu sempre quiz...

Saberei que sou amada...
Quando eu perceber no brilho dos olhos seus...
Que neles eu me encontrei e também serão os meus...

Saberei que sou amada...
Quando sorrir por nada...
Quando juntos podermos sonhar...
Que criança sempre quero ser ao seu lado...
Que meu desejo incontentado...
Será realizado...

E só assim então...
Sentirás o meu carinho...
E sentirás o meu cuidado...
Um ciúme sem sentido...
Desejo de carinho...
Passeando com a felicidade...
Sendo feliz de verdade.

Sandro Paschoal Nogueira

⁠#VENENO

Ainda sou o mesmo aqui...
Apenas mais solto para sentir...

Perdido em algum lugar...
Pareço tão absurdo?
Cada palavra que falo
Te parece veneno?

Passou-se o tempo...
Com a qual sonhei um dia...
A dor que eu sentia...
Já não mais há de voltar...

E nos delírios mais loucos.
E daí?
Me encontro...
Agora quero voar...

No punhal atravessado...
Tantas vezes por ti declarado...
Em que o morto não matara...
Já não mais me encontrará...

Alimento minha alma com esperança...
Não me entregando mais às perfídias...
Germinando minha ânsia...
No transcorrer dos meus dias...
Em que não mais estará aqui...

Amo as estrelas pois estão longes de mim...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠#LUZ

Que mau há de ter...
Em os mistérios da vida querer entender?

Sou um pobre menino...
Acredite...
Que um dia, envelheceu de repente...
Tão rápido teve que ser gente...
Tão rápido teve que amadurecer...

Ah se fossem meus os tecidos bordados dos céus...
E de onde agora vivo os segredos compreendesse....
Faria dos meus desejos realidades...
Dos meus encantos as vontades...
De quimeras...as verdades...

Mas eu tenho apenas os meus sonhos...
Passageiro do meu destino...
Folha solta ao vento...
Um eco no tempo...

Meu caminho nesse mundo eu sei...
Quando sem pressa o sorriso chega...
E o silêncio por si já diz...
Compreendo que nada é para sempre...
É tempo de ser feliz...

Sereno e tranquilo como quem tem fé...
Adiante no caminho da esperança...
Horizontes sem fim...
Até onde a vista alcança...

Pelos anjos orientado...
Por Deus abençoado...
Perfeito encantamento e magia...
Em minha vida sempre a iluminar.

Sou...
Uma gota de luz...
Uma estrela que cai...
Um momento na eternidade...
Que não se desfaz...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠#TRANSFORMAÇÕES

Tenho coisas a aprender...
Há coisas que sou ...
E outras que quero ser...

Poder da mente, alquimia, transformação...
Na areia...
Sou só um grão...

Talvez , quem sabe , o que parece eterno vai evaporar...
Quem o diverso pode afirmar?

Deixarei de ser e me tornarei uma brisa suave em tarde de verão...
Sou apenas imagens em sobreposição...

Voce vê o todo , porque me olha de frente...
Todas as vidas que ja eu já vivi...
Tudo que acertei e errei...
Tudo o que hesitei ou sonhei...
Se desfez com o tempo...

O que foi...
Deixou de ser...
O que agora é, não sei se ainda será...

Tudo que o transcorrer do tempo fez em mim...
Você vê em mim aqui...

Os nossos sonhos nos fazem crescer...
As mágoas perecer...

Há uma transformação no futuro...
Quando nos permitimos voar...
Jurei não ter mais medo...
E assim vivo...
Me ajeito...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠#BALANÇO

Sou uma criança insegura...
Que às vezes anda de balanço...
Se eu caio, eu levanto...
Rindo não me canso...

Não sei o que esperar, e nem me importo...
Preciso acontecer...
Hoje sei que isso é...

Vivo um dia de cada vez...
Feliz sempre quero ser...
Mas fica por saber...
Tudo isso é...
Saber viver...

