Por Voce eu Pegaria mil vezes
Não me viu, não quis chegar,
e eu aqui, aprendendo a não esperar.
O coração insiste em ficar,
mas minha vida… precisa andar.
Ainda toca
Eu odeio admitir,
mas ainda gosto das músicas.
Não de você..
não de quem você virou
quando a máscara caiu.
Mas do que eu era
quando tudo ainda fazia sentido.
Cada acorde
não chama teu nome,
chama o meu
de um tempo que não volta.
E isso é o que dói.
Porque a música ficou bonita,
mesmo depois
de você ter estragado tudo.
“Quase”
Eu quase te liguei
quase fui atrás
quase disse tudo
que guardei em paz
quase fui fraca
quase voltei
quase me perdi
em quem eu já deixei
mas aprendi com o tempo,
sem drama, sem julgamento:
nem tudo que não foi…
foi perda.
o quase também
é livramento.
Eu, no date, não jogo pra inflar ego.
Não sou narcisista, não preciso disso.
Quando estou com alguém
eu quero oferecer o meu melhor.
Não pra impressionar,
não por interesse,
Nem esperando algo em troca.
Mas por respeito.
Porque o tempo dela importa.
Porque estar ali comigo é escolha.
E eu valorizo isso.
De verdade.
“Respirar pesa,
como se o ar tivesse memória.
E ainda assim eu fico,
carregando um silêncio
que só quer… paz.”
Eu não estou perdida
Não é falta de direção,
é excesso de mundo dentro.
Minha mente não se cala,
ela transborda.
São pensamentos, memórias, medos,
tudo ao mesmo tempo,
como se o silêncio não tivesse vez.
Eu não estou perdida.
Eu estou cheia.
Cheia de coisas que ainda não viraram forma,
cheia de sentimentos sem nome,
cheia de histórias que insistem em existir
mesmo sem saber por onde começar.
E no meio disso tudo,
existe uma parte minha
que pede paz…
mas existe outra
que entende:
é desse caos
que eu crio.
Então que seja.
Se minha mente é um turbilhão,
eu escrevo dentro dele.
Não é só no peito, é em mim inteira,
um peso que chega e nunca beira.
Feito de tudo que eu não soltei,
de tudo que senti e nunca falei.
Dias parados, querendo voltar,
coisas em mim sem saber onde ficar.
Eu sigo firme, mesmo cansada,
carrego o mundo sem dizer nada.
E no silêncio onde ninguém vê,
eu luto comigo pra não me perder.
Sem Colete
Quando eu parei de me proteger,
vieram com mira certeira.
Não foi o erro que doeu.
Foi acreditar
que comigo
seria diferente.
O tiro nunca vem
quando você tá armado.
Ele vem
quando você acredita
que finalmente pode descansar.
“Eu sou assim porque sou escorpião.” “Tenho lua em caos e ascendente em sumiço emocional.”
Humaninhos pegam traço tóxico, colocam glitter cósmico e chamam de profundidade. Astrologia era pra ser símbolo, reflexão, linguagem arquetípica. Aí transformam em carteira de habilitação pra ferir os outros sem culpa. Uma espécie de “desculpa jurídica do zodíaco”. Impressionante o esforço da humanidade pra terceirizar responsabilidade até pros planetas. Saturno deve estar exausto.
Tem gente que usa signo como autoconhecimento. E tem gente que usa como biombo emocional.
“Sou intensa.” Não, querida, você só não sabe dialogar sem explodir metade da cidade emocional ao redor.
“Sou fria porque sou de escorpião.” Não. Você escolheu silêncio como arma e romantizou isso.
No fim, caráter nunca esteve no mapa astral. Só o caos potencial. O resto é decisão.
E a pior parte? Quem ama ainda tenta entender. Fica procurando sentido em casa astral enquanto recebe indiferença na cara. Uma tragédia bem humana, aliás. Pessoas ferem, somem, deixam cicatriz… e depois culpam Vênus retrógrado como se o universo tivesse hackeado o bom senso delas.
O menino dos limões
Eu estava voltando pra casa de bicicleta
carregando cansaço, dívidas emocionais
e uma vontade silenciosa de desaparecer do mundo por algumas horas.
Então ele me chamou.
“Tia… você tem alguma moeda?
Eu tô com fome.”
Era só um menino.
Magrinho.
Pele morena.
Olhos verdes que ainda não tinham desistido da vida.
Um pitózinho torto no cabelo
e uma dignidade dolorosa na voz.
Dei as moedas e fui embora.
Mas alguma coisa me atravessou no meio do caminho.
Quando voltei
ele estava em cima de um muro
tentando pegar limão pra comer.
E naquele instante
o mundo inteiro ficou pequeno.
Pequeno feito gente egoísta.
Pequeno feito orgulho.
Pequeno feito discussão inútil.
Pequeno feito pessoas que machucam outras por vaidade
enquanto uma criança tenta enganar a fome com fruta azeda.
Levei ele na padaria.
E o que mais me destruiu
não foi a fome dele.
Foi o cuidado.
“Se ficar caro, tia…
pode deixar o refrigerante.”
Criança nenhuma deveria saber o peso de um refrigerante no bolso dos outros.
Mas ele sabia.
E eu ali
sem dinheiro
sem rumo
emocionalmente quebrada
percebendo que talvez eu tenha gastado demais tentando salvar adultos
quando poderia ter alimentado mais crianças.
Ele foi embora sem saber meu nome.
E eu fiquei ali
vendo um pedaço da humanidade indo embora a pé
com pão nas mãos
e fome no mundo.
Ass: Lucci Santz
Talvez hoje eu não tenha “um mundo” pra entregar. Mas talvez o problema nunca tenha sido faltar mundo. Talvez tenha sido carregar o universo inteiro nas costas tentando ser indispensável pra alguém.
Tantas tacadas eu já peguei,
que o acesso à mim mudou de lugar.
Hoje, quem quiser entrar,
precisa saber ficar.
Não abro mais portas
pra quem chega fazendo barulho,
nem entrego meu caos
pra quem nunca soube cuidar do meu silêncio.
Intimidade não é presença,
é permanência.
Um dia, quando eu voltar...
Um dia, quando eu voltar, talvez nada esteja no mesmo lugar.
As ruas terão seguido seus caminhos, as pessoas terão contado novas histórias, e o tempo terá feito aquilo que sabe fazer melhor: continuar.
Mas algumas coisas permanecem.
Permanecem os abraços que não demos. As palavras que ficaram guardadas. Os sorrisos que a distância não conseguiu apagar.
Um dia, quando eu voltar, não quero encontrar o que ficou parado me esperando. Quero encontrar o que cresceu, o que floresceu, o que teve coragem de viver.
Porque quem ama de verdade não guarda a vida numa gaveta. Cuida dela até o reencontro.
E, se esse dia chegar, que a gente se reconheça não pelo que perdeu, mas por tudo aquilo que teve força para continuar sendo.
Um dia, quando eu voltar, que o tempo não seja uma desculpa. Que seja apenas a ponte entre duas saudades que sobreviveram.
Lucci Santz ✍️
Os desejos são por mim, e eu me alegro.
Não pela inveja que desperto,
mas porque aprendi a reconhecer meu próprio valor.
Quem deseja ocupar meu lugar
talvez não saiba dos caminhos que percorri,
das noites que atravessei
e das marcas que carrego em silêncio.
Eu me alegro,
porque finalmente entendi:
não é sobre ser melhor que alguém,
é sobre ter me tornado alguém
que nem eu mesma imaginava ser.
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