Porque sou assim
È assim que eu me sinto... Entre a Cruz e a espada... Entre a dor e o prazer ... Cativa pelos seus desejos ... Prisioneira do seu amor❤
As coisas são assim:
Você pode passar uma vida
Qual fosse existência perdida
Indo procurar bem longe
Alguém que muito lhe foge
Faz previsão de viagem
Bota provisão no alforge
Gasta muitos pares de botas
E outras mais, sobressalentes
E sai a escalar Montanhas
Dormir ao relento
Enfrentar chuva e vento
Contente
Numa procura tamanha
Que talvez nunca termine
Ou acabe em desesperança
Por não encontrar
Aquilo que não enxergaste
No teu ponto de partida
O Par de olhos
que tanto procuraste
Atravessaram a vida, lindos e tristes
Pedindo-te que voltasse
Querendo enxergar você
As folhas se foram
Antes mesmo que chovesse
Eu fico assim
Em companhia de mim mesmo
Os mesmos pensamentos
Aqueles
Que o coração não esquece
Dessa maneira
Me resta uma tarde inteira
A pensar em luzes
E Seres Angelicais
Criaturas Divinas
Anjos
Com cara de menina
Que vivem longe de mim
E todos os demais
Que me rodeiam
Aranha tecendo teia
Marimbondo
Fazendo ninho na areia
de vez em quando
A natureza grávida
Escondendo a beleza vindoura
Nas pupas e crisálidas
Borboletas
São como Anjos que vem de longe
Mulheres lindas e iluminadas
Que brilham na escuridão
Algumas possuem uma certa luz
Que desperta algo dentro de mim
E me deixa sem rumo...
Sem chão.
Mesmo assim
Me refaço...me aprumo
Me imagino
dentro do seu abraço
desfaço esses pensamentos
Prossigo no meu caminho
Preciso ir viver ainda
deixar essas coisas de lado
Meu Deus
Eu vi um anjo iluminado
Uma borboleta linda!
Te espero amanhã
Assim como hoje esperei
Te espero surgir
Aqui
Ou em algum
Universo Paralelo
Te espero nos meus sonhos
Aguardo que apareça
Pra que eu
Finalmente te compreenda
e te conheça
Te espero, Meu Pai
Que me conhece mais que eu
E sabe
de cada pensamento que me vai
e cada fio de cabelo
Que existe na minha cabeça
E cada vontade minha
Te espero a cada manhã
Te peço que venha
Assim como antigamente
O Senhor sempre vinha
Não tenho muito
Mas queria que o Senhor aparecesse
Pra tomar uma xícara de chá
e me dar um abraço
Eu sei que o Senhor está aqui agora
Compreendo isso
E sei também
Que diante
dos compromissos que assumi
Acabei por perder
Aqueles olhos que eu tinha
de Te Ver
Mas ainda te espero, Meu Pai
Pra te falar
Sobre as coisas que aprendi
desde aquela última vez
Em que o Senhor
Me permitiu
Que eu O Visse
E Mandou que eu
Vivesse esta vida
Te espero Meu Pai
Pra confessar
Que fiz muita coisa errada
e Te pedir perdão
Mas, se o Senhor não puder vir
Pede a um Anjo
Que Segure a minha mão
e Guie meus passos
e oriente meu caminho
O chá vai estar preparado
Se o Senhor não puder vir
Não tem problema
Pois eu sei que um dia
Estarei perto de Ti novamente
E eu vou poder
Te olhar e Te ver
Como antigamente
Eu, alegremente
O via.
Não existe razão
Pra que aconteça
Tanta coisa
Que mesmo assim
Acontece
E nem infinitude
que as faça permanecer
eterna e simplesmente
As portas que se fecham
Hão de se abrir um dia
As coisas que não são
do jeito que a gente queria
tem poder de ser
e surpreender
e até de transformar
em alegria
Aquela tristeza de ontem
As cartas que hoje erram
Ainda vão se revelar um dia
e as coisas serão bem diferentes
e melhores
do que a gente pretendia
Aguardaremos
o efeito transformador
Que muda as coisas mínimas
As lágrimas que ontem rolavam
aquelas que doíam
Hoje a gente percebe
Que elas abrem as vistas
e revelam as conquistas
Que tanta tristeza escondia
A gente procura sempre
Andar pelos caminhos que conhece
Pois assim não há medo de errar
e também não precisa pensar
A gente vai tão naturalmente
Que quando vê
de repente já está lá
Mas nem tudo na vida é assim
Tem coisas que, quanto mais se sabe
Menos queria saber
E quanto mais conhece
Muito mais, gostaria de esquecer
Pois
Quanto mais a vida engana
Mais correto a gente aprende
E entende
como desviar-se de armadilhas
E então
Quanto mais aguçadas
se tornam as vistas
Mais a gente percebe
No quão ardilosos
Podem ser os caminhos da vida.