É proibido chorar sem aprender...
Proibido é não rir dos problemas...
Não transformar sonhos em realidade...
É proibido não ser você...

Cada um tem seu caminho...
A sua sorte...
Não, não sou gentil só para que se lembrem de mim...

Por céus e mares eu andei..
Estou indo...
Em meu balanço...
Outra vez...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠#TECELÃO

Sim!
Sou um poeta...
E aos todos digo...
Antes que a noite chegue...
E que mate a luz...
Desde quando o sol vai à forja...
Até quando a lua no céu cavalga nua...
Desde quando a terra dá e tira...
A sonhar estou atento...
Em um mar sem rumo certo...
Quando me vagueio...
Vejo todo um mundo num grão...
Tenho o infinito na palma da mão...
Não duvide daquilo que vê...
Jamais saberá das respostas...
Não as dou...
Bebo a vida a longos tragos...
E só amando...
Tenha certeza disso...
Me embriago...
E sendo assim tão simples e feliz...
Caminhando sobre as estrelas...
Faço assim em meu jardim...
O que sempre quis...
E num dia depois do outro...
Sem pressa a alcançar...
Vou bordando a todo tempo...
Meu destino...
Até Deus chamar...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠#PÉROLAS AOS #PORCOS

Para quem não sabe...
Eu vou lhe explicar...
Sou do tempo de outrora...
Em que os pais sabiam educar...

É falta de educação...
Sentar à mesa para comer...
Tem que tirar o chapéu...
Também o boné...

Usar chapéu em lugar coberto?
Que feio, sem noção...
Chapéu só na rua...
Aprenda a ter noção...

À mesa, enquanto come...
Falar de boca cheia nem pensar...
Que coisa feia...
Só falta rosnar...

Palitar os dentes?
Que horror...
Nem no escuro do banheiro...
Nem escondido no corredor...

Cotovelos sobre a mesa ...
Também não é bom apoiar...
Passa a idéia...
Que na sarjeta é o seu lugar...

De que adianta?
Procurar ostentar...
Pensa que largou a pobreza...
Porém ao seu lado ela está...

Guardanapo é sobre o colo...
Vai que erra a boca...
Assim sua comida caindo...
Não suja sua roupa...

Mas aí você diz...
Que tudo isso é besteira...
Educação e bons modos nos difere dos bichos...
Então seja bom aprendiz...
Escute o que lhe digo...

Raspar o prato também é feio...
Está passando fome companheiro?
Arrotar Deus me livre !
Não tô podendo...
Melhor eu parar...
Pérolas não se dão aos porcos...
Eles não saberiam usar...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠#ALMA DE #GATO

Nasci com alma de gato...
Durmo muito durante o dia...
Amo a noite e a rua...
Sou muito curioso...
Caseiro, porém amante da lua...

Nasci com sete vidas...
Já gastei algumas...
Ousado e esquivo...
Entre as sombras...
Entre as brumas...

De andar macio e elegante...
Se eu caio, caio em pé...
E sigo adiante...
Não duvide...
Ponha fé...

Espreguiçar é uma arte...
E minha liberdade é preciosa...
Desconfiado, rendo-me a um bom cafuné...

Mas cuidado amigo...
Quem avisa amigo é...
Também posso ser mau...
Brincar consigo...
Antes de lhe comer...

Sandro Paschoal Nogueira

Caminhos de um poeta

⁠#OLHOS

Minha alma procura-me...
Sou do tamanho de que me vejo...
Uma vida que é vivida...
Outra no erguer das asas a sonhar...

Quanto mais compreendo...
Menos me sinto compreendido...
Em tudo que aspiro e sinto...
Permaneço em silêncio apenas a olhar...

Vejo uma infinidade de mistério...
A vida passa...
Passa e não fica...
Nada deixa...
Não irá regressar...

