Poesias para um Futuro Papai

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Se deus de fato existisse e tivesse um pingo de amor-próprio, ele processaria as igrejas por calúnia e difamação. Afinal, ninguém destruiu tanto a reputação divina quanto o fanático que usa o nome dele como combustível para incendiar a vida do próximo. A religião não é o caminho para o céu; é o muro que os odiosos construíram para dividir e controlar a sociedade.

Se eu fosse crente, meu maior medo não seria o diabo, mas um dia descobrir que rezei a vida inteira para o deus errado!

A imoralidade atinge seu ápice no exato momento em que um fanático, em sua arrogância cega, decide que os delírios de homens mortos em papéis velhos são a voz de um deus.

Não existe nada mais perverso do que um ignorante tentando validar seu ódio chamando literatura barata de "vontade divina".

A imoralidade começa quando um fanático declara que um livro escrito por humanos é a palavra divina!

O crente percebe que falar com deus não adianta, pois ele não responde; então, o coitado vai a um grupo de ateus se humilhar. Pelo menos o ateu existe para lhe dar atenção, não é, meu filho?

O silêncio do universo não é um vácuo de informação; é um dado. Se deus é uma hipótese que prevê manifestação, cada busca frustrada é uma evidência de sua inexistência.

Já reparou que o diabo tem um gosto excelente? Segundo os crentes, ele inventou o rock, o comunismo, o prazer e o pensamento crítico. Se tudo o que é bom é dele, o céu deve ser um tédio insuportável.

Um dia todas as almas se reunirão para julgar deus por seus vários pecados. Resta saber a sentença: destruição total ou banimento ao eterno esquecimento?

Milhões morreram para que um roteiro teológico escrito por humanos fosse cumprido. Religiões não são uma mensagem de amor; são um monumento ao fanatismo!

Basta que um psicopata fanático se declare porta-voz do divino para que o sangue comece a correr. Na história, esse delírio coletivo tem nome e se chama: religião!

A perfeição das leis da física é o atestado de óbito divino. Se houvesse um criador, as leis seriam seus caprichos; como as leis são constantes e invioláveis, o universo é apenas uma engrenagem que não admite mestres.

A ordem do cosmos não prova nenhuma divindade, prova a sua ausência. Um universo governado por constantes físicas imutáveis é um universo onde não existe espaço para milagres, nem para quem os faça!

Ninguém prova a eternidade da ordem. No início, talvez nem Deus fosse mais do que um lampejo de desordem.

Há um empate metafísico quanto à realidade do passado. Assumir sua realidade é uma convenção prática inevitável, não um conhecimento. Qualquer tentativa de elevar essa convenção a verdade epistêmica é ilegítima.

Se milagres não acontecem na vida real, a existência divina não faz diferença. Um criador que não mexe um dedo para mudar a realidade é, na prática, o mesmo que um deus que não existe!

O universo não é um projeto de arbítrio, mas a tradução inevitável de uma Equação Mestra. Outros mundos são apenas sombras lógicas; a realidade é o único cálculo que se tornou matéria.

É logicamente impossível deduzir um Criador a partir das leis do universo. No fim, resta apenas o desespero de esperar que o Criador um dia crie coragem e diga: "Olá".

O religioso que invade um grupo ateu para pregar revela mais do que imagina: um enorme vazio existencial, dúvidas profundas e desespero. Quem de fato tem fé não precisa gritar, o silêncio lhe basta.

O maior milagre que o Brasil poderia presenciar não seria a cura de um cego, mas a cura de uma democracia contaminada pelo teocentrismo parlamentar.