Edson Ricardo Paiva
Todos os olhos do mundo
Pode ter a vida
Todos eles voltados pra você
Talvez, se assim fosse
e isso acontecesse
O que será que você veria
Será que haveria tempo
de olhar ao redor?
Todas as pernas pode ter a vida
Com todos os caminhos
Que se pode seguir
Pra onde será que você iria
Se apenas duas delas
Fossem suas
E lhe fosse permitido partir.
Pois
Pra todas as direções
Pode soprar o vento
E todos os sonhos
Se pode viver
Lentamente
Qual movimento do ar, que viaja
invisível e constantemente
e passa, neste exato momento
em frente à sua janela
Desde que haja
Onde ir
E saiba, mesmo que vagamente
O que será
Que deseja
Buscar, encontrar e conhecer
Então
Basta ter somente
Vontade
e um sonho em mente
desde que a coragem
Não esteja morta
Todas as portas deste mundo
Eterna ou momentaneamente
Poderão se abrir
de verdade
Pra você
Tudo depende exatamente
do tamanho do seu querer
Edson Ricardo Paiva
Hoje o Sol
Parece meio apagado
Assim como
de vez em quando
Você tem a sensação
de ter sido
deixado de lado
E ficou sem nenhum amigo
Sorria
Feche os olhos
E voe até certos lugares
Onde normalmente você não iria
Enxergue que nesses lugares
Existe
Muita gente
Se sentindo assim, também
Elas são
Muitas mais
Que você pensa
A diferença existente
Entre você e elas
É que elas não contaram pra ninguém
E, talvez sua passagem por lá
há de deixá-las
Um pouco mais contentes
Pense somente
Que a sua solidão
pode tornar-se uma coisa boa
Pois dali
Haverão de sair
As palavras que vão melhorar
As vidas de outras pessoas
Não existe nada nesta vida
Que possa ser
pra sempre esquecida
E não há nenhuma vida
Que se possa viver à toa.
Edson Ricardo Paiva
Apenas
Coisas amenas
Pois, nem sempre tudo
Vale a pena de viver
Viver mesmo assim
Enquanto houver vida em mim
e ter alguma história bonita
Pra contar no fim
e se não houver pra quem contar
escrevê-la, mesmo assim
e sempre ter em mente
Que nem sempre a gente pode encontrar
quem as compreenda
Viver, somente viver
e jamais por preço em nada
e muito menos colocar
a alma à venda.
Edson Ricardo Paiva
Meu amor por ela
é amor assim
Parece que nem existe
Parece de folhetim
Amor de não pedir nada
Dormir na calçada
Implorando a Deus que chova
E estar de longe, olhando
Na esperança que ela
Apareça
Nem que seja somente
Pra fechar a janela
e nem me veja
Amor de ficar feliz
Se a vir de longe e de relance
por saber que passou por ali
Amor de guardar a pedra
de algum chão que ela pisou
Não é um amor de dormir abraçado
É amor de ficar acordado
e velar pelo sono,
Não é nenhum amor de verão
É amor de cuidar no inverno
e talvez, um dia, quem sabe
Estar junto no outono da velhice
Ser amor pelo resto da vida
Aceitando as esquisitices
Todas elas serão bem vindas
Meu amor é amor de querer
Ir à frente
Abrindo as portas pra ela
e levar café na cama
Meu amor
é amor de quem ama
e não troca por outra mulher
de qualquer outra qualidade
idade, nacionalidade
ou crença
Meu amor:
O amor que eu sinto pela Senhora
É amor de ir, se acaso
Mandar-me embora
E chorar escondido
Amor de se desdobrar
Pra atender qualquer pedido
E sentir-se perdido
Enquanto distante
É muito maior que a Senhora pensa
é um amor que nunca viste
Amor que nem sabes que existe
É amor que ninguém nunca viu
E ele é seu.