E eu a ela ligado...
Sobre a terra...
Debaixo do céu...
Inquietação profunda...
Faz abrigo em meu peito...
De muitas coisas, desejos...

Encostado às esquinas...
Aos olhos com que sonho olhando...
Dos encantos pensamentos...
Sigo ao vento vivendo...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠#BALANCEIO

Sou só...
Um silêncio de olhos vendados...
Cego caminhante...
De uma, duas, mil vidas...
Em erros passados...

Escondo-me...
Não porque quero...
Mas porque temo...

Sonho...
Ah...
Como eu sonho...
E me perco...
Disfarço meus desejos...
Não são puros...
Torturam meu coração...

Seu olhar sobre meu corpo...
É chicote que me fustiga...
É sofreguidão...
Que me alucina...

Não mudo...
E por você...
Me deito no chão...

Me invade...
E feliz choro...
Me entregando...
À sua devassidão...

Giro e reviro...
Arranho o chão...
Mordo meus lábios...
Enquanto lhe dou meu coração...

Amando num balanceio...
Tenho na pele o cheiro do amor...
Em você procuro aquilo que não tenho...
Enquanto satisfaço o seu anseio...
E esqueço...
A escuridão de meu peito.

Sandro Paschoal Nogueira

Caminhos de um poeta

.

⁠Dono de quê?
Se nem dono de mim eu sou...
Sonhos confusos...
Almejando ao coração ressuscitar...
Com tão pouco tempo a pensar...

Devaneios em barcos de desejos a qual me entrego...
Só assim me reconheço...
Quando a vida com o látego me fustiga...
Finjo não ver a realidade sentida...

Na pura ausência das coisas...
Um palco: eu e a lua...
O terror de pensar no fim da peça...
Louvando por estar em cena...
Ainda...

Mas o futuro insiste e persiste...
Em rasgar as cortinas...
Escurecer as estrelas...
Devorar a noite...
Massacrar o dia...

Na arte de perder-se não há nenhum mistério...
A cada dia um pouco perdemos...
Embora, até o momento, não percebi o quanto tenha mudado...

Quem me quiser que me chame...
Ou que me toque com a mão...
Antes que a peça termine...
E só reste silêncio e escuridão...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠#CRIADO

Sou um criado...
Nasci para servir...
Sou, também, medroso...
E corajoso sei bem fingir...

De olhar fixo no horizonte...
Algo a se explicar...
Assim permaneço em meus pensamentos...
Sem ninguém me perturbar...

Sento-me nos bares...
Encho meu copo...
E sem ninguém que me descubra...
A noite passa em bons ares...

É possível também que eu me engane...
Da razão não sou o dono...
As ilusões murcham comigo...
Não gosto de ser surpreendido...

Ao vento conto meus segredos...
Quando roça as videiras...
Aos suspiros me entrego...
Quem eu amo está tão longe...
Perdido na poeira das estrelas...

Sandro Paschoal Nogueira

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⁠Ai, ai de mim...
Enquanto caminho eu já sou o passado...

Todos os momentos que nos coroaram...
Todas as estradas que abrimos
irão achando seu fim...

Dessa procura extenuante e precisa...
Não teremos sinal senão o de saber que iremos, por onde formos, de encontro de um para o outro...

Cinzenta é a cor do céu... Decerto vai chover...
Soa um cântico antigo no vento dessa tarde...

Nos bancos tristes que há na cidade...
Sobe em mim próprio como um desejo
Ou um remorso da mocidade…

Gente igual por dentro...
Gente igual por fora...
Não sei qual abismo temo...
Salvo, apenas, o meu sonhar...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Quero gastar as linhas traçadas na alma, e semear ao mundo...

Sou a minha própria paisagem...
E assisto, lentamente, a minha passagem...

Tudo no mundo é frágil e passa...
E é tão pura a paixão que me inunda...
Quanto o pudor dos que não pedem nada...

