Poesias Pequenas

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A vida é finita, mas a responsabilidade é infinita: o que fazemos ecoa no mundo que entregamos aos outros.

Niilismo é a masturbação intelectual de quem descobriu que a vida não tem manual de instruções e decidiu que, então, não vale a pena jogar o jogo.

O niilista que cultua o nada é o maior dos hipócritas: ele cospe na vida enquanto usa o oxigênio dela para reclamar.

A normalidade é o cemitério da inteligência. Se a sua vida não tem um toque de estranheza, você está apenas repetindo um roteiro escrito por mentes medíocres.

O ego é um vigia noturno que acredita ser o dono do prédio. Ele passa a vida trancando portas, sem perceber que o que ele mais teme já está do lado de dentro.

Deus tem um plano maravilhoso para sua vida, principalmente se você gosta de sofrimento gratuito, injustiça arbitrária e mortes prematuras.

Niilistas descobriram que a vida não tem sentido cósmico e pararam aí, como eternos adolescentes revoltados. Humanistas descobriram a mesma coisa e perguntaram: "E daí? Vamos construir nosso próprio sentido."

No fim, o niilismo não é vencido por argumentos. É vencido pela vida insistente, teimosa, que continua importando apesar de todas as teorias que dizem o contrário.

A vida pode parecer vazia de propósito, mas é no impacto que deixamos nos outros que a humanidade floresce.

A grande tragédia não é que a vida termine, mas que alguns nunca se permitam amar profundamente enquanto existe.

A humanidade é o único erro biológico que gasta bilhões tentando encontrar vida inteligente em outros planetas, simplesmente porque não consegue encontrar nenhuma por aqui.

Se a vida te der limões, jogue-os nos olhos de quem te deu essa frase motivacional idiota. Ninguém faz limonada com o peso do mundo nas costas.

O sentido da vida é para a frente, mas o meu GPS existencial está recalculando a rota há dez anos.

A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, eu decidi que minha performance será uma comédia de erros com um orçamento baixíssimo.

O niilista não se mata porque, no fundo, ama demais a vida para abrir mão do sofrimento que o define.

O sentido da vida não é revelado por revelações místicas; é construído na sola dos nossos próprios pés.

Conservadores defendem a vida com fervor, desde que ela ainda esteja no útero e não pertença a imigrantes, pobres ou minorias.

Para o conservadorismo, a vida é sagrada no dogma, mas descartável na fronteira, na favela e na cela.

Conservadores protegem a vida até o parto; depois disso, imigrantes, pobres e marginalizados ficam por conta da própria sorte.

Amor vitae sine fato: a vida é aqui e agora. Não existe necessidade dum propósito maior além do direito de respirar. A evolução surge apenas como efeito colateral duma alma perfeita que nasceu pelo simples prazer de viver a experiência humana.