Edson Ricardo Paiva
Perdido eu estive
E assim, perdido, vivia
Quando descobri você
Percebi
Que corações perdidos
Não vivem
ainda assim,
Eles sobrevivem
Portanto, quando pensei
Que finalmente
Havia me encontrado
E respirei e sorri
Crueldade do destino
Meu coração de menino
Se encontrava
Perdidamente apaixonado
Com vontade de pedir
Que me namore
Na sombra de uma árvore
e naquela sombra
Vou precisar
Que me permita que eu chore
Vou pedir também
Que não se afaste
Eu vou te contar
Sobre o tempo que perdi
Sobre o tempo que você
Nunca mais há de perder
Sobre a paz
E tudo que você
sempre me faz sentir
Falar do amor
Que Deus me deu pra dividir
Amor calado
Amor sem passado
Amor com futuro
Amor puro
Maduro igual ao vinho
Amor bonitinho
Que tanto preciso
Somar ao seu
Assim
Não haverei de querer
Mais nada
Nesse dia
Ficar ali
Te olhando
de mãos dadas
Me diz, meu Deus
O que é que eu preciso fazer
pra poder conquistar
O coração de uma fada
Edson Ricardo Paiva
Acordei de madrugada
Pra contar
Que duvido que haja no mundo
Amor de amar assim
Igual a esse, que existe em mim
Eu tenho vivido
Um amor em recesso
E tudo que peço
A quem eu amar
É um espaço pequeno de coração
Um momento sereno
de pura atenção
E que possa ouvir até o fim
Todas as juras
deste humilde coração que pede
Qualquer migalha de conforto
Pra um amor
Que acorda de madrugada
e passa os dias absorto
Por amar-te tanto assim
Um amor sem dor
Amor de alegria
Um amor que te traria
Qualquer coisa que fosse
No final de cada dia
Um amor que partisse
Apenas pra poder fazer
Com que você risse
ao vê-lo voltando
E saber que foi verdade
Aquilo tudo que eu disse um dia
Esse amor procura
Alguém que o entrelace
E num simples olhar
lhe diga somente
O quanto gostaria
Que ele ali ficasse
E depois suspirando
de tanta alegria ali contida
Tivesse a certeza
Que a beleza de tanto amar
Haverá de crescer
e permanecer pra sempre assim
Até o fim
de todos os nossos dias.
Edson Ricardo Paiva
Bom mesmo deve ser
Não ser e nem existir
Havendo assim
A alegria de ser o imenso nada
Cada qual sem outro igual
Sem história
Memória
Alma à venda
Condenada
Perdida ou achada
Bom mesmo deve ser
Não ser
Aquele que não sabe
Melhor ainda deve ser
Ser
Aquele que de nada quer saber
Saber do nada
Cada qual assim
Nem bom
Nem mal
Melhor
Pior
Igual
E mais nada
Além do nada
Que somos
Perdidos no espaço
Tempo e vida
Bom mesmo seria
Ter sido
Aquilo que a vida
Jamais permitiu que fôssemos
Por que será
Que cada coisa
Precisou ser assim ?
Bom mesmo seria
Que no lugar
Dessas falsas alegrias
Vividas nesta vida sem sentido
Que a vida
Não tivesse trazido nada
E o tempo não tivesse
Traduzido
Tanto
Nisto
Nisto tudo
Que por enquanto
Não passou de nada
Bom mesmo seria
Que o tempo, o espaço e a vida
Não tivessem traduzido
Tudo isso do qual não se esquece
Que bom seria
Se não tivesse havido
Nada
Edson Ricardo Paiva.
A vida é algo
Mais os menos assim
Quando amanhece
Você abre a janela
e tem ali um jardim
Mas de nada vale ele estar lá
Se você não o vir
E nem perceber o perfume sutil
Como às vezes pode ser sutil
O Próprio Sol
Que parece encoberto
Mas aquela nuvem, na verdade
a você encobriu
As flores do jardim percebem a Sua Luz
Sem possuir olhos de ver
A vida só pode ser vivida
Se você a viver
e pra vivê-la
Não é preciso ter dinheiro
Nem jardim, nem nada disso
A alegria e a gratidão por viver
é que dão à vida aquele viço
E te fazem sentir vontade
de ter com aquele teu pedaço de chão
Um compromisso que você vai cumprir
Quando a gente conseguir
Compreender que a vida é isso
Poderemos então
Bem vivê-la, enfim
Começaremos por viver aquele dia
E quem sabe
Até cultivar um jardim
Onde, antes
Nada havia.
Edson Ricardo Paiva
Pode ser que lá distante
Nem por isso tão longe assim
Pode ser que seja perto
Nem por isso diante de mim
Pode ser que em outra cidade
Seja algo que não se sabe
Mas somente desconhecemos
Até que nos contem
Pode ser em lugar distante
Porém, não assim...tão longe
Ou quem sabe
A gente até que conheça
A notícia de amanhã
de coisa ocorrida ontem
Assim vai passando a vida
A vida passando assim
A chuva que pode ser
Mas também pode ser que não chova
E pode ser que chova assim
Pode ser que a chuva nem caia
Pode ser que chova, sim
Porém, pode ser que não chova
Quem sabe ela caia em mim
Pode ser que a chuva desabe
Não nos cabe saber tanto assim
Pode ser que a chuva nem chova
Pode ser que me molhe, sim.