Ah!...
Digo...
Não terei mais desejos...
Perco tempo em gracejos...
Disperso meus sentimentos...
Mas a mim minto...

O suplício é lento...
E minha alma imortal cumpre a sua jura...
Sonhando e voando alto...
A felicidade existe...
Só em Deus...
Fora desse mundo...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Um pouco mais de sol - sou fogo...
Um pouco mais de azul - sou além...
Um pouco mais de amor...
É tudo que me convém...

Em minha alma tudo se derrama...
Enquanto quero, busco e sonho...
Antes que o calado tempo esmague tudo...
À ronda dos segredos...
Enquanto toca-me seus dedos...

Aqui chegando de onde venho...
Ver-me se apareço...
Um pouco para chamar sua atenção...
Tentando surrupiar seu coração...

Aqui ficam as coisas...
Somos estrangeiros onde quer que estejamos...
Por tal passo por essa vida...
Hora chorando...
Hora brincando...

Que quer o amor mais que não ser dos outros?

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Sou, num alto de monte...
Onde bate o luar em noite triste…
Aquele que murmura nas horas mortas...
O desejo de uma vida nova...

Negra sorte...
Vivendo dia após dia...
Sobrevivendo a própria morte...

Imagens de saudades...
Varrida por temporais...
Oculto entre as brumas...
Sonhando e sonhando sempre mais...

Fugitiva deste mundo...
Se fez minha alegria...
Às noites eu amo...
E tudo finda no raiar do dia...

Lágrimas dos meus olhos são flores...
Que as semeio pelo chão...
Alumiado de sombras e luz...
Permanece meu coração...

Num íntimo pudor vou envelhecendo...
Ninguém me deseja apaixonado...
E na dor do silêncio...
Em demência me perco...
E já nem sei quem sou...

Sandro Paschoal Nogueira

⁠Nasço, vivo, morro por um destino em que não mando...
Então quem eu sou?

No luto dos meus olhos...
Foi na minh'alma que nasceu a dor...

Quem é leal e quem não nos abandona...
Quem devemos procurar...
E ser dignas de confiança...
Alguém a encontrar?

Já quase desisti...
Da inocência do desconhecido...
E a saudade?
Ainda vive em meu peito...

O que levamos da terra
É o céu que possuímos...
E à morte que damos vida...
Criam-se o sentido...

Vã filosofia...
Turvo clarão de raciocínios tristes...
Nos engana e mente...
Entre sombras nos conduz...

Quem rasteja na Verdade...
Se desencanta...
Do amor escravo...
Vítima sempre serei...

São muitas as provas na vida que servem para testar quem somos...
Seguir adiante, sem descansar...
Afinal ...
Onde tudo vai dar?

No meio da confusão é preciso ver para além do que se pode olhar…

No meio de tudo onde estou eu?...
Que serão os meus sonhos...
O que posso almejar?

Sandro Paschoal Nogueira

⁠#REENCONTRO

Do ser que tenho a viver...
Sou nesta vida um qualquer...
À ronda dos segredos ninguém conhece no fundo quem realmente eu sou...

O vento às vezes é brusco...
Leva para longe quem queremos perto...
Sem perdão e sem disfarce...
Sem deixar uma pegada...

Mas também traz...
Tirando nosso desassossego...
Que hei-de fazer senão com o retorno sonhar ?...

Esta saudade que não tinha fim...
Tenho o desejo doido de te contar...

Tenho medo...
Com o vento no arvoredo...
Das sombras...
Teimosas ao meu lado...
Do silêncio tão pesado...

Malícia do destino...
Ignorar o que vivemos...
Por dentro pressentindo...
Peço...
Volte...
Já não é tão cedo...

Pergunto por onde anda a minha vida...
Já não sei mais a diferença...
Sem você..
Tudo é ausência...

O medo conta os vinténs...
Fazendo-me seu refém...
Busco a luz e a encontro...
É você...
E ninguém mais...

Sandro Paschoal Nogueira