Poesias Pequenas
A vida nos chama a ser justos, não perfeitos, e a justiça começa no reconhecimento da nossa falibilidade.
Perdemos a vida tentando mapear o oceano da nossa alma para quem só possui a capacidade de navegação em águas rasas.
As feridas que a vida não cicatriza se tornam lições silenciosas, escritas na profundidade do nosso ser.
É uma perda de tempo esperar a aceitação integral de quem só consegue conceber a vida e as pessoas em fragmentos.
Nossa vida é comparada a uma estrada para caminhar, e cada passo dado hoje define a paisagem de amanhã.
O tempo é uma serpente que leva a gente pro fim da vida, rastejando silenciosamente e devorando todos os nossos dias.
Quem perde um grande amor não encontra flor nesta caminhada, pois o luto transforma o jardim da vida em um deserto gelado.
Recomeçar é a prova biológica e espiritual de que a alma tem mais vida do que o corpo pode suportar.
A retaguarda da vida é sempre supervisionada por uma força que a ansiedade do presente te impede de enxergar.
A dignidade de muitos é mais nítida nos animais que lutam pela vida do que nos humanos que apenas a consomem.
A esperança renasce em mim como uma chama teimosa, mesmo quando o vento da vida sopra para apagá-la, eu a protejo com as mãos feridas e calejadas, porque sei o quanto ela já me salvou, e continuarei acendendo-a até o fim dos meus dias.
A coragem poética é dizer o que dói sem glamour. É admitir feridas no verso e na vida concreta. Quem mostra o corte sem pedir consolo cria afinidade. Pois a verdade desnuda convida outros a se despirem também. E juntos aprendemos que a humanidade é um círculo de cuidados.
Às vezes a vida te dobra, te empurra, te desmonta em silêncio, como quem testa as costuras da tua alma. Mas uma verdade te sustenta: ninguém vence quem aprende a se levantar por dentro.
Não se prenda à performance, prenda-se à persistência. A vida é feita de avanços imperfeitos, mas corajosos.
A vida, às vezes, te coloca no escuro não para esconder sua luz, mas para que você descubra que a única fonte que precisa já está acesa em você.
Nós dançamos no salão da incerteza, buscando um contrato de fidelidade que a vida jamais assina. A impermanência é o único voto irrevogável, e a tragédia começa quando tentamos convencer o outro de que o para sempre é um lugar e não um movimento.
A vida me ensinou a ser fogo e água, queimar o que me destrói, e acalmar o que me consome, entre extremos encontrei paz, e nessa paz reencontrei minha essência.
A vida me endureceu, mas não permiti que me amargasse, há aço no meu peito, mas ainda há flor nas minhas mãos, eu equilibro forças.