Edson Ricardo Paiva
Sol de mês de agosto
Farpas de janeiro
Numa linda manhã de junho
O dia inteiro assim
Por mais que se faça
Vai ficando
Mais sem graça ainda
Alguém procura poesia
Pedindo que alguém as escreva
Talvez um dia ela seja lida
Numa linda manhã de chuva
Durante o velório de alguém
Que viveu e nem viu
E morreu num dia de abril
Pode ser
Que seja eu.
Edson Ricardo Paiva
Uma coisa bonita
E mesmo assim
Difícil de aceitar, às vezes
É o fato de envelhecer
Ver as gerações passando
E conforme se sucedem
Incontáveis passamentos
A gente vai cedendo
Os nossos lugares
Na vida e no mundo.
Passam-se os anos,
Semanas...os meses
Segundo a segundo
Todos
Invariavelmente vivendo
De maneira meio desordenada
E cada um vai deixando
Ou não
Suas lembranças
Suas marcas
Retrados da gratidão
E pode ser que também não
As coisas acontecem
Como tem que acontecer
Histórias tristes e alegres
Consumado o tempo
Que por mais que seja
Sempre expira
A vida e o novo tempo
Entregues
A quem quer que chegue
Como quem passa um bastão
Algo assim, que simboliza
Uma vida corrida
Numa eterna disputa
Onde deveria ser
Desnecessário
Disputar nada
Ela passa depressa demais
Deveria ser somente bem vivida
Por isso eu sempre digo
A quem me escuta
Que a nossa curta viagem
Neste chão
Repleto de miragens
Não passa de mera ilusão
Portanto
Guarde consigo
Abraços de amigos
Lembranças de paisagens
E a certeza de que neste lugar
A gente somente passa
Ninguém fica
E é somente esta
A triste e alegre graça
desta vida
De tudo que se guarda
Nada resta
Além das lembranças
dos momentos
Que esta curta e grande graça
Pode ser bem dividida.
Edson Ricardo Paiva
Hoje, assim como era antes
Eu cheguei ao lugar
Onde prossegue a espera
Mas agora eu entendo
Que não há como chegar
Ao final da jornada
Simplesmente porque
Ela não tem um fim
Me faltava saber
Que eu só preciso encontrar
O caminho que leva até mim
Neste momento eu contemplo
As dobras que fizemos
Nas mangas do tempo
Pensando em pôr as mãos à obra
Enquanto não sabíamos
Que nos cabia saber
Mas agora eu sei
Que não nos cabe ainda
Porque nunca saberemos
Antes que o tempo derrube
As colunas do Universo
E o Céu desabe sobre nós
E acabe por fazer
O que não foi feito
Do jeito perfeito
Que tanto queremos
Pode ser que ali na esquina
Debaixo daquela escada
Esteja escondido
O segredo da vida.
Edson Ricardo Paiva
Agora, assim como era antes
Não posso chegar
Ao lugar que se espera
Hoje eu entendo
Que não vou alcançar
O final da jornada
Porque
O final sou eu
Entre tudo mais que existe
Só o tempo não é eterno
Ele apenas corre eternamente
As fronteiras erigidas
Estão todas em mim
Como o vento
A soprar por sob as asas
A sustentar o voo
Enquanto a vida passa
As dobras que fizemos
Nas mangas do tempo
São apenas pra descobrir
Que existem coisas bem pequenas
Que não nos cabe saber
Nunca as saberemos
Até que o tempo corroa os alicerces
Que sustentam a esse
E a tantos outros Universos
Pra que o Céu desabe sobre nós
E acabe por tornar perfeita
A perfeição corrompida
Pelos nossos olhares tortos
Quero crer que ali na esquina
Debaixo daquela escada
Pode ser que esteja
Escondido
O segredo da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Vivendo a vida
É assim que se vive a vida
Viver é coisa tão simples
Que a gente não vê
Em qual altura da vida
O viver se tornou complicado
A vida nada explica
Apenas fica
Viver a vida
É dar tudo que tem
Pra quem
Faz festa e nem te convida
Vivendo a vida a gente vê
Que nesta vida
A gente chega sem nada
E fica
Aos poucos
Tudo complica
E
Ao que tudo indica
Um dia a vista enfraquece
A cabeça passa a esquecer
O quanto a vida esqueceu a gente
Então
Simplesmente se vive
E se erra tudo novamente
E vai vivendo na marra esta vida
Tempo perdido
Dedicado a fazer
E vai fazendo por ser lembrado
Tendo ao lado
A vida
Esquecida e complicada
da qual
Um dia a gente sai
E quando vai
Não leva nada.
Edson Ricardo Paiva
