Porque sou assim
"Sou, tua terceira dimensão, e em qualquer lugar que voce possa estar, estarei com você
e não deixarei você acordado no sonho de alguém, pode contar comigo."
"Não procure ver o que eu tenho sem antes,
observar quem eu sou e o que ralei para obter,
e chegar onde estou."
"Sou resultante da superação. De vários eventos que sobrepujei.
Nada é fácil, e em cada cicatriz houve somatório de várias palavras que me ensinaram a lidar com dor, decepção e com o maldito silêncio de quem eu nunca esperei. Meus desejos, minha necessidades. Mas continuo a seguir os rastros do invisível."
"Os que não sou, mas que deixaram rastros"
por Luiza_Luiza_Grochvicz.
Alguns filósofos não fazem parte de mim, mas suas ideias são como vestígios que deixam marcas, sem nunca se fundirem com o que sou. Eles não tocam minha alma, mas de alguma forma me lembram de quem não sou, de caminhos que jamais trilhei.
Descartes acredita que a dúvida leva à certeza.
Mas para mim, a dúvida não é ponto de partida — ela é uma constante. A certeza que ele busca é algo que nunca almejei.
Sua confiança na razão me parece uma tentativa de fugir da incerteza que é a essência da vida.
Hegel vê o mundo como uma progressão inevitável, mas eu não acredito que a história seja uma linha reta.
Eu não vejo a totalidade que ele fala, porque a vida, para mim, é feita de rupturas, não de continuidade.
Aristóteles fala da razão e da moderação.
Mas eu não sou feita de equilíbrio — sou feita de intensidade. A vida, para mim, não é sobre encontrar a média, mas sobre viver sem medidas.
Spinoza quer explicar tudo pela razão universal.
Mas eu acredito que a razão não pode capturar a caos da vida. A liberdade que busco está justamente no que não pode ser controlado, no que é imprevisível.
Comte quer medir e explicar tudo.
Mas para mim, a verdade não está na quantificação. A vida não é para ser controlada, mas para ser sentida.
Esses pensadores não se conectam a mim.
São como estradas que eu nunca percorri, como mapas de um mundo que não é o meu.
Eles deixam rastro, mas não definem quem sou.
Eu sou mais que isso, sou o que não sou em relação a eles.
"Na esquina do vai e vem"
No trânsito do coração,
sou farol vermelho, paro demais —
você é seta verde, dispara pra frente,
toda pressa, sem olhar pra trás.
Eu, calmaria de domingo à tarde,
você, café quente na madrugada fria,
sou samba lento, respiração profunda,
você, batida rápida, quase poesia.
Corremos no mesmo asfalto,
mas em calçadas distintas,
procurando esperança
na velocidade da rotina.
Pense aí: e se a gente parasse?
Não a caça frenética do outro,
mas a dança mansa do acaso,
o convite silencioso do tempo parado.
Na pausa do elevador,
no banco da praça,
vai que a alma gêmea não é um flash,
mas a sombra que se estica e encaixa.
Porque opostos são um par de tênis,
um improviso meio torto,
é ver o outro tropeçar e sorrir:
“Te espero, só desacelera um pouco…”
No jogo urbano da pressa,
o melhor passo é sentir o ritmo,
não correr atrás, mas confiar:
a alma gêmea tá na esquina…
— só esperando a gente baixar a guarda.
Para,
ideia sem sinal pelo pelo mostro o enjoo.
E velho peludo que sou,
trëmo sem bengala
e bólo o coloquial.
Mas se velha,
volpamente,
pudesse ser véia
perderia o acento
então,
a veia da veia
ortogloficaria o rabugento
Na escola,
a nota alta era eu que tirava;
a nota baixa, o professor que me dava.
Hoje sou um tadinho;
um profissional de nariz sujo,
que culpa o chefe chato
e cospe toddynho.
Sou casado,
sem sim sim da igreja
nem eu deixo do estado.
Somos um casal em seus lares
compartilhando todos os ares
de serem eternos namorados.
Sou um misto de sanidade e loucura, dentro da mais absoluta inconstância relativa do real sentido da vida.
Vejo que o barco do nosso amor está se afundando, pena que nao sou um salvavida.
Diga que me ama
Mesmo sendo mentira
Sei que a verdade liberta
Mas prefiro me prender
Por mim mesmo
Se é verdade que ja nao sente nada por mim
Pois vejo que o barco do nosso amor
Está se afundando
Prefiro ficar preso na mentira
Por favor mente para mim
Diga que me ama
Será que dá para fazer
Respiracao
Boca-a-boca nesse amor
Para traze-lo a vida.
Ensinar caráter é com pai e mãe, quer aprender comigo cuidado,
Eu sou igual a vida ensino dando porrada
Na vastidão da solidão, sou uma estrela solitária, sem constelação que me abrace. O coração é um jardim sem flores, onde o eco do silêncio dança ao vento. Meus passos, como notas sem melodia, vagam pelo vazio, sem compasso a guiar. As cores da paixão se apagaram, transformando o mundo em um esboço pálido de sombras.
O tempo é um rio estagnado, suas águas quietas, sem rumo a seguir. Sou um marinheiro sem bússola, à deriva em um oceano sem estrelas para me guiar. Minha alma é uma partitura em branco, sem notas a entoar. Os sentimentos, outrora como sinfonias vibrantes, agora são murmúrios abafados, como um suspiro preso no peito. Neste universo particular, sou uma estátua de mármore, imóvel e sem vida. O sentido da existência escapa entre meus dedos, como grãos de areia levados pelo vento. Oh, como é amargo viver nesta névoa de desolação, onde o horizonte se estende para além do olhar, sem promessas de auroras douradas.
Caminhando pelos meus próprios passos, tento decifrar quem diabos eu sou. Escrevo tanto, mas às vezes parece que tô só dando voltas, sem chegar a lugar nenhum. Será que perdi o fio da meada ou nunca soube mesmo qual era? Às vezes, parece que tô flutuando entre querer e ser, como se tivesse esquecido onde me encaixo nessa bagunça toda. Talvez tenha me perdido no meio do caminho, ou quem sabe tenha percebido que não tem um destino certo pra tudo isso. Eu sou tipo uma sombra, só dando uns passinhos na beirada do meu próprio ser. Às vezes, me sinto um rascunho mal acabado, uma música que não consegui compor. As páginas em branco parecem pedir um desvendar, um jeito de desembrulhar o mistério que me habita